segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

POM 2014: A ANTEVISÃO DE LUÍS SANTOS



Vem aí o mais importante evento do nosso calendário regular de Orientação. A quatro semanas do Portugal O' Meeting e numa altura em que o número de inscritos se aproxima rapidamente do milhar, fomos ao encontro de Luís Santos, o seu Diretor. Em exclusivo, a antevisão de quatro dias que prometem muita qualidade e emoção.


A última vez que o Clube Português de Orientação e Corrida organizou o Portugal O' Meeting foi em 2009. Cinco anos volvidos, quais as grandes diferenças em matéria organizativa relativamente à edição de Mora?

Luís Santos - Eu diria que estes dois eventos (POM 2009 e POM 2014) são assumidamente os pilares da vida de uma instituição desportiva como o CPOC. Todos os resultados desportivos obtidos, todos os outros momentos da vida do clube se esbatem na intensidade e no envolvimento que um evento desta natureza exige de um clube como o nosso. Os paralelismos entre o POM 2009 e o POM 2014 são muitos mas as diferenças também ficam claras entre um e o outro.

Em 2009 procurámos garantir diversidade quanto aos terrenos de prova, enquanto agora buscamos, acima de tudo, zonas de excelente qualidade, sempre com muitos elementos rochosos, embora com uma diferença que irá ser notada pelos atletas, a floresta no primeiro e terceiro dia e terreno aberto no segundo e no quarto dia. Em 2009 mobilizámos mais de 80 pessoas ao passo que agora o grupo mobiliza pouco mais de 60. Somos menos, mas o grupo está mais eficiente e unido. Em 2009 o apoio da Câmara Municipal de Mora foi decisivo para um evento de qualidade e agora, em 2014, voltamos a ter um município muito empenhado, talvez por termos criado projetos similares em que o POM acaba por ser o corolário lógico de uma aposta crescente em eventos de Orientação, cada vez mais interessantes e apelativos para todos. Finalmente, diria que em 2009 o ponto mais fraco do evento foi um jantar regional que correu mal e em 2014, apesar de ser uma área que naturalmente não dominamos, não vamos correr riscos. A escolha recaiu no conhecido Restaurante O Albertino, no Folgosinho, e a animação cultural que está a ser preparada também será uma mais valia para esse momento.

Com o processo de preparação do evento a entrar na fase decisiva, pedia-lhe que traçasse um retrato do que está feito e do que falta fazer.

L. S. - É difícil responder a esta questão sem ser demasiado exaustivo, pois há imenso trabalho a decorrer (a título de curiosidade, a minha próxima tarefa irá ser identificar os pontos marcados no terreno que não podem ser marcados com estaca, por estarem colocados em terreno rochoso). No entanto, naquilo que mais interessa aos praticantes, os mapas estão todos concluídos com exceção de um dos dois Model Event e os percursos estão todos desenhados, já foram testados e estão agora em revisão final. Parte do trabalho que agora decorre é referente a aspetos logísticos e de comunicação, onde existe um enorme empenho do Município de Gouveia, nomeadamente na preparação de uma sessão informativa / conferência de imprensa que deverá decorrer em Lisboa, no próximo dia 11 de Fevereiro.

Para um clube de Oeiras, a questão das distâncias é seguramente um problema maior. A falta dum “clube de ligação” na região obriga a um esforço redobrado por parte do CPOC, que terá, eventualmente, na Câmara Municipal de Gouveia, a sua “muleta”. Das suas palavras, infere-se que a articulação entre o CPOC e a autarquia tem decorrido da melhor forma e que falamos todos a mesma língua.

L. S. - Pessoalmente, dá-me muito mais gozo fazer mais de 600 kms para preparar um evento em terrenos desta qualidade do que fazer 40 ou 50 kms para ir a locais com pouco interesse técnico. Isto para dizer que a distância também se esbate quando fazemos as coisas com entusiasmo e dedicação. Muito desse entusiasmo é devido, naturalmente, à forma como o município de Gouveia se envolveu intensamente na preparação do evento, mas também na modalidade. A única coisa que continuamos a não conseguir é o envolvimento de associações desportivas locais.

Suponho que a autarquia terá ficado pouco agradada com a decisão da Federação Portuguesa de Orientação em negar ao CPOC e a Gouveia a atribuição duma prova pontuável para o ranking mundial em 2015.

L. S. - Na verdade, a intensidade com que a autarquia se tem envolvido na modalidade fez com que sentissem ainda mais do que nós a rejeição da nossa candidatura por parte da FPO. E creio que poderão vir a solicitar esclarecimentos diretos à Federação, embora nós lhes tenhamos comunicado os motivos apresentados pela FPO e que se prendem com a rotatividade de clubes organizadores.

Considerando a proximidade do Europeu de Palmela, sente que este POM esteja a ser vítima duma menor atenção por parte da Federação Portuguesa de Orientação do que em anteriores edições?

L. S. - Sei que a FPO tem muito com que se preocupar com os preparativos do Europeu de Abril (onde também estou envolvido como supervisor nacional), mas na minha opinião o POM 2014 e o CPOC não estão a ter grande apoio por parte da FPO: o facto de haver um evento no fim-de-semana anterior com 3 WRE's, a rejeição do WRE de 2015 e principalmente a sugestão de não considerar dois dos dias do Portugal O'Meeting como pontuáveis para a Taça de Portugal foram recebidos por nós com preocupação. Este ano é o CPOC a organizar e daremos certamente o nosso melhor, mas o POM não é algo que se deva menosprezar e é provavelmente a mais conhecida “marca” da nossa modalidade em Portugal. Há que preservá-la.

Quanto ao Europeu, não podemos esquecer que o POM 2008 no Algarve foi o menos participado dos últimos oito anos, por ter coincidido com o ano de organização do WMOC em Portugal. Este ano o Europeu é ainda mais próximo do POM (logo no mês seguinte, em Abril) e o POM não serve para preparação do Europeu - os terrenos são diferentes e os cartógrafos também -, pelo que já receávamos o impacto negativo resultante da proximidade dos dois eventos. Devo assinalar que o projeto POM 2014 se iniciou antes de ser conhecida a candidatura de Portugal à organização do Europeu deste ano. Devido à proximidade do CPOC a Palmela, poderia ter havido da nossa parte uma participação muito mais forte no Europeu, que assim se tornou impossível.

Nas duas últimas edições, o POM ganhou notoriedade por via dos seus percursos. A eleição de uma das suas etapas como percurso do ano em 2012 e 2013 implica, da parte das organizações das edições seguintes, um acréscimo de responsabilidade e redobradas atenções na preparação do evento. Como é que o CPOC recebe esta “herança”?

L. S. - Essas eleições foram bastante agradáveis para o conhecimento da qualidade organizativa dos clubes portugueses e para a mais valia do nome “Portugal O' Meeting” nos meios da Orientação internacional, mas em nada alteram a forma como o CPOC desenvolve o seu trabalho a nível técnico. O Luís Gonçalves (Sprint), o Acácio Porta Nova (Orientação de Precisão), eu (1º dia) e a Mariana Moreira (3º dia) isolados, estaremos certamente aquém da qualidade com que alguns dos traçados referidos foram desenvolvidos, mas o trabalho efetuado tem um grande envolvimento de toda a equipa, recolhendo ainda mais valias dos supervisores (António Amador e Joaquim Margarido) e também dos mais experientes do CPOC como são os casos da Vera Alvarez e do João Valente e de muitos outros através dos testes realizados. O produto final a nível de percursos que estará à disposição dos participantes irá resultar deste trabalho de conjunto. E desta vez sem as condicionantes que limitaram o Ibérico porque não há neve nos terrenos onde a prova irá decorrer, no sopé da Serra da Estrela.

Apesar do caráter coletivo que expliquei, a mais valia do trabalho técnico assenta no valor individual de dois técnicos que “cresceram” no clube e que, apesar de serem profissionais, continuam a dedicar muito ao clube. Já em 2009, o trabalho técnico assentou na qualidade dos mapas do Tiago Aires e da Raquel Costa (com a exceção do 1º dia e do sprint) e agora voltam a ser eles o suporte técnico do evento, e mais uma vez com um trabalho de grande qualidade. Para além da prospeção e seleção de terrenos, todo o trabalho cartográfico foi desenvolvido pela Raquel e pelo Tiago e o menos que posso dizer é que se trata dum trabalho notável.

A realização, na mesma data, da ronda inaugural da Taça do Mundo, em Antalya (Turquia), levaria a supôr um decréscimo drástico do índice de participação e da própria qualidade competitiva do evento. Mas nomes como os de Thierry Gueorgiou, Albin Riedefelt, David Andersson, Vilius Aleliunas ou Simone Niggli, numa altura em que o número de inscritos se aproxima rapidamente do milhar, parece não corresponder em absoluto às previsões mais pessimistas. Que leitura faz da situação e quais as expectativas quanto aos números finais?

L. S. - Bom, eu diria que, para a Federação Internacional de Orientação, o Portugal O'Meeting ou não existe ou é evento a abater. Não só foi marcado um evento da Taça do Mundo a colidir com o Portugal O'Meeting como, para minorar a “ameaça” do POM à prova da Turquia, ainda foram alteradas as regras, tornando agora obrigatória a presença dos atletas em todas as competições da Taça do Mundo para que possam classificar-se. A mais de um ano, tentámos que os turcos alterassem a data (com o conhecimento e a placidez de quem não quer resolver nada da IOF), mas por razões de tradição (dizem ter aquele evento sempre no primeiro fim de semana de Março) também não aceitaram essa possibilidade.

Diria que nos preparámos psicologicamente para uma quebra nas presenças e para números a rondar os 1200 participantes, sabendo de antemão que iria haver divisão nas maiores estrelas da Orientação Mundial entre os dois eventos. Pessoalmente, é uma enorme alegria que atletas como o Thierry Gueorgiou ou a Simone Niggli tenham optado por Portugal em detrimento da Turquia, mesmo tendo lá as suas fortes Seleções representadas. E se, efetivamente, a prova turca cativou muitos participantes pelo simples facto de ser uma prova da Taça do Mundo, os atletas de outros escalões têm estado a surgir com a mesma intensidade de outros anos no POM e creio que é já certo, a praticamente um mês do início do evento, que iremos ficar bem acima dos 1200 participantes que estabelecemos como objetivo mínimo.

Mas o POM não é apenas Orientação Pedestre. A etapa de Precisão, na tarde de domingo, promete atrair à Senhora dos Verdes todos os melhores orientistas nacionais e ainda um número interessante de orientistas de craveira mundial, casos do britânico John Kewley ou do italiano Remo Madella, por exemplo. Quer falar-nos um pouco sobre este acontecimento?

L. S. - Temos apostado nesta disciplina da Orientação, desde os primeiros tempos pela mão do Alexandre Romeiras e atualmente com o Acácio Porta Nova. Sempre foi intenção do CPOC não descurar esta interessante vertente da modalidade e a importância que concedemos a esta etapa pode constatar-se pelo facto de termos produzido um mapa exclusivamente para a Orientação de Precisão. A prova vai decorrer num espaço muito agradável, o Parque da Senhora dos Verdes, que se situa muito próximo da Arena do 2º dia do evento.

Sei que vai desejar que S. Pedro seja um dos patrocinadores da prova, como aconteceu em Mora, e sei que a Serra da Estrela, a despeito do POM, merece sempre uma visita. Mas remeteria estes assuntos para uma última palavra, convidando-o a deixar-nos as impressões finais, em jeito de voto ou de convite (ou ambos).

L. S. - Sim, seria importante poder contar com o São Pedro na edição deste ano do Portugal O'Meeting. Independentemente disso, a Serra da Estrela tem inúmeros locais de grande beleza, haja ou não neve. Atualmente, o planalto está coberto de neve, o que terá pouco impacto na prova e condicionando apenas a realização de um dos Model Event, agendado para o Vale do Rossim, precisamente para dar a conhecer o magnífico mapa que lá temos e que foi usado para o Ibérico mas que optámos por não usar no POM. Não podemos esquecer que o Carnaval de Gouveia também tem uma forte tradição e que há entidades envolvidas com a organização que permitirão proporcionar grandes momentos gastronómicos como são os casos dos restaurantes O Albertino, no Folgosinho, e do Ponte dos Cavaleiros, bem dentro do mapa do Arcozelo.



Toda a informação em http://www.pom.pt/pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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