terça-feira, 29 de abril de 2014

Nuno Pires: "Pessoalmente foi o cumprir dum objetivo"


Membro da Comissão de Orientação de Precisão da Federação Portuguesa de Orientação e um dos principais pilares desta jovem disciplina no nosso País, Nuno Pires protagonizou em Palmela, juntamente com João Pedro Valente, um dos momentos mais altos da participação portuguesa no ETOC 2014. A sua presença na Final de TempO foi mais uma achega na afirmação de Portugal no panorama da Orientação de Precisão mundial. Disso e muito mais nos fala o atleta e técnico, numa longa Entrevista que vale a pena ler com atenção.


Agora que os ecos dos Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão se vão esgotando, começaria por lhe perguntar quais as imagens que guarda na memória de forma mais marcante.

Nuno Pires (N. P.) - Se fizer um exercício para recordar todo o ETOC 2014, há com toda a certeza alguns momentos que vão prevalecer como fotos do meu álbum de memórias. Para começar, a primeira reunião da equipa no Pinhal Novo, na véspera do Model Event. Será fácil perceber porque foi tão especial, já que tenho a noção que nos próximos anos não será possível juntar uma seleção Portuguesa de Precisão com 10 elementos equipados a rigor e a participar num Campeonato desta envergadura. Foi em Portugal, tinhamos a possibilidade de os inscrever e levar à competição este número simpático de atletas, com dignidade e limitações de orçamento, num esforço da FPO em nos proporcionar as condições possíveis na atual conjuntura, e apesar da nossa pouca experiência, estarmos com um espiríto de competição e motivação idêntico a qualquer grande seleção, mas sem a pressão dos resultados e os focos da imprensa apontados à cabeça.

Depois, lembro-me da madrugada do Model Event, ainda no alojamento, ao espelho, e já equipado com as cores nacionais, do orgulho de ser português e puder representar o meu país, por esforço, sacrifício pessoal, familiar e mérito. A seguir, no carro, no trajeto para o Vale de Barris, a ouvir no rádio e cantar bem alto “Happy”, do Pharell Williams, porque era assim que me sentia. Algo que me recordo também como uma imagem deste ETOC foi a possibilidade de almoçar diariamente no local de competição com todo o grupo, permitindo ainda no rescaldo das provas analisar cada prestação individual, trabalhar e discutir aspetos técnicos, dando alento aos menos afortunados e congratulando os que mais se destacaram a cada dia, sempre em prol dum bem comum.

Claro que o momento alto da minha participação foi a prestação na Qualificatória do TempO, que me deu acesso à final. Neste dia, o que me fica na memória foi a surpresa de aparecer inicialmente em oitavo lugar, mas já com um número de atletas classificados que dificilmente me colocaria fora dos 18 apurados. A conta foi fácil de fazer e consistiu em perceber quantos nórdicos ainda não tinham acabado e pensar no pior cenário possível, o que não se veio a verificar. Lembro-me da ansiedade do João Pedro Valente, durante cerca de duas horas a aguardar que os resultados se tornassem finais e que conseguisse o apuramento. Ele estava no fio da navalha por segundos, e a cada funcionamento da impressora o gume ficava mais aguçado. Essa imagem não vou esquecer, quando ele confirmou a presença na Final, e que em troca deste momento, ambos falhámos o desfile das Nações em Palmela por meros cinco minutos. Valeu o grande abraço que demos quando a alegria o tomou de assalto, para compensar a nossa falta.

Da final do TempO, recordo a zona da Quarentena, da ausência quase total de atletas latinos, das trocas de olhares que procuravam disfarçar o nervosismo generalizado, do respeito evidente pelas grandes figuras mundiais da modalidade, que agora já reconhecia, e a sensação inversa, da minha intromissão num grupo tão restrito de nomes importantes, do achar que estariam a perguntar “Quem é este português?”, nem que seja uma vez na vida. A ida a pé para a primeira estação, num grupo com a presença do famoso Remo Madella, ou seja, quem mais perto de mim ficou no resultado geral da Qualificatória. Depois guardo, não a imagem mas o filme da Final, a disfrutar o momento, a arriscar demasiado na primeira estação, a perceber se conseguiria manter uma rapidez de resposta e paralelamente alguma certeza nas decisões. No final, o resultado ficou abaixo da minha expetativa, visto que tinha apontado como objetivo depois da Qualificatária a entrada no top 20, que seria uns furitos acima do apuramento, mas ainda dentro duma visão realista.

Como alguém do grupo de seleção já escreveu, para primeira experiência internacional, ir à final, entre cerca de cem atletas e ficar em 33º só pode ser considerado um excelente resultado e de balanço positivo. E eu estou de acordo com essa opinião, pese embora pudesse ter encontrado outro equilibrio no compromisso velocidade de resposta vs acertos, obtendo um score mais baixo, não tão causticado pelas penalizações por decisões erradas.

Esse seu apuramento [e do João Pedro Valente] para a final não deixa de constituir um feito histórico e que nos coloca num patamar deveras interessante, para quem está a dar os primeiros passos nesta disciplina. Estava à espera que isso acontecesse? Onde residiu o segredo de tão excelente resultado?

N. P. - Pessoalmente, e apesar o ter previamente expresso em casa e ao grupo de seleção, em tom de brincadeira, era o meu objetivo chegar à Final, ou melhor, participar nos dias todos de competição, o que implicava tal feito. Não houve segredo, houve um trabalho essencialmente mental, de apuro de concentração, que herdo dos meus tempos de basquetebolista, treino de reação, em computador, para lidar com a pressão das respostas, algum treino de TempO, na Internet, para me adaptar ao conceito, estudo de mapas, principalmente duma prova realizada precisamente num campo de golfe, com vista a criar um modelo mental fiável e próximo do que poderia ser o cenário real da prova. Além disto, a minha preparação para o Europeu já vem sendo trabalhada desde o POM 2013, em Idanha-a-Nova, onde comecei a melhorar as minhas competências técnicas na Orientação de Precisão, com vista a uma possível participação. O TempO surgiu como uma variante onde acho que até tenho um perfil mais adequado, e por isso tentei estar mais preparado especificamente para esta variante e onde estabeleci os meus objectivos.

Relativamante ao apuramento do João Pedro Valente, sendo eu membro da CT da FPO para a Orientação de Precisão e co-responsável pela lista de atletas selecionados, sempre achei que a nossa grande hipótese de levar pelo menos um atleta à final do TempO passaria maioritariamente por ele, sem desprimor para todos os outros. Apesar de não termos tido atletas em número suficiente a preencher os critérios de seleção para o Europeu, a lista final de convocados entrou em linha de conta com os melhores resultados do ano passado e o potencial que cada um dos atletas chamados encerrava. Mesmo sem participações em TempO para comprovar o meu feeling, sempre fiquei com a sensação que a forma cirúrgica como o João apareceu, chegou e venceu o CN de PreO da Tocha indiciava que era uma pessoa criteriosa, metódica, com conhecimento específico da modalidade e que teria uma grande capacidade de adaptação ao formato do TempO. E não me enganei, pelo que me congratulo por ter ajudado a dar esta oportunidade ao João e ele a ter agarrado com unhas e dentes.

Quer falar-nos um pouco daquilo que foram, também, os dois dias de competição de PreO?

N. P. - Do primeiro dia do PreO, lembro-me de aparecer lá bem em cima no topo da classificação preliminar com 18 pontos certos em 20, 18 segundos nos cronometrados, para mais tarde perceber que o nível era de tal forma elevado que com um resultado tão bom como este que em qualquer prova nacional daria para ficar em primeiro ou segundo, numa jornada do Europeu, somente chegava para o 22º lugar provisório ao cair do primeiro dia de competição. O segundo dia do PreO não me traz boas recordações, apenas a imagem duma prova serena, com confiança nas decisões, mas que no final ficou muito aquém do dia anterior. Contava com um resultado idêntico, para ficar pelo menos no top 30, mas os erros em excesso e a melhoria geral de resultados da maior parte dos atletas atirou-me para o 66º lugar entre 81 atletas.

Fiquei algo desconsolado no final da competição, não tanto pelo resultado individual alcançado, mas por não ter contribuído mais para o resultado por equipas. Outros colegas fizeram bem melhor mas não estavam escalados para as equipas que Portugal constituiu. Com tempo, terei de ganhar experiência como atleta de PreO, para ganhar alguma consistência que me faltou neste Europeu. Penso que terei de separar o Nuno-traçador-de-percursos do Nuno-atleta. Ambos têm margem de progressão, mas o segundo tem seguramente mais.

Como avalia o nível competitivo, técnico e organizativo do ETOC 2014?

N. P. - Acho que o nível competitivo foi alto, e seria leviano da minha parte dizer que os resultados no PreO foram demasiado equilibrados como resultado de alguma facilidade dos percursos, olhando somente para a classificação dos trinta primeiros na classe Aberta ou do top 10 dos Paralímpicos. Diz-se que 'a ocasião faz o ladrão', pelo que à qualidade do mapa, às características do terreno com um número enorme de elementos verdes a ajudar na sua leitura, criou um potencial de competitividade sem margem de manobra para erros. Mesmo que planeados com vista a maximizar a dificuldade dos desafios propostos em cada ponto, quem falhasse um que fosse, estava praticamante a hipotecar a possibilidade duma medalha. E os melhores estiveram quase em pleno em ambos os dias, confirmando a sua reputação. No TempO, foi uma prova com uma aura brutal de competitividade, pelo espaço em si, que sendo arquitetado de raiz para outros fins que não a Orientação, colocou em pé de igualdade atletas de qualquer proveniência.

Tecnicamente acho que o ETOC também esteve num patamar elevado. Era de esperar que, apesar da prova ser realizada em Portugal, se notasse um forte envolvimento dos supervisores internacionais nesta componente, principalmente no PreO, que aliada ao essencial do evento made in Portugal (mapa, percurso e terreno) nivelaram por cima este Campeonato. Vê-se que o Alexandre Reis se dedicou e preparou a base duma grande prova e acredito que apenas algumas arestas tenham sido limadas após a grande fatia do seu trabalho. Relativamante ao TempO, o mapa era excelente e cuidadosamente cartografado. Tecnicamente, a exigência deste formato poderia desvalorizar esse trabalho inicial, mas creio que nada foi deixado ao acaso. Da Qualificatória para a Final, houve uma seleção de locais de dificuldade crescente, o que motivou o aumento de erros num terreno complexo de analisar à velocidade exigida para boas prestações.

No aspeto organizativo, houve algumas areias na engrenagem que foram identificadadas no dia do Model Event e que tiveram resposta da equipa do ETOC 2014, mesmo no que respeita a pormenores nos mapas dos pontos cronometrados e do TempO. Inicialmente, foi perceptível o desconforto de algumas seleções pela notória inexperiência de alguns elementos no controlo do TempO, mas na competição estiveram seguros. Acredito que na Final tenham estado envolvidas mais pessoas sem nenhuma ligação à Orientação de Precisão do que todos os Atletas portugueses que a praticam atualmente. Em suma, Portugal pode orgulhar-se de ter organizado o ETOC 2014, sendo que o nevoeiro que pairou na Qualificatória de TempO foi apenas e só resultado de condições climatéricas e nada teve a ver com algumas nuvens que andaram pela zona de Palmela.

Não posso deixar de mencionar a sua excelente intervenção na segunda e última reunião de Team Leaders, onde deixou antever a ideia que as regras valem o que valem consoante os casos. O que é que está mal no meio disto tudo e de que forma pode ser corrigido?

N. P. - Para quem, como eu, segue fielmente as Guidelines internacionais no planeamento de provas com vista a minimizar a subjetividade de alguns pontos no PreO e prepara ao pormenor a montagem dos percursos, fiquei algo incomodado por ter falhado um ponto no primeiro dia, devido a um deslize na colocação duma baliza ao lado de um elemento de vegetação, teoricamente numa das oito direções possíveis. Para mim, haveria todas as razões para que o ponto fosse anulado, porque não está especificada a margem de erro máxima de azimute admissível na montagem, que era visível a olho nu e à bússola. Apenas e só está definido que se a colocação da baliza levar uma parte dos atletas a serem enganados de forma grosseira e idêntica, essa deve ser a decisão a tomar por voto de maioria dos mesmos, após analisar a situação. Claramente demonstrei que se a baliza estivesse no lugar certo, teria uma colocação relativa ao elemento e distinta da visível no terreno, o que recebeu o apoio de algumas seleções de segunda linha que também identificaram o problema e se sentiram injustiçados pela mesma razão. No entanto, isto acontece após a prova, e as classificações, a serem recalculadas, afetavam essencialmente as chamadas seleções de primeira, que naturalmente não se manifestaram nesse sentido, por conflito de interesses. Ficou no ar o peso enorme dos países nórdicos no seio da Orientação de Precisão.

Dois dias depois, numa conversa com o Martin Fredholm - e já com o PreO terminado e os ânimos mais esfriados -, foi-me explicado que há algumas situações que, embora as Guidelines da IOF em vigor prevejam, não são seguidas à risca na Suécia ou Finlândia, ou seja, há algumas dicas adicionais que procuram evitar este tipo de problemas, inclusivamente seguindo conceitos de sinalética e afastamentos de balizas mais vulgares e praticados no TempO, e que a natural evolução das Guidelines internacionais por arrasto às melhores práticas dos países nórdicos ainda não se refletem no papel. Não fiquei totalmente convencido com esta explicação. Para mim, regras são regras e as Guidelines internacionais deviam ter sido respeitadas por todos, porque havia um lapso na montagem que tinha um enquadramento, uma saída definida, airosa e justa, e que foi desvalorizada por quem mais responsabilidade tem tido na evolução da modalidade. No entanto, há claramente todo um historial, um know-how que as seleções de topo (ou de primeira) têm e deve ser respeitado, mas que não deve colocar de parte a opinião sustentada do resto do pelotão. Cabe-nos trabalhar e evoluir para ganhar o estatuto no terreno e encurtar este intervalo. Isto é como no futebol, não há nada como uma boa polémica para animar os adeptos.

Que conclusões retira destes quatro dias de competição ao mais alto nível?

N. P. - Pessoalmente foi o cumprir de um objetivo, o culminar de um trajeto de cerca de um ano onde fiz uma aposta na presença neste ETOC 2014, traduzido em prestações competitivas condizentes com aquilo que é a realidade da minha Orientação de Precisão neste momento. Não fiz mais porque o tempo de preparação não pôde ser maior, por razões pessoais bem mais importantes e que estão agora no topo das minhas prioridades. Se ainda consigo conciliar a vida pessoal com a prática da Orientação de Precisão, é porque tenho um apoio familiar enorme. Se há uns meses atrás dissesse à boca cheia que estava nos meus planos a ida à Final do TempO, provavelmente ninguém acreditaria. Em suma, concluo que, se tiver um pouco mais de dedicação, poderei um dia aparecer com um resultado de maior destaque. Mas prefiro não pensar em nada a médio prazo, tendo em conta as dificuldades de participação em provas no estrangeiro.

Quanto à prestação da seleção, em termos globais, tenho um misto de sensações boas e menos boas. Primeiro, acho que estivemos muito bem no PreO, principalmente na classe Aberta. Todos os novatos nestas andanças tiveram pelo menos um dos dois dias brilhantes, ou ambos com uma prestação homogénea. O que se pode apontar de mau quando o Luis Leite faz 19 pontos certos em 20 no segundo dia e fica no 34º lugar? Ou quando o Claúdio Tereso faz 17 pontos em cada dia e no geral fica em 54º? Já para não falar no Jorge Baltasar, o melhor de todos os lusos no PreO, cujo 43º lugar final, se revelou a outra aposta ganha da CT no grupo de Seleção. Poucas pessoas sabem mas o Jorge não participou no TempO, porque estava metido até ao pescoço na prova do Sprint do EOC 2014, mas esteve sempre connosco a acompanhar o grupo e relevou a frieza necessária para atingir o resultado mais relevante no PreO. Relativamente à classe Paralímpica, foi notória a nossa falta de experiência face à concorrência. As pontuações em si ficaram um pouco abaixo do esperado em número de acertos, resultantes de algum nervosismo, que podemos trabalhar e controlar no futuro e pelo facto dos nossos atetas não terem um historial prévio na Orientação, o que só se consegue combater com a prática da modalidade e a promoção de um conjunto de atividades como estágios ou workshop dedicados a estes atletas tão singulares.

No geral, fomos um grupo coeso, animado, e onde também há que destacar o espírito voluntarioso do acompanhante do Ricardo, o Serafim, que também foi o motorista de serviço e do acompanhante do Júlio, o Homero, que tudo fizeram para acelerar ao máximo as cadeiras de rodas, quando necessário, em prova. Uma palavra para o José Laiginha Leal, no seu primeiro ano de Orientação, e que apesar das suas limitações de progressão, fez questão de gerir o tempo de prova em autonomia total, com uma assinalável abnegação e desgaste físico que supostamente não existe na Orientação de Precisão, mas que era patente pelo estado de transpiração com que chegava ao final dos percursos.

Como responsável pela Comissão Técnica de Orientação de Precisão da Federação Portuguesa de Orientação, que significado poderá ter o ETOC para a Orientaçao de Precisão portuguesa?

N. P. - Vou ser muito sincero. Este ETOC 2014 é um evento que dificilmente se repetirá em Portugal no que respeita à dimensão, organização e recursos envolvidos. Arrisco dizer que, aparentemente, parece um exagero de meios, mas é ao fim ao cabo o necessário para que tudo corra bem. Pessoalmente, apenas vi envolvimentos pontuais de atletas da Orientação Pedestre nesta iniciativa, e os poucos que lá estavam já estão seguramente a trabalhar nos seus clubes. Não houve um interesse particular em criar mais sinergias para a atual comunidade orientista disseminar a Orientação de Precisão nos diversos clubes portugueses. O grosso dos recursos foi recrutado entre estudantes para tarefas específicas de controlo e não serão de certeza agentes mobilizadores e promotores da modalidade no futuro. Assim sendo, não considero que o ETOC 2014 possa funcionar como alavanca da Orientação de Precisão. Adicionalmente, considero que não houve uma cobertura mediática ao mesmo nível do EOC, e pelo que li na imprensa, há lapsos e imprecisões nas notícias difundidas, o que indicia que, ou a redação das mesmas não foi cuidada, ou a informação passada da organização do evento para a imprensa, não foi realizada da maneira mais correta.

No entanto, acho que o TempO pode crescer após o ETOC, pelo aliciante de ser, com as devidas diferenças, a versão Sprint da Orientação de Precisão. Há mais adrenalina envolvida e, se olharmos para a faixa etária dos atletas de topo, parece óbvio que cativa um público mais jovem, fugindo ao estigma de que a Orientação de Precisão é coisa de velhos e deficientes. O PreO deverá procurar o seu espaço próprio, mas é preciso que os clubes ajudem a materializar um minimo de oito a dez provas ao longo do ano, com qualidade. Sem iniciativa, será complicado levar este barco a bom porto. A CT da FPO está alerta para esta realidade e vamos tentar dinamizar o TempO com a organização do I Campeonato Nacional, no final de Maio, nas Dunas de Cantanhede, para ver a recetividade da comunidade Orientista ao novo formato. O “depois do ETOC” será apenas em 2015, quando o calendário de provas regressar à normalidade e soubermos se há condições para ter uma época com provas de PreO e TempO devidamante encaixadas no calendário da Pedestre e que permita um crescimento sustentado da modalidade na classe Aberta, e que mais Paralímpicos apareçam a competir.

Quais os seus objetivos para aquilo que resta da temporada?

N. P. - Tenho dois objetivos em mente. O primeiro é organizar com sucesso o Dunas Trail-O, a 31 de Maio, que consiste numa etapa de PreO e outra de TempO, nas Dunas de Cantanhede, sendo que tem o aliciante da prova de PreO ser uma etapa da Taça de Portugal, da prova de TempO atribuir o primeiro título nacional individual absoluto, e as duas em conjunto funcionarem como critério de apuramento para as vagas no WTOC 2014 que levarão a Itália o melhor atleta Paralímpico e o melhor atleta de classe Aberta resultantes desta jornada dupla de Orientação de Precisão. O segundo objetivo é estar no WTOC 2014 como Team Leader de Portugal e em simultâneo como atleta. Lá, espero voltar a repetir a proeza de chegar à Final do TempO e conseguir algo mais do que atingi neste ETOC no PreO.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Sem comentários: