quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tove Alexandersson: "A primeira coisa que eu penso quando me levanto é o que devo fazer para ser melhor orientista"



Simone Niggli definiu-a como “o alvo a abater” nas próximas temporadas, mas ela parece não se incomodar muito com isso. De vitória em vitória, Tove Alexandersson vai colocando a pressão em cima das suas adversárias e acabou por tornar-se na mais séria candidata ao ceptro da Orientação feminina mundial, após o afastamento da grande campeã suiça.


Tinha apenas um ano de idade quando fez a sua primeira prova de Orientação. Desse iniciático “miniknat” à vitória na 10ª etapa da Taça do Mundo de Orientação em Esqui, no passado domingo, vai todo um percurso triunfal que se salda em quatro medalhas de prata em Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre e a vice-liderança do ranking mundial, para além de dois títulos mundiais de Orientação em Esqui e o segundo lugar atual na respetiva Taça do Mundo 2013-2014, a escassos cinco pontos da liderança.

“A disciplina mais importante para mim é a Orientação Pedestre, mas sinto que a Orientação em Esqui também faz com que eu seja melhor orientista. Ao longo de cada temporada não posso dizer que o meu enfoque seja na Orientação em Esqui, antes procuro concentrar-me na orientação em si mesma e fazer aquilo que penso seja mais vantajoso para melhorar cada vez mais”, refere Tove a este propósito.


A planificação é toda feita por mim”

Deixando de parte a Orientação em Esqui, concentramo-nos na Pedestre e aqui surge o primeiro grande momento da nossa conversa. Consegue definir aquele “clique” que a levou a dizer “é isto que eu quero, a Orientação é o meu desporto?”, pergunto. A resposta, assertiva, não se faz esperar: “Soube desde sempre que era isto que eu queria fazer!” Falar do momento mais alto ou mais baixo na sua (ainda curta) carreira é algo que deixa Tove pouco à vontade: “Não sei, tenho tantas memórias tão boas – e outras menos boas – mas não gosto de fazer comparações entre elas”, diz.

Falamos agora do treino e fico surpreendido ao saber que a atleta não tem qualquer treinador ou preparador físico a acompanhá-la. “A planificação é toda feita por mim”, assegura. Tendo evidenciado desde sempre enormes competências do ponto de vista técnico, nos últimos anos Tove Alexandersson tem centrado mais as atenções na parte física, referindo contudo que “ambas merecem todo o cuidado”. No seu caso, difícil se torna falarmos numa “semana-tipo” de treino: “As minhas semanas diferem muito umas das outras pelo facto de estar sempre fora, quer em Campos de Treino (Esqui ou Pedestre), quer em competição. Mas no Inverno é usual competir dois dias por semana, fazer três ou quatro sessões de treino de velocidade, duas a quatro sessões de treino longo e algumas curtas, dependendo do número de treinos estabelecido”, diz.

Para quem, à partida, é dado como favorito à vitória, lidar com a pressão pode ser um assunto deveras complicado. Mas não para Tove: “Não penso muito nisso porque o problema não é meu. Não me preocupo minimamente com aquilo que possam ser as expectativas dos outros.”


Quero ser a melhor”

E assim chegamos a Vuokatti e às duas medalhas de prata conquistadas nas Distâncias Média e Longa dos recentes Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre: “Estou muito contente com os resultados globais alcançados nos Campeonatos do Mundo, mas sei que teria sido capaz de poder fazer ainda melhor. Só não sei se esse melhor teria sido suficiente para conseguir chegar à medalha de ouro”, comenta a este propósito.

Falando dos objetivos para a temporada que agora começa, Tove mostra-se algo evasiva na sua definição. “Não estabeleço esse tipo de metas, pelo menos dessa forma. Quero ser a melhor mas não tenho um objetivo para uma temporada em concreto. Procuro fazer sempre aquilo que estiver ao meu alcance para alcançar os melhores resultados possíveis”, conclui.


Espero chegar aos Europeus bem preparada”

A entrevista encaminha-se para o final e Portugal é um tema de conversa incontornável até porque, de 9 a 16 de Abril, Palmela será palco do Campeonato da Europa de Orientação Pedestre. Um evento que Tove Alexandersson não quer falhar: “Já estive em Portugal por duas vezes, em Campos de Treino, e gosto muito do tipo de terrenos”, começa por referir. Mas também aqui não levanta uma ponta do véu, sequer, no tocante a objetivos: “Não sei. Os Campeonatos do Mundo são o meu principal objetivo, mas espero chegar aos Europeus bem preparada”.

As últimas palavras tomam a forma de um conselho, um conselho dirigido sobretudo aos mais novos, àqueles que sonham poder um dia vir a ser como ela: “Concentrem-se. A primeira coisa que eu penso quando me levanto é o que devo fazer para ser melhor orientista.”


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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