sábado, 12 de julho de 2014

WTOC 2014: Mankus, Johansson e Croácia, os grandes vencedores do PreO



Guntars Mankus e Michael Johansson são os novos donos do ceptro mundial de PreO. Numa competição particularmente cerrada, a Croácia arrebatou, surpreendentemente, o título mundial por Equipas, enquanto Portugal voltou a fazer um brilharete, com Ricardo Pinto no 16º lugar da Classe Paralímpica e o 9º lugar coletivo, a escassos dois pontos dos lugares de honra.


Chegou hoje ao fim, em Campomuletto, o XI Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014. Marcado novamente por uma enorme contestação, esta jornada teve para oferecer um percurso muito técnico e desafiante, com 20 pontos de controlo e um “extra” de três cronometrados, colocando à prova as qualidades e capacidades dos 100 participantes no conjunto de ambas as classes, Aberta e Paralímpica.

Fazendo um ponto da situação e começando pela Classe Paralímpica, os suecos Michael Johansson e Inga Gunnarsson partiam para o segundo dia de competição na liderança, tendo atrás de si, à distância de um ponto, o finlandês Kari Pinola, os noruegueses Arne Ask e Egil Sønsterudbråten e o checo Bohuslav Hulka. O título europeu conquistado no passado mês de Abril em Portugal, dava Michael Johansson como favorito na bolsa de apostas, mas todos sabemos que no desporto não há vencedores antecipados. Já quanto à Classe Aberta, as coisas apresentavam-se sobremaneira mais confusas. Entre os oito “totalistas” que seguiam na liderança, o nome da sueca Marit Wiksell era o mais citado para suceder ao finlandês Jari Turto, mas o tempo perdido nos pontos cronometrados (com duas respostas incorretas) poderia constituir um forte “handicap”. Por outro lado, ter ao seu lado no grupo nomes como os do esloveno Kreso Kerestes, campeão do mundo em 2007, do letão Guntars Makus ou do estoniano Aleksei Laisev, entre outros, não era minimamente tranquilizador. E menos tranquilizador se tornava se pensarmos que, à distância de um ponto apenas, seguiam outros grandes candidatos à vitória final, do ucraniano Vitaliy Kyrychenko ao sueco Martin Fredholm, do finlandês Antti Rusanen, ao norueguês Martin Jullum ou à alemã Anne Straube.


O “ano dourado” de Johansson

Um dos primeiros atletas a partir e, logicamente, a concluir a sua prova, Nuno Pires dava a conhecer na emissão “ao vivo as suas impressões: “Achei esta prova não tão complicada quanto estava à espera e penso que a luta pelo título mundial irá ser muito apertada, com um número muito grande de atletas a responder acertadamente”, acrescentando ainda esperar que “pelo menos um atleta português possa estar nesse grupo”. O competidor português não deixava de ter razão, mas... A verdade é que, apesar de ninguém ter respondido acertadamente a todos os problemas, foram nove os atletas na Classe Aberta que concluiram com 19 respostas correctas em 20 possíveis. Já na Classe Paralímpica, o britânico John Crosby foi o único a lograr tal prestação, seguido dum grupo de três atletas com menos um ponto. Agora era apenas uma questão de fazer contas.

Começando pela Classe Paralímpica, ao ser um dos três atletas a concluir esta segunda etapa com 18 pontos, Michael Johansson chegou ao título mundial pela primeira vez na sua carreira com um total de 29 pontos. Um título que acumula com o de Campeão Europeu neste “ano dourado” de 2014 e que faz esquecer o 6º lugar de Miskolc (Hungria, 2009), o melhor alcançado anteriormente. Igualando o resultado de Johansson na decisiva etapa, o tri-campeão mundial Ola Jansson (Suécia) ascendeu à segunda posição final com 27 pontos, enquanto o britânico John Crosby subiu 18 lugares na geral para fechar o pódio com os mesmos pontos de Jansson, repetindo o bronze nove anos depois dos Mundiais de Aichi, no Japão. A excelente prestação do croata Ivica Bertol valeu-lhe pular 22 lugares na classificação e fixar-se no quinto lugar final, enquanto na quarta posição ficou o checo Pavel Dudik, vice-campeão mundial em 2013. Classificado no 11º lugar à partida para esta última jornada, o português Ricardo Pinto viria a fazer uma prova que deve ser considerada excelente, concluindo na 18ª posição com 14 pontos. Com este resultado, o atleta português acabou por fixar-se no 16º lugar da Geral com um total de 23 pontos, apagando por completo os modestos resultados das duas anteriores participações (Escócia 2012 e Finlândia 2013) e quedando-se com o melhor resultado de sempre dum atleta português em Campeonatos do Mundo de PreO.


Ouro histórico para a Letónia

Analisando a competição no que à Classe Aberta diz respeito, o letão Guntars Mankus foi o grande vencedor, logo seguido da sueca Marit Wiksell. Eles foram, na verdade, os únicos atletas a integrar os grupos de totalistas em ambos os dias, pelo que o tempo nos pontos cronometrados acabou por ser determinante no apuramento do Campeão do Mundo. Wiksell tinha precisamente aqui o seu maior problema, como já foi dito, e a verdade é que no segundo dia também não esteve bem e voltou a errar dois dos três pontos cronometrados. Mankus também não fez melhor, mas uma única resposta incorreta nos dois pontos cronometrados do primeiro dia permitiram-lhe uma vantagem de 60 segundos sobre a sueca, traduzida no final em 37 segundos graças à maior rapidez de resposta de Wiksell mas, ainda assim, uma margem suficiente para garantir o triunfo. A Letónia alcança assim uma medalha histórica, inscrevendo pela primeira vez o seu nome no Quadro de Honra dos Campeonatos do Mundo. Um triunfo pessoal particularmente saboroso para Guntars Mankus, um atleta que tinha como melhor o 13º lugar dos Mundiais da Finlândia, em 2013, depois dum 51º lugar na Escócia em 2012 e da 24ª posição na estreia, em França, em 2011. Quanto a Marit Wiksell, atleta que se vem revelando como um dos maiores expoentes do TempO mundial, conquista aqui a sua primeira medalha em Campeonatos do Mundo na vertente de PreO.

As excelentes prestações do norueguês Geir Myhr Øyen, em particular neste segundo dia de provas, valerem-lhe a medalha de bronze, naquilo que constitui o regresso da Noruega aos pódios da competição de PreO, longos sete anos depois do terceiro lugar de Ole-Johan Waaler nos Mundiais de Kiev, na Ucrânia. Subindo dez lugares na classificação, o ucraniano Vitaliy Kyrychenko acabou por fixar-se na quarta posição, depois de ter registado a melhor prestação na decisiva etapa. Valerá a pena notar que Kyrychenko foi um dos atletas penalizados com um ponto no primeiro dia de provas, por ter excedido o tempo limite definido pela organização. Sem esta penalização, Kyrychenko teria repetido a prestação de 2009, nos Mundiais da Hungria, e sido – apenas - Campeão do Mundo! Beneficiando igualmente dum grande resultado neste último dia de competição, o finlandês Marko Määttälä e o croata Zdenko Horjan concluiram no 5º e 6º lugar, respetivamente, enquanto o estoniano Aleksei Laisev, 7º classificado e a dinamarquesa Maria Krog Schulz, na 9ª posição, colocavam pela primeira vez os seus países no top-10 dum Mundial de PreO, no que à Classe Aberta diz respeito.


João Pedro Valente, o melhor português

Portugal estreou três atletas na competição Aberta e o menos que se poderá dizer é que a presença lusa nestes Campeonatos do Mundo foi excelente. João Pedro Valente viria a cotar-se como o nosso melhor representante no 23º lugar com 27 pontos, superando largamente o melhor resultado anterior e que vinha de 2013, graças ao 34º lugar de Alexandre Reis. Com menos um ponto que o seu colega de equipa, Luís Gonçalves foi 38º classificado, enquanto Nuno Pires concluiu no 52º lugar com 23 pontos, entre 64 atletas.

Finalmente a competição por Equipas, a qual se revelou um prolongamento daquilo que sucedeu na Classe Aberta individual no que às surpresas diz respeito. Ao conseguir um total de 56 pontos, a Croácia chegou à vitória de forma inesperada, relegando para a segunda posição a formação da Suécia, que terminou com 55 pontos. Uma vitória histórica duma formação que, nos últimos anos, vinha a ameaçar as duas grandes potências – Suécia e Finlândia – e que chega finalmente à vitória, precisamente no ano que antecede a organização dos Mundiais em solo croata. Finlândia que caiu inesperadamente para o 6º lugar, provocando uma luta tremenda pela medalha de bronze onde valeu o maior acerto da Letónia ante uma aguerrida Ucrânia. Constituída por João Pedro Valente, Luís Gonçalves e Ricardo Pinto, a seleção portuguesa conquistou um lugar no top-10, concluindo na 9ª posição com 48 pontos, a dois pontos dos lugares de honra e à frente da poderosa Rússia.


Resultados

Classe Aberta
1. Guntars Makus (Letónia) 30 pontos (256 segundos)
2. Marit Wiksell (Suécia) 30 pontos (293 segundos)
3. Geir Myhr Øyen (Noruega) 29 pontos (103 segundos)
4. Vitaliy Kyrychenko (Ucrânia) 29 pontos (110 segundos)
5. Marko Määttälä (Finlândia ) 29 pontos (126 segundos)
6. Zdenko Horjan (Croácia) 29 pontos (165,5 pontos)
7. Aleksei Laisev (Estónia) 29 pontos (273,5 pontos)
8. Kreso Kerestes (Eslovénia) 29 pontos (337,5 segundos)
9. Maria Krog Schulz (Dinamarca) 28 pontos (68 segundos)
10. Antti Rusanen (Finlândia) 28 pontos (101,5 segundos)
(…)
23. João Pedro Valente (Portugal) 27 pontos (167 segundos)
38. Luís Gonçalves (Portugal) 26 pontos (264 segundos)
52. Nuno Pires (Portugal) 23 pontos (85,5 segundos)

Classe Paralímpica
1. Michael Johansson (Suécia) 29 pontos (313 segundos)
2. Ola Jansson (Suécia) 27 pontos (73,5 segundos)
3. John Crosby (Grã-Bretanha) 27 pontos (301,5 segundos)
4. Pavel Dudik (República Checa) 25 pontos (101 segundos)
5. Ivica Bertol (Croácia) 25 pontos (200 segundos)
6. Bohuslav Hulka (República Checa) 25 pontos (250,5 pontos)
7. Inga Gunnarsson (Suécia) 25 pontos (259,5 segundos)
8. Marina Borisenkova (Rússia) 24 pontos (135 segundos)
9. Egil Sønsterudbraten (Noruega) 24 pontos (164 segundos)
10. Pekka Seppä (Finlândia) 24 pontos (193,5 segundos)
(…)
16. Ricardo Pinto (Portugal) 23 pontos (179 segundos)

Competição por Equipas
1. Croácia (Zdenko Horjan, Ivo Tisljar, Ivica Bertol) 56 pontos (265 segundos)
2. Suécia (Marit Wiksell, Michael Johansson, Martin Fredholm) 55 pontos (122 segundos)
3. Letónia (Guntars Mankus, Janis Ruksans, Andrejs Sulcs) 52 pontos (263 segundos)
4. Ucrânia (Vitaliy Kyrychenko, Mykola Opanasenko, Yegor Surkov) 51 pontos (211 segundos)
5. Noruega (Lars Jakob Waaler, Martin Jullum, Egil Sønsterudbraten) 50 pontos (121,5 segundos)
6. Finlândia (Antti Rusanen, Jari Turto, Kari Pinola) 50 pontos (168 segundos)
7. República Checa (Tomás Lestinsky, Libor Frost, Pavel Dudik) 50 pontos (280,5 segundos)
8. Dinamarca (Maria Krog Schulz, Vibeke Vogelius, Søren Saxtorph) 49 pontos (240,5 segundos)
9. Portugal (João Pedro Valente, Luís Gonçalves, Ricardo Pinto) 48 pontos (314,5 segundos)
10. Russia (Dmitry Dokuchaev, Marina Borisenkova, Pavel Shmatov) 45 pontos (295 segundos)

Resultados completos e demais informação em http://www.woc2014.info/wtoc.php.

[Foto: Ivo Tisljar / facebook.com/ivo.tisljar/]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido
 

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