segunda-feira, 31 de março de 2014

Krešo Keresteš: "Quase todos os dias ouço Fado e como Presunto, Queijo e Caldo Verde"



Cartógrafo, ilustrador e designer gráfico, Krešo Keresteš é uma das personalidades mais importantes da cena mundial da Orientação de Precisão. Campeão do Mundo (Classe Aberta) em 2007, ele é também membro da Comissão de Orientação de Precisão da Federação Internacional de Orientação e uma das figuras mais dedicadas a esta “causa”. No início da temporada, vamos ter oportunidade de o ter connosco em Portugal, no decorrer dos Canmpeonatos da Europa ETOC 2014, sobre os quais nos deixa, desde já, um punhado de impressões.


Não pudemos vê-lo no Verão passado em Vuokatti, pelo que faz quase dois anos que não participa numa competição de TrailO com este estatuto de Campeonato do Mundo ou da Europa. O que é que tem feito, entretanto?

Krešo Keresteš (K. K.) - Quase dois anos? A verdade é que, desde os Mundiais da Escócia, apenas falhei o WTOC na Finlândia, pelo que ainda não fugi muito àquilo que são os meus próprios critérios pessoais (risos). Cada Campeonato é um momento importante porque esta uma disciplina en constante evolução. Mas que ninguém fique preocupado por minha causa. No ano passado competi de forma regular na Taça de Orientação de Precisão CRO-ITA-SLO [Croácia, Itália e Eslovénia], tendo alcançado o segundo lugar final. Estive em apenas quatro etapas da Taça da Europa (não oficial), consegui entrar por duas vezes no top5 e chegar ao final no 14º lugar. Também estive muito envolvido na marcação de percursos e na organização de Cursos para traçadores.

Campeonatos da Europa em Portugal. Não lhe soa um pouco “estranho”?

K. K. - Penso que é muito mais estranho que grandes potências da Orientação, como são os casos da Suiça, da Áustria ou da Bélgica, não tenham Orientação de Precisão. Dou todo o meu louvor a Portugal por ter tomado a seu cargo a organização do ETOC. Acredito que haja em Portugal excelentes cartógrafos e todos sabemos que um bom mapa é a condição principal para que possamos ter uma boa prova. Quanto aos percursos, acredito que os Supervisores darão uma ajuda preciosa. Quanto ao TrailO em Portugal, conheço-o a si como um grande promotor desta disciplina e ao Ricardo [Pinto] como um competidor persistente. Sobretudo nos últimos tempos, tenho acompanhado regularmente todas as competições de Orientação de Precisão em Portugal e também aquilo que vai sendo colocado no grupo Iberia O-Prec, no Facebook.

Como é que tem decorrido a sua preparação para esta competição em particular?

K. K. - Quase todos os dias ouço Fado e como Presunto, Queijo e Caldo Verde. Pode-se imaginar como estou bem preparado para a competição de TrailO (risos).

Que tipo de evento espera?

K. K. - Não estou muito preocupado com isso. A minha tarefa é dar o meu melhor de acordo com as circunstâncias do momento. Tenho de estar preparado para tudo. Espero um terreno mais verde do que aquele onde, no ano passado, decorreu o Palmela TrailO Meeting e um mapa mais colorido, com muitos emblemas e logotipos e ainda um símbolo de norte engraçado. ;)

Consegue indicar alguém que esteja nas condições ideias para se sagrar Campeão da Europa?

K. K. - Todos aqueles que estarão presentes nos Campeonatos da Europa apresentam as condições ideais para se sagrarem campeões. Mas apenas um poderá chegar o título, perante a impotência dos demais. É muito difícil vaticinar o que quer que seja, sobretudo numa altura em que a temporada de Orientação de Precisão, em muitos países, não começou sequer. Duma coisa pode ter a certeza: Não sigo este ou aquele atleta em particular e não os tomo como os meus ídolos. Se assim fosse, teria muito mais dificuldade em vencê-los. Mas respeito-os a todos.

Pessoalmente, o que consideraria como um bom resultado?

K. K. - Li numa entrevista que o John [Kewley] espera chegar ao top 15, o que significa que eu já lá estou (risos). Agora a sério, esta será a primeira vez em que participo num Europeu e a competição será muito mais cerrada do que num Campeonato do Mundo. Qualquer momento de desatenção poderá custar 10 lugares na classificação ou mesmo mais, mas esta é uma situação igual para todos. Ficarei muito satisfeito se conseguir um lugar no top 10 e muito feliz com uma medalha, qualquer que ela seja. :)

Qual é o seu grande objetivo esta temporada?

K. K. - O meu maior objetivo estará em conseguir pelo menos o 4º lugar nos Campeonatos do Mundo, em Itália. Esta é a condição definida pelo Comité Olímpico da Eslovénia para que a Orientação de Precisão no meu país veja garantidos os apoios a futuras participações em Campeonatos do Mundo e à organização de treinos e provas.

Pedia-lhe que formulasse um desejo para estes Campeonatos da Europa.

K. K. - Desejo o maior sucesso à organização dos Campeonatos da Europa e que o evento possa conduzir a uma maior promoção do nosso desporto. Para os Campeões Europeus, o meu desejo é a de muitos ovos de Páscoa (risos).


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 28 de março de 2014

Marit Wiksell: "Provavelmente ficaria muito desapontada se regressasse a casa sem uma medalha que fosse"



Se há, no mundo da Orientação de Precisão, figuras que inspirem o maior respeito e admiração, o nome de Marit Wiksell terá de ser apontado como um dos mais fortes integrantes da restrita lista. Apesar da sua juventude, os resultados duma notável carreira falam por si. A atleta sueca estará em Portugal a defender o seu título europeu e é a convidade de hoje do Orientovar.


Dentro de duas semanas, teremos em Portugal o Campeonato da Europa de Orientação de Precisão. Está preparada para a competição?

Marit Wiksell (M. W.) - Sinto-me bem preparada para os Campeonatos, apesar deles se realizarem bastante cedo esta temporada. Fiz sobretudo treino mental, mas também participei nalgumas sessões de treino e em competições de PreO antes de vir para Portugal. Fiz igualmente algumas provas de TempO na internet, o que acaba por constituir uma excelente forma de manter a velocidade e a capacidade de leitura e interpretação do mapa durante o Inverno.

Portugal. Não acha este um lugar um pouco “estranho” para um Europeu de Orientação de Precisão?

M. W. - Quando ouvi falar pela primeira vez em Portugal como organizador dos Campeonatos da Europa, senti na verdade algum cepticismo, até porque nunca tinha ouvido falar antes em orientistas de precisão portugueses. Desde essa altura conheci alguns e tenho reparado no seu grande interesse em aprender mais acerca da Orientação de Precisão, algo deveras importante se queremos ser capazes de organizar um evento desta natureza. Com este espírito positivo e a importante ajuda dos Supervisores, penso que Portugal poderá oferecer excelentes e justas competições!

Que tipo de evento espera?

M. W. - Estou realmente muito focada nos Campeonatos da Europa e espero percursos desafiantes em terrenos interessantes. Confesso que nunca estive em Portugal (aliás, estive na Madeira, de férias), mas quer-me parecer que o terreno é bastante diferente daquele a que estamos habituados na Suécia. Será, seguramente, um enorme desafio compreender de que forma é cartografado o terreno, mas espero garantir algum conhecimento a partir do Model Event. Não tendo experiência de competições em Portugal e assim não é fácil termos uma noção daquilo que poderemos esperar em termos da própria competição e do traçado de percursos. O Model Event será um indicativo importante no tocante à forma de resolver os poblemas. Quanto à competição de TempO, terá lugar num Campo de Golfe e aí já estarei perante algo que me é familiar e posso ter uma ideia mais precisa daquilo que irei encontrar.

Ser a Campeã Europeia em título coloca-lhe alguma pressão acrescida?

M. W. - A sensação que tenha é precisamente a contrária. Ser campeã em título dá-me a possibilidade de encarar a competição com menos ansiedade, uma vez que sei que sou capaz duma prestação ao mais alto nível num evento desta importância. Sentir-me-ía mais nervosa e insegura sem um passado tão bem sucedido e sem essa medalha de ouro em 2012. Agora posso realmente apreciar a competição e divertir-me, mas conheço bem a sensação de ser a melhor e quero voltar a tê-la.

Há alguém que veja como os seus maiores opositores?

M. W. - São muitos os bons trail orientistas que estarão em Portugal, mas devo dizer que os meus maiores opositores são os meus colegas de equipa suecos e os finlandeses. A equipa da Suécia é muito forte e cada um de nós tem potencial para alcançar uma medalha. Na verdade, poderá ser mais difícil conquistar uma medalha no ETOC do que no WTOC, uma vez que o número de representantes de cada país é maior.

A sua aposta é mais na PreO ou no TempO?

M. W. - Não consigo escolher entre PreO e TempO. Foco-me igualmente em ambas as vertentes. Talvez haja um menor número de competidores com hipóteses de chegar à medalha de ouro na competição de TempO, mas ao mesmo tempo a margem de erro nesta competição é ínfima. O risco de tomar uma decisão errada é elevado, uma vez que o fator tempo joga contra nós. São em maior número aqueles capazes de chegar à medalha de ouro na PreO, mas aí há outros fatores decisivos e também essa questão do maior espaço de tempo disponível para tomar cada uma das decisões. Penso que as minhas hipóteses de chegar à medalha de ouro são iguais em qualquer uma das vertentes, mas talvez seja mais fácil para mim chegar ao pódio no TempO do que na PreO.

No seu caso, o que consideraria um bom resultado?

M. W. - Provavelmente ficaria muito desapontada se regressasse a casa sem uma medalha que fosse.

E quanto à presente temporada, qual o seu grande objectivo?

M. W. - São dois os Campeonatos de TrailO este ano e, para além do ETOC em Portugal, teremos os Campeonatos do Mundo WTOC em Itália, em Julho. Estes dois Campeonatos constituem o meu grande objetivo. De momento, estou 100% focada no ETOC mas é bom saber que terei mais uma oportunidade de chegar a uma medalha ainda este ano. Há também outros eventos que estão no meu horizonte e que constituem objectivos secundários, nomeadamente a Taça da Europa (não oficial) e os Campeonatos da Suécia.

Gostaria de lhe pedir que formulasse um desejo no tocante ao Campeonato da Europa.

M. W. - Faço votos para que a Suécia seja bem sucedida e que possamos ter uma bela semana em Portugal, com competições de grande nível!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 27 de março de 2014

EOC/ETOC 2014: Vem aí o maior evento de sempre!



Ainda se fazem ouvir com intensidade os ecos das provas de Inverno pontuáveis para o ranking mundial e que chamaram milhares de atletas ao nosso país e já outro grande evento se prefigura no horizonte próximo, para gáudio dos amantes do desporto da floresta. Mas não se pense que este é apenas mais um. Os Campeonatos da Europa de Orientação Pedestre e os Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão são, no seu conjunto, o mais importante evento de Orientação levado a cabo em Portugal até aos dias de hoje.


Verdadeiras jóias da Costa Azul, os municípios de Palmela e Sesimbra atraem, entre os dias 9 e 16 de Abril, a fina flor da Orientação mundial. Em causa iá estar a 10ª edição dos Campeonatos Europeus de Orientação Pedestre, com três etapas pontuáveis para a Taça do Mundo 2014, e a 4ª edição dos Campeonatos Europeus de Orientação de Precisão EOC/ETOC 2014. Sete dias de competição ao mais alto nível e que permitirão atribuir os títulos de Orientação Pedestre, masculinos e femininos, nas vertentes de Sprint, Distância Média, Distância Longa e Estafetas e ainda os títulos de Orientação de Precisão nas vertentes de PreO (Classe Aberta e Paralímpica) e de TempO, neste último caso em estreia absoluta.

O número de inscritos no EOC 2014 até ao momento é de 311 atletas - 178 no sector masculino e 133 no sector feminino -, em representação de 29 países. Já quanto ao ETOC 2014 esse número é algo inferior, num total de 127 atletas de 19 países, 82 na Classe Aberta e 45 na Classe Paralímpica. Paralelamente, decorrerá o EOC Tour, com provas abertas a todos os escalões entre os 10 e os 90 anos e que permitirá ultrapassar a fasquia do milhar de participantes no conjunto do grande evento.

Entre os participantes nestes Europeus, destaque para a presença do norueguês Olav Lundanes, que aqui defende os títulos de Distância Média e de Distância Longa e dos suecos Jonas Leandersson, Ola Jansson e Marit Wiksell, o primeiro a defender o título de Sprint e os dois restantes detentores dos títulos de PreO, respetivamente nas Classes Paralímpica e Aberta. Ao seu lado, destaque igualmente para o francês Thierry Gueorgiou, os suiços Daniel Hubamnn e Matthias Kyburz, a sueca Tove Alexandersson, os finlandeses Marten Boström e Minna Kauppi ou o russo Leonid Novikov, na disciplina Pedestre e ainda o finlandês Jari Turto ou a checa Jana Kostova, campeões do mundo de PreO em título. A grande ausência dá pelo nome de Simone Niggli, que se retirou da alta competição em Outubro de 2013, abdicando de defender em Portugal os seus títulos Europeus de Sprint, Distância Média e Distância Longa (!).


Uma mão cheia de esperança

Com uma representação composta por vinte e quatro atletas, catorze na competição Pedestre e dez na Precisão, Portugal parte para os Europeus com fundadas esperanças na bagagem. E se em relação à Precisão a ideia passará por recolher o máximo de experiência e ensinamentos que uma competição deste género sempre proporciona, consolidando assim as bases duma disciplina que dá em Portugal os primeiros passos, já no campo da Orientação Pedestre, Portugal procurará confirmar em Palmela e Sesimbra a excelente presença do ano transato em Vuokatti (Finlândia), a mais valiosa de sempre em Campeonatos do Mundo.

Para Ricardo Chumbinho, Diretor do EOC/ETOC 2014, os trabalhos “estão a decorrer por forma a que se consiga alcançar um excelente resultado que se caracterize por um marcado equilíbrio entre o ótimo e o possível, não perdendo de vista que a nossa principal responsabilidade é a de garantir que os títulos de campeão europeu são atribuídos de forma justa e em situação de igualdade de oportunidades para todos os atletas”. Lembrando que “este evento representará um importante fator de dinamização da economia local”, aquele responsável faz questão de deixar uma mensagem: “Que todos apoiem este evento que é de todos e, naturalmente, para todos, pois os proveitos de natureza diversa que daqui possam resultar serão capitalizados na própria modalidade e, por essa via, retornarão a cada um de nós.”

Tudo para conferir em http://eoc2014.fpo.pt/index.php/pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido


[Artigo patrocinado por Orievents e Criobaby]

domingo, 9 de março de 2014

POM 2014: Ponto final





1. O Portugal O' Meeting 2014 está a chegar ao fim. Tomo o meu lugar no autocarro que leva os atletas para as partidas do último dia e, enquanto troco de lente na máquina fotográfica e revejo a carga da bateria, ele senta-se ao meu lado. Cumprimentamo-nos e, não tarda nada, a conversa anima-se. Sem que nada o fizesse prever, de habitual entrevistador, passo a entrevistado. Quer saber mais de mim, como é que faço no terreno, se ando com um mapa. Digo-lhe que sim, que peço na partida o mapa de Elite Masculina e Feminina, cruzo os pontos comuns a ambos e traço o meu próprio percurso. Compreende o porquê de lhe aparecer à frente com tanta frequência. Mas quer saber mais. Digo-lhe que sou Enfermeiro, falamos de Orientação de Precisão, explico-lhe em traços gerais a génese da disciplina em Portugal e ele compreende a minha paixão. Chama-lhe “deformação profissional”. Rimos. A conversa segue outros rumos, falamos do tempo e da Suécia, falamos do próximo Campeonato da Europa. É uma conversa calma e pacata, daquelas que apetece prolongar no tempo, saborear. Mas a curta viagem chega subitamente ao fim. Cumprimentamo-nos de novo e desejo-lhe boa sorte. Uma hora e meia mais tarde, é ele o vencedor do Portugal O' Meeting, depois de quatro vitórias em outras tantas etapas. Parabéns Thierry Gueorgiou!


2. Há no esforço de comunicação em torno dum evento um aspeto que me agrada. Podemos não conseguir medir o impacto das notícias na opinião pública e qual o retorno que isso acarreta para a modalidade, mas conseguimos perceber quantas e quais as notícias que saem. Mais importante ainda, conseguimos ver em que orgãos de Comunicação Social isso ocorre. Fernando Costa tem sido incansável em compilar as notícias em torno do Portugal O' Meeting e em agrupá-las no respetivo “clipping” na página da Orievents – http://www.orievents.com/events/portugal-o-meeting-2014/clipping-pom-2014/. O resultado final é extraordinário. Vale a pena passar por lá e perceber a visibilidade e notoriedade do evento.


3. Parte integrante do Portugal O' Meeting desde 2010, a Orientação de Precisão marcou importante presença nesta edição, com o Parque da Senhora dos Verdes a oferecer condições ímpares para a prática da disciplina. De vencedores e vencidos já aqui se falou, tal como da importância desta etapa no processo de apuramento da seleção nacional que estará em Palmela nos Europeus do próximo mês de Abril. Em tempo de rescaldo, porém, importa voltar a olhar os mapas e “regressar” ao terreno, podendo fazê-lo de forma virtual no Ibéria O-Prec - https://www.facebook.com/groups/486553704794121/ - um grupo criado com o intuito de juntar os aficionados portugueses e espanhóis em torno desta disciplina, mas que começa a ser procurado pela fina flor da Orientação de Precisão mundial. Não deixe de passar por lá e participe no debate. A Orientação de Precisão agradece!


4. Na passada segunda-feira, a página do Orientovar no Facebook perguntava quantas vitórias consecutivas tinha alcançado Simone Niggli em etapas do Portugal O' Meeting, depois de Maria Magnusson ter quebrado a invencibilidade com o triunfo na etapa de Distância Média WRE. A participação foi escassa, resumindo-se a dois "apostadores" - um disse "dez", outro disse "mil" (!) - mas a verdade é que a memória é curta. Há dois anos, precisamente na etapa de Distância Média WRE do POM 2012, disputada no Sátão, Lina Strand batera a campeoníssima. A resposta certa seria "sete" vitórias, uma vez que Simone Niggli venceu a última etapa desse POM, alcançou um pleno vitorioso em 2013 e venceu as duas primeiras etapas do POM 2014. E Thierry Gueorgiou? Alguém sabe quantos triunfos consecutivos leva já o "Rei da Distância Média"?


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 7 de março de 2014

POM 2014: Julio Guerra e Remo Madella vencem etapa de Orientação de Precisão



O segundo dia do Portugal O' Meeting 2014 teve um aliciante extra. Para os aficionados da Orientação de Precisão, a etapa levada a cabo no Parque da Senhora dos Verdes constituiu um desafio de enorme complexidade e qualidade técnica. No final, Júlio Guerra e Remo Madella foram os mais precisos.


Em Dia de Carnaval, o Parque da Senhora dos Verdes, nas imediações de Gouveia, foi palco da segunda etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. Integrado nesse evento maior que é o Portugal O' Meeting, o PreO POM 2014 foi organizado pelo CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida e pela Câmara Municipal de Gouveia. O tempo pouco convidativo afastou mais de metade dos atletas inicialmente inscritos, saldando-se em 67 o número de concorrentes que lograram concluir o percurso.

Num terreno absolutamente fantástico para a prática desta exigente disciplina, Acácio Porta-Nova desenhou um percurso ao longo de 1000 metros, constituído por vinte pontos, aos quais se devem somar dois pontos cronometrados. Interpretando de forma superior as características do terreno, o traçador do percurso soube privilegiar as técnicas clássicas de decisão, ao encontro dos elementos característicos e das formas do relevo, traduzidas em curvas de nível. Lamentavelmente, uma falha na descrição de um dos pontos levou à sua anulação, mas nem por isso a prova perdeu valor e interesse, cotando-se como uma das mais exigentes e apuradas tecnicamente até hoje levadas a cabo em Portugal.


Nomes e números

Entre os participantes, refira-se a presença de todos os grandes nomes da Orientação nacional, com natural destaque para os campeões nacionais em título, João Pedro Valente (CPOC) e Ricardo Pinto (DAHP), respetivamente nas classes Aberta e Paralímpica. Em causa estavam, para além da Taça de Portugal da disciplina, o apuramento para os Campeonatos da Europa, cuja última cartada se jogava precisamente aqui. Quanto à forte presença estrangeira, não passaram despercebidos os britânicos John Kewley e Charles Bromley-Gardner, ambos do SLOW, o italiano Remo Madella (REM), o espanhol António Hernandez (FrontelaO) e ainda o vencedor da edição anterior do Portugal O' Meeting na Classe Aberta, o holandês Mark Heikoop (Individual).

Na Classe Aberta, Remo Madella (REM) não deixou os seus créditos por mãos alheias e foi o grande vencedor com apenas dois pontos falhados. Na segunda posição, com menos um ponto que o vencedor, quedaram-se o britânico Charles Bromley-Gardner e o português João Pedro Valente. Quanto à Classe Paralímpica, Júlio Guerra (DAHP) demonstrou uma vez mais a sua apetência pelos terrenos de Gouveia (há sensivelmente um ano sagrou-se aqui Campeão Ibérico) e foi o grande vencedor com 13 pontos corretos. Atrás de si, registe-se a excelente prestação do estreante Cláudio Poiares (CRN), com menos três pontos que o vencedor. Ricardo Pinto fechou o pódio com 9 pontos.


Seleção nacional praticamente definida

Conferidos os resultados, o Ranking da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014 sofreu fortes mexidas, com Luís Nóbrega (COV – Natura) a assumir a liderança da Classe Aberta com 157,13 pontos. Na Classe Paralímpica, Júlio Guerra segue agora na frente com 169,87 pontos. Mais importante, talvez, é o facto de Cláudio Tereso (ATV) ter garantido uma presença na seleção que representará o nosso país nos Campeonatos da Europa, juntando o seu nome aos de Nuno Pires (Ori-Estarreja), Luís Leite (GD4C), Joaquim Margarido (CRN) e Ricardo Pinto. Entretanto, no intuito de completar o leque de selecionados, foi aberta a possibilidade a alguns atletas de poderem vir a integrar os trabalhos da seleção. São eles Júlio Guerra e José Laiginha Leal (CRN), ambos na Classe Paralímpica, e ainda, na Classe Aberta, Luís Nóbrega, João Pedro Valente, Jorge Baltazar (GDU Azoia), Luís Sérgio (ATV) e Inês Domingues (COC). A lista definitiva dos atletas que representarão Portugal nos Europeus de Palmela será divulgada no início da próxima semana.


Resultados

Classe Paralímpica
1. Julio Guerra (DAHP) 13/19 pontos
2. Cláudio Poiares (CRN) 10/19 pontos
3. Ricardo Pinto (DAHP) 9/19 pontos
4. Ana Paula Marques (DAHP) 7/19 pontos
5. Ana Leça (Individual) 5/19 pontos
6. Ricardo Bastos (CRN) 4/19 pontos
7. António Amorim (1/19 pontos)

Classe Aberta
1. Remo Madella (REM) 17/19 pontos
2. Charles Bromley-Gardner (SLOW) 16/19 pontos
3. João Pedro Valente (CPOC) 16/19 pontos
4. Luís Leite (GD4C) 15/19 pontos
5. Alexandre Reis (ADFA) 14/19 pontos
6. Luis Sérgio (ATV) 14/19 pontos
7. Inês Domingues (COC) 14/19 pontos
8. Mark Heikoop (Individual NED) 14/19 pontos
9. Urtzi Iglesias (Cobi) 14/19 pontos
10. Cláudio Tereso (ATV) 14/19 pontos

Resultados completos e demais informações em http://www.pom.pt/pt/





Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 5 de março de 2014

Portugal O' Meeting 2014: Mapas


Portugal O' Meeting 2014 (Gouveia)

Distância Intermédia, Vila Nova de Tázem (Dia 1)






Distância Média, Arcozelo da Serra (Dia 2)




Distância Média WRE, Arcozelo da Serra (Dia 3)




Distância Longa, Arcozelo da Serra (Dia 4)






Sprint, Gouveia (Dia 1)


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 4 de março de 2014

Portugal O' Meeting 2014: Thierry Gueorgiou e Simone Niggli os grandes vencedores



Com a participação de mais de 1600 atletas, chegou ao fim o Portugal O' Meeting 2014. Na única etapa de Distância Longa desta edição, Thierry Gueorgiou e Simone Niggli foram os primeiros a partir... e a chegar!


Está dada por concluída a 19ª edição do Portugal O' Meeting, a mais importante prova do calendário regular nacional de Orientação Pedestre. A organização – a cargo do CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida e da Câmara Municipal de Gouveia – reservou para este último dia uma etapa de Distância Longa, revisitando alguns dos mais emblemáticos pontos dos dias anteriores, numa mescla perfeita de complexidade técnica e exigência física.

As partidas em sistema de 'chasing start' apresentavam à partida vantagens confortáveis para os líderes dos escalões de Super Elite Masculina e Elite Feminina, respetivamente Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) e Simone Niggli (OK Tisaren), de tal forma que só um cataclismo poderia ditar uma reviravolta na classificação final. E se é verdade que os cataclismos acontecem – que o diga a própria Simone Niggli, apenas 8ª classificada na etapa anterior -, isso não sucedeu na etapa de hoje e ambos os atletas foram mesmo os mais rápidos, ampliando as suas vantagens ante a concorrência.


Ensaio muito positivo”

Na Super Elite masculina, Thierry Gueorgiou foi o único atleta a baixar da uma hora e vinte de prova, cumprindo os 13,9 km do seu percurso em 1:19:47. A segunda posição coube ao suiço Andreas Rüedlinger (Leksands OK), com mais 2:21, enquanto o terceiro lugar foi para o checo Jan Petrzela (OK Kare), com um registo de 1:22:12. Com os resultados apurados na derradeira etapa, Thierry Gueorgiou confirmou a liderança e venceu o Portugal O' Meeting pela quarta vez (terceira consecutiva). Mas foi possível assistir a verdadeiras “cambalhotas” na classificação, da sensacional subida de Andreas Rüedlinger do 17º lugar para o 6º no final, ao “trambolhão” do sueco Oskar Sjöberg (OK Linné), da 4ª posição para um lugar fora do top-10.

No final, Thierry Gueorgiou mostrava-se satisfeito com a vitória, “mesmo que a concorrência não tenha sido tão forte como em anteriores edições.” Para o multi-campeão francês, “o conjunto das quatro provas do Portugal O' Meeting mostraram que estou bem, cometi muito poucos erros e acabou por ser um ensaio muito positivo para os momentos seguintes.” Falando um pouco desta derradeira prova, Thierry disse: “Era o que estava à espera, uma mistura de todos os terrenos das etapas precedentes, o que se tornou muito interessante, com as partes mais técnicas dos segundo e terceiro dias e muitas opções nas pernadas mais longas.” O balanço, no momento, é “francamente positivo”, mas “temos pela frente o Campeonato da Europa e há imensas coisas ainda por afinar. A partir daqui é trabalhar mais a fundo ainda, meter muito volume de treino e esperar que todo esse trabalho possa vir a ser recompensado”, concluiu.


Bons desafios técnicos em terrenos de grande qualidade”

Oitavo classificado na etapa inaugural, Jan Prochazka foi subindo paulatinamente na classificação até alcançar o segundo lugar no final. Algo que o atleta comenta desta forma: “Fiquei surpreendido com meu resultado no final da primeira etapa, mas penso que os jovens Suecos começaram muito fortes e fizeram um bom trabalho. Não estive nos primeiros lugares desde o início, mas após as duas etapas de Distância Média penso que consegui o segundo lugar por uma margem tranquila e acreditei que seria possível guardar essa vantagem.”

Questionado sobre a etapa que mais lhe “encheu as medidas”, Jan elege a segunda, “ainda mais interessante que a terceira, apesar dos problemas quanto à legibilidade do mapa” e faz o balanço de mais uma passagem por Portugal: “Depois de correr o Model Event, confesso que as expectativas não eram as melhores, mas no final as etapas mostraram bons desafios técnicos em terrenos de grande qualidade. Nos Campeonatos Mediterrânicos do fim de semana passado, tinha a sensação de estar a perder velocidade, mas as três primeiras etapas do Portugal O' Meeting vieram mostrar que a velocidade está a melhorar de dia para dia. É nesse particular aspeto que irei fazer incidir a minha atenção no próximo mês e espero estar pronto para correr rápido nos Campeonatos da Europa, algo que eu julgo deverá ser muito importante.”


Lisa Risby, surpreendentemente (ou talvez não)

Na prova feminina, Simone Niggli (OK Tisaren) esteve de novo em grande plano, fazendo uma grande prova no tempo de 1:14:46 para 10,5 km de prova. A sueca Annika Billstam (OK Linné) viria a conseguir o segundo melhor tempo, gastando mais um minuto e meio que a vencedora, enquanto a terceira posição na etapa coube à finlandesa Riina Kuuselo (Tampereen Pyrintö), redimindo-se aqui das prestações menos conseguidas nas etapas anteriores e terminando a 2:11 da vencedora. No cômputo geral das quatro etapas, Simone Niggli foi a grande vencedora, o que sucede pela quinta vez consecutiva e pela sexta vez em termos gerais (a atleta venceu o seu primeiro POM no início da sua brilhante carreira, em 2002).

Vencedora da etapa pontuável para o ranking mundial disputada ontem, Maria Magnusson (Sävedalens AIK) soube segurar a segunda posição, concluindo no final a pouco mais de dez minutos da vencedora. Campeã do Mundo junior de Distância Longa e Vice-Campeã do Mundo de Distância Média em título, a muito jovem sueca Lisa Risby (OK Kare) merece igualmente o título de estrela deste Portugal O' Meeting, ao subir cinco lugares na etapa derradeira, quedando-se num honroso terceiro lugar. Segunda classificada em 2013, a sueca Annika Billstam esteve sensacional nesta derradeira etapa, o que lhe viria a garantir a quarta posição final. Em sentido contrário esteve a sueca Kristin Lofgren (Varegg), terceira classificada à entrada para a última etapa e que acabou por sucumbir à dureza do percurso, caindo para o 9º lugar final.


O Portugal O' Meeting vale sempre a pena”

Tal como Thierry Gueorgiou, também Simone Niggli expressava o seu contentamento no final: “É claro que estou muito feliz por mais uma vitória e penso que fiz três grandes provas e uma muito má. Em qualquer dos casos, senti-me estável durante toda a semana e no fim de semana e foi mais uma bela experiência em terrenos surpreendentemente exigentes, pelo que o Portugal O' Meeting vale sempre a pena”. Recuando vinte e quatro horas, Simone lança ainda um breve olhar sobre a prova “muito má”: “O problema teve a ver apenas com a falta de cuidado na leitura do mapa. Devia tê-lo feito muito devagar e ler cada pedra no mapa. O terreno era absolutamente inesperado e não consegui reagir da melhor maneira, mas são coisas que acontecem e estou contente porque hoje voltei a fazer uma boa prova.”

Como reagiu ao olhar para o mapa e perceber que iria revisitar, na parte final do percurso, os terrenos da véspera, eis a questão seguinte. A atleta dá uma gargalhada e responde: “Não posso dizer que fiquei assustada mas foi algo que me passou pela cabeça e encarei como uma possibilidade de poder fazer melhor. Mas penso que o traçado de percursos foi extremamente correto, dando a possibilidade de, mesmo a uma escala de 1:15000, poder ver que os pontos estavam bem marcados no terreno e podiam ser alcançados sem ser por mera questão de sorte. Talvez tenha feito hoje a minha melhor prova, sem cometer grandes erros e, bom, estou muito contente.” Vamos voltar a vê-la ganhar o Portugal O' Meeting nos próximos cinco anos? (risos) “Veremos. Penso que a minha forma irá decair ano após ano mas sim, tenho muita experiência e espero voltar de novo nos próximos anos.”


É isto que eu amo!”

Para Maria Magnusson, segunda classificada, correr para a vitoria implicava recuperar 6:05 de desvantagem para Simone Niggli. Tarefa impossível? A atleta responde: “A minha atenção nunca esteve centrada em Simone Niggli. Apenas me preocupei em fazer uma boa prova. Sentia o corpo muito cansado, mas estar inteiramente focada nas etapas de Distância Média fez com que, também mentalmente, me sentisse bastante cansada. Não cometi grandes erros, fiz a prova possível mas ainda assim estou bastante contente. Não foi a minha melhor prova, mas foi uma prova controlada do início ao fim.”

Escolher uma das quatro etapas como a preferida é, no caso de Maria Magnusson, tarefa fácil: “A prova de ontem, claro (risos). Mas também gostei muito da segunda etapa. Penso que foram duas Distâncias Médias muito boas, bastante exigentes tecnicamente, verdadeiras provas de topo. Todas as provas de Distância Média deveriam ser assim e espero que a Orientação se mantenha assim, embora deva confessar a minha preocupação no que respeita ao futuro. Cada vez vemos mais provas de Sprint, cada vez vemos mais corrida fácil.” Marcar presença no Portugal O' Meeting foi algo que não esteve desde sempre nos planos da atleta: “Os meus plan os iniciais passavam pela Eslovénia, mas uma vez que a seleção da Suécia marcou para aqui as provas de qualificação para os Campeonatos da Europa, vim. Esperava um Campo de Treino técnico mas isto foi, na verdade, bem melhor do que estava à espera. As competições foram tão técnicas e tão boas, foi mesmo excelente. Se voltar a haver aqui uma prova, voltarei seguramente. É isto que eu amo!”


Resultados Finais

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 3:16:26
2. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 3:33:26 (+17:00)
3. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 3:35:31 (+19:05)
4. Olli-Markus Taivanen (Pellon Ponsi) 3:39:45 (+23:19)
5. Jakob Lööf (MOKS) 3:41:14 (+24:48)
6. Andreas Rüedlinger (Leksands OK) 3:41:36 (+25:10)
7. Jan Petrzela (OK Kare) 3:41:54 (+25:28)
8. Andreu Blanes (Colivenc) 3:42:59 (+26:33)
9. Rassmus Andersson (OK Linné) 3:43:44 (+27:18)
10. Lauri Sild (Hiidenkiertäjät) 3:48:58 (+32:32)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 3:25:58
2. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 3:36:15 (+10:17)
3. Lisa Risby (OK Kare) 3:43:45 (+17:47)
4. Annika Billstam (OK Linné) 3:43:55 (+17:57)
5. Karoliina Sundberg (Lynx) 3:43:57 (+17:59)
6. Ulrika Uotila (Koovee) 3:44:12 (+18:14)
7. Outi Ojanen (Kangasala SK) 3:44:17 (+18:19)
8. Riina Kuuselo (Tampereen Pyrintö) 3:44:36 (+18:38)
9. Kristin Lofgren (Varegg) 3:51:57 (+25:59)
10. Anna Nähri (IFK Göteborg) 3:54:48 (+28:50)

Tudo para conferir em http://www.pom.pt/pt/

Joaquim Margarido



segunda-feira, 3 de março de 2014

Portugal O' Meeting 2014: O dia de Maria!



No dia em que o sol se dignou, ainda que de forma envergonhada, a visitar Gouveia e o Portugal O' Meeting 2014, Maria Magnusson foi a grande estrela deste terceiro dia de provas, interrompendo uma alucinante série de triunfos de Simone Niggli. Quanto à Super Elite masculina, aqui não houve surpresas e Thierry Gueorgiou continua a ser o “homem do momento”.


Arcozelo da Serra voltou a viver um dia animado e diferente com a disputa da terceira etapa do Portugal O' Meeting 2014. Organizado pelo CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida e pela Câmara Municipal de Gouveia, o evento fez recair o grosso das atenções sobre a etapa de hoje, uma prova de Distância Média pontuável para o ranking mundial da modalidade. E que prova! Num terreno do mais técnico que existe em Portugal, foram muitos aqueles que soçobraram, deitando tudo a perder logo na parte inicial do percurso.

Não foi este o caso de Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti), vencedor com o tempo de 34:46, à frente do sueco Albin Ridefelt (OK Linné) e do checo Jan Prochazka (Kalevan Rasti), que gastaram mais 1:39 e 2:42 que o francês, respetivamente. Thierry que falou dum “mergulho” alucinante no mapa: “Não foi nada fácil esse início. Senti-me 'atacado' pelo terreno, com pontos muito próximos, um espaço muito fechado e extremamente difícil, a exigir máxima concentração. Tive de passar para segundo plano a ideia de correr depressa, em detrimento da leitura do mapa. Não cometi erros, penso, mas também não fui rápido nesta parte inicial. Depois, nas pernadas mais longas, sim, foi possível imprimir alguma velocidade. Mas foi uma super-prova num terreno atípico, gostei mesmo muito.” Confessando não estar à espera duma “surpresa” destas, o Campeão do Mundo de Distância Longa fez questão de salientar que “aquilo que tem sido fantástico nestes três dias do Portugal O' Meeting é que em todas eles nos têm sido oferecidos terrenos diferentes e desafios também diferentes. É isso que eu acho incrível, esta diversidade dos terrenos em Portugal e que me dão a possibilidade de testar o meu momento de forma a diferentes níveis.”

Falando de mais uma vitória, ainda por cima na etapa rainha do Portugal O' Meeting 2014, Gueorgiou referiu que “é algo sempre bom, sobretudo porque numa etapa difícil e com a necessidade de recuperar alguma desvantagem à passagem pelo ponto de espectadores. Daí ter sido obrigado a 'puxar' com força na parte final da prova, algo muito importante nesta fase de preparação para o Campeonato da Europa.” Ver interrompida esta série impressionante de vitórias é algo que o atleta se recusa a aceitar: “Vou correr a última etapa de forma muito séria e, nesta fase de preparação, o meu interesse vai no sentido de conseguir o melhor tempo. Será uma prova muito longa com 16 km, a escala será de 1:15000, vamos certamente visitar pontos em terrenos distintos uns dos outros e vai ser uma bela e divertida prova.”


Ganhar foi um super bónus!”

No escalão de elite feminina, a Suécia colocou três atletas suas nos lugares do pódio. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) foi a grande vencedora, com o tempo incrível de 34:50, enquanto Annica Gustafsson (IFK Lidingö) foi segunda, a distantes 3:48 e a terceira posição coube a outra atleta do IFK Lidingö, Helena Karlsson, com o tempo de 39:09. Simone Niggli (OK Tisaren) esteve muito abaixo daquilo a que habituou os aficionados da modalidade, não indo além do 8º lugar, a 6:34 (!) da vencedora. “Não estava mesmo nada à espera de ganhar. Esperava apenas fazer uma boa prova do ponto de vista técnico, tal como tinha feito ontem. Era esse o meu objetivo, mas... quer dizer, ganhar foi um super bónus! E também bater Simone Niggli, o que acontece pela primeira vez. Penso que está muito bem assim (risos). Foram estas as primeiras palavras de Maria Magnusson, a grande vencedora da prova desta manhã, que de seguida falou da sua prova: “Mantive-me focada o tempo todo. Num terreno tão detalhado como este, é necessário manter a calma e ignorar aquela estranha sensação de que estamos a correr demasiado devagar. O importante é estar concentrado a tempo inteiro. Eu sabia isso, sabia que estava a fazer bem as coisas e acabei por ganhar aqui imenso tempo nesta fase inicial do percurso.”

Haverá ainda a hipótese de vermos Maria Magnusson inscrever o seu nome no lugar de eleição do quadro de honra da prova? Isto é algo que a atleta sueca vê apenas como “uma possibilidade”. De acordo com as suas impressões, “a seleção da Suécia aproveitou o primeiro e o terceiro dias para fazer provas de qualificação para os Campeonatos da Europa e esses dias foram realmente especiais para mim. Amanhã espero uma prova muito divertida, outra bela competição e depois veremos.” Duas palavras ainda, a primeira para a muito jovem Carolina Delgado (GD4C), melhor portuguesa no dia de hoje com o tempo de 53:06 (62º lugar na geral), a arrancar aqui a primeira vitória da sua carreira numa etapa pontuável para a Taça de Portugal no escalão de Elite feminina. E também para o melhor português, o “regressado” Diogo Miguel (Ori-Estarreja), 58º classificado a 12:39 do vencedor.


Resultados

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 34:46
2. Albin Ridefelt (OK Linné) 36:25 (+1:39)
3. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 37:28 (+2:42)
4. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 38:15 (+3:29)
5. Oskar Sjöberg (OK Linné) 38:17 (+3:31)
6. Anton Östlin (MOKS) 38:21 (+3:35)
7. Lauri Sild (Hiidenkiertäjät) 38:53 (+4:07)
8. Olli-Markus Taivanen (Pellon Ponsi) 39:07 (+4:21)
9. Jonas Viytautas Gvildys (IGTISA) 39:17 (+4:31)
10. Antonio Martinez (Colivenc) 39:23 (+4:37)

Damas Elite
1. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 34:50
2. Annica Gustafsson (IFK Lidingö) 38:38 (+3:48)
3. Helena Karlsson (IFK Lidingö) 39:09 (+4:19)
4. Marttiina Joensuu (SK Pohjantähti) 39:56 (+5:06)
5. Jannina Gustafsson (SK Uusi) 40:08 (+5:18)
6. Heini Wenman (SK Pohjantähti) 40:09 (+5:19)
7. Anna Josefine Engström (AOOK) 40:15 (+5:25)
8. Simone Niggli (OK Tisaren) 41:24 (+6:34)
9. Elin Mansson (IFK Göteborg) 41:25 (+6:35)
10. Ulrika Uotila (Koovee) 41:35 (+6:45)

Tudo para conferir em http://www.pom.pt/pt/

Saudações orientistas.

Joaquim Margarido



domingo, 2 de março de 2014

Portugal O' Meeting 2014: Thierry Gueorgiou e Simone Niggli reforçam liderança



Com novas vitórias de Thierry Gueorgiou e Simone Niggli, chegou ao fim a primeira metade do Portugal O' Meeting 2014. Na competição paralela, a etapa de Orientação de Precisão teve como grandes vencedores Julio Guerra e Remo Madella, respetivamente na Classe Paralímpica e Aberta.


Sem surpresa, assim podemos classificar as vitórias de Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) e Simone Niggli (OK Tisaren) na segunda etapa do Portugal O' Meeting 2014 disputada esta manhã em Arcozelo da Serra, no concelho de Gouveia. Os dois atletas levam uma série impressionante de triunfos na maior prova portuguesa do calendário regular de Orientação Pedestre, tendo dado hoje mais um passo de gigante com vista à conquista do quarto POM, no caso de Thierry Gueorgiou e do sexto POM (quinto consecutivo), no caso de Simone Niggli.

Numa prova de Distância Média de grande exigência física e técnica, Thierry Gueorgiou levou a melhor ante a concorrência, vencendo com o tempo de 35:55. O seu colega de equipa, o checo Jan Prochazka, foi segundo a 2:25 enquanto a terceira posição coube ao espanhol Andreu Blanes (Colivenc), com mais 3:03 que Gueorgiou. António Martínez (Colivenc) foi outro atleta espanhol a alcançar um grande resultado, quedando-se na quinta posição com o tempo de 40:23. Grande figura no dia de ontem, o sueco Oskar Sjöberg (OK Linné) não foi hoje além do 24º lugar com o tempo de 43:51, enquanto Tiago Romão (ADFA) foi o melhor português no 35º lugar, a 9:52 do vencedor.

No escalão de Elite feminina, Simone Niggli venceu com o tempo de 40:19, enquanto a sueca Maria Magnusson (Sävedalens AIK ) e a finlandesa Outi Ojanen (Kangasala SK) foram segunda e terceira, respetivamente, com mais 2:13 e 2:37 que a vencedora. As suecas Annica Gustafsson (IFK Lidingö) e Annika Billstam (OK Linné) ficaram muito aquém das excelentes performances da véspera, enquanto a melhor portuguesa foi Patrícia Casalinho (COC), ocupando o 48º lugar a 16:22 de Simone Niggli.


Remo Madella e Julio Guerra, os mais precisos

O Portugal O' Meeting 2014 prosseguiu durante a tarde de hoje com a realização duma etapa de Orientação de Precisão. Pontuável para a Taça de Portugal desta disciplina, a prova teve lugar no Parque da Senhora dos Verdes e contou com a presença de todos os melhores atletas portugueses e também de alguns estrangeiros de nomeada, casos do holandês Mark Heikoop (Individual), 5º classificado nos Mundiais de 2012 e vencedor da etapa de Orientação de Precisão do POM 2013, e do italiano Remo Madella (REM). E foi precisamente este último o grande vencedor na Classe Aberta, com 17/19 pontos. O britânico Charles Bromley-Gardner (SLOW) concluiu no segundo lugar com 16/19 pontos, tantos quantos o campeão nacional, João Pedro Valente (CPOC), terceiro classificado. Na Classe Paralímpica, Júlio Guerra (DAHP) viria a confirmar a sua apetência pelos terrenos de Gouveia, vencendo com um 'score' de 13/19 pontos, contra 10/19 pontos de Cláudio Poiares (CRN) e 9/19 de Ricardo Pinto (DAHP).

Uma última referência para a etapa de Sprint Urbano, realizada ao início da noite de ontem e que teve no lituano Arturs Paulins (IGTISA) e na canadiana Emily Kemp (PFU) os grandes vencedores, à frente do espanhol Antonio Martinez e da francesa Lauriane Beauvisage (PFU), respetivamente.


Resultados

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 35:55
2. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 38:20 (+2:25)
3. Andreu Blanes (Colivenc) 38:58 (+3:03)
4. Hannu Airila (Kalevan Rasti) 39:23 (+3:28)
5. Antonio Martinez (Colivenc) 40:23 (+4:28)
6. Severi Kymäläinen (Tampereen Pyrinto) 40:34 (+4:39)
7. Jussi Suna (TuMe) 40:46 (+4:51)
8. Julian Dent (IFK Lidingö) 41:05 (+5:10)
9. Jonas Vytautas Gvildys (IGTISA) 41:30 (+5:35)
10. Jan Petrzela (OK Kare) 41:42 (+5:47)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 40:19
2. Maria Magnusson (Sävedalens AIK) 42:32 (+1:13)
3. Outi Ojanen (Kangasala SK) 42:56 (+2:37)
4. Henna-Riika Haikonen (AnttU) 43:16 (+2:57)
5. Emily Kemp (PFU) 43:38 (+3:19)
6. Anna Nähri (IFK Göteborg) 44:30 (+4:11)
7. Karoliina Sundberg (Lynx) 44:41 (4:22)
8. Lisa Risby (OK Kare) 45:03 (+4:44)
9. Ulrika Uotila (Koovee) 46:52 (+6:33)
10. Kristin Lofgren (Varegg) 47:01 (+6:42)

Tudo para conferir em http://www.pom.pt/pt/


Saudações orientistas.


Joaquim Margarido



sábado, 1 de março de 2014

POM 2014: Thierry Gueorgiou e Simone Niggli entram com o pé direito



Começa a não ser fácil encontrar um título para as provas de orientação de nível internacional em Portugal que não inclua os nomes de Thierry Gueorgiou e Simone Niggli. Tem sido assim nos anos mais recentes, foi assim igualmente no fim de semana passado e a história volta a repetir-se na etapa inaugural do Portugal O' Meeting 2014. Num terreno muito técnico, os dois atletas souberam melhor que ninguém pôr em campo as suas enormes qualidades, demonstrando uma vez mais o porquê de serem os líderes do ranking mundial.


Com o Inverno a chegar ao fim, afinam-se pormenores para os primeiros grandes embates da temporada e o Portugal O' Meeting, naturalmente, está na rota dos maiores nomes da orientação mundial. O prestígio grangeado pela prova portuguesa fez com que Thierry Gueorgiou e Simone Niggli, a par de mais um excelente punhado de atletas de Elite, tenham voltado costas à Taça do Mundo que decorre na Turquia, rumando uma vez mais a Portugal. À sua espera terão quatro dias da melhor orientação, o primeiro dos quais decorreu já na manhã e início da tarde de hoje, em Vila Nova de Tázem, no concelho de Gouveia. Organizado pelo CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida e pela Câmara Municipal de Gouveia, a etapa inaugural contou com a participação de perto de 1600 atletas, numa prova de Distância Intermédia de elevada exigência técnica e que decorreu sob condições climatéricas adversas.

Thierry Gueorgiou e Simone Niggli venceram de forma incontestada, deixando no ar a sensação de que os voltaremos a ver no lugar mais alto do pódio, no final dos quatro dias de duração do evento, tal como sucedeu em 2012 e em 2013. Gueorgiou voltou hoje a estar ao seu melhor nível, dominando do início ao fim da prova e deixando o seu mais próximo adversário, o sueco Oskar Sjöberg, a mais de três minutos de diferença. Na prova feminina, Simone Niggli esteve irrepreensível na segunda metade do percurso, recuperando duma desvantagem de 45 segundos, para no final relegar as suecas Annica Gustafsson e Annika Billstam – esta última, segunda classificada no POM 2013 – para as posições imediatas, a 1:15 e 1:17 de diferença, respetivamente.


Surpresa!

No final, Simone Niggli mostrava-se surpreendida com o resultado: “Foi um enorme desafio e devo confessar a minha surpresa quando soube que tinha vencido. Tive muitos problemas no início da prova e penso que era um percurso muito difícil, mesmo havendo um grande número de trilhos. Quando entramos nestes terrenos com muita pedra, é necessário ter muita atenção. Por vezes tive enorme dificuldade em ler o mapa de forma precisa, era tudo preto.” Quanto à recuperação na parte final do percurso, a atleta deixa a sua análise: “Quando passei no ponto de espectadores, não ouvi que tinha 45 segundos de desvantagem e ainda bem que não ouvi (risos). Procurei fazer os pontos uns após os outros e aquilo que eu penso é que a Annika [Billstam] terá perdido a prova nesta segunda metade.” A terminar, a antevisão dos próximos dias: “O resultado não é o mais importante, uma vez que já estou retirada da alta competçião e venho em busca de terrenos interessantes. Corri ontem o Model Event e foi muito bonito. Penso que os terrenos serão um pouco assim amanhã e nos restantes dias. Há ainda muitos pontos para fazer e espero poder fazê-los o melhor possível.”


Resultados

Homens Super Elite
1. Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti) 45:58
2. Oskar Sjöberg (OK Linné) 49:15 (+3:17)
3. Erik Ivarsson Sandberg (IFK Lidingö) 50:14 (+4:16)
4. Albin Ridefelt (OK Linné) 50:27 (+4:29)
5. Lauri Sild (Hiidenkiertäjät) 50:42 (+4:44)
6. Oskari Liukkonen (Hiidenkiertäjät) 50:46 (+4:48)
7. Rassmus Andersson (OK Linné) 50:55 (+4:57)
8. Jan Prochazka (Kalevan Rasti) 51:26 (+5:28)
9. Anton Östlin (MOKS) 51:38 (+5:40)
10. Jakob Lööf (MOKS) 51:42 (+5:44)

Damas Elite
1. Simone Niggli (OK Tisaren) 49:29
2. Annica Gustafsson (IFK Lidingö) 50:44 (+1:15)
3. Annika Billstam (OK Linné) 50:46 (+1:17)
4. Helena Karlsson (IFK Lidingö) 52:49 (+3:20)
5. Kristin Lofgren (Varegg) 53:38 (+4:09)
6. Elin Mansson (IFK Göteborg) 54:19 (+4:50)
7. Ulrika Uotila (Koovee) 54:56 (+5:27)
8. Karoliina Sundberg (Lynx) 55:07 (+5:38)
9. Outi Ojanen (Kangasala SK) 55:33 (+6:04)
10. Anna Bachman (IFK Lidingö) 55:39 (+6:10)

Informações completas em http://www.pom.pt/pt/

Saudações orientistas.

Joaquim Margarido