segunda-feira, 7 de julho de 2014

WOC 2014: Título mundial de Estafeta Mista de Sprint para a Suiça



Constituída por Rahel Friedrich, Martin Hubmann, Matthias Kyburz e Judith Wyder, a equipa da Suiça foi a grande vencedora da Estafeta Mista de Sprint que preencheu o programa deste segundo dia de competição do XXXI Campeonato do Mundo de Orientação Pedestre WOC 2014. Uma vitória que contrariou o favoritismo da Dinamarca e que eleva ao estrelato destes Mundiais a bandeira helvética e, em particular, o nome de Judith Wyder.


Quando a lista de partidas foi publicada ao final da tarde de ontem, o nome da Dinamarca passou a estar nas bocas de todos, agora com mais insistência e num tom verdadeiramente assertivo. A demonstração de classe dos seus atletas nas finais masculina e feminina de Sprint do passado sábado e as três medalhas conquistadas – em particular, esse tão inesperado como sensacional ouro de Søren Bobach – conferiam-lhes já uma enorme fatia de favoritismo no tocante à vitória na Final de Estafeta Mista de Sprint, um modelo de prova que fez a sua estreia no programa da mais importante competição do calendário internacional de Orientação Pedestre e que contou com a participação de 34 seleções de quatro elementos cada (dois femininos e dois masculinos). Mas olhar para a lista e perceber a ausência de Daniel Hubmann no seleccionado Suiço ou de Tove Alexandersson na turma da Suécia fez reforçar ainda mais a ideia de que a Dinamarca iria fazer uma prova à parte, deixando em aberto a luta pela prata e pelo bronze, numa disputa que se adivinhava acesa entre as já referidas Suécia e Suiça, mas também com a Grã-Bretanha e a Rússia ou mesmo a Finlândia, a Ucrânia ou a Austrália à espera dum deslise. O desenrolar da prova viria a confirmar, uma vez mais, que “previsibilidade” é um termo que casa mal com “Orientação”.

Na chuvosa tarde de Trento, começou na frente a Dinamarca, precisamente, com Emma Klingenberg a fazer o primeiro percurso em 14:32, deixando imediatamente atrás de si, com mais 3 e 8 segundos, respetivamente, a russa Anastasiya Tikhonova e a suiça Rahel Friedrich. Mas com menos de um minuto a separar as primeiras 19 equipas, absolutamente nada estava definido. O segundo percurso teve no belga Yannick Michiels o grande protagonista ao receber o testemunho das mãos de Miek Fabre na 12ª posição, a 33 segundos da liderança, e a ser o primeiro no final do seu percurso, com um tempo total de 29:50. Tue Lassen viria a perder 37 segundos para Michiels e a Dinamarca era agora segunda classificada, enquanto na terceira e quarta posições seguiam Rússia e Suiça, a 15 e 21 segundos da liderança, respetivamente.


Vitória apertada

A corrida entra então na sua fase decisiva e ao Campeão do Mundo de Sprint em título, Søren Bobach, compete recuperar a liderança. O belga Tomas Hendrickx rapidamente se torna presa fácil, mas é sobretudo aqui que a generalidade das equipas joga a grande cartada. Longe da gloriosa jornada de sábado à tarde, Søren Bobach baqueia de forma inesperada e, ao invés, o suiço Matthias Kyburz faz uma prova sensacional. No arranque para o decisivo percurso, a Suiça lidera com um tempo total de 44:58 e uma vantagem de 18 segundos sobre a Rússia e a Suécia, 19 segundos sobre a Dinamarca e 20 segundos sobre a Áustria. Com Judith Wyder, a Campeã do Mundo de Sprint em título, no derradeiro percurso, os helvéticos querem fazer história e garantir o primeiro título de Estafeta Mista de Sprint da história dos Campeonatos do Mundo. Será o reeditar das emoções dos Jogos Mundiais de Cali, em 2013, mas desta vez com um sabor ainda mais especial.

E na verdade assim virá a acontecer, embora a conquista desta medalha de ouro não venha a ser tão fácil quanto seria de imaginar. Judith Wyder parte, como se disse, com uma vantagem de 18 segundos sobre as suas mais diretas adversárias, consegue inclusivamente ampliar essa vantagem para os 28 segundos sobre a Suécia, ainda na primeira parte do percurso, e tem a prova controlada. Mas duas más opções - a caminho do ponto 6, primeiro, e mais tarde na pernada longa para o ponto onze - fazem com que a dinamarquesa Maja Moeller Alm consiga recuperar preciosos segundos, aproximando-se perigosamente da atleta suiça. Nos metros finais, Wyder voltou a mostrar o porquê de ser a campeã do mundo, conseguindo manter a sua adversária a uma distância segura e vencendo pela escassa margem de três segundos. Galina Vinogradova esteve igualmente sensacional, levando a melhor no confronto direto com Lena Eliasson e dando a medalha de bronze à Rússia.


Portugal conclui no 21º lugar

Portugal marcou igualmente presença nesta final, terminando no 21º lugar com o tempo final de 1:05:05. Mariana Moreira completou o percurso inicial em 15:39, o que ia valendo a 21ª posição. Tiago Romão teve uma boa entrada no segundo percurso, as cores de Portugal ainda chegaram a rolar na 16ª posição, mas no final João Mega Figueiredo receberia o testemunho das mãos do seu companheiro no 22º lugar. No terceiro percurso, o atleta português ainda viria a recuperar um lugar e, com ele, a esperança de Portugal concluir esta prova no top-20, mas Vera Alvarez seria incapaz de inverter a posição das nossas cores. A atleta portuguesa ainda conseguiu ultrapassar a alemã Sabine Rothaug, mas Ewa Gwozdz foi mais forte e garantiu para a Polónia o 20º lugar.


Resultados

1. Suiça 59:04
2. Dinamarca 59:07 (+ 0:03)
3. Russia 59:15 (+ 0:11)
4. Suécia 59:25 (+ 0:21)
5. Ucrânia 1:00:15 (+ 1:11)
6. Grã-Bretanha 1:00:24 (+ 1:20)
7. República Checa 1:00:32 (+ 1:28)
8. Finlândia 1:01:29 (+ 2:25)
9. Lituânia 1:01:44 (+ 2:40)
10. Austrália 1:01:45 (+ 2:41)
(…)
21. Portugal 1:05:05 (+ 6:01)

Resultados completos e demais informação em http://www.woc2014.info/woc.php.

[Foto: © Jan Kocbach / twitter.com/WorldofOLive/]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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