segunda-feira, 30 de junho de 2014

Luís Gonçalves: "O momento actual do TrailO deixa-me entusiasmado e, ao mesmo tempo, um pouco desconfiado"



Os resultados alcançados até ao momento na Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014 fazem de Luís Gonçalves uma das grandes sensações da temporada. Em vésperas da partida para Itália, onde representará o nosso país pela primeira vez numa grande competição internacional, o atleta sobe à tribuna do Orientovar para falar do seu interesse por esta vertente e projetar o futuro.


O seu gosto pelo TrailO é algo que surge de forma quase espontânea, relacionado com um momento preciso, ou é fruto dum processo de crescimento que se vem prolongando no tempo?

Luís Gonçalves (L. G.) - Até 2013, o meu envolvimento no TrailO foi, de certa forma, bastante reduzido. Ajudei um pouco nas organizações do CPOC (Parque Eduardo VII e Campeonato Ibérico em Gouveia) mas a participação foi quase nula, por ter dado preferência à vertente pedestre ou por ser difícil compatibilizar algumas provas com a agenda familiar. Mas o POM 2014 veio mudar radicalmente o meu gosto pelo TrailO. Por ter estado envolvido em toda a preparação (técnica e logística) dessa etapa e, principalmente, pela forma entusiasta e minuciosa como o Acácio me foi transmitindo as regras e técnicas, fiquei realmente motivado e preparado para as provas pós-POM. Com o resultado alcançado na prova do Parque das Nações, aliado à possibilidade de lutar pelo apuramento para WTOC, o meu gosto e o interesse por esta vertente aumentou ainda mais. Assim, se considerar o período desde final de 2013 até hoje, posso dizer que tem sido um processo evolutivo.

O que é que vê no TrailO que faz dele um desporto tão especial?

L. G. - Acima de tudo é uma vertente que permite que algumas pessoas (muitas vezes esquecidas) façam o nosso desporto, usufruam das nossas florestas e, mais importante que tudo, possam competir de uma forma menos desigual. O TrailO, sendo uma vertente quase exclusivamente técnica, faz com que exista uma maior exigência ao nível da leitura do mapa, na análise dos desafios que o traçador colocou e no equilíbrio entre a resposta certa e o tempo que demoramos a decidir (pontos cronometrados). E é claro que também pode ser vista como um excelente treino técnico para aqueles que procuram bons resultados na vertente pedestre.

O desenvolvimento da modalidade em Portugal e a forma como vem colhendo interesse junto da comunidade orientista, que comentários lhe suscita? Estamos no bom caminho?

L. G. - Diria que o momento actual me deixa entusiasmado e, ao mesmo tempo, um pouco “desconfiado”. Começando pela parte negativa, o TrailO continua a ser visto “de lado” por um grande grupo de atletas, alguns deles com muito peso na modalidade (por serem os nossos melhores atletas ou por serem reconhecidamente excelentes organizadores e/ou técnicos). Em parte é compreensível, não existe componente física e nem toda a gente tem de gostar. Mas por outro lado, se nunca experimentarmos uma prova a sério, como é que poderemos ter opinião e julgar? Para além disso, os custos de organização são elevados, sendo necessários mapas novos e caros (dado o detalhe necessário) e, mais que isso, o conhecimento técnico e supervisão ainda está muito concentrado. Será que o excelente impacto no ETOC 2014 permanecerá vivo para os anos seguintes?

Mas o mais importante é o que tem acontecido e que quero que continue a acontecer. É muito positivo ver a maioria dos maiores clubes envolvidos e dedicados nas organizações de TrailO, ver o crescimento exponencial do número de inscritos nas últimas provas, ver os mais jovens a participar (e de que forma!), ver os clubes como a DAHP e o CRN com mais atletas, ver a sinergia entre clubes (será o futuro da nossa modalidade?) e ver um grande conjunto de atletas com valor semelhante e que procuram evoluir. Os organizadores querem cada vez mais aumentar a qualidade das provas, procuram desafiar mais os atletas e naturalmente a exigência cresce. Aliás, basta olhar para as recentes provas da Taça da Europa na Lituânia (competição não oficial) e da Taça de Portugal (Lagoa da Vela) e relembrar (quem teve a oportunidade de lá estar) as excelentes palavras do Nuno Pires na Lagoa da Vela para perceber que só havendo evolução dos atletas/organizadores é que o TrailO vai crescer e consolidar-se em Portugal.

PreO ou TempO? Qual das duas vertentes colhe a sua preferência?

L. G. - Penso que as minhas características encaixam melhor no PreO, pois permite-me analisar os problemas com calma, abordar os desafios colocados pelos traçadores de diferentes perspectivas e gerir o tempo de resposta. No entanto, seguindo uma opinião que parece generalizada, o TempO poderá vir a ser o futuro do TrailO, talvez pelo facto de ser muito mais dinâmico, ser mais apetecível para os jovens e pela facilidade de a curto prazo ser possível o acompanhamento em directo.

Garantiu, por mérito próprio, um lugar na seleção portuguesa que estará presente no próximo campeonato do Mundo, em Itália. Como é encarada esta oportunidade?

L. G. - Estou bastante contente por poder representar a Orientação Portuguesa e Portugal no WTOC 2014! É um momento único que me vai permitir estar do outro lado das grandes competições internacionais e contactar com os melhores atletas de TrailO. Ao mesmo tempo, é uma grande responsabilidade porque muitos outros poderiam estar no meu lugar.

Consegue avançar um objetivo em termos de resultados pessoais no próximo WTOC?

L. G. - É difícil definir algo que seja minimamente realista, dado que poucas provas fiz e não tenho qualquer tipo de experiência internacional. A maioria das outras selecções tem atletas muito experientes, o que faz com que a competição seja muito apertada e exigente, e cada falha pode conduzir à perda de muitos lugares na classificação. De qualquer forma, a minha principal aposta passa pelo PreO, onde vou aproveitar o facto de serem provas longas (mais tempo para decidir por ponto) para tentar entrar no top25. Relativamente ao TempO, se participar, tentarei chegar à final apesar de ser muito difícil por ter dificuldade em responder rápido.

E quanto ao seleccionado português? O que é que poderemos esperar?

L. G. - Ainda não falámos sobre esse assunto mas, uma vez que todos eles participaram no último ETOC, melhorar os resultados que obtiveram nessa altura deve ser um dos seus objectivos. Na minha opinião, qualquer um deles, se for consistente, pode alcançar um resultado no top20 do PreO. A nossa selecção tem um valor muito equilibrado, o que poderá também permitir melhorar muito a classificação por equipas.

Mais do que um trail-orientista, o Luís continua a ser, acima de tudo, um dos nossos bons valores na orientação pedestre. Para o pessoal da pedestre, em particular, o que é que o “Luís-Gonçalves-trail-orientista” tem a dizer?

L. G. - Venham experimentar, aproveitem para treinar tecnicamente. Incentivem a realização de actividades de iniciação dentro dos vossos clubes ou mesmo actividades interclubes.

Vamos continuar a vê-lo empenhado e motivado a fazer TrailO por quanto tempo mais?

L. G. - Dentro da minha disponibilidade, vou continuar a participar e, além disso, contribuir para que o CPOC e outros clubes possam organizar provas com qualidade para que mais atletas possam participar.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 28 de junho de 2014

EYOC 2014: "Bis" dourado da República Checa



Ao conquistar duas medalhas de ouro na prova de Estafetas, a República Checa deu a nota de sensação no última dia de competição do Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2014. As equipas portuguesas não conseguiram acertar o passo pelos primeiros e o 12º lugar no escalão M16 acaba por constituir o nosso melhor resultado.


Com a prova de Estafetas corrida de novo em Suvi Laki , chegou ao fim o Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2014. Os dois triunfos alcançados no último dia de competição pela República Checa acabaram por colocá-la, a par da Finlândia, como os países mais dourados destes Europeus, logo seguidos pela Suiça, com duas medalhas de ouro e da Hungria, Polónia, Noruega e Portugal, com um título cada. Individualmente, como é já sabido, o finlandês Olli Ojanaho foi a grande figura do EYOC 2014, alcançando a medalha de ouro nas provas de Sprint e de Distância Longa e ainda a medalha de prata na Estafeta disputada hoje. Merecem ainda referência as três medalhas do finlandês Tuomas Heikkilä e da checa Tereza Janošíková, nos escalões M16 e D16, respetivamente, chegando à prata na prova de Sprint, conquistando o bronze na Distância Longa e sendo hoje medalha de ouro na Estafeta. Tal como sucedera em 2013, a Finlândia foi a grande vencedora do EYOC 2014 no somatório dos resultados dos três dias de competição.

Começando por Olli Ojanaho e pela Estafeta no escalão M18, importa referir que suiços e noruegueses entraram com o pé direito, tudo parecendo ficar definido no segundo percurso com Elias Mølnvik (Noruega) a tomar a dianteira com uma boa vantagem sobre os principais favoritos. Com uma desvantagem de 6:44 para recuperar, Olli Ojanaho fez um terceiro percurso fantástico mas que apenas deu para chegar à segunda posição. A Noruega acabou por ser a grande vencedora com o tempo total de 1:51:47, menos 1:58 que finlandeses e 2:07 que os suecos, terceiros classificados. Neste escalão, o português Daniel Catarino conseguiu andar com o grupo da frente durante largos momentos, entregando o testemunho no final do primeiro percurso num promissor 7º lugar. O segundo percurso, contudo, acabou por deitar por terra as aspirações portuguesas em conseguir bater o 10º lugar de Soria, em 2010 – o melhor de sempre até ao momento -, com André Esteves a cair para o 20º lugar. João Novo ainda recuperou quatro posições no derradeiro percurso, mas percebe-se que o resultado final poderia ter sido outro e bem melhor para as nossas cores.


Portugueses em 12º

Passando ao escalão H16, República Checa, Suiça e Finlândia travaram entre si uma luta intensa pela vitória ao longo de toda a prova, alternando por esta ordem o comando das operações. No derradeiro percurso, enquanto o checo Daniel Vandas se afundava irremediavelmente, a Suiça via a sua vantagem de 1:25 ser anulada por um percurso excelente de Tuomas Heikkilä, terminando com o tempo de 1:35:58 e uma vantagem de 2:32 e 9:06 sobre suiços e checos, respetivamente. Quanto aos portugueses, depois dos resultados de Ricardo Esteves e João Bernardino nos dias anteriores de competição, era aqui que residiam as grandes expectativas. Melhorar o 6º lugar alcançado em Soria não era uma tarefa irrealista, todos o sabiam, mas a verdade é que a entrada infeliz de João Bernardino em prova arrumou em definitivo com as nossas aspirações. A distantes doze minutos dos lugares de honra e no 19º lugar, Ricardo Esteves foi um gigante, recuperando cinco minutos e subindo cinco lugares na classificação. Gramde figura dos Mundiais de Desporto Escolar ISF 2013, António Ferreira surgiu finalmente em grande nesta competição, fixando a nossa seleção no 12º lugar a 27:58 dos vencedores.

Nos escalões femininos, a República Checa fez valer os seus pergaminhos e chegou à medalha de ouro em ambos os escalões. Em D16, o segundo percurso foi determinante, com Tereza Janošíková a lançar a sua colega Barbora Vyhnálková com uma vantagem de 2:15. Vantagem essa que, no final, se cifraria em três minutos exatos, com as checas a gastarem 1:19:36, contra 1:22:36 das finlandesas. A Rússia fechou o pódio com o tempo de 1:24:26. Quanto ao escalão D18, a Polónia entrou muito bem na prova, partindo para o derradeiro percurso com quase três minutos de vantagem sobre a República Checa. A verdade é que Weronika Cych acabou por deixar fugir a oportunidade soberana de juntar à medalha de ouro conquistada quinta-feira na prova de Sprint também uma vitória na Estafeta, disso se aproveitando Anna Šticková que ofereceu à República Checa um muito saudado triunfo em 1:46:36, menos 1:15 que a Suécia e 1:16 que a Polónia, segunda e terceira classificadas. Socorrendo-se de Beatriz Sanguino, atleta do escalão D16, Portugal acabou por ver-se desclassificado no escalão D18 graças ao “mp” de Catarina Reis.


Resultados (provisórios)

H16
1. Finlândia 1:35:58
2. Suiça 1:38:30 (+ 02:32)
3. República Checa 1:45:04 (+ 09:06)
4. França 1:54:12 (+ 18:14)
5. Lituânia 1:56:27 (+ 20:29)
6. Dinamarca 1:56:35 (+ 20:37)
(...)
12. Portugal 2:03:56 (+ 27:58)

D16
1. República Checa 1:19:36
2. Finlândia 1:22:36 (+ 03:00)
3. Rússia 1:24:26 (+ 04:50)
4. Hungria 1:26:48 (+ 07:12)
5. Suiça 1:27:00 (+ 07:24)
6. Grã-Bretanha 1:31:10 (+ 11:34)

H18
1. Noruega 1:51:47
2. Finlândia 1:53:45 (+ 01:58)
3. Suécia 1:53:54 (+ 02:07)
4. Suiça 1:57:46 (+ 05:59)
5. Polónia 2:03:23 (+ 11:36)
6. França 2:03:36 (+ 11:49)
(...)
16. Portugal 2:30:59 (+ 39:12)

D18
1. República Checa 1:46:36
2. Suécia 1:47:51 (+ 01:15)
3. Polónia 1:47:52 (+ 01:16)
4. Finlândia 1:48:57 + 02:21)
5. Suiça 1:51:06 (+ 04:30)
6. Rússia 1:54:12 (+ 07:36)
(...) 
mp Portugal

Resultados completos e demais informações em http://eyoc2014.mk/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 27 de junho de 2014

EYOC 2014: Triunfo histórico de Olli Ojanaho



Olli Ojanaho venceu hoje a prova de Distância Longa do Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2014, no escalão H18, entrando para a história da competição graças às quatro medalhas de ouro alcançadas no curto espaço de dois anos. Entre os portugueses, Ricardo Esteves voltou a ser o nosso melhor representante, concluindo no 15º lugar.


No segundo dia de provas, o Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2014 rumou a Suvi Laki, junto à fronteira entre a Macedónia e a Bulgária, para a realização da prova de Distância Longa. Uma prova que fez saltar de novo para a ribalta o finlandês Olli Ojanaho, vencedor no escalão H18, com o tempo fantástico de 46:32, muito abaixo daquele estimado pela organização e que se situava entre os 50 e os 53 minutos. Com este resultado, Ojanaho repete o feito de 2013, arrecadando duma assentada os títulos de Sprint e de Distância Longa e alcançando um feito histórico ao cotar-se como o primeiro atleta a conseguir, em dezasseis edições do EYOC, chegar à medalha de ouro por quatro vezes nas provas individuais. O russo Vladislav Malyshev e o finlandês Topi Raitanen ocuparam os lugares imediatos do pódio, com mais 4:00 e 4:34, respetivamente, que o vencedor.

Nove anos depois de Sumperk e do ouro de Dorottya Péley na prova de Sprint, a Hungria voltou a festejar um título europeu de jovens, com Hanga Szuromi a impôr-se às suas adversárias no escalão D16 e a alcançar um muito saudado triunfo com o tempo de 40:29. Jasmine Gassner (Áustria) foi a segunda classificada com 40:58, enquanto a checa Tereza Janošíkova, medalha de prata ontem na prova de Sprint, alcançou o terceiro lugar com mais 1:03 que a vencedora. Depois de Simona Aebersold ter vencido a prova de Sprint no escalão D16, a Suiça voltou a ver a sua bandeira ondular no mastro mais alto graças ao triunfo de Hanna Müller no escalão D18. Vitória apertada, esta, no tempo de 50:21, com a finlandesa Anna Haataja e a checa Anna Šticková a ocuparem por esta ordem os lugares imediatos, com apenas mais 37 e 49 segundos, respetivamente, que a vencedora. Finalmente, no escalão H16, o checo Daniel Vandas foi o grande vencedor com o tempo de 45:43, seguido do suiço Andrin Gründler com 48:11 e do vice-campeão europeu de Sprint, o finlandês Tuomas Heikillä, a distantes 5:26.

Quanto aos portugueses, estiveram dum modo geral uns furos abaixo daquilo que tinham feito ontem. Apenas João Bernardino, no escalão M16, melhorou a sua prestação, concluindo num excelente 17º lugar a pouco mais de cinco minutos dos lugares de honra. Melhor mesmo só Ricardo Esteves, que esteve de novo em plano de evidência ao terminar na 15ª posição com o tempo de 56:31, o segundo melhor resultado de sempre dum atleta português nesta distância e neste escalão (recorde-se que Luís Silva havia alcançado em Soria, há quatro anos atrás, um fantástico 6º lugar). O EYOC 2014 vai terminar amanhã com a disputa das provas de Estafeta.


Resultados

H16
1. Daniel Vandas (República Checa) 45:43
2. Andrin Gründler (Suiça) 48:11 (+ 02:28)
3. Tuomas Heikkilä (Finlândia) 51:09 (+ 05:26)
4. Marcin Biederrman (Polónia) 51:28 (+ 05:45)
5. Timo Suter (Suiça) 51:32 (+ 05:49)
6. Vojtìch Sýkora (República Checa) 51:58 (+ 06:15)
(…)
15. Ricardo Esteves (Portugal) 56:31 (+ 10:48)
17. João Bernardino (Portugal) 57:42 (+ 11:59)
68. João Casal (Portugal) 1:21:56 (+ 36:13)
76. António Ferreira (Portugal) 1:29:37 (+ 43:54)

D16
1. Hanga Szuromi (Hungria) 40:29
2. Jasmina Gassner (Áustria) 40:58 (+ 00:29)
3. Tereza Janošíkova (República Checa) 41:32 (+ 01:03)
4. Birte Friedrichs (Alemanha) 43:04 (+ 02:35)
5. Eliane Deininger (Suiça) 43:16 (+ 02:47)
6. Anni Haanpää (Finlândia) 43:42 (+ 03:13)
(…)
76. Beatriz Sanguino (Portugal) 1:14:05 (+ 33:36)

H18
1. Olli Ojanaho (Finlândia) 46:32
2. Vladislav Malyshev (Rússia) 50:32 (+ 04:00)
3. Topi Raitanen (Finlândia) 51:06 (+ 04:34)
4. Olai Stensland Lillevold (Noruega) 51:35 (+ 05:03)
5. Martin Šmelík (Eslováquia) 53:05 (+ 06:33)
5. Arnaud Perrin (França) 53:05 (+ 06:33)
(…)
74. João Novo (Portugal) 1:13:54 (+ 27:22)
84. Daniel Catarino (Portugal) 1:18:46 (+ 32:14)
97. Bernardo Pereira (Portugal) 1:26:00 (+ 39:28)
100. André Esteves (Portugal) 1:32:30 (+ 45:58)

D18
1. Hanna Müller (Suiça) 50:21
2. Anna Haataja (Finlândia) 50:58 (+ 00:37)
3. Anna Šticková (República Checa) 51:10 (+ 00:49)
4. Aleksandra Hornik (Polónia) 52:25 (+ 02:04)
5. Anika Gassner (Áustria) 52:38 (+ 02:17)
6. Solène Droin (França) 52:43 (+ 02:22)
(…)
64. Beatriz Moreira (Portugal) 1:17:46 (+ 27:25)
83. Catarina Reis (Portugal) 1:32:47 (+ 42:26)

Resultados completos e demais informações em http://eyoc2014.mk/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Os Verdes Anos, Edição Especial: Ricardo Esteves


Encontra-se inscrito na Federação Portuguesa de Orientação sob o nome de Ricardo Ferreira, mas toda a gente o conhece por Ricardo Esteves, o homem de quem se fala. O título Europeu de Sprint alcançado esta manhã na Macedónia lança-o, da melhor forma, para a galeria de “notáveis” da orientação nacional e o Orientovar aproveita o ensejo para o dar a conhecer um pouco melhor neste “especial” da rubrica “Os Verdes Anos”.


Nasceu em Sintra, em 16 de Outubro de 1998, mas veio morar para o Pinhal Novo com seis anos de idade. Ricardo Esteves Ferreira acaba de completar o 10º ano na Escola Secundária de Pinhal Novo, no curso de Artes Visuais, recebendo de “prenda” de final de ano uma medalha de ouro, graças à sua extraordinária vitória em Strumica, na Macedónia, conseguida na prova de Sprint do Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre, no escalão H16.

Foi graças ao incentivo do Professor Daniel Pó - “se o Professor não me tivesse chateado tanto para ir para a Orientação, acho que hoje estaria em casa deitado no sofá”, diz -, que Ricardo Esteves viu nascer e crescer em si o “bichinho” da modalidade. O contato com outros desportos foi sempre uma constante na infância e juventude do atleta e antes da Orientação praticou Natação, Aikido, Futebol e Atletismo. A verdade é que 
correr sempre foi a sua paixão, algo que decerto terá herdado do pai, outrora um grande atleta nacional, chegando a participar em Campeonatos do Mundo de Juniores de Corta-Mato.


Primeiros embates

“No início não achei muita piada à Orientação”, confessa Ricardo Esteves, que viu as coisas mudarem assim que os bons resultados nas provas do Desporto Escolar começaram a aparecer. Do abandono do Futebol ao ingresso na ADFA, “o clube que me acompanha em todas as provas e que me tem apoiado sempre”, foi um pequenino passo. A primeira prova acabou por ter lugar em Terras de Bouro, no decurso dos Campeonatos Nacionais de Distância Longa e Estafetas, em 2012, uma experiência que o atleta lembra como “uma grande aventura que adorei”.

O ano de 2013 é considerado por Ricardo Esteves como “o primeiro ano a sério na Orientação”. O jovem atleta dá o grande salto do escalão H14 para o H16 e tem o seu primeiro embate internacional em Abril, no Algarve, onde integra a selecção portuguesa no escalão M2 ao lado de Isac Brito, João Magalhães, Leonardo Ramalho e João Pedro Casal. O “mp” na prova de Distância Média acaba por ser compensado com um diploma correspondente ao sexto lugar na prova de Distância Longa, ficando a experiência e o contacto com os melhores atletas mundiais no seu escalão como uma enorme mais-valia que o acompanhará no futuro.

É também em 2013 que se sagra Campeão Nacional de Distância Longa e de Sprint e alcança o título de Vice-Campeão Nacional de Distância Média, passando a integrar o grupo de seleção jovem que mais tarde virá a competir no Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2013, disputado no mês de Outubro, nos concelhos de Óbidos, Peniche e Caldas da Rainha. Apesar de ser o seu primeiro EYOC, Ricardo Esteves consegue ser o melhor português na prova de Sprint, terminando no 15º lugar (o melhor resultado de sempre até então numa prova de Sprint, no escalão H16, em Campeonatos da Europa de Jovens) e também na prova de Distância Longa, onde conclui na 40ª posição. De parceria com João Bernardino e João Novo, alcança ainda o 12º lugar na prova de Estafeta, a segunda melhor classificação de sempre duma seleção portuguesa neste escalão.


O ano da confirmação

A presente temporada começa com a conquista da medalha de prata na Distância Longa e da medalha de bronze na prova de Sprint do Campeonato Ibérico, seguindo-se o título de vice-campeão nacional de Desporto Escolar no escalão Juvenil. O título nacional de Distância Média é a sua última grande conquista antes da partida para a Macedónia, numa temporada onde domina destacadamente o ranking nacional no escalão H16, com 9 vitórias nas vinte etapas já disputadas, mais quatro vitórias que o seu adversário direto, João Magalhães (.COM).

Antecipando a grande jornada da Macedónia, Ricardo Esteves referia: “Este EYOC é o meu principal foco para este ano, tendo como grande objetivo um top-10 na prova de Sprint, um top-25 na prova de Distância Longa e um top-8 na Estafeta”. O primeiro grande objetivo está alcançado. E de que maneira! Dentro de dois dias saberemos se os restantes se concretizarão.


