sábado, 5 de abril de 2014

EOC/ETOC 2014: A antevisão de Ricardo Chumbinho, Diretor do Evento



Grande dinamizador da modalidade no concelho de Palmela e um dos seus rostos mais visíveis ao nível do Desporto Escolar em Portugal, Ricardo Chumbinho é o Diretor Geral do Campeonato da Europa de Orientação EOC/ETOC 2014.


Como encarou, desde o início, o desafio de ser o principal responsável pelo mais importante evento de Orientação organizado até hoje no nosso País?

Ricardo Chumbinho (R. C.) - Seria absolutamente injusto da minha parte se respondesse a esta questão sem começar por vincar que, “principal responsável”, é um termo que apenas se pode encontrar numa abordagem formal e em contexto de organograma… e que, até neste contexto, não seria totalmente verdade. Efetivamente trata-se de uma equipa em que nenhuma decisão é tomada individualmente nem deixada de discutir, embora num circulo mais ou menos restrito consoante as matérias, equipa sem a qual seria absolutamente inviável a concretização de um evento desta dimensão. O meu papel nesta estrutura acaba por surgir de forma natural já que tenho toda a minha vida pessoal e profissional nesta área geográfica, conheço as pessoas e os locais, desenvolvo localmente a modalidade com outros colegas há precisamente vinte anos e portanto, deste ponto de vista e também por integrar a estrutura diretiva da federação, estou bem colocado para ajudar a dar resposta a muitas das necessidades que se colocam quase diariamente nos últimos dois anos. Tendo até aqui desenvolvido a minha atividade na modalidade enquanto “diretor de prova” apenas em eventos locais e de Desporto Escolar reconheço alguma apreensão inicial perante a dimensão do que se adivinhava mas, ao mesmo tempo, um grande conforto por ter a certeza de que poderia contar com colaboração e suporte sem reservas de um conjunto de pessoas que acabam por constituir a já referida equipa e com as quais é um verdadeiro privilégio poder trabalhar, incluindo aqui também as pessoas da autarquia. Não me enganei!

Qual o ponto da situação quanto à forma como estão a decorrer os trabalhos de preparação do evento?

R. C. - Eu diria que, dentro das potencialidades e limitações de uma estrutura como a nossa, com fragilidades (estrutura não profissional) e pontos fortes (enorme voluntarismo), o trabalho de preparação, que começou no verão de 2011 com a conceção do caderno de candidatura e vídeo promocional, está a decorrer por forma a que se consiga alcançar um excelente resultado que se caracterize por um marcado equilíbrio entre o ótimo e o possível, não perdendo de vista que a nossa principal responsabilidade é a de garantir que os títulos de campeão europeu são atribuídos de forma justa e em situação de igualdade de oportunidades para todos os atletas, constituindo igualmente referências sempre presentes a dignificação nacional e internacional da modalidade no nosso país, bem como a divulgação e promoção do nosso território.

EOC? ETOC? Pedia-lhe que "descodificasse".

R. C. - EOC e ETOC são as siglas das competições pedestre e trail, respetivamente European Orienteering Championship e European Trail Orienteering Championship e, de facto, na nossa organização têm surgido indissociadas, uma vez que para nós se trata de um único evento. São duas disciplinas da mesma modalidade e queremos fazer tudo para que a natureza inclusiva do nosso desporto se manifeste de forma evidente neste evento: temos sigla e logo únicos, comité organizador único, event centre único, cerimónias de abertura, encerramento e de entrega de prémios comuns, etc. etc.

O que pode representar um evento com esta dimensão para os municípios de Palmela e Sesimbra e, dum modo geral, para o nosso País?

R. C. - Para Palmela é, seguramente, um marco na sua história de desenvolvimento desportivo, uma vez que é a primeira vez que o concelho acolhe no seu território um evento desportivo do nível de um Campeonato da Europa. Sublinhe-se também o facto de ser nesta e não noutra modalidade que o campeonato acontece, já que a Orientação tem sido um dos vetores de desenvolvimento desportivo local, muito apoiada pela Câmara Municipal de Palmela. De resto registe-se a curiosidade de se assinalar em 2014 uma efeméride: 20 anos da modalidade no concelho, desenvolvida de forma constante e ininterrupta.

Noutra dimensão, podemos usar diversos exemplos recentes para afirmar que também este evento representará um importante fator de dinamização da economia local, uma vez que estamos a falar de umas largas centenas de pessoas com necessidade de se alojar, alimentar e deslocar durante uma semana, ao que acrescem as normais compras de recordações, produtos regionais, nomeadamente vinícolas e gastronómicos, e outras. Este raciocínio pode ainda ser alargado a outras zonas do país e outros períodos, uma vez que é do nosso conhecimento que diversas seleções estiveram entre nós para a realização de estágios de preparação antes da competição.

Por outro lado, a cartografia (nova ou revista) que fica deste evento representa um importante conjunto de oportunidades para futuras provas locais e de Desporto Escolar e mesmo, mais tarde, da Taça de Portugal. Não esqueçamos que entre orientação pedestre, orientação de precisão e TempO, estamos a falar de mais de uma dezena de competições, todas em locais e mapas distintos.

Quais serão, na sua perspetiva, os momentos altos do evento?

R. C. - Procurámos conceber um programa que potencie diversos focos de interesse que não apenas a atividade desportiva, pelo que a resposta à questão não é simples e haverá, dos pontos de vista desportivo, protocolar e social, diversos pontos de interesse. De qualquer forma, tenho uma forte expetativa em relação à tarde de domingo, dia 13 de abril, uma vez que teremos as finais B de sprint, a cerimónia de abertura e as grandes finais A de sprint. Apesar de muito limitados pelo rígido novo protocolo da IOF quanto às cerimónias, temos desenvolvido esforços com a nossa parceira Câmara Municipal de Palmela no sentido de a cerimónia de abertura ser muito interessante. Por outro lado, conhecendo muito bem a zona onde vai decorrer a competição, tenho a certeza de que serão percursos de sprint muito desafiadores em termos técnicos e físicos (quem já esteve nas edições urbanas da Prova das Vindimas sabe do que falo), que serão “adornados” por animação na arena proporcionada pelo nosso speaker e por imagens em direto transmitidas em ecrã gigante. Haverá ainda um outro pormenor de edificação dos principais atletas, e outros relacionados com o próprio percurso, que certamente trarão muita animação àquela tarde. Por outro lado, tudo se passa num espaço da vila de Palmela em que a vista para o Vale de Barris, Estuário do Sado e Parque Natural da Arrábida é soberba.

Quer deixar uma mensagem, um convite?

R. C. - Uma mensagem: que todos apoiem este evento que é de todos e, naturalmente, para todos, pois os proveitos de natureza diversa que daqui possam resultar serão capitalizados na própria modalidade e, por essa via, retornam a cada um de nós. Um convite: se, pelas mais variadas razões, não puderam estar disponíveis para prestar a sua colaboração, então que ponderem a possibilidade de participar em 1 ou mais etapas do Tour beneficiando das taxas bonificadas para atletas nacionais ou, em alternativa, aproveitem a tarde do domingo dia 13 de abril para enchermos por completo o Largo de S. João em Palmela quer na Cerimónia de Abertura quer nas finais de sprint. Fica ainda o convite para seguir a competição em casa, para os que estão mais longe, via streaming ou acompanhando a evolução dos principais atletas via gps.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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