quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Rúbens Igreja: "Vamos espalhar a Orientação de Precisão pelo Brasil inteiro"



Comandante da Marinha brasileira e um dos grandes impulsionadores da Orientação no País irmão, o Comandante Rúbens Igreja esteve entre nós, participando, juntamente com outros dois altos embaixadores brasileiros desta modalidade – Marcelo Malato e José Ferreira Barros - no I Curso de Organização e Traçado de Percursos de Orientação de Precisão, que decorreu na Praia da Tocha em 13 e 14 de dezembro. Aqui fica um apanhado das suas impressões, simultaneamente um grito de querer e esperança na afirmação da Orientação de Precisão no Brasil.


Qual o sentido desta presença no Curso de Organização e Traçado de Percursos de Orientação de Precisão promovido pela Federação Portuguesa de Orientação?

Rúbens Igreja (R. I.) - A Orientação de Precisão constituiu, desde sempre, um sonho para nós, principalmente pelo seu valor de inclusão social através do desporto. O Brasil já teve Orientação de Precisão, mas duma forma esporádica, isolada, inconsequente. O nosso objetivo passa, agora, por desenvolver um projeto, entretanto aprovado pelo Ministério da Defesa do Brasil e cujo primeiro passo é fazer este Curso. Depois levaremos estes conhecimentos para o Brasil, procurando aplicá-los não apenas no âmbito militar mas sobretudo no âmbito civil, onde a questão da exclusão social é um problema muito sério. Vamos prosseguir neste esforço de aprendermos mais em 2015 e procurar capacitar atletas e técnicos, transmitindo aquilo que aprendemos aqui, de forma consolidada e sem pressas, para que em Dezembro de 2015 possamos ser capazes de organizar a nossa primeira prova de Orientação de Precisão no Brasil.


Como é que decorreu o Curso? Quais as grandes novidades?

R. I. - As grandes novidades?... Foi tudo novidade! Desconhecíamos quase totalmente a Orientação de Precisão. Percebemos desde logo a importância e o valor do levantamento cartográfico. O cartógrafo tem, aqui, um papel fundamental. É diferente da Pedestre, há na Precisão uma incidência muito grande no detalhe. Aliado ao cartógrafo, também o traçador de percursos é fundamental na viabilização da prova, criando igualdade de condições de participação a pessoas com e sem mobilidade reduzida. Na verdade, este Curso foi todo ele uma novidade, mas tudo aquilo que aprendemos começa a fazer sentido. Conseguimos articular uma parte teórica, densa, cheia de novos conceitos, com uma prática, repleta de desafios mas onde a lógica impera. São os alicerces seguros para que possamos, duma forma doutrinária, desenvolver o nosso trabalho no Brasil. Além disso, Nuno Pires e Joaquim Margarido estão a dar-nos uma ajuda enorme nesta fase. Agradecemos a vossa boa vontade, a dedicação e atenção que nos têm dedicado. Percebemos claramente o vosso interesse em ajudar-nos e isso é, para nós, muito importante.


Que questões se colocam perante os conhecimentos já adquiridos? Tem-se deparado muitas vezes com a dúvida interior de como, no plano prático, se poderá contornar isto ou aquilo?

R. I. - [A Orientação de Precisão] É um desafio muito grande, é uma responsabilidade imensa. Mas estamos com muita vontade de enfrentar as dificuldades e abraçar o desafio. O Brasil é um País com uma desigualdade social imensa e temos de estar atentos a este fenómeno. Sendo um Desporto para Todos, a Orientação de Precisão não é apenas para a pessoa com deficiência, para o cadeirante. É também para o atleta que pratica Orientação Pedestre, para que possa aperfeiçoar cada vez mais a sua técnica de Orientação. Sabemos que as dificuldades são imensas, mas não vamos esmorecer. Vamos trabalhar, vamos seguir em frente e vamos implantar, realmente, a Orientação de Precisão no Brasil.


Apesar de impulsionado pelo Ministério da Defesa e pela Marinha do Brasil, imagino que o projeto conta igualmente com o apoio dos clubes brasileiros...

R. I. - Esse é o nosso desejo, mas nesta fase inicial precisamos de nos organizar. Temos que nos formar, normalizar procedimentos e então desencadear o projeto. Numa segunda fase iremo-nos expandir e essa expansão terá o seu ponto de partida no Rio de Janeiro. Inclusivamente, contámos neste Curso com a presença de Marcelo Malato, Presidente da Federação de Orientação do Rio de Janeiro e que é também o nosso “cartógrafo-mor”. Vamos começar no meio militar, com a intenção de avançar com este esforço de integração para o meio civil. A partir daí vamos espalhar a Orientação de Precisão pelo Brasil inteiro e implicar nesse processo a Confederação Brasileira de Orientação, uma vez que não possui ainda esse foco de trabalho. Será um processo semelhante àquele que se está a passar com a Oientação em BTT.


Do ponto de vista competitivo, quando serão visíveis os primeiros resultados do projeto?

R. I. - Em Fevereiro de 2015 vamos regressar para o Portugal O' Meeting, onde procuraremos acompanhar uma parte do planeamento, organização e montagem da prova. O Poetugal O' Meeting é para nós uma referência mundial e poder estar presente é o garante de que iremos acompanhar e aprender muito mais. Mas para reposder diretamente à sua questão, deixe-me dar-lhe nota, em primeira mão, da nossa intenção de trazer nessa altura um atleta nosso, um atleta da Marinha brasileira que sofreu um acidente mas que continua a praticar Orientação Pedestre. É um atleta com uma enorme base de Orientação, um atleta já “formado”, mas é um atleta paralímpico e que necessita de conhecer as particularidades da Orientação de Precisão. Temos dois meses para trabalhar com ele e esperamos com curiosidade para ver os seus resultados no Potugal O' Meeting. Ele será, pois, o primeiro atleta paralímpico brasileiro a participar numa competição internacional.


Agora que estamos no virar de mais uma página, de mais um ano, atrevo-me a pedir-lhe um voto para 2015?

R. I. - Saúde para todos, esse é o nosso primeiro desejo. Sem saúde não há energia e precisamos de toda a energia para podermos colocar em prática os nossos anseios, os nossos sonhos. Como representante da Orientação, das Forças Armadas e do Brasil, gostaria de reafirmar a nossa vontade de desenvolvermos esta modalidade no nosso País, em todas as vertentes. Daí esperarmos que, em parceria com este País muito amigo que é Portugal, possamos colher experiências no sentido de desenvolvermos a nossa Orientação, elevando-a a patamares cada vez mais altos, tanto em termos de desempenho competitivo como do ponto de vista da organização. Os resultados serão consequência dessa organização e desse planeamento adequados. Fechamos este ano a pensar já em 2015... e em 2016... e em 2017. Porque este é um projeto em marcha e que não vai mais parar!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

1 comentário:

Anónimo disse...

O Comandante Igreja é um apaixonado pelo esporte e pelo trabalho, está fazendo um trabalho inédito pelo crescimento da orientação no Brazil.
Desejamos sucesso ao comandante Igreja e sua equipe.