sexta-feira, 28 de março de 2014

Marit Wiksell: "Provavelmente ficaria muito desapontada se regressasse a casa sem uma medalha que fosse"



Se há, no mundo da Orientação de Precisão, figuras que inspirem o maior respeito e admiração, o nome de Marit Wiksell terá de ser apontado como um dos mais fortes integrantes da restrita lista. Apesar da sua juventude, os resultados duma notável carreira falam por si. A atleta sueca estará em Portugal a defender o seu título europeu e é a convidade de hoje do Orientovar.


Dentro de duas semanas, teremos em Portugal o Campeonato da Europa de Orientação de Precisão. Está preparada para a competição?

Marit Wiksell (M. W.) - Sinto-me bem preparada para os Campeonatos, apesar deles se realizarem bastante cedo esta temporada. Fiz sobretudo treino mental, mas também participei nalgumas sessões de treino e em competições de PreO antes de vir para Portugal. Fiz igualmente algumas provas de TempO na internet, o que acaba por constituir uma excelente forma de manter a velocidade e a capacidade de leitura e interpretação do mapa durante o Inverno.

Portugal. Não acha este um lugar um pouco “estranho” para um Europeu de Orientação de Precisão?

M. W. - Quando ouvi falar pela primeira vez em Portugal como organizador dos Campeonatos da Europa, senti na verdade algum cepticismo, até porque nunca tinha ouvido falar antes em orientistas de precisão portugueses. Desde essa altura conheci alguns e tenho reparado no seu grande interesse em aprender mais acerca da Orientação de Precisão, algo deveras importante se queremos ser capazes de organizar um evento desta natureza. Com este espírito positivo e a importante ajuda dos Supervisores, penso que Portugal poderá oferecer excelentes e justas competições!

Que tipo de evento espera?

M. W. - Estou realmente muito focada nos Campeonatos da Europa e espero percursos desafiantes em terrenos interessantes. Confesso que nunca estive em Portugal (aliás, estive na Madeira, de férias), mas quer-me parecer que o terreno é bastante diferente daquele a que estamos habituados na Suécia. Será, seguramente, um enorme desafio compreender de que forma é cartografado o terreno, mas espero garantir algum conhecimento a partir do Model Event. Não tendo experiência de competições em Portugal e assim não é fácil termos uma noção daquilo que poderemos esperar em termos da própria competição e do traçado de percursos. O Model Event será um indicativo importante no tocante à forma de resolver os poblemas. Quanto à competição de TempO, terá lugar num Campo de Golfe e aí já estarei perante algo que me é familiar e posso ter uma ideia mais precisa daquilo que irei encontrar.

Ser a Campeã Europeia em título coloca-lhe alguma pressão acrescida?

M. W. - A sensação que tenha é precisamente a contrária. Ser campeã em título dá-me a possibilidade de encarar a competição com menos ansiedade, uma vez que sei que sou capaz duma prestação ao mais alto nível num evento desta importância. Sentir-me-ía mais nervosa e insegura sem um passado tão bem sucedido e sem essa medalha de ouro em 2012. Agora posso realmente apreciar a competição e divertir-me, mas conheço bem a sensação de ser a melhor e quero voltar a tê-la.

Há alguém que veja como os seus maiores opositores?

M. W. - São muitos os bons trail orientistas que estarão em Portugal, mas devo dizer que os meus maiores opositores são os meus colegas de equipa suecos e os finlandeses. A equipa da Suécia é muito forte e cada um de nós tem potencial para alcançar uma medalha. Na verdade, poderá ser mais difícil conquistar uma medalha no ETOC do que no WTOC, uma vez que o número de representantes de cada país é maior.

A sua aposta é mais na PreO ou no TempO?

M. W. - Não consigo escolher entre PreO e TempO. Foco-me igualmente em ambas as vertentes. Talvez haja um menor número de competidores com hipóteses de chegar à medalha de ouro na competição de TempO, mas ao mesmo tempo a margem de erro nesta competição é ínfima. O risco de tomar uma decisão errada é elevado, uma vez que o fator tempo joga contra nós. São em maior número aqueles capazes de chegar à medalha de ouro na PreO, mas aí há outros fatores decisivos e também essa questão do maior espaço de tempo disponível para tomar cada uma das decisões. Penso que as minhas hipóteses de chegar à medalha de ouro são iguais em qualquer uma das vertentes, mas talvez seja mais fácil para mim chegar ao pódio no TempO do que na PreO.

No seu caso, o que consideraria um bom resultado?

M. W. - Provavelmente ficaria muito desapontada se regressasse a casa sem uma medalha que fosse.

E quanto à presente temporada, qual o seu grande objectivo?

M. W. - São dois os Campeonatos de TrailO este ano e, para além do ETOC em Portugal, teremos os Campeonatos do Mundo WTOC em Itália, em Julho. Estes dois Campeonatos constituem o meu grande objetivo. De momento, estou 100% focada no ETOC mas é bom saber que terei mais uma oportunidade de chegar a uma medalha ainda este ano. Há também outros eventos que estão no meu horizonte e que constituem objectivos secundários, nomeadamente a Taça da Europa (não oficial) e os Campeonatos da Suécia.

Gostaria de lhe pedir que formulasse um desejo no tocante ao Campeonato da Europa.

M. W. - Faço votos para que a Suécia seja bem sucedida e que possamos ter uma bela semana em Portugal, com competições de grande nível!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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