quarta-feira, 11 de junho de 2014

Antti Rusanen: "O TempO é uma questão de equilíbrio entre a velocidade e o risco duma resposta errada"


Foi o segundo classificado “apenas” na competição de PreO dos recentes Campeonatos da Europa, perdendo o título no tempo gasto nos pontos cronometrados. Mas vingou-se na competição de TempO, conquistando a medalha de ouro com todo o mérito. Com a Inside Orienteering, Antti Rusanen regressa ao dia 16 de Abril, recordando os momentos em que foi coroado o primeiro Campeão Europeu de TempO de sempre.


Conseguiu ser a primeira pessoa a inscrever o seu nome a ouro no Livro de Honra dos Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão, na competição de TempO. Que significado tem este título para si?

Antti Rusanen (A. R.) - É uma vitória muito saborosa, sobretudo depois do desconsolador quarto lugar em Vuokatti, no Verão passado.

Onde reside a chave do sucesso numa competição de TempO?

A. R. - O TempO é uma questão de equilíbrio entre a velocidade e o risco duma resposta errada. Na final do ETOC eu estive mais lento do que nas qualificatórias, ao passo que muitos outros competidores foram mais rápidos mas cometeram erros. Mas passa tudo, claro, pela questão de compreender logo à partida a relação entre o mapa e o terreno.

O somatório de segundos levou-o ao lugar mais alto do pódio no TempO, ao mesmo tempo que lhe negava o título de PreO. A forma como o cérebro está “formatado” é diferente, dependendo se nos deparamos com uma competição de PreO ou de TempO?

A. R. - O meu cérebro sentiu-se, de longe, muito mais confortável com o mapa de TempO “novinho em folha” do que com o velhinho mapa atualizado que fui usado no PreO. Mas devo admitir que, ainda hoje, não consigo compreender muito bem como é que não fui capaz de resolver os pontos cronometrados do PreO de forma mias lesta.

Quase consigo adivinhar a resposta, mas ainda assim, pergunto-lhe o que prefere em primeiro lugar: PreO ou TempO?

A. R. - Gosto de ambos. Numa competição de PreO é necessário empenharmo-nos durante horas sem cometer um único erro. É um teste à qualidade na análise e leitura de mapas bem como à capacidade de concentração. Quando atingimos o pleno de respostas corretas, sobretudo num evento com uma duração superior a um dia, tem-se a noção da prova perfeita. Já o TempO exige uma leitura de mapa agressiva e os erros podem ser compensados com a velocidade. Também a questão tática está mais presente no TempO do que no PreO.

Alguns antevêem um grande futuro para o TempO e, ao mesmo tempo, falam dum PreO em fase descendente, uma “espécie em vias de extinção”. Partilha desta opinião?

A. R. - De modo algum podemos falar do Preo como uma “espécie em vias de extinção”. Acredito que a maioria dos trailorientistas, inclusivamente, prefira o PreO ao TempO, já que ele exige uma capacidade de abordagem ao mapa mais diversificada. Já os jovens mostram-se mais atraídos pelo TempO pela questão da velocidade na leitura do mapa.

A última pergunta leva-nos até Itália onde, dentro de um mês, tem lugar o Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2014. Fazer melhor do que em Portugal implica a conquista de três medalhas de ouro. É esse o grande objetivo?

A. R. - Sim, certamente irei lutar pelas três medalhas de ouro. Mas já ficarei muito satisfeito se conseguir repetir a prestação de Palmela.

[Leia o artigo original em http://orienteering.org/edocker/inside-orienteering/2014-3/InsideOrient%203_14p.pdf. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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