domingo, 21 de julho de 2013

I ORI-PRECISÃO "ROTA DA BAIRRADA": DANIEL FILIPE E JÚLIO GUERRA VENCEM EM ÁGUEDA



Águeda recebeu a 9ª etapa do III Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Numa cidade em festa, Julio Guerra e Daniel Filipe souberam impôr-se à concorrência, levando de vencida as classes respetivas.


Com a cidade de Águeda a viver de forma intensa mais uma edição do AgitÁgueda, o dia de sábado trouxe às ruas da cidade muita animação e decoração insólita, com manequins floridos, ruas cobertas de guarda-chuvas multicores, teatro de rua e... Orientação. A atividade desportiva contou com a assinatura do Desportivo Atlético de Recardães e desenvolveu-se nas vertentes Pedestre e de Precisão, esta última com a realização da 9ª e penúltima etapa do III Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”.

Na distância de 1.400 metros, o percurso do I Ori-Precisão “Rota da Bairrada” obedeceu a um conceito inovador, ao encontro da cidade e das suas gentes. Ruas e avenidas, praças e jardins, tudo foi aproveitado para a colocação dos pontos, misturando atletas e transeuntes e provocando uma natural onda de curiosidade em quem se dispunha a observar o desenrolar da prova. Aquilo que a Orientação de Precisão poderá ter perdido com esta fuga da floresta “pura e dura”, ganhou-o certamente no valor inclusivo duma modalidade que teima em lutar pela sua afirmação e por ganhar um lugar de reconhecida importância no panorama da Orientação nacional.


Nuno Rebelo assume liderança

Com Ricardo Pinto e Diana Coelho ausentes na Finlândia, a representar o nosso país nos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão, Julio Guerra (DAHP) chegou pela segunda vez consecutiva a uma vitória no Circuito, impondo-se por larga margem aos seus companheiros do Núcleo de Desporto Adaptado do Hospital da Prelada, António José Novais, Ana Paula Marques e António Amorim. Julio Guerra registou um resultado de 14/16 pontos, igualando a performance de Daniel Filipe (Individual), o vencedor da Classe Aberta. Filipe estreou-se assim da melhor forma no Circuito, levando de vencida pela apertada margem de um ponto os “consagrados” Nuno Pires (Ori-Estarreja), Aida Correia (GD4C), Cláudio Tereso (ATV) e José Miguel Sá (Clube Montepio Geral).

A prova ficou marcada por um conjunto de problemas técnicos e reclamações que obrigaram à anulação de dois dos dezasseis pontos no terreno inicialmente previstos. A uma etapa da sua conclusão, o III Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais” assistiu a grandes mexidas nos lugares cimeiros do ranking da Classe Aberta, com Nuno Rebelo (Ori-Estarreja) a tirar partido da ausência de Pedro Massa (DAHP) para se fixar no primeiro lugar com 443,36 pontos. Embora não possa descuidar-se na última etapa, já no próximo sábado, na Lagoa da Vela (Quiaios, Figueira da Foz), Nuno Rebelo parece ter tudo para levar de vencida a edição 2013 do Circuito. Quanto aos lugares imediatos, a luta entre Pedro Massa, Nuno Pires (Ori-Estarreja) e Aida Correia (GD4C) está agora mais acesa que nunca, com os três contendores separados entre si por escassos oito pontos (!). Na Classe Paralímpica, Ricardo Pinto e Júlio Guerra garantiram já os dois primeiros lugares, estando por definir ainda a terceira posição, a qual, tudo aponta, venha a ser ocupada por Diana Coelho.




[Foto gentilmente cedida por Paula Lopes]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 19 de julho de 2013

WTOC 2013: PORTUGUESES NA ALTA RODA



Pela segunda vez no seu historial, Portugal marcou presença nos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão. Apesar da modéstia dos resultados, os quatro atletas presentes em Vuokatti mostraram alguns apontamentos deveras interessantes e que permitem projetar um futuro risonho nesta peculiar disciplina.


Entre 07 e 14 de Julho, teve lugar em Vuokatti, na Finlândia, a 10ª edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2013. Disputado em paralelo com o Campeonato de Mundo de Orientação Pedestre, o evento de Precisão contou com a presença de 92 atletas distribuídos pelas Classses Aberta e Paralímpica, representando no seu conjunto 19 países. Depois da estreia em 2012, nos Mundiais de Dundee (Escócia, Reino Unido), Portugal repetiu a presença no maior certame de Orientação de Precisão Mundial, fazendo alinhar dois atletas na Classe Aberta – Alexandre Reis e Joaquim Margarido – e outros dois na Classe Paralímpica – Diana Coelho e Ricardo Pinto.

As provas tiveram lugar em terrenos de floresta, com um recorte de relevo muito variado, excelente visibilidade e profundidade de campo, apelando a uma leitura aturada das curvas de nível e a uma visão de conjunto o mais abrangente possível. Com os troços de sentido único a implicar uma avaliação antecipada dos problemas, as “ratoeiras” a espreitar a cada curva do caminho e o mais ínfimo dos pormenores a adquirir uma importância inusitada no momento da decisão, a competição revelou-se duma exigência ímpar, apelando às qualidades técnicas dos participantes, ao seu sentido de oportunidade e à sua capacidade máxima de concentração.


Portugueses, um a um

Foi sob estas premissas que os nossos atletas evoluíram ao longo de dois dias de competição para um total de 45 pontos no terreno, dos quais seis cronometrados. “Bisando” a sua presença em Campeonatos do Mundo, Joaquim Margarido e Ricardo Pinto estiveram percentualmente uns furos acima daquilo que haviam conseguido há um ano, na Escócia, com o primeiro a alcançar um total de 24 pontos (doze em cada um dos dias de competição), o que lhe valeu o 51º lugar final na Classe Aberta. Ricardo Pinto concluiu a sua participação na Classe Paralímpica no 31º lugar com um total de 20 pontos. A incapacidade em gerir adequadamente o tempo de prova acabou por se revelar fatal para Joaquim Margarido. O atleta registou em ambos os dias um excelente início de prova, mas que se foi diluíndo com o rápido escoar do tempo, para terminar de forma algo desoladora, sobretudo no segundo dia. Já Ricardo Pinto corrigiu da melhor forma uma entrada menos positiva nos Campeonatos, alcançando uma motivadora prestação no derradeiro dia.

Estreantes nestas andanças, Alexandre Reis e Diana Coelho acabaram por superar as expectativas. Tal como Ricardo Pinto, também Diana Coelho demonstrou uma extraordinária evolução do primeiro para o segundo dia, o que lhe permitiu pular uns furos na tabela até se estabelecer no 32º lugar na Classe Paralímpica, com um total de 16 pontos. Quanto a Alexandre Reis, acabou por ser um caso à parte no contexto da participação portuguesa, visto ser ele o responsável pela Cartografia e Traçado de Percursos do próximo Campeonato da Europa de Orientação de Precisão, que decorrerá em Palmela, em Abril do próximo ano. Assim, foi na dupla qualidade de atleta e observador que esteve em Vuokatti, demonstrando desde logo um “músculo” técnico fortemente apurado e um talento inato para a Orientação de Precisão. Os 18 pontos no final do primeiro dia falam por si, sobretudo tendo em conta que foram alcançados num tempo impressionante, pouco superior a uma hora. O atleta voltaria a ter idêntica prestação no decisivo dia, concluindo no 34º lugar com um total de 34 pontos. Portugal teve ainda a oportunidade de marcar presença na competição por equipas, concluindo na 14ª posição com um total de 42 pontos e deixando atrás de si apenas a Hungria com 39 pontos.


TempO do nosso descontentamento

O último dia de competição foi votado à variante “cronometrada” designada por TempO, uma espécie de “sprint da Orientação de Precisão” e que viu em Vuokatti serem consagrados os seus primeiros Campeões do Mundo. Com a competição restringida a três elementos por país e com Alexandre Reis a fazer a prova “por fora”, foi sob Joaquim Margarido e Ricardo Pinto que recaiu a responsabilidade de representar Portugal nesta particular competição. Os atletas portugueses não conseguiram ultrapassar a série qualificatória, quedando-se pelos 48º e 52º lugares, respetivamente. Num modelo competitivo idêntico ao do Troféu Mundial de 2012 (oito estações com três problemas cada), Ricardo Pinto concluiu com um score de 763,5 segundos (8 respostas acertadas). Apesar de ter acertado mais dois problemas que o seu companheiro de equipa, Joaquim Margarido não conseguiu fazer melhor que uns modestíssimos 898,5 segundos, visto ter sido demasiado lento na tomada de decisões.

No cômputo geral dos Campeonatos, Finlândia, Suécia e República Checa repartiram entre si o ouro. A Finlândia acabou por levar vantagem nas contas finais, com Jari Turto a vencer a competição de Precisão e Pinja Mäkinen a levar a melhor no TempO. A checa Jana Kostova foi a grande vencedora da competição na Classe Paralímpica, enquanto a Suécia (Martin Fredholm, Stig Gerdtman e Michael Johansson) arrebatou o ouro na competição por equipas. Croácia e Dinamarca chegaram igualmente às medalhas, no primeiro caso graças à prata na competição coletiva e no segundo caso mercê do bronze conquistado tanto individual (Søren Saxtorph, Classe Paralímpica), como coletivamente.

Consulte os resultados completos em http://www.woc2013.fi/woc/sp?Open&cid=content73E48B.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 9 de julho de 2013

WTOC 2013: MODEL EVENT FOI ESTA MANHÃ



Decorreu esta manhã a prova modelo que antecede a competição dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2013, que até à próxima sexta-feira decorrem em Vuokatti, Finlândia. Uma prova modelo que serviu de teste às qualidades e capacidades dos nossos atletas, na véspera do primeiro embate "a doer".


Com os olhos de todos postos na Final de Distância Longa dos Mundiais WOC 2013, o acordar em Vuokatti foi particularmente sereno para a seleção nacional portuguesa de Precisão. Foram muitos os atletas e acompanhantes que deixaram os alojamentos e a zona de refeições ainda antes das 8h00 e, "à hora de ponta" habitual, o restaurante era quase um exclusivo do "pessoal" da Precisão. Das comitivas do Japão e da Suécia, que se distinguem facilmente por serem as mais numerosas, à Croácia ou a Portugal, decisivamente as mais afáveis, é todo um jogo de cumplicidades que se vive em torno duma modalidade que tem ainda um longo caminho a percorrer até atingir o reconhecimento que verdadeiramente merece.

Entre as 10h00 e as 12h45, a nossa seleção permaneceu embrenhada na floresta, procurando resolver os oito pontos (mais dois cronometrados) com o entusiasmo e a emoção que caracteriza os grandes momentos. Houve a oportunidade privilegiada para se discutirem opções ponto a ponto e para se perceber que tipo de terreno nos espera. Quanto aos desafios, dificilmente se revestirão de tanta facilidade ou simplicidade como os verificados hoje. Amanhã as coisas serão seguramente diferentes... para pior!

Das impressões recolhidas, a atleta paralímpica Diana Coelho realça a importância desta oportunidade e deixa uma nota particular em relação à cartografia, "muito simplificada relativamente àquilo a que estamos habituados e sem elementos acessórios que permitam com facilidade ter a certeza das coisas." A atleta reconhece que "é necessário estar com a máxima atenção, porque um pormenor que escape é meio caminho andado para não encontrarmos a solução." Amanhã, a palavra de ordem é, pois, "concentração máxima!"

Também o paralímpico Ricardo Pinto se manifestava muito favoravelmente em relação "ao conhecimento do tipo de terrenos e de mapas que esta prova de treino proporcionou". O atleta reconhece que cometeu alguns erros nas opções tomadas e que "poderia ter feito muito melhor", mas o balanço é positivo. Amanhã é outro dia e o atleta espera "uma prova muito mais complicada", concordando integralmente com Diana Coelho na necessidade de manter os níveis de concentração no máximo.

Com vinte Mundiais no currículo mas sendo este o primeiro na vertente de Precisão, Alexandre Reis está aqui na dupla qualidade de Atleta e responsável pela cartografia e percursos dos Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão ETOC 2014, que terão lugar em Palmela. Mas é sobretudo na segunda vertente que o atleta gosta de encarar a sua presença em Vuokatti, embora hoje a sua experiência tenha sido muito virada também para o foro competitivo e para aquilo que poderá estar à sua espera. Assim, da prova Modelo retira que "a sensibilidade da Pedestre dá-me algum conforto em termos da interpretação do terreno, mas não estava à espera que a Precisão encerrasse tantas particularidades. As questões que parecem óbvias nem sempre o são e a acomodação à Pedestre também me levou a tomar uma opção que se revelou errada." Quanto ao desenho do mapa, "há elementos importantes para a Pedestre que não figuravam e quanto ao relevo estava particularmente trabalhado na área do ponto". Amanhã, a estratégia é, assumidamente, "confiar na minha sensibilidade e melhorar na questão de lidar com a pressão do tempo nos pontos cronometrados."

Uma novidade neste Model Event foi a presença de Helena Almeida, a acompanhante de Diana Coelho, também de mapa na mão, naquilo que foi uma presença iniciática altamente motivadora. Helena Almeida considera que "sem conhecimentos, sem bússola e com uma formação de trinta segundos, foi o aceitar o desafio pelo desafio, uma oportunidade única de experimentar uma modalidade que desconhecia por dentro e logo num evento com esta importância." Reconhecendo a sua "inadequação perante os desafios colocados e ao lado de pessoas tão qualificadas", a estreante Helena Almeida deixa uma palavra de agradecimento a todos os elementos da seleção nacional "pelo companheirismo, apoio e ajuda". A finalizar, duma coisa Helena Almeida não tem dúvidas: "A motivação para conhecer os meandros da Orientação de Precisão é muito grande e vão ter de contar comigo a partir de agora."

