terça-feira, 3 de junho de 2014

Ines Domingues: "Uma das constantes na minha prova foi, definitivamente, o nervosismo"



Foi a grande surpresa – ou talvez não! - do I Campeonato Nacional de TempO, realizado no passado sábado em Cantanhede. De ouro ao peito, Ines Domingues fala com a modéstia dos grandes campeões e conta ao Orientovar como foi chegar à vitória na primeira vez que experimentou esta vertente da Orientação de Precisão. Vale a pena escutá-la!


Ao inscrever-se no Dunas TrailO, quais os objetivos e desafios que estabeleceu?

Ines Domingues (I. D.) - Quando me inscrevi na prova, o meu objetivo era principalmente alargar a minha experiência nesta vertente da Orientação. Apenas tinha participado uma vez neste tipo de eventos e somente no PreO, sendo que esta foi a minha estreia no TempO. Não tinha nenhum objetivo específico em termos de classificação; no entanto, tento sempre dar o meu melhor e queria, obviamente, ter uma boa prestação no PreO. Relativamente ao TempO, uma vez que nunca tinha feito este tipo de prova, estava um pouco mais ansiosa e receosa também, se iria ou não ser capaz de enfrentar o desafio.

Depreendo, então, que a aposta era mais no PreO.

I. D. - A aposta era, definitivamente, mais no PreO. Como já sabia o que me esperava e tinha algumas bases, esperava fazer uma melhor prova aqui do que no TempO, o que acabou por não se verificar (muito pelo contrário). Eu tentei preparar-me para ambas as competições, no entanto, não pensei estar realmente pronta para o TempO visto que nunca me tinha encontrado numa situação real de prova onde a pressão se faz sentir muito mais do que em qualquer treino.

De que forma se preparou?

I. D. - Procurei ler o máximo que pude sobre este tipo de provas, para estar o mais familiarizada possível com todos os aspetos, regras e pormenores, que se revelam extremamente mais importantes aqui do que na Orientação Pedestre. E, para além disso, no âmbito do TempO, realizei também alguns exercícios virtuais onde é simulada uma situação de competição e onde pude ter uma primeira noção de como seria no dia na prova.

Há seis anos atrás, referia ao Orientovar o seguinte: “Desde que participo nas provas de Orientação quase sempre tive bons resultados e fui ao pódio, mas nunca vou ficar completamente satisfeita com estes resultados e vou sempre tentar melhorar." Melhor do que o resultado alcançado ontem é praticamente impossível, mas... Estava realmente à espera de ser Campeã Nacional de TempO, a primeira da história da disciplina em Portugal?

I. D. - Eu não estava realmente nada a espera de vencer esta competição e foi com muito espanto que vi o meu nome no primeiro lugar da lista. Nunca pensei que na minha primeira tentativa neste tipo de prova me conseguisse adaptar tão bem e, muito menos, atingir um resultado tão bom. Confesso que até ver a lista de resultados não fazia ideia de que a prova me tinha corrido tão bem assim. Tinha noção de alguns dos pontos que tinha errado, mas não fazia ideia se o tempo que tinha demorado era muito ou não. Fiquei mesmo espantada ao ver a minha classificação.

Quer falar um pouco da sua prova?

I. D. - Uma das constantes na minha prova foi, definitivamente, o nervosismo. Só o facto de saber que estava a ser cronometrada, tornava mais difícil conseguir concentrar-me e analisar bem o terreno. Pensei que a ansiedade diminuísse à medida que avançava nas estações mas sentia-me em todos os pontos como se fosse o primeiro. Isso acabou, no entanto, por ser um aspeto a meu favor, que me fez ser mais rápida e não perder tanto tempo em cada estação. Contudo, o fator pressão acabou também por me fazer cometer erros, alguns deles muito básicos. Apesar disto, a rapidez conseguiu compensar estes erros, acabando, no final, por conseguir um bom resultado.

E no PreO? Seis pontos falhados não é famoso...

I. D. - O PreO, efetivamente, não me correu como esperava. Houve muitos pontos em que fiquei com dúvidas e não consegui encontrar a melhor solução para chegar a uma conclusão definitiva e noutros a visibilidade reduzida tornava muito complicado conseguir resolver o desafio apresentado. Tentei usar todas as técnicas que conhecia mas mesmo assim não foi suficiente. Resta-me agora continuar a treinar e a participar nestas provas para ganhar mais experiência e ir aprendendo.

Dum modo geral, como é que avalia a organização do Dunas TrailO?

I. D. - Penso que a organização conseguiu corresponder às expectativas, tanto no PreO como no TempO. O único ponto negativo terá sido o tempo de espera entre as duas provas, sendo que entre as várias estações do TempO a espera era reduzida. Tecnicamente, acho que ambas as provas estiveram bem configuradas, havendo uma grande variedade de desafios em ambas.

Já no próximo dia 14 de junho, o seu clube organiza o II Campeonato Nacional de PreO. Vai poder participar na competição?

I. D. - Eu encontro-me precisamente na equipa responsável pela organização do PreO pelo que não poderei participar na prova.

A Orientação de Precisão em Portugal segue no bom caminho?

I. D. - A Orientação de Precisão tem um longo caminho a percorrer no nosso país. É uma vertente da modalidade ainda muito recente e com pouca adesão, mas penso que está bem encaminhada. Acho que devem continuar a ser realizados este tipo de eventos e, se possível, em maior número. Organizações destas acarretam muito esforço, paciência e dedicação, contudo acho que valem a pena e reforçam aquilo que diferencia a Orientação da maioria dos desportos, a parte técnica, que nesta disciplina é evidenciada ao máximo.

Depois de ter falhado o ETOC, sei que a Comissão Técnica de Orientação de Precisão da FPO abriu a possibilidade de ir a Itália, aos Campeonatos do Mundo. Como vê esta oportunidade?

I. D. - Acho que é uma oportunidade fantástica para alargar a minha experiência na Orientação de Precisão. Depois do ETOC, não queria realmente perder outra oportunidade destas, porém há vários fatores a ter em conta e ainda não tomei uma decisão definitiva.

E o futuro? Vamos vê-la mais ligada à Orientação de Precisão e a dar-nos grandes alegrias ou a prioridade é e será sempre a Orientação Pedestre?

I. D. - O que me atraiu na Orientação de Precisão foi o facto de se focar na parte técnica da Orientação, na parte do raciocínio, tornando-o o ponto fulcral destas competições. Cada ponto é um desafio, assim como na Orientação Pedestre, todavia mais elaborado, mais intenso. Para tornar este desafio ainda mais aliciante, na minha opinião, há a variante cronometrada, em que a técnica é aliada à rapidez e a pressão é uma constante. Apesar de tudo isto, a Orientação Pedestre não fica para trás e continua a ser a prioridade. No entanto, sempre que houver possibilidade, pretendo continuar a participar em ambos os tipos de provas.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Sem comentários: