terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Orientação de Precisão: Revista do Ano nacional



Neste “virar de página” para uma nova temporada, o Orientovar faz o balanço da época de Orientação de Precisão 2014 a nível interno, ao encontro daquilo que de mais importante se passou entre nós nesta disciplina que continua a ser, para muitos, “um mistério”. São doze meses passados em revista, nos quais recordamos a competição ao mais alto nível, seja ela nas provas da Taça de Portugal ou nos Campeonatos da Europa ou do Mundo.


Quando 2014 se abriu de par em par, a Orientação de Precisão portuguesa encontrava-se em pleno processo de seleção. Os critérios definidos pela Comissão Técnica de Orientação de Precisão da FPO com vista ao apuramento para o Campeonato da Europa, a disputar em Palmela, em Abril, tinham dado já um primeiro passo [em Outubro de 2013, com a realização do Palmela O' Meeting] e daí que o PreO Challenge – Maia Cidade Europeia do Desporto 2014 tivesse um “valor acrescido”, indo além do simples facto de abrir a temporada nacional de Orientação de Precisão. Com um total de 23 participantes, a prova teve lugar num dia verdadeiramente tempestuoso – Portugal estava sob alerta vermelho devido aos ventos ciclónicos –, marcando a estreia do Centro de Reabilitação do Norte nestas lides, clube que viria a ser o grande ganhador da temporada. Individualmente, o triunfo na competição coube a Joaquim Margarido (CRN) e Ricardo Pinto (DAHP), respetivamente nas Classes Aberta e Paralímpica, garantindo assim um lugar na seleção para os Europeus. Com eles, também os segundos classificados – Luís Miguel Nóbrega (COV – Natura) e José Laiginha Leal (CRN) – viriam a ver o seu nome incluído na lista de selecionados.

Março abriu com o Portugal O' Meeting e, com ele, a tão esperada etapa de Orientação de Precisão e que reuniu no Parque da Senhora dos Verdes, em Gouveia, 67 atletas em representação de oito países. O italiano Remo Madella foi o grande vencedor na Classe Aberta, seguido do britânico Charles Bromley-Gardner e do português João Pedro Valente (CPOC). Na Classe Paralímpica, destaque para a vitória de Júlio Guerra (DAHP) que assim carimbou, também ele, o passaporte para os Europeus. Os resultados determinariam que Joaquim Margarido e Ricardo Pinto mantivessem a liderança da Taça de Portugal, enquanto Portugal fechava a lista de selecionados aos Campeonatos da Europa, a saber: Cláudio Tereso, João Pedro Valente, Joaquim Margarido, Jorge Baltasar, Luís Leite, Luís Miguel Nóbrega e Nuno Pires, na Classe Aberta, e José Laiginha Leal, Júlio Guerra e Ricardo Pinto, na Classe Paralímpica.


Dois portugueses na final de TempO dos Europeus

O mês de Abril conheceu a realização da terceira etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão, desenhada no calendário de forma a proporcionar, também, um último apronto ao selecionado português para os Campeonatos da Europa. O Parque Tejo e o Parque das Nações receberam 33 atletas para a disputa do PreO 'Under The Bridge', no qual Luís Gonçalves (CPOC) apareceu a surpreender tudo e todos, levando de vencida a Classe Aberta. Na Classe Paralímpica, vitória de José Laiginha Leal com os mesmos pontos de Ricardo Pinto, mas melhor performance nos pontos cronometrados. Joaquim Margarido e Ricardo Pinto mantinham os lugares cimeiros do ranking da Taça de Portugal, mas a concorrência começava a fazer-se sentir.

Abril foi, sobretudo, o mês dos Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão ETOC 2014 e que contaram, em Palmela, com a participação de 126 atletas na competição de PreO e de 103 na competição de TempO. O TempO foi dominado pelo finlandês Antti Rusanen, depois das séries qualificatórias terem mostrado Lauri Kontkanen, igualmente da Finlândia, como o maior favorito à vitória final. No PreO e no que à Classe Aberta diz respeito, Rusanen travou intensa luta com o seu compatriota e campeão mundial em título, Jari Turto, terminando ambos empatados em pontos mas com o cronómetro, aqui, a favorecer Turto. Já na Classe Paralímpica, a vitória coube ao sueco Michael Johansson, com um ponto à maior sobre o seu compatriota Ola Jansson. Entre os portugueses, o destaque vai para Nuno Pires e João Pedro Valente, garantindo a passagem à final de TempO e cotando-se, na final, nos 31º e 32º lugares, respetivamente. No PreO, Jorge Baltasar foi o nosso melhor representante, concluindo na 43ª posição.


Os novos Campeões Nacionais

No último dia do mês de Maio, a Orientação de Precisão viveu outro momento alto com a realização do Dunas TrailO, evento que apresentou, duma assentada, duas situações inéditas: duas provas num só dia (ou, para sermos mais exatos, numa só tarde) e a disputa do primeiro título nacional de TempO. Como se tal não bastasse, aqui se jogava, em “ato único”, o apuramento para o Campeonato do Mundo, motivo que terá ajudado a chamar às Dunas de Cantanhede o excelente número de 64 atletas. Luís Gonçalves e Ricardo Pinto foram os grandes vencedores da etapa de PreO, enquanto no TempO o triunfo sorriu, de forma inesperada, a Inês Domingues (COC). Com quotas apertadas e sem critérios de apuramento para os Mundiais que considerassem, em separado, as vertentes de TempO e de PreO, Portugal acabaria por “fechar” as contas com uma seleção constituída por Nuno Pires, Luís Gonçalves, João Pedro Valente e Ricardo Pinto. Nas contas da Taça de Portugal, Cláudio Tereso (ATV) assumia a liderança na Classe Aberta, enquanto Ricardo Pinto permanecia na frente do ranking na Classe Paralímpica.

Em Junho jogou-se a segunda edição do Campeonato Nacional de PreO, o qual trouxe consigo, igualmente, uma novidade: a disputa do título nacional Por Equipas, a par dos títulos individuais em ambas as Classes. Disputada por 32 atletas, a prova viria a ter em Joaquim Margarido e Ricardo Pinto os novos Campeões Nacionais nas Classes Aberta e Paralímpica, respetivamente. Na classificação coletiva, o triunfo coube ao CRN, com uma equipa composta por Joaquim Margarido, José Laiginha Leal e Cláudio Poiares. Com estes resultados, Joaquim Margarido recuperava o comando da Taça de Portugal, enquanto Ricardo Pinto reforçava a liderança, praticamente garantindo o triunfo na competição.


Luís Gonçalves é 9º nos Mundiais de TempO

Julho foi mês do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014, na bela região italiana do Trentino. O evento contou com a participação de 100 atletas na vertente de PreO e 61 na de TempO e nele Portugal teve uma participação altamente meritória. Luís Gonçalves foi, indiscutivelmente, a estrela da equipa, ao conseguir um extraordinário 9º lugar na final de TempO, depois de ter sido o mais certeiro de todos os 24 finalistas e de ter recuperado na decisiva prova sete posições em relação ao resultado trazido das eliminatórias. Também na competição de PreO o selecionado português viria a cotar-se em excelente plano, com Ricardo Pinto a concluir no 16º lugar na Classe Paralímpica, João Pedro Valente a ser o 23º na Classe Aberta e com a turma nacional, formada por João Pedro Valente, Luís Gonçalves e Ricardo Pinto a concluir no 9º lugar na competição por Equipas. Duma só vez foram pulverizados todos os resultados anteriormente alcançados em Campeonatos do Mundo, fazendo recair a atenção sobre o percurso ascensional da Orientação de Precisão portuguesa.

Com o DAHP a desistir da organização da etapa de Caminha, o período de Verão resumiu-se à realização do Campeonato Ibérico, no qual participaram 62 atletas, dos quais onze portugueses. Organizado pelo Clube ORCA e disputado em Cervera de Pisuerga, na Montanha Palentina (Espanha), a prova viria a evidenciar algumas debilidades no desenho técnico dos pontos - “demasiado fácil”, diriam alguns -, reflectindo-se isso mesmo nos resultados finais, com nove atletas (!) a fazerem o pleno de respostas certas e quinze outros a quedarem-se com uma resposta errada apenas. Os pontos cronometrados não foram suficientes para quebrar o empate no que aos primeiros diz respeito, pelo que o título ibérico, na Classe Aberta, seria atribuído ex-aequo a João Pedro Valente e ao espanhol José António Tamarit (COV). Na Classe Paralímpica, o triunfo coube a José Laiginha Leal. Na frente do ranking da Taça de Portugal não se verificaram mexidas, com Joaquim Margarido e Ricardo Pinto a manterem a liderança à entrada para a derradeira ronda.


A grande decisão

Após um interregno de dois meses, a Taça de Portugal regressou para a realização da última etapa, na Falperra (Braga), no dia 10 de Outubro. Com Luís Gonçalves ausente, a escassa diferença de pontuação entre Joaquim Margarido e Nuno Pires (Ori-Estarreja) colocava ao rubro a luta pela conquista da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2014. Ambos sabiam que um simples deslize bastaria para fazer a diferença e a verdade é que Nuno Pires “teve o pássaro na mão”, quando Joaquim Margarido falhou um ponto de controlo ainda na fase inicial do percurso. Foi necessário esperar pelo derradeiro ponto de controlo para vermos Nuno Pires falhar também, fazendo com que tudo voltasse à “estaca zero”. Quem não falhou foi Cláudio Tereso, alcançando assim a sua primeira vitória na competição e cotando-se na terceira posição do ranking. Joaquim Margarido viria a levar de vencida a Taça de Portugal na Classe Aberta, enquanto Ricardo Pinto venceu a etapa na Classe Paralímpica, renovando o triunfo na Taça de Portugal. Nuno Pires e José Laiginha Leal foram os segundos classificados, respetivamente nas Classes Aberta e Paralímpica.

Dezembro chegou e, com ele, a grande azáfama no seio da Comissão Técnica de Orientação de Precisão com vista à próxima temporada. Fechar as etapas da Taça de Portugal 2015, começar já os primeiros contactos com vista a 2016, estabelecer critérios de apuramento para o WTOC 2015, organizar o I Curso de Organização e Traçado de Percursos de Orientação de Precisão e fazer a ponte com a Espanha e o Brasil acaba por ser um esforço repartido por Joaquim Margarido, Nuno Pires e Luís Gonçalves, com o apoio de todos aqueles e aquelas que teimam em garantir o necessário suporte a uma disciplina com um forte cunho social e inclusivo, no fundo uma das mais distintivas marcas da Orientação enquanto desporto para todos. E é ao abrigo do programa “Desporto para Todos” do IPDJ e com o apoio da Invacare Portugal à realização de eventos e ações de formação em 2015 que se vira a página para um novo ano, com a certeza de que este será melhor ainda. Um ano de consolidação do espaço alcançado por esta disciplina, um ano de afirmação e de grandes resultados. Assim todos o queiramos!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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