Tudo para acompanhar em http://www.woc2013.fi/ ou aqui, no seu Orientovar.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 8 de julho de 2013

WOC / WTOC 2013: BOM DIA VUOKATTI!



Bom dia, Vuokatti. A manhã acorda fresca e há uma brisa que se arrasta sobre o lago e nos suaviza os sentidos. Sabemos que em Portugal o estio aperta mais que nunca e este tempo e este lugar paradisíaco são um verdadeiro bálsamo. Para o corpo e para a alma.


Campeonato do Mundo de Orientação WOC/WTOC 2'13. É aqui, em Vuokatti, que por estas alturas tudo acontece. Olhamos à nossa volta e aqueles que nomeámos ao longo do anos, dos anos, estão aqui ao nosso lado. Convivendo, relaxando, competindo. A atmosfera é a dos grandes eventos e este, definitivamente, é o maior de todos. Mesmo não tendo a dimensão dos números duma Jukola ou dum O-Ringen, mesmo longe do valor sentimental do "nosso" Portugal O' Meeting, tem esse valor, esse peso, que é o peso do ouro, onde tudo é mesmo tudo e o resto é muito pouco ou quase nada.

Falava há momentos com Scott Fraser, um britânico que conhecemos bem das provas de Inverrno em Portugal - foi uma das grandes figura do POM 2010, por exemplo -, numa pausa entre a qualificatória e a final de Sprint para a qual se apurou. Sentado tranquilamente no 'lobby' do Oma Hotel, dizia-nos precisamente isso, "é uma questão de tudo ou nada". No caso do Scott, essa premissa adquire uma dimensão maior ainda, uma vez que a lesão que o tem mantido afastado das competições o impedirá de fazer mais provas. Para ele, o WOC termina daqui a um bocadinho e... "we'll see!"

Quanto à comitiva portuguesa presente na competição de Precisão, a viagem longa e cansativa fez desvanecer um pouco alguma má impressão causada por um alojamento sem adequação para uma pessoa com mobilidade reduzida (sem falar nas escadas para o andar de cima, obrigando o Alexandre a  subidas radicais (e descidas mais radicais ainda). Só queríamos descansar e, na verdade, apesar de ser dia toda a noite (!) e de não haver persianas nas janelas, conseguimos descansar bem. Entretanto, já hoje, a organização deslocou-nos para um novo alojamento, praticamente no "coração" do Centro do Evento e o problema do alojamento parece estar resolvido (mas, também aqui, as janelas não têm persianas).

Falando agora um pouco daquilo que tem sido a competição, até ao momento não há grandes surpresas. Um "bravo" aos nossos atletas, com três presenças nas finais - Diogo Miguel e Tiago Aires na Longa e João Mega Figueiredo no Sprint - e uma expectativa muito grande no que toca a resultados naquilo que falta de Mundiais. E, em boa verdade, falta praticamente tudo. Uma nota de apreço, igualmente, para aquilo que os espanhóis têm feito até ao momento. depois de ontem a Espanha ter metido Roger Casal, Anna Serralonga e Alicia Cobo nas finais de Distância Longa, já hoje foi a vez de Marc Serralonga, Andreu Blanés, António Martinez e Alicia Cobo terem alcançado igual desiderato.

Acompanhe o Campeonato do Mundo de Orientação WOC/WTOC 2013 em http://www.woc2013.fi/ ou aqui, no seu Orientovar.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 5 de julho de 2013

JWOC 2013: FLORIAN SCHNEIDER E HEIDI MÅRTENSSON SPRINTAM PARA A VITÓRIA



Florian Schneider e Heidi Mårtensson foram as figuras do dia no JWOC 2013, ao levarem de vencida as finais de Sprint nos respetivos escalões. Grande dominadora das duas finais anteriores, a Suécia quedou-se hoje fora das medalhas.


Com o tempo de 14:35 para 2.400 metros de prova, o suiço Florian Schneider sagrou-se hoje campeão do Mundo de Juniores na distância de Sprint. A prova decorreu no centro histórico de Hradec Králové, a cidade que até amanhã acolhe o evento, e viu classificar-se na segunda posição, a apenas 4 segundos do vencedor, o checo Michal Hubáček, enquanto o terceiro lugar coube ao neo-zelandês Tim Robertson, com mais 12 segundos que Schneider. Florian Schneider alcança assim a sua segunda medalha nestes Campeonatos, depois de ter conseguido o segundo lugar na final de Distância Longa da passada segunda-feira. Um título particularmente saboroso para o selecionado suiço, reeditando quatro anos depois a vitória na final de Sprint do atual líder do ranking mundial, Matthias Kyburz.

No setor feminino, foi com alguma surpresa que se assistiu à vitória da norueguesa Heidi Mårtensson, sobretudo depois duma entrada algo titubeante neste JWOC (45º lugar na prova de Distância Longa e relegada para a final B na Distância Média, onde viria a ser desclassificada). Mas hoje era, definitivamente, o dia da atleta e os 14:33 com que completou os 2.100 metros do percurso falam por si. Só a distantes 12 segundos terminaria a segunda classificada, a dinamarquesa Nikoline Friberg Klysner, enquanto o terceiro lugar coube a Anastasia Denisova, com mais 15 segundos que a vencedora. Denisova que alcança, por direito próprio, um lugar na história do JWOC, oferendo à Bielorússia a sua primeira medalha no certame. Lisa Risby, a atleta sueca que vinha dando a nota de sensação neste JWOC com uma medalha de ouro e uma de prata conquistadas até ao momento, foi desclassificada.

Uma palavra para os três portugueses presentes nestes Mundiais e que alcançaram resultados bastante idênticos, em qualquer dos casos ainda na primeira metade da tabela. Rafael Miguel foi o 75º classificado com um tempo de 16:40, Vera Alvarez concluiu no 67º lugar com um registo de 17:01 e Rita Rodrigues ocupou a posição imediata com mais 4 segundos que a sua compatriota. Uma nota ainda para o excelente 22º lugar do espanhol Eduardo Gil Marcos, a 59 segundos do vencedor.

Amanhã cumpre-se o último ato destes Mundiais de Juniores com a disputa das provas de Estafeta. Tudo para acompanhar em http://www.jwoc2013.cz/ ou aqui, no seu Orientovar.


[Foto: https://www.facebook.com/Jwoc2013jwocTour]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 3 de julho de 2013

JWOC 2013: DOMÍNIO NÓRDICO NA FINAL DE DISTÂNCIA MÉDIA



Repetindo a bem sucedida etapa inaugural dos Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2013, a Suécia voltou a mostrar a sua veia ganhadora na final de Distância Média de hoje. No regresso a Radvanice, a turma sueca ocupou por inteiro o pódio masculino e conquistou ainda a medalha de prata no setor feminino. Emil Svensk e Miri Thrane Ødum são os grandes vencedores da jornada, mas há um nome que se afirma sobre os demais com metade dos títulos disputados: Lisa Risby.


Depois do título de Distância Longa alcançado na passada segunda-feira, Lisa Risby (Suécia) voltou a ser figura de destaque no dia de hoje ao concluir a final de Distância Média na segunda posição com o tempo de 25:36 para 3.000 metros de prova (110 metros de desnível, 14 pontos de controlo). A atleta teve uma entrada desastrosa num mapa particularmente rude e pedregoso, perdendo cerca de dois minutos nos pontos 2 e 4 (era nessa altura a 54ª classificada); mas não virou a cara à luta e demonstrou uma forma e uma classe verdadeiramente fantásticas que lhe permitiram chegar à medalha de prata. A vencedora foi a dinamarquesa Miri Thrane Ødum com um registo de 25:05, enquanto a terceira posição coube à norueguesa Mathilde Rundhaug com mais 40 segundos que a vencedora. Isia Basset (França) e Lucy Butt (Grã-Bretanha), que ontem tinham dado nas vistas ao vencerem as respetivas séries classificatórias, não foram hoje além do 5º e 19º lugar, respetivamente. A espanhola Marina Garcia Castro fechou o leque de 57 atletas classificadas, a 23:04 da vencedora.

No setor masculino, o momento do dia registou-se aquando da subida ao pódio dos três atletas suecos. Uma explosão de alegria em torno duma proeza que apenas em 2000 (Nove Mesto Na Morave, República Checa) havia sido registada, igualmente na final de Distância Média, na altura com os checos Michal Smola, Zbynek Hora e Jaromír Svihovsky a alcançarem, por esta ordem, igual desiderato. Desta feita, Emil Svensk foi o mais rápido, concluindo a sua prova de 3.600 metros (120 metros de desnível, 17 pontos de controlo) em 24:32, batendo os seus compatriotas Anton Johansson e Jens Wängdahl pelas escassas margens de um segundo e nove segundos, respetivamente. Sindre Rønning (Noruega), Rudolfs Zernis (Letónia) e Thor Nørskov (Dinamarca), vencedores das séries qualificatórias do dia de ontem, concluiram em 8º, 18º e 29º lugar, respetivamente. Piotr Parfianowicz, medalha de ouro na final de Distância Longa da passada segunda-feira, não foi além do 52º lugar, enquanto os espanhóis Ruiz Pedro Morales e Eduardo Gil Marcos concluiram nos 46º e 55º lugares, respetivamente. O português Rafael Miguel foi o 57º classificado, com um registo de 34:30.

Amanhã é dia de descanso, regressando as grandes decisões só na próxima sexta-feira com as finais de Sprint. Tudo para acompanhar em http://www.jwoc2013.cz/ ou aqui, no seu Orientovar.


[Fotos de Petr Kadeřávek / kade.cz]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 2 de julho de 2013

JWOC 2013: QUALIFICATÓRIA DE DISTÂNCIA MÉDIA SEM SURPRESAS



Estão encontrados os sessenta atletas masculinos e femininos que amanhã disputarão a final A de Distância Média dos Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2013. Num conjunto de provas rijamente disputadas, Rafael Miguel foi o único atleta português a carimbar o passaporte para a final mais desejada, mercê do 19º lugar alcançado na primeira série.


Com a disputa das séries de qualificação da prova de Distância Média, chegou ao fim o segundo dia de competição deste JWOC 2013. Um dia que foi de alegria imensa para uns e de frustração para outros, os primeiros rumo à final A, os restantes a terem de se contentar com as finais de “consolação”. O mapa de Radvanice revelou-se muito técnico, obrigando os atletas a correr na meia-encosta, o que acabaria por ser fatal para muitos jovens presentes nestes Mundiais. Está neste caso o russo Andrey Kozyrev, medalha de bronze na final de Distância Longa e que hoje não foi além da 21ª posição na série M20C, a 20 segundos do apuramento. Estão neste caso, também, as portuguesas Vera Alvarez e Rita Rodrigues, respetivamente 23ª classificada na série W20A com o tempo de 28:14 (a 1:15 do apuramento para a final A) e 37ª classificada na série W20B com um registo de 33:47 (a distantes 6:02 do apuramento para a final A).

Quanto às séries masculinas, referência para o facto de estarem apurados 60 atletas de 26 países, entre os quais alguns nomes pouco ou nada usuais nestas andanças, como são os casos do sul-africano Bradley Lund, do israelita Nitsan Yasur ou do moldavo Ivan Fomiciov. Portugal também se encontra neste leque de eleição, cujo domínio pertence a finlandeses (6 atletas), checos, suiços e suecos (cinco atletas cada), graças ao 19º lugar alcançado por Rafael Miguel. Apesar da quebra física na parte final da sua prova, o atleta português deu boa conta de si e, com o tempo de 25:15, conseguiu o seu principal desiderato e que era chegar à final A. O letão Rudolfs Zernis foi o vencedor desta série com o tempo de 21:54, enquanto as duas restantes séries tiveram em Sindre Rønning Huber (Noruega) r Thor Norskøv (Dinamarca) os grandes vencedores, com registos de 21:28 e 21:12, respetivamente. Ao australiano Brodie Nankervis cabe o prémio do azar, afastado da final na série B por um escasso segundo.


Lisa Risby, Isia Basset e Lucy Butt vencem séries femininas

No setor feminino, a sueca Lisa Risby voltou a ser uma das grandes figuras destas séries qualificatórias ao triunfar na segunda série com o tempo de 22:32. Depois de ter sido uma das grandes protagonistas da jornada de ontem, a francesa Isia Basset voltou a cotar-se em excelente plano, levando de vencida a primeira série com o tempo de 21:48. Quanto à terceira série, teve na britânica Lucy Butt a grande vencedora com um registo de 21:40. As 60 atletas apuradas representam 21 países, com destaque para a República Checa (6 atletas), Suécia e Finlândia (5 atletas cada). Uma palavra de apreço para a espanhola Marina Garcia Castro, conquistando por direito próprio uma presença na final A graças ao excelente 13º lugar na segunda série. Aqui o prémio do azar vai para a francesa Emilie Backscheider, 21ª classificada na terceira série a dois segundos do apuramento.

Amanhã correm-se as finais A de Distância Média, nas quais os franceses Delphine Poirot e Remi Baudot serão os primeiros a partir, às 11:30 e 13:45, respetivamente. Rafael Miguel sairá às 13:55, menos uma hora em Portugal. Tudo para acompanhar em http://www.jwoc2013.cz/ ou aqui, no seu Orientovar.


[Foto de Petr Kadeřávek / kade.cz]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 1 de julho de 2013

JWOC 2013: PARFIANOWICZ E RISBY ENTRAM COM O PÉ DIREITO



Com as vitórias de Piotr Parfianowicz e Lisa Risby está fechado o primeiro dia do JWOC 2013, o Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre que, ao longo de toda a semana, vai atrair sobre si as atenções da comunidade orientistas internacional. Um primeiro embate que viu ainda Rafael Miguel concluir a prova na primeira metade da tabela classificativa.


Os Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2013 tiveram o seu início hoje, em Odolov, com a disputa da prova de Distância Longa. Uma prova com a distância de 7,1 km para o escalão feminino e de 9,9 km para o masculino, marcada sobretudo pelo desnível acentuado que, no caso das senhoras, se cifrou nos 470 metros, contra 620 metros nos homens. Uma prova especialmente dura e que acabou por constituir um teste de elevada qualidade técnica e física às capacidades dos 316 atletas que alinharam à partida.

O polaco Piotr Parfianowicz foi o grande vencedor da prova masculina, dominando do princípio ao fim e concluindo o seu percurso em 1:09.21, ao ritmo de 7 minutos por quilómetro. Uma vitória particularmente saborosa, 19 anos depois de Robert Banach, a “jogar em casa” nos Mundiais de Gdynia, ter chegado igualmente à medalha de ouro na prova de Distância Longa. Parfianowicz alcança assim a sua segunda vitória numa prova do Campeonato do Mundo de Juniores, depois do triunfo em 2011 (Rumia-Wehjerowo, Polónia), na prova de Estafeta, ao lado de Rafal Podzinski e de Michal Olejnik.


Rafael Miguel em 81º

Depois duma temporada de preparação marcada pelas lesões, o suiço Florian Schneider foi o segundo classificado com o tempo de 1:10:37, enquanto a terceira posição coube ao russo Andrey Kozyrev, que gastou mais 2:23 que o vencedor. A título de curiosidade refira-se que, à semelhança de Parfianowicz, também Schneider e Kozyrev haviam pisado já o pódio do JWOC, o primeiro graças à medalha de bronze na prova de Distância Média dos Mundiais de 2012 e o segundo nos mesmos Mundiais, onde foi o primeiro classificado na Estafeta, ao lado de Ivan Kuchmenko e Gleb Tikhonov.

Percorrendo o quadro classificativo percebemos no quarto lugar o norueguês Borger Melsom, com mais 2:32 que Parfianowicz (a Noruega chegou ao ouro na Distância Longa nas duas anteriores edições). O primeiro atleta checo foi Michal Hubacek na 11ª posição com um registo de 1:14:28 e o primeiro não europeu foi o neo-zelandês Nick Hann, que completou a sua prova no 14º lugar com o tempo de 1:15:04. Rafael Miguel (Portugal) conclui a sua prova no 81º lugar com o tempo de 1:25:34, praticamente fechando a primeira metade duma tabela classificativa que englobou um total de 169 atletas.


Luta apertada pela vitória

No setor feminino, a Suécia esteve em grande destaque ao alcançar as duas primeiras posições por intermédio de Lisa Risby e Sara Hagström, respetivamente. Apesar das seis medalhas de prata e quatro de bronze conquistadas pelas nórdicas na prova de Distância Longa das anteriores 23 edições, só por uma vez a Suécia tinha chegado ao ouro. Foi em 2008 (Göteborg, Suécia), quando Jenny Lönnkvist venceu e convenceu, ante a sua compatriota Beata Falk. Agora Lisa Risby e Sara Hagström alcançam igual proeza, a primeira com o tempo de 1:00:42, contra os 1:01:29 da segunda classificada.

O triunfo de Lisa Risby foi valorizado pela luta travada não apenas com Sara Hagström, atleta que seguia na liderança com metade da prova cumprida, mas também com outras grandes atletas, nomeadamente a francesa Isia Basset - que comandava a prova já muito perto do final mas acabaria por cair para a quarta posição com o tempo de 1:02:15 - e a russa Ekaterina Savkina, que se quedou pela terceira posição a 54 segundos apenas da vencedora. Katerina Chromá, na 7ª posição com o tempo de 1:04:48, foi a melhor atleta checa, ao passo que as portuguesas Vera Alvarez e Rita Rodrigues não concluiram os respetivos percursos. Participaram nesta prova 147 atletas.


Qualificatórias de Distância Média dominam segundo dia de provas

Amanhã é dia de qualificatórias de Distância Média. As provas terão lugar em Radvanice, junto à fronteira com a Polónia e a organização promete provas muito exigentes do ponto de vista técnico. Os atletas estarão divididos por três series em cada categoria, com Rafael Miguel a partir na segunda série às 13:34 (menos uma hora em Portugal), Rita Rodrigues a sair na primeira série às 12:45 e Vera Alvarez a correr também na primeira série e a partir um pouco mais tarde, às 13:25. Tudo para acompanhar em http://www.jwoc2013.cz/ ou aqui, no seu Orientovar.


[Fotos de Petr Kadeřávek / jwoc2013.cz]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

RICARDO PINTO: RUMO AOS MUNDIAIS DA FINLÂNDIA



A uma semana do início do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão, o Orientovar foi ao encontro do atleta paralímpico Ricardo Pinto, que representará Portugal pela segunda vez no importante evento. Fomos encontrá-lo nas margens da Lagoa da Vela onde, a convite da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense, colaborou no traçado de percursos da 6ª etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão que ali terá lugar no próximo dia 27 de Julho.


Apesar do calor intenso que se faz sentir, está-se bem junto à Lagoa da Vela, em Quiaios. Palco de alguns momentos memoráveis da história recente da Orientação portuguesa – ali teve lugar, entre outros, a decisiva etapa do Portugal O' Meeting 2010 -, o espaço prepara-se para receber a 6ª etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão e, simultaneamente, a última etapa do III Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”.

A organização da prova, a cargo da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense, pode contar, na importante fase de preparação correspondente ao traçado de percursos, com a colaboração do atleta paralímpico Ricardo Pinto, dos quadros do DAHP – Núcleo de Desporto Adaptado do Hospital da Prelada. Uma primeira experiência do atleta nestas lides e que é avaliada de forma muito positiva, conforme o Orientovar teve oportunidade de registar. Para o atleta, o mapa da prova é “muito bom e os participantes podem esperar uma prova fantástica e com uma belíssima paisagem de fundo”. Referindo que “o terreno é muito bom, aliás diria mesmo excelente em todos os aspetos, no que toca à progressão para pessoas com mobilidade reduzida”, Pinto acrescenta que “os participantes poderão esperar também um tipo de prova que vai exigir o máximo das suas capacidades em todos os aspectos.”


Um treino de excelência

Mas a presença de Ricardo Pinto na Lagoa da Vela teve, igualmente, um objetivo muito particular. Os Campeonatos do Mundo aproximam-se a passos largos e o atleta não esconde a importância desta atividade, enquadrando-a numa forma muito específica de treino: “Sem dúvida alguma que traçar percursos é uma boa forma de treinar todas as nossas capacidades uma vez que temos de estar atentos a todos os pormenores e pensar em todas as vertentes do mapa. Para mim foi um treino excelente com vista à participação no Campeonato do Mundo WTOC 2013 que é daqui a menos de 8 dias na Finlândia.” Ricardo Pinto refere que a experiência o veio ajudar imenso a entender muito melhor alguns pormenores mais técnicos, contribuindo para o esclarecimento de algumas dúvidas relativamente ao terreno e principalmente nas curvas de níveis.” Por esse motivo, conclui: “Espero poder vir a fazer mais marcações de percursos pela razão de se aprender imenso com isso.”

Uma última palavra para a problemática da mobilidade reduzida e para a Orientação de Precisão como modalidade inclusiva por excelência, ao encontro desse direito universal do acesso à prática desportiva: “Todas as pessoas com mobilidade reduzida e as respetivas famílias deveriam abraçar esta modalidade desportiva, visto ser um factor importante de integração.” Salientando que a Orientação de Precisão é para todos - “certamente todos os orientistas têm um amigo, conhecido e até mesmo pessoas na família com mobilidade reduzida” -, Ricardo Pinto lança um apelo a “que se pense em trazer essas pessoas a estas provas. Só assim a modalidade pode tornar-se mais competitiva e crescer.” Tomando por modelo a sua experiência pessoal e a forma como a Orientação de Precisão mudou a sua vida, o atleta sublinha que “esta é uma modalidade que ajuda em todos os aspectos, fisicos, mentais, psicológicos e acima de tudo o nosso próprio bem estar. Só o facto de sairmos de casa e estarmos em contacto com a natureza já é muito gratificante.” E conclui: “Se juntarmos a isso o facto de estarmos a fazer desporto, então é a cereja em cima do bolo.”


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO