domingo, 30 de junho de 2013

JWOC 2013: PORTUGUESES NOS MUNDIAIS



Ultimam-se os preparativos para o arranque do Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2013 que irá ter o seu início amanhã. A doze horas do primeiro grande embate, o Orientovar toma o pulso ao estado dos nossos três atletas presentes em Hradec Králové – Rafael Miguel, Rita Rodrigues e Vera Alvarez – e aproveita para traçar um pouco da história da presença portuguesa em vinte e quatro edições da prova.


A participação portuguesa em Campeonatos do Mundo de Juniores teve início em 1996, na Roménia. Desde então, Portugal marcou presença em todas as edições da prova, à excepção do JWOC 2000 (República Checa), JWOC 2001 (Hungria) e JWOC 2007 (Austrália). Para a história ficam os nomes de Carlos Pereira, Hugo Patrício, Bruno Gonçalves, Daniel Silva, Ana Martins e Mafalda Almeida como os primeiros atletas portugueses a participarem na competição.

E porque a competição vive dos resultados, digamos que o histórico pesa contra nós, não fora a edição de 2009, em Itália, ter feito atrair a atenção do mundo da Orientação sobre aquilo que de muito bom poderia estar (e estava!) a ser feito em Portugal. Esse foi o ano em que Tiago Romão e Diogo Miguel alcançaram resultados dignos de registo na final de Sprint, com um 11º e um 14º lugar, respectivamente. Também na prova feminina, é digno de registo o 51º lugar de Ana Coradinho, igualmente na prova de Sprint. Mas os bons resultados de 2009 não se ficam por aqui. Na prova de Distância Longa, Diogo Miguel foi um brilhante 40º classificado, enquanto Tiago Romão e Diogo Miguel conseguiram marcar presença na final A de Distância Média, onde foram 39º e 41º classificados, respetivamente. Finalmente, Portugal fez história em ambas as Estafetas, alcançando os melhores resultados de sempre: o 12º lugar no sector masculino e o 21º no sector feminino.


Da final A de Distância Média de Joana Costa ao 7º lugar de Mega Figueiredo no Sprint

Em 2011, nos Mundiais disputados em Rumia – Wejherowo (Polónia), Portugal voltou a marcar excelente presença com Luis Silva e Pedro Silva a chegaram de novo à final A de Distância Média, onde foram 51º e 54º classificados, respetivamente. Mas o grande feito coube a João Mega Figueredo, cujo 31º lugar na final de Distância Longa constitui o melhor resultado português de sempre na distância.

Já em 2012, a estafeta feminina portuguesa (composta por Joana Costa, Mariana Moreira e Vera Alvarez) alcançou um histórico 18º lugar, enquanto Luís Silva conseguiria uma segunda presença consecutiva na final de Distância Média, onde foi 41º classificado, depois da proeza, também ela histórica, de ter vencido a sua série qualificatória. Mas os grande resultado deste JWOC 2012 foram alcançados por João Mega Figueiredo, 7º classificado na final de Sprint e por Joana Costa, não apenas por ter sido a primeira atleta portuguesa a chegar a uma final A de Distância Média, mas também pelo seu 47º lugar final.


Hoje foi dia de Model Event

E chegamos a 2013 e a Hradec Králové, onde hoje foi dia de Model Event e do qual sobram desde já as reações de Vera Alvarez, Rita Rodrigues e Rafael Miguel. Apesar de só ontem ter chegado a Hradec Králové, Rita confessa: “Estou a gostar bastante de estar aqui. Cheguei bastante tarde a Hradec devido a atrasos no voo e depois ainda uma viagem de Praga até ao hotel mas já hoje fizémos dois Model Events, nos quais me ambientei bem ao terreno e mapa.” No tocante a amanhã e à pova de Distância Longa, a atleta promete dar o seu melhor: “Irei num ritmo razoável pois o maior objectivo é para a Média no dia seguinte. Agora é preciso descansar e focar-me nas provas que irei ter!”

Rafael Miguel também partilhou connosco as suas expectativas no tocante à prova de amanhã: “Vou começar a Longa e ver como me sinto. Se estiver a fazer boa prova continuo! Um top 50 ou até 60 seria muito positivo.
No entanto, se cometer algum erro grande não vou acabar a prova.” E explica porquê: “Não faz sentido fazer duas horas de prova quando os grandes objetivos começam no dia seguinte.” Ainda algumas impressões mais: “A adaptação foi relativamente boa e a cada treino sinto-me melhor. Mas mesmo não estando na minha melhor forma, creio que com uma performance estável conseguirei chegar à final A na prova de Distância Média.”


Vera Alvarez descarta Longa

Por último, Vera Alvarez e uma nota de preocupação, já que o problema nos tendões de Aquiles permanece e as cautelas redobradas não têm ajudado ao tão necessário apuramento de forma nesta altura crucial. Mas ouçamos a atleta, a começar pelo dia de amanhã: “Os meus planos permanecem inalterados e não terminarei a prova de Distância Longa. Esta minha decisão foi reforçada pelo facto de ter piorado ligeiramente dos tendões depois do Model Event de hoje onde fui com muito cuidado, pelo que fica completamente fora de questão fazer uma prova de Distância Longa, ainda por cima com este desnível.” Referindo-se em particular ao período de adaptação vivido já em Hradec Králové, a atleta refere que “uma semana de adaptação é crucial, no entanto, nesta semana particularmente, por ser mesmo antes de competição, não podemos aproveitar ao máximo; temos que privilegiar o descanso e não é adequado fazer treinos muito exigentes. Mas ajuda sem dúvida ir aos terrenos mais tempo além do Model Event.” Mas a questão física parece ser um handicap no caso de Vera Alvarez: “Por muito que me sinta confortável tecnicamente, não o sinto fisicamente, o que não se pode melhorar numa semana. O chão é muito sujo e as encostas muito íngremes. São necessários mais treinos no sentido de melhorar a nossa progressão em terrenos como estes. Sinto sempre bastantes dificuldades em avançar no terreno à mesma velocidade que outras atletas, o que no final da prova poderá resultar em bastante tempo perdido.”

Amanhã arranca a competição e o finlandês Elias Kukka será o primeiro a partir quando os ponteiros marcarem as 09:30 (08:30 em Portugal). Só 5 horas e 14 minutos mais tarde sairá Rafael Miguel, enquanto Vera Alvarez e Rita Rodrigues têm como horas de partida as 11:38 e as 13:44, respetivamente. Tudo para a companhar em http://www.jwoc2013.cz/ ou aqui, no seu Orientovar.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

CIRCUITO DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO: RAQUEL COSTA E JULIO GUERRA TRIUNFAM EM VISEU



Raquel Costa e Júlio Guerra foram os vencedores da 8ª Etapa do III Circuito de Orientação “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Integrada no Troféu de Orientação Cidade de Viseu, a prova decorreu no Parque Florestal do Fontelo e contou com a participação de 16 atletas.


O Clube de Orientação de Viseu – Natura levou a efeito no Parque Florestal do Fontelo a 8ª etapa do III Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Integrado nesse evento maior que é o Troféu de Orientação Cidade de Viseu - cujo ponto alto terá lugar no dia de hoje com a realização duma etapa pontuável para o Circuito Nacional Urbano – a etapa de sábado desenrolou-se nas vertentes Pedestre, de Precisão e Adaptada.

A etapa de Precisão viu dezasseis atletas progredirem no belo espaço verde do Parque ao encontro de 14 pontos no terreno e com uma dupla de pontos cronometrados a rematar o percurso de 1.100 metros. Com desafios para todos os gostos, Raquel Costa (GafanhOri) revelou-se a mais certeira na Classe Aberta, concluindo com um “score” de 14/16 pontos e deixando atrás de si, à distância de quatro pontos, Vítor Delgado e Diogo Delgado, ambos do GD4C. Nuno Rebelo (OriEstarreja) e Pedro Massa (DAHP) travaram interessante duelo pelo quarto posto, com o atleta do Clube de estarreja a levar a melhor por um ponto mas ainda a não ser desta que conseguiu chegar à liderança do ranking do Circuito, a qual permanece na posse de Pedro Massa pela escassa margem de 3,5 pontos.

Na Classe Paralímpica, o vencedor apenas foi encontrado nos pontos cronometrados, uma vez que Júlio Guerra e Ricardo Pinto, ambos do DAHP – Núcleo de Desporto Adaptado do Hospital da Prelada, concluíram com igual número de pontos: 11. No decisivo embate entre ambos, Guerra acabaria por responder acertadamente às duas questões em 14 segundos, contra 17 do seu adversário, chegando pela primeira vez à vitória numa etapa do III Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. A terceira posição coube a António Amorim, também ele atleta do DAHP, com um resultado final de 7/16 pontos.





Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 29 de junho de 2013

JWOC 2013: AS APOSTAS DE NORMAN JONES



Vera Alvarez, Rita Rodrigues e Rafael Miguel vão, sob o comando técnico de Norman Jones, participar no JWOC, que decorre na República Checa de 1 a 6 de Julho. Para se ambientarem aos terrenos, seguiram para aquele país já no dia 24.

Colocámos algumas questões, a começar pela ausência de Luís Silva na lista de convocados.
Depois de ter falado com ele”, explica Norman Jones, “resultou claro que, após um ano pessoalmente difícil, ele não estava mental e animicamente preparado para competir no elevado nível que se exige no JWOC”.

Relativamente aos três participantes, eis as apostas de Norman Jones: “A Vera tem capacidade para atingir um lugar no top-10 do Sprint e ficar na primeira metade da tabela na Final da Distância Média. Depois dos seus resultados nos recentes campeonatos nacionais, está em muito boa condição física e confiante num bom resultado. A Rita poderá entrar no top-20 do Sprint e classificar-se na primeira metade da Média. Fez um progresso muito consistente ao longo da época e está a ficar mais confiante. O Rafael poderá ficar no top-25 do Sprint e apurar-se para a Final da Média. Depois das lesões ao longo do ano passado, fez recentemente grandes progressos e dá sinais de ter voltado à forma de há dois anos atrás. Acho que todos os três ganharão uma experiência valiosa pelo facto de estarem no JWOC. A minha filosofia, não apenas para o JWOC mas para toda a seleção júnior, é que eles têm de tirar proveito de todas as suas experiências, incluindo os erros, e tentarem melhorar o seu treino, de modo a não repetirem os mesmo erros e tornarem-se melhores orientistas.”

Questionado sobre se todos vão correr todas as distâncias, Norman confirmou que sim, mas que, “tal como os seniores fazem no WOC, os juniores irão concentrar-se mais em certas corridas. Desta vez, vão todos concentrar-se no Sprint e Distância Média.”

[Excerto do artigo de Manuel Dias, publicado no nº 48 da Orientação em Revista, em http://content.yudu.com/Library/A28oc2/RevistaOrientaoEdio4/resources/index.htm]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

JWOC 2013: PORTUGUESES PRONTOS PARA A AÇÃO



Hradec Kralóvé fervilha de excitação. De amanhã e até ao próximo dia 7 de Julho, é naquela cidade da República Checa que terão lugar os Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2013. Um evento sobre o qual abrimos a partir de hoje uma janela, contando para isso com a prestimosa colaboração dos nossos atletas Rafael Miguel, Rita Rodrigues e Vera Alvarez.


Pela segunda vez em 24 edições, os Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre viajam até à República Checa. Treze anos depois de Nove Mesto na Morave (onde a finlandesa Minna Kauppi subiu pela primeira vez ao pódio duma grande competição internacional, graças às medalhas de bronze conquistadas na Distância Média e na Estafeta) Hradec Králové recebe, ao longo dos próximos dias, um conjunto de 335 atletas em representação de 39 países. Entre os muitos nomes que integram a lista de participantes, destaque para Frida Sandberg (Suécia), Florian Schneider (Suiça), Ivan Kuchmenko e Andrey Kozyrev (Rússia) e Ita Klingenberg, Jakob Ekhard Edsen e Thor Nørskov (Dinamarca), todos eles medalhados na anterior edição do JWOC, que teve lugar em Kosice (Eslováquia).

Do programa fazem parte, para além das Cerimónias de Abertura (30 de Junho) e de Encerramento (06 de Julho), finais nas distâncias “clássicas” de Sprint (05 de Julho), Distância Média (03 de Julho, precedida das séries qualificatórias no dia anterior), Distância Longa (01 de Julho) e Estafeta (06 de Julho).


Acompanhem o JWOC!”

Em Hradec Kralové estão, desde a passada segunda-feira, Vera Alvarez e Rafael Miguel, acompanhados de um dos elementos da equipa técnica nacional (seleções jovens), Norman Jones. Por questões relacionadas com a sua vida académica, Rita Rodrigues permaneceu por cá e só hoje seguirá para a República Checa. Rita Rodrigues que, antes da partida, confessou ao Orientovar sentir já “um nervoso miudinho”. A atleta não esconde as suas ambições: “Desde o inicio da época que ando a treinar principalmente para a Distância Média e Sprint (final A na Média e no Sprint tentar ficar nas 20 primeiras!).” Rita Rodrigues considera que “o JWOC será uma competição com sentido especial, em termos de ganhar experiência e também competir com as melhores” e, apesar de não estar a fazer os treinos de adaptação juntamente com a Vera e o Rafael, espera conseguir “bons resultados, em termos físicos sinto-me bem e só quero que o dia chegue!” A terminar, um voto: “Boas férias e acompanhem o JWOC!”


Não apostar de todo na Distância Longa”

Já Vera Alvarez tem vivido intensamente esta semana de adaptação passada na República Checa, apesar de “muito atarefada com os estudos, mesmo aqui tão longe”.
Para atleta, o JWOC é uma competição encarada “sempre com bastante importância, principalmente agora pelo facto de já não ter idade para poder participar no EYOC e esta ser a única competição internacional em que participarei nesta época.” Falando da preparação para a competição e do seu atual momento, Vera Alvarez adianta: “Este foi um ano bastante complicado, apesar dos meus resultados em Portugal terem vindo a revelar o contrário. Os treinos não correram sempre da forma pretendida, portanto nunca soube bem se este ano chegaria ao nível que queria de início. A juntar a isso, há cerca de 20 dias voltei a ter uma tendinite em ambos os tendões de Aquiles, o que me fez parar de correr por duas semanas. Tenho feito os últimos treinos com bastantes precauções. Neste momento não tenho exata noção do meu nível físico, mas estou certa que todo o trabalho ao longo do ano não foi para o lixo em apenas duas semanas.”

Referindo-se a Hradec Králové, Vera Alvarez diz que “é uma cidade bonita que nos recebeu com boas condições para prepararmos a prova. O tempo tem estado bastante frio e chuvoso mas, pelo menos hoje a chuva ainda não apareceu… 
Posso dizer que os terrenos são o que esperava. Realizámos até ao momento um treino para a Longa e dois para a Média. O terreno da Longa é bastante mais simples do que o da Média, onde o desnível acentuado e os verdes são predominantes. Na Média, além das características referidas para a Longa, há também bastantes pedras e falésias, o que complica muito as coisas. No meu primeiro treino para a Média senti algumas dificuldades, no entanto já consegui depois disso fazer um treino mais consistente e motivador para a prova.” A terminar, uma abordagem aos seus objetivos: “Estou mais focada no Sprint e na Média, por isso, como a Distância Longa é a primeira prova e eu não quero comprometer o estado dos tendões para os meus principais objetivos, tomei a decisão de não apostar de todo na Distância Longa. Assim sendo, vou concentrar-me em ir à final da Média e em melhorar o meu resultado do Sprint do ano passado (36º).”


Tenho como principal foco a Distância Média e o Sprint”

Finalmente, escutamos as primeiras impressões de Rafael Miguel, nesta que constitui a sua estreia na grande competição: “Depois de um ano difícil em 2012, onde não consegui ser apurado para o Campeonato do Mundo, o início da época 2013 foi muito bom até Março. Depois tive uma lesão que durou mais de um mês. Isto pode querer dizer que não estarei ao nível físico que gostaria, mas tenho os meus objectivos... Infelizmente não tenho treinado muita orientação na floresta, mas tenho trabalhado a minha técnica de Sprint e de leitura de mapa durante a corrida.”

Falando dos seus objetivos, o atleta confessa: “Tenho como principal foco a Distância Média e o Sprint. Estou à espera de uma prova de Distância Média muito técnica e dura, com muitas pedras e verdes que tornam a progressão/visibilidade mais lenta, onde não perder tempo vai ser um grande desafio. Na prova de Sprint estou à espera que a escolha de opção seja o factor fundamental, mas teremos de ter em atenção as 'armadilhas' do traçador de percursos, que deverá usar as diferentes entradas na zona histórica para 'pregar umas rasteiras' aos atletas!” Quanto à Distância Longa, Rafael Miguel admite “não ter expectativas”, até porque “não estou com capacidade física para fazer uma boa prova, nem sei se a irei acabar uma vez que a qualificatória da Média é no dia seguinte. De qualquer forma, na Distância Média tenho como objectivo alcançar a final A e no Sprint uma posição nos sessenta primeiros já seria bom.”


Acompanhe o JWOC 2013 em http://www.jwoc2013.cz/ ou aqui, no seu Orientovar.

[Foto: Vera Alvarez]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 26 de junho de 2013

EU E A MINHA ESCOLA: GABRIELLA GUSTAFSSON (EKSJÖ GYMNASIUM)



Ao vencer a prova de Distância Longa (escalão W1 Escola), Gabriella Gustafsson tornou-se numa das grandes figuras dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Desporto Escolar ISF 2013, que decorreram no Algarve, em Abril passado. A atleta veio da Suécia e aceitou o convite do Orientovar para se apresentar enquanto estudante e orientista.


Quem é Gabriella Gustafsson?

Gabriella Gustafsson (G. G.) - O meu nome é Gabriella Gustafsson e faço 16 anos este Verão. Nasci no dia 3 de Julho de 1997 numa grande cidade chamada Husqvarna (alguns de vós associarão o nome da cidade a uma marca bem conhecida). Vivi em Husqvarna toda a minha vida, mas no ano passado mudei-me para Eksjö. Para além dos meus pais, tenmho também um irmão mais novo. O meu passatempo favorito é, claro, a Orientação, mas gosto também de estar com os meus amigos e de praticar muitos outros desportos, nomeadamente o esqui no Inverno. A minha comida preferida é “tacos” e não consigo eleger um filme ou uma música de que goste particularmente.


Gostarias de nos apresentar a tua Escola?

G. G. - O nome da minha escola é Eksjö Gymnasium e está situada numa pequena cidade chamada Eksjö. A escola é igualmente bastante pequena, com cerca de 600 estudantes, 50 dos quais integram o grupo de Orientação. A Orientação é o único desporto que se pratica na minha escola e, por esse motivo, os outros estudantes conhecem-nos bem.


Como conheceste a Orientação?

G. G. - Faço Orientação desde criança. É impossível lembrar-me da primeira vez que fiz Orientação porque tinha apenas duas semanas de vida quando os meus pais me levaram a uma prova. Comecei a treinar aos seis anos num clube chamado IK Hakarpspojkarna e aquilo de que me lembro é o treinador ter uma t-shirt com um mapa estampado.


Que importância tem a tua relação com a escola no desenvolvimento como atleta?

G. G. - A escola ajuda-me imenso a tornar-me numa boa orientista. Somos 50 orientistas divididos por três escalões. Treinamos em horário escolar e podemos contar com um enorme apoio por parte da escola e dos nossos professores. Por exemplo, se precisamos de consultar um médico, ter um treinador que nos ajuda no treino, que nos adequa a alimentação e muito mais.

Quando é que decidiste levar a Orientação a sério?

G. G. - Sempre achei a Orientação muito divertida. Quando decidi deixar o Futebol, aos 12 anos, passei a ter mais tempo para me dedicar à modalidade. Mas sei desde pequena que quero vir a ser uma boa orientista.

Que oportunidades é que a Orientação já te trouxe até hoje?

G. G. - Na realidade, não sei o que seria a minha vida sem a Orientação. Nunca teria conhecido aqueles que são os meus melhores amigos e nunca teria tido a oportunidade de visitar lugares tão bonitos.

Atentando na tua carreira, salta à vista essa medalha de ouro na prova de Distância Longa dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Desporto Escolar ISF 2013, no Algarve. Estavas à espera deste título?

G. G. - Sinceramente não. Na verdade, a temporada até ir para o Algarve não tinha corrido nada por aí além. Eu estava em má forma e tinha falhado uma série de treinos e de provas. Mas acreditava que tinha algumas hipóteses de vencer porque sabia que, no mínimo, tinha tanto valor como as minhas companheiras de equipa. É verdade que não conhecíamos o valor das nossas adversárias e, daí, não termos criado grandes expectativas. Mas conhecíamos o nosso valor.

Falando de Portugal, gostaria de saber a tua opinião acerca da competição e do quão importante pode ser um evento destes na vida dum jovem orientista.

G. G. - A competição foi excelente. Os terrenos eram muito bonitos e tudo estava preparado ao pormenor. Penso que este género de eventos podem ser muito importantes para mim e para todos os jovens orientistas que neles participam. É necessário contactarmos com outros atletas e aprendermos a correr noutros terrenos, é isto que faz com que possamos evoluir e tornarmo-nos melhores orientistas.

E quanto ao futuro, o que esperas vir a ser?

G. G. - O meu sonho é ganhar os Campeonatos do Mundo. Sei que ainda falta muito tempo para chegar lá mas estou disposta a lutar por isso. Também tenho esse sonho de poder vir a fazer da Orientação a minha vida. Hoje sei que isso não é possível mas espero que um dia possa vir a ser.

Gostarias de deixar uma mensagem a todos aqueles que sempre quiseram saber algo sobre a Orientação mas têm medo de perguntar?

G. G. - A Orientação é o melhor desporto do Mundo. Talvez não o seja para toda a gente, mas é um desporto amigo da atividade física, que faz bem à saúde e nos oferece a possibilidade de conhecer lugares que, de outra forma, nunca conheceríamos.



Gabriella Gustafsson em resumo

Eu...
  • A Orientação é... muito divertida
  • Para praticá-la, apenas é necessário... um mapa
  • A grande dificuldade é... correr depressa e, ao mesmo tempo, encontrar as balizas
  • Essencial na minha mochila é... uma banana
  • Um extraordinário momento de alegria foi... a semana no Algarve
  • Sou uma grande admiradora de... Lilian Forsgren
  • O meu principal objetivo no futuro é... ser Campeã do Mundo

... E a minha escola
  • Vejo os meus professores como... velhos
  • Os meus colegas dizem que sou... ambiciosa
  • Combinar os estudos com o desporto é... por vezes bastante difícil
  • Vejo este mundo... como uma rapariga feliz
  • O maior problema social... é o racismo
  • A qualidade que mais admiro é... o cuidar
  • Na ilha deserta não dispensava... uma garrafa de água


[Foto gentilmente cedida por Gabriella Gustafsson]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 25 de junho de 2013

CECILIA THOMASSON: "OS BONS RESULTADOS SÃO UMA CONSEQUÊNCIA DE FAZERMOS AQUILO QUE GOSTAMOS"



Cecilia Thomasson é um dos nomes que ficará para a história dos recentes Campeonatos da Europa de Orientação em BTT, que tiveram lugar na Polónia. Ao título europeu de Distância Longa, a atleta juntou a medalha de prata na Distância Média, conquistando duma assentada os primeiros títulos da Suécia em grandes competições internacionais de Orientação em BTT.


Como é que conheceu a Orientação em BTT?

Cecilia Thomasson (C. T.) - A primeira vez que fiz Orientação em BTT foi em Mora, no Verão de 2010, num evento composto por duas provas. Desde os meus tempos de atleta de Elite de Orientação Pedestre que a ideia de fazer Orientação em BTT soava interessante pela mistura. No primeiro dia, a Tove Alexandersson ganhou-me por um minuto, no segundo dia ganhei-lhe eu por um minuto. Fiquei passada! Mas as competições tinham chegado ao fim nesse ano e tive de esperar pelo ano seguinte para voltar à Orientação em BTT, na ronda da Taça do Mundo que a Suécia organizou em Rättvik, naquela que foi a minha segunda competição! Mas sabia alguma coisa acerca da Orientação em BTT já muito antes quando tabalhei com a Ingrid Stengård num albergue de montanha no norte da Suécia, em 2003. Ela falava-me da Orientação em BTT e de como era uma disciplina com bastante impacto na Europa, mas nessa altura eu estava noutra.


O que vê nesta disciplina que a torna tão atrativa?

C. T. - É o desafio de combinar a velocidade com a leitura do mapa. Adoro andar de bicicleta e a velocidade que se atinge. A mistura é, para mim, um desafio perfeito.


Após uma série de bons resultados na temporada passada, pudemos vê-la em grande forma nestes Europeus e, depois da medalha de prata na prova de Distância Média, conseguiu chegar ao ouro na Distância Longa, a prova rainha dos Campeonatos. Como é que se sente?

C. T. - Estou muito muito feliz. Na verdade não consigo crer que fui a primeira e é um sentimento indescritível que quero voltar a sentir.


Quer falar-me um pouco dessa corrida dourada?

C. T. - A sensação que eu tinha antes da prova era a de que “hoje tudo é possível, agarra a oportunidade se ela surgir ao teu alcance!” Mas era uma prova morna e bastante simples e tive de me focar então em manter um bom ritmo e não falhar em termos de navegação, já que não estava bem certa daquilo que as minhas pernas seriam capazes. No final do primeiro loop fiz uma má opção e pensei que, no próximo loop, a minha navegação nessa zona teria de ser perfeita se quisesse manter as aspirações a um bom lugar. No último loop a Camilla Sögaard apanhou-me e eu tentei ir na roda dela, mas foi impossível segui-la porque ela estava muito forte. Mas tinha antecipado os últimos pontos e sabia exatamente o caminho a seguir. Quando a Camilla cometeu um erro eu ultrapassei-a, tentei dar o meu máximo e a coisa resultou! Agarrei a oportunidade e estou muito satisfeita por ter conseguido vencer. Devo dizer que a Distância Longa não é a minha distância favorita; talvez seja a distância na qual sou melhor, mas é apenas pela maior facilidade na orientação e porque sou fisicamente mais forte. Mas gosto mais da Distância Média devido à mistura de pernadas longas e curtas e à necessidade de manter uma elevada concentração durante toda a prova.


Que importância pode ter esta medalha de ouro (e de prata) para a Orientação em BTT na Suécia?

C. T. - Espero que seja uma fonte de inspiração para algumas pessoas e que as leve a experimentar. Na Suécia temos uma relação muito estreita com a Orientação Pedestre e, em certa medida, devo confessar que gosto mais da parte de navegação da Pedestre do que da BTT. Quando as pessoas experimentam a Orientação em BTT ficam geralmente desapontadas porque a navegação é muito simples e as aptidões para a bicicleta não são as melhores. Mas se perceberem que se trata doutro tipo de navegação e não estabelecerem comparações com a Orientação Pedestre, penso que poderão apreciar bastante mais esta disciplina.


E quanto ao futuro? Quais os principais objetivos para o que resta da temporada?

C. T. - Tentarei sobretudo divertir-me ao máximo naquilo que falta para o final da época. Adoro andar de bicicleta e adoro competir e enquanto sentir esta paixão continuarei a manter este estilo de vida.


Quer partilhar connosco o seu maior sonho?

C. T. - Não é um sonho tão grande assim, na verdade. Gostaria no futuro de ser uma boa médica e de fazer a diferença em relação àqueles que poderei ajudar. No desporto quero divertir-me e fazer Orientação em BTT é um modo de vida bastante saudável. Quero igualmente conhecer novas pessoas e viajar. Penso que os bons resultados são uma consequência de fazermos aquilo que gostamos.

[Foto gentilmente cedida por Cecilia Thomasson]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 24 de junho de 2013

CAMBOR 2013: JUSCELINO KARNIKOWSKI E MIRIAN PASTURIZA FECHAM SEGUNDA ETAPA COM VITÓRIAS



Chegou ao fim em Manaus, capital do Estado da Amazónia, a segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Orientação 2013. Uma etapa que viu Juscelino Alencar Karnikowski e Mirian Ferraz Pasturiza subirem ao lugar mais alto do pódio.


Com a disputa da prova de Distância Média, concluiu-se em Manaus a segunda etapa do CamBOr 2013. No dia de ontem os atletas regressaram ao espaço fantástico do City Park para mais um grande momento de Orientação e que juntou, desta feita, um total de 383 atletas de 49 clubes distintos.

No escalão H21E (Homens Elite), Juscelino Alencar Karnikowski (CO Gralha Azul) “reincidiu” no triunfo, afirmando-se cada vez mais como o grande dominador do “brasileirão” deste ano e principal candidato à vitória final. Num pódio que acabaria por se revelar uma autêntica fotocópia do verificado no dia anterior, Karnikowski necessitou de 47:18 para cumprir os 5.700 metros do percurso (26 pontos de controlo, 170 metros de desnível), batendo por folgada margem Ironir Alberto Ev (CO Santiago) e Leandro Pereira Pasturiza (CO San Martin), que gastaram mais 1:57 e 1:58, respetivamente, que o vencedor. Completaram a prova 25 atletas.


Karnikowski e Tânia De Carvalho seguem na frente para a última etapa

Em Damas Elite tivemos as mesmas atletas da véspera no pódio, mas desta feita pela ordem inversa. Letícia Da Silva Saltori (CO Gralha Azul) foi a terceira classificada, cumprindo os 4.100 metros do percurso (13 pontos de controlo, 135 metros de desnível) em 54:05. Em dia de aniversário, Tânia Maria Jesus de Carvalho (AD Almirante Adalberto Nunes) repetiu o segundo lugar do dia anterior com um registo de 50:18. A vencedora foi Mirian Ferraz Pasturiza, também da AD Almirante Adalberto Nunes, com uma vantagem de 1:09 sobre a sua mais direta adversária. Classificaram-se dez atletas.

O XV Campeonato Brasileiro de Orientação estará de regresso no primeiro fim de semana de Novembro, pelas mãos da Confederação Gaúcha de Orientação, para a realização da sua terceira e última etapa. Uma etapa pontuável para o ranking mundial da modalidade, a ter lugar em São Francisco de Paula, no Estado do Rio Grande do Sul, naquilo que os organizadores consideram já como “um verdadeiro treino para o WMOC 2014”. Um fim de semana que se adivinha pleno de emoções fortes, com Juscelino Karnikowski (130 pontos) e Tânia Maria Jesus de Carvalho (131 pontos) na liderança do CamBOr 2013, logo seguidos de Ironir Alberto Ev (119 pontos) e Leandro Pereira Pasturiza (111 pontos), no setor masculino, e de Mirian Ferraz Pasturiza (125 pontos) e de Letícia Saltori (118 pontos), no feminino.

Resultados completos da prova de Distância Média em http://www.helga-o.com/webres/index.php?lauf=565.

[Foto de arquivo de Mirian Ferraz Pasturiza]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 23 de junho de 2013

CAMBOR 2013: JUSCELINO KARNIKOWSKI E LETÍCIA SALTORI VENCEM DISTÂNCIA LONGA



Orientação na Amazónia: venha conhecer mais um pedacinho do Brasil.” Foi este o convite deixado pelos manauaras aos amantes da Orientação no Brasil e que levou a que, desde a passada sexta-feira, cerca de 370 atletas estejam concentrados na capital do Estado da Amazónia para a disputa da II Etapa do Campeonato Brasileiro de Orientação 2013.

A etapa “amazónica” do CamBOr 2013 teve o seu início na passada sexta-feira com o tradicional “revezamento”, a prova por Estafetas que juntou em ambiente de festa mais de uma centena de equipas de orientistas dos quatro cantos do Brasil e que serviu de “aquecimento” para a competição “a doer”. E essa teve lugar no dia de ontem, no espaço fantástico do City Park de Manaus e onde a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária possui uma das suas unidades mais importantes. A prova de Distância Longa desenrolou-se em terrenos de floresta por vezes bastante fechada, com algum desnível, zonas com muito detalhe de relevo e uma boa rede de caminhos e de trilhos a facilitar a navegação e a progressão dos atletas.

Do conjunto de resultados percebe-se desde logo o grande momento de Juscelino Karnikowski (CO Gralha Azul), ao levar de vencida a concorrência com o tempo de 1:11:27 para os 9.800 metros do percurso (28 pontos de controlo, 175 metros de desnível). Vencedor da prova de Distância Média da 1ª etapa do CamBOr 2013, o longilíneo atleta reafirmou da melhor forma a sua vontade de chegar pela primeira vez ao título brasileiro, ainda que contando com a forte oposição do campeão brasileiro em título, Ironir Alberto Ev (CO Santiago), que gastou mais 7 segundos para concluir a sua prova. Na terceira posição classificou-se outro “histórico” da Orientação brasileira e já com quatro títulos no currículo (2006, 2008, 2009 e 2011), Leandro Pereira Pasturiza (CO San Martin), a 1:09 do vencedor. Terminaram a prova 24 atletas.

No setor feminino, vitória também para as cores do Gralha Azul, desta feita pelos “pés e cabeça” de Letícia Saltori, num muito saudado regresso da grande atleta ao lugar mais alto do pódio. Letícia que precisou de 53:29 para cumprir os 6.100 metros do seu percurso (13 pontos de controlo, 100 metros de desnível), um tempo final que soa “estranho” quando falamos duma prova de Distância Longa. A segunda posição coube a Tânia Maria Jesus de Carvalho (AD Almirante Adalberto Nunes), com o tempo de 53:55, reforçando a sua liderança do CamBOr 2013. O terceiro lugar foi para Mirian Ferraz Pasturiza, do mesmo clube, com mais 1:40 que a vencedora. Foram 13 as atletas classificadas no final.


[Foto de arquivo: Juscelino Alencar Karnikowski]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 22 de junho de 2013

CAMPEONATO DA EUROPA DE ORIENTAÇÃO EM BTT 2013: FINLÂNDIA DESPEDE-SE DOS EUROPEUS COM NOVA MEDALHA DE OURO



Jussi Laurila e Marika Hara voltaram a inscreveram a ouro o nome da Finlândia no livro de honra dos Campeonatos Europeus de Orientação em BTT 2013, que hoje chegaram ao fim em Zamosc. Uma vitória histórica naquela que foi a estreia da variante de Sprint Estafeta Mista nos Europeus.


Foi em festa que chegaram ao fim os VI Campeonatos da Europa de Orientação em BTT, com a espetacularidade inerente às provas de Estafeta a ganhar um novo élan nesta variante de Sprint Misto. O modelo já tinha sido ensaiado em anteriores ocasiões, nomeadamente em provas pontuáveis para a Taça do Mundo, tendo chegado agora aos Campeonatos da Europa onde colocou um ponto final na edição de 2013. [Só em 2014 - e a título “não oficial” - a variante de Estafeta Mista de Sprint marcará presença no programa dos Campeonatos do Mundo que se realizarão em Bialystok, também aqui na Polónia.]

Treze equipas de dois elementos alinharam à partida, cada um deles preparado para cumprir alternadamente dois percursos. Constituída por Jussi Laurila e Marika Hara, a equipa da Finlândia confirmou todo o favoritismo que lhe era atribuído, levando de vencida a prova com um registo de 57:12. Ruslan Gritsan e a muito jovem Svetlana Poverina concluiram na segunda posição com mais 1:51 que os vencedores, depois de Gritsan ter entrado para o decisivo percurso na quarta posição, a 15 segundos da República Checa e a 13 segundos da Suiça. Suiça que, com Ursina Jäggi e Christian Wuthrich viria a ser a terceira classificada, enquanto os checos caíam para o 5º lugar depois duma prestação menos feliz de Frantisek Bogar no derradeiro percurso. À beira das medalhas ficaram Anna Kaminska e Maciej Gromadka, oferecendo à Polónia a 4ª posição, a melhor alcançada pela “equipa da casa” nos Campeonatos. A Suécia, com a Campeã da Europa de Distância Longa, Cecilia Thomasson e Anders Frisk, acabou por ser desclassificada por “mp” de Frisk já no último percurso.


Finlândia domina Europeus

Dando agora uma vista de olhos pelo medalheiro dos Campeonatos [ver imagem acima], percebe-se que as quinze medalhas tiveram como destinatários atletas de oito países. Com três medalhas de ouro individuais e um pleno vitorioso nas Estafetas, a Finlândia foi a grande dominadora destes Europeus, seguida da Rússia, Suécia e Grã-Bretanha, todas elas com uma medalha de ouro. Em termos individuais, um nome se destaque de todos os restantes e esse é o de Jussi Laurila, com quatro medalhas de ouro conquistadas (Sprint, Distância Longa, Estafetas e Estafeta Mista de Sprint). As finlandesas Marika Hara (ouro no Sprint, Estafeta e Estafeta Mista de Sprint) e Ingrid Stengard (ouro na Estafeta e bronze no Sprint e na Distância Média), os russos Valeriy Glukhov (ouro na Distância Média e prata na Estafeta e na Distância Longa) e Ruslan Gritsan (prata no Sprint, na Estafeta e na Estafeta Mista de Sprint), a sueca Cecilia Thomasson (ouro na Distância Longa e prata na Distância Média) e a britânica Emily Benham (ouro na Distância Média) são igualmente nomes que ficam para a história destes Europeus.

Contudo, se alargamos o âmbito dos lugares de honra até à 6ª posição, é possível encontrarmos nas provas individuais outros países tais como a Itália (Luca Dallavalle foi 4º na prova de Sprint e Laura Scaravonati terminou em 6º lugar na prova de Distância Média), a Estónia (Tõnis Erm foi 5º na prova de Distância Média e terminou na 6ª posição na etapa de Sprint) e mesmo a Áustria (Michaela Gigon, nome maior da Orientação em BTT mundial, concluiu na 5ª posição a etapa de Distância Média). Já nas provas de Estafeta, a França foi 4ª classificada na prova masculina e a Lituânia concluiu no 6º lugar, tanto em masculinos como em femininos. Já na Estafeta Mista de Sprint, a Polónia alcançou o seu melhor resultado graças ao 4º lugar conseguido, como aliás foi referido antes.

A Orientação em BTT ao mais alto nível estará de regresso no dia 26 de Agosto para a disputa da prova de Sprint que abrirá o programa competitivo dos Mundiais 2013, que terão lugar em Rakvere, Lääne-Viru County, Estónia. Os últimos resultados dos Europeus podem ser conferidos em http://www.emtboc2013.pl/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

VALERIY GLUKHOV: "NÃO ESPERAVA RESULTADOS DESTE NÍVEL!"




Com um segundo lugar na prova de Distância Longa, o russo Valeriy Glukhov encerrou ao mais alto nível a sua participação nos Campeonatos da Europa de Orientação em BTT 2013. Uma participação pontuada por duas medalhas de prata e uma de ouro e que fazem dele um dos homens do momento.


Prestes a completar 25 anos de idade, Valeriy Glukhov tornou-se na estrela da fortíssima seleção russa presente nos Campeonatos da Europa de Orientação em BTT que chegaram hoje ao fim em Zamosc, na Polónia. Abrindo a sua participação com um 7º lugar na prova de Sprint, o russo viria a alcançar o título europeu de Distância Média no segundo dia dos Campeonatos. Seguiu-se a medalha de prata com a Estafeta russa e nova medalha de prata na prova de Distância Média.

Fazendo um balanço da sua participação nestes Europeus, o russo começa pela prova de Sprint, referindo ter feito “uma boa prova, sem erros”. Todavia, “a minha velocidade não foi aquilo que deveria ter sido e acabou por não chegar para alcançar um bom resultado.”


Fantástico”

Bom resultado que surgiria logo no dia seguinte, na prova de Distância Média: “Cometi dois erros para os pontos 4 e 6 e que me fizeram perder dois minutos. A partir daí, percebi que para chegar a um lugar entre os melhores teria de correr o mais rapidamente que pudesse. Acabei por ser feliz – na parte final da prova não cometi erros de navegação e consegui apanhar os atletas Checo, Português e Finlandês. Ainda assim, não consigo acreditar que acabei com o melhor tempo. E estou muito feliz, claro, uma vez que estamos a falar da primeira vitória a título individual da minha carreira em competições de alto nível.”

Quanto à prova de Estafetas, Glukhov refere “momentos positivos e negativos”. Concretizando: “Cada um de nós procurou fazer uma prova cautelosa e cada um de nós acabou por cometer alguns pequenos erros. Daí, o segundo lugar final.” Por fim, a prova de Distância Longa: “Foi uma prova muito difícil devido ao calor em demasia e às pernas pesadas. Cometi uma série de pequenos erros no início da prova e penso que uma das razões teve a ver com o terreno muito desnivelado. Na verdade, no segundo loop, corri muito mais concentrado e dei o meu melhor. Fico muito contente por isso me ter permitido a conquista da medalha de prata.” O balanço final – duas medalhas de prata e uma de ouro – leva-o a afirmar: “É fantástico e não esperava resultados deste nível!” Quanto aos próximos objetivos, Valeriy Glukhov mostra-se parco em palavras: “Estou a ensair este ano um novo sistema de treino e veremos no que dá... Mas procurarei alcançar boas prestações nos Mundiais da Estónia, no próximo mês de Agosto.” E a terminar: "na minha opinião, as provas foram bastante exigentes fisicamente, mas sobretudo do ponto de vista técnico. Gosto sobretudo de perceber que o resultado final é determinado pela capacidade técnica e não pela simples corrida de BTT. Penso, contudo, que a organização destes Europeus poderia ter estado melhor e espero sinceramente que, em Bialystok, em 2014, tenhamos uns Mundiais ao mais alto nível.


Uma carreira bem sucedida

Lembramos que Valeriy Glukhov se estreou em Campeonatos da Europa de Orientação em BTT com um 6º lugar na prova de Distância Média que abriu a competição em North Zealand (Denmark, 2009). Antes disso, já o atleta representar a seleção russa pela primeira vez em Campeonatos do Mundo em 2007, em Nove Mesto na Morave (República Checa), alcançando o 19º lugar na prova de Distância Média. Até ao momento, o melhor resultado individual alcançado por Valeriy Glukhov em Campeonatos da Europa ou em Campeonatos do Mundo havia sido a 5ª posição (Distância Média WOC 2010, Portugal; Sprint WOC 2011, Itália e Sprint EOC 2011, Russia), embora tenha chegado ao título mundial de Estafetas em 2010, ao lado de Ruslan Gritsan e Anton Foliforov, na competição que decorreu em Montalegre (Portugal).

Glukhov ocupa presentemente o 11º lugar do ranking mundial, a 25 pontos do 10º classificado, Davide Machado. Quanto à Taça do Mundo 2013, segue na vice-liderança, imediatamente atrás do finlandês Jussi Laurila. Em 7 anos de participações ao mais alto nível, o atleta regista na sua conta particular 41 provas pontuáveis para o ranking mundial. Consulte o registo completo de resultados em http://iof.6prog.org/WR_Athlete.aspx?how=M&AID=RUS997.

[Foto gentilmente cedida por Valeriy Glukhov]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 21 de junho de 2013

CAMPEONATO DA EUROPA DE ORIENTAÇÃO EM BTT 2013: PORTUGUESES MODESTOS NO ADEUS A ZAMOSC



Aquém das expectativas. Desta forma concluiu Portugal a sua participação na sexta edição dos Campeonatos da Europa de Orientação em BTT que, até amanhã, decorrem na Polónia. O conjunto de resultados dos atletas portugueses na prova de Distância Longa revelou-se algo modesto, com João Ferreira a ser desta feita o nosso melhor representante. Quanto ao ouro, esse foi parar ao peito do finlandês Jussi Laurila e da sueca Cecilia Thomasson.


Disputada na manhã de hoje em Krasnobród, paredes meias com o Event Centre destes Campeonatos da Europa de Orientação em BTT 2013, a prova de Distância Longa constituiu o último ato da representação portuguesa por terras da Polónia. Um adeus algo desconsolado face a um conjunto de resultados que acabam por se quedar algo aquém das expectativas, sobretudo no que a Davide Machado diz respeito e em quem o próprio Diretor Técnico Nacional, Daniel Marques, apostava para um lugar entre os seis primeiros. Assim, ao terminar no 26º lugar com o tempo de 1:57:00, João ferreira acabou por ser o nosso melhor representante. Davide Machado concluiu na posição imediata com mais 1:03 que o seu colega de equipa e Carlos Simões fechou o trio no 29º lugar, com um registo de 2:00:31. Participaram na prova apenas 44 atletas dos 53 inicialmente inscritos.

Hoje o Davide teve problemas físicos, sentiu-se mal do estômago e ficou bastante condicionado”, começou por referir Marques, neste que foi o último apontamento em direto da Polónia para o Orientovar. E prossegue: “O João Ferreira e o Carlos Simões fizeram grande parte da prova juntos, passaram muito bem no ponto de espectadores, mas na parte final da corrida o Carlos Simões teve problemas físicos (cãimbras) e o João perdeu mais de três minutos num ponto de controlo. No entanto o João foi o nosso melhor atleta hoje e o 26º lugar corresponde ao melhor resultado português de sempre nesta Distância em Campeonatos da Europa. E faz um balanço final daquilo que foi, do seu ponto de vista, a participação dos três atletas portugueses nos Europeus de Zamosc: “Apesar dos resultados terem ficado abaixo das minhas expectativas, fico contente por todos os atletas conseguirem um resultado na primeira metade da tabela classificativa. Portugal conseguiu dois dos 4 objectivos que tracei para este Europeu. O 7º lugar do Davide Machado (top-8) e o 14º lugar do Carlos Simões (primeiro terço da classificação) na Distância Média foram o nosso momento mais alto. O objectivo de um top-6 na Estafeta acabou por não se concretizae devido a um azar mecânico e o João Ferreira acabou por falhar o primeiro terço da tabela classificativa. No cômputo geral o balanço é satisfatório e ficaram boas indicações para o Mundial que irá ser disputado na Estónia entre 24 e 31 de Agosto.”


O “tri” de Jussi Laurila

Olhando agora para os lugares cimeiros da classificação e começando pelo escalão Homens Elite, o destaque vai para o finlandês Jussi Laurila, logrando juntar aos títulos já conquistados nestes Europeus (Sprint e Estafetas), uma nova medalha de ouro nesta que é quase unanimemente considerada a prova rainha de qualquer grande competição. Com saída em sistema de “Mass Start”, Laurila teve uma prestação plena de regularidade, força e inteligência, controlando a prova praticamente desde o seu início e terminando com o tempo de 1:37:02. Na segunda posição classificou-se outra das grandes figuras destes Europeus, o russo Valerii Glukhov, com mais 2:29, enquanto o checo Jiri Hradil foi terceiro, a 4:11 do vencedor. Anton Foliforov (Russia) alcançou a quarta posição, enquanto a República Checa colocou mais três atletas nas posições imediatas: Frantisek Bogar, Vojtech Stransky e Jan Svoboda, respetivamente 5º, 6º e 7º classificados. Ruslan Gritsan (Russia), Campeão do Mundo de Distância Longa em título, quedou-se pela 9ª posição, com mais 6:47 que Jussi Laurila.

No setor feminino, a vitória da sueca Cecilia Thomasson só pode constituir uma surpresa para os mais desatentos. A atleta já se tinha mostrado ao mais alto nível na prova de Distância Média destes Europeus, onde conquistou a medalha de prata, confirmando depois o bom momento com um 5º lugar no Sprint de ontem. Hoje, Thomasson colocou em prova a “raça” dos verdadeiros campeões, alcançando um notável triunfo no tempo de 1:15:10 e oferecendo à Suécia o seu primeiro grande título internacional nesta emotiva e fascinante disciplina. Na segunda posição classificou-se a dinamarquesa Camilla Søgaard, também ela já uma firme certeza da Orientação em BTT mundial, a apenas 48 segundos de diferença da sua adversária. O terceiro lugar coube à suiça Maja Rothweiler com o tempo de 77:25. Olga Vinogradova (Russia) concluiu na quarta posição com mais 2:34 que a vencedora, enquanto a melhor finlandesa foi Ingrid Stengard na 5ª posição, a 2:41 de Thomasson.



Tudo para conferir em http://www.emtboc2013.pl/.

[Foto gentilmente cedida por Daniel Marques]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 20 de junho de 2013

CAMPEONATO DA EUROPA DE ORIENTAÇÃO EM BTT 2013: MARIKA HARA, RAINHA DO SPRINT




Demolidora. Foi desta forma que Marika Hara se mostrou na prova de Sprint dos Campeonatos da Europa de Orientação em BTT, esmagando a concorrência e deixando bem clara a firme intenção de voltar rapidamente à liderança do ranking mundial.


Após o cancelamento na passada segunda-feira da prova de Sprint feminina dos Campeonatos da Europa de Orientação em BTT 2013, o dia de hoje - que deveria ser de descanso! - viu as atletas voltarem à floresta em luta pelo terceiro título destes Campeonatos. Numa prova muito rápida e onde as opções não abundaram por aí além, a finlandesa Marika Hara demonstrou estar num momento impressionate de forma, impondo um ritmo demolidor e acabando por cumprir os 5,8 km do seu percurso em 25:23. Tomando conta da prova praticamente desde o início, Marika esteve imparável sobretudo na segunda metade do percurso, onde levou de vencida seis dos oito parciais. Uma vitória que não sofre qualquer contestação e que é sobretudo um prémio para a atleta que mais teria a perder com a repetição desta prova, uma vez que já na passada segunda-feira tinha sido dela o melhor tempo.

Nas posições imediatas foi possível assistir a um intenso despique entre quatro grandes atletas mundiais. A sueca Cecilia Thomasson teve um início fortíssimo, ainda chegou a rolar no pódio durante uma boa parte da prova, mas um erro maior no ponto 11 acabaria por se revelar fatal, fazendo-a cair para a quinta posição final com o tempo de 28:53. Emily Benham (Grã-Bretanha), a grande figura da prova de Distância Média da passada terça-feira, mostrou-se igualmente a grande nível, chegando mesmo a ameçar a liderança de Marika Hara depois de ter apanhado logo no terceiro ponto a finlandesa Ingrid Stengard, que saira um minuto antes de si. Mas uma má opção para o ponto 8 acabaria por deitar por terra as aspirações da britânica, fazendo-a perder um minuto e, consequentemente, uma medalha que parecia estar facilmente ao seu alcance. No final, Emily Benham registaria um tempo de 28:29, a 3:06 da vencedora.


Luta titânica

Ingrid Stengard e a suiça Ursina Jäggi acabariam por travar um particular duelo sobretudo nos últimos quatro pontos do percurso, altura em que Stengard recuperava duma desvantagem para a sua adversária mais direta que chegou a cifrar-se em 34 segundos, para se colocar apenas a um segundo no “200” (que neste caso, curiosamente, era o “46”) e chegando ao Finish com um registo de 27:49 contra os 27:47 da atleta suiça. A russa Ksenia Chernykh, de quem tanto se esperava nesta final, teve um tremendo percalço no ponto 7 que a fez perder mais de seis minutos, acabando mesmo por desistir. Quanto a Anna Kaminska, a “atleta da casa” na qual os polacos depositavam justificadas esperanças numa subida ao pódio (alcançou o bronze na prova de Sprint dos últimos Mundiais da Hungria, depois de ter sido Campeã do Mundo em 2010, em Portugal), teve uma entrada infeliz no mapa, perdendo quase cinco minutos no segundo ponto e pondo fim precocemente ao sonho numa medalha.

Amanhã a grande competição estará de regresso para a disputa dos títulos de Distância Longa. Tudo para acompanhar em http://www.emtboc2013.pl/ ou aqui, no seu Orientovar.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

ORIENTAÇÃO EM REVISTA Nº 48: O EDITORIAL DE AUGUSTO ALMEIDA




Que dizer?! Foi desta forma aparentemente simples que Augusto Almeida, Presidente da Federação Portuguesa de Orientação, abordou no Editorial do mais recente número da Orientação em Revista o atual momento da modalidade no nosso País. Uma reflexão que termina com uma nota de otimismo mas que não deixa de traçar um cenário preocupante sobre o “aqui e agora”.


A sociedade portuguesa está dominada pela crise. Todos conhecemos alguns dos seus efeitos.

Aquando da entrega de prémios da época de 2012 da Pedestre referi que não sabia o que dizer… que temia pela modalidade. A situação piorou!

A FPO negociou com o IPDJ os contratos-programa para 2013 em janeiro, mas estes só ficaram disponíveis para assinatura no final de abril… Entretanto publicados em Diário da República, somos informados em finais de maio que sofrem um corte de 9% e os contratos relativos ao Alto Rendimento e Seleções só são válidos até Setembro, altura em que serão renegociados… se houver dinheiro.

Como é possível viver e gerir assim? Como se pode conduzir um conjunto de projectos e respectivas responsabilidades se a qualquer momento as regras podem ser alteradas?

Na minha formação, além do espírito aberto, ocuparam lugar conceitos fundamentais como o rigor, a pontualidade, o planeamento, a entreajuda, o trabalho em equipa, a comunicação assertiva e a disciplina, mas infelizmente não vejo que aos responsáveis deste País tenham ensinado nada similar e o resultado é… cada dia pior.

Temo que este desvario colectivo que nos é imposto venha a provocar danos no desporto e em especial numa modalidade como a nossa que não tem luxos, mas que tem valores, muita dedicação, voluntariado e amizade.

Temo pela Orientação, mas sei que temos uma modalidade especial, espetacular. Continuo grato a todos os que voluntariamente contribuem para a realização em patamares de grande qualidade dos eventos da modalidade e continuo confiante no trabalho que desenvolveremos para organizar brevemente excelentes eventos de âmbito internacional.

Temo-nos uns aos outros e esta é a maior riqueza da Orientação: o inestimável património humano que, sem margem para dúvidas, saberá levar a modalidade a atravessar estes tempos difíceis e a afirmar-se como um desporto com futuro.

Abraço

Augusto


[Pode ler o Editorial no contexto da Orientação em Revista nº 48, em http://content.yudu.com/Library/A28oc2/RevistaOrientaoEdio4/resources/index.htm]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO