Se há, no mundo da Orientação de
Precisão, figuras que inspirem o maior respeito e admiração, o
nome de Marit Wiksell terá de ser apontado como um dos mais fortes
integrantes da restrita lista. Apesar da sua juventude, os resultados
duma notável carreira falam por si. A atleta sueca estará em
Portugal a defender o seu título europeu e é a convidade de hoje do
Orientovar.
Dentro de duas semanas, teremos em
Portugal o Campeonato da Europa de Orientação de Precisão. Está
preparada para a competição?
Marit Wiksell (M. W.) - Sinto-me
bem preparada para os Campeonatos, apesar deles se realizarem
bastante cedo esta temporada. Fiz sobretudo treino mental, mas também
participei nalgumas sessões de treino e em competições de PreO
antes de vir para Portugal. Fiz igualmente algumas provas de TempO na
internet, o que acaba por constituir uma excelente forma de manter a
velocidade e a capacidade de leitura e interpretação do mapa
durante o Inverno.
Portugal. Não acha este um lugar um
pouco “estranho” para um Europeu de Orientação de Precisão?
M. W. - Quando ouvi falar pela
primeira vez em Portugal como organizador dos Campeonatos da Europa,
senti na verdade algum cepticismo, até porque nunca tinha ouvido
falar antes em orientistas de precisão portugueses. Desde essa
altura conheci alguns e tenho reparado no seu grande interesse em
aprender mais acerca da Orientação de Precisão, algo deveras
importante se queremos ser capazes de organizar um evento desta
natureza. Com este espírito positivo e a importante ajuda dos
Supervisores, penso que Portugal poderá oferecer excelentes e justas
competições!
Que tipo de evento espera?
M. W. - Estou realmente muito
focada nos Campeonatos da Europa e espero percursos desafiantes em
terrenos interessantes. Confesso que nunca estive em Portugal (aliás,
estive na Madeira, de férias), mas quer-me parecer que o terreno é
bastante diferente daquele a que estamos habituados na Suécia. Será,
seguramente, um enorme desafio compreender de que forma é
cartografado o terreno, mas espero garantir algum conhecimento a
partir do Model Event. Não tendo experiência de competições em
Portugal e assim não é fácil termos uma noção daquilo que
poderemos esperar em termos da própria competição e do traçado de
percursos. O Model Event será um indicativo importante no tocante à
forma de resolver os poblemas. Quanto à competição de TempO, terá
lugar num Campo de Golfe e aí já estarei perante algo que me é
familiar e posso ter uma ideia mais precisa daquilo que irei
encontrar.
Ser a Campeã Europeia em título
coloca-lhe alguma pressão acrescida?
M. W. - A sensação que tenha é
precisamente a contrária. Ser campeã em título dá-me a
possibilidade de encarar a competição com menos ansiedade, uma vez
que sei que sou capaz duma prestação ao mais alto nível num evento
desta importância. Sentir-me-ía mais nervosa e insegura sem um
passado tão bem sucedido e sem essa medalha de ouro em 2012. Agora
posso realmente apreciar a competição e divertir-me, mas conheço
bem a sensação de ser a melhor e quero voltar a tê-la.
Há alguém que veja como os seus
maiores opositores?
M. W. - São muitos os bons
trail orientistas que estarão em Portugal, mas devo dizer que os
meus maiores opositores são os meus colegas de equipa suecos e os
finlandeses. A equipa da Suécia é muito forte e cada um de nós tem
potencial para alcançar uma medalha. Na verdade, poderá ser mais
difícil conquistar uma medalha no ETOC do que no WTOC, uma vez que o
número de representantes de cada país é maior.
A sua aposta é mais na PreO ou no
TempO?
M. W. - Não consigo escolher
entre PreO e TempO. Foco-me igualmente em ambas as vertentes. Talvez
haja um menor número de competidores com hipóteses de chegar à
medalha de ouro na competição de TempO, mas ao mesmo tempo a margem
de erro nesta competição é ínfima. O risco de tomar uma decisão
errada é elevado, uma vez que o fator tempo joga contra nós. São
em maior número aqueles capazes de chegar à medalha de ouro na
PreO, mas aí há outros fatores decisivos e também essa questão do
maior espaço de tempo disponível para tomar cada uma das decisões.
Penso que as minhas hipóteses de chegar à medalha de ouro são
iguais em qualquer uma das vertentes, mas talvez seja mais fácil
para mim chegar ao pódio no TempO do que na PreO.
No seu caso, o que consideraria um
bom resultado?
M. W. - Provavelmente ficaria
muito desapontada se regressasse a casa sem uma medalha que fosse.
E quanto à presente temporada, qual
o seu grande objectivo?
M. W. - São dois os Campeonatos
de TrailO este ano e, para além do ETOC em Portugal, teremos os
Campeonatos do Mundo WTOC em Itália, em Julho. Estes dois
Campeonatos constituem o meu grande objetivo. De momento, estou 100%
focada no ETOC mas é bom saber que terei mais uma oportunidade de
chegar a uma medalha ainda este ano. Há também outros eventos que
estão no meu horizonte e que constituem objectivos secundários,
nomeadamente a Taça da Europa (não oficial) e os Campeonatos da
Suécia.
Gostaria de lhe pedir que formulasse um
desejo no tocante ao Campeonato da Europa.
M. W. - Faço votos para que a
Suécia seja bem sucedida e que possamos ter uma bela semana em
Portugal, com competições de grande nível!
Saudações orientistas.
Joaquim Margarido

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