sábado, 31 de maio de 2014

Marina Borisenkova: "É possível que o meu ouro esteja mais à frente!"



Passo a resumir: A Orientação de Precisão é o meu desporto, a minha paixão, a minha vida. Mas há muitas questões que não consigo compreender e explicar a mim própria.” Marina Borisenkova, medalha de bronze pela Russia na competição por equipas dos Campeonatos da Europa ETOC 2014, apresenta-se hoje na tribuna do Orientovar. Com muitas certezas... e alguns pontos de interrogação!


Gostaria de começar por lhe pedir que se apresentasse.

Marina Borisenkova (M. B.) - Nasci e vivo na Russia, numa das suas mais bonitas e antigas cidades, Pskov, na fronteira noroeste do país. Aos 23 anos, uma cirurgia que não correu bem fez com que acabasse numa cadeira de rodas. Antes do acidente, praticava Atletismo. Quase imediatamente após a cirurgia, em 2000, comecei a praticar Orientação de Precisão e foi selecionada para participar nos Campeonatos da Rússia. Tinha apenas uma vaga ideia do que era uma baliza ou um azimute, mas fiquei agarrada ao TrailO e foi impossível escapar-lhe. Para mim, ter a sorte de combinar a beleza dum ambiente natural, com a exigência física e mental e a luta pela vitória é uma felicidade. Apaixonei-me pelo TrailO e este amor permanece até aos dias de hoje!

Agora tenho uma série de prémios conquistados na Russia. Em 2006 consegui uma boa prestação e ingressei na sekleção nacional, participando no meu primeiro Campeonato do Mundo, na Finlândia. Há cinco anos atrás nasceu o meu filho, Ilya, e foram momentos de enorme alegria! Mas treinar e competir em diferentes eventos tem-se tornado cada vez mais difícil, apesar da enorme ajuda que a minha mãe e o meu marido, Alexander, me dão. É graças a eles que continuo agarrada ao TrailO.

Esteve recentemente em Portugal, tendo participado no ETOC. Pode falar-me um pouco do processo de seleção?

M. B. - O ETOC em Portugal representou, para a seleção russa, o início da temporada de competição. De Dezembro a Março, as condições atmosféricas impedem-nos de competir e, portanto, o processo de seleção baseou-se nos resultados dos Campeonatos da Rússia da temporada passada e outros resultados já nesta época. Nos Campeonatos da Rússia temos mais de sessenta atletas a competir na Classe Paralímpica, pelo que pode perceber-se que conseguir um lugar na seleção não é tarefa fácil.

Como é que se preparou para os Europeus?

M. B. - Primeira grande competição da temporada, os Campeonatos da Europa tiveram lugar demasiado cedo, fazendo com que a nossa preparação não fosse a melhor. Tivemos algumas sessões de treino em Abril, mas na nossa região há ainda muita neve o que nos impede de fazer longas viagens. Portanto, os meus principais treinos foram teóricos, analisando distâncias e mapas dos últimos anos. Eu sabia que o Knut Ovesen seria o Supervisor Internacional e, daí, ter estudado atentamente a que distâncias ele habitualmente traça, tentando perceber as suas ideias e desafios. Mas a melhor forma de treino tem a ver com a participação nas provas e a análise detalhada das nossas prestações, daí que a minha presença nas grande competições do Outono, na Letónia, Lituânia e Rússia tenham sido fundamentais.

Terminar a competição de PreO na 14ª posição era aquilo que estava à espera?

M. B. - Terminar em 14º lugar entre atletas tão fortes é muito bom. É claro que cada um de nós sonha com a medalha de ouro e eu não fujo à regra. Mas é possível que o meu ouro esteja mais à frente! Em Portugal, o meu desempenho teve a ver com diversos fatores: o tempo, a visibilidade das balizas, a possibilidade de me deslocar em longas distâncias, a capacidade de ler o mapa em movimento, uma atitude certa e um pouco de sorte. Resultado: uma excitante e recompensadora medalha de bronze! Na Orientação de Precisão, os resultados dependem com frequência da qualidade do mapa e do traçado de percursos. Quanto maior for a qualidade destes dois fatores, maior é a igualdade de circunstâncias em termos da competição em si. Os problemas são para ser resolvidos, não para se adivinhar!

E quanto ao TempO?

M. B. - Gosto do ritmo. Pronta e acertadamente. Mas há aspetos relacionados com esta disciplina para os quais é difícil encontrar respostas. Por exemplo, porque é que os percursos não se dividem por classes, Aberta e Paralímpica? Nas últimas competições tem-se notado um aumento da diferença de oportunidades dadas aos atletas da Classe Aberta e àqueles que competem em cadeiras de rodas. Na abordagem às estações, por exemplo, um atleta de pé (sobretudo se for alto) consegue ter uma imagem muito mais abrangente do terreno do que um atleta em cadeira de rodas. As preocupações daqueles que se deslocam em cadeira de rodas têm a ver com o terreno, sim, mas em termos de falhas, para não caírem. Nos Campeonatos do Mundo de 2013, na prova de TempO, os atletas em cadeira de rodas foram obrigados a um esforço tremendo para subirem colinas e atravessarem zonas de areia solta, a pulsação a chegar às duzentas batidas por minuto o que, convenhamos, não é a melhor condição para depois responder aos problemas. E isto acabou por ficar muito bem demonstrado nos resultados obtidos pelos atletas em cadeira de rodas durante a qualificação, basta ver quantos deles chegaram à Final. Portanto, na minha opinião, deveria haver duas Classes no TempO, Aberta e Paralímpica. Definitivamente!

Olhando para as classificações, vemos Finlândia e Suécia, Suécia e Finlândia, e... Rússia. Que significado tem o terceiro lugar alcançado na competição por Equipas, com dois atletas Paralímpicos?

M. B. - Foi um tremendo sucesso. Especialmente porque, entre os 18 participantes das seis equipas presentes no pódio, houve apenas três em cadeira de rodas e dois deles eram da Rússia. O que é significativo e particularmente valoroso! Penso que o facto de a nossa equipa ter alcançado o terceiro lugar pode ser um exemplo para muitas crianças na Rússia. Ficar numa cadeira de rodas não significa que a pessoa deva desistir ou ser uma espécie de marginal, não é nenhuma fatalidade. No meu país, como em muitos outros, podemos ver que os resultados têm a ver, principalmente, com o desenvolvimento do desporto na Rússia, com a atitude e com o atleta. Temos resultados e é isso que é importante!

Dum modo geral, que avaliação faz do ETOC 2014? Consegue indicar o melhor e o pior?

M. B. - Portugal foi um dos mais belos países que visitei até hoje. Tem montanhas, um mar enorme e verdadeiro, um céu muito azul, um cabo no fim do Mundo – Cabo da Roca – e deliciosas tangerinas! Dos Europeus gostei de tudo: a amizade dos organizadores, a simpatia dos acompanhantes das cadeiras de rodas, a qualidade dos percursos, uma equipa técnica precisa e um tempo perfeito. Foi tudo fantástico!

A Orientação de Precisão caminha na direção certa?

M. B. - Sim, claramente! Mas temos levantado, repetidamente, as seguintes questões, as quais acreditamos possam ser importantes no desenvolvimento desta disciplina: (1) o TempO te, necessariamente, de ser separado em duas classes, Aberta e Paralímpica; (2) na competição por equipas deve voltar a haver resultados separados por classes, Aberta e Paralímpica; (3) no sentido de aumentar o interesse do TrailO nos jovens deve ser permitida a inclusão dum atleta adicional, se presente como junior, em relação ao número definido em cada uma das classes e tipo de competição: (4) ter uma classe Paralímpica também na Taça da Europa de Orientação de Precisão (ECTO).

Acredito na Orientação de Precisão como uma oportunidade para a auto-realização, adaptação e apoio a pessoas com deficiência. Podemos assistir, nos últimos tempos, a um processo de “desalojamento” das pessoas em cadeira de rodas, muito gentil e disfarçadamente. Clamamos por distâncias adequadas e acessíveis, adaptamo-nos à chuva, vencemos desníveis sem qualquer tipo de ajuda e parece que ninguém percebe o esforço que fazemos. Lutar em igualdade de circunstâncias é realmente muito duro. Agora mesmo, na Taça da Europa, não haver classe Paralímpica (!) … É um insulto, é incompreensível.

Vamos vê-la a competir no Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014, em Itália? Quais são os seus grandes objetivos?

M. B. - Claro que sim, estou a preparar-me para o WTOC 2014 e espero mostrar que não foi acidentalmente que consegui chegar ao pódio em Portugal.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Dunas TrailO: O espetáculo vai começar!



O Dunas TrailO está a chegar, trazendo com ele a promessa duma extraordinária jornada de Orientação de Precisão. Aos desafios próprios desta disciplina tão especial, junta-se o calor da competição, num quadro de enorme qualidade técnica e de beleza natural ímpar. E tudo isto a multiplicar por dois, com PreO e TempO reunidos pela primeira vez num evento do calendário regular da Federação Portuguesa de Orientação.


Depois da organização do I Campeonato Nacional de PreO 2013, na Praia da Tocha, há sensivelmente um ano, o Clube de Orientação de Estarreja ruma ligeiramente a norte.e propõe novamente uma jornada plena de emoção e desafios. Evento em “dose dupla” e que agrega a primeira edição do Campeonato Nacional de TempO e a quarta etapa da Taça de Portugal no formato PreO, o Dunas TrailO conta com um total de 71 inscritos, possuindo todos os ingredientes para se constituir num evento ímpar, daqueles que perduram na memória pelos melhores motivos.

A equipa que planificou e implementou a prova de Mira, repete-se: Nuno Pires volta a assinar o traçado de percursos, o teste de prova e coordenação da montagem tem de novo o dedo de António Amador e até o Supervisor FPO, Joaquim Margarido, é o mesmo de 2013. “Em equipa que ganha não se mexe”, é caso para dizer. Embora o cunho pessoal do traçador no desenho final seja aquilo que, para o bem e para o mal, normalmente perdura numa prova de Orientação de Precisão, a equipa que sustenta todo o trabalho de base, que garante as necessidades logísticas e que constitui a sua massa humana torna-se fundamental. Pilar importante neste processo de crescimento e desenvolvimento da Orientação de Precisão em Portugal, o Clube de Orientação de Estarreja volta a dar o seu melhor, fazendo questão de oferecer, uma vez mais, um evento de grande qualidade e complexidade.


Particularidades

Com início aprazado para as 13h30, a etapa de PreO dá o pontapé de saída num programa que se estende ao longo da tarde e promete terminar por volta das 19h00, com a Cerimónia de Entrega de Prémios. Constituído por 19 pontos (mais três pontos cronometrados), o percurso desenrola-se em linha reta, em sentido único, numa distância de 700 metros. O tempo limite de prova é de 80 minutos para ambas as classes e Nuno Pires deixa, desde logo, uma chamada de atenção: “De acordo com os Regulamentos, é expressamente proibido o uso em prova de quaisquer meios de comunicação, nomeadamente telemóveis, bem como a captação de imagens sem autorização da organização. Apela-se ao bom senso dos atletas para que respeitem o silêncio absoluto, podendo a troca de palavras em prova motivo para desclassificação. Esta questão do silêncio é particularmente importante após o final da prova, no regresso à Arena, quando se cruzarem com aqueles que estão ainda a competir.”

No seguimento da prova de PreO, terá lugar o I Campeonato Nacional de TempO, cujo início está previsto para as 15h00 e que conta com 62 inscritos. O relativo afastamento entre os terrenos de ambas as provas implicará a deslocação dos atletas em veículo fornecido pela organização, fazendo com que esteja criado um “Pick Up Point” onde os atletas que terminarem a prova de PreO se concentrarão para seguirem depois para a prova de TempO. Quanto ao percurso, ele é composto por cinco Estações, com cinco desafios em cada uma delas. Recorda-se que ao tempo gasto no somatório das cinco Estações, acresce uma penalização de 30 segundos por cada resposta incorreta, sendo vencedor o atleta que registar o menor tempo acumulado. Também aqui Nuno Pires deixa uma recomendação: “Ao contrário dos pontos cronometrados no PreO, no TempO uma das respostas possíveis é o Zero. Estejam atentos aos problemas e respondam de acordo com o alfabeto fonético internacional ou, em alternativa, apontando a resposta numa grelha que estará à frente de cada atleta. Qualquer outro tipo de resposta será considerado inválido”.


E ainda...

A concluir, duas informações mais. Nos Pontos Cronometrados da prova de PreO e em todas as estações da prova de TempO, os mapas estarão disponíveis em formato “livro”, agrupados com encadernação, ou em formato “maço”, soltos e ordenados pela sequência a realizar pelos atletas. Cada atleta pode escolher o formato de mapas que pretende usar em cada estação. Quer o “livro” quer o “maço” têm uma capa ou sobrefolha, respetivamente, para não ser visível o primeiro mapa de cada estação antes do início da cronometragem. No formato “maço”, os atletas recebem os mapas com a sobrefolha por cima. Tanto a sobrefolha como cada um dos mapas possui uma janela transparente que permite aferir visualmente que cada folha está efetivamente pela ordem correta. É da responsabilidade dos atletas alertarem os controladores caso o “maço” não esteja em ordem, para que a correção seja feita de imediato. É proibido abrir o “livro” ou retirar a sobrefolha do “maço” antes da indicação do juiz.

Para além das medalhas FPO para os três primeiros classificados do Campeonato Nacional de TempO, a organização tem para oferecer prémios aos três primeiros classificados em cada uma das classes (aberta e paralímpica), tanto na etapa da Taça de Portugal de PreO, como no somatório das etapas de TempO e PreO, valendo aqui o número total de pontos corretos, com o fator tempo a servir de desempate. Refira-se ainda que esta jornada dupla serve de critério para o apuramento dos nossos representantes no Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014 (Itália, 6 a 11 de Julho) e que será aproveitada pela Federação Portuguesa de Orientação para fazer a entrega de diplomas aos atletas que mais se distinguiram na temporada passada, em jantar comemorativo a realizar no Restaurante Arcada, situado no Arcada Hotel, na Tocha.



[Foto gentilmente cedida por Nuno Pires]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Charles Bromley Gardner: "Tenho de aprender a ajuizar o nível adequado da tolerância"



Depois de ter sido o segundo classificado na etapa de Orientação de Precisão do Portugal O' Meeting, Charles Bromley Gardner regressou ao nosso País, integrando a seleção da Grã-Bretanha presente nos Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão ETOC 2014. Ao longo desta Entrevista, Gardner revive alguns dos momentos marcantes da sua carreira, revisita Palmela e o ETOC, exprime os seus pontos de vista em relação ao atual momento da Orientação de Precisão e fala do futuro, adivinhando uma “reforma agitada”.


Começaria esta nossa conversa pedindo-lhe que, de forma sucinta, se apresentasse.

Charles Bromley Gardner (C. B. G..) -Estou com 54 anos, tendo sido uma das primeiras crianças a nascer na Inglaterra nos anos 60! Com o aproximar do final da minha carreira militar no exército britânico, vim viver para o Sul de Inglaterra, próximo da cidade de Andover, a meio caminho entre as cidades de Salisbury e Winchester, bem conhecidas pelas suas catedrais antigas. Pratiquei vários desportos – Biatlo, Esqui, um pouco de Orientação em Esqui também, corrida sob as mais variadas formas e Râguebi, tendo sido esta, provavelmente, a modalidade onde mais investi. Também gastei uma “pipa de massa” em bicicletas. Entretanto, organizo os Campeonatos do Exército de Biatlo e de Esqui na vertente Cross Country, e treino Esqui e Tiro quando consigo disponibilidade para me ausentar para o estrangeiro. Também faço um pouco de desenho de traçado de percursos de Orientação e arbitro uns jogos de Râguebi.

Conheci a Orientação quando ingressei no serviço militar e a minha integração neste desporto foi-se construindo desde então, desde logo como parte integrante do treino tático militar. Ganhei por várias vezes os Campeonatos do Exército e os Campeonatos das Forças Armadas. Nos últimos quatro anos terminei no 3º lugar por três vezes e fui 2º classificado na outra vez – nada mau para um atleta do escalão H50! Fui campeão da Grã-Bretanha uma vez, no escalão H35, nas dunas de Anglesey. A minha primeira participação numa prova de Orientação de Precisão teve lugar em 1999, tendo ganho os Campeonatos Nacionais da Grã-Bretanha! Inscrevi-me apenas e só porque era mais uma actividade complementar aos Campeonatos Nacionais de Orientação Pedestre. Penso que os desafios eram bastante objetivos – não havia a quantidade de problemas intrincados como acontece nos dias de hoje. Lembro-me de outro evento no início dos anos 2000, quando fui “apanhado” pelo traçador de forma irrevogável. De 2003 a 2007 estive ausente na Noruega e afastado destas lides, o mesmo sucedendo em 2009 pelo que, na verdade, só passeia levar a sério a Orientação de Precisão a partir de 2010/2011.

São muito poucos os eventos organizados na Grã-Bretanha, talvez uns dois ou três por ano, apenas. Quando são organizados conjuntamente com os Campeonatos de Orientação Pedestre, eu inscrevo-me. Foi assim que consegui qualificar-me para os Europeus da Suécia (2012), naquilo que constituiu a minha estreia internacional na Orientação de Precisão. Os quatro ou cinco erros do primeiro dia ajudaram-me a “emendar a mão” e no segundo dia fiz uma prova limpa.

Esteve recentemente em Portugal, onde participou no ETOC. Marcar presença em Palmela era, no início da temporada, um dos seus objectivos?

C. B. G. - Conforme referi, são muito poucas as oportunidades que temos para competir na Grã-Bretanha. A selecção baseia-se num Ranking que integra um determinado número de eventos relativos aos dois anos anteriores. Em 2013 estive ausente no Afeganistão, pelo que o meu resultado levou em conta apenas a pontuação obtida em 2012, ano em que conclui na terceira posição. As selecções, tanto para o ETOC como para o WTOC foram anunciadas em Novembro de 2013 e acabei por ser seleccionado para os Europeus, mas não para os Mundiais.

Como é que se preparou para esta competição?

C. B. G. - O primeiro evento do ano na Grã-Bretanha foi o JK Festival, por altura da Páscoa, ou seja, depois dos Campeonatos da Europa. Portanto, a maior parte dos atletas da selecção britânica optou pela participação no Portugal O’ Meeting, em Março, numa prova de Orientação de Precisão “encravada” no meio de cinco provas de Orientação Pedestre. Seguramente não teria participado no Portugal O’ Meeting se em causa estivesse apenas a prova de Orientação de Precisão, mesmo tendo em conta que terminei no segundo lugar, a um ponto do vencedor, o italiano Remo Madella. Por outro lado, a minha preparação consistiu praticamente na leitura dos Regulamentos Técnicos para Elite da Federação Internacional de Orientação (revistos em janeiro de 2014). Isto é quase o que acontece quando estamos a aprender para sermos árbitros de Râguebi: é necessário conhecermos as regras antes de sabermos como as aplicar. E acabei por prescindir das possibilidades de treinar online – a perspectiva bidimensional não é propriamente a mesma coisa.

Alcançou um grande resultado no segundo dia do PreO mas o início da competição terá ficado um pouco aquém das suas expectativas. Como é que vê o seu 36º lugar final?

C. B. G. - Eu gosto de aprender! Em ambos os Campeonatos da Europa (2012 na Suécia e 2014 em Portugal) fiz o “pleno” no segundo dia. Creio que o problema reside no facto de ser demasiado crítico em relação à posição da baliza e tender a decidir-me pela resposta zero quando o traçador, ele próprio, concedeu uma margem de tolerância mais larga no posicionamento da baliza. Tenho de aprender a ajuizar o nível adequado da tolerância!

Se fui ou não o 36º classificado, pouco importa. Mais importante é que fui o segundo atleta britânico melhor classificado! Os cinco erros do primeiro dia foram desanimadores; três dos erros foram zeros, pelo que percebi que poderia melhorar muito ajustando o meu nível de tolerância. Os outros dois erros foram “limpinhos” - o traçador levou a melhor. Eu sei que poderia de novo ter ficado muito perto do Remo, que terminou no 9º lugar e, contudo, estava bastante seguro das respostas dadas. Este é um fator importante na Orientação de Precisão – até à divulgação dos resultados, nunca sabemos qual o grau de sucesso nessa luta contra o traçador e, muito menos, se os restantes competidores foram bem sucedidos. Pelo menos na Orientação Pedestre temos a noção de estarmos a ler o mapa de forma adequada!

Quanto à competição Por Equipas, confesso que não é nada de mais para mim: não sinto qualquer tipo de pressão acrescida, mesmo sabendo que é a competição na qual as hipóteses da Grã-Bretanha chegar ao pódio são maiores. Apenas é necessário que todos os elementos da equipa consigam um bom resultado... e como eu próprio não consigo ser suficientemente consistente, não posso esperar outra coisa dos restantes elementos da equipa.

Fazia parte dos seus planos chegar à Final da competição de TempO?

C. B. G. - Fiquei muito contente com a minha prestação na segunda série de qualificação e com o facto de ter garantido a qualificação para a Final. A minha estratégia consistia em dar respostas certas, ao invés de me deixar levar pela primeira impressão. Acabei por errar apenas três questões... mesmo que tivesse ficado atrás de quem deu cinco ou seis respostas erradas! É desta forma que encaro a parte do tiro no Biatlo – atirar com cuidado em vez de atirar à primeira. A pouca prática em ambas as vertentes faz com que seja esta a maneira mais adequada de conseguir melhores resultados. Mas nunca dará para ganhar.

Na Final não alterei em nada a minha estratégia, embora os pontos fossem, claramente, muito mais difíceis. Tive seis respostas erradas, mas entre todos os competidores fui eu quem demorou mais tempo a responder. Desta forma, acabei por ser batido por aqueles que deram o dobro de respostas erradas! Naturalmente estou um pouco desapontado, tanto com o resultado como com três dos meus seis erros, mas a experiência foi muito positiva naquele que foi o meu terceiro evento do género nos anos mais recentes.

Olhando para o quadro de resultados, conseguimos perceber que a Finlândia e a Suécia dominam a cena mundial da orientação de Precisão. E quanto à Grã-Bretanha?

Tivemos a possibilidade de chegar ao pódio na competição Por Equipas (na verdade, analisando bem a prestação de cada um de nós, poderíamos mesmo ter alcançado o 3º lugar). Por outro lado, é extremamente improvável a participação em eventos de Orientação de Precisão suficientes que permitam ganhar a experiência e a consistência necessárias para desafiar a liderança em dois dias de prova (não fui apenas eu – o John Crosby conseguiu 19 respostas corretas na classe Paralímpico no segundo dia de provas, depois de apenas 14 respostas certas no primeiro dia).

Como avalia a organização do ETOC? Consegue apontar o melhor e o pior da competição no seu todo?

C. B. G. - O ETOC foi uma grande competição, sem grandes atritos do ponto de vista organizativo (podemos estabelecer uma comparação com o que aconteceu com o EOC ou isso seria injusto?). Alguns competidores preferirão o mesmo tipo de terreno em ambos os dias da competição de PreO, ao passo que outros gostarão mais de dois tipos de terrenos diferentes. Na minha opinião, devemos estar gratos por termos tido boas provas, independentemente desta questão do terreno. Foi feito um excelente aproveitamento daquele longo vale para uma competição muito justa. A competição de TempO foi, surpreendentemente, muito boa, provando que é possível desenhar uma prova com qualidade, exigência e justiça num terreno sem grandes complicações.

Aparte o facto de ter perdido a minha prova de Distância Média do EOC Tour devido a ter partido muito tarde no primeiro dia da competição de PreO, a fila para os pontos cronometrados no primeiro dia foi, talvez, o ponto fraco deste ETOC. Certamente houve algumas bexigas que sofreram um bocado! Devo agradecer ao traçador o facto de nos ter dado aquele desafio no último ponto do Model Event (as balizas não estarem no centro da reentrância); tendo respondido erradamente (não conseguia perceber porque é que o azimute batia certo a partir duma determinada direção e não a partir de outra), fiquei desde logo à espera que um problema do género voltasse a surgir, o que acabou por acontecer no segundo dia (ponto 15)!

A Orientação de Precisão está no bom caminho?

C. B. G. - A Orientação de Precisão representa um grande desafio mental, mas não acarreta consigo o desafio físico que atraiu muitos de nós, desde logo, para a Orientação. O aspeto mais negativo tem a ver com os Regulamentos e com o facto de serem “uma seca” - talvez “complicados” seja uma palavra mais adequada. É difícil atrair as pessoas quando aquilo que temos para lhes oferecer são colocações de balizas e sinaléticas pouco honestas (refiro-me à Orientação de Precisão dum modo geral e não especificamente em relação ao ETOC). Para atingir uma maior popularidade, os eventos de Orientação de Precisão devem ser levados a cabo conjuntamente com bons eventos de Orientação Pedestre – por exemplo, de 31 de maio a 2 de junho desloco-me a Itália para participar nos “3 Dias de Trenches”, porque (além dum aeroporto próximo) em dois dias e meio for a do Reino Unido eu consigo participar numa prova urbana, numa prova de Distância Média e numa prova de PreO.

Disse antes que não irá participar no WTOC 2014. Quais os seus objetivos para o resto da temporada?

C. B. G. - Não fui selecionado para o WTOC. A divulgação da lista de atletas selecionados foi feita bastante cedo, em Novembro do ano passado, eventualmente para dar a possibilidade aos atletas de reservarem as suas passagens e alojamento aos preços mais baixos, uma vez que comeptem a expensas próprias. Isso acabou por me proporcionar uma semana extra de férias na neve, no Inverno! Quanto aos objetivos para o que falta da temporada, centram-se em decidir o que fazer quando a minha carreira militar terminar, lá para Fevereiro do próximo ano (ou talvez para ser mais preciso, como poderei maximizar a minha participação nos vários desportos) e planificar um evento urbano em Winchester. Irá ser, quer-me parecer, uma reforma bem agitada, assim a saúde o permita!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 25 de maio de 2014

III Trofeo Piñares 2014: Daniel Catarino bisa título ibérico



Em dia de eleições para o Parlamento Europeu, Portugal conclui a sua participação no III Trofeo Piñares 2014 de forma modesta. Daniel Catarino foi o único atleta português a acumular os títulos ibéricos de Distância Média e de Distância Longa e para ele vão, merecidamente, as honras maiores de mais uma jornada em terras de Espanha.


Com a disputa da etapa de Distância Longa, chegou ao fim na manhã de hoje o III Trofeo Piñares 2014 e que incluiu o XXII Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre Masculino. Contando com a presença de quase oito centenas de competidores, a prova decorreu em San Leonardo, Soria, e teve a assinatura organizativa do clube local, o Navaleno-O. Fazendo um balanço da jornada, Portugal somou apenas um título aos quatro alcançados no dia de ontem, todos eles de Distância Média, com Daniel Catarino (Ori-Estarreja) a repetir a excelente perfomance da véspera e a levar de vencida o escalão H18. Também João Novo (.COM) repetiu o segundo lugar alcançado na etapa de Distância Média neste mesmo escalão, bisando a presença no pódio.

Nos lugares secundários, o número de portugueses presentes foi idêntico ao da véspera, com alguns a “reincidir”. Foi o caso de Ricardo Esteves (ADFA), segundo classificado no escalão H16, e de Sandro Castro (GD4C) e Jorge Correia (ADFA), segundo e terceiro classificados, respetivamente, no escalão H40. Nas restantes presenças, assinale-se Rui Botão (COC), segundo classificado no escalão H45, Manuel Dias (GafanhOri), igualmente segundo classificado no escalão H60 e Joaquim da Costa (GD4C), terceiro classificado no escalão H65. Uma referência ainda para o escalão de Elite Masculina, com a vitória a sorrir a Antonio Martínez Pérez (Colivenc), seguido do seu companheiro de clube Andreu Blanes Reig e de Luis Enrique Nogueira de La Muela (COMA), respetivamente segundo e terceiro classificados. Pedro Nogueira (ADFA) foi o melhor português neste escalão, terminando a sua prova no sexto lugar.


Troféu com cinco vitórias lusas

Passando às senhoras, o panorama pode considerar-se ligeiramente mais animador. Débora Swinke e Beatriz Sanguino, ambas do CPOC, alcançaram por esta ordem os dois primeiros lugares no escalão D16, enquanto Helena Lopes (CIMO) levou de vencida o escalão D50 . Quanto ao pódio de D60, foi integralmente preenchido por atletas portuguesas, com Maria de São João (CLAC) a alcançar o primeiro lugar, seguida de Beatriz Leite (Montepio Geral) e de Ana Carreira (CPOC). Ainda nos lugares do pódio tivemos Alexandra Coelho (GD4C), terceira classificada no escalão D45 e Margarida Rocha, do mesmo clube, segunda classificada no escalão D55. No escalão de Elite Feminina, Ona Rafols Perramon (COC) foi a grande vencedora, seguida de Mariana Moreira (CPOC) e de Annabel Valledor Fernández (Badalona-O). Na quarta posição classificou-se Vera Alvarez (CPOC).

No cômputo geral do III Trofeo Piñares 2014 (somatório de tempos das etapas de Distância Média e de Distância Longa), foram apenas cinco os atletas portugueses a levarem de vencida um dos 36 escalões em prova – competição, formação e abertos. Começando pelos escalões abertos, precisamente, Fábio Azinheirinha (GafanhOri) foi o vencedor do Open Laranja. Daniel Catarino, Jorge Correia, Débora Swinke e Maria de São João completam o leque de ganhadores da jornada espanhola. Andreu Blanes Reig e Ona Rafols Perramon levaram de vencida os escalões de Elite masculina e feminina, respetivamente, com Pedro Nogueira, na quarta posição e Mariana Moreira no terceiro lugar a cotarem-se como os nossos melhores representantes.

Resultados completos e demais informação em http://www.navaleno-orientacion.es/.

[Foto de Arquivo]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 24 de maio de 2014

III Trofeo Piñares 2014: Duelo Ibérico vai dando vantagem a Espanha



Quatro triunfos na etapa de Distância Média, a tanto se resumiu a colheita portuguesa do primeiro dia de competição do XXII Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre Masculino, que decorre em Soria, na vizinha Espanha. No setor feminino, os resultados quedaram-se igualmente aquém das expectativas, tendo as nossas atletas alcançado cinco triunfos, no conjunto das etapas de Distância Média e de Sprint.

Num dia em que largas dezenas de milhar de espanhóis cruzaram a nossa fronteira em nome do deus Futebol, um pouco mais de cem “tugas” defrontaram-se em Soria com seis centenas e meia de “nuestros hermanos” na luta pelo melhor lugar no III Troféu Piñares 2014. Organizado pelo Clube Navaleno-O, este é um evento pontuável para o ranking da Taça de Portugal e da Liga Espanhola de Orientação Pedestre 2014 e no qual estão em disputa, igualmente, os títulos ibéricos masculinos da presente temporada nos escalões H16, H18, H20, H21Elite, H35, H40, H45, H50, H55, H60, H65 e H70 nas provas de Distância Média e de Distância Longa e ainda os títulos de Sprint nos escalões H16, H20, H21Elite, H35 e H50.

Quanto à competição, não foi o melhor começo, o de Portugal, no XXII Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre. Neste primeiro dia, os nossos atletas estiveram bastante arredios dos lugares do pódio, tanto na etapa de Distância Média, disputada de manhã em Valonsadero, como durante a tarde, em San Leonardo, na etapa de Sprint. Começando pela etapa da manhã, foram quatro as exceções à regra. No escalão H18, Daniel Catarino (Ori-Estarreja) levou de vencida esta etapa, enquanto João Novo garantia a segunda posição. Jorge Correia e Santos Sousa, ambos da ADFA, foram os vencedores dos escalões H40 e H45, respetivamente, enquanto Vitor Rodrigues (CPOC) levava de vencida o escalão H60. No principal escalão, Homens Elite, a vitória coube a Daniel Martin de Los Rios (Escondite-T), à frente de Ricardo Garcia Dengra, do mesmo clube, e de Andreu Blanes Reig (Colivenc). O melhor português foi Tiago Romão (ADFA), na sexta posição.


Mariana Moreira vence Sprint

Na etapa de Sprint, disputada durante a tarde, apenas dois portugueses lograriam alcançar uma posição no pódio. Os autores da proeza foram Ricardo Esteves (ADFA), terceiro classificado no escalão H16 e Sandro Castro (GD4C), que viria a alcançar a segunda posição no escalão H35. No escalão de Elite Masculina, sem surpresas, a vitória sorriu a Andreu Blanes Reig, com Antonio Martínez Pérez, do mesmo clube, a ocupar a posição imediata. O pódio ficou completo com o espanhol Luis Enrique Nogueira de la Muela (COMA). Tiago Gingão Leal (GD4C), na quarta posição, foi o melhor português.

Mudando de “azimute” e analisando agora a nossa prestação no setor feminino, o grande destaque vai para a vitória de Mariana Moreira (CPOC) na etapa de Sprint e no que ao escalão de Damas Elite diz respeito. Ainda nesta prova, Vera Alvarez, do mesmo clube, conseguiu um honroso terceiro lugar, com a catalã Ona Rafols Perramon (COC) a interpor-se entre ambas na subida ao pódio. Ainda no que se refere à etapa de Sprint, a portuguesa Beatriz Sanguino (CPOC) levou de vencida o escalão D16, enquanto Aida Correia (GD4C) foi a terceira classificada no escalão D50. Já na prova de Distância Média, foram três as vitórias de atletas lusos, a saber Margarida Rocha (GD4C) em D55, Debora Swinke (CPOC) em D16 e Maria de São João (CLAC) em D60. Nos pódios foi ainda notória a presença de Ana Carreira (CPOC), segunda classificada em D60, Beatriz Sanguino (CPOC) com igual resultado em D16 e de Susana Pontes (COC), também segunda classificada em D35.

O III Troféu Piñares 2014 termina amanhã com a disputa da prova de Distância Longa. Tudo para acompanhar em http://www.navaleno-orientacion.es/lnac2014/noticias.html ou aqui, no seu Orientovar.

[Foto de arquivo]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido
  

Duas ou três coisas que eu sei dela...



1. Soria recebe este fim de semana o III Troféu Piñares 2014. Pontuável para a Liga Espanhola e para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre, o evento atribuirá igualmente os títulos ibéricos masculinos nos escalões H16, H18, H20, H21Elite, H35, H40, H45, H50, H55, H60, H65 e H70. Organizado pelo clube Navaleno-O, o Troféu distribui-se por três etapas, abrindo com uma Distância Média, em Valonsadero, na manhã de hoje, seguindo-se a etapa de Sprint já esta tarde e a etapa de Distância Longa, na manhã de amanhã, estas duas últimas etapas a disputar em San Leonardo. Portugal desloca a Soria um pouco mais de cem representantes, metade dos quais estarão na luta direta pelos títulos ibéricos em disputa. Tudo para acompanhar em http://www.navaleno-orientacion.es/.


2. Do fim de semana passado chegam os ecos dos Campeonatos Nacionais de Desporto Escolar, que se realizaram, pela primeira vez, de forma concentrada na cidade de Lisboa. Ao todo estiveram em competição mais de 2.500 alunos dos escalões iniciados e juvenis, masculinos e femininos, distribuídos por 16 modalidades, entre as quais a Orientação. Como que a reforçar a enorme ligação entre o desporto escolar e o desporto federado, os resultados refletem o notável trabalho desenvolvido ao nível das escolas e dos clubes e onde se nota o dedo de Bruno Nazário ou Ana Paula Serra Campos, João Vitor Alves ou Belém Magalhães, Daniel Pó ou Hélder Ferreira, Avelina Alvarez ou Filipe Marques, entre muitos outros, todos eles professores dedicados e treinadores de excelência. Para a história ficam os resultados: Individuais Iniciados: Sara Roberto (ES Engº Acácio Calazans Duarte) e Leonardo Ramalho (ES Carlos Amarante). Individuais Juvenis: Beatriz Moreira (ES Santa Maria) e João Novo (ES Maximinos). Coletivos Iniciados Femininos: AE Cidade do Entroncamento; Masculinos: ES Pinhal Novo. Coletivos Juvenis Femininos: ES Santa Maria; Masculinos: ES Maximinos.


3. A Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2014 prosseguiu no passado fim de semana com a realização do Raid Aventura Idanha. Organizada pela ADFA – Associação de Deficientes das Forças Armadas, Federação Portuguesa de Orientação e Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, a prova contou com apenas três equipas inscritas no escalão Elite, todas elas oriundas da vizinha Espanha. O facto inédito de não ter havido qualquer equipa portuguesa presente numa prova disputada no nosso próprio país e numa etapa com esta relevância faz com que as campaínhas de alarme se façam soar bem alto. Na sua página no Facebook - https://www.facebook.com/RaidAventuraIdanha?ref=hl -, a organização do Raid Aventura Idanha deixa um grito: “Salvem as CA's”. Acresce que a prova foi , de acordo com aquilo que se pode ler na página de abertura, a primeira “sob gestão da Federação Internacional de Orientação”, isto numa altura em que se prepara a apresentação do documento final para discussão e aprovação da integração das Corridas de Aventura como disciplina de pleno direito no seio da IOF. Quanto à prova em si, uma organização que fez de tudo para agradar a todos, oferecendo percursos e desafios de elevado recorte técnico e um enquadramento paisagístico ímpar, não merecia ser penalizada desta maneira. Vitória da equipa SherpaRaid no escalão de Elite, da OMG no escalão Aventura e da Casa Viva Obras no escalão Promoção. Tudo para ler em http://raid-idanha-2014.weebly.com/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Davide Machado: "Uma medalha no Mundial é um sonho que há muito está presente"


Ao terminar na segunda posição a etapa de Distância Longa da ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação em BTT, Davide Machado voltou a fazer história. O melhor resultado de sempre dum “OriBTTista” português é aqui recordado na primeira pessoa, misturando emoções passadas com ambições futuras.


Com o filme daqueles 95 minutos e qualquer coisa ainda bem vivos na sua memória, pedia-lhe que resumisse esta prova de Distância Longa e o seu histórico segundo lugar?

Davide Machado (D. M.) - Depois de um resultado satisfatório obtido na etapa de Sprint, sabia que na Distância Longa teria a oportunidade de fazer algo mais. O início não foi o melhor, principalmente o arranque, onde perdi algum tempo a colocar o mapa na bicicleta e quando dei por mim já estava bem para trás da frente da corrida. Os quilómetros iniciais foram feitos “em sprint”, para tentar ganhar as posições perdidas inicialmente. Mesmo assim, para o primeiro ponto de controlo acabei por perder bastante tempo. O facto de todos os atletas terem o mesmo primeiro ponto de controlo gerou uma grande confusão, obrigando a quem seguia mais atrás a parar por completo numa passagem estreita antecedente ao ponto. A partir daí, foi colocar o meu ritmo, focar-me no mapa e tentar abstrair-me dos restantes atletas em prova. Mesmo assim ainda fiz alguns pequenos erros no primeiro mapa, tendo perdido cerca de um minuto, mas que viriam a ser “compensados” com a parte física nas zonas mais rolantes. Ainda na parte inicial, perto do ponto 7, um choque frontal com um atleta sueco (Linus Mood) não chegou para o susto. No entanto, ao contrário dele que partiu o desviador e viu-se obrigado a abandonar a prova, eu tive sorte, sofri apenas alguns arranhões e desalinhei a direção. Acabei, para além do GPS e do jogo de ferramentas de bolso, por perder algum tempo e, por breves momentos, a concentração.

Foi uma prova onde as boas sensações físicas me permitiram andar sempre no limite, e onde tecnicamente consegui ser muito regular. Essas sensações demonstravam-me na altura que poderia estar numa boa posição, mas não fazia ideia qual, pois existiam pontos de dispersão e não fazia a mínima ideia da posição dos restantes atletas. Já na parte final, quando seguimos apenas três atletas, um pequeno erro fez com que o segundo grupo nos alcançasse, mas para o penúltimo ponto a opção do Pekka Niemi e a minha valeram-nos uma pequena vantagem, fazendo com que apenas os dois pudéssemos discutir ao sprint a chegada. No entanto só segundos depois de atravessar a linha de meta é que me inteirei que tinha conseguido o segundo lugar. Nem queria acreditar!

Rolou praticamente sempre na frente da corrida (o Giaime Origgi apelidou-o, inclusivamente, de "moto"). Em algum momento sentiu que nada nem ninguém lhe poderia roubar a vitória?

D. M. - Tirando a parte inicial, rolei muitas vezes na frente da corrida, ou melhor dizendo, na frente dos grupos que ia apanhando pelo caminho. Em alguns pontos andei no grupo onde seguia o Giaime Origgi e, como as sensações eram boas, tentava sempre andar na frente e livrar-me da confusão, daí ele me ter apelidado de “moto”. Contudo, em momento algum me passou pela cabeça que poderia andar na frente “geral” da prova, visto nem todos terem a mesma ordem no percurso. Por incrível que pareça, só me apercebi da minha posição poucos segundos após traçar a linha de meta.

Apesar de todos os momentos duma prova de Orientação acabarem por se resumir a uma tira de papel com os parciais e um tempo final, esta prova teve o aliciante especial duma partida “em massa”, em que o primeiro a chegar seria o vencedor. Em que medida é que este formato pode ter ttido influência no resultado alcançado?

D. M. - Não foi a minha primeira prova em que a partida foi dada em massa. Pessoalmente é um formato que não aprecio, principalmente da forma como foi feito. Desde logo, porque o local de partida era apertado para a quantidade de atletas presentes; em segundo lugar, pelo facto de o primeiro ponto de controlo ser o mesmo para todos e o trajeto para esse mesmo ponto ser algo apertado, causando muita confusão. Um dos fatores deste formato que vejo como determinante para o meu resultado tem a ver com o facto de saber que fiquei para trás na partida e ter feito tudo para conseguir chegar à frente o mais rapidamente possível, assim como o facto de ,ao longo da prova, conseguirmos alcançar atletas de renome, o que no momento nos dá uma motivação e uma força extra.

Que valor atribui a este seu segundo lugar numa etapa da Taça do Mundo?

D. M. - Para mim é um resultado de enorme valor. Um resultado que vem, de certa forma, compensar todo o esforço e dedicação nestes últimos anos e, ao mesmo tempo, motivar-me para o que ainda está para vir. Depois de, na época passada, não ter alcançado os resultados que esperava a nível internacional, este resultado faz com que esta época internacional comece da melhor forma. Para além do fator pessoal, revejo neste resultado uma espécie de recompensa para todas as pessoas que me rodeiam, para todas as pessoas que me apoiam e sempre me disseram que seria capaz e principalmente para todas as entidades e patrocinadores que de uma forma ou de outra tudo têm feito para me possibilitarem as melhores condições possíveis. Dentro de todos estes, destaco a Federação Portuguesa de Orientação, que acreditou, apostou e aposta no meu desenvolvimento, o meu clube de orientação (.COM) que desde sempre me apoiou, a marca de bicicletas FOCUS, representada em Portugal pela Tecnocycle, que me tem colocado à disposição, não só as bicicletas, como todas as marcas que representa, os meus treinadores Físicos (Bike-Treino) e a allsport.pt, entre outros.

O próximo desafio chama-se...

D. M. - A nível pessoal, acabar a Licenciatura em Gestão é o próximo desafio. Estes últimos tempos têm sido complicados, os treinos e as provas “roubam-me” grande parte do tempo de estudo. A nível desportivo, seguem-se vários desafios nacionais, como será o caso do Campeonato Nacional de Maratonas de BTT e do Campeonato Nacional de Cross-Country Olímpico, desafios estes onde espero marcar a diferença e tentar divulgar a orientação noutros ambientes. A nível internacional resta-me treinar e esperar ansiosamente pela próxima etapa da Taça do Mundo, a realizar na Suécia, de 17 a 21 de Julho.

Qual o maior objetivo traçado para a presente temporada?

D. M. - Uma vez mais - e como já tem vindo a ser habitual nestes últimos anos -, o objetivo principal da época desportiva passa pelo Campeonato do Mundo, e em especial pela Distância Longa. Apesar do grande resultado obtido nesta Taça do Mundo, sei que todos os atletas se preparam para o Mundial. O nível está elevado e ainda vai aumentar até lá, mas espero dar luta. Nestes últimos quatro anos, o objetivo principal tem sido a manutenção do estatuto de alto rendimento nível A, que só é conseguido com uma qualificação dentro dos 8 primeiros num Campeonato do Mundo ou num Campeonato da Europa. Este será um ano onde apenas terei o Campeonato do Mundo para o conseguir, o que acarreta sempre uma pressão acrescida, mas sei que tenho capacidade para o conseguir uma vez mais e estou motivado para tal. Uma medalha no Mundial é um sonho que há muito está presente. Sei que não é impossível e consegui provar isso a mim mesmo, mas neste patamar todos os detalhes contam e uma boa dose de sorte ou, pelo menos, ficar longe dos azares, é sempre fundamental.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido
  

domingo, 18 de maio de 2014

Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014: Triunfo da Finlândia na Estafeta Mista



Sem surpresas, a Finlândia fechou da melhor forma a sua participação na ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014. No derradeiro dia de competição, Marika Hara, Jussi Laurila e Pekka Niemi levaram de vencida a prova de Estafeta Mista, relegando para a segunda posição uma sensacional França.


Com a disputa da prova de Estafeta Mista, chegou ao fim esta manhã a ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014. A prova teve lugar em Gurre Vang / Krogenberg, North Zealand (Dinamarca), contando na linha de partida com a participação de 33 equipas de 13 países. A aposta da maioria das equipas principais recaiu em “jogar” o seu elemento feminino no primeiro percurso, deixando para os derradeiros percursos os elementos masculinos. E foi assim que vimos, logo de início, a Finlândia a angariar confortável vantagem, graças a uma excelente prestação de Marika Hara.

Com a Suécia e a Rússia num primeiro grupo perseguidor e, um pouco mais atrás, França, República Checa e Itália no encalço, a Finlândia, por intermédio de Jussi Laurila, soube controlar de forma superior a prova, perdendo apenas 15 segundos para o francês Cédric Beill a quem pertenceu o tempo mais rápido no percurso intermédio. A França voltou a estar em foco no derradeiro percurso, com Baptiste Fuchs a fazer o segundo melhor tempo e a ganhar 1:26 a Pekka Niemi, ainda assim insuficientes para anular a desvantagem que, no final, se cifrou em 1:24 para a turma finlandesa. A terceira posição coube à República Checa, com Jiri Hradil a conseguir uma excelente prestação e a terminar a 2:21 dos vencedores.


Resultados

1. Finlândia (M. Hara, J. Laurila, P. Niemi) 2:03:45
2. França (G. Barlet, C. Beill, B. Fuchs) 2:05:09 (+ 1:24)
3. República Checa (R. Paulickova, J. Svoboda, J. Hradil) 2:06:06 (+ 2:21)
4. Russia (S. Poverina, R. Gritsan, A. Foliforov) 2:07:10 (+ 3:25)
5. Itália (L. Scaravonati, G. Origgi, L. Dallavalle) 2:07:30 (+ 3:45)

Mais informações na página do evento, em http://okoest.dk/wc2014/.

[Foto: Suomen Suunnistusliitto / facebook.com/suunnistusliitto]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido
  

sábado, 17 de maio de 2014

Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014: Um "golias" chamado Davide



Davide Machado esteve em evidência na segunda etapa da ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014, a decorrer na Dinamarca. Numa prova levada de vencida ao sprint por Pekka Niemi, o atleta português alcançou um fantástico 2º lugar, a três segundos apenas do vencedor. No setor feminino, o primeiro lugar vestiu igualmente de azul com as cores da Finlândia, mercê do triunfo de Ingrid Stengård.


É um resultado histórico para a Orientação em BTT portuguesa. Davide Machado conclui a a etapa de Distância Longa da ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014 na segunda posição, alcançando o melhor resultado de sempre dum atleta português em etapas da Taça do Mundo. Com partida “em massa”, um formato muito apreciado pelos atletas e particularmente mediático, a prova decorreu em Teglstrup Hegn, no norte da Dinamarca, contando com um total de 113 participantes, 68 masculinos e 45 femininos, para 26,7 km e 22,7 km de prova, respetivamente.

Na prova masculina, o equilibrio foi a nota dominante. Confirmando o excelente momento de forma, Davide Machado manteve sempre o controlo das operações, abordando os pontos finais numa posição privilegiada. No vigoroso sprint final, face à “raça” do atleta português, falaram mais alto a força e o vigor do jovem Pekka Niemi (Finlândia), também ele a conseguir aqui um resultado histórico em termos pessoais, depois do 2º lugar nos Europeus de Zamosc (Polónia, 2013) e que lhe valeu, na altura, o título de Vice-Campeão de Distância Média. O terceiro lugar, a 10 segundos de Niemi, coube ao checo Jiri Hradil. Quanto aos restantes portugueses, João Ferreira quedou-se pela 26ª posição e Guilherme Marques foi o 40º classificado, enquanto Daniel Marques e Carlos Simões foram desclassificados.

Na Elite feminina, a prova teve um desfecho muito idêntico ao do setor masculino, com as duas primeira classificadas separadas entre si por escassos dois segundos. A finlandesa Marika Hara voltou a estar ao seu melhor nível, mas a grande vencedora foi a sua compatriota Ingrid Stengård, que alcançou desta forma a sua quarta vitória em etapas da Taça do Mundo. Com mais oito segundos que a vencedora, a britânica Emily Benham foi a terceira classificada.


Resultados

Elite Masculina
1. Pekka Niemi (Finlândia) 1:35:32
2. Davide Machado (Portugal) 1:35:35 (+ 0:03)
3. Jiri Hradil (República Checa) 1:35:42 (+ 0:10)
4. Luca Dallavalle (Itália) 1:35:46 (+ 0:14)
5. Jussi Laurila (Finlândia) 1:35:49 (+ 0:17)
6. Hans Jørgen Kvåle (Noruega) 1:36:04 (+ 0:32)
7. Baptiste Fuchs (França) 1:36:09 (+ 0:37)
8. Kevin Haselsberger (Austria) 1:36:49 (+ 1:17)
9. Clément Souvray (França) 1:37:12 (+ 1:40)
10. Vojtech Stransky (República Checa) 1:37:21 (+ 1:49)
(…)
26. João Ferreira (Portugal) 1:43:42 (+ 8:10)
40. Guilherme Marques (Portugal) 1:48:31 (+ 12:59)
Daniel Marques (Portugal) mp
Carlos Simões (Portugal) mp

Elite Feminina
1. Ingrid Stengård (Finlândia) 1:31:51
2. Marika Hara (Finlândia) 1:31:53 (+ 0:02)
3. Emily Benham (Grã-Bretanha) 1:31:59 (+ 0:08
4. Martina Tichovska (República Checa) 1:32:06 (+ 0:17)
5. Susanna Laurila (Finlândia) 1:32:33 (+ 0:42)
6. Svetlana Poverina (Russia) 1:33:00 (+ 1:09)
7. Renata Paulickova (República Checa) 1:33:07 (+ 1:16)
8. Eeva-Liisa Hakala (Finlândia) 1:33:26 (+ 1:35)
9. Maja Rothweiler (Suiça) 1:33:49 (+ 1:58)
10. Cecilia Thomasson (Suécia) 1:34:35 (+ 2:44)

A ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação em BTT encerra amanhã com a disputada da prova de Estafeta Mista e na qual Portugal não irá participar.Tudo para acompanhar em http://okoest.dk/wc2014/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Títulos nacionais em dose tripla: Cantanhede recebe Campeonatos



Emoções ao rubro no virar do mês de Maio. Dentro de duas semanas terão lugar os Campeonatos Nacionais de Distância Média e de Estafetas 2014, trazendo consigo o Dunas TrailO. Orientação Pedestre e Orientação de Precisão uma vez mais de mãos dadas, para três títulos nacionais em disputa.


Pelo segundo ano consecutivo, o Campeonato Nacional de Distância Média e o Campeonato Nacional de Estafetas terão por palco o litoral da Costa de Prata. Após o sucesso organizativo do ano transato, em Mira, o Clube de Orientação de Estarreja ruma ligeiramente a sul, ao vizinho concelho de Cantanhede, propondo dois dias plenos de emoção e de desafios. Porém, à semelhança do sucedido em 2013, o evento não se confina à Orientação Pedestre. Entre as duas importantes competições, outra não menos importante se perfigura e que dá pelo nome de Dunas TrailO, evento em dose dupla e que agrega a primeira edição do Campeonato Nacional de TempO e a quarta etapa da Taça de Portugal no formato PreO.

Com traçado de percursos de António Amador e cartografia de Luís Sérgio, os Campeonatos Nacionais de Distância Média realizam-se na manhã do primeiro dia. A prova decorre em terreno de dunas, típico desta região do litoral, com uma vasta rede de caminhos, zonas de micro-relevo e vegetação por vezes densa, constituindo um desafio à progressão e visibilidade. O maior predomínio de vegetação densa faz com que a progressão seja mais lenta no Campeonato Nacional de Estafetas, prova desenhada por Rafael Miguel e que encerrará da melhor forma o fim de semana. Com Supervisão nacional de Joaquim Sousa e Direção de Prova de Diogo Miguel e Jorge Fortunato, os Campeonatos Nacionais de Distância Média e de Estafetas contam com perto de três centenas de atletas inscritos até ao momento, entre os quais Vera Alvarez (CPOC), que lutará pela revalidação do seu título nacional de Elite feminina conquistado na temporada passada.


Precisão com muito em jogo

Começando pela Orientação de Precisão, cujo programa se estende ao longo da tarde do dia 31 de Maio, em disputa irá estar o título nacional de TempO. Seguindo o modelo da Final dos recentes Europeus, disputados em Palmela, o I Campeonato Nacional de TempO é composto por seis estações, com cinco desafios em cada uma delas. Segue-se a quarta etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014, num percurso particularmente desafiante, com 22 pontos que colocarão à prova, seguramente, a capacidade dos participantes em decidir e interpretar o terreno. Inscritos até ao momento todos os nomes sonantes desta disciplina no nosso País, à exceção de Nuno Pires e de Joaquim Margarido, respetivamente Traçador de Percursos e Supervisor nacional.

Para além das medalhas FPO para os três primeiros classificados do Campeonato Nacional de TempO, a organização tem para oferecer prémios aos três primeiros classificados em cada uma das classes (aberta e paralímpica), tanto na etapa da Taça de Portugal de PreO, como no somatório das etapas de TempO e PreO, valendo aqui o número total de pontos corretos, com o fator tempo a servir de desempate. Refira-se ainda que esta jornada dupla serve de critério para o apuramento dos nossos representantes no Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014 (Itália, 6 a 11 de Julho) e que será aproveitada pela Federação Portuguesa de Orientação para fazer a entrega de diplomas aos atletas que mais se distinguiram na temporada passada.



Saudações orientistas.

Joaquim Margarido
  

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014: Foliforov e Hara entram a vencer



Anton Foliforov e Marika Hara venceram a etapa de abertura da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2014, disputada esta manhã e início da tarde em North Zealand, na Dinamarca. Davide Machado foi o nosso melhor representante, concluindo no 16º lugar.


Vencedores da Taça do Mundo de Orientação em BTT na época transacta, o russo Anton Foliforov e a finlandesa Marika Hara encetaram da melhor forma a defesa dos respetivos títulos ao triunfarem na primeira etapa da ronda inaugural da Taça do Mundo 2014. Disputada na distância de Sprint, a prova decorreu no Parque de Ciência e Tecnologia Scion DTU em Hørsholm, tendo contado com a participação de 68 atletas masculinos e 45 femininos.

Numa distância de 7,0 km, a prova masculina foi rijamente disputada, com Anton Foliforov a chegar à vitória com um registo de 23:36. Na sua página no Facebook - https://www.facebook.com/anton.foliforov -, Foliforov fala num Sprint “muito rápido, desafiante e pleno de emoção” e onde “perder a concentração por um segundo e seguir na direção errada” era fatal. Pondo de parte alguns pequenos erros, o grande atleta russo destaca um dia em grande e “como resultado a vitória. Super!”


Davide Machado melhor que em 2013

Vencedor da Taça do Mundo em 2011 e grande ausente destas lides nas duas temporadas seguintes, o dinamarquês Erik Skovgaard Knudsen regressou de forma auspiciosa, garantindo o segundo lugar com mais 0:09 que o vencedor. A terceira posição coube ao estoniano Lauri Malsroos, a 23 segundos de Foliforov. Uma nota ainda para o suiço Christian Wüthrich a conseguir um surpreendente 5º lugar e para o norueguês Jans Jørgen Kvåle com uma excelente prova mas a falhar um ponto de controlo e, com isso, a deixar fugir um hipotético segundo lugar.

Entre os portugueses, Davide Machado encetou a sua participação na Taça do Mundo da presente temporada com um 16º lugar, sete “furos” acima daquilo que tinha feito na ronda inaugural da Taça do Mundo em 2013, na abertura dos Europeus de Zamosc (Polónia). Atravessando um bom momento de forma, o atleta português pode queixar-se dum par de hesitações mas fez uma prova muito equilibrada, logrando um tempo de 25:02, a escassos 17 segundos do top 10. Em terrenos de boa memória – o seu 9º lugar na Distância Longa dos Mundiais de 2009 constitui, ainda hoje, o melhor resultado dum atleta português em Campeonatos do Mundo de Júniores - João Ferreira foi o nosso segundo melhor atleta, terminando a prova na 31ª posição, com o tempo de 26:54.


Hara bate Benham

Na Elite Feminina, a luta pela vitória foi particularmente renhida. Marika Hara acabaria por ser a mais rápida, logrando concluir os 5,7 km do percurso em 21:48. No final, a finlandesa referir-se-ía a “uma prova interessante, com pernadas longas e curtas e com muitas opções”, conforme pode ler-se na página da Federação Internacional de Orientação, em http://orienteering.org/hara-and-foliforov-strongest-at-world-cup-opening/.

Depois da excelente campanha de 2013, apenas “manchada” pela ausência na ronda final da Taça do Mundo que teve lugar em Portugal, a britânica Emily Benham está de regresso à grande forma, tendo alcançado o segundo posto, a apenas cinco segundos da vencedora. Na terceira posição, destaque para a muito jovem Eeva-Liisa Hakala (Finlândia), seguida de três atletas russas, todas elas igualmente jovens e de quem muito se deve esperar: Olga Vinogradova, Svetlana Poverina e Tatiana Repina. Grande sensação da temporada anterior e segunda classificada na Taça do Mundo 2013, a sueca Cecilia Thomasson quedou-se pela nona posição, a 1:53 da vencedora.


Resultados

Elite Masculina
1. Anton Foliforov (Russia) 23:36
2. Erik Skovgaard Knudsen (Dinamarca) 23:45 (+ 0:09)
3. Lauri Malsroos (Estónia) 23:59 (+ 0:23)
4. Ruslan Gritsan (Russia) 24:01 (+ 0:25)
5. Christian Wüthrich (Suiça) 24:16 (+ 0.40)
6. Frantisek Bogar (República Checa) 24:27 (+ 0:51)
6. Valerii Glukhov (Russia) 24:27 (+ 0:51)
8. Jussi Laurila (Finlândia) 24:39 (+ 1:03)
9. Pekka Niemi (Finlândia) 24:44 (+ 1:08)
10. Tuomo Lahtinen (Finlândia) 24:45 (+ 1:09)
(…)
16. Davide Machado (Portugal) 25:02 (+ 1:26)
31. João Ferreira (Portugal) 26:54 (+ 3:18)
44. Carlos Simões (Portugal) 27:50 (+ 4:14)
55. Guilherme Marques (Portugal) 30:12 (+ 6:36)
58. Daniel Marques (Portugal) 30:58 (+ 7:22)

Elite Feminina
1. Marika Hara (Finlândia) 21:48
2. Emily Benham (Grã-Bretanha) 21:53 (+ 0:05)
3. Eeva-Liisa Hakala (Finlândia) 22:14 (+ 0:26)
4. Olga Vinogradova (Russia) 22:44 (+ 0:56)
5. Svetlana Poverina (Russia) 23:08 (+ 1:20)
5. Tatiana Repina (Russia) 23:08 (+ 1:20)
7. Gaëlle Barlet (França) 23:17 (+ 1:29)
8. Maja Rothweiler (Suiça) 23:20 (+ 1:32)
9. Cecilia Thomasson (Suécia) 23:41 (+ 1:53)
10. Renata Paulickova (República Checa) 23:42 (+ 1:54)

A Taça do Mundo prossegue amanhã com a disputada da prova de Distância Longa com partida “em massa”.Tudo para acompanhar em http://okoest.dk/wc2014/

[Foto: Suomen Suunnistusliitto / facebook.com/suunnistusliitto]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido