domingo, 31 de março de 2013

CAMPEONATO DE ESPANHA DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE CEO 2013: ÚLTIMO DIA CONSAGRA ANTONIO MARTINEZ E ANNA SERRALONGA COMO AS ESTRELAS DOS CAMPEONATOS



Terminaram da melhor forma os Campeonatos de Espanha de Orientação Pedestre CEO 2013. Na prova de Distância Média que encerrou o programa, Antonio Martinez voltou a superiorizar-se aos seus adversários, enquanto no setor feminino a grande vencedora foi, uma vez mais, Anna Serralonga.


Em dia de Páscoa, a prova de Distância Média que colocou um ponto final nos Campeonatos de Espanha de Orientação Pedestre CEO 2013 constituiu mais uma grande jornada de Orientação. Apesar de ser dia de Páscoa, foram muito poucos aqueles que abandonaram prematuramente Navalcán, pelo que os números de participação se mantiveram nos quatro dígitos. No setor masculino, António Martinez (COLIVENC) repetiu o exito de 2012, em Plasencia, fechando da melhor forma os Campeonatos. Ouro no Sprint, na Estafeta e agora na Média, depois de ter aberto com Prata na Distância Longa, lançam o atleta para o galarim dos Nacionais de Espanha 2013 como a sua mais cotada figura. Martinez completou a sua prova com o tempo de 37:26, deixando atrás de si os seus colegas de equipa Andreu Blanes e Roger Casal, com mais 1:45 e 2:05, respetivamente. Com 40:11, Diogo Miguel (Ori-Estarreja) foi hoje o melhor português, concluindo com o quinto melhor tempo (extra-competição).

Quanto à categoria Damas Elite, Anna Serralonga (Girona CO-XTREM) voltou a ser protagonista maior, juntando ao segundo lugar na prova de Sprint e às vitórias na Distância Longa e na Estafeta, um novo triunfo na Distância Média deste derradeiro dia. Mas um triunfo partilhado, diga-se, já que a atleta registou o tempo de 36:53, precisamente o mesmo de Violeta Feliciano, que assim subiu de novo ao lugar mais alto do pódio, depois de ontem se ter sagrada campeã de Espanha de Sprint. Após três subidas ao lugar mais baixo do pódio nas provas anteriores, Alicia Cobo voltou a estar igual a si própria, terminando a prova no terceiro posto a 1:32 das vencedoras. Com 38:43, Raquel Costa (GafanhOri) foi a nossa melhor representante, conseguindo o sétimo melhor tempo entre as 37 atletas presentes nesta categoria. Coletivamente, o triunfo sorriu à Comunidade Valenciana, seguida por esta ordem pela Catalunha, Andalucía, Madrid e Castilla y León.


Algumas impressões

Campeão de Espanha de Distância Longa e de Estafetas, Vice-Campeão de Distância Média e de Sprint e, tal como Antonio Martinez, figura maior destes Campeonatos, Andreu Blanes deixou ao Orientovar as suas impressões finais: “A prova de Sprint de ontem foi incrível, era uma prova rápida e corri muito bem. Pensei que tinha feito uma prova limpa, mas afinal cometi alguns erros ligeiros e Antonio [Martinez] acabou por tirar proveito disso e ganhou. Não era permitido falhar e o nível da prova foi elevadíssimo, até porque o Roger [Casal] esteve igualmente muito bem.” Quanto à prova de Estafeta, Andreu Blanes recorda que “foi o quebrar de cinco edições seguidas em segundo lugar” e no tocante à Distância Média de hoje confessa: “Comecei muito bem, mas havia zonas com muitas rochas (muitas muitas!!!) e não consegui perceber bem o mapa. Perdi muito tempo, enervei-me e acabei por fazer uma má prova, ao passo que Antonio fez uma boa prova e venceu comodamente com quase dois minutos de diferença.” Num balanço final dos Campeonatos, refere terem sido “uns belos Campeonatos, apesar da muita chuva, com terrenos muito rápidos mas difíceis, com muitas rochas. Mas desfrutei muito, correndo!”

Também Anna Serralonga nos deixou as suas últimas impressões: Sinto-me verdadeiramente satisfeita. Não estava à espera de tanto e não esperava, sobretudo, melhorar os meus resultados do ano passado.” Falando da última prova, Anna  confessa ter cometido muitos erros”. E explica: “Era um terreno com muito detalhe rochoso e onde era necessário proceder a uma leitura simplificada no mapa, no qual apenas as pedras maiores se encontravam representadas. Em certos sítios a única coisa que conseguia ver era um mar de pedras... Mas nunca baixei os braços. Nos últimos pontos procurei dar o tudo por tudo e consegui recuperar os segundos necessários para que conseguisse vencer, empatada com Violeta [Feliciano]. As últimas palavras vão para a sua adversária: “Foi especial empatar com a Violeta, no primeiro ano de sénior dela (!).  Foi bonito.


Ontem foi o nosso dia

Finalmente, um par de ideias mais circunstanciadas de Antonio Martinez: A prova de Estafeta foi emocionante e era aquela que mais queríamos ganhar, sobretudo Andreu [Blanes] e eu, pois desde que corremos na Elite conquistámos cinco vezes consecutivas a prata... Mas ontem foi o nosso dia e mesmo não fazendo provas deslumbrantes foi o suficiente para alcançarmos a vitória. Acredito muito nesta equipa e, inclusivamente, penso que poderemos lutar por um dos lugares de topo nos Campeonatos do Mundo se estivermos ao nosso melhor nível.” Ainda no tocante ao dia de ontem e à prova de Sprint, que Martinez ganhou de forma brilhante, eis o seu comentário: “A prova decorreu em floresta e correu-me de forma genial. Tive um pequeno erro de cinco segundos no primeiro ponto e depois de dez segundos no terceiro ponto mas, a partir daí, corri de forma precisa e pude fazer uma prova quase perfeita, com uma velocidade muito grande e uma leitura adequada do detalhe rochoso, numa prova apertadíssima, com o Andreu a ficar apenas a nove segundos e o Roger [Casal] a dezanove segundos.” 

A terminar, um comentário à prova de Distância Média e a uma nova vitória: “A última prova foi muito técnica, com muitas zonas rochosas e nas quais era fácil perder tempo se não se atacasse o ponto de forma precisa. Parti em ritmo 'conservador', procurando garantir os primeiros pontos de forma segura e que me permitisse uma boa adaptação à cartografia e só a partir do ponto 7 procurei aumentar um pouco mais o ritmo. Hoje foi mais uma prova em que todos cometeram pequenos erros, mas que se acumulam e acabam por se ver refletidos na classificação final. A chave da minha vitória residiu em garantir todos os pontos de forma segura e em momento algum perder o contacto com o mapa. Fisicamente não dei o máximo, antes adequei a velocidade a uma leitura cómoda do mapa.”



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

CAMPEONATO DE ESPANHA DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE CEO 2013: A FESTA DA ESTAFETA E A EMOÇÃO DO SPRINT



Anna Serralonga voltou a estar em grande plano nos Campeonatos de Espanha de Orientação Pedestre CEO 2013 que decorrem em Navalcán (Toledo). A atleta ajudou a Comunidade da Catalunha a revalidar o título de Estafeta feminina e foi ainda segunda classificada na prova de Sprint. Mas o dia foi de Antonio Martinez, revalidando o título de Sprint e ajudando a Comunidade de Valencia a quebrar a série de vitórias catalãs na prova de Estafeta, alcançando um título tão saboroso quanto significativo.


Foi um dia particularmente preenchido, o de ontem, no que aos Campeonatos de Espanha de Orientação Pedestre CEO 2013 diz respeito. Estafeta pela manhã e Sprint da parte da tarde compuseram um programa repleto de emoções e, uma vez mais, com o número de participantes a exceder o milhar. Começando pela Estafeta Senior Feminina, o seleccionado catalão soma e segue. Substituindo na equipa a credenciada Ona Rafols, Berta Meseguer teve um início pouco prometedor, quase aniquilando as possibilidades da sua turma. Mas Annabel Valledor, primeiro e, depois, Anna Serralonga, conseguiram neutralizar a desvantagem de quase sete minutos trazida do percurso inicial e, num Sprint vigoroso e emocionante, levaram a melhor sobre a Comunidade Valenciana (Violeta Feliciano, Esther Gil e Alicia Gil). No final, as catalãs gastaram um total de 1:57:44, contra 1:57:47 das suas mais diretas adversárias e com a Comunidade de Castilla Y León (Alicia Cobo, Teresa Bolaño e Ludmila Fuster) a ser terceira classificada a distantes 27:38 (!) das vencedoras.

A Estafeta Masculina tinha esse aliciante de ver até que ponto os valencianos seriam capazes de “quebrar o enguiço” de eternos segundos classificados, impondo-se ao coletivo catalão, os eternos rivais. A verdade é que a ocasião era soberana, não só porque os catalães, sem os irmãos Pól e Biel Rafóls, se apresentavam tremendamente desfalcados, mas sobretudo porque tanto António Martinez como Andreu Blanés se apresentam numa forma extraordinária. A verdade é que os valencianos fizeram jus ao favoritismo que lhes era atribuído e, com a preciosa prestação de Roger Casal como terceiro elemento, alcançaram o tão ansiado título. A turma vencedora necessitou de 1:57:31 para completar a sua prova, deixando a Comunidade da Catalunha (Lluís Bedós, Pau Llorens e Marc Serralonga) na segunda posição a 4:56 e em terceiro lugar o coletivo da Andaluzia (Pedro Morales, Juan Casado e Javier de la Herrán) com o tempo de 2:09:22.


Violeta Feliciano vence Sprint

Da parte da tarde disputou-se a prova de Sprint, na qual os três campeões de Espanha de Estafeta Masculina voltaram a ser os grandes protagonistas. António Martinez, Andreu Blanes e Roger Casal, todos da turma alicantina do Colivenc, terminaram a prova por esta ordem, separados entre si por escassos 18 segundos. Martinez, com 13:17, foi o mais rápido, seguindo-se-lhe Andreu Blanes com 13:26 e Roger Casal com 13:35. Na prova feminina, Violeta Feliciano (Alicante COLIVENC) alcançou de forma categórica o título, cumprindo o percurso em 15:38. Atrás de si classificaram-se Anna Serralonga (Girona Go-XTREM) e Alicia Cobo (Soria NAVALENO-O), com mais 30 e 40 segundos que a vencedora, respetivamente.

Uma palavra para os portugueses presentes e para a extraordinária prestação das nossas equipas de Estafetas. Constituída por Diogo Miguel, Tiago Aires e Tiago Romão, competindo extra-competição, a estafeta masculina estabeleceu o melhor tempo entre todas as equipas presentes, gastando 1:49:56 contra os 1:57:31 da Comunidade Valenciana que, tal como referido, se sagrou campeã de Espanha. Também no setor feminino, Mariana Moreira, Vera Alvarez e Raquel Costa estiveram melhor que as atletas da Catalunha, completando a prova em 1:54:48 contra 1:57:44 das espanholas. Tiago Romão (ADFA) esteve igualmente em grande plano na prova de Sprint, completando o seu percurso em 13:44, e alcançando o 5º melhor tempo entre todos os atletas em prova. Na prova feminina, Rita Rodrigues (GafanhOri) teve igualmente uma excelente prestação e, com o tempo de 17:18, viria a ser a 5ª melhor atleta em prova. Em H20, Rafael Miguel conseguiria o terceiro melhor tempo da geral, enquanto na categoria Open a grande vencedora foi a atleta do Ginásio, Stepanka Betkova.


Motivação para continuar a treinar e a melhorar”

Falando ao Orientovar do seu título de Sprint, Violeta Feliciano começaria por referir: “Bem, a verdade é que estou muito contente por ter ganho, até porque o Sprint era a distância na qual tinha menos confiança, já que ultimamente não me encontrava rápida na leitura do mapa e também é verdade que nunca me dei muito bem com esta distância.” Abordando a sua prova, a atleta revela ter partido “muito segura, senti-me bem fisicamente e, apesar de ter perdido cerca de 20 segundos no ponto 5 estou realmente muito satisfeita com a minha prova.” E a terminar: “Este ano não irei estar presente nos Campeonatos do Mundo por motivos académicos, mas este título serve de compensação e constitui uma motivação para continuar a treinar e a melhorar.”

Também Anna Serralonga nos deixou as suas impressões, começando pela prova de Distância Longa da passada sexta-feira: “Confesso que estava com algum receio destes Campeonatos. Não era fácil voltar a repetir os resultados de 2012 e sentia a pressão em demasia. Antes de partir para a prova tive que trabalhar muito mentalmente, para não esquecer os meus objetivos e concentrar-me na prova. Consegui concentrar-me, desfrutei da prova e da água (risos) e foi uma surpresa ter ganho, o que fez com que a minha confiança aumentasse. Este ano a forma não é a mesma do ano passado, uma vez que estou a frequentar um Mestrado na Universidade e quase não tenho tempo para descansar. Mas continuo a treinar com a mesma ilusão.” Quanto à Estafeta, a atelta destaca o facto de ter sido “muito emocionante e muito dura. A chegada das duas primeiras equipas foi ao sprint e pude ajudar a Catalunha a chegar de novo ao título. É uma emoção enorme conquistar este título porque a prova foi muito disputada e até ao 200 não acreditava que poderíamos ganhar.” Finalmente, a prova de Sprint: “Não terminei com a melhor das sensações mas a verdade é que não falhei muito e não sei se conseguiria bater o tempo de Violeta [Feliciano]. Olhando para o resultado de forma objetiva tenho de estar feliz porque, até aqui, só tinha medalhas de bronze nesta distância e agora tenho uma de prata.”


[FOTO: Federação Espanhola de Orientação]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 30 de março de 2013

GILMAR STEFFLER: "É DENTRO DA '40' QUE EU CONSIGO SENTIR-ME EM CASA"



Tri-campeão brasileiro de Orientação Pedestre e tri-Campeão Sul-Americano. Falamos de Gilmar Steffler, um dos “notáveis” que estiveram recentemente entre nós e que não quis deixar os seus créditos por mãos alheias, levando de vencida o Norte Alentejano O' Meeting e o Portugal O' Meeting na categoria H40. O Orientovar foi conhecer melhor o atleta e a pessoa.


Como foram os seus primeiros passos na Orientação?

Gilmar Steffler (G. S.) – Eu apareci na Orientação por volta de 1997, numa altura em que já se falava na criação da Confederação Brasileira de Orientação. Existiam alguns Campeonatos Regionais, nomeadamente no meu Estado, que é o Rio Grande do Sul, mas cogitava-se sobre a necessidade de criar uma estrutura que aglutinasse tudo aquilo que estava já a ser feito. Depois, em 1999, surgiu a Confederação, no ano seguinte comecei a competir na Elite e mantive-me na Elite até ao ano passado. São, portanto, passos que se misturam e confundem com a própria história da Orientação no Brasil.

Esses primeiros tempos eram muito diferentes daquilo que temos hoje no Brasil?

G. S. - Muito diferentes, realmente. É verdade que hoje ainda temos dificuldades nalgumas áreas, mas notou-se uma evolução muito grande. Nos mapas, por exemplo, é onde se nota uma maior evolução. Sobretudo de 2006 para cá, com os Campeonatos Militares, há um aperfeiçoamento e uma progressão constantes no trabalho dos cartógrafos e na qualidade desses mesmos trabalhos. A verdade é que o Brasil é muito grande, tem uma enorme variedade de terrenos e nalguns desses terrenos os nossos cartógrafos não estão ainda tão à vontade.

E onde é que essa evolução não é tão grande quanto o desejável?

G. S. - Há uma coisa, sim, que temos de melhorar. Falta-nos conseguir incrementar a Orientação dentro das Escolas. Há algum trabalho já feito nesse sentido, mas vemos que são muