quinta-feira, 10 de abril de 2014

Martin Jullum: "Estou muito confiante na possibilidade de termos em Portugal um grande evento"



A estreia de Martin Jullum na alta roda da Orientação de Precisão teve lugar em Miskolc, no decorrer dos Mundiais de 2009. Desde essa altura, habituámo-nos a vê-lo nos lugares cimeiros das tabelas classificativas em Europeus e Mundiais. O atleta norueguês é precisamente o nosso convidado de hoje e deixa-nos as suas impressões em jeito de antevisão aos Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão que arrancam já amanhã, em Palmela.


O que tem feito desde os Mundiais da Finlândia?

Martin Jullum (M. J.) - Após uma prestação desconsoladora em Vuokatti, onde acabei por me ver perdido naquilo que foi o estilo do traçador e senti como um desperdício de tempo todo o trabalho prévio de preparação técnica, precisava mesmo de me afastar. Regressei à competição após uma boa pausa no Verão e deu para acabar bem a temporada, naquilo que teria sido um ano em grande não fosse esta “nódoa” dos Mundiais. Para além disso, gastei uma quantidade imensa de horas nos meus estudos universitários.

Não lhe soa estranho o nome de Portugal como organizador do ETOC 2014?

M. J. - De maneira nenhuma. Eu sei que os portugueses estão muito empenhados em aprender e possuem excelentes terrenos para a prática da Orientação de Precisão. Também sei que levam o trabalho organizativo muito a sério, o que acaba por ser, talvez, o mais importante. Na minha opinião, o tempo empregue no desenho dos percursos e na organização é a chave para uma boa competição e, na verdade, estou muito confiante na possibilidade de termos em Portugal um grande evento.

É a primeira vez que vem a Portugal? Que conhecimento tem deste país?

M. J. - Sim, será a primeira vez no Continente. Sei que Portugal é um “pequeno irmão” da Espanha e que estão habituados a organizar excelentes eventos durante a temporada de Inverno.

Como é que se preparou para esta competição?

M. J. - Não me concentrei muito no estilo do traçador como fiz nos Mundiais de Vuokatti, por um lado porque sei muito pouco acerca do traçador e também porque “estraguei” tudo em Vuokatti visto que o traçador decidiu mudar de estilo com vista aos Campeonatos do Mundo. Os percursos dos Campeonatos, sejam eles Europeus ou Mundiais, são sempre algo de verdadeiramente especial e não podem sequer ser comparados com outros de eventos regulares, por maior que seja a sua qualidade. Também os mapas da área [de Vale de Barris] que foram disponibilizados são tão antigos que não tem grande interesse o seu estudo em detalhe. Durante o Inverno estive envolvido no planeamento dos percursos para o Norwegian Spring TrailO, que terá lugar na semana imediatamente a seguir ao ETOC [aviso: prometo eventos de altíssima qualidade e que podem ser consultados em http://norwegianspring.no/dok/2014/INVITATION_NORWEGIAN_SPRING_TRAILO_2014.pdf]. Nas últimas semanas treinei algumas técnicas que acredito possam ser importantes em Portugal e procurei apurar a forma de estar, pensar e trabalhar no decorrer das provas.

Que tipo de provas espera?

M. J. - Um misto entre os percursos dos Mundiais da Hungria e de França, com um “cheirinho” de Suécia no que respeita à mentalidade do traçado de percursos.

Consegue indicar os grandes candidatos aos títulos europeus?

M. J. - Penso que chegou a vez do Antti Rusanen, mas é pouco comum que o favorito venha a ser o vencedor...

PreO ou TempO?

M. J. - Acredito que as minhas possibilidades no tocante a uma medalha de ouro sejam maiores no PreO, ao passo que as hipóteses num lugar do pódio serão maiores no TempO. Penso na vitória no PreO como a vitória numa prova de Distância Longa – e aí está encontrado o Rei dos Campeonatos, aconteça o que acontecer. Quanto a vencer o TempO, é como vencer a prova de Sprint – o “soco” de adrenalina deve ser fantástico.

Pessoalmente, o que consideraria o resultado perfeito?

M. J. - Uma foto minha no lugar mais alto do pódio com a medalha de ouro à volta do pescoço.

Qual o grande objetivo da temporada?

M. J. - Conseguir boas prestações nas doze competições internacionais onde tenciono marcar presença. Tudo o mais será apenas treino. Se as coisas correrem como tenciono, as melhores prestações surgirão nos Campeonatos do Mundo, em Itália.

Quer fazer um voto para os Campeonatos da Europa ETOC 2014?

M. J. - Um mapa exato, com pontos de controlo justos e exigentes e onde não seja necessário adivinhar os limites do zero. E, claro, o resultado perfeito já referido atrás!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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