Reacções

“Acreditava no top-6 mas isto é espectacular!” Foi desta forma que Pedro Duarte, o treinador de Ricardo Esteves, reagiu à vitória do seu pupilo. Duarte que reconhece que, com este resultado, “a responsabilidade aumenta para treinador e atleta [risos] mas isto é 99% dele; só quem o conhece sabe o empenho diário e a disciplina de treino que ele tem apesar da idade. Para além do talento claro... mas talento sem trabalho não é nada”. E não esquece nas suas palavras o Professor Daniel Pó, o homem que lançou Ricardo Esteves na Orientação: “Uma grande parte do sucesso destes miudos é tua, Daniel Pó, o trabalho que tens feito é de saudar e muito importante! Dessa Escola já saíram bons valores para a nossa modalidade e não tenho dúvidas que com o tempo mais irão sair! Obrigado pelo teu contributo (...) e por incutires nos miudos o gosto pela Orientação!”

Entre as muitas reações à vitória de Ricardo Esteves, uma há que merece especial relevância, a daquele que o jovem campeão considera o seu “irmão mais velho”, Luis Silva: “É verdade, é muito bonito quando as coisas acontecem e depois já ninguém se lembra do passado. Há três anos vi esse miúdo, um jogador da bola e também um bocado gozão a correr... fiquei intrigado e questionei-me se não estava a presenciar a próxima geração. Sob a alçada do professor Daniel ele fez-se, a exemplo de muitos nós (eu, o Fábio Silva ...) pessoas que ainda continuam por cá! O que é certo é que ai está, aquele espirito inquebrável, incómodo para muita gente, que acabou por ter o apoio de nós, da ADFA e do mister Pedro. Muitos duvidaram, no fim vêm as surpresas... mas só para alguns!”

Associando-se a tão significativo momento, também a direcção da Delegação da ADFA de Évora, pela voz do seu Presidente, Manuel Branco, “congratula-se com o feito hoje alcançado, prestigiante para o País e para a ADFA. Aproveitamos para desejar as maiores felicidades para a restante competição e deixamos expresso que poderás sempre contar com o apoio desta Instituição”.

[Foto da publicação de EYOC 2014 no Facebook, em https://www.facebook.com/eyoc2014?fref=ts]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

EYOC 2014: Ricardo Esteves conquista título Europeu de Sprint



Coragem, determinação, garra e uma crença forte até ao derradeiro segundo de prova. Foi esta a receita que valeu a Ricardo Esteves o título de Campeão Europeu de Jovens de Sprint, no escalão Homens 16, conquistado esta manhã na cidade de Strumica, na Macedónia. Um resultado de enorme valor e significado para o atleta e para a Orientação portuguesa, um “murro na mesa” a vincar, de novo e bem alto, que o desporto em Portugal não é só Futebol.


Sete anos volvidos sobre Eger, na Hungria, e sobre a conquista do título Europeu de Jovens de Sprint por Diogo Miguel - e, com ele, a histórica primeira medalha de ouro de sempre da Orientação portuguesa -, eis que Ricardo Esteves volta a repetir o feito, impondo-se aos seus 99 adversários na final de Sprint, no escalão Homens 16. Numa prova bem desenhada no centro da bonita cidade de Strumica, o atleta português fez uma prova absolutamente perfeita, cumprindo os 1800 metros do seu percurso no fantástico tempo de 11:51, deixando atrás de si o finlandês Tuomas Heikillä e o checo Vojtěch Sýkora, com mais 30 e 34 segundos, respetivamente.

No escalão Damas 16, a helvética Simona Aebersold foi a grande vencedora, perfazendo os 1600 metros do seu percurso em 11:51, à frente das checas Tereza Janošíkova e Tereza Čechova, que gastaram mais 16 e 30 segundos, respetivamente. Em Homens 18, repetiu-se o intenso duelo da prova de Sprint do último EYOC, disputado em Portugal, então no escalão Homens 16. Ante o finlandês Olli Ojanaho, o suiço Florian Attinger saiu de novo derrotado pela margem de 21 segundos, com Ojanaho a revelar-se como um dos nomes mais promissores da Orientação mundial e a vencer com o tempo de 12:15 para 1800 metros de prova. Neste escalão, o polaco Krzysztof Rzenka fechou o pódio com o tempo de 12:39. Finalmente, no escalão Damas 18, a polaca Weronika Cych, medalha de bronze no EYOC 2013, foi a grande vencedora, gastando 13:29 para cumprir os 1800 metros do seu percurso. A ucraniana Olena Postelniak classificou-se na segunda posição com mais oito segundos que a vencedora, enquanto a norueguesa Ingrid Lundanes foi terceira, com 13:42.

Quanto aos restantes portugueses, os resultados podem considerar-se modestos, com Beatriz Sanguino (30ª classificada em Damas 16), João Bernardino (41º classificado em Homens 16) e João Novo (37º lugar em Homens 18) a conseguirem posições na primeira metade das respetivas tabelas classificativas. A competição prossegue amanhã com a realização da prova de Distância Longa a partir das 09h00 locais, menos uma hora que em Portugal.


Resultados

H16
1. Ricardo Esteves (Portugal) 11:51
2. Tuomas Heikkilä (Finlândia) 12:21 (+ 0:30)
3. Vojtěch Sýkora (República Checa) 12:25 (+ 0:34)
4. Antonie Guenin (França) 12:34 (+ 0:43)
4. Ondřej Vystavěl (República Checa) 12:34 (+ 0:43)
6. Nicola Banfi (Suiça) 12:41 (+ 0:50)
(…)
41. João Bernardino (Portugal) 14:10 (+ 2:19)
61. António Ferreira (Portugal) 15:05 (+ 3:14)
67. João Casal (Portugal) 15:24 (+ 3:33)

D16
1. Simona Aebersold (Suiça) 11:51
2. Tereza Janošíkova (República Checa) 12:07 (+ 0:16)
3. Tereza Čechova (República Checa) 12:21 (+ 0:30)
4. Barbora Vyhnálkova (República Checa) 12:24 (+ 0:33)
5. Veera Klemettinen (Finlândia) 12:29 (+ 0:38)
6. Lise Termansen (Dinamarca) 12:55 (+ 1:04)
(…)
30. Beatriz Sanguino (Portugal) 14:30 (+ 2:39)

H18
1. Olli Ojanaho (Finlândia) 12:15
2. Florian Attinger (Suiça) 12:36 (+ 0:21)
3. Krzysztof Rzenca (Polónia) 12:39 (+ 0:24)
4. Ville Johansson (Suécia) 12:44 (+ 0:29)
5. Anton Forsberg (Suécia) 12:46 (+ 0:31)
6. Dimitar Jeliazkov (Bulgária) 12:54 (+ 0:39)
(…)
37. João Novo (Portugal) 13:54 (+ 1:39)
60. Daniel Catarino (Portugal) 14:35 (+ 2:20)
71. André Esteves (Portugal) 14:56 (+ 2:41)
90. Bernardo Pereira (Portugal) 16:16 (+ 4:01)

D18
1. Weronika Cych (Polónia) 13:29
2. Olena Postelniak (Ucrânia) 13:37 (+ 0:08)
3. Ingrid Lundanes (Noruega) 13:42 (+ 0:13)
4. Anna Haataja (Finlândia) 13:47 (+ 0:18)
5. Karoliina Ukskoski (Finlândia) 13:56 (+ 0:27)
6. Simona Chládková (República Checa) 13:58 (+ 0:29)
(…)
53. Beatriz Moreira (Portugal) 16:19 (+ 2:50)
74. Catarina Reis (Portugal) 18:04 (+ 4:35)

Resultados completos e demais informações em http://eyoc2014.mk/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 25 de junho de 2014

EYOC 2014: Tudo a postos!



A partir de hoje e até ao próximo sábado decorre em Strumica, no sudeste da Macedónia, uma nova edição do Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2014. Mais de 400 atletas participam no evento, cujo programa oficial arranca com o Model Event e vai terminar no próximo sábado com a prova de Estafetas.


Depois de Portugal, em Outubro passado, o Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2014 ruma à Macedónia e à cidade de Strumica para a realização da sua 14ª edição. Uma edição que traz, desde já, uma excelente novidade, a do número de países participantes que ascende aos 34 e é o maior registado até hoje. Ao todo serão mais de 400 os atletas masculinos e femininos que, em quatro escalões (Homens 16/Damas16 e Homens18/Damas18), lutarão pelos títulos europeus de Sprint, Distância Longa e Estafetas.

Composta por onze atletas, a comitiva portuguesa encontra-se na Macedónia desde a passada sexta-feira, levando consigo na bagagem largas e fundadas esperanças nos melhores resultados. António Ferreira, João Bernardino, João Casal e Ricardo Esteves (H16), Beatriz Sanguino (D16), Beatriz Moreira e Catarina Reis (D18) e Daniel Catarino, João Novo, André Esteves e Bernardo Pereira (H18) são os elementos que compõem uma seleção capitaneada por Hélder Ferreira e Norman Jones. Num conjunto que, embora mais reduzido, não difere enormemente daquele que esteve presente em Peniche, Óbidos e Caldas da Rainha, Catarina Reis passa por ser a “caloira” nestas andanças enquanto, no campo oposto, Beatriz Moreira cumpre na Macedónia a sua quarta participação no EYOC.

“Tudo a postos para o EYOC 2014” são as palavras de Toni Kostov, Diretor do Evento, inscritas na Nota de Imprensa divulgada ontem [AQUI]. Um documento onde se realça o apoio do Município de Strumica e da Agência Nacional para a Juventude e Desporto da Macedónia, que não esquece os 150 voluntários de sete países que “ajudarão a fazer deste EYOC um evento perfeito para todos”. Uma última referência para o facto de, a par com o Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre, se realizar o Strumica Open, um evento de quatro dias com cinco provas, uma das quais pontuável para o ranking da Federação Internacional de Orientação, e que contará com a presença de 400 participantes de 20 países.

Tudo para acompanhar em http://eyoc2014.mk/ ou aqui, no seu Orientovar.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 24 de junho de 2014

OSK Falco - Takas 2014: Martin Jullum e Lars Jakob Waaler repartem vitórias



O norueguês Martin Jullum reforçou a liderança da Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial), depois de uma vitória e um terceiro lugar alcançados no passado fim de semana nos arredores da cidade lituana de Ignalina. A outra etapa teve como vencedor Lars Jakob Waaler, que assim segue no encalço do seu compatriota.


Com a disputa das terceira e quarta etapas, prosseguiu no passado fim de semana, na Lituânia, a segunda edição da Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial). Organizado pelo OSK Falco, o evento teve lugar no idílico espaço do Parque Nacional de Aukstaitija, no leste do País, junto à fronteira com a Bielorússia, contando com a presença de 35 atletas – 9 dos quais Paralímpicos – em representação de oito países.

Marcada por um ponto de controlo anulado e uma resposta alterada na sequência dos protestos apresentados após o final, a primeira etapa viu o norueguês Martin Jullum fazer um percurso quase perfeito, garantindo a vitória com 25 pontos em 27 possíveis. Numa prova onde os três lugares imediatos foram ocupados por atletas ucranianos, um dos aspetos mais relevantes prendeu-se com a grande discrepância em termos de resultados, com a sexta classificada, a finlandesa Anna Jacobson, a distantes cinco pontos do vencedor.

Apenas 13º classificado na etapa anterior, o norueguês Lars Jakob Waaler venceu o segundo dia de provas, alcançando um resultado de 21 pontos em 23 possíveis. Com menos um ponto que o vencedor, classificaram-se por esta ordem o letão Janis Ruksans, os noruegueses Martin Jullum e Widar Taxth Løland e o ucraniano Mykola Opanasenko. Disputadas que estão quatro etapas, Martin Jullum segue destacado na liderança da Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial) com um total de 158 pontos, seguido do vencedor em 2013, o seu compatriota Lars Jakob Waaler, com 101 pontos. A sueca Marit Wiksell conserva a terceira posição com 69 pontos, os mesmos que o letão Janis Ruksans. Para consulta de resultados completos e demais informações, aceda a https://www.facebook.com/OSKFalco.


Ranking (após a 4ª etapa)
Taça da Europa de Orientação de Precisão (não oficial)


1. Martin Jullum (Noruega) 158 pontos
2. Lars Jakob Waaler (Noruega) 101 pontos
3. Marit Wiksell (Suécia) 69 pontos
3. Janis Ruksans (Letónia) 69 pontos
5. Anna Jacobson (Finlândia) 66 pontos
6. Mykola Opanasenko (Ucrânia) 58 pontos
7. Lauri Kontkanen (Finlândia) 56 pontos
8. Martin Fredholm (Suécia) 53 pontos
9. Anton Puhovkin (Ucrânia) 52 pontos
10. Pinja Mäkinen (Finlândia) 51 pontos

A Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial) prossegue já no próximo fim de semana com a disputa em Tukums, na Letónia, das quinta e sexta etapas [AQUI].


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 22 de junho de 2014

Campeonato Nacional de Distância Longa 2014: Títulos de estreia para Tiago Gingão Leal e Mariana Moreira



Beleza e dureza, animação e emoção. Foi assim esta manhã na Beselga, com a disputa da vigésima edição do Campeonato Nacional de Distância Longa 2014 e que viu Tiago Gingão Leal e Mariana Moreira chegarem pela primeira vez nas suas carreiras àquele que é, na opinião generalizada, o título mais apetecido.


Reconhecida mundialmente pela forma como trabalha e produz belas peças de artesanato em junça, Beselga recebeu pelo segundo dia consecutivo a “tribo” da Orientação. Organizado pelo Clube de Orientação de Viseu – Natura, numa parceria com a Câmara Municipal de Penedono e com a Federação Portuguesa de Orientação, o Campeonato Nacional de Distância Longa 2014 teve lugar em mapas novos da autoria de Tiago Aires e Raquel Costa e contou com a presença de cerca de trezentos e cinquenta participantes. Espraiando-se pelos vastos e agrestes espaços da Serra do Sirigo, lindíssima nas suas vestes estivais, os percursos revelaram-se de enorme exigência técnica e física, constituindo um teste notável às qualidades e capacidades dos participantes.

Na vertente competitiva, a vitória de Tiago Gingão Leal (GD4C) não deixa de constituir uma relativa surpresa, numa distância onde não é habitual vermos o atleta tão à vontade. Cumprindo os 11,4 km do seu percurso em 1:31:43, Gingão Leal chega ao título nacional de Distância Longa pela primeira vez na sua carreira de forma algo inesperada, conforme se depreende das suas afirmações: “Não estava especialmente preparado para esta prova e sentia-me um pouco cansado no início, mas o tempo foi passando, fui-me ambientando e acabei por chegar ao fim com o melhor tempo.” Na base deste resultado terá estado a estratégia inicial: “Tentei não exagerar no início em termos de velocidade e procurei fazer uma prova segura, sem arriscar em demasia.” As referências ao mapa e ao percurso não poderiam ser mais elogiosas: “Um mapa espetacular, com poucos caminhos e certas zonas bastante selvagens e um percurso bem adequado, um misto de pernadas curtas e pernadas longas, que é tudo aquilo que se pode querer numa prova de Distância Longa.” Um título que constitui um bom incentivo para os Mundiais de Itália: “É, sem dúvida, uma motivação extra, uma boa preparação e vou procurar dar o meu melhor. Logo veremos”, concluiu.


Mariana Moreira vence Elite feminina

Sucedendo a Maria João Sá e chegando ao título nacional pela primeira vez na sua carreira, Mariana Moreira (CPOC) foi a grande vencedora no escalão de Elite Feminina, confirmando em absoluto o favoritismo que lhe era atribuído. O equívoco da véspera que lhe “roubou” o título de Sprint ficou definitivamente para trás e a atleta entregou-se aos 7,9 km do seu percurso “com unhas e dentes”, concluindo com o tempo de 1:36:32. Apesar da vitória, Mariana Moreira não se mostrava particularmente satisfeita com a sua prestação: “Não foi uma prova bem conseguida, acabei por falhar muito nas opções longas e por perder aí bastante tempo. Mesmo assim deu para vencer, certamente porque as minhas adversárias erraram também”. Adiantando que “pessoalmente não é dos mapas que mais aprecio” a atleta não deixa de considerar o percurso “bastante desafiante e adequado para uma Distância Longa”. E a concluir: “Esta não é uma distância em que costumo apostar e no Campeonato do Mundo também não vou correr esta distância, mas é sempre uma motivação extra a conquista de mais um título nacional.”

Alargando o seu espaço de influência a um novo município do país – recorde-se que Penedono recebeu pela primeira vez um evento de Orientação nos limites do próprio concelho -, a modalidade deu mais um passo importante neste esforço de descentralização. Para Sérgio Aguiar, Diretor do Evento e Presidente do Clube de Orientação de Viseu – Natura, este é um facto indesmentível: “Tem sido uma preocupação e um esforço do clube o alargamento da oferta em termos geográficos e esta aposta em Penedono é uma aposta ganha. São paragens excelentes e estou certo que estes mapas e estes terrenos ficarão gravados na memória de todos durante muito tempo”, referiu. Correr o risco de avançar com a organização dum evento desta envergadura sem as habituais “muletas” foi uma aposta ganha, mas Sérgio Aguiar realça os apoios, “sobretudo do município de Penedono, sem esquecer todos os outros, dando uma prova de que está ao nosso lado, gosta da modalidade e aposta na modalidade.” E ainda um olhar otimista sobre o futuro: “Organização, participação e formação são os nossos grandes objetivos em termos de futuro. Vamos crescendo, vamo-nos aperfeiçoando e contamos com a nossa juventude como garante dum futuro risonho”, referiu a terminar.


Resultados

Homens Elite
1º Tiago Gingão Leal (GD4C) 1:31:43
2º Tiago Romão (ADFA) 1:32:37
3º Miguel Silva (CPOC) 1:34:54
4º Manuel Horta (GafanhOri) 1:37:05
5º Gildo Silva (Coc) 1:45:44
6º Paulo Santos (ADFA) 1:47:31

Damas Elite
1º Mariana Moreira (CPOC) 1:36:32
2º Patrícia Casalinho (COC) 1:41:46
3º Albertina Sá (ADFA) 1:48:06
4º Liliana Oliveira (GD4C) 2:00:34
5º Carla saraiva (Ori-Estarreja) 2:10:13
nc Stepanka Betkova (Ginásio CF) 31:28

Consulte os resultados completos e demais informações em http://conquistacastelo.coviseu-natura.pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 21 de junho de 2014

Campeonato Nacional de Sprint 2014: Títulos para Miguel Silva e Patrícia Casalinho


Repetindo o excelente desempenho desta manhã, Miguel Silva foi o mais forte na decisiva manga, disputada na vila medieval de Penedono, sagrando-se campeão nacional de Sprint no escalão de Elite masculina. No setor feminino a grande reviravolta aconteceu, com Mariana Moreira a “oferecer” o título a Patrícia Casalinho.


A vila medieval de Penedono recebeu esta tarde a segunda e decisiva manga do Campeonato Nacional de Sprint 2014. De novo com traçado de percursos de Rui Martins, sobre um mapa novo desenhado por Tiago Aires e Raquel Costa, a prova ofereceu aos mais de 350 participantes momentos de enorme emoção, com um redobrado nível de exigência técnica em relação à prova da manhã a pôr à prova de forma intensa as qualidades e capacidades dos valores em presença.

No escalão de Homens Elite, Miguel Silva (CPOC) e Tiago Romão (ADFA) partiam para esta etapa empatados em tempo e com uma escassa vantagem de oito segundos sobre Manuel Horta (GafanhOri). E embora os resultados nas provas mais recentes conferissem teoricamente alguma vantagem a Tiago Romão, este era, definitivamente, um “jogo de tripla”, cuja imprevisibilidade e emoção no tocante ao vencedor haveria de se manter até ao derradeiro segundo. Transformado por um dia em singular “ponto de espectadores”, o magnífico pelourinho em gaiola de Penedono foi sendo palco de reviravoltas constantes na classificação, com o desfecho final a ser mantido em aberto à medida que a tarde avançava. A aglomeração de público junto ao ponto de espectadores terá sido fatal para as aspirações de Tiago Romão, acabando por falhar a opção óbvia e por perder preciosos segundos. Já na parte final, uma imprecisão na leitura de mapa no ponto 17 constituiu o golpe final nas aspirações do atleta da ADFA. Miguel Silva acabaria por perder também alguns segundos numa ou noutra hesitação, mas a sua maior consistência ao longo de toda a prova viria a abrir-lhe as portas do título, recuperado cinco anos após a inesquecível jornada de Santarém. Apesar do segundo melhor tempo nesta manga, João Mega Figueiredo (CN Alvito) não conseguiria melhor do que o quarto lugar, com Manuel Horta a conservar a terceira posição final.


Desatenção de Mariana Moreira dá vitória a Patrícia Casalinho

No escalão de Damas Elite, a questão como que parecia praticamente resolvida após a realização da manga da manhã. Reconhecidamente em melhor forma que as suas mais diretas adversárias e beneficiando da ausência da sua colega de equipa e campeã nacional em 2013, Vera Alvarez, Mariana Moreira (CPOC) preparava-se para vencer e eis senão quando... Antecipar a opção para o ponto 6 levou a atleta a “saltar” o ponto 5 e, consequentemente, a fazer um mais do que escusado “mp”. Com um parcial de 15:27 nesta manga, a checa Stepanka Betkova acabou sendo a mais rápida, mas a medalha de campeã nacional, essa, foi parar direitinha ao peito de Patrícia Casalinho. Liliana Oliveira e Maria João Sá, ambas do GD4C, ocuparam por esta ordem os lugares imediatos do pódio.

No final da prova, Miguel Silva mostrava-se satisfeito com o resultado e com as suas prestações: “Um título nacional é sempre um título nacional. É para isso que trabalhamos uma época inteira, nos dedicamos e colhemos os frutos desse trabalho nos momentos importantes”, começou por referir. Falando da vitória e da sua prova, o atleta consegue descortinar aquilo que pode ter estado na origem do sucesso: “No passado fim de semana competi na Finlândia, estive depois uns dias a treinar na Suécia e isso deu-me um maior à vontade com o mapa. Chegar aqui, ter as rotinas todas certas, ser cauteloso e não cometer erros de maior acabou por resultar na vitória.” Também Patrícia Casalinho se mostrava contente com este título, adjetivando-o de “fantástico”, mas... “Acabo por ter pena da Mariana, pois sei que ela venceria com inteiro mérito. Infelizmente fez 'mp', pode acontecer a qualquer um, poderia ter acontecido a mim. Acabei por ter sorte, mas isto são as contingências da própria modalidade.” Quanto ao título e às provas que lhe serviram de base, Casalinho confessa ter gostado mais da etapa da manhã, “apesar de ambas as etapas terem sido muito desafiantes, muito difíceis, exigindo uma atenção constante e antecipar os pontos. A verdade é que de manhã não cometi erros e de tarde cometi vários erros que me custaram largos segundos. Mas gostei muito das provas e dos terrenos, muito bonitos”, concluiu.


Resultados

Homens Elite
1º Miguel Silva (CPOC) 28:47
2º Tiago Romão (ADFA) 29:11
3º Manuel Horta (GafanhOri) 29:35
4º João Mega Figueredo (CN Alvito) 29:51
5º Tiago Gingão Leal (GD4C) 29:58
6º Pedro Nogueira (ADFA) 31:31

Damas Elite
1º Stepanka Betkova (Ginásio CF) 31:28
2º Patrícia Casalinho (COC) 32:44
3º Liliana Oliveira (GD4C) 35:16
4º Maria João Sá (GD4C) 35:44
5º Sandra Marcolino (GD4C) 1:02:28

Resultados completos e demais informações em http://conquistacastelo.coviseu-natura.pt/.


Saudações orientistas.


Joaquim Margarido

Campeonato Nacional de Sprint 2014: Tiago Romão, Miguel Silva e Mariana Moreira seguem na frente



Tiago Romão e Miguel Silva, em Homens Elite e Mariana Moreira, em Damas Elite, foram os vencedores da primeira manga do Campeonato Nacional de Sprint 2014, disputado esta manhã na Beselga. Tudo ficará decidido dentro de um par de horas, na vila histórica de Penedono, onde serão jogadas as decisivas cartadas.


Três centenas e meia de atletas disputaram esta manhã na localidade de Beselga, concelho de Penedono, a primeira manga do Campeonato Nacional de Sprint 2014. Integrada no Troféu de Orientação Conquista do Castelo, a prova é organizada conjuntamente pelo Clube de Orientação de Viseu – Natura e pelo município de Penedono, tendo oferecido percursos deveras desafiantes - em mapas novos com trabalho de campo e desenho de Tiago Aires e Raquel Costa -, tirando o maior partido da intricada malha urbana da simpática aldeia onde teve lugar a prova.

No escalão de Homens Elite, Tiago Romão (ADFA) voltou a afirmar o seu excelente momento, recuperando duma primeira parte menos conseguida para chegar ao final com o melhor tempo, ex-aequo com Miguel Silva (CPOC), e que foi de 13:35 para 3,2 km de prova. “Cometi alguns erros e fui muito bem apanhado nalgumas artimanhas”, começou por referir Romão, justificando dessa forma os momentos menos bons. De resto, o atleta considera que “o percurso está muito bem traçado, é preciso antecipar sempre mas essa é uma tarefa extremamente difícil uma vez que é necessário estar focado constantemente na navegação”, deixando implícitos os parabéns ao excelente trabalho de Rui Martins, o traçador dos percursos. “Parto bem posicionado para a etapa da tarde, mas parto com o mesmo pensamento com que parti para esta primeira manga e que é fazer o meu melhor e no final logo veremos qual é o resultado”, foram as suas últimas palavras. Refira-se que Manuel Horta (GafanhOri) está igualmente na luta pelo título nacional, a apenas oito segundos da liderança, enquanto o campeão nacional em título, João Mega Figueiredo (CN Alvito) não tem a vida nada facilitada esta tarde, depois de ter alcançado “apenas” o sexto melhor tempo, a 52 segundos dos líderes.

Já em Damas Elite, Mariana Moreira (CPOC) confirmou em absoluto o favoritismo que lhe era atribuído, partindo para a “segunda parte do jogo” com uma vantagem de 44 segundos sobre a “ginasista” Stepanka Betkova, uma atleta que devido à nacionalidade checa não entra nas "contas" dos Nacionais. Patrícia Casalinho, a segunda melhor portuguesa, encontra-se a distantes 1:25 do titulo. Mariana Moreira, que gastou 15:17 para cumprir os 2,9 km do seu percurso, afirmaria no final: “Falhei logo no primeiro ponto e, mais tarde, perdi também algum tempo à saída do ponto cinco, mas o resto da prova foi bom e gostei muito.” Referindo-se ao percurso e à organização, a atleta considera ter sido “dos percursos mais desafiantes que tenho feito nestes últimos tempos”. De tarde se verá até que ponto Mariana Moreira será capaz de gerir a vantagem e juntar aos títulos nacionais de Distância Média e de Estafetas, alcançados em Cantanhede há três semanas, também o título nacional de Sprint da presente temporada.


Resultados

Homens Elite
1º Tiago Romão (ADFA) 13:35
1º Miguel Silva (CPOC) 13:35
3º Manuel Horta (GafanhOri) 13:43
4º Tiago Gingão Leal (GD4C) 14:00
5º Pedro Nogueira (ADFA) 14:17
6º João Mega Figueiredo (CN Alvito) 14:27

Damas Elite
1º Mariana Moreira (CPOC) 15:17
2º Stepanka Betkova (Ginásio CF) 16:01
3º Patrícia Casalinho (COC) 16:42
4º Maria Sá (GD4C) 18:37
5º Liliana Oliveira (GD4C) 18:51
6º Albertina Sá (ADFA) 22:26



Saudações orientistas.


Joaquim Margarido

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Orientação em Cuba: Nos caminhos da esperança



Com determinação, imaginação e muita paixão se escreve o atual momento da Orientação em Cuba. Auxiliados por Fidel Bonilla Machín, Dotmaro Valdés Camacho e José Angel Nieto Poblete, ficamos a conhecer um pouco da história da Orientação naquela ilha das Caraíbas, desde o seu início, na década de 70, até aos nossos dias.


Corria o ano de 1972 quando a Orientação chegou a Cuba. Trazida pelos partisanos da brigada búlgara “Georgi Dimitrov” e dinamizada por Atanas Georgiev, atual Presidente da Federação de Orientação da Bulgária, depressa a Orientação colheu o maior interesse junto das autoridades do país, que nela reconheceram um enorme valor, tanto ao nível educacional como do ponto de vista recreativo.

No início da década de 70, a aposta na Educação constituía uma prioridade para a Governo de Cuba e eram dados passos importantes com a construção de Estabelecimentos de Ensino Politécnico por todo o País. Daí que o surgimento da Orientação em Cuba tenha sido um acaso feliz, surgindo no sítio certo e no momento exacto. A modalidade foi particularmente acarinhada desde o início e incluída rapidamente nos Círculos de Recreação Turística do curso escolar de 1972/1973, recaindo sobre os estudantes dos Centros Politécnicos e Pré-Universitários a missão de levar por diante a sua implementação e desenvolvimento.


Os primeiros anos

Tal como sucedeu com todos os outros desportos, também a Orientação em Cuba atravessou várias fases no seu processo de crescimento e consolidação, nomeadamente no que diz respeito à melhoria dos meios utilizados, à aquisição de competências técnicas e à organização de eventos. Dos momentos iniciais com a brigada búlgara, até ao início dos anos 80, pode falar-se dum processo ascensional vertiginoso e de enorme relevância.

Se atentarmos nos primórdios da Orientação em Cuba, vemos que as provas eram de um dia apenas. Não existiam categorias nem escalões etários, não havia um ciclo de preparação que tornasse possível a obtenção de resultados positivos de forma consistente. Treinava-se, é um facto, mas a falta de conhecimentos técnicos colocava os competidores num mesmo patamar de oportunidade e assistia-se com frequência à vitória de ilustres desconhecidos.

Sob a tutela da Direção Nacional de Recreação do INDER – Instituto Nacional do Desporto, Educação Física e Recreação, em Agosto de 1973 é levado a cabo o primeiro encontro dos Círculos de Recreação Turística. O ano de 1974 começa com o incremento da atividade nos Círculos. É nesta altura que os nomes de Henry Godofredo Caballero, Manuel Pimentel e Dotmaro Valdés Camacho, entre outros, assumem um papel relevante na promoção e dinamização deste desporto. As exigências técnicas permanecem arredadas das várias iniciativas mas a vontade de fazer mais, de fazer melhor, é enorme. Adivinha-se um primeiro ponto de viragem.


O auge

Em Maio de 1974, durante o I Encontro Inter-Escolas Provinciais de Educação Física, o Parque Lenin recebe a primeira prova de Orientação em Cuba com um mínimo de requisitos técnicos: Mapa, bússolas e pontos de control. Dois meses depois, num evento promovido pelos Círculos de Recreação Turística, tem lugar a primeira prova de Estafetas e no mês de Agosto disputa-se a primeira prova juvenil de caráter nacional, independentemente das provas de Recreação Turística, com Dotmaro Valdés Camacho e Alejandro Emilio Ramos Rodríguez a assinarem o traçado de percursos. Ainda em 1974 é criada a Federação Cubana de Orientação e quatro anos mais tarde, em 1978, Cuba adere à Federação Internacional de Orientação na qualidade de membro provisório, estatuto que mantém até aos dias de hoje.

Entretanto, assiste-se a um crescimento exponencial de eventos organizados um pouco por todo o país. Os competidores são distribuídos por escalões etários, passa-se dos eventos de um dia para eventos de vários dias, um número apreciável de mapas é criado e surge a cronometragem eletrónica. A rivalidade entre Universidades é enorme e inusitada num desporto tão jovem e a preparação dos atletas está agora subordinada a planos de treino aos diferentes níveis. São levados a cabo seminários nacionais e iniciativas tendentes ao desenvolvimento, proteção e estabilidade da Orientação. Sobretudo, percebe-se um esforço enorme da Federação de Orientação de Cuba no sentido de alinhar os seus regulamentos de competições e os fundamentos técnicos com as diretrizes da Federação Internacional de Orientação. A massificação do desporto atinge o auge.

O contacto internacional surge de forma lógica neste contexto de crescimento da modalidade. Esta é a “etapa de ouro”, conforme a define Dotmaro Valdés Camacho e cujos momentos altos recorda: “Conseguimos inserir-nos na esfera internacional, participando em várias provas nacionais organizadas na República Democrática Alemã, na Taça da Bulgária, nos 5 Dias de Jicin, na antiga Checoslováquia e no O-Ringen, na Suécia, para além de termos organizado um evento internacional, em Cuba, onde participaram atletas de todos os países socialistas militares.”


O período da consolidação

Se a década de 70 assistiu ao lançamento da Orientação em Cuba, ficando marcada por um assinalável crescimento da modalidade um pouco por todo o País, a década de 80 é a da consolidação. O reforço dos apoios do Instituto Nacional do Desporto, Educação Física e Recreação fazem com que, em cada temporada, sejam levados a cabo cinco eventos de âmbito nacional e que a participação internacional esteja sujeita a processos de seleção, com cerca de 15 atletas masculinos e femininos a representarem Cuba no estrangeiro em, pelo menos, quatro competições anuais. 

Pinar del Rio, Sancti Spíritus, Taguasco ou Las Tunas recebem eventos memoráveis. Nomes como os de Edel Reina, José Antonio Medero,Yalay Ramos ou Mayelin Gómez destacam-se no capítulo competitivo, enquanto Enrique Martín e Ariel García Pérez desenvolvem um extraordinário trabalho de promoção. Alheia à aparente contradição entre prática competitiva ou atividade recreativa, a Orientação em Cuba reforça-se mais e mais, preparando-se para o grande salto qualitativo... que acabará por não dar.


Retrocesso

O Período Especial, em Cuba, foi um largo período de crise económica, resultante do colapso da União Soviética en 1991 e do recrudescimento do bloqueio norte-americano à ilha a partir de 1992. A depressão económica vivida durante o Período Especial fez-se sentir de forma particularmente severa no início e até meio da década de 90, com o PIB a contrair-se 36% no período de 1990-93. A Orientação, como todas as atividades em Cuba, não escapou à crise, entrando numa espiral recessiva que se irá manter por largos anos.

Presidente em exercício da Federação de Orientação de Cuba, Fidel Bonilla Machín fala desses momentos em que a prioridade era “defender os princípios mais elementares da sociedade socialista”, mas lembrando que a modalidade se mantive viva durante essses momentos particularmente difíceis “graças ao imenso entusiasmo de todos aqueles que continuavam ligados à Orientação e o reconhecimento da importância da modalidade no desenvolvimento integral de professores, treinadores, técnicos e estudantes”.


No presente

Orientistas de alto nível e resultados em eventos internacionais é algo que não existe em Cuba. Mas essa não é uma prioridade do Instituto Nacional dos Desportos, Educação Física e Recreação, a de investir nesta modalidade até ao alto rendimento como sucede com o Boxe, Basebol, Voleibol e outras modalidades. Mas é inegável uma importante massificação, desenvolvendo-se um elevado número de eventos e atividades de promoção e ensino. Estuda-se, aprende-se, pratica-se e compete-se em todas as escolas primárias e secundárias do país.

Hoje, são cerca de 1200 os praticantes regulares de Orientação em Cuba, estando a modalidade implantada fundamentalmente em 9 das 15 Províncias que compõem o País. O total de pessoas que, anualmente tomam contacto com a modalidade, ascendem a mais de uma centena de milhar, distribuíndo-se pelas atividades de lazer, percursos permanentes, aprendizagem de base e cursos de ensino. Fidel Bonilla Machín faz o ponto da situação: “Analiza-se a modalidade em todos os detalhes, revêem-se os estatutos da Federação Cubana de Orientação e trabalha-se nas propostas de acordo com as linhas orientadoras definidas pelo Partido Comunista de Cuba, criam-se percursos permanentes em cada combinado desportivo, trabalha-se em planos de estudo objetivos, busca-se a superação a todos os níveis e ambiciona-se incluir a Orientação no programa de estudos de Educação Física”.

O Presidente da Federação Cubana de Orientação deixa ainda uma referência a José Angel Nieto Poblete, Vice-Presidente da Federação espanhola de Orientação, referindo-se a ele como “um amigo que, nos últimos quatro anos, tem colocado todo o seu interesse e dedicação na Orientação em Cuba”. E explica: “Primeiro, inteirando-se acerca do funcionamento do sistema desportivo cubano e depois ministrando cursos e seminários, preparando provas e gerindo contactos com organismos nacionais e internacionais.” E a terminar: “São muitos os orientistas deste país que o conhecem e que estão gratos pelo trabalho que vem desenvolvendo”, diz.


José Angel Nieto Poblete, o senhor Embaixador

Orientista apaixonado e dirigente empenhado, o espanhol José Angel Nieto Poblete é um verdadeiro Embaixador da Orientação, em particular no continente sul americano. Chile, Costa Rica, Panamá, Uruguai, Guatemala e Cuba são apenas alguns dos países que visita de forma recorrente e nos quais se percebe, ao nível da promoção e dinamização do nosso desporto, a sua marca distintiva e da Federação Espanhola de Orientação. Daí que o seu ponto de vista se revele fundamental para a compreensão do atual momento da Orientação em Cuba.


“Em Cuba, a Orientação é um desporto muito popular, praticado em toda a ilha há bastantes anos e parte integrante dos programas escolares. A situação económica em Cuba, contudo, fez com que a prática desportiva da Orientação resvalasse para níveis muito baixos, sendo o seu conceito entendido, atualmente, como uma atividade recreativa. Mas os amantes deste desporto trabalham com enorme ilusão, procurando retomar os níveis que, em termos históricos, de tradição e popularidade, lhe são devidos.

A minha colaboração com a Federação Cubana de Orientação tem-se centrado no esforço de reiniciarmos o processo Federativo, de acordo com as novas linhas determinadas pelo Governo. procuramos aproveitar o trabalho que se vai desenvolvendo nas Províncias, partindo do processo de massificação para chegar à criação de clubes. Há uma grande escassez de mapas de qualidade mas o trabalho feito com os parcos recursos de que se dispõe é de valorizar. Sobretudo, faz-se apelo a uma enorme imaginação, de tal forma que as balizas, os picotadores e os mapas são fabricados artesanalmente. Desta forma é possível continuarmos a assistir à realização de eventos, um pouco por todo o lado.

Tudo isto faz com que prossigamos a nossa aposta em Cuba, procurando que o País esteja o melhor preparado possível para enfrentar qualquer tipo de competição em qualquer momento. Na minha anterior visita a Cuba, em janeiro e fevereiro deste ano, desenhei o mapa de La Habana Vieja e agora mesmo estou de regresso para fazer a revisão do mapa. A nossa expectativa é de que, em janeiro de 2015, possamos organizar aqui uma competição de caráter internacional, a qual constituiria, sem dúvida, uma montra fantástica do nosso desporto e garantiria a sua projeção definitiva em Cuba. Espero que tudo corra bem, que a promoção do evento funcione em pleno e que o turismo ligado à Orientação possa aproveitar esta oportunidade verdadeiramente única.


Leia a Reportagem na versão original inglesa em http://orienteering.org/edocker/inside-orienteering/2014-3/InsideOrient%203_14p.pdf. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação.

[Foto gentilmente cedida por José Angel Nieto Poblete]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido