sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Ana Paula Campos: "Se calhar havia outros treinadores que mereciam mais do que eu"



É já no próximo dia 12 de Novembro que tem lugar a 19ª Gala do Desporto, uma iniciativa da Confederação do Desporto de Portugal e que visa premiar os melhores desportistas portugueses do ano nas categorias de atleta masculino, atleta feminino, jovem promessa, treinador e equipa. Enquanto aguardamos pelo dia 30 de Outubro e pela divulgação dos nomes que passam às votações finais, procuramos conhecer um pouco melhor Ana Paula Campos, a personalidade indicada pela Federação Portuguesa de Orientação na categoria “Treinador do Ano”.


Se, de alguma forma, o “ser diferente” valesse votos, Ana Paula Campos integraria, seguramente, o lote final de cinco candidatos ao título de “Treinador do Ano” da Confederação do
Desporto de Portugal. A razão é simples: ela é a única mulher entre os 30 nomes indicados pelas 27 Federações concorrentes ao prémio. Nascida em Lourenço Marques (Moçambique) em 29 de Junho de 1968, Ana Paula da Silveira Serra Campos é licenciada em Ensino de Educação Física e Mestre em Ciências do Desporto (Gestão Desportiva) pela FCDEF-UP. Treinadora da modalidade no âmbito do Desporto Escolar, onde se tem notabilizado (foi a responsável pelas equipas de Selecção de Iniciados e Juvenis Femininos nos últimos Campeonatos do Mundo de Desporto Escolar ISF 2013), acumulando as funções com as de atleta da modalidade Orientação e de organizadora / coordenadora de eventos.

Foi nesta última qualidade que o Orientovar a encontrou, no preciso momento em que, na Falperra (Braga), chegava ao fim a Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. Uma etapa organizada pelo Clube de Orientação do Minho e que teve em Ana Paula Serra Campos um dos seus elementos preponderantes, ao assinar (juntamente com Manuela Marques) o desenho dos pontos. Esse foi o mote para o início duma conversa ao encontro do momento presente da modalidade no nosso País e onde é possível perceber que “Perseverança”, “Voluntarismo” e “Carácter”, as três palavras-chave escolhidas por Ana Paula Campos para se definir como desportista e como pessoa, podiam igualmente ser “Paixão”, “Coerência” e “Talento”. E “Humildade”!


Vale a pena organizar uma prova de Orientação de Precisão?

Ana Paula Campos (A. P. C.) - (risos) É muito difícil, sobretudo para quem não tem experiência na disciplina. Eu estive envolvida com a Manuela Marques nesta organização – aliás era impensável levar isto por diante só com uma de nós – e nenhuma das duas domina a Orientação de Precisão. Por conseguinte, o envolvimento e o investimento teve de ser muito maior, implicou estudo e uma maior dedicação. Por outro lado, este mapa [da Falperra] pode ser muito interessante para a Pedestre mas não estava minimamente preparado para a Precisão - não estava com a “precisão” devida (risos) -, o que implicou ajustes sucessivos desde o início. Tivemos que mexer em imensas coisas, coisas que para a Pedestre são insignificantes mas que tiveram aqui de ser trabalhadas quase ao pormenor, o que foi muito complicado. Mas aprendemos muito da disciplina, certamente, porque fomos obrigadas a ler. E aprendemos também muito com o Luís [Nóbrega], que supervisionou o nosso trabalho.

Podemos depreender, então, que o balanço é positivo.

A. P. C. - Vale a pena organizar uma prova destas, sem dúvida, mas o investimento é muito grande para um número de participantes que, em Portugal, é ainda reduzido. Se os números fossem outros seria muito mais gratificante, naturalmente. Mas rejeito a ideia de que se deva deixar de fazer, porque senão ficamos pior.

O que fazer para cativar mais participantes?

A. P. C. - Já tenho refletido sobre isto e não sei muito bem. Acho que o futuro desta disciplina passa muito pelo investimento de duas ou três pessoas que se especializem realmente nesta disciplina e que possam colmatar a falta de elementos com saber ou experiência dentro dos clubes. Os clubes têm os mapas e os terrenos, têm os recursos humanos mas depois esbarram na falta de domínio das muitas particularidades da Orientação de Precisão. É preciso alguém dedicado a 100% que possa dar uma ajuda.

Orientação de Precisão e Desporto Escolar. Pode haver aqui algum tipo de sinergias?

A. P. C. - Depois de ter um primeiro contacto com a Orientação de Precisão, achei que podia ser muito interessante para trabalharmos com os mais novos as questões relacionadas com a sinalética. Só que as especificidades são tantas que se tornam obstáculos muito significativos. A começar pelo investimento de tempo na preparação dum treino desta natureza. É impossível. Mas mesmo que pensássemos em limitar o treino a três ou quatro situações, as diferenças são muito grandes e a exigência técnica em relação à Pedestre é enorme. O “entre” na Precisão é exatamente “entre”, enquanto na Pedestre qual o significado do “entre”? Mais para aqui ou mais para ali é “entre” e é isso que conta. Enfim, a menos que alguém se dedicasse inteiramente a isto... mas com grupos de cinquenta e muitos alunos e a dar treino praticamente todos os dias torna-se inviável.

Maria Portela, Leonardo Ramalho, Joana Fernandes, Maria Bernardino, João Magalhães, Rodrigo Magalhães... o fruto dum trabalho que tem o seu reconhecimento na indicação do seu nome pela Federação Portuguesa de Orientação para o prémio “Treinador do Ano”, da Confederação do Desporto de Portugal.

A. P. C. - Quando recebi a notícia até “abanei”, porque acho que não faz sentido (risos).

Não faz sentido porquê?

A. P. C. - Custou-me um bocado a digerir. Eu interpreto o prémio como um prémio anual. Se fosse um prémio de carreira pelo reconhecimento do meu trabalho e do tempo que tenho investido na modalidade, desde sempre, eu entendia. Agora, resultados deste último ano, não há nenhum que se possa verdadeiramente destacar. Se calhar havia outros treinadores que mereciam mais do que eu, não sei... também não sei quais foram os critérios. Mas custou-me a mandar o currículo, deve haver um engano (risos)...

Mas ficou satisfeita (!?) …

A. P. C. - Naturalmente. Mas entendendo-o como o reconhecimento da minha carreira, do trabalho que tem sido feito ao longo dos últimos anos e não propriamente os resultados deste último ano. Tenho os alunos que referiu com muito bons resultados no Desporto Escolar e no Federado nos últimos dois anos, não no último ano.

Como é que avalia o atual momento da nossa Orientação?

A. P. C. - Sinto que a parceria entre o Desporto Escolar e o Desporto Federado tem trazido bastantes frutos. Basta ver que os atletas jovens que estão a mostrar resultados vêm todos do Desporto Escolar. Esta parceria deve manter-se e tem de ser reforçada e isso é uma responsabilidade da Federação. Se assim o fizer, irá colher os frutos nos próximos anos. De resto – e assumindo que não sou a pessoa mais entendida no assunto -, penso que o nível técnico dos nossos eventos é muito bom e a prova disso é o elevado número de atletas internacionais que nos procuram. A única situação que me merece algum reparo é a variação a que se assiste de ano para ano em termos do modelo da Taça de Portugal. Na minha opinião, pela forma como a Taça de Portugal está estruturada, neste momento não há suporte financeiro que garanta a participação em tantas provas. São muitas provas, não faz sentido. Não faz sentido! É necessário reduzir drasticamente esse número. Temos as provas WRE concentradas num mesmo período e depois temos as restantes. Mas, na minha opinião, doze provas anuais era o “q.b.”. Há ali três ou quatro seguidas, tudo bem, e depois tinhamos outras oito para o resto do ano. Esta é a minha opinião.

Torneio .COMmapa, que futuro?

A. P. C. - É imprescindível para os nossos miúdos, é para manter. É a forma de termos competições regulares aqui próximo e a baixo custo. O objetivo inicial passava pela divulgação junto da população local e, simultaneamente, aproveitarmos para o treino dos nossos atletas duma forma mais formal. O nosso dilema reside no facto de fazermos as provas aqui no sentido da promoção da modalidade mas em mapas onde os miúdos treinam semanalmente ou então sairmos daqui, deixar um bocadinho de parte a divulgação e irmos para longe, onde temos mapas muito interessantes, como o Gerês, a Cabreira ou Paredes de Coura. Mas é difícil conciliar as duas coisas. Provavelmente optaremos por trazer para a cidade eventos mais mediáticos, como o Dia Nacional da Orientação e levaremos os restantes para fora.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Duas ou três coisas que eu sei dela...



1. Acaba de ser publicado na página da Federação Portuguesa de Orientação o ranking final da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. A jornada do passado sábado, na Falperra (Braga), veio clarificar em definitivo algumas situações, nomeadamente a questão do vencedor no que à Classe Aberta diz respeito. A igualdade pontual verificada nesta última etapa entre Joaquim Margarido (CRN) e Nuno Pires (Ori-Estarreja), únicos candidatos à vitória final face à ausência de Luís Gonçalves (CPOC), acabaria por não ter resultados práticos significativos, com o atleta do CRN a segurar a liderança e a garantir a “dobradinha”, depois da conquista do título nacional de PreO no passado mês de Junho. Vencedor da Taça de Portugal em 2013, Nuno Pires terminou na segunda posição, enquanto o terceiro lugar coube a Cláudio Tereso (ATV). Na Classe Paralímpica, Ricardo Pinto (DAHP) revalidou a vitória na Taça, seguido do estreante José Laiginha Leal (CRN) e de Júlio Guerra (DAHP). Resultados completos para conferir em http://www.orioasis.pt/oasis/rankings/cache/TPdeOrientacaodePrecisao2014.43.pdf.


2. Joaquim Margarido acaba de receber a certificação como Supervisor Internacional IOF de Orientação de Precisão, estando apto para o exercício da função em todos os eventos maiores desta disciplina tutelados pela Federação Internacional de Orientação para o período de 2014-2015. Grande dinamizador do relançamento desta disciplina no nosso País e pioneiro da Orientação de Precisão portuguesa em Campeonatos do Mundo, o atleta começou a sua carreira sob o emblema do Núcleo de Desporto Adaptado do Hospital da Prelada, envergando atualmente as cores do Centro de Reabilitação do Norte, ao serviço do qual se sagrou esta época campeão nacional de PreO (individual e por equipas) e levou de vencida a Taça de Portugal de Orientação de Precisão. Joaquim Margarido torna-se, assim, no mais novo elemento a integrar o restrito clube de 28 supervisores internacionais IOF de Orientação de Precisão e cuja lista pode ser consultada em http://orienteering.org/trail-orienteering/event-advising/list-of-event-advisers/.


3. Depois do Porto, foi a vez da cidade escocesa de Edimburgo receber uma etapa do City Race Euro Tour. Incluída no popular evento “Race the Castles” - conjunto de provas que se estendem ao longo de dois fins de semana consecutivos -, a etapa pontuável para o certame teve no britânico Daniel Stansfield (FVO) o grande vencedor no escalão Elite masculina, seguido dos seus compatriotas Will Hensman (FVO) e Joshua Dudley (MAROC). Na Elite feminina, vitória da britânica Karen Poole (CLOK), seguida da vencedora da etapa portuguesa, a lituana Tekle Emilija Gvildyte (OK Medeina) e da irlandesa Caoimhe O' Boyle (CNOC). Com uma etapa apenas por disputar – Barcelona, 1 e 2 de Novembro -, o ranking do City Race Euro Tour é liderado pelo britânico Oliver O' Brien (SLOW) e pela lituana Gytaute Akstinaite (Azuolas), em Elite masculina e feminina, respetivamente. João Mega Figueiredo (CN Alvito), na 14ª posição, é o português melhor classificado no escalão Elite masculina, ao passo que Sandro Castro (GD4C) ocupa o 2º lugar no escalão Veteranos M40. O ranking devidamente atualizado encontra-se disponível para consulta em http://cityracetour.org/ranking.


4. Cifra-se no extraordinário número de 133 atletas, os participantes na derradeira prova da Taça da Europa de Orientação de Precisão (não oficial) 2014, que terá lugar no próximo fim de semana em Kunětická Hora, na República Checa. Organizado pelo clube universitário MFF Praha (MFP),
Orienteering Club Dobruška (DOB)
e Orienteering Club Vamberk (VAM), o evento integra duas etapas de PreO pontuáveis para a Taça da Europa e ainda uma etapa de TempO. Virtual vencedor do certame, o norueguês Martin Jullum é o grande ausente duma lista onde constam atletas de 13 nacionalidades diferentes, entre os quais o sueco Martin Fredholm e o norueguês Lars Jakob Waaler, segundo e terceiro classificados do ranking, respetivamente, o esloveno Krešo Keresteš, o italiano Remo Madella, a checa Jana Kosťova, o croata Ivo Tišljar, o dinamarquês Søren Saxtorph, o húngaro Zoltan Mihaczi ou o russo Dmitriy Dokuchaev, entre outros, todos eles grandes nomes da Orientação de Precisão mundial. Um bom ensaio a pensar já em 2016 e nos Europeus de Jesenik e uma prova para seguir atentamente e que pode ser antecipada em http://mfp.mff.cuni.cz/ecto2014/en_start.php.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014: Triunfos de Ricardo Pinto e Claúdio Tereso na derradeira etapa



Ricardo Pinto e Cláudio Tereso foram os grandes vencedores da etapa de encerramento da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. Num evento que revelou Joaquim Margarido e Ricardo Pinto como os vencedores da Taça e do Circuito “Todos Diferentes, Todos Iguais” da presente temporada, espaço ainda para o domínio do Clube Gaia nos Nacionais de Orientação Adaptada, conquistando tudo o que havia para conquistar.


Chegou ao fim a Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. Com início em S. Pedro de Avioso, na Maia, no já longínquo dia 09 de fevereiro, o certame percorreu sucessivamente os municípios de Gouveia, Lisboa, Cantanhede, Figueira da Foz e Cervera de Pisuerga (Espanha), para terminar em Braga, no mapa da Falperra, na tarde do passado sábado. Com uma participação global de 84 atletas nacionais e 28 estrangeiros, as etapas que integraram o certame permitiram atribuir os títulos nacionais de PreO e de TempO, bem como o título ibérico de PreO e serviram ainda de critério para o apuramento dos atletas que integraram as seleções nacionais presentes nos Campeonatos da Europa e nos Campeonatos do Mundo da presente temporada. E permitiram, naturalmente, conhecer os grandes vencedores neste final de temporada, mas dessas contas falaremos mais à frente.

Organizada pelo Clube de Orientação do Minho e englobada na sexta etapa do VII Torneio .COMmapa, esta última prova da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014 teve para oferecer um conjunto de 15 pontos ao longo de 800 metros, precedidos de uma estação cronometrada com dois desafios extra. O traçado de percurso, com a assinatura de Ana Paula Serra Campos e Manuela Marques e Supervisão FPO de Luís Miguel Nóbrega, surpreendeu pela positiva, oferecendo um leque de desafios de elevado grau de dificuldade técnica, sendo do inteiro agrado dos participantes.


Vou manter esta aposta na disciplina”

Com um final de temporada em crescendo, Cláudio Tereso (ATV) colocou “a cereja no topo do bolo” ao conseguir o pleno de respostas corretas, garantindo desta forma a primeira vitória da sua carreira em etapas pontuáveis para a Taça de Portugal. Uma vitória saborosa, à qual Claúdio Tereso se referiu desta forma: “Já tinha feito três ou quatro terceiros lugares e estava um bocado triste por nunca conseguir ser efetivamente o melhor. Foi realmente agradável puder superar esses resultados e sobretudo tendo cá os bons do costume”. Referindo-se à prova em si, o atleta confessou ter gostado particularmente do mapa e do traçado de percursos: “Gosto muito deste tipo de mapas, acho que são os mapas ideais, mapas de parquezinhos de montanha, com boas acessibilidades, detalhados, com muitas pedras e floresta, e neste caso com três ou quatro pontos muito interessantes, em particular aqueles zês traiçoeiros.” E a terminar: “Tenho-me dedicado, tenho tentado ir a todas as provas e acho que vou continuar assim. Vou manter esta aposta na disciplina e tentar fazer sempre o meu melhor.”

Na Classe Paralímpica, Ricardo Pinto (DAHP) foi um vencedor incontestado, terminando da melhor forma uma temporada brilhante, pontuada pelo extraordinário 16º lugar alcançado no Campeonato do Mundo WTOC 2014, em Itália. Sem surpresas, José Laiginha Leal (CRN) alcançou o segundo lugar, enquanto a terceira posição coube a António Amorim (DAHP).


Taça de Portugal discutida “ao segundo”

Designada por “etapa do título”, a prova acarretava o aliciante extra de dar a conhecer, em definitivo, o vencedor da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. Com um percurso competitivo em tudo semelhante ao longo das seis etapas anteriores, Nuno Pires (Ori-Estarreja) e Joaquim Margarido (CRN) chegavam à derradeira prova na situação de “empate técnico”. Fazendo questão de manter o “suspense” até ao último momento, os dois atletas terminaram a prova em igualdade pontual, com uma resposta incorreta cada um. A maior rapidez de decisão nos pontos cronometrados deu a vantagem a Nuno Pires, mas este foi um segundo lugar de sabor amargo, já que os dois segundos gastos a mais por Joaquim Margarido se revelaram insuficientes para que a tão almejada renovação do título fosse uma certeza para o atleta do Ori-Estarreja. Com um total de 471,89 pontos, Joaquim Margarido é o grande vencedor da presente edição da Taça de Portugal de Orientação de Precisão na Classe Aberta, batendo o seu mais direto rival pela escassa margem de 3,05 pontos (!). Quanto à Classe Paralímpica, há muito que as contas estavam praticamente fechadas, limitando-se Ricardo Pinto a confirmar o triunfo, com folgada margem sobre os seus mais diretos opositores, José Laiginha Leal e Júlio Guerra (DAHP), respetivamente segundo e terceiro classificados.

Esta etapa colocou igualmente um ponto final no IV Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”, permitindo definir os respetivos vencedores. Na Classe Aberta, o triunfo coube a Joaquim Margarido, com Claúdio Tereso e Luís Nóbrega (COV – Natura) a ocuparem as posições imediatas. Quanto à Classe Aberta, a vitória sorriu a Ricardo Pinto, seguido de José Laiginha Leal e Júlio Guerra.


Clube Gaia domina Nacionais de Orientação Adaptada

Mas o programa desta sexta etapa do VII Torneio .COMmapa não incluiu apenas a Orientação de Precisão. Na verdade, a prova mais participada disputou-se na vertente Pedestre, atraindo setenta e oito participantes ao mapa da Falperra. Registem-se as vitórias de João Novo (.COM) no percurso Difícil, Paulo Domingues (GD4C) no percurso Médio e Ana Pacheco (AE Maximinos) no percurso Fácil, numa prova em que praticamente metade dos atletas pertenciam ao Desporto Escolar, competindo sob as cores do Agrupamento de Escolas de Maximinos, Escola Básica da Apúlia e Escola Secundária Carlos Amarante.

Referência igualmente para a disputa da segunda edição do Campeonato Nacional de Orientação Adaptada – ANDDI Portugal, uma vertente inclusiva por excelência e particularmente vocacionada para a Deficiência Intelectual. No setor masculino, Vítor Pereira (Clube Gaia) sagrou-se Campeão Nacional, batendo os seus colegas de equipa Domingos Oliveira e Bruno Cardoso, respetivamente segundo e terceiro classificados. No setor feminino, a Vice-Campeã em 2013, Paula Santos (Clube Gaia), foi desta feita a grande vencedora, relegando para as posições imediatas Raquel Cerqueira e Liliana Silva, igualmente do Clube Gaia. Marcaram presença nestes Nacionais de Orientação Adaptada um total de 41 atletas em representação do Grupo Novais e Sousa e CERCI Braga, para além do já referido Clube Gaia.


Orientação de Precisão
Resultados

Classe Aberta
1. Cláudio Tereso (ATV) 15/15 pontos (10 segundos)
2. Nuno Pires (Ori-Estarreja) 14/15 pontos (17 segundos)
3. Joaquim Margarido (CRN) 14/15 pontos (19 segundos)
3. António Amador (Ori-Estarreja) 14/15 pontos (19 segundos)
5. Acácio Porta-Nova (CPOC) 13/15 pontos (37 segundos)
6. Ana Carreira (CPOC) 12/15 pontos (160 segundos)
7. Miguel Sá (Montepio Geral) 10/15 pontos (21 segundos)
8. Maria João Borges (Individual) 10/15 pontos (55 segundos)
9. Pedro Massa (DAHP) 09/15 pontos (115 segundos)
10. Cátia Conceição (Individual) 05/15 pontos (39 segundos)
11. Gonçalo Borges (DAHP) 04/15 pontos (105 segundos)
12. Clara Estima (DAHP) 04/15 pontos (116 segundos)

Classe Paralímpica
1. Ricardo Pinto (DAHP) 13/15 pontos (74 segundos)
2. José Laiginha Leal (CRN) 07/15 pontos (82 segundos)
3. António Amorim (DAHP) 06/15 pontos (176 segundos)
4. Ana Paula Marques (DAHP) 04/15 pontos (178 segundos)



Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014: Braga recebe etapa do título



A presente temporada de Orientação de Precisão em Portugal está prestes a chegar ao fim. Braga será o palco, na tarde de amanhã, da derradeira etapa da Taça de Portugal 2014 e há uma grande questão a pairar no ar: Quem será o grande vencedor?


Amanhã, a partir das 15h00, tem lugar em Braga a sétima e última etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. Organizado pelo Clube de Orientação do Minho, o evento desenrola-se no mapa da Falperra, com cartografia de José Fernandes, traçado de percursos de Manuela Marques e Ana Paula Serra Campos e Supervisão FPO de Luís Miguel Nóbrega. Composto por quinze pontos e um “extra” de dois desafios cronometrados, o percurso tem uma distância de 620 metros, para um tempo de prova de 65 minutos, com as definições técnicas a serem as mesmas tanto para a Classe Aberta como para a Paralímpica.

Esta etapa fica desde logo marcada pela ausência do grande candidato à vitória na Taça de Portugal desta temporada, Luís Gonçalves, no que à Classe Aberta diz respeito. Com um conjunto de resultados de altíssimo nível nas provas em que participou, o atleta do CPOC tinha tudo para ser o grande vencedor, acabando assim por baralhar as contas e deixar o caminho aberto a Nuno Pires (Ori-Estarreja) e Joaquim Margarido (CRN). A diferença pontual entre os dois contendores é de tal maneira escassa que um triunfo na etapa significará, quase com toda a certeza, a conquista da Taça de Portugal. Conseguirá Nuno Pires revalidar a vitória no certame ou é este, definitivamente, o ano de Joaquim Margarido, ele que tem aqui uma hipótese soberana de acrescentar ao título nacional a conquista da Taça de Portugal? Já no que à Classe Paralímpica diz respeito, Ricardo Pinto (DAHP) irá certamente repetir o triunfo alcançado na temporada transacta, enquanto o estreante José Laiginha Leal (CRN) tem a segunda posição praticamente garantida.

A derradeira etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014 integra o programa da 6ª etapa do VII Torneio .COMmapa, o qual tem o seu início agendado para as 10h30 com a disputa duma prova de Orientação Pedestre e, ao mesmo tempo, do Campeonato Nacional de Orientação Adaptada ANDDI, nas categorias masculina e feminina. Tudo para conferir em http://pontocom.pt/node/317/etapa-6-do-7º-torneio-commapa.html.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Gelson Andrey: "Quando pegamos no mapa devemos fazê-lo com o coração"



O processo de seleção levado a cabo pela Confederação Brasileira de Orientação com vista à participação duma seleção no Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2014 serve de ponto de partida para a conversa com uma das grandes esperanças da Orientação brasileira da atualidade. Gelson Andrey, o convidado de hoje do Orientovar, abre o jogo.


Pedia-lhe que falasse de todo o processo de seleção até ao dia em que viu o seu nome ao lado da Raquel Fernandes e do João Pedro Jaber como os três primeiros brasileiros a estarem presentes num Mundial de Juniores.

Gelson Andrey (G. A.) - O dia 12 de agosto de 2013 foi um grande dia para todos os atletas deste país porque ninguém imaginara que um trabalho dessa envergadura pudesse ocorrer ao nível junior. O que oficializou verdadeiramente esta equipa foi a produção da nossa camisola, de modo que no Campeonato Sul Americano os 23 atletas selecionados já estavam todos uniformizados, como uma verdadeira equipa. Este acontecimento foi marcante e serviu de incentivo a todos os atletas juniores a treinar diariamente, aumentando muito o nível das categorias elites. Tentámos fazer alguns projetos e rifas para conseguir apoio para a equipa e assim levar os principais atletas ao mundial, mas as coisas não funcionaram. Desse modo, o processo de seleção acabou por simplificar-se, resumindo-se a “quem tem dinheiro e vontade pode participar”. Dessa forma, eu, por ser atleta da Força Aérea Brasileira e com empréstimo de dinheiro dos meus pais, o João Pedro Jaber, com rifas e também com um empréstimo dos seus pais, e a Raquel Fernandes, com o patrocínio da Radix, que é o mesmo patrocinador do seu clube, conseguimos ser os primeiros Brasileiros a participar num Campeonato do Mundo de Juniores.

O que é que sabia - ou julgava que sabia - acerca da Orientação na Europa e, em particular, ao nível Junior?

G. A. - Sabia que a Orientação na Europa é de outro nível e que estaria ao lado de atletas dum patamar semelhante ao dos principais brasileiros do escalão Elite. Mas ao ver esses atletas correndo no meio da floresta ou passando no ponto de espectadores percebi que eles são incríveis, muito mais rápidos do que imaginava. Tive a oportunidade de conversar com alguns atletas e também fiquei encantado porque alguns deles vieram dialogar conosco e explicaram algumas opções, o que nos motivou muito. O mais impressionante foi que, procurando depois os resultados deles, vimos que estavam nos lugares de topo, como por exemplo a Sara Hagstrom e o Malin Leandersson. Houve outros dois atletas que me impressionaram muito: o Finlandês Miika Kirmula, correndo no meio dos verdes a um ritmo muito forte, e o belga Tristan Bloemen, na prova de Sprint.

Estar na Bulgária já foi uma medalha para si ou, realmente, estava à espera de conseguir melhores resultados do que aqueles que acabou por alcançar?

G. A. - Sim, foi uma Medalha. Primeiro, porque concretizei um sonho; e segundo, porque aprendi muito sobre o que é ser um atleta de nível mundial e qual o patamar da Orientação na Europa. Saí do Brasil e parti para cada percurso com o pensamento na vitória, mesmo tendo muitas pessoas dizendo que isso era impossível e era um pensamento errado, mas acho que quando pegamos no mapa devemos fazê-lo com o coração. Mas, claro, aquilo que leva o atleta a competir é a emoção de conseguir um lugar entre os primeiros. Pessoalmente, tenho a noção que os meus resultados não foram bons. Acho que poderia ter feito melhor nas minhas opções. Mas o que me consola é o quanto aprendi neste evento e o quanto isso poderá ser-me útil no próximo ano na Noruega.

Como é que viveu o dia a dia da competição no plano desportivo? Qual o impacto com o desafio técnico dos mapas e os terrenos e como fez a gestão das provas e da recuperação física entre elas?

G. A. - Cada dia constituiu uma superação e uma nova experiência. O primeiro impacto que tive foi a quarentena no Sprint, porque foi a minha primeira quarentena. Todas as janelas estavam fechadas e até para se ir à casa de banho havia um mapa. Ainda num piso do ginásio, os atletas aqueciam a um ritmo monstruoso. No mapa de Sprint não senti dificuldade técnica, achei-o parecido com os do Brasil e até porque gosto muito de desenhar mapas urbanos. Mesmo assim cometi um erro absurdo porque vi as pessoas gritando. No prova de Distância Longa senti muito a parte física, após passar a passagem obrigatória vi que estava no meu limite, ainda com 1h17 de prova - o melhor tempo até ao momento - e ainda faltava o outro mapa com 3.500 m. Neste percurso impressionou-me a grande variedade de terreno, aquelas regiões de pedras, uma zona cheia de detalhes de água e com grande detalhe de relevo também. Não cometi grandes erros, mas perdi tempo na saída dos pontos porque demorava a escolher a melhor opção por causa da quantidade de informação. Nos dois percursos médios o que complicou foi a parte técnica e aquele relevo “maluco”, e o que me ajudou foi a caminhada com o Luis Silva, de Portugal, no Model Event. Ele transmitiu-nos muita informação e isso ajudou-me a fazer algumas boas opções. Estes percursos foram os mais difíceis para mim até hoje, porque eram muitos detalhados e não me permitiram selecionar algo que pudesse facilitar a minha navegação. A minha melhor prova foi a Estafeta, mesmo sendo desclassificado por ter “picado” um ponto próximo ao meu. Nesta prova senti-me muito bem e estava fluido na navegação porque o terreno era mais fácil, mais parecido com o do Brasil.

A “aventura europeia” não terminou na Bulgária. Quer falar-me dos ensinamentos retirados?

G. A. - Posso dizer que aprendi uma nova orientação. A qualidade dos atletas impressionou-me muito e com quem conversei consegui ver a grande diferença do treino realizado por eles e por mim, assim podendo acrescentar e retirar varias ações do meu dia, o que poderá trazer evolução. A navegação em terrenos mais ricos mostrou-me a grande importância de valorizar mais a bússola e simplificar na leitura do mapa.

Daquilo que viu e sentiu, quais as grandes diferenças entre a realidade dos países mais evoluídos e a realidade brasileira?

G. A. - Na minha opinião, a grande diferença do Brasil para os grandes países da orientação está nos terrenos. Como o nosso País é grande, vamos aos poucos encontrando áreas cada vez melhores e mais ricas em detalhes e ao mesmo tempo rápidas como vemos nos mapas europeus. Temos também pouco apoio externo para o nosso desporto, apoio esse que seria fundamental para o crescimento dos atletas através da organização de melhores eventos (mapas, impressão e traçado de percursos) e da preparação dos atletas. Isso aumentaria, com toda a certeza, o nível competitivo dos atletas brasileiros em Campeonatos Mundiais.

Entretanto, no regresso ao Brasil, foi possível vê-lo pela primeira vez num pódio de Elite do CamBOr, graças ao 5º lugar na prova de Distância Longa da II Etapa. Como avalia este resultado fantástico?

G. A. - Foram vários os fatores que influenciaram este resultado. Já treino há muitos anos, mas nada igual a este treino focado com o objetivo no Mundial, em que consegui trabalhar simultaneamente a técnica e a corrida. Este ano mudei-me para Curitiba, onde comecei a trabalhar a parte física com a Equipiazza que é um grupo de corrida de rua, cross e montanha, que me fez evoluir muito com o ótimo trabalho realizado pelo Marco e Letícia. E treinando semanalmente com mapas de qualidade, abri mais a mente e evoluí na capacidade de leitura do mapa. Mas isso só aconteceu por causa de dois mapas excelentes próximos de casa produzidos pelo meu pai, um da Fazenda Contras e outro da Fazenda Colina do Sol, e que possibilitaram que em qualquer momento pudesse estar na floresta. Além disso, a convivência e conversas com atletas experientes e a participação em Campeonatos fora do país abriram-me muito a mente e fizeram-me criar um pouco de responsabilidade na hora de participar em provas importantes, tal como a segunda etapa do Brasileiro e, em especial, o percurso de Distância Longa.

E agora? Há todo um caminho a percorrer, teve uma experiência internacional extremamente valiosa e tem um longo percurso à sua frente como orientista. Já pensou nesse futuro?

G. A. - Sim, penso, e como penso! Antes de qualquer treino ou prova dou comigo a pensar onde posso chegar e quanto tempo isso vai levar. Mas estou bastante contente este ano porque tive uma grande evolução que me impressionou muito. Se continuar assim, acho que vou chegar onde quero em pouco tempo, mas tenho a certeza que isso vai ocorrer se continuar com o bom trabalho que venho fazendo. Sei isso porque, se queremos ser um dos melhores, devemos treinar com os melhores e com certeza hoje estou lado a lado com as pessoas que são as melhores do meu país e que têm muito conhecimento para me transmitir. Tenho muita vontade de passar um tempo na Europa, mas isso é muito difícil para mim presentemente. Entretanto, um dia quero fazer um intercâmbio para aprender e treinar com os melhores do mundo e quando voltar para o Brasil poder continuar aquele mesmo treino e transmitir a experiência adquirida às outras pessoas que têm o mesmo objetivo.

Como é que vê o atual momento da Orientação no Brasil?

G. A. - Vejo que a orientação brasileira na parte civil está em evolução. Sinceramente acho que caminhamos devagar, mas estamos crescendo aos poucos. Conseguimos ter Campeonatos Regionais muito bons, e Nacionais também. Mas depois falhamos nalguns eventos, ou porque os organizadores pensam à maneira antiga e são refratários à inovação, ou então as pessoas com experiência estão afastadas das funções mais importantes, como por exemplo na produção dos mapas. Mas no meio militar a Orientação está em acelerada evolução. As Forças Armadas estão investindo na contratação de atletas novos e vão colher bons frutos no futuro. Além disso, os eventos militares são excelentes e estão a um nível muito alto pois selecionam muito bem os locais e principalmente os organizadores.

Pelo que disse antes, percebi que tenciona estar em Rauland, na Noruega, para os Mundiais de Juniores de 2015?

G. A. - Sim, quero participar nos Mundiais de 2015 e já estou a planear a minha viagem. Será o meu último mundial na categoria Junior, e quero preparar-me muito mais do que este ano para poder elevar bem alto o nome do meu País.

Aos jovens brasileiros que se estão a iniciar na Orientação, que mensagem deixaria?

G. A. - A Orientação é um desporto difícil e pouco divulgado no nosso País, mas se você sonha em ser atleta desse maravilhoso desporto corra atrás do sonho! O Brasil precisa de atletas dedicados e com vontade de levar a nossa bandeira a cada canto do Mundo onde houver um evento de Orientação.

[Foto gentilmente cedida por Andrey Gelson]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Jonas Vytautas Gvildys: "Pode facilmente torcer-se um tornozelo e aí percebemos o que é correr na floresta"



Agora que a temporada caminha rapidamente para o seu final, foi possível assistirmos a um belo evento de Orientação num local verdadeiramente único. A Porto City Race 2014 chamou à segunda maior cidade do País um total de 750 participantes, entre os quais se contou o lituano Jonas Vytautas Gvildys. É ele quem nos deixa algumas das suas impressões, abordando a presente temporada e também o futuro próximo.


Porquê Portugal nesta altura da temporada?

Jonas Vytautas Gvildys (J. V. G.) - A temporada terminou para mim. Foi a minha irmã quem sugeriu virmos a Portugal e, bom... cá estou.

Só pelo prazer da diversão (!?) …

J. V. G. - Sim, só pela diversão. Bem, eu gosto da Orientação, desempenha um papel importante na minha vida. Os nossos pais também fazem Orientação, eu comecei a fazer Orientação praticamente desde que nasci, é uma questão familiar.

Entretanto, cresceu como orientista e os seus projetos adquiriram outra dimensão e outra ambição, creio eu. Só assim se compreende o seu 10º lugar atual no ranking mundial de Sprint. O que tem a dizer sobre a atual temporada?

J. V. G. - Globalmente, esta foi uma boa temporada. Os Campeonatos do Mundo são sempre a competição mais importante e desta vez, em Itália, encontrámos terrenos muito diferentes daqueles que temos na Lituânia. A verdade é que não temos as mesmas possibilidades – dinheiro para viagens, entenda-se – que outros países e não pudemos preparar os Campeonatos da forma que gostaríamos. Tivemos um Campo de Treino em Itália antes dos Campeonatos, evidentemente, mas penso que não foi o bastante para prepararmos convenientemente as distâncias de floresta.

Mas conseguiu um belo resultado na final de Sprint...

J. V. G. - O Sprint é uma distância na qual me sinto à vontade, os meus objetivos passam sempre pelo melhor resultado...

É uma distância mais fácil (?) ...

J. V. G. - Sim, mais fácil e não tão prestigiante. Ganhar o título mundial de Sprint não é o mesmo que ganhar o título mundial de Distância Média ou de Distância Longa. Mas sim, em Veneza alcancei o melhor resultado da temporada, apesar de não ter ficado muito satisfeito porque sei que puderia ter feito melhor. Uma prova de Sprint vive muito do fator sorte. Todos podem chegar ao top-3 e todos podem queixar-se de ter cometido imensos erros, “se eu fizesse menos vinte segundos ganhava”, se, se... E o mesmo aconteceu comigo. Fiquei um pouco dececionado – ainda hoje fico, quando penso na prova –, mas o 9º lugar foi o meu melhor resultado e o melhor momento da temporada.

Outro grande momento foi o 5º lugar na final de Distância Média dos Mundiais de França, em 2011. É esse o momento mais alto da sua carreira até à data?

J. V. G. - Sim, podemos dizer que sim. Fiz, certamente, melhores provas, provas limpas, embora de caráter local, no meu País. Mas esta foi uma boa prova e num evento doutra dimensão. Depois disso estive lesionado, sobretudo em 2013, e não voltou a ser possível treinar a 100%. É por isso que não estou no meu melhor agora. É necessário mantermos um nível de treino e competição muito alto ao longo de vários anos se queremos chegar aos melhores resultados. Acredito que conseguirei melhorar no futuro, assim o espero (risos).

Falou acerca do melhor momento da temporada. E quanto ao pior?

J. V. G. - É certamente o momento atual, por razões de saúde. Fui operado há três semanas e tive de parar completamente durante dezasseis dias. Entretanto recomecei com sessões de jogging muito simples, muito devagarinho, sem qualquer tipo de pressão e estou a recuperar.

Mas conseguiu ser segundo classificado no Sprint noturno...

J. V. G. - Foi uma verdadeira surpresa. Senti-me terrivelmente mal durante toda a prova, não puxei minimamente. Como corri muito devagar, não foi difícil fazer as opções mais corretas, mas foi uma prova muito exigente. Muitos degraus (risos)... Foi dura fisicamente, mas gostei muito da prova, do ambiente, desta bonita cidade. É a primeira vez que visito o Porto, não conhecia a cidade – aterrei aqui um par de vezes, mas sempre para seguir viagem para o Sul – mas é realmente muito bonita.

E Portugal?

J. V. G. - Portugal é o local perfeito para preparar uma época. É realmente muito bom no Inverno pelo facto de não haver neve e de podermos correr em terrenos muito técnicos. Também há imensos terrenos de enorme dureza aqui. Espero poder regressar a Portugal já este Inverno, para o Portugal O' Meeting. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para tornar isso possível.

No início da nossa conversa referiu que esta vinda a Portugal tinha sido por culpa da sua irmã mais nova. Como é que acompanha a carreira da Tekle?

J. V. G. - É uma atleta bastante boa. Se se mantiver determinada e em busca dos seus sonhos, tudo pode acontecer. Mas tem muito trabalho pela frente. Estas coisas não são tão simples quanto se possa pensar, ninguém começa a treinar hoje e consegue um resultado importante logo à primeira. A Orientação exige muita dedicação e trabalho no duro.

Como é ser-se orientista na Lituânia?

J. V. G. - O principal desporto na Lituânia é o Basquetebol, ninguém quer saber do resto. Diríamos que 90% da população é aficionada pelo Basquetebol. Mas não nos podemos queixar. Procuramos captar a atenção dos orgãos de comunicação social, sobretudo por altura dos Campeonatos da Lituânia e noutras importantes competições. Não posso dizer que estes tempos são os mais difíceis mas não é fácil encontrar quem se disponha a organizar eventos. Espero que as coisas possam mudar no futuro.

Falando do futuro, a Estónia em 2017 e a Letónia no ano seguinte serão palco dos Campeonatos do Mundo e eu acredito que é para essa altura que apontam já as suas atenções. É verdade?

J. V. G. - Sim, provavelmente é verdade. Nessa altura estarei com 29 anos, a idade perfeita neste tipo de desporto. Penso que poderá ser esse o meu momento porque estarei a correr em terrenos que são muito parecidos com aqueles que temos na Lituânia, podemos preparar convenientemente as competições e sem ter de fazer grandes viagens. Penso que irão ser duas belas competições e espero alcançar os melhores resultados.

Vamos então cruzar os dedos e rezar para que, até lá, não hajam lesões (!) …

J. V. G. - Isso é o mais importante para um orientista, não haver lesões. Pode facilmente torcer-se um tornozelo e aí percebemos o que é correr na floresta... Isto não é o asfalto!

Agora que está de regresso ao seu País, foram uma boa experiência estes três dias da Porto City Race 2014?

J. V. G. - Absolutamente. Principalmente no último dia, foi muito bom poder correr já mais rápido, embora sentisse ao longo de toda a prova que as coisas ainda não estão bem. Foi muito tempo de paragem, sem treinar, e consigo perceber isso agora. Lutei durante toda a prova, dei o meu melhor, mas foi duro. Não foi uma prova muito técnica e foi possível correr bastante rápido nalgumas partes do mapa. O desnível não era grande mas senti cada degrau (risos). Foi um bom final de temporada.

Gostava de deixar um voto para a próxima temporada?

J. V. G. - Espero que a Orientação se torne um desporto mais popular. Pessoalmente, tentarei dar o meu melhor nos Mundiais de 2015, em Inverness, e espero manter-me afastado das lesões.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 5 de outubro de 2014

Porto City Race 2014: Lituanos triunfam na Invicta



Fazendo vincar o favoritismo que lhes era atribuído, Jonas Vytautas Gvildys e Tekle Emilija Gvildyte levaram de vencida a terceira e última etapa da Porto City Race 2014, disputada esta manhã na Foz do Porto.


Vieram da cidade lituana de Kaunas e foram eles os grandes vencedores da Euro City Race, etapa que encerrou a terceira edição da Porto City Race 2014. Nesse enorme emaranhado de ruas que converge para um dos mais belos locais da cidade, onde o Douro abraça o mar, os irmãos Jonas Vytautas Gvildys e Tekle Emilija Gvildyte foram os mais rápidos, conquistando com enorme mérito o direito a subir ao lugar mais alto dos respetivos pódios. Pontuável para a Euro City Race Tour – Liga de provas de Orientação urbana pedestre que engloba, para além do Porto, as cidades de Londres, Edimburgo e Barcelona -, a Porto City Race 2014 contou com a assinatura organizativa do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, Câmara Municipal do Porto e Federação Portuguesa de Orientação, chamando este ano à Invicta sete centenas e meia de participantes de 12 países, de acordo com os números fornecidos pela organização do evento.

Com mapa de Rui Tavares e Carlos Lisboa e traçado de percursos de Hugo Borda d'Água, a Euro City Race desenrolou-se num espaço densamente humanizado, mesclando zonas moderadamente desniveladas com os largos espaços onde foi possível correr de forma bastante rápida, oferecendo em simultâneo interessantes desafios técnicos. No escalão Sénior Masculino, os 8,0 km de prova foram cumpridos por Jonas Vytautas Gvildys (OK Medeina) em 45:45, contra os 46:53 de João Mega Figueiredo (CN Alvito), segundo classificado. Ainda em fase de recuperação duma cirurgia, Gvildys não podia estar mais satisfeito no final com o resultado alcançado: “Foi muito bom perceber que já consigo correr bastante rápido, embora sentisse, evidentemente, a falta de rotina de treino depois destes dezasseis dias de paragem forçada. Lutei sempre durante toda a prova, tentei dar o meu melhor, mas foi duro. Gostei muito do mapa e do facto de ser uma prova bastante rápida; o desnível não era tão evidente como aquele do primeiro dia [no Centro Histórico do Porto] mas, ainda assim, senti cada degrau (risos). É, seguramente, uma forma excelente de terminar a temporada e fico com uma grande vontade de voltar a treinar e competir em Portugal o mais brevemente possível”.

No escalão Sénior Feminino, Tekle Emilija Gvildyte (OK Medeina) gastou 43:02 para os 5,7 km de prova, superiorizando-se por 01:05 a Stepanka Betkova, atleta checa que enverga as cores do Ginásio Clube Figueirense. “Escolhi estar aqui porque gosto de correr provas de Sprint, porque nunca tinha estado na cidade do Porto e porque é bom estar com o meu irmão e correr com ele”, começou por referir Tekle Gvildyte, justificando desta forma a sua opção pela Invicta, neste início de Outubro. Vencedora indiscutível nas três provas em que participou, a muito jovem e promissora atleta lituana referiu-se em particular à forma como decorreu a competição: “Foi uma decisão acertada. Gostei muito da cidade, deste tempo fantástico e da qualidade das provas. Talvez o mais marcante fosse o desafio do primeiro dia, sobretudo porque tinhamos acabado de desembarcar no Porto, fomos diretos ao Centro Histórico - o que não foi fácil (risos) - e só tive um quarto de hora para me preparar. Mas depois, aquele espaço, a noite... foi fantástico.” Regressar em breve a Portugal? A resposta, clara e inequívoca, não se faz esperar: “Seguramente!”


Resultados

Seniores Masculinos
1. Jonas Vytautas Gvildys (OK Medeina) 45:45
2. João Mega Figueiredo (CN Alvito) 46:53
3. Albino Magalhães (GD4C) 49:49
4. Rafael Miguel (Ori-Estarreja) 51:31
5. Daniel Ferreira (AD Cabroelo) 55:59

Seniores Femininos
1. Tekle Emilija Gvildyte (OK Medeina) 43:02
2. Stepanka Betkova (Ginásio CF) 44:07
3. Helen Gardner (SLOW) 45:00
4. Gytaute Akstinaite (OK Azuolas) 49:31
5. Tania Covas Costa (.COM) 52:20

Resultados outros escalões
Formação – Daniel Pereira (EBI Apúlia)
Juvenis M/F – João Magalhães (.COM) e Helena Lima (OriMarão)
Juniores M/F – João Novo (.COM) e Joana Fernandes (.COM)
Veteranos I M/F – António Aires (Individual) e Paula Serra Campos (.COM)
Veteranos II M/F – Albano João (COC) e Isabel Monteiro (COC)
Veteranos III M/F – Mike Godfree (DVO) e Liz Godfree (DVO)
Veteranos CRETour M/F – Colin Dutkiewicz (SLOW) e Sue Bett (Southern Navigators)
Super-Veteranos CRETour M/F – Gavin Clegg (Wessex) e Christine Kiddier (GO)
Open Curto – Raquel Santos (Individual)
Open Médio – Miguel Batouxas (Individual)
Open Longo – António Amador (Ori-Estarreja)
Turístico – Anne-Catherine R + Benjamin B (Individual BEL)
Percurso Formal – Marco Amaro (GD4C)

Resultados completos e demais informação em http://www.gd4caminhos.com/portocityrace


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Porto City Race 2014: A festa da Orientação faz-se a norte



Os portugueses do .COM e as britânicas do SLOW foram os vencedores da Estafeta Sénior que ontem dominou as atenções da Porto City Race 2014. Numa amena manhã de Outono, o segundo dia do evento chamou ao Parque da Cidade do Porto quase quatro centenas de participantes, oferecendo igualmente uma prova de score e ainda um percurso formal para os menos familiarizados com a modalidade.


O vasto e belo espaço verde do Parque da Cidade do Porto voltou a receber um evento de Orientação com a assinatura organizativa do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos. Numa manhã perfeita para a prática da modalidade, a segunda etapa da Porto City Race 2014 contou com uma participação a rondar as quatro centenas de atletas, tendo na prova de Estafeta o seu principal aliciante. Constituída por Sérgio Duarte, Rodrigo Magalhães e João Novo, a turma bracarense do .COM foi a grande vencedora da Estafeta Masculina, impondo-se aos Amigos da Montanha por quase dois minutos de diferença. Maior foi a vantagem das britânicas do SLOW – com Helen Gardner, Ester Bonmati e Tekle Gvildyte -, superiorizando-se em quase vinte e dois minutos às portuguesas do Ori-Estarreja. O .COM venceu igualmente e de forma clara as Estafetas Jovens, enquanto o triunfo nos Veteranos Masculinos e Femininos pertenceu às turmas britânicas do SLOW. Finalmente, uma nota para o triunfo dos “Orientistas” João Mega Figueiredo, Paulo Franco e Luís Nóbrega na Estafeta Popular Curta e para a vitória da ADFA – com Albertina Sá, Gonçalo Pirrolas e Manuel Lopes – na Estafeta Popular Longa.

No Score, o desafio dos 1000 pontos para um tempo limite de 90 minutos foi superado por 26 atletas dos mais de 150 que participaram na prova, com Bruno André (Individual) e a italiana Mara Pegoretti (AD Trento Orienteering) a levarem de vencida o escalão Sénior Masculino e Feminino, respetivamente. Tomás Lima (OriMarão) e Filipa Castro (.COM) venceram nos Jovens, enquanto José João Ferreira e Teresa Alves, ambos do OriMarão, triunfaram em Veteranos. Uma palavra ainda para a bela e sentida homenagem de que foi alvo o atleta Joaquim Sousa, um “histórico” da Orientação em Portugal e da Porto City Race e a quem o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, num gesto de enorme significado, prestou o devido reconhecimento.

De sexta feira chegam ainda os ecos do Sprint urbano noturno que abriu a terceira edição da Porto City Race e que, pleno de emoção e desafio, tomou conta do Centro Histórico da Invicta. Num mapa muito exigente do ponto de vista físico, o português João Mega Figueiredo (CN Alvito) levou a melhor sobre o lituano Jonas Vytautas Gvildys (OK Medeina) pela escassa margem de nove segundos, vencendo o escalão Sénior Masculino. A irmã mais nova de Gvildys, Tekle Gvildyte (OK Medeina), triunfou no escalão Sénior Feminino, batendo a checa Stepanka Betkova (Ginásio CF) por uma diferença de 37 segundos. O .COM levou de vencida a competição nos cinco escalões etários mais jovens, enquanto os atletas estrangeiros – num total aproximado de uma centena, em representação de onze países – dominaram por completo a competição nos escalões de Veteranos, com cinco triunfos britânicos e um para a Bélgica.



Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Porto City Race 2014: Mais de seiscentos nas ruas da Invicta



É um Porto diferente, à medida, ao gosto e ao ritmo de cada um, aquele que se oferece aos participantes na terceira edição da Porto City Race. Numa cidade que não pára de nos surpreender, eis a promessa da emoção na descoberta, com a ajuda dum mapa e duma bússola.


Tem início já amanhã e prolonga-se até ao próximo domingo a terceira edição da Porto City Race. Evento de Orientação pedestre urbano, esta é uma organização do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos em parceria com a Câmara Municipal do Porto, através da Porto Lazer e que traz consigo um convite à aventura e ao prazer, na certeza dum Porto que se (re)descobre a cada passo, em cada canto.

Património da Humanidade desde 1996, o Centro Histórico da Invicta acolherá a primeira das três etapas, na noite de sexta feira. Com o início das partidas agendado para as 20h00, em frente ao Centro Português de Fotografia (antiga Cadeia da Relação), o Porto City Race by Night é uma estreia absoluta da Orientação noturna na cidade, constituindo uma oportunidade única de ver o seu Centro Histórico duma forma nova e diferente. No sábado de manhã, o evento desloca-se para o Parque da Cidade do Porto com uma oferta variada e que vai da emoção das Estafetas à estratégica prova de Score, não esquecendo um percurso formal à disposição de principiantes e atletas mais jovens. Por fim, na manhã de domingo, a prova Rainha levará os participantes a palmilhar todos os becos e ruelas da Foz Velha, com concentração, partida e chegada no Jardim do Passeio Alegre. Nesta etapa estará também disponível um percurso turístico em que os pontos de controlo estarão colocados em locais de interesse turístico e cultural.

Melhor atleta lituano da atualidade e 10º classificado do ranking mundial de Sprint, Jonas Vytautas Gvildys é a grande figura da competição. Numa lista onde figuram até ao momento mais de seiscentos atletas inscritos de doze países, destaque igualmente para a lituana Tekle Gvyldite, uma atleta que atingiu a final de Sprint nos recentes Campeonatos do Mundo disputados em Itália. Entre os portugueses, João Mega Figueiredo (CN Alvito) é o nome mais sonante, ele que lidera a lista de atletas portugueses cotados no ranking mundial de Sprint, onde ocupa a 70ª posição.

Com os dados lançados e ante a perspetiva dum fim de semana inesquecível, a boa notícia é que ainda está a tempo de se inscrever, embora apenas nos escalões abertos e condicionado à existência de mapas. Atreva-se e inscreva-se, na certeza que não dará o seu tempo por mal empregue. Para mais informações consulte a página da Porto City Race em http://www.gd4caminhos.com/pcr2014


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido