quinta-feira, 31 de julho de 2014

Espanha O-5 Dias: 1300 marcam presença na Montanha Palentina



Os 5 Dias de Espanha aproximam-se a passos largos e, com eles, a maior manifestação de Verão da Peninsula Ibérica, no que à Orientação diz respeito. Com números que ultrapassam largamente o milhar de inscritos, a organização promete qualidade e variedade num evento que se estende de 5 a 10 de Agosto. Entre as muitas novidades, destaque para a segunda edição do Campeonato Ibérico de Orientação de Precisão, a ter lugar na tarde de sábado, 9 de Agosto.

Um total de 1.302 participantes, de 24 nacionalidades, são esperados entre 5 e 10 de Agosto, em Cervera de Pisuerga, para a realização do II Trofeo Internacional de Orientación Diputación de Palencia. A vila de Cervera acolherá turistas e desportistas da Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Finlandia, França, Holanda, Grã-Bretanha, Israel, Itália, Japão, Letónia, Moçambique, Noruega, Polónia, Portugal, República Checa, Rússia, Suécia e Suiça, num evento que nasceu aqui bem perto, em Aguilar de Campoo, no ano de 2009.

Organizado pelo Club Orca (Orientación Río Carrión), com o apoio da Fundação Provincial do Desporto e do Município de Cervera de Pisuerga, o evento chamará à Montanha Palentina cerca de 2.000 pessoas, entre participantes e acompanhantes, com um programa que aposta na componente turística como complemento da vertente desportiva. Os 5 Dias de Orientação Diputación de Palencia - Montanha Palentina constarão de cinco etapas (duas de Distância Longa, duas de Distância Média e uma de Sprint), as duas últimas das quais, de Distância Longa e Distância Média, nos dias 9 e 10 de agosto, pontuáveis para a Liga Espanhola. A estas devem acrescentar-se a Corrida da Mulher, em Cervera de Pisuerga (dia 7) e o Campeonato Ibérico de Orientação de Precisão, em Ligüérzana (dia 9).
 Isto sem esquecer as actividades paralelas, que pretendem que os participantes conheçam outras zonas da Montanha Palentina duma forma mais lúdica que a competição propriamente dita: no dia 5 de agosto terá lugar uma prova noturna; no dia 6 uma prova de Estafetas, com partida em massa; no dia 7 realizar-se-á um microsprint; e no dia 9, o chamado O-Móvil, em parelha, ao encontro dos pontos no terreno, de... automóvel. Visitas turísticas, concertos e um banquete, na noite do penúltimo dia, completam o programa duma semana recheada de aliciantes, absolutamente a não perder.

Pontuável para a Taça de Portugal 2014, a etapa de Orientação de Precisão, que atribuirá o título Ibérico 2014 nas Classes Aberta e Paralímpica, tem o seu início agendado para as 16h00 do dia 9 de Agosto, em Ligüerzana. Toño Hernández assina o traçado de percursos duma prova onde, até ao momento, as únicas informações técnicas disponíveis se resumem ao tipo de terreno, com “muito detalhe de relevo e de vegetação e com alguns pontos de longa distância”, ao bom piso e ao reduzido desnível. Entre os 72 inscritos na prova, destaque para os campeões nacionais de Espanha e de Portugal na Classe Aberta, respetivamente Juan Pedro Valente e Joaquim Margarido e para os “internacionais” José António Tamarit, Santiago Pérez, Cláudio Tereso, Nuno Pires e José Laiginha Leal, este último na Classe Paralímpica. Referência ainda para a participação da Campeã de Portugal de TempO, Inês Domingues e para o holandês Mark Heikoop, 5º classificado no Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2012, na Classe Aberta.

Saiba tudo em http://www.o5dias.com/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 30 de julho de 2014

ECTO 2014: Martin Jullum "bisa" na Suécia



Martin Jullum levou de vencida as duas etapas da ronda sueca da Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial). Com quatro etapas por disputar, o norueguês está a uma pequeno passo de levar de vencida a segunda edição do certame, sucedendo ao seu compatriota Lars Jakob Waaler.


Com o O-Ringen a celebrar 50 anos de existência, os amantes da Orientação apontaram a direção da Suécia e, provenientes dos quatro cantos do mundo, assentaram arraiais na região de Skåne, no Sul do país, para uma semana de altíssimo nível. Pequena franja no meio dos 22.571 participantes – de acordo com os números avançados pela organização -, os orientistas de precisão fizeram questão de participar na festa especialmente preparada para eles, com os desafios de cinco etapas distribuídos por seis dias e o aliciante extra de duas dessas etapas pontuarem para a segunda edição da Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial). Foi assim com 59 atletas, maioritariamente suecos, mas também provenientes da Finlândia, Noruega, Dinamarca, Itália, República Checa, Japão e Hong Kong.

Martin Jullum começou da melhor forma a competição, levando de vencida a etapa inaugural. O norueguês foi o único a fazer o pleno de 20 pontos, deixando a um ponto de distância o finlandês Marko Määttälä e os suecos Tomas Jansson e Karl-Gustaf Däldehög. Pontuável para a Taça da Europa, a segunda etapa foi rijamente disputada, com oito atletas a terminarem com igual número de pontos – 20 (!) -, valendo no desempate a maior rapidez de Martin Jullum, levando a melhor sobre o sueco Martin Fredholm e sobre o norueguês Vetle Ruud Bråten, por 2 e 3 segundos, respetivamente. Na terceira etapa foi possível ver um numeroso conjunto de nove atletas com o mesmo número de respostas certas, entre os quais se incluia Martin Jullum. O sueco Jens Andersson viria a ser o vencedor no desempate ao cronómetro, mas a classificação geral começava a adquirir a definitiva forma, com Jullum destacado na liderança e já com uma “folgada” vantagem de três pontos sobre os seus mais diretos perseguidores, o finlandês Marko Määttälä e os suecos Lennart Wahlgren, Karl-Gustaf Däldehög, Tomas Jansson e Erik Stålnacke.


As contas da Taça da Europa

Ao fazer o pleno de 20 pontos, alcançando assim a vitória na quarta etapa do O-Ringen – a segunda desta ronda da Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial) em terras suecas -, Martin Jullum deu, duma vez só, dois passos competitivos importantíssimos. Por um lado, afastou-se ainda mais dos seus diretos adversários, à exceção de Wahlgren, na classificação geral do O-Ringen; e, por outro, alcançou a sua quarta vitória em etapas pontuáveis para a Taça da Europa, ficando assim numa posição privilegiada para chegar à vitória final. Na derradeira etapa o atleta provou que “errar é humano”, concluindo na 16ª posição a dois pontos do vencedor, Lars Jakob Waaler, o grande triunfador na primeira edição da Taça da Europa de Orientação de Precisão (não oficial), levada a cabo em 2013.

Com 236 pontos, Martin Jullum lidera agora a presente edição da Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial), tendo atrás de si, à distância de 30 pontos, Martin Fredholm. Quando faltam disputar apenas quatro etapas, o sueco necessita de vencer pelo menos três delas e esperar que Jullum faça, como melhor, um segundo lugar apenas. Matematicamente, é possível ainda a Lars Jakob Waaler repetir a vitória de 2013 na Taça da Europa de Orientação de Precisão. Para tanto, o norueguês terá de vencer “apenas” as quatro etapas que restam. Aliás, no domínio das probabilidades, isto é tão válido para Lars Jakob Waaler como para a finlandesa Pinja Mäkinen, o norueguês Vetle Ruud Bråten ou o ucraniano Vitaliy Kyrychenko. No próximo dia 20 de Setembro, em Silkeborg, Dinamarca, muitas destas dúvidas – ou todas! - poderão ficar já desfeitas.


Resultados
Taça da Europa de Orientação de Precisão (não oficial)

7ª Etapa (07.21)

1. Martin Jullum (Noruega) 20 pontos, 6 segundos
2. Martin Fredholm (Suécia) 20 pontos, 8 segundos
3. Vetle Ruud Bråten (Noruega) 20 pontos, 9 segundos
4. Lennart Wahlgren (Suécia) 20 pontos, 11 segundos
5. Stig Gerdtman (Suécia) 20 pontos, 11 segundos
6. Christian Tingström (Suécia) 20 pontos, 12 segundos

8ª Etapa (07.24)

1. Martin Jullum (Noruega) 20 pontos, 4 segundos
1. Vetle Ruud Bråten (Noruega) 20 pontos, 4 segundos
3. Martin Fredholm (Suécia) 20 pontos, 8 segundos
4. Jens Andersson (Suécia) 20 pontos, 9 segundos
5. Lennart Wahlgren (Suécia) 20 pontos, 13 segundos
5. Stig Gerdtman (Suécia) 20 pontos, 13 segundos

Classificação Geral

1. Martin Jullum (Noruega) 236 pontos
2. Martin Fredholm (Suécia) 206 pontos
3. Lars Jakob Waaler (Noruega) 135 pontos
4. Marit Wiksell (Suécia) 109 pontos
5. Janis Rukšans (Letónia) 98 pontos
6. Erik Lundkvist (Suécia) 95 pontos
7. Anton Puhovkin (Ucrânia) 92 pontos
8. Vetle Ruud Bråten (Noruega) 86 pontos
9. Widar Taxth Løland (Noruega) 84 pontos
10. Lennart Wahlgren (Suécia) 83 pontos

Consulte AQUI os resultados finais do O-Ringen e veja em http://orienteering.org/wp-content/uploads/2014/07/ECTO-2014-standings.pdf a tabela classificativa atualizada da Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial).


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

segunda-feira, 28 de julho de 2014

SOW 2014: João Moura, um português nas alturas



Fértil em grandes eventos de Orientação um pouco por toda a Europa, a semana que passou teve na Swiss Orienteering Week uma das manifestações mais relevantes e participadas. Relevantes, pela qualidade técnica dos eventos e pelo ambiente natural deslumbrante, com o celebrado Matterhorn em pano de fundo. Participadas porque a soma de quase cinco mil atletas presentes em Zermatt apenas foi batida pelos vinte milhares de participantes no O-Ringen. Entre os presentes no SOW 2014, destaque para a figura de João Moura, atleta e dirigente do Clube de Orientação de Viseu – Natura, um dos cinco portugueses que rumaram à Suiça na passada semana. O Orientovar foi ao encontro do atleta com algumas questões, sendo agora possível beber nas suas palavras um pouco do muito que o evento teve para oferecer.


Com o O-Ringen e o Swiss Orienteering Week a decorrerem na mesma altura, foi difícil optar?

João Moura (J. M.) - Ambas são provas com excelente reputação e aquilo que à partida não parece ser uma escolha fácil, para mim foi quase que óbvia. Nem pensei sequer em ir ao O-Ringen em detrimento da Swiss Orienteering Week, uma vez que este ano tive a sorte da prova ser realizada em Zermatt, onde tenho familia a residir. E este foi mesmo o motivo maior da minha vinda ao SOW deste ano, porque conseguiria aliar duas coisas muito importantes para mim, a família e a Orientação.

Quais as expectativas à partida para a Suiça? O que é que sabia - ou julgava que sabia - acerca deste grande evento?

J. M. - As informações que eu tinha sobre os SOW anteriores eram muito limitadas, nunca tinha acompanhado ao pormenor nenhuma das edições anteriores, daí que à partida, em termos de Orientação propriamente dita, estava com algum receio. Por um lado porque nunca tinha corrido a uma altitude tão elevada e não tinha a certeza da reação do meu corpo a esta mudança e por outro tinha receio que o terreno e a organização das provas fosse totalmente diferente dos nossos eventos portugueses. Em termos turisticos, tinha um feedback excelente por parte dos meus familiares residentes em Zermatt, que me transmitiam que eu iria gostar mesmo desta zona de montanha. E foi o que acabou por acontecer, é mesmo um sitio de uma beleza rara ao qual eu fiquei imensamente surpreendido e apaixonado.

Estar no centro dum grande evento como este é, exatamente, o quê?

J. M. - Desde que saí do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, até que aterrei propriamente em Genebra e viajei para Zermatt, senti-me um verdadeiro atleta, quase que utopicamente uma estrela. Viajei orgulhosamente com o equipamento oficial do meu clube e fiz questão de colocar no meu equipamento emblemas com a bandeira portuguesa. Senti mesmo que iria representar não só o meu clube, mas também o meu país. E foi este um sentimento que me acompanhou durante toda a minha estadia em Zermatt. Ter aproximadamente 5000 atletas representantes de quase todos os pontos do mundo no mesmo ambiente que eu foi mesmo magnífico, e nem por isso me sentia inferior por pertencer a uma das nações com menos representantes neste evento. E fiz questão de, em todas as etapas, levar comigo uma bandeira portuguesa presa nas costas da minha camisola de competição.

Mas, basicamente, o “ritual” é o mesmo das nossas provas portuguesas, no entanto a diferença é que estamos rodeados de milhares de pessoas de culturas e línguas diferentes. Também tive a sorte da comitiva portuguesa nesta prova ser constituida por mais quatro atletas “veteranos”, apesar de só conhecer à priori o Manuel Dias, logo depois do primeiro dia fiquei a conhecer os restantes três atletas e criou-se logo uma empatia e ambiente fantástico entre nós.

Como foi feita a gestão do seu dia a dia?

J. M. - Neste aspecto tive a vida facilitada, porque estar em casa de familiares portugueses tem muitas vantagens. Nunca me senti sozinho e tinha sempre o apoio de alguém que já conhecia a forma de funcionamento da própria cidade de Zermatt que tem características muito próprias. Mais importante que isso, a minha alimentação não variou muito, almoçava e jantava sempre comida portuguesa. Nos primeiros dias em que cheguei tive a necessidade de ir até à montanha participar num dos muitos treinos cronometrados que a organização do SOW proporcionou aos atletas, e tentar perceber a reacção do meu organismo à altitude, para que durante as etapas conseguisse gerir fisica e mentalmente este handicap. E, realmente, senti muita diferença neste primeiro contacto com esta altitude, perdia o folego rapidamente e tinha que ser bastante cuidadoso com a minha hidratação. Tive a sorte de, nos primeiros dias após a minha chegada, as condições meteorológicas serem bastante favoráveis, mas isso não aconteceu quando o evento propriamente dito começou. Muita chuva, frio e muito nevoeiro na maioria das etapas de montanha, sendo que a organização teve que trocar a etapa 3 com a etapa 5 em virtude destas condições meteorológicas adversas que se fizeram sentir. Na etapa 3 tive a minha estreia em terrenos com neve, na verdade nunca tinha corrido sob estas condições, o que me condicionou a prestação porque, por um lado, a leitura do terreno não é tão perceptivel e por outro, claramente, corria a “passo de caracol”, com medo de escorregar, enquanto que os restantes atletas corriam sobre a neve a uma velocidade quase que normal.

Em termos organizativos, julgo que estavam preparados para dar seguimento ao evento sob quaisquer condições meteorológicas, apesar de que normalmente em Portugal quando chove as organizações preocupam-se bastante com o bem-estar do atleta e nestes casos fornece toda uma logística para que, por exemplo, se possa guardar os pertences em algum sítio onde não chova, o que não se verificou aqui na Suiça. A propósito disso até questionei um membro da organização se não iriam existir tendas nas arenas onde poderíamos guardar as nossas mochilas, ao que ele me respondeu que isso era um problema do atleta e não da organização, respostas estas às quais, normalmente, não estamos habituados em Portugal.

Em termos competitivos, que balanço faz da sua prestação? Foi positivo?

J. M. - Sim, eu considero que foi positivo. Fiz o 18º lugar em 125 atletas no meu escalão, HB. Tive o azar de me lesionar a duas semanas de voar para a Suiça com uma fasceíte plantar (inflamação muscular na plantas dos dois pés) que me causou dores e grande desconforto durante toda a semana de prova. Mas é claro que eu tenho a noção que não sou nenhum atleta de elite e que estava a competir num escalão “inferior” ao que corro em Portugal (H21A). Que em termos técnicos tinha alguns pontos pouco desafiantes, sendo que se fosse agora fazer novamente a inscrição ter-me-ia inscrito no escalão HAK (mais técnico que o HB). Mas quando me inscrevi para o SOW em Janeiro tive algum receio de que não me conseguisse adaptar às caracteristicas do terreno e às condições meteorológicas e que assim sendo não me conseguisse divertir tal como me diverti a competir.

E quanto ao resto? A julgar pelas "selfies" com alguns dos melhores atletas mundiais, dá para perceber que essa diversão extravasou para for a das provas, num ambiente de grande descontração e partilha...

J. M. - Sim, isso é verdade! Não sei se era pelo facto de os atletas suiços estarem a correr em “casa”, mas a verdade é que em todos os atletas de topo com quem eu tive o privilégio de trocar impressões notava-se claramente um grande à vontade pela parte deles em falar comigo e a maioria achava piada em eu pedir para tirar a famosa “selfie” com eles. Mas esta oportunidade de conversar e tirar fotos com a maioria das minhas referências orientistas (tanto masculinas como femininas), foi mesmo uma sensação muito boa e que me deixa ainda mais motivado para continuar a treinar e a evoluir na modalidade em Portugal.

Tem algum episódio engraçado para nos contar?

J. M. - Na verdade tive dois episódios engraçados que envolveram os irmãos Hubmann. Logo no primeiro dia de competição (etapa prólogo de Sprint urbano, em Zermatt, só para os escalões de Elite), encontrei o Daniel Hubmann na arena e claro está, pedi-lhe se poderia tirar uma foto com ele, ao que ele me responde muito sério em inglês: “Claro, mas são 5 €”, e eu por momentos fiquei chocado porque só conhecia a faceta “séria” do atleta, e respondi-lhe: “Eu já sabia que era tudo muito caro na Suiça, mas ao menos pediste-me Euros e não Francos Suiços”, obviamente que tirei uma foto com ele e ainda nos rimos um pouco. A outra situação ocorreu, curiosamente, no último dia, na cerimónia de entrega de prémios. Fui ter com o Martin Hubmann para ele autografar o meu dorsal e ele estava a beber um copo grande de um líquido que aparentemente parecia cerveja. Obviamente meti-me com ele sobre esse facto e ele explicou-me que não era cerveja mas sim um sumo tradicional suíço, que eu desconhecia, e disse-lhe que nunca tinha provado, ao que ele me responde que eu não poderia sair da Suiça sem provar aquilo e deu-me do copo dele para provar. Senti-me mesmo num ambiente de grande descontração que normalmente não estou habituado quando estes atletas vêm às nossas provas.

Esteve no “núcleo duro” de algumas das grandes organizações em Portugal nos três últimos anos, nomeadamente o POM 2012 e o MCO 2014. Ver o SOW 2014 com o olhar de quem organiza dá para perceber uma realidade muito diferente? Há aspectos que vivenciou e que valeria a pena “importar” para o nosso país?

J. M. - Os Suiços são, por natureza, pessoas com uma capacidade organizativa superior e este evento não foi excepção. Há efetivamente aqui uma realidade algo diferente e, apesar das coisas serem bem feitas tanto em Portugal como na Suiça, nota-se que a forma de trabalhar, de organizar e distribuir o trabalho é diferente. No entanto também se nota que as organizações portuguesas possuem mais capacidade para resolver pequenos incidentes que se desviem do “plano” inicial. Mas, na minha opinião, talvez a grande diferença seja na quantidade de voluntários a trabalhar no evento, o que permite que se preocupem em ter elementos da organização em quase todos os pontos de acesso à montanha para encaminhar os atletas (estações de comboio e teleféricos, por exemplo). Mas o que me surpreendeu mais foi o Boletim final do evento, que era um livro com mais de 100 páginas onde explicava tudo ao mais infimo pormenor da prova, como por exemplo: o esquema das partidas, o tempo que se demoraria a chegar aos eventos em forma de esquema a contar já com as viagens a pé e de funicular ou teleférico e com 30 minutos na arena para o atleta se equipar, se haveria ou não água nas partidas, se era aconselhado levar um casaco para as partidas, etc.

Acho que a grande importação que faria para Portugal era mesmo este modelo de boletim/livro com todas as informações necessárias. No entanto também importaria alguma noção de organização propriamente dita, porque em Portugal há uma necessidade de organizar ao máximo os poucos recursos humanos que possuimos, coisa que eu reparei que funcionava bem aqui. Cada voluntário tinha a sua identificação, a sua função na prova e um rádio portátil para comunicar na rede e receber/transmitir indicações ou informações. Por último, e tendo em conta o meu background profissional, uma das coisas que temos que urgentemente importar para os nossos eventos é o planeamento e a gestão da emergência. Cada etapa do SOW tinha vários postos de socorro espalhados pelo mapa e havia sempre um helicóptero pronto para qualquer evacuação de algum sinistrado e veiculos adaptados às condições de alta montanha, já para não contar com o posto médico montado na arena. É claro que falamos em realidades diferentes, mas podemos sempre aprender para conseguirmos sustentavelmente chegar à excelência organizativa nos nossos eventos portugueses.

Para aqueles que ainda não se decidiram por uma competição de Verão na Europa nos próximos anos, que argumentos avançaria para não perderem a próxima SOW, em 2016?

J. M. - Em 2016 a SOW irá ser organizada em Engadin St. Moritz e se a qualidade dos terrenos e a organização for similar, é um evento a ter em conta e que eu recomendo vivamente. Sinceramente este SOW 2014 foi o melhor evento em que eu já participei, só pecou por não ter trazido os meus atletas do COV-Natura para participarem comigo. Mas todo este ambiente vivido aqui, a descontração, a qualidade organizativa, a qualidade dos mapas e a preocupação com os pormenores, tornam este evento único e uma referência muito forte no mundo orientista.

E o João? Vai permanecer fiel ao SOW e continuar a rumar à Suiça para uma semana ao nível desta que acaba de chegar ao fim?

J. M. - Infelizmente ir até ao SOW acarreta despesas muito significativas e não está ao nível de todos, uma vez que há uma grande diferença entre a realidade económica portuguesa e a realidade económica suiça. Os preços são muito altos para o comum português nos artigos mais básicos. Eu só tive hipótese de ir este ano por ter a facilidade em termos de alojamento e alimentação facultados pela minha família residente em Zermatt. Daí que talvez não me possa dar ao luxo de poder voltar a competir tão cedo num evento destes na Suíça. Com muita pena minha, claro!

Para ficar a conhecer ao pormenor o dia a dia de João Moura em Zermatt e a sua experiência na Swiss Orienteering Week 2014, não deixe de visitar a sua página pessoal em http://joao-moura.blogspot.pt.

[Foto gentilmente cedida por João Moura]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 27 de julho de 2014

JWOC 2014: "Dobradinha" da Suécia no fecho dos Campeonatos



Confirmando o ascendente demonstrado ao longo de toda a semana, a Suécia foi a grande vencedora das provas de Estafeta, masculina e feminina, que colocaram um ponto final nos Campeonatos do Mundo de Júniores de Orientação Pedestre JWOC 2014. Em termos individuais, Sara Hagström foi a grande figura da competição, regressando a casa com três medalhas de ouro e uma de prata na bagagem.


Chegaram ao fim os Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2014. Epicentro duma semana recheada de emoções fortes, Borovets foi o palco da prova de Estafeta, a qual contou com a presença total de 96 equipas, em representação de 33 países no setor masculino e 27 no feminino. Marca identitária destes Campeonatos, o elevado desafio técnico voltou a colocar à prova as qualidades e capacidades das quase três centenas de atletas presentes, sendo o principal responsável por mexidas constantes ao longo de toda a prova, ainda que no final não se registassem surpresas de vulto no tocante aos lugares de honra.

No setor masculino, a segunda equipa da Suécia foi a primeira a concluir o percurso inicial, com Oskar Lundqvist a passar o testemunho com a escassa vantagem de um segundo sobre o finlandês Topi Raitanen e onze segundos sobre o russo Ivan Kuchmenko, segundo e terceiro classificados, respetivamente. Bem pior esteve Assar Hellstrom, a perder 1:05 para a liderança e a deixar a equipa nº 1 da Suécia em “maus lençóis” para o que restava de prova. Algumas hesitações à entrada do segundo percurso, porém, permitiram o reagrupamento dos principais candidatos à vitória e o relançar dos dados, isto numa altura em que a Espanha, com Luís Sanchez Serrano, fechava um grupo de quinze unidades a menos de 30 segundos do finlandês Topias Ahola, que era agora o líder. O final do segundo percurso não tardaria e, com ele, Simon Hector e a Suécia eram os primeiros na passagem de testemunho, embora com a escassa vantagem de 5 segundos sobre os perseguidores imediatos, o checo Jonás Hubácek e o suiço Tobia Pezzati.

Com muitas contas ainda por fazer no início do derradeiro percurso, era no entanto possível perceber que havia “cinco galos para um poleiro”. O Campeão do Mundo de Distância Média, Miika Kirmula, claudicara no primeiro percurso, mas a segunda equipa da Finlândia aí estava para honrar a camisola. Com ela, Suécia, República Checa, Suiça e Noruega lutavam agora pela medalha de ouro. Uma luta empolgante que acabou reduzida a três, com o Campeão do Mundo de Distância Longa, Anton Johansson, a ser o mais forte e a garantir a vitória da Suécia com o tempo de 1:36:30. República Checa e Suiça, com mais 10 e 13 segundos, respetivamente, ocuparam os restantes lugares do pódio.


Quem tem Sara Hagström tem tudo

Fazendo jus ao enorme favoritismo que lhe era atribuído, a Suécia foi a vencedora da Estafeta feminina. Começou melhor a Noruega, com a Vice-campeã do Mundo de Sprint, Heidi Mårtensson, a conseguir destacar-se dum numeroso grupo e a ser a primeira a entregar o testemunho, ainda que com uma reduzida vantagem de 42 segundos sobre a segunda equipa da Noruega, de 46 segundos sobre a Polónia e de 48 segundos sobre a Suécia, que ocupavam as posições imediatas. Assegurando o segundo percurso das norueguesas, Gunvor Hov Høydal, Campeã do Mundo de Distância Longa, teve na sueca Frida Sandberg uma adversária ao seu nível e que acabaria por anular a desvantagem, lançando para o decisivo percurso a extraordinária Sara Hagström na primeira posição, com dez e vinte segundos de vantagem sobre a segunda equipa da Suécia e sobre a Noruega, respetivamente.

Mas não se julgue que a partir daqui foi sempre a andar. Apesar de técnica e força serem atributos que Sara Hagström tem “para dar e vender”, a verdade é que uma boa entrada no mapa permitiu à norueguesa Mathilde Rundhaug anular a desvantagem e passar para a frente, com Hagström a debater-se com a necessidade de não falhar. Mas se podemos dizer que Hagström não falhou, devemos acrescentar que Rundhaug se cotou ao nível da sua adversária, saindo ambas lado a lado para os derradeiros pontos de controlo. Só que aí Sara Hagström foi mesmo a mais forte, terminando com o tempo de 1:38:18, menos 9 segundos que a sua adversária direta. Com Lisa Schubnell no último percurso, a segunda equipa da Suiça imitou os seus companheiros na estafeta masculina, concluindo na terceira posição a distantes 6:06 das vencedoras. Constituída por Vera Alvarez, Beatriz Moreira e Joana Fernandes, a Estafeta feminina portuguesa concluiu na 25ª posição com o tempo total de 2:29:26.


Contas e mais contas

Num último olhar sobre o conjunto de resultados e sobre as vinte e quatro medalhas atribuídas ao longo dos Campeonatos, percebe-se que a Suécia foi a grande triunfadora com 5 medalhas de ouro, 2 de prata e 2 de bronze. As restantes quatro medalhas de ouro couberam à Nova Zelândia, Finlândia, Suiça e Noruega. Noruega que acrescenta duas medalhas de prata ao ouro e garante a segunda posição do medalheiro dos Campeonatos, seguida da Finlândia e da Suiça, com mais duas medalhas de bronze cada. Ao todo, foram nove os países medalhados nestes Mundiais, devendo pois acrescentar-se a República Checa, com uma medalha de prata e uma de bronze, a Polónia e a Itália, com uma medalha de prata cada e a Dinamarca, com uma medalha de bronze.

Se quisermos alargar as contas do JWOC 2014 até ao sexto lugar da classificação nas quatro distâncias, definindo como critério seis pontos para o primeiro classificado, cinco para o segundo e assim sucessivamente, até um ponto para o sexto classificado, veremos que a Suécia alcança o notável “score” de 56 pontos, destacando-se da Finlândia com 25 pontos e da Noruega com 20 pontos. Suiça com 16 pontos e Nova Zelândia e República Checa com 9 pontos, ocupam as posições imediatas, numa tabela que contabilizou 16 países inscritos.


Resultados

Masculinos

1. Suécia (Assar Hellstrom, Simon Hector, Anton Johansson) 1:36:30
2. República Checa (Ondrej Semík, Jonás Hubacék, Marek Minár) 1:36:40 (+ 00:10)
3. Suiça (Jonas Egger, Tobia Pezatti, Sven Hellmueller) 1:36:43 (+ 00:13)
4. França (Arnaud Perrin, Loïc Marty, Nicolas Rio) 1:38:30 (+ 02:00)
5. Letónia (Mikus Purins, Alvis Reinsons, Rudolfs Zernis) 1:38:42 (+ 02:12)
6. Nova Zelândia (Tim Robertson, Shamus Morrison, Nick Hann) 1:39:05 (+ 02:35)
7. Finlândia (Arttu Syrjäläinen, Topias Ahola, Aleksi Niemi) 1:39:09 (+ 0239)
8. Noruega (Markus Holter, Anders Felde Olaussen, Andreas Sölberg) 1:39:11 (+ 02:41)
9. Russia (Ivan Kuchmenko, Konstantin Serebryanitsk, Dmitry Polyakov) 1:40:48 (+ 4:18)
10. Bulgária (Martin Ponev, Dimitar Jelyazkov, Apostol Atanasov) 1:40:51 (+ 04:21)

Femininos

1. Suécia (Tilda Johansson, Frida Sandberg, Sara Hagström) 1:38:18
2. Noruega ( Heidi Mårtensson, Gunvor Hov Høydal, Mathilde Rundhaug) 1:38:27 (+ 00:09)
3. Suiça (Paula Gross, Sina Tommer, Lisa Schubnell) 1:44:24 (+ 06:06)
4. Ucrânia (Daria Moskalenko, Olena Postelniak, Mariya Polischuk) 1:44:53 (+ 06:35)
5. Finlândia (Jannina Gustafsson, Emmi Jokela, Anna Haataja) 1:45:03 (+ 06:45)
6. França (Delphine Poirot, Chloé Haberkorn, Lauriane Beauvisage) 1:46:08 (+ 07:50)
7. República Checa (Markéta Novotná, Anna Sticková, Katerina Chromá) 1:48:55 (+ 10:37)
8. Grã-Bretanha (Katie Reynolds, Rhona MacMillan, Tasmin Moran) 1:48:59 (+ 10:41)
9. Dinamarca (Nicoline Friberg Klysner, Cecilie Friberg Klysner, Miri Thrane Ødum) 1:49:57 (+ 11:39)
10. Letónia (Marta Jansona, Liga Valdmane, Sandra Grosberga) 1:50:11 (+ 11:53)
(...)
25. Portugal (Vera Alvarez, Beatriz Moreira, Joana Fernandes) 2:29:26 (+ 51:08)

Mais informações e resultados completos em http://jwoc2014.bg/.

[Foto: Skogssport / facebook.com/Skogssport]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 26 de julho de 2014

JWOC 2014: Ouro na Distância Média para Kirmula, Tommer e Hagström



Miika Kirmula em masculinos e Sina Tommer e Sara Hagström, ex-aequo, em femininos, levaram de vencida a Final A de Distância Média, conquistando os últimos títulos individuais destes Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2014. Kirmula e Tommer ofereceram à Finlândia e Suiça, respetivamente, o primeiro ouro nestes Mundiais, enquanto Sara Hagström confirmou o seu extraordinário valor, sendo coroada a rainha dos Campeonatos.


Depois das séries qualificatórias disputadas ontem, o JWOC 2014 regressou ao mapa de Zheleznica para a disputa das finais de Distância Média. Sessenta atletas masculinos e outros tantos femininos, em representação de vinte e cinco países, disputaram a Final A, lutando entre si pela conquista dos derradeiros títulos individuais em disputa na presente edição da prova. De fora da luta pelas medalhas ficaram alguns nomes sonantes como os do sueco Assar Hellstrom, o dinamarquês Thor Nørskov, o belga Tristan Bloemen, o neo-zelandês Tim Robertson, a finlandesa Anna Haataja e a norueguesa Heidi Mårtensson, entre outros. De fora ficaram também os quatro atletas portugueses, sendo de realçar que Luís Silva falhou o apuramento para a final ao concluir na 21ª posição, a 14 segundos do ucraniano Yuriy Badan, 20º classificado na 1ª série de qualificação.

Suécia com onze atletas, Finlândia com dez e Dinamarca, Rússia e Suiça, todos com nove atletas, marcavam posição na linha da frente para a conquista dos lugares de honra, mas foi o italiano Riccardo Scalet a dar a primeira grande nota de sensação na Final A masculina, alcançando muito cedo o melhor tempo com 30:19 para 3,8 km de prova, isto numa altura em que faltavam ainda partir um total de vinte e um atletas (!). Primeiro o neo-zelandês Nick Hann, depois o austríaco Xander Berger e, quase uma hora mais tarde, o finlandês Olli Ojanaho, foram ameaçando o lugar do italiano, que todavia permanecia sentado no “trono”, controlando estoicamente a ansiedade crescente à medida que novo atleta cruzava o finish. Até que... Miika Kirmula, o finlandês que havia levado de vencida a segunda série qualificatória e, por isso mesmo, o penúltimo a partir, bateu finalmente o tempo de Scalet, estabelecendo a extraordinária marca de 28:58 e dando à Finlândia a sua primeira medalha de ouro nestes Campeonatos. Com esta medalha de prata, Riccardo Scalet entra para a história como o primeiro atleta italiano a chegar ao pódio nos Mundiais de Juniores.

A história da Final A feminina tem contornos muito idênticos àqueles do setor masculino mas, se quisermos, mais “requintados” ainda. Penúltima classificada na sua série qualificatória de ontem, a helvética Sina Tommer foi a sexta atleta a partir e... a primeira a chegar. O tempo de 28:43 para 2,8 km de prova era sem dúvida excelente, mas a organização estabelecera uma estimativa de 25 minutos para o vencedor e faltavam chegar 59 (!) atletas. A verdade é que o tempo passou, passou, passou e... uma hora e quarenta e cinco depois, chegava a sueca Sara Hagström com o tempo de 28:43, igualando a prestação de Tommer. Não foi preciso esperar muito mais para perceber que, das duas últimas atletas a partir, a dinamarquesa Cecilie Friberg Klysner fez “mp” e a sueca Johanna Oberg esteve irreconhecível, não indo além do 41º lugar final. A vitória ex-aequo de Sina Tommer e Sara Hagström – algo que sucede pela primeira vez no setor feminino, em 25 edições do JWOC - estava consumada. A Suiça chega assim, pela primeira vez nestes Mundiais, à medalha de ouro, enquanto Sara Hagström soma ao ouro no Sprint e à prata na Longa, novo ouro, agora na Distância Média, alcançando a segunda melhor performance de sempre em provas individuais dos Campeonatos do Mundo de Juniores, atrás da dinamarquesa Ida Bobach que, em 2011, ganhou tudo o que havia para ganhar.


Resultados

Masculinos

1. Miika Kirmula (Finlândia) 28:58
2. Riccardo Scalet (Itália) 30:19 (+ 01:21)
3. Olli Ojanaho (Finlândia) 30:29 (+ 01:31)
4. Xander Berger (Áustria) 30:44 (+ 01:46)
5. Nick Hann (Nova Zelândia) 30:47 (+ 01:49)
6. Jonas Egger (Suiça) 30:50 (+ 01:52)
7. Konstantin Serebryanitsk (Rússia) 31.33 (+ 2:35)
8. Rudolfs Zernis (Letónia) 31:36 (+ 02:38)
9. Dmitry Naumov (Rússia) 32:02 (+ 03:04)
10. Nicolas Rio (França) 32:12 (+ 03:14)

Femininos

1. Sara Hagström (Suécia) 28:43
1. Sina Tommer (Suiça) 28:43 (+ 00:00)
3. Andrea Svensson (Suécia) 29:56 (+ 01:13)
4. Tilda Johansson (Suécia) 30:01 (+ 01:18)
5. Gunvor Hov Høydal (Noruega) 30:13 (+ 01:30)
6. Zoe Harding (Grã-Bretanha) 30:53 (+ 02:10)
7. Emmi Jokela (Finlândia) 31:58 (+ 03:15)
8. Miri Thrane Ødum (Dinamarca) 32:28 (+ 03:45)
9. Sandrine Mueller (Suiça) 32:33 (+ 03:50)
9. Jannina Gustafsson (Finlândia) 32:33 (+ 03:50)

Mais informações e resultados completos em http://jwoc2014.bg/.

[Foto: JWOC 2014 Bulgaria | Junior World Orienteering Championships 2014 / facebook.com/jwoc2014]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O-Ringen Skåne 2014: Thierry Gueorgiou e Tove Alexandersson levam de vencida 50ª edição



O O-Ringen está a festejar 50 anos. Com as boas graças da meteorologia a ajudar à festa, cerca de 20.000 amantes da Orientação viveram uma semana de sensações fortes, saboreando o prazer das floresta do Sul da Suécia, com o Báltico em pano de fundo. Na competição de Orientação Pedestre, o francês Thierry Gueorgiou e a sueca Tove Alexandersson, repetiram o feito alcançado em 2013, chegando à vitória nos respetivos escalões de Elite.


Seja em que contexto for, 50 anos é sempre um marco na vida duma pessoa, dum lugar, duma instituição. Na região de Skåne, na Suécia, o O-Ringen soprou precisamente esta semana cinquenta velas, numa celebração que envolveu cerca de vinte milhares de participantes, com interesses repartidos pelas disciplinas de Orientação em BTT, Orientação de Precisão e Orientação Pedestre.

Situada em Norra Åsum, a “Cidade O-Ringen 2014” abriu as suas portas no dia 14 de Julho, enchendo-se rapidamente duma mole imensa de atletas de todas as proveniência e idades, ansiosa pelo início das provas. A competição Pedestre destinada à Elite teve início no domingo, com um disputadíssimo Sprint pelas ruas de Kristanstad e no qual o Campeão Europeu em título, o sueco Jonas Leandersson, fez gala das suas reconhecidas qualidades, levando de vencida a etapa masculina. Nos lugares seguintes classificaram-se, por esta ordem, Jerker Lysell e Emil Svensk, ambos igualmente suecos. A prova feminina teve na dinamarquesa Maja Alm a grande vencedora, impondo-se à ucraniana Nadiya Volynska e à sueca Tove Alexandersson, respetivamente segunda e terceira classificadas.


Sequências ganhadoras

Nas três etapas seguintes, o francês Thierry Gueorgiou e a sueca Tove Alexandersson não deram hipóteses à concorrência, vindo a conseguir um extraordinário “hat-trick” e quase garantindo a vitória na competição à entrada para a quinta e última etapa. Segundo classificado na segunda e terceira etapas e terceiro classificado na quarta etapa, Jonas Leandersson lutava com todas as suas forças para não perder o contacto com a liderança, embora consciente que só muito dificilmente conseguiria anular a desvantagem de 3:37 no final da quarta etapa. No setor feminino, Alexandersson “arrumou” a questão na segunda etapa ao deixar a segunda classificada, a Campeã do Mundo de Distância Média, Annika Billstam, a uma diferença superior a seis minutos. Diferença essa que duplicaria duas etapas depois, com a dinamarquesa Ida Bobach a ocupar agora a segunda posição, a 12:23 da liderança.

Na última etapa, como se previa, não houve alterações no topo das tabelas classificativas. Thierry Gueorgiou até se “deu ao luxo” de ficar no terceiro lugar, atrás do norueguês Magne Dæhli e do austríaco Gernot Kerschbaumer, concluindo com o tempo total de 5:05:12. Leandersson segurou a segunda posição, a 4:50 de Gueorgiou, enquanto o terceiro lugar acabou por pertencer ao sueco Jerker Lysell, com 5:17:15. Quanto às senhoras, Tove Alexandersson não fez por menos e fechou com nova vitória um conjunto de provas memorável, concluindo com um tempo total de 4:23:16, contra 4:37:37 de Ida Bobach e 4:42:51 de Maja Alm, respetivamente segunda e terceira classificadas.


Resultados Finais

Masculinos

1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 5:05:12
2. Jonas Leandersson (Södertälje-Nykvarn) 5:10:02 (+ 04:50)
3. Jerker Lysell (Rehns Bandyklubb) 5:17:15 (+ 12:03)
4. Magne Dæhli (Halden SK) 5:20:19 (+ 15:07)
5. Gernot Kerschbaumer (OK Pan-Kristianstad) 5:21:28 (+ 16:16)
6. Tue Lassen (Vaajakosken Terä) 5:21:40 (+ 16:28)
7. Oleksandr Kratov (OK Orion) 5:23:06 (+ 17:54)
8. Fredrik Johansson (IFK Lidingös SOK) 5:25:38 (+ 20:26)
9. William Lind (Malungs OK) 5:26:05 (+ 20:53)
10. Filip Dahlgren (IFK Lidingös SOK) 5:26:39 (+ 21:27)

Femininos

1. Tove Alexandersson (Stora Tuna OK) 4:23:16
2. Ida Bobach (OK Pan Århus) 4:37:37 (+ 14:21)
3. Maja Alm (OK Pan Århus) 4:42:51 (+ 19:35)
4. Svetlana Mironova (Hellas OK) 4:45:36 (+ 22:20)
5. Nadiya Volynska (OK Orion) 4:55:55 (+ 32:39)
6. Emma Johansson (Domnarvets Go IF) 4:56:08 (+ 32:52)
7. Tone Wigemyr (Bækkelagets SK) 4:58:53 (+ 35:37)
8. Anna Persson (Friluftsklubben Göingarna) 4:59:21 (+ 36:05)
9. Annica Gustafsson (IFK Lidingös SOK) 5:03:19 (+ 40:03)
10. Annika Billstam (OK Linné) 5:07:56 (+ 44:40)

Resultados completos em http://www.oringenonline.com/

[Foto: Peter Holgersson / peterholgersson.se/]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Miguel Silva: "Terá lógica deixar-me de fora dos quatro atletas selecionados num WOC em que 50% das provas são de Sprint?"



Miguel Silva é o convidado de hoje do Orientovar. Com ele se recordam os momentos mais importantes dos recentes Campeonatos do Mundo de Orientação, se partilha a mágoa da ausência do maior evento do calendário internacional, se regressa a Penedono ao encontro do título nacional de Sprint reconquistado cinco anos depois, se aborda o momento atual da nossa Orientação e se projeta um futuro que não passa apenas pela Orientação.


Acompanhou, ainda que à distância, o Campeonato do Mundo de Orientação WOC 2014. Dum modo geral, com que ideia ficou destes Campeonatos?

Miguel Silva (M. S.) - Acho que uma das principais razões para querer participar num WOC é o facto de termos quase a certeza de que irá ser uma prova com mapas fidedignos, percursos minuciosamente estudados e uma estrutura organizativa que apoia os atletas nas suas necessidades. Pelo feedback que obtive, acho que este WOC não foi exceção. Esperava que os mapas de Sprint fossem mais técnicos e ouvi alguns atletas a queixarem-se disso. Os mapas da Distância Média, Longa e Estafeta, em terreno alpino, pareceram-me interessantes e com percursos desafiantes.

Em termos competitivos, quer destacar algum resultado em especial que o tenha surpreendido?

M. S. - No Sprint, acho que ninguém esperava o domínio dinamarquês, o que mostra a importância da preparação de uma prova de Sprint. Já há alguns anos corriam rumores de que as melhores seleções cartografavam todas as áreas de Sprint previamente à prova. Nos últimos anos isso tornou-se recorrente e agora penso que quase todas as seleções o fazem, melhor ou pior, conforme os seus recursos. Não sei até que ponto isso não estraga o espírito da competição; talvez as organizações devessem não divulgar as áreas de sprint até uns dias antes da prova ou fornecer o mapa a todos antes do evento. Ainda no Sprint, o sétimo lugar do Yannick Michiels, mostra o potencial da nova geração de sprinters, que perante as suas capacidades físicas, facilmente chegarão ao topo da tabela.
Na Longa, destaco a impressionante parte final de prova realizada pelo Thierry Gueorgiou, em que ganhou vários segundos por split e que acabaram por lhe valer o título. Destaco também o oitavo lugar do Gernot Kerschbaumer, alguém que se tem dedicado muito à Orientação nos últimos anos e que viu o seu esforço recompensado. Nas mulheres, penso que todos estavam à espera do duelo Judith/Tove, mas uma russa Svetlana Mironova levou a melhor. Na Estafeta, houve sprints emocionantes e surpreendentes, em que Kyburz ganhou a Gueorgiou e Lundanes a Bostrom.

Analisando, em particular, a prestação da nossa seleção, que balanço faz?

M. S. - Considero que mantivemos o baixo nível dos últimos anos, para os quais eu também contribuí. Claro que seria mais fácil e politicamente correto eu dizer que foi mais um bom WOC, mas acho que temos que ser ambiciosos, ver o que podemos melhorar e ir mais além. Ainda não encontrei o ranking das seleções, mas penso que provavelmente descemos de divisão nos masculinos e que para o ano teremos apenas um atleta em cada final. Ressalvo que neste momento todos os atletas de seleção estão mais ou menos nivelados e que não considero que eu obteria resultados melhores que aqueles que foram alcançados pelos meus colegas.

Falando um pouco de si, apareceu em grande em Penedono, onde recuperou um título - o de Campeão Nacional de Sprint - que lhe fugia há cinco anos, mas de resto tem sido visto muito pouco nas provas este ano. Imagino que as exigências da profissão não lhe deixem grande margem para ir a todas...

M. S. - Há anos em que as provas e a vida extra-desportiva encaixam perfeitamente. Há outros, como este, em que isso não acontece e temos que fazer escolhas. No Costa Alentejana Omeeting, Trofeu OriMargem Sul e ALOT estive em cursos médicos onde tive que apresentar trabalhos. No POM estive na organização. Apenas no Campeonato Ibérico, em Soria (em que quase nenhum português participou), estive a participar em provas de montanha, nomeadamente na Zegama Aizkorri nos Pirinéus. Durante o RA4 estive a participar na Jukola, tendo ficado alguns dias a treinar na Suécia. Nos Campeonatos de Longa e Sprint, por constrangimentos do calendário de férias da minha namorada, estive de férias com ela porque era essencial para manter o equilíbrio pessoal/desportivo.

Fale-me desse título nacional de Sprint e do sabor que ele teve.

M. S. - A vitória soube bem mas é apenas o culminar de um processo de treino que, por si só, me dá uma imensa satisfação. No dia-a-dia não treino para os títulos, uma vez que isso é esgotante do ponto de vista psicológico. Treino para melhorar a minha performance, para descobrir onde é o limite e para socializar, uma vez que muitas das pessoas mais interessantes que conheço são desportistas. No entanto, é sempre uma vitória amarga, por terminar por ali e não ter tido a oportunidade de marcar presença em palcos mais competitivos.

Sim, é um facto que é o Campeão Nacional de Sprint, é o segundo atleta português com melhor média no ranking da Taça de Portugal na presente temporada e conseguiu o apuramento para a Final do Campeonato da Europa, no passado mês de Abril. Sente-se injustiçado por não ter sido chamado, desta vez, à seleção?

M. S. - Na verdade, esta época fui o melhor português em todos os sprints em que participei à exceção de dois: o do NAOM em que fui segundo melhor e o do EOC onde não me encontrava bem fisicamente devido a uma tendinopatia do Tendão de Aquiles e a uma virose que apanhei durante a competição. Terá lógica deixar-me de fora dos quatro atletas selecionados num WOC em que 50% das provas são de Sprint? Poder-se-ia dizer que seria muito fraco na floresta, mas fiquei quase sempre no top-3 português nas provas em que participei. Fizeram-me saber de que teria ficado de fora devido à minha falta de dedicação à modalidade e de apenas me interessar por corridas de montanha. De facto, já durante o EOC, foi sugerido por um atleta e discutido em seleção se eu deveria sequer integrar a segunda equipa da estafeta devido à minha falta de dedicação à modalidade. A verdade é que há inúmeros exemplos de atletas de Orientação de topo que são, concomitantemente, atletas de topo em Corridas de Montanha. A verdade, é que me tornei mais rápido na Orientação ao ter começado a treinar mais específico para a Corrida de Montanha.

Se, mais uma vez, tivesse treinado durante uma época inteira só com um título ou um apuramento em mente, estaria destroçado. Assim, acabei por participar nos Campeonatos do Mundo de Skyrunning em Chamonix, onde fui 26º a correr ao lado de muitos atletas em que via apenas em posters ou filmes, onde conheci pessoas espetaculares e de onde vim com a certeza de que um top-10 mundial é facilmente alcançável. Claro que isso abriu novas possibilidades e, como não prevejo que para as próximas épocas tenha mais tempo disponível para a modalidade de Orientação que este ano, o que me impossibilitará de competir a nível internacional, tem toda a lógica que despenda cada vez mais tempo na corrida de montanha.

Como avalia o atual momento da Orientação em Portugal?

M. S. - Não estamos bem por nos faltar um plano a longo prazo. Estamos a perder atletas a cada prova e a voltar ao núcleo duro de atletas de há 10 anos atrás. Os pequenos clubes não se conseguem impor e existe uma migração constante de atletas para os grandes clubes. A Orientação tem tudo para se tornar num desporto emergente no século XXI, mas ainda não o conseguimos tornar apelativo em Portugal. Qual a razão? Há inúmeras respostas possíveis mas aquela que eu considero primordial é a de que falhamos no marketing. Precisamos de mais trabalho do tipo que faz o Fernando Costa com o Orievents. Isto à primeira vista poderá parecer fútil e superficial, mas a criação de uma imagem e de um “sonho” pode trazer inúmeros atletas a uma prova, por motivos do domínio do sub-consciente. Esses atletas dão nome à prova e fazem número. Esse número irá interessar a empresas que se querem promover em grandes grupos. Essas empresas irão investir na modalidade fazendo-a crescer, resultando numa Federação com mais atletas e mais dinheiro. Deste maior grupo de atletas irá resultar uma seleção mais competitiva que também será apoiada por uma Federação com mais dinheiro.

Já vi este ciclo acontecer vezes sem conta com outras modalidades. A Corrida de Montanha, também agora chamada de Trail, é um exemplo recente deste fenómeno que, embora sem um organismo central, viu as provas e as marcas desportivas apostarem no marketing, resultando num enorme interesse por parte dos atletas e empresas. O resultado? A maioria das provas esgotadas com meses de antecedência. Nós, na Orientação, conseguimos manter estruturas organizativas de provas extremamente complexas que mobilizam centenas de voluntários (haverá alguma modalidade com igual exigência?), mas ainda não conseguimos singrar porque não damos importância ao marketing, essencial na sociedade contemporânea.

E quanto às outras disciplinas?

M. S. - Sinceramente, acho que estamos a crescer ao contrário, numa base que não é sustentável por muito tempo. A distribuição sustentável de atletas em qualquer modalidade deve começar numa pirâmide com uma base alargada de simpatizantes e praticantes esporádicos, que estreita para um grupo federado, que estreita para um grupo de alto rendimento que, por sua vez, estreita para uma seleção nacional. No BTT temos o Davide Machado, um atleta excecional, e toda uma restante modalidade com poucos atletas e pouca visibilidade. No TrailO, quase não temos provas em Portugal mas investimos numa seleção para ir a provas internacionais. Na minha opinião, dever-se-ia investir na base da pirâmide para, daqui a cinco anos, termos vários atletas excecionais a participar nestas vertentes nas provas internacionais. Mas não deixa de ser apenas a minha opinião, existindo muitos mais rumos viáveis. Ressalvo apenas que a modalidade de Orientação em Portugal tem um modelo único baseado no voluntariado, em que inúmeras pessoas gastam uma significativa parte do seu tempo a trabalhar para um bem comum, sendo pessoas que admiro. Temos que ter a noção de que, perante o que o estado português investe no desporto, já chegamos bastante longe.

No plano desportivo, até onde vai a ambição do Miguel? Vamos continuar a vê-lo a fazer Orientação por muito tempo?

M. S. - No plano desportivo a minha ambição é a de chegar o mais longe possível, conforme as restantes vertentes da minha vida permitirem. Eu faço Orientação há mais de 16 anos e o primeiro Portugal O' Meeting em que participei foi em 1999. Pratico este desporto há muitos anos, tenho grandes amigos neste meio e dá-me um imenso prazer navegar no meio da floresta. Por tudo isto, tenho a certeza que continuarei a participar em provas para o resto da minha vida. No entanto, como só vivo uma vez, não quero limitar a minha vida a este desporto, nem tão pouco ao meio desportivo. Continuarei a participar em provas de Orientação, assim como continuarei a investir em tornar-me um melhor médico, em tornar-me um melhor corredor de montanha e em tornar-me uma melhor pessoa, através do investimento nas várias vertentes da minha formação e nas relações pessoais com os que me rodeiam.


Saudações desportivas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 23 de julho de 2014

JWOC 2014: Título mundial junior de Distância Longa para Anton Johansson e Gunvor Hov Høydal



Anton Johansson e Gunvor Hov Høydal foram as grandes estrelas do segundo dia do Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2014, conquistando o título mundial de Distância Longa, naquela que foi a etapa-rainha dos Campeonatos. Os atletas portugueses voltaram a estar uns furos abaixo do esperado, incapazes de superar da melhor forma os desafios técnicos e a extrema dureza da prova.


O Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2014 prosseguiu hoje com a realização da final de Distância Longa. A prova teve lugar em Malyovitsa, em terrenos de floresta de montanha com acentuado desnível e muito pesados devido às fortes chuvadas que se têm abatido sobre a região, fazendo sobressair as capacidades físicas e técnicas dos melhores atletas mundiais nesta categoria. Foi assim com Anton Johansson, atleta sueco que desde 2013 vinha preparando o assalto ao ouro e que ainda ontem tinha sido presença no pódio, graças ao seu terceiro lugar na prova de Sprint. Johansson totalizou 1:15:17 para completar os 10,2 km do seu percurso, batendo o seu colega de equipa, Assar Hellstrom, pela margem de 1:01. No final, Johansson falava numa prova “mais dura do que tinha imaginado e ainda por cima num dia em que, fisicamente, não estava no meu melhor”. “Lutar pela vitória durante todo o percurso e focar-me na orientação como forma de minimizar os erros”, terá sido a chave do sucesso. Na terceira posição, a 3:28 do vencedor, classificou-se o checo Marek Minar. Uma nota ainda para o excelente 5º lugar alcançado pelo finlandês Olli Ojanaho, grande figura dos recentes Campeonatos da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2014 e uma das maiores promessas da Orientação mundial.

No setor feminino, a sueca Sara Hagström esteve muito perto de “bisar” o ouro nestes Campeonatos. Depois do título de Sprint conquistado ontem, a atleta teve de se contentar hoje com a medalha de prata, depois de ter sido batida pela norueguesa Gunvor Hov Høydal pela escassa margem de três segundos. Høydal precisou de 1:08:15 para cumprir os 7,2 km do seu percurso, sendo de referir que este tempo ultrapassa em muito o previsto pela organização para a vencedora e que era de 55 minutos. A Finlândia colocou duas atletas nas posições imediatas, com Emmi Jokela a conquistar a medalha de bronze com mais um minuto exacto que a vencedora e Anna Haataja a ser a 4ª classificada, com um registo de 1:11:45.

Apesar das muitas dificuldades que o percurso possa ter encerrado, seriam poucos aqueles que vaticinariam que Luis Silva terminasse com uma diferença superior a 25 minutos para o vencedor. Tão pouco era crível que Vera Alvarez, a vencedora do ranking da Taça de Portugal em 2013 no escalão Elite Feminina e uma das representantes portuguesas nos recentes Mundiais de Itália, concluisse a sua prova com um lapso de tempo superior a 35 minutos em relação a Gunvor Hov Høydal. A verdade é que foi isso mesmo que aconteceu, com Luís Silva a quedar-se pelo 80º lugar entre os 150 atletas classificados no seu escalão, enquanto Vera Alvarez terminava na 79ª posição, numa prova que viu 115 atletas chegarem ao final no escalão feminino. Beatriz Moreira viria a ser 112ª classificada, gastando mais 1:26:49 (!) que a vencedora, enquanto Joana Fernandes acabaria por não concluir a sua prova.


Resultados

Masculinos

1. Anton Johansson (Suécia) 1:15:17
2. Assar Hellstrom (Suécia) 1:16:18 (+ 01:01)
3. Marek Minar (República Checa) 1:18:45 (+3:28)
4. Ivan Kuchmenko (Russia) 1:19:36 (+ 04:19)
5. Olli Ojanaho (Finlândia) 1:19:39 (+ 04:22)
6. Mika Kirmula (Finlândia) 1:19:58 (+ 04:41)
7. Thor Nørskov (Dinamarca) 1:20:21 (+ 05:04)
8. Borger Melsom (Noruega) 1:21:31 (+ 06:14)
9. Moritz Doellgast (Alemanha) 1:22:32 (+ 07:15)
10. Riccardo Scalet (Itália) 1:22:49 (+ 07:32)
(...)
80. Luís Silva (Portugal) 1:40:26 (+ 25:09)

Femininos

1. Gunvor Hov Høydal (Noruega) 1:08:15
2. Sara Hagström (Suécia) 1:08:18 (+ 00:03)
3. Emmi Jokela (Finlândia) 1:09:15 (+ 01:00)
4. Anna Haataja (Finlândia) 1:11:45 (+ 03:30)
5. Mathilde Rundhaug (Noruega) 1:11:58 (+ 03:43)
6. Paula Gross (Suiça) 1:13:15 (+ 05:00)
7. Sina Tommer (Suiça) 1:13:31 (+ 05:16)
8. Sandrine Mueller (Suiça) 1:14:26 (+ 06:11)
9. Frida Sandberg (Suécia) 1:15:30 (+ 07:15)
10. Heidi Mårtensson (Noruega) 1:15:55 (+ 07:40)
(...)
79. Vera Alvarez (Portugal) 1:43:42 (+ 35:27)
112. Beatriz Moreira (Portugal) 2:35:04 (+ 1:26:49)
dnf Joana Fernandes

Mais informações e resultados completos em http://jwoc2014.bg/.

[Foto: JWOC 2014 Bulgaria | Junior World Orienteering Championships 2014 / facebook.com/jwoc2014]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido