quarta-feira, 9 de julho de 2014

WTOC 2014: Portugueses com sinal mais



Elvio Cereser e Michael Johansson lideram, ao final do primeiro dia, a competição de PreO do XI Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014, nas classes Aberta e Paralímpica, respetivamente. Um dia marcado – de novo – por vários protestos, um ponto anulado e com os portugueses João Pedro Valente e Ricardo Pinto a um passo de mais um resultado histórico!


A competição de PreO do XI Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014 não teve o melhor começo. Sem plano B para as severas consequências do mau tempo da véspera, a organização viu-se obrigada a anular o último troço do percurso (num total de sete pontos), reduzindo-o à dimensão dum Model Event, com doze pontos apenas e uma estação cronometrada, com o extra de dois pontos. Como se tal não bastasse, os três protestos apresentados no final deste primeiro dia de prova resultaram na anulação do ponto 10, o que viria a provocar uma mexida muito grande nos resultados provisórios inicialmente divulgados, sobretudo na Classe Aberta, onde o italiano Elvio Cereser ganhou dezasseis posições para se fixar na liderança com 11/11 pontos. Confusões à parte, são em número de sete os atletas que repartem a liderança em termos do número de respostas corretas, com a sueca Marit Wiksell a fechar um grupo onde, estranhamente, é a única representante do “triunvirato” nórdico Suécia – Finlândia - Noruega. Com 9/11 pontos, o Campeão Europeu e Mundial de PreO, o finlandês Jari Turto, não conseguiu melhor que a 36ª posição, enquanto o norueguês Martin Jullum e o finlandês Antti Rusanen, respetivamente Campeão do Mundo e Campeão da Europa de TempO, seguem a um ponto do grupo da frente.

Ao invés do que sucede na Classe Aberta, a Classe Paralímpica é dominada pelos nórdicos, com os suecos à cabeça. Assim, é sem surpresas que vemos na liderança, com o pleno de respostas corretas, o Campeão Europeu Michael Johansson (Suécia), a par da sua compatriota Inga Gunnarsson, ambos com 11/11 pontos. No seu encalce seguem quatro atletas com 10/11 pontos, enquanto Ola Jansson (Suécia) e Pekka Seppä (Finlândia), nomes que estamos habituados a ver na frente da classificação, seguem no lote de nove atletas que conseguiram 9 respostas corretas. Mais para trás ainda, é possível vermos a campeã do mundo em título, a checa Jana Kostova, no 23º lugar com a modesta quantia de 7/11 pontos.


Eu esperava este meu resultado”

Com 10 pontos em 11 possíveis e um tempo excelente de dezasseis segundos nos pontos cronometrados, João Pedro Valente terminou o primeiro dia de competição no 12º lugar. Um resultado que parece não ter deixado surpreendido o atleta português: “Eu esperava este meu resultado, uma vez que tenho grande confiança neste tipo de terreno e de percurso. Não estava era à espera que os outros atletas falhassem tanto.” Deixando algumas críticas ao critério da cartografia e ao facto de “alguns dos elementos mapeados não cumprirem com as determinações”, o atleta confessa, contudo, que “dava para perceber o que o cartógrafo pretendeu em cada momento”. Já quanto ao percurso, Valente mostrou-se muito satisfeito: “É o tipo de percurso onde se aplicam todas as técnicas clássicas da Orientação, com as quais eu costumo dar-me melhor”. Relativamente ao segundo e decisivo dia de competição, “gerir um pouco melhor o tempo de prova e não falhar ” é agora o grande objetivo do atleta. “Não vou pensar em mais nada”, concluiu.

Quem esteve igualmente em excelente plano, alcançando 9 pontos em 11 possíveis e 75 segundos nos pontos cronometrados (com uma falha num desses pontos), Ricardo Pinto chega ao final do primeiro dia no 11ª lugar na Classe Paralímpica. Tal como João Pedro Valente, Pinto assume que estava à espera desta prestação, embora não contasse que isso valesse uma posição tão boa na classificação geral. Atleta português mais internacional de sempre nesta disciplina, Ricardo Pinto confessa não ter sentido grandes dificuldades do ponto de vista técnico: “Consegui identificar muito bem no terreno todos os elementos mapeados, à exceção dos pontos 5 e 11, onde não consegui ver muito bem quer o esporão quer a pedra.” Confessando ser este “um tipo de percurso que encaixa bastante no meu perfil e com desafios ao meu gosto, mais à base da interpretação do terreno e com poucos alinhamentos ”, o atleta refere como aspeto menos positivo apenas a questão da progressão: “Foi muito complicado devido aos grandes desníveis, mas a parte mecânica ajudou e consegui progredir.”


Tivemos dois grandes resultados”

Menos bem que os seus colegas esteve Luís Gonçalves que, com “apenas” dois erros nas respostas ao conjunto de desafios e 77 segundos nos pontos cronometrados, se viu cair para o 43º lugar. O atleta analisa de forma muito objetiva a sua prestação: “Eu não diria 'apenas' dois erros porque, na realidade, foram demasiados erros para um percurso tão curto. Hoje falhei tecnicamente no ponto 5 e quanto ao ponto 12 foi uma má gestão do tempo. Já tinha acontecido nas provas em Portugal e hoje então foi muito penalizador, porque a prova era muito curta e os últimos dois pontos foram feitos à pressão.” Estreante em Campeonatos do Mundo, Luís Gonçalves admite que “mais concentrado, poderia ter acertado pelo menos um dos dois pontos que falhei, mas na segunda parte do percurso o relógio pesou muito”. Mas também adianta que “isto não é justificação para tudo e tenho que aprender a ganhar confiança nos pontos mais simples e a gerir melhor o relógio e ser mais rápido.” Agora o atleta espera que as coisas “corram muito melhor no segundo dia e possa alcançar um resultado de topo, apesar de ter consciência que chegar ao top25 é uma tarefa muito difícil”.

Finalmente, Nuno Pires terminou o primeiro dia de competição com 7 respostas corretas e uma prestação de 19,5 segundos nos pontos cronometrados, o que vai valendo o 59º lugar da geral em 64 competidores. Uma situação que o atleta e Responsável pela delegação portuguesa não consegue explicar: “Foi um grau de desacerto muito grande. Embora tenha começado bastante bem, falhar os últimos três pontos não tem explicação. Acho que acusei a pressão em demasia, desconcentrei-me e a partir do ponto nove nada correu bem. Depois nos cronometrados aliviei a pressão e consegui inclusivamente fazer um bom tempo mas não foi, de facto, o melhor dia.” Cartografia complexa mas de boa leitura e desafios clássicos levam o atleta a admitir ter gostado muito do percurso. Este não é um bom resultado mas Nuno Pires sabe que “o segundo dia do PreO é um novo dia”. Será o reviver das emoções do Campeonato da Europa, mas agora ao contrário? “Realmente espero poder vir a ter um segundo dia tranquilo, dado que neste momento não me sinto minimamente pressionado por resultados.”

Relativamente à prestação da equipa, Nuno Pires mostra-se bastante satisfeito: “Penso que os meus desejos se concretizaram. Eu ontem queria um grande resultado e nós tivemos dois grandes resultados. O Luís Gonçalves teve no TempO o seu momento de glória, mas estou confiante que ele vai subir bastantes lugares na classificação. Os desafios do segundo dia vão ser mais difíceis, haverá muito mais pontos no terreno e isso irá fazer com que muitos atletas que estão à frente dele possam vir a ser ultrapassados. Relativamente ao João Pedro Valente, não estava espera de outra coisa porque ele é um dos melhores atletas nacionais de PreO e está claramente a cumprir aquilo que eu esperava dele. O Ricardo Pinto está a ser uma excelente surpresa e esteve à altura duma concorrência fortíssima. Este tipo de terreno encaixa muito no perfil dele e, com um ou outro deslize dos seus adversários mais diretos, quem sabe não teremos aqui uma enorme surpresa.”


Resultados

Classe Aberta

1. Elvio Cereser (Itália) 11/11 pontos (74 segundos)
2. Dusan Furucz (Eslováquia) 11/11 pontos (75 segundos)
3. Koji Chino (Japão) 11/11 pontos (79 segundos)
4. Guntars Mankus (Letónia) 11/11 pontos (84 segundos)
5. Kreso Kerestes (Eslovénia) 11/11 pontos (90,5 segundos)
6. Sharon Crawford (Estados Unidos) 11/11 pontos (101 segundos)
7. Aleksei Laisev (Estónia) 11/11 pontos (103 segundos)
8. Marit Wiksell (Suécia) 11/11 pontos (144 segundos)
9. Antti Rusanen (Finlândia) 10/11 pontos (5 segundos)
10. Geir Myhr Øyen (Noruega) 10/11 pontos (9 segundos)
11. Marko Määttälä (Finlândia) 10/11 pontos (12 segundos)
12. João Pedro Valente (Portugal) 10/11 pontos (16 segundos)
13. Maria Krog Schulz (Dinamarca) 10/11 pontos (20 segundos)
14. Martin Fredholm (Suécia) 10/11 pontos (21 segundos)
14. Vitaliy Kyrychenko (Ucrânia) 10/11 pontos (21 segundos)
14. Eduard Oginskiy (Russia) 10/11 pontos (21 segundos)
(…)
43. Luís Gonçalves (Portugal) 9/11 pontos (77 segundos)
59. Nuno Pires (Portugal) 7/11 pontos (19,5 segundos)

Classe Paralímpica

1. Michael Johansson (Suécia) 11/11 pontos (74 segundos)
2. Inga Gunnarsson (Suécia) 11/11 pontos (92 segundos)
3. Kari Pinola (Finlândia) 10/11 pontos (75 segundos)
4. Egil Sønsterudbraten (Noruega) 10/11 pontos (77,5 segundos)
5. Arne Ask (Noruega) 10/11 pontos (81 segundos)
6. Bohuslav Hulka (República Checa) 10/11 pontos (90,5 segundos)
7. Pavel Dudik (República Checa) 9/11 pontos (10 segundos)
8. Yegor Surkov (Ucrânia) 9/11 pontos (17 segundos)
9. Ola Jansson (Suécia) 9/11 pontos (18 segundos)
10. Marina Borisenkova (Russia) 9/11 pontos (35 segundos)
11. Ricardo Pinto (Portugal) 9/11 pontos (75 segundos)
12. Andrejs Sulcs (Letónia) 9/11 pontos (77 segundos)
13. Pekka Seppä (Finlândia) 9/11 pontos (19,5 segundos)
14. Nobuyuki Takayanagi (Japão) 9/11 pontos (85 segundos)
15. Iryna Kulikova (Ucrânia) 9/11 pontos (103 segundos)

Resultados completos e demais informação em http://www.woc2014.info/wtoc.php.

[Foto: © Newspower Canon / woc2014.info/woc.php]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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