quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Duas ou três coisas que eu sei dela...



1. O ano de 2015 está aí e com ele as primeiras grandes competições internacionais da temporada. À semelhança do ocorrido em 2013, a Taça do Mundo viaja de novo para os antípodas, estabelecendo-se na Tasmânia para a disputa da sua ronda inaugural. Nas insólitas paisagens dum dos mais belos e remotos locais do planeta, terão lugar três etapas nas distâncias de Sprint (2 e 3 de janeiro), Distância Média (8 de janeiro) e Distância Longa (10 de janeiro), nas quais estão inscritos 61 atletas no setor masculino e 46 no feminino. Austrália e Nova Zelândia, respetivamente com 23 e 19 representantes cada, tiram o melhor partido da localização geográfica do evento. Por outro lado, entre os 17 países representados na competição, nota para a um selecionado do Quénia, com três atletas no “Carnaval” de Launceston. Entre os nomes maiores, destaque para as presenças dos líderes do ranking mundial, Olav Lundanes e Tove Alexandersson, também para três das maiores revelações da temporada 2014, Søren Bobach (Dinamarca), Tim Robertson (Nova Zelândia) e Svetlana Mironova (Rússia) e ainda para os “incontornáveis” Judith Wyder, Mathias Kyburz e Daniel Hubmann, da Suiça, e ainda Lena Eliasson e Gustav Bergman (Suécia). Tudo para descobrir em http://oceania2015.com/.

2. A época 2014 chega ao fim com Olav Lundanes (Noruega) e Tove Alexandersson (Suécia) na liderança dos respetivos rankings IOF. O título mundial de Distância Média, alcançado em Campomulo no dia 11 de Julho, catapultou Lundanes para o primeiro lugar do ranking mundial, tendo neste momento atrás de si os “suspeitos do costume”, Daniel Hubmann e Thierry Gueorgiou. Nas senhoras, Tove Alexandersson é a líder do ranking mundial feminino desde o passado dia 3 de dezembro, por troca com Simone Niggli. E se de Tove Alexandersson não se pode dizer que tenha tido uma época particularmente recheada de títulos, já quanto a Simone fica essa nota espantosa para quem se afastou da competição ao mais alto nível há mais de um ano: 517 semanas na liderança do ranking mundial. Não foram ininterruptas, note-se – de permeio nasceram os três filhos da campeoníssima suiça, obrigando a paragens significativas -, mas ainda assim é um marco que tão cedo não será batido. Os rankings completos podem ser consultados em http://ranking.orienteering.org/.

3. A Federação Internacional de Orientação acaba de publicar as versões atualizadas das Regras de Competição para eventos de Orientação Pedestre, Orientação em BTT e Orientação de Precisão. Uma das alterações é transversal a todas as disciplinas e tem a ver com a cobrança duma taxa de 50,00 € (ou equivalente em moeda local) no caso de ser lavrado um protesto (este valor será devolvido no caso do protesto ser julgado procedente). No caso da Orientação Pedestre faz-se notar que, para além do Emit Electronic Punching and Timing systems e do SPORTident system, passa a fazer parte dos equipamentos aprovados para provas WRE (pontuáveis para o ranking mundial) o Emit touch-free punching system, que se manteve em fase experimental nos últimos anos, particularmente em provas de Orientação em BTT e Orientação em Esqui. Quanto à Orientação em BTT, para além da descrição do novo formato das provas em sistema Mass Start (Partida em Massa), tornando-as ainda mais mediáticas se possível, há essa nova classificação por escalões em Campeonatos do Mundo de Veteranos, com os títulos a serem atribuídos em intervalos de 5 anos (por exemplo, M45, M50, M55, M60), ao contrário do que sucedia até ao momento, a cada dez anos (por exemplo, M50, M60). De notar que esta regra estará já em vigor no Mundial de Veteranos de 2015, a disputar em Idanha-a-Nova, entre os dias 7 e 14 de junho próximo. Finalmente, no que à Orientação de Precisão diz respeito, as alterações são escassas: clarifica-se a questão dos duplicados dos cartões de controlo e estabelece-se que o programa dos Campeonatos do Mundo deve “caber” no espaço de sete dias. Tudo para ler em http://orienteering.org/updated-footo-mtbo-and-trailo-competition-rules-published/.

4. A organização do Portugal O' Meeting 2015 teve um presente de Natal muito especial, ao ver quebrada a barreira dos 500 inscritos. Caminhando para a sua 20ª edição, o evento bate-se por manter os índices qualitativos dos anos mais recentes e, ao mesmo tempo, por contrariar a “crise” e colocar mais de duas mil pessoas a competir nas bonitas áreas de floresta e mar que os concelhos de Mira e Vagos, no Distrito de Aveiro, têm para oferecer. O programa, já se sabe, é intenso e desafiante. De 13 a 17 de Fevereiro, os participantes terão à sua disposição três etapas de Distância Longa (uma delas, no dia 16, pontuável para o ranking mundial), uma etapa de Distância Média, um Sprint noturno, uma Estafeta de Sprint e ainda, como vem sendo habitual desde o POM 2010, uma etapa de Orientação de Precisão (na tarde do dia 15). As inscrições oficiais dão conta, até ao momento, de 531 participantes, com particular destaque para o líder do ranking mundial, o norueguês Olav Lundanes. No setor masculino, uma referência especial para Gustav Bergman (Suécia) e Philippe Adamski (França). Entre as senhoras, sublinhem-se os nomes de Eva Jurenikova (República Checa), Mari Fasting (Noruega) e Amélie Chataing (França). Saiba mais em http://www.pom.pt/pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Orientação de Precisão: Revista do Ano nacional



Neste “virar de página” para uma nova temporada, o Orientovar faz o balanço da época de Orientação de Precisão 2014 a nível interno, ao encontro daquilo que de mais importante se passou entre nós nesta disciplina que continua a ser, para muitos, “um mistério”. São doze meses passados em revista, nos quais recordamos a competição ao mais alto nível, seja ela nas provas da Taça de Portugal ou nos Campeonatos da Europa ou do Mundo.


Quando 2014 se abriu de par em par, a Orientação de Precisão portuguesa encontrava-se em pleno processo de seleção. Os critérios definidos pela Comissão Técnica de Orientação de Precisão da FPO com vista ao apuramento para o Campeonato da Europa, a disputar em Palmela, em Abril, tinham dado já um primeiro passo [em Outubro de 2013, com a realização do Palmela O' Meeting] e daí que o PreO Challenge – Maia Cidade Europeia do Desporto 2014 tivesse um “valor acrescido”, indo além do simples facto de abrir a temporada nacional de Orientação de Precisão. Com um total de 23 participantes, a prova teve lugar num dia verdadeiramente tempestuoso – Portugal estava sob alerta vermelho devido aos ventos ciclónicos –, marcando a estreia do Centro de Reabilitação do Norte nestas lides, clube que viria a ser o grande ganhador da temporada. Individualmente, o triunfo na competição coube a Joaquim Margarido (CRN) e Ricardo Pinto (DAHP), respetivamente nas Classes Aberta e Paralímpica, garantindo assim um lugar na seleção para os Europeus. Com eles, também os segundos classificados – Luís Miguel Nóbrega (COV – Natura) e José Laiginha Leal (CRN) – viriam a ver o seu nome incluído na lista de selecionados.

Março abriu com o Portugal O' Meeting e, com ele, a tão esperada etapa de Orientação de Precisão e que reuniu no Parque da Senhora dos Verdes, em Gouveia, 67 atletas em representação de oito países. O italiano Remo Madella foi o grande vencedor na Classe Aberta, seguido do britânico Charles Bromley-Gardner e do português João Pedro Valente (CPOC). Na Classe Paralímpica, destaque para a vitória de Júlio Guerra (DAHP) que assim carimbou, também ele, o passaporte para os Europeus. Os resultados determinariam que Joaquim Margarido e Ricardo Pinto mantivessem a liderança da Taça de Portugal, enquanto Portugal fechava a lista de selecionados aos Campeonatos da Europa, a saber: Cláudio Tereso, João Pedro Valente, Joaquim Margarido, Jorge Baltasar, Luís Leite, Luís Miguel Nóbrega e Nuno Pires, na Classe Aberta, e José Laiginha Leal, Júlio Guerra e Ricardo Pinto, na Classe Paralímpica.


Dois portugueses na final de TempO dos Europeus

O mês de Abril conheceu a realização da terceira etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão, desenhada no calendário de forma a proporcionar, também, um último apronto ao selecionado português para os Campeonatos da Europa. O Parque Tejo e o Parque das Nações receberam 33 atletas para a disputa do PreO 'Under The Bridge', no qual Luís Gonçalves (CPOC) apareceu a surpreender tudo e todos, levando de vencida a Classe Aberta. Na Classe Paralímpica, vitória de José Laiginha Leal com os mesmos pontos de Ricardo Pinto, mas melhor performance nos pontos cronometrados. Joaquim Margarido e Ricardo Pinto mantinham os lugares cimeiros do ranking da Taça de Portugal, mas a concorrência começava a fazer-se sentir.

Abril foi, sobretudo, o mês dos Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão ETOC 2014 e que contaram, em Palmela, com a participação de 126 atletas na competição de PreO e de 103 na competição de TempO. O TempO foi dominado pelo finlandês Antti Rusanen, depois das séries qualificatórias terem mostrado Lauri Kontkanen, igualmente da Finlândia, como o maior favorito à vitória final. No PreO e no que à Classe Aberta diz respeito, Rusanen travou intensa luta com o seu compatriota e campeão mundial em título, Jari Turto, terminando ambos empatados em pontos mas com o cronómetro, aqui, a favorecer Turto. Já na Classe Paralímpica, a vitória coube ao sueco Michael Johansson, com um ponto à maior sobre o seu compatriota Ola Jansson. Entre os portugueses, o destaque vai para Nuno Pires e João Pedro Valente, garantindo a passagem à final de TempO e cotando-se, na final, nos 31º e 32º lugares, respetivamente. No PreO, Jorge Baltasar foi o nosso melhor representante, concluindo na 43ª posição.


Os novos Campeões Nacionais

No último dia do mês de Maio, a Orientação de Precisão viveu outro momento alto com a realização do Dunas TrailO, evento que apresentou, duma assentada, duas situações inéditas: duas provas num só dia (ou, para sermos mais exatos, numa só tarde) e a disputa do primeiro título nacional de TempO. Como se tal não bastasse, aqui se jogava, em “ato único”, o apuramento para o Campeonato do Mundo, motivo que terá ajudado a chamar às Dunas de Cantanhede o excelente número de 64 atletas. Luís Gonçalves e Ricardo Pinto foram os grandes vencedores da etapa de PreO, enquanto no TempO o triunfo sorriu, de forma inesperada, a Inês Domingues (COC). Com quotas apertadas e sem critérios de apuramento para os Mundiais que considerassem, em separado, as vertentes de TempO e de PreO, Portugal acabaria por “fechar” as contas com uma seleção constituída por Nuno Pires, Luís Gonçalves, João Pedro Valente e Ricardo Pinto. Nas contas da Taça de Portugal, Cláudio Tereso (ATV) assumia a liderança na Classe Aberta, enquanto Ricardo Pinto permanecia na frente do ranking na Classe Paralímpica.

Em Junho jogou-se a segunda edição do Campeonato Nacional de PreO, o qual trouxe consigo, igualmente, uma novidade: a disputa do título nacional Por Equipas, a par dos títulos individuais em ambas as Classes. Disputada por 32 atletas, a prova viria a ter em Joaquim Margarido e Ricardo Pinto os novos Campeões Nacionais nas Classes Aberta e Paralímpica, respetivamente. Na classificação coletiva, o triunfo coube ao CRN, com uma equipa composta por Joaquim Margarido, José Laiginha Leal e Cláudio Poiares. Com estes resultados, Joaquim Margarido recuperava o comando da Taça de Portugal, enquanto Ricardo Pinto reforçava a liderança, praticamente garantindo o triunfo na competição.


Luís Gonçalves é 9º nos Mundiais de TempO

Julho foi mês do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014, na bela região italiana do Trentino. O evento contou com a participação de 100 atletas na vertente de PreO e 61 na de TempO e nele Portugal teve uma participação altamente meritória. Luís Gonçalves foi, indiscutivelmente, a estrela da equipa, ao conseguir um extraordinário 9º lugar na final de TempO, depois de ter sido o mais certeiro de todos os 24 finalistas e de ter recuperado na decisiva prova sete posições em relação ao resultado trazido das eliminatórias. Também na competição de PreO o selecionado português viria a cotar-se em excelente plano, com Ricardo Pinto a concluir no 16º lugar na Classe Paralímpica, João Pedro Valente a ser o 23º na Classe Aberta e com a turma nacional, formada por João Pedro Valente, Luís Gonçalves e Ricardo Pinto a concluir no 9º lugar na competição por Equipas. Duma só vez foram pulverizados todos os resultados anteriormente alcançados em Campeonatos do Mundo, fazendo recair a atenção sobre o percurso ascensional da Orientação de Precisão portuguesa.

Com o DAHP a desistir da organização da etapa de Caminha, o período de Verão resumiu-se à realização do Campeonato Ibérico, no qual participaram 62 atletas, dos quais onze portugueses. Organizado pelo Clube ORCA e disputado em Cervera de Pisuerga, na Montanha Palentina (Espanha), a prova viria a evidenciar algumas debilidades no desenho técnico dos pontos - “demasiado fácil”, diriam alguns -, reflectindo-se isso mesmo nos resultados finais, com nove atletas (!) a fazerem o pleno de respostas certas e quinze outros a quedarem-se com uma resposta errada apenas. Os pontos cronometrados não foram suficientes para quebrar o empate no que aos primeiros diz respeito, pelo que o título ibérico, na Classe Aberta, seria atribuído ex-aequo a João Pedro Valente e ao espanhol José António Tamarit (COV). Na Classe Paralímpica, o triunfo coube a José Laiginha Leal. Na frente do ranking da Taça de Portugal não se verificaram mexidas, com Joaquim Margarido e Ricardo Pinto a manterem a liderança à entrada para a derradeira ronda.


A grande decisão

Após um interregno de dois meses, a Taça de Portugal regressou para a realização da última etapa, na Falperra (Braga), no dia 10 de Outubro. Com Luís Gonçalves ausente, a escassa diferença de pontuação entre Joaquim Margarido e Nuno Pires (Ori-Estarreja) colocava ao rubro a luta pela conquista da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. Ambos sabiam que um simples deslize bastaria para fazer a diferença e a verdade é que Nuno Pires “teve o pássaro na mão”, quando Joaquim Margarido falhou um ponto de controlo ainda na fase inicial do percurso. Foi necessário esperar pelo derradeiro ponto de controlo para vermos Nuno Pires falhar também, fazendo com que tudo voltasse à “estaca zero”. Quem não falhou foi Cláudio Tereso, alcançando assim a sua primeira vitória na competição e cotando-se na terceira posição do ranking. Joaquim Margarido viria a levar de vencida a Taça de Portugal na Classe Aberta, enquanto Ricardo Pinto venceu a etapa na Classe Paralímpica, renovando o triunfo na Taça de Portugal. Nuno Pires e José Laiginha Leal foram os segundos classificados, respetivamente nas Classes Aberta e Paralímpica.

Dezembro chegou e, com ele, a grande azáfama no seio da Comissão Técnica de Orientação de Precisão com vista à próxima temporada. Fechar as etapas da Taça de Portugal 2015, começar já os primeiros contactos com vista a 2016, estabelecer critérios de apuramento para o WTOC 2015, organizar o I Curso de Organização e Traçado de Percursos de Orientação de Precisão e fazer a ponte com a Espanha e o Brasil acaba por ser um esforço repartido por Joaquim Margarido, Nuno Pires e Luís Gonçalves, com o apoio de todos aqueles e aquelas que teimam em garantir o necessário suporte a uma disciplina com um forte cunho social e inclusivo, no fundo uma das mais distintivas marcas da Orientação enquanto desporto para todos. E é ao abrigo do programa “Desporto para Todos” do IPDJ e com o apoio da Invacare Portugal à realização de eventos e ações de formação em 2015 que se vira a página para um novo ano, com a certeza de que este será melhor ainda. Um ano de consolidação do espaço alcançado por esta disciplina, um ano de afirmação e de grandes resultados. Assim todos o queiramos!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Orientação Pedestre e Orientação de Precisão: Temporada 2015 arranca em Coruche



Coruche recebe no próximo dia 10 de Janeiro as etapas inaugurais da Taça de Portugal de Orientação Pedestre e da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2015. Um dia, três propostas irrecusáveis e um programa de início de ano com tudo para agradar a todos.


Após 19 meses de interregno, o Troféu Coruche Capital Mundial da Cortiça está de regresso para a realização da sua segunda edição. Organizado pelo Coruche Outdoor Adventure Club, Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos e Federação Portuguesa de Orientação, com os apoios do Município de Coruche, Junta de Freguesia de S. José da Lamarosa e Clube Português de Orientação e Corrida, o II Troféu Coruche Capital Mundial da Cortiça 2015 dá, em simultâneo, o pontapé de saída na temporada nacional de Orientação Pedestre e de Orientação de Precisão 2015.

Com a designação que refere o título atribuído ao concelho Ribatejano, o II Troféu Coruche Capital Mundial da Cortiça 2015 decorrerá na Freguesia de S. José da Lamarosa, em terrenos típicos de montado e será constituído por três provas diferentes num único dia: Distância Média e Estafeta de dois atletas, no que toca à Orientação Pedestre e TempO, o mais recente formato da disciplina de Orientação de Precisão. As inscrições estão a decorrer em excelente ritmo, cativando até ao momento o interesse de quase duas centenas e meia de atletas, entre os quais o Campeão Nacional de Distância Longa, Tiago Gingão Leal (GD4C), a Campeã Nacional de Sprint, Patrícia Casalinho (COC) e a Campeã Nacional de Distância Média, Distância Longa e Absoluta, Mariana Moreira (CPOC). Na disciplina de Orientação de Precisão, entre os 35 inscritos até ao momento, o destaque vai para as presenças de Inês Domingues (COC), Campeã Nacional de TempO em título, dos "internacionais" Cláudio Tereso (ATV), Luís Leite (GD4C), Luís Miguel Nóbrega (COV - Natura) e João Pedro Valente (CPOC) e do vencedor da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014, Joaquim Margarido (Individual), numa prova que terá em Luís Gonçalves – 9º classificado no Campeonato do Mundo de TempO 2014 - o responsável pelo desenho do percurso.

Qualidade e competitividade asseguradas, importa dizer que o evento é aberto a pessoas de qualquer idade, podendo participar nos escalões de competição ou nos escalões abertos, individualmente, ou em grupo. As inscrições decorrem até ao dia 05 de janeiro (com agravamento a partir do dia 30 de dezembro, à exceção dos escalões abertos), podendo ser feitas via OriOásis ou por e-mail para coaclub@gmail.com. Dadas as excelentes referências turísticas do concelho, esta será, além do mais, uma excelente oportunidade para desfrutar da harmonia entre a prática desportiva em contacto com a natureza e um passeio turístico ao encontro daquilo que o Ribatejo tem de melhor para oferecer. Todas as informações sobre o evento, disponíveis em http://trofeucoruche2015.coac.pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 27 de dezembro de 2014

Orientação em BTT: Revista do Ano internacional


Dinamarca, Suécia e Polónia constituiram os três principais polos competitivos da Orientação em BTT na temporada que agora termina. Foi aí que a Elite mundial marcou presença massiva, foi aí que se concentraram os momentos das grandes decisões. De Birkerød a Białystok e Supraśl, um olhar sobre o que de melhor aconteceu em 2014, numa disciplina onde espectacularidade e emoção são faces duma mesma moeda.

Por Joaquim Margarido


Agregando os três maiores eventos internacionais da temporada, a Taça do Mundo de Orientação em BTT rumou pela primeira vez ever à Dinamarca, onde teve lugar a ronda inaugural desta edição 2014. Às gratas recordações dos Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo de Juniores, aí disputados em 2009, à reconhecida qualidade organizativa e ao desafio dos terrenos em torno de Birkerød, juntava-se a natural ansiedade do início de cada temporada, com as primeiras pedaladas “a sério” a permitirem fazer um ponto da situação no tocante à preparação de Inverno e a merecerem a devida atenção em ajustes e correções. Expectativas ao rubro, pois!

Ao triunfarem na etapa de Sprint, o russo Anton Foliforov e a finlandesa Marika Hara abriram a temporada da melhor forma, estabelecendo na perfeição a ponte entre a conquista da Taça do Mundo overall 2013 e uma edição de 2014 a iniciar-se sob os melhores auspícios. A etapa de Distância Longa teve em dois atletas finlandeses - Pekka Niemi e Ingrid Stengård -, os grandes vencedores. Vitórias seguramente saborosas em ambos os casos, quer por ser a primeira de Niemi em etapas pontuáveis para a Taça do Mundo, quer por representar, para Stengard, o regresso ao lugar mais alto pódio de onde esteve afastada praticamente dois anos. Composta por Marika Hara, Pekka Niemi e Jussi Laurila, a Finlândia venceu a etapa de Estafeta Mista que encerrou a competição, impondo-se a uma França onde, a par de Gaëlle Barlet, despontam com enorme fulgor os jovens Cédric Beill e Baptiste Fuchs.

Mas a história desta primeira ronda da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014 não se faz apenas de vencedores. Nomes como os do noruguês Hans Jørgen Kvåle ou da britânica Emily Benham, das russas Svetlana Poverina e Olga Vinogradova ou do dinamarquês Erik Skovgaard Knudsen, entre muitos outros, merecem figurar numa segunda linha, a um pequeno passo do ouro. Com o avançar da temporada, uns viriam a confirmar o seu bom momento e a chegar mais alto. Outros nem tanto...


Um novo record de participantes

Já o mês de Julho caminhava para o final quando, duma assentada, 16.000 orientistas do mundo inteiro apontaram os caminhos do Norte da Europa. Só uma grande competição mundial como o O-Ringen tem tal poder e carisma, reforçados este ano pelo facto de se estar a comemorar o 50º aniversário do evento. Rivalizando com as suas “irmãs” da Pedestre e do TrailO, a Orientação em BTT figurou em lugar de destaque no Programa, sendo a primeira disciplina a “entrar em campo” e igualmente com três etapas pontuáveis para a Taça do Mundo. A par dos 124 atletas inscritos nas classes de Elite, a grande referência vai para os 644 participantes nos três dias de competição aberta, o que faz do O-Ringen MTBO 2014 a mais participada competição de sempre da história da Orientação em BTT mundial.

Vencendo as etapas de Distância Média e de Distância Longa, Anton Foliforov deu um passo de gigante rumo à revalidação da vitória na Taça do Mundo overall. A grande surpresa na competição masculina veio da Estónia, com Lauri Malsroos a bater de forma clara Hans Jørgen Kvåle, vencendo a etapa de Sprint e conquistando o seu primeiro triunfo ever na Taça do Mundo. Vencendo tudo o que havia para vencer, Emily Benham cotou-se como o denominador comum de todas as etapas do setor feminino. Por margens claras na Distância Média e na Distância Longa, por escassos três segundos sobre Ingrid Stengård no Sprint, os triunfos da atleta britânica transportaram-na à liderança da Taça do Mundo, transformando-a na principal favorita aos títulos mundiais, a cinco semanas da sua disputa.


O ano da Rússia

A Polónia foi palco, nos últimos dias de Agosto, da 12ª edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT. Com todos os focos apontados para Białystok e Supraśl, a competição daria a conhecer os novos campeões mundiais nas distâncias Média, Longa, Sprint e Estafetas, etapas todas elas pontuáveis para a Taça do Mundo.

Oferecendo, a título de “prólogo”, uma Estafeta de Sprint Mista que os russos Tatiana Repina e Ruslan Gritsan levaram de vencida, a competição “a sério” teria o mais emocionante desfecho da história dos Campeonatos do Mundo, com um épico Sprint a creditar Hans Jørgen Kvåle e Anton Foliforov com o mesmo tempo final e a atribuir, ex-aequo, a medalha de ouro. Depois das medalhas de prata em 2009 e 2011, Marika Hara conquistou o seu primeiro título mundial de Sprint, batendo por clara margem a jovem russa Tatiana Repina. Colocando quatro atletas masculinos e três femininos nas sete primeiras posições das respetivas tabelas, a Rússia mostrava-se firmemente decidida a vingar os resultados da passada temporada, na qual ficara afastada do ouro pela primeira vez desde 2004.

Esta ideia surgiu reforçada com a medalha de ouro de Ruslan Gritsan na prova de Distância Média, uma vitória que permitiu ao atleta russo recuperar um título que lhe fugia há nove anos (!) e que faz dele, a partir deste momento, o atleta masculino mais “dourado” da história dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT, com seis medalhas de ouro individuais, ultrapassando em definitivo o australiano Adrian Jackson, cinco vezes Campeão do Mundo. No sector feminino, a sueca Cecilia Thomasson voltou a afirmar-se como uma das maiores especialistas mundiais femininas de Orientação sobre duas rodas, conquistando o título mundial de Distância Média após ter chegado à medalha de ouro na prova de Sprint dos Mundiais de 2013.

Mas foi na Distância Longa, a “prova-rainha” dos Campeonatos, que a Rússia se mostrou ao melhor nível, com Anton Foliforov a recuperar um título conquistado em 2010 e Olga Vinogradova a sagrar-se campeã do Mundo pela primeira vez na sua carreira. Vinogradova viria a estar de novo em lugar de destaque ao conquistar, juntamente com Tatiana Repina e Svetlana Poverina, o título mundial de Estafeta feminina, um feito apenas conseguido anteriormente pela Rússia no já distante ano de 2006. Com um último percurso demolidor, o bi-campeão mundial (Sprint e Distância Média) em 2013, Tõnis Erm, ofereceu à Estónia o seu primeiro ouro numa Estafeta em Campeonatos do Mundo, subindo ao lugar mais alto do pódio na companhia de Lauri Malsroos e Margus Hallik. A Finlândia quedou-se com a medalha de prata, tanto no setor masculino como no feminino,


Foliforov e Benham conquistam Taça do Mundo

O evento da Polónia permitiu, igualmente, conhecer os Campeões do Mundo 2014 nas categorias Master e Junior e recebeu mais uma edição da European MTB Orienteering Youth Cup. No tocante ao Campeonato do Mundo de Juniores, as vitórias dos suecos Kajsa Engstrom (Distância Média) e Oskar Sandberg (Sprint) somam-se ao ouro de Cecilia Thomasson e permitem afirmar a Suécia, em definitivo, como um dos países com maior força no panorama da Orientação em BTT mundial. Outra excelente performance coube ao neo-zelandês Tim Robertson, medalha de ouro na prova de Distância Média e medalha de prata na prova de Sprint, após ter-se sagrado, algumas semanas antes, Campeão do Mundo de Juniores de Sprint na vertente de... Pedestre! A checa Veronika Kubinova alcançou o título mundial de Distância Média, enquanto os títulos de Distância Longa couberam ao austríaco Andreas Waldmann e à finlandesa Ruska Saarela. Russia em masculinos e República Checa em femininos conquistaram os títulos de Estafeta, com Kubinova a cotar-se como a figura maior dos Campeonatos.

Os Campeonatos do Mundo permitiram encerrar em definitivo as contas da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014, com Anton Foliforov e Emily Benham a conseguirem segurar o primeiro lugar. Aquém das expectativas em termos de resultados, Emily Benham acabou por conquistar a medalha de bronze no Sprint e a medalha de prata Distância Média, resistindo estoicamente ao assédio de Marika Hara, vencedora da Taça do Mundo nas três temporadas anteriores. Triunfando em cinco das oito etapas individuais pontuáveis para a Taça do Mundo, Anton Foliforov foi, ao contrário do sucedido na temporada passada, um vencedor tranquilo, renovando uma conquista que premeia a regularidade ao mais alto nível.

Um número de pequeno países no contexto da Orientação em BTT mundial têm um ou outro nome muito forte – o Lituano Jonas Maiselis ou o português Davide Machado são apenas dois exemplos – e a ordem estabelecida começa a ser posta em causa. Os resultados já não são dominados em exclusivo por um grupo restrito de individualidades. As provas tornaram-se mais emocionantes, o desafio é maior e a imprevisibilidade dos resultados é total. A velocidade e as aptidões dos melhores atletas evolui de ano para ano. O futuro da Orientação em BTT é brilhante e promete.


Atenções viradas para o resto do Mundo

O primeiro embate em 2015 está marcado para Miskolc, na Hungria, nos três primeiros dias de Maio. Seguir-se-ão os Europeus em Portugal e os Mundiais na República Checa. Para 2016, a Federação Internacional de Orientação recebeu o maior número de candidaturas à organização das duas rondas da Taça do Mundo ainda em aberto – Portugal será palco dos Campeonatos do Mundo nesse ano -, naqueilo que constitui um record desde a criação do certame em 2010. Este número crescente de candidaturas permite não apenas ter um mais vasto leque de escolhas no que à variedade de terrenos diz respeito, mas igualmente em termos das regiões onde as provas poderão vir a ser disputadas. É possível virmos a assistir a uma ronda da Taça do Mundo nos Estados Unidos ou na África do Sul, na Indonésia ou no Brasil, nos próximos anos? O desenvolvimento da Orientação em BTT na Europa está consolidado e é agora tempo de fazer com que as grandes competições façam incidir a sua atenção sobre o resto do Mundo!

[Foto de Nigel Benham. Consulte o artigo original em http://www.orienteering.org/edocker/orienteering-world/2014/. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Mariana Moreira: "Acho que ninguém estava à espera de encontrar um terreno assim"



O ano de 2014 consagrou-a como a “rainha” da Orientação em Portugal, levando-a à conquista de quatro títulos nacionais e da Taça de Portugal. Pelo meio ficam as primeiras participações internacionais no escalão Elite e ainda a sua marca na mais importante prova do calendário regular nacional, assinando o percurso do terceiro dia do Portugal O' Meeting, um dos mais aclamados do ano entre a comunidade orientista mundial. Com Mariana Moreira traçamos hoje um balanço da época que agora chega ao fim.


É quase do senso comum pensar-se que quem assina um traçado de percursos do POM se arrisca a ganhar o “Percurso do Ano”. Essa hipótese passou-lhe pela cabeça?

Mariana Moreira (M. M.) - É verdade que nos últimos dois anos o POM foi o grande vencedor do “Percurso do Ano”, mas não foi de todo com esse principal objetivo que aceitei ser a traçadora de um dos dias do POM. Este ano pudemos observar muitos percursos de grande qualidade nos mais variadíssimos eventos em todo o mundo e sabia que era muito pouco provável o mesmo evento vencer pelo terceiro ano consecutivo. Ainda assim, acho que posso falar em nome do CPOC e dizer que saber que o Thierry Georgiou considerou que pare ele este terceiro dia do POM foi o melhor percurso do ano, ou que a Annika Billstam elegeu os terrenos de todos os dias do POM como os melhores em que correu em 2014, foi para nós um grande orgulho.


Ao traçar aquele percurso em particular, que objetivos tinha em mente?

M. M. - Como em todos os percursos que até hoje tracei (não foram assim tantos), o principal objetivo foi sem dúvida tentar criar o maior desafio possível para os atletas. Neste percurso em particular, a ideia foi tentar criar logo à partida um “choque inicial” com um percurso com muitos pontos e mudanças de direção naquela área inicial que de facto era muito, muito desafiante. Acho que ninguém estava à espera de encontrar um terreno assim quando no dia anterior, e mesmo ali ao lado, tinham corrido num “Arcozelo muito mais aberto e maioritariamente amarelo”.

Relativamente à descoberta do espaço, esta não foi minha. Já tínhamos decidido com bastante antecedência quem iriam ser os quatro traçadores das quatro etapas de floresta do POM mas só decidimos quem traçaria cada dia quando o desenho dos mapas já estava avançado. Fiquei então encarregue de traçar os percursos neste pedaço Oeste do mapa total do Arcozelo. Teve de haver uma grande articulação entre os traçadores das três últimas etapas, já que a parte final dos três dias era a mesma e obviamente não fazia sentido repetir pontos nem pernadas. Trabalhei então em conjunto com a Raquel Costa e o Tiago Aires (também cartógrafos do mapa) e chegámos às melhores soluções possíveis. Foram várias as versões criadas para os vários percursos, principalmente porque ao início a área do mapa deste terceiro dia era bastante mais limitada e ao longo do tempo fomos descobrindo zonas para onde expandir o mapa, e assim os percursos foram sendo mudados e adaptados.


Tem pena de não o ter corrido?

M. M. - Sinceramente, acho que no fundo acabei por desfrutar muito mais do mapa do que qualquer outra pessoa (com a exceção dos cartógrafos ,claro) já que foram muitas as horas que ali passei a escolher os locais dos pontos, a testar pernadas, a colocar e recolher estacas ou mesmo a fazer filmagens. É obviamente uma abordagem diferente e noutro contexto gostaria de ter tido o desafio de “correr a sério” neste mapa, mas neste caso considero que tive uma oportunidade diferente.


Os resultados deste terceiro dia foram ao encontro das suas expectativas?

M. M. - Abordando os resultados pelos tempos realizados - já que quando definimos as distâncias o fazemos com base nos tempos previstos dos vencedores -, posso dizer que os resultados foram os expectáveis. Falando de algumas prestações, no lado masculino não houve grandes surpresas mas no escalão feminino nunca esperei ver (e em tempo real pelo GPS) a Simone Niggli ou a Annika Billstam a perderem tanto tempo logo no início.


A Distância Média do WOC acabou por ser um vencedor justo?

M. M. - Penso que sim, considero que seria justo ganhar qualquer um dos que acabaram por ficar no top. Obviamente que um bom percurso de um Campeonato do Mundo numa votação pública teria grandes hipóteses de vencer. Como atleta tive o prazer de poder correr esta Distância Média e por experiência própria pude comprovar o quão especial e desafiante era.


Olhando para a temporada que agora termina, a Mariana quase fez um pleno inédito, falhando apenas o título nacional de Sprint. Como é que viu o seu desempenho ao longo da época? E em termos internacionais?

M. M. - A nível nacional foi sem dúvida uma das minhas melhores épocas, se não mesmo a melhor a nível dos resultados em si, tendo apenas faltado controlar um ponto no sprint (curiosamente este era já o único título que tinha vencido a nível individual sénior, em 2012). Mas infelizmente este aspeto também se deve um pouco ao facto da concorrência ser cada vez menor. A nível internacional estreei-me este ano em campeonatos internacionais a nível sénior mas não o fiz como gostaria. No Campeonato da Europa fiz duas boas qualificatórias mas depois falhei muito na prova em que tinha apostado mais, no Sprint em Palmela. Também no Campeonato do Mundo a minha principal aposta era o sprint e aqui voltei a falhar logo na qualificatória em Burano, tendo cometido um erro de 1’30 num ponto já perto do final, o que não me permitiu ser apurada para a final, que era o meu grande objetivo.


Bruno Nazário cedeu o lugar à frente da seleção a Hélder Ferreira. Qual a sua apreciação?

M. M. - Foi exatamente há dez épocas atrás que iniciei a minha “carreira internacional” no EYOC 2005 e fi-lo precisamente com o Bruno Nazário como selecionador dos jovens. Posso então considerar que foi ele um dos impulsionadores para eu hoje ainda “aqui andar”. Naturalmente que abandonar este projeto não deve ter sido uma decisão fácil e sinceramente tenho pena que tal tivesse de acontecer mas compreendo a decisão, ainda para mais depois de se estar dez anos dedicado a um projeto e o trabalho não ser “reconhecido”. Infelizmente não foi a primeira vez que um caso destes ocorreu, e as prioridades acabam por se alterar. Tivemos no início deste mês o primeiro estágio da seleção sénior com vista a preparar a época de 2015 e neste momento apenas posso desejar boa sorte ao Hélder.


Como avalia o atual estado da Orientação portuguesa?

M. M. - Se há poucos anos atrás achava que a modalidade estava a crescer, agora é fácil verificar precisamente o contrário (basta olhar para os números de participantes das últimas provas). Não estamos a conseguir cativar novos atletas e muitos dos que há três ou quatro épocas atrás eram “participantes regulares” estão a deixar de ter a capacidade, e em alguns casos mesmo a deixar de ter a vontade, de ir a grande parte dos eventos. Uma das razões poderá mesmo ser a crise geral que o país enfrenta mas isso não pode justificar tudo. Por exemplo, vemos cada vez mais as inscrições nas corridas de massas e nos trails a esgotarem, o que significa que as pessoas continuam a investir e mantêm a vontade de praticar atividade física ao ar livre.

A estratégia da Federação não esteve nestes últimos tempos, de facto, bem traçada, ou pelo menos não esteve a ser bem aplicada. Felizmente recentemente já se pôde observar uma maior preocupação quanto a este assunto e espero realmente que se tomem medidas e que a esta tendência e esta queda de participantes se altere.


O que faria para inverter a tendência negativa?

M. M. - Não é fácil apresentar medidas concretas e daí ser necessário o contributo de todos os interessados para que se possa chegar às melhores soluções. Em princípio a minha dissertação de mestrado recairá de certa forma sobre esta temática pelo que espero poder contribuir para melhorar o estado atual da modalidade.


Quais os seus objetivos em relação à próxima temporada?

M. M. - Ainda não defini concretamente os meus objetivos a nível de resultados mas certamente que passarão principalmente pelo sprint do WOC. A nível nacional espero ter novamente uma época regular, espero que o nível aumente (mais atletas a participar e a treinar) e, mais a curto prazo, espero ter boas prestações nas primeiras provas da época (POM e WRE’s).


Agora que estamos a chegar ao final do ano, quer deixar um voto para 2015?

M. M. - Apenas que em 2015 a orientação volte a crescer, que quem tem objetivos e trabalha para eles os possa alcançar e, acima de tudo, que sejam todos felizes de mapa na mão.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Duas ou três coisas que eu sei dela...



1. A cidade de Sevilha recebe, nos dias 14 e 15 de novembro do próximo ano, a derradeira etapa da segunda edição do City Race Euro Tour. Conjunto de competições que, juntando as cidades de Londres, Porto, Edimburgo e Barcelona, teve o seu arranque este ano, o City Race Euro Tour prepara-se para expandir o seu raio de influência já em 2015. Edimburgo ficará de fora – a popular prova “Race the Castles” não se realiza no ano que vem -, mas esta “baixa” será compensada pela integração das cidades de Antuérpia, Cracóvia e Sevilha. O calendário para 2015 será o seguinte: Antuérpia (Bélgica) 05/06 Setembro; Londres (Grã-Bretanha) 12/13 Setembro; Porto (Portugal) 25/27 Setembro; Cracóvia (Polónia) 10/11 Outubro; Barcelona (Espanha) 31 Outubro /01 Novembro; Sevilha (Espanha) 14/15 Novembro. Para mais informações, consulte a página do City Race Euro Tour, em http://cityracetour.org/.

2. A mais recente edição da Orienteering World, publicação de caráter anual da responsabilidade da Federação Internacional de Orientação, já se encontra disponível para consulta em http://www.orienteering.org/edocker/orienteering-world/2014/. Ao longo de 40 páginas, é todo um ano de emoções que se desfiam ao nosso olhar, com um foco muito particular naquilo a que Brian Porteous, Presidente da IOF, designa no Editorial por “desenvolvimento regional”, verdadeira força motriz duma modalidade que pretende afirmar-se à escala global e que atinge, no final de 2014, o número de 78 federações nacionais agregadas. No artigo “Homem com missão”, somos convidados a conhecer um pouco do percurso de José Angel Nieto Poblete, verdadeiro “embaixador” da Orientação na América do Sul, um continente onde a modalidade se encontra em grande expansão. A Orientação em BTT merece um destaque particular, mostrando-se no que de melhor vai acontecendo em países tão distintos como Hong Kong ou Brasil, África do Sul ou Estados Unidos. As temporadas de Orientação em Esqui e de Orientação de Precisão são igualmente passadas “a pente fino”, mas o melhor será não levantar em demasia a ponta do véu e deixar aqui o convite a que “folheiem” a revista.

3. Como vem sendo hábito de há seis anos a esta parte, os dias que vão do 1º de dezembro até ao Natal são de análise e reflexão. Que não se pense tratar-se duma qualquer premissa litúrgica ou algo parecido, antes é tempo do “Route to Christmas”, iniciativa com a chancela de Jan Kocbach e do seu World of O, oferecendo diariamente um mapa novo, visto à luz das opções daqueles que neles tiveram o prazer de correr e competir. Da etapa de Distância Longa da Taça do Mundo em Kongsberg (Noruega) ao percurso de Damas Elite dos Campeonatos Nacionais França/Suiça, nas montanhas do Jura (FRança), passando pela etapa de Distância Longa dos 3º Campeonatos do Mediterrâneo, disputada em Aguiar da Beira (Dia 4), é todo um desfiar de momentos ímpares e que oferecem aos amantes da Orientação uma oportunidade única de ampliarem os seus conhecimentos. O endereço é o habitual: www.worldofo.com.

4. Também numa iniciativa de Jan Kocbach e do World of O, ficámos a saber os nomes dos grandes protagonistas do ano para a comunidade orientista. Judith Wyder e Rune Haraldsson foram galardoados com o prémio “The Orienteering Achievement of 2014”, como resultado duma votação na qual foram contabilizados quase 4000 votos únicos, oriundos de 60 diferentes países. Na votação masculina, o sueco Rune Haraldsson soube mostrar que, aos 96 anos de idade, a Orientação continua a ser um desporto para a vida. Graças às suas notáveis performances nos Mundiais de Veteranos do Brasil, o menos jovem dos orientistas mundiais arrecadou 29% do total de votos, batendo inapelavelmente o dinamarquês Søren Bobach (19,5%), o suiço Daniel Hubmann (11,5%), o neozelandês Tim Robertson (10,7%) ou o sueco Gustav Bergman (9,4%). Nas senhoras, a suiça Judith Wyder colheu a maior fatia de votos (37,9%), confirmando-a como a nova “rainha” da Orientação mundial. Os votantes renderam-se às seis medalhas de ouro conquistadas este ano (três nos Campeonatos do Mundo e outras tantas nos Campeonatos da Europa), colocando-a à frente da turma dinamarquesa do OK Pan Århus (19,2%), da russa Svetlana Mironova (13,2%), da sueca Tove Alexandersson (9,0%) e da britânica Cat Taylor (8,5%). Saiba mais – e não perca as entrevistas com Judith Wyder e Rune Haraldsson – em http://news.worldofo.com/2014/12/18/haraldsson-and-wyder-orienteering-achievement-of-2014/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Rúbens Igreja: "Vamos espalhar a Orientação de Precisão pelo Brasil inteiro"



Comandante da Marinha brasileira e um dos grandes impulsionadores da Orientação no País irmão, o Comandante Rúbens Igreja esteve entre nós, participando, juntamente com outros dois altos embaixadores brasileiros desta modalidade – Marcelo Malato e José Ferreira Barros - no I Curso de Organização e Traçado de Percursos de Orientação de Precisão, que decorreu na Praia da Tocha em 13 e 14 de dezembro. Aqui fica um apanhado das suas impressões, simultaneamente um grito de querer e esperança na afirmação da Orientação de Precisão no Brasil.


Qual o sentido desta presença no Curso de Organização e Traçado de Percursos de Orientação de Precisão promovido pela Federação Portuguesa de Orientação?

Rúbens Igreja (R. I.) - A Orientação de Precisão constituiu, desde sempre, um sonho para nós, principalmente pelo seu valor de inclusão social através do desporto. O Brasil já teve Orientação de Precisão, mas duma forma esporádica, isolada, inconsequente. O nosso objetivo passa, agora, por desenvolver um projeto, entretanto aprovado pelo Ministério da Defesa do Brasil e cujo primeiro passo é fazer este Curso. Depois levaremos estes conhecimentos para o Brasil, procurando aplicá-los não apenas no âmbito militar mas sobretudo no âmbito civil, onde a questão da exclusão social é um problema muito sério. Vamos prosseguir neste esforço de aprendermos mais em 2015 e procurar capacitar atletas e técnicos, transmitindo aquilo que aprendemos aqui, de forma consolidada e sem pressas, para que em Dezembro de 2015 possamos ser capazes de organizar a nossa primeira prova de Orientação de Precisão no Brasil.


Como é que decorreu o Curso? Quais as grandes novidades?

R. I. - As grandes novidades?... Foi tudo novidade! Desconhecíamos quase totalmente a Orientação de Precisão. Percebemos desde logo a importância e o valor do levantamento cartográfico. O cartógrafo tem, aqui, um papel fundamental. É diferente da Pedestre, há na Precisão uma incidência muito grande no detalhe. Aliado ao cartógrafo, também o traçador de percursos é fundamental na viabilização da prova, criando igualdade de condições de participação a pessoas com e sem mobilidade reduzida. Na verdade, este Curso foi todo ele uma novidade, mas tudo aquilo que aprendemos começa a fazer sentido. Conseguimos articular uma parte teórica, densa, cheia de novos conceitos, com uma prática, repleta de desafios mas onde a lógica impera. São os alicerces seguros para que possamos, duma forma doutrinária, desenvolver o nosso trabalho no Brasil. Além disso, Nuno Pires e Joaquim Margarido estão a dar-nos uma ajuda enorme nesta fase. Agradecemos a vossa boa vontade, a dedicação e atenção que nos têm dedicado. Percebemos claramente o vosso interesse em ajudar-nos e isso é, para nós, muito importante.


Que questões se colocam perante os conhecimentos já adquiridos? Tem-se deparado muitas vezes com a dúvida interior de como, no plano prático, se poderá contornar isto ou aquilo?

R. I. - [A Orientação de Precisão] É um desafio muito grande, é uma responsabilidade imensa. Mas estamos com muita vontade de enfrentar as dificuldades e abraçar o desafio. O Brasil é um País com uma desigualdade social imensa e temos de estar atentos a este fenómeno. Sendo um Desporto para Todos, a Orientação de Precisão não é apenas para a pessoa com deficiência, para o cadeirante. É também para o atleta que pratica Orientação Pedestre, para que possa aperfeiçoar cada vez mais a sua técnica de Orientação. Sabemos que as dificuldades são imensas, mas não vamos esmorecer. Vamos trabalhar, vamos seguir em frente e vamos implantar, realmente, a Orientação de Precisão no Brasil.


Apesar de impulsionado pelo Ministério da Defesa e pela Marinha do Brasil, imagino que o projeto conta igualmente com o apoio dos clubes brasileiros...

R. I. - Esse é o nosso desejo, mas nesta fase inicial precisamos de nos organizar. Temos que nos formar, normalizar procedimentos e então desencadear o projeto. Numa segunda fase iremo-nos expandir e essa expansão terá o seu ponto de partida no Rio de Janeiro. Inclusivamente, contámos neste Curso com a presença de Marcelo Malato, Presidente da Federação de Orientação do Rio de Janeiro e que é também o nosso “cartógrafo-mor”. Vamos começar no meio militar, com a intenção de avançar com este esforço de integração para o meio civil. A partir daí vamos espalhar a Orientação de Precisão pelo Brasil inteiro e implicar nesse processo a Confederação Brasileira de Orientação, uma vez que não possui ainda esse foco de trabalho. Será um processo semelhante àquele que se está a passar com a Oientação em BTT.


Do ponto de vista competitivo, quando serão visíveis os primeiros resultados do projeto?

R. I. - Em Fevereiro de 2015 vamos regressar para o Portugal O' Meeting, onde procuraremos acompanhar uma parte do planeamento, organização e montagem da prova. O Poetugal O' Meeting é para nós uma referência mundial e poder estar presente é o garante de que iremos acompanhar e aprender muito mais. Mas para reposder diretamente à sua questão, deixe-me dar-lhe nota, em primeira mão, da nossa intenção de trazer nessa altura um atleta nosso, um atleta da Marinha brasileira que sofreu um acidente mas que continua a praticar Orientação Pedestre. É um atleta com uma enorme base de Orientação, um atleta já “formado”, mas é um atleta paralímpico e que necessita de conhecer as particularidades da Orientação de Precisão. Temos dois meses para trabalhar com ele e esperamos com curiosidade para ver os seus resultados no Potugal O' Meeting. Ele será, pois, o primeiro atleta paralímpico brasileiro a participar numa competição internacional.


Agora que estamos no virar de mais uma página, de mais um ano, atrevo-me a pedir-lhe um voto para 2015?

R. I. - Saúde para todos, esse é o nosso primeiro desejo. Sem saúde não há energia e precisamos de toda a energia para podermos colocar em prática os nossos anseios, os nossos sonhos. Como representante da Orientação, das Forças Armadas e do Brasil, gostaria de reafirmar a nossa vontade de desenvolvermos esta modalidade no nosso País, em todas as vertentes. Daí esperarmos que, em parceria com este País muito amigo que é Portugal, possamos colher experiências no sentido de desenvolvermos a nossa Orientação, elevando-a a patamares cada vez mais altos, tanto em termos de desempenho competitivo como do ponto de vista da organização. Os resultados serão consequência dessa organização e desse planeamento adequados. Fechamos este ano a pensar já em 2015... e em 2016... e em 2017. Porque este é um projeto em marcha e que não vai mais parar!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Universidade de Valência: Jornadas de Orientação de Precisão atraem 250 participantes



A Universidade de Valência foi, pelo espaço de dois dias, a “casa” da Orientação de Precisão. Reunindo mais de duas centenas e meia de participantes, as Jornadas de Orientação de Precisão promovidas pela Cátedra Divina Pastora de Desporto Adaptado daquela instituição resultaram num significativo passo em frente rumo à afirmação plena desta disciplina no País vizinho.


Prosseguindo nesse extraordinário labor de proporcionar igualdade de oportunidades às pessoas com deficiência e, dessa forma, contribuir para a sua integração social, a CDPDAUV - Cátedra Divina Pastora de Desporto Adaptado da Universidade de Valência levou a efeito, nos passados dias 19 e 20 de dezembro, as suas primeiras jornadas integralmente dedicadas à Orientação de Precisão. Contou, para tal, com a presença de dois especialistas – Joaquim Margarido, membro da Comissão Técnica de Orientação de Precisão da Federação Portuguesa de Orientação e Toño Hernandez, responsável máximo por esta disciplina junto da Federação Espanhola de Orientação –, os quais souberam cativar a atenção de duzentos e cinquenta participantes, distribuídos por um Curso de Iniciação e um outro, de âmbito mais lato, aprofundando os princípios e regras desta disciplina e abordando igualmente a organização de provas e o traçado de percursos de Orientação de Precisão.

A manhã do dia 19 foi integralmente dedicada aos mais novos. Quatro estabelecimentos do Ensino Politécnico disseram “presente”, com duzentos alunos, professores, especialistas em atividades de natureza e ar livre ou simples interessados na formação a “beberem” as noções mais básicas para, posteriormente, mostrarem o seu valor no Parque de Viveros, ante um percurso com 16 desafios, superiormente desenhado por Ana Belén e José António Tamarit. A tarde do dia 19 e todo o dia 20 foram dedicados ao mesmo tema, abordado contudo por outros e diferentes prismas. O heterogéneo grupo de trinta formandos revelou-se verdadeiramente interessado em algo de novo e deveras diferente, aí reconhecendo mérito competitivo e valor inclusivo. Interação plena nos blocos teóricos e participação de viva voz na componente prática – com os incontornáveis “protestos” de permeio – foram ingredientes de dois dias de importante aprendizagem, resultando numa experiência gratificante a todos os títulos. Refira-se que a CDPDAUV não deixou rigorosamente nada ao acaso, divulgando intensamente a realização das Jornadas, promovendo a difusão em direto através da sua página na internet e preparando-se agora para resumi-las em vídeo com fins promocionais e educacionais.


Satisfação

Terminadas as jornadas, os formadores das Federações Portuguesa e Espanhola, Joaquim Margarido e Toño Hernández, coincidiram na sua apreciação muito positiva, sobretudo no tocante à forma como conseguiram manter o nível de interesse e atenção em patamares elevados, o que se revelou gratificante e motivador. Joaquim Margarido mostrava-se particularmente entusiasmado com a forma como decorreu a prática matinal do primeiro dia, “com tantos jovens empenhados e com aquilo que será um record de participações num percurso desta natureza ao nível de toda a Península”, disse. O futuro afigura-se risonho, assim o vê Margarido, para quem “o interesse e ilusão dos participantes constituem o melhor garante de que muitos e bons resultados surgirão no médio e longo prazo”.

De corpo e alma nestas Jornadas, Niclas Gil Nieminen, da organização, mostrou-se no final “muito satisfeito com o elevado número de participantes, mas também com os conhecimentos adquiridos e que servirão de base de trabalho para todos aqueles que estiveram presentes. São eles os grandes dinamizadores na passagem de conhecimento aos seus alunos”, revela. Além do mais, a aprendizagem adquirida irá permitir levar por diante um ambicioso projeto que terá, no médio prazo, um momento de enorme importância. Niclas explica: “O próximo passo tem a ver com a utilização dos recursos adquiridos no sentido de montarmos, já no próximo mês, uma prova local que sirva a toda a equipa de exercício prático com vista ao evento maior, nos dias 25 e 26 de Abril. Será aí que organizaremos [juntamente com o Ayuntamento de Titaguas, o SD Correcaminos e a Universidade de Valência] o I Troféu das Universidades Europeias e no qual pretendemos introduzir a Orientação de Precisão. Se formos bem sucedidos, estou seguro que nos atribuirão, em 2017, a organização - juntamente com o I Campeonato da Europa Universitário de Orientação Pedestre – do Europeu Universitário na vertente de Orientação de Precisão.”


Formadores de formadores”

As últimas palavras são de Miguel Angel Torregrosa, da CDPDAUV, para quem as Jornadas “foram muito positivas”. Para aquele responsável, “a participação e o compromisso cotaram-se a um nível alto e, tratando-se duma atividade dirigida também a formadores de formadores, creio que as ações tenderão a multiplicar-se, tanto no que se refere a atividades letivas como em termos da animação de tempos livres do ponto de vista da atividade física desportiva.” Para Torregrosa, “os conhecimentos adquiridos, aplicados em múltiplos contextos, contribuirão para o favorecimento da divulgação e conhecimento desta disciplina.”

Com 1200 alunos portadores de deficiência, a múltiplos níveis, a Universidade de Valência é uma referência a nível de toda a Espanha. Daí que estas Jornadas tivessem, igualmente, este particular aspeto em atenção. Para Torregrosa, “primeiro é necessário que dispunhamos de pessoal técnico qualificado e capacitado para planificar atividades de caráter inclusivo. A partir daí, teremos uma maior capacidade de abordar esse coletivo de pessoas com deficiência, mas também aqueles que não possuem deficiência. Ou seja, todos os alunos da Universidade poderão, a partir deste momento, beneficiar dessa oferta, tal como sucede com outros programas de atividade física e recreativa que temos em desenvolvimento.” E a terminar: “A Universidade apostou desde sempre na Orientação e há mais de doze anos que promovemos atividades. É um desporto que se desenrola em meio natural, o meio natural tem um potencial de desfrute de tempo livre muito importante e trata-se duma modalidade de futuro. Com a realização destas jornadas demos um passo importante no desenvolvimento do nosso projeto, na certeza de que, dentro de quatro anos, teremos uma participação mais inclusiva nas atividades por nós organizadas.”

Mais informações sobre as Jornadas em http://www.catedradivinapastora.es/

[Clique na imagem para ver o Álbum das Jornadas]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 14 de dezembro de 2014

Orientação de Precisão: Curso de Organização e Traçado de Percursos encerra temporada



Um formador, 17 formandos, 16 horas intensivas de trabalho teorico-pratico, uma enorme interação e muita partilha de informação. Foi assim o Curso de Organização e Traçado de Percursos de Orientação de Precisão, levado a cabo pela Federação Portuguesa de Orientação ao longo do fim de semana e que teve em Nuno Pires um dedicado e conhecedor “mestre de cerimónias”.


No final duma temporada plena de sucesso para a Orientação de Precisão portuguesa, a Federação Portuguesa de Orientação, por intermédio da sua Comissão Técnica de Orientação de Precisão, levou a cabo a realização do I Curso de Organização e Traçado de Percursos de Orientação de Precisão. O Parque de Campismo da Praia da Tocha funcionou como excelente base de apoio para o desenrolar do Curso, com a zona do Parque de Merendas, ali ao lado, a permitir a realização dos módulos práticos. Nuno Pires assumiu o papel de formador, conseguindo cativar a atenção dum heterogéneo grupo de 17 formandos, muitos deles já com bastante experiência nesta disciplina, casos dos portugueses Luís Gonçalves, João Pedro Valente, Cláudio Tereso, Joaquim Margarido, Acácio Porta-Nova ou do principal responsável espanhol por esta disciplina, António Hernandez. Do lado dos menos experientes, o destaque vai, naturalmente, para os três elementos das Forças Armadas brasileiras presentes, José Ferreira Barros, Rubens da Igreja Ferreira e Marcelo Tavares Malato, para o cartógrafo e atleta espanhol Jaime Montero Gómez e também para Joana Pires e Bruno Salgueiro, Professores de Educação Física no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, estes últimos presentes no Curso a convite da Federação Portuguesa de Orientação. Participaram ainda no curso Ana Carreira, Ana Porta-Nova Gonçalves, Maria João Borges, António Neto e Carlos do Vale.

Assente numa sólida experiência enquanto organizador, traçador de percursos e supervisor, Nuno Pires guiou os participantes numa viagem exaustiva ao pequeno-grande mundo da Orientação de Precisão, dos conceitos base subjacentes a esta disciplina, ao trabalho de campo e de casa inerentes às funções do traçador, não esquecendo os papéis fundamentais de quem produz os mapas, dirige o evento e labora ao nível da supervisão. Os conceitos teóricos tiveram numa ação prática - que tirou o melhor partido do traçado de percurso do Campeonato Nacional de PreO 2013 - o complemento ideal dum Curso que constitui um marco assinalável no crescimento da Orientação de Precisão em Portugal e do seu contributo para a disseminação desta disciplina tanto em Portugal como no estrangeiro.


Impressões

“Se cheguei aqui assustado, vou daqui apavorado”, referiu Rubens Igreja no final, acompanhando a frase com uma gargalhada. A satisfação patente no rosto dos três militares brasileiros era notória, percebendo-se o quão proveitosa terá sido a participação no Curso e que esta será, seguramente, a primeira grande pedra basilar no projeto do lançamento consolidado da Orientação de Precisão no Brasil. Reconhecendo a enorme responsabilidade que é ser arauto duma disciplina que tem nas funções social e inclusiva dois dos seus maiores valores, também a Professora Joana Pires se mostrava confiante na papel terapêutico que esta disciplina pode desempenhar no processo de reabilitação dos utentes do Centro Rovisco Pais. A sensação final comum a todos os participantes é a dum enriquecimento muito grande com este tipo de ações e a certeza da mais-valia que elas representam para o crescimento da disciplina.

O ano vai terminar mas não sem que antes, já no próximo fim de semana, Joaquim Margarido esteja na Universidade de Valência, juntamente com Antonio Hernandez, a ministrar dois Cursos de Orientação de Precisão, numa iniciativa da Catedra Divina Pastora de Desporto Adaptado da Universidade de Valência. Com dois publicos-alvo distintos – alunos e professores – os Cursos inserem-se na estratégia pedagógica da Catedra, visando a promoção e o fomento do estudo dos desportos adaptados. Com o virar do ano, teremos logo no dia 10 de janeiro, da parte da tarde, a primeira etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2015, com a disputa em Coruche duma competição de TempO integrada no II Troféu Coruche Capital Mundial da Cortiça. Inscreva-se já!








Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

NAOM 2015: Regresso a Castelo de Vide e Marvão



Reconhecidamente um dos mais importantes e concorridos eventos da temporada, o Norte Alentejano O' Meeting está de regresso. Distribuindo as atenções pelos municípios de Castelo de Vide e Marvão, o NAOM 2015 repete o modelo de sucesso da edição anterior, dando início a uma série de quatro fins de semana consecutivos em que Portugal volta a ser a Meca de orientistas do Mundo inteiro.


Pela terceira vez em nove edições, Castelo de Vide transforma-se no epicentro da Orientação à escala mundial, acolhendo o Norte Alentejano O' Meeting 2015. Desta feita, porém, não colhe o exclusivo, já que o programa prevê uma incursão no município vizinho de Marvão. Organizado pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, numa parceria com os municípios de Castelo de Vide e Marvão, Federação Portuguesa de Orientação e Federação Internacional de Orientação, o evento terá lugar no fim de semana de 31 de janeiro e 01 de fevereiro de 2015, atraindo uma vez mais as atenções de muitos atletas portugueses e estrangeiros.

O pontapé de saída será dado no Vale da Silvana - que alguns recordarão ainda como tendo sido o palco da derradeira etapa da segunda edição do NAOM disputada em 2008 –, num mapa novo assinado por Tiago Aires e Raquel Costa. Os percursos têm desenho de Victor Delgado e João Alves para uma etapa de Distância Média a fazer adivinhar desafios de elevada exigência técnica e física. Da parte da tarde do primeiro dia, as atenções irão estar centradas na encantadora Vila de Marvão para uma etapa de Sprint WRE, pontuável para o respetivo ranking da Federação Internacional de Orientação. Trata-se do regresso a um dos melhores e mais desafiantes mapas de Sprint existentes em Portugal, depois de aqui se ter assistido, no início de Junho de 2012, à decisiva etapa do Campeonato Nacional de Sprint. Distinguido no concurso “Percurso do Ano” com o 15º lugar a nível mundial pelo seu traçado da prova de Sprint WRE do NAOM 2014, Hugo Borda d'Água é novamente o responsável pelo traçado de percursos, sobre mapa de Armando Rodrigues, atualizado de fresco por Tiago Aires. O NAOM 2015 encerra no dia 01 de fevereiro com nova etapa de Distância Média no mapa novo da Quinta das Lavandas, em terrenos com tanto de beleza como de desafio técnico. Raquel Costa volta a assinar o mapa, sendo o traçado de percursos da autoria de Tiago Leal. Importa referir que Luís Sérgio é o responsável pela Supervisão FPO e que as etapas de Distância Média pontuam para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre nível 1 e a prova de Sprint faz parte do Circuito Nacional Urbano CiNU 2015.

Com início em 2007, o Norte Alentejano O' Meeting teve no romeno Ionut Zinca e na finlandesa Riina Kuuselo os seus primeiros vencedores. Os franceses Thierry Gueorgiou e Amélie Chataing são as mais recentes figuras duma lista que inclui ainda nomes como os da suiça Simone Niggli, do ucraniano Oleksandr Kratov, da checa Eva Jurenikova, do atual líder do ranking mundial, o norueguês Olav Lundanes, da sueca Helena Jansson e dos portugueses Tiago Romão, Maria Sá e Joana Costa, entre outros. A menos de dois meses do evento e quando o número de inscritos se cifra ainda em 74, provenientes de cinco países (Portugal, Espanha, Grã-Bretanha, Noruega e Rússia), é prematuro estar a vaticinar o que quer que seja. Que muitos e bons atletas – alguns deles ocupando os lugares cimeros do ranking mundial – irão estar em Castelo de Vide e Marvão no virar do próximo mês de janeiro, disso ninguém duvide. E com eles todos os melhores valores nacionais da modalidade.


Programa


• 30 de Janeiro - Prova de Treino (Póvoa e Meadas)

• 31 Janeiro 2015 - Distância Média em Vale da Silvana (Castelo de Vide)

• 31 Janeiro 2015 - Sprint em Marvão (WRE) e (CiNU)

• 01 Fevereiro 2015 - Distância Média em Quinta das Lavandas (Castelo de Vide)



Saudações orientistas.

Joaquim Margarido