domingo, 13 de julho de 2014

WTOC 2014: Ponto final!



Ponto final no XI Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014. Portugal regressa a casa com os melhores resultados de sempre na bagagem e muito para contar. É sobre a experiência portuguesa no derradeiro dia de competição que hoje nos debruçamos, uma vez mais com a ajuda inestimável de Nuno Pires.


O último dia deste XI Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014 permitiu clarificar as posições relativas em termos dos resultados finais da competição de PreO, dando a conhecer os novos Campeões Mundiais, o letão Guntars Mankus, o sueco Michael Johansson e, na competição por equipas, uma surpreendente Croácia. Entre os portugueses, para além da entrada no top-10 – uma posição que nos coube com inteira justiça -, a “dança” das classificações permitiu perceber o valor aproximado dos nossos atletas, a sua homogeneidade performativa e, sobretudo, a grande margem de progressão que todos eles apresentam. Talvez, também, a ausência daquela pontinha de sorte que é apanágio dos campeões, mas isso é outra história.

Começando pela Classe Paralímpica, o 16º lugar de Ricardo Pinto não pode deixar de ser considerado excelente. Aos 9 pontos do primeiro dia, somou Pinto 14 no segundo dia e, com eles, um lugar final no top-20, afinal o desejo expresso do atleta à partida para Itália. Na Classe Aberta, João Pedro Valente, Luís Gonçalves e Nuno Pires tiveram prestações muito positivas no segundo dia e, embora Valente tenha caído para a 23ª posição, Luís Gonçalves subiu 5 lugares e concluiu no 38º lugar, enquanto Nuno Pires recuperou sete posições, logrando alcançar a 52ª posição num universo de 64 participantes. Objetivamente, trata-se de posições excelentes em ano de estreia de qualquer um dos atletas em competições de PreO ao mais alto nível e que devem ser vistas como fruto do bom trabalho desenvolvido em torno desta disciplina, sobretudo nos últimos dois anos.


Um destes dias as coisas irão cair para o nosso lado”

As impressões de Ricardo Pinto acerca deste 16º lugar dão nota do seu contentamento: “Estou muito satisfeito com o resultado, o melhor que eu consegui até hoje numa grande competição internacional”, disse. “Fazer sempre o melhor que sei e posso” constitui, para o atleta, o grande objetivo e acrescenta: “Procurarei participar no maior número de competições que puder – nacionais e internacionais -, mas o futuro será sempre em frente, sempre a subir”.

João Pedro Valente comenta assim este seu lugar no top-25: “Teria sido um resultado muito bom antes de começar a competição mas, após o primeiro dia e depois de ver como foi a prova neste segundo dia, ficou a sensação de que poderia ter sido muito melhor.” O atleta lamenta, sobretudo, o facto de ter estado muito perto do 12º lugar final, à distância dum escasso ponto: “Fica um amargo de boca ainda maior, porque eu tive a resposta correta num dos pontos aí durante dez minutos e, no momento de a assinalar, decidi mudar de ideias. Tinha dúvidas, naturalmente, mas estas coisas deixam um sabor bastante amargo.” Valente deixa igualmente críticas à prova, salientando que, “apesar do percurso estar bem pensado e com desafios interessantes, o critério mudou completamente em termos da tolerância em relação ao primeiro dia e aos dois Model Event, sobretudo nalguns pontos. Penso que isso é injustificável, que o critério deveria ser uniforme ao longo de toda a competição e que, desta forma, o fator sorte acabou por ter um peso que não deveria sequer existir.” Uma palavra final para a prestação global da nossa equipa: “Fica a sensação que estivemos lá muito pertinho. Desta vez não aconteceu, mas pode vir a acontecer e tenho a certeza que um destes dias as coisas irão cair para o nosso lado”.


Quero contribuir para que haja boas provas em Portugal”

Um dos atletas que subiu na classificação em relação ao primeiro dia foi Luís Gonçalves, que avalia assim a sua prestação: “As coisas correram melhor que no primeiro dia e estou satisfeito. Penso que respondi aos problemas com grande certeza e dificilmente mudaria a minha opinião.” Já quanto ao resultado final, a coisa passa a não ser vista assim de forma tão positiva: “É um resultado que fica aquém do meu objetivo, que era o top-25. Sobretudo no primeiro dia tomei duas decisões erradas e isso penalizou-me muito.” Agora resta melhorar e treinar, uma vez que “os Campeonatos do Mundo na Croácia estão nos meus planos”. É essa a aposta do atleta nos próximos tempos - “sem privilegiar o PreO ou o TempO” -, mas também “quero contribuir para que haja boas provas em Portugal, que mais gente apareça e que haja competição”, referiu a terminar.

Numa análise à prestação do selecionado português na competição por Equipas, Nuno Pires começou por dizer que “parecendo um resultado modesto, o 9º lugar é um excelente resultado, a dois pontos apenas da Noruega, que ficou na 5ª posição”. O Responsável pela comitiva portuguesa salienta que “apesar de não termos tido nenhuma classificação de topo em termos individuais, este resultado é fruto de três boas pontuações e é a primeira vez que tal acontece em Campeonatos do Mundo. Até porque, tipicamente, a componente Paralímpica não estava à altura da componente Aberta, o que não aconteceu neste WTOC e o Ricardo contribuiu praticamente da mesma forma que os atletas da Classe Aberta para o bom resultado final.” Falando da sua prestação neste último dia de provas, Nuno Pires nota que entrou “sem pressão”, acrescentando: “Tanto entrei sem pressão que falhei logo dois pontos que não devia ter falhado. Mas depois recuperei, comecei a tomar boas decisões e muito rapidamente, andei boa parte da prova sem ninguém por perto e, portanto, sem razões para me desconcentrar, fiz uma boa leitura de mapa e o resultado foi bom”. Em suma: “Hoje fiquei contente com a minha prestação, mas estou sobretudo satisfeito com a prestação da equipa no seu geral. O meu papel aqui foi um bocado 'híbrido' e ser, entre aspas, jogador e treinador, faz com que sinta um prazer especial quando a equipa se porta bem”, concluiu.


Do lado de cá da barricada

Presença assídua no Orientovar ao longo de toda a semana, o XI Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014 foi alvo duma cobertura tão exaustiva quanto possível, em muito valorizada pelos apontamentos dos nossos atletas presentes em Itália e que possibilitaram contextualizar devidamente as várias incidências duma multipla jornada, para mais tarde recordar. Assim, fica aqui uma palavra de agradecimento e reconhecimento pelo trabalho de Nuno Pires, pelo seu cuidado em dar conta, dia após dia, daquilo que se foi passando. Ele foi “jogador e atleta”, mas foi igualmente um repórter excelente, ajudando a pôr na ordem do dia uma disciplina que nos é querida e logo naquele que é o mais importante evento do calendário internacional de Orientação de Precisão. Este agradecimento é extensivo aos restantes atletas – Ricardo Pinto, João Pedro Valente e Luís Gonçalves –, cuja disponibilidade na partilha de impressões foi preciosa.

A última palavra vai para o trabalho do jornalista, “do lado de cá da barricada”, um trabalho solitário e, nem sempre, muito bem compreendido, mas que teve na contabilização das visitas e mensagens deixadas pelos visitantes, pelo menos desta vez, um excelente e motivador retorno. Que isto possa constituir a demonstração de que há cada vez mais interesse por esta disciplina e que esse interesse se venha a traduzir em mais e melhor competição, em mais e melhores atletas, são o meu maior desejo. Uma palavra de agradecimento, ainda, para algumas fontes onde foi possível recolher informação adicional, nomeadamente através das publicações de Marco Giovannini, Ole-Johan Waaler, Bosse Sandström e da seleção de TrailO dos Estados Unidos. Muito obrigado por partilharem as vossas opiniões, impressões e fotos.

Para consulta de resultados e demais informação, não deixe de visitar a página dos Campeonatos, em http://www.woc2014.info/wtoc.php.

[Foto gentilmente cedida por Susana Pontes]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido
 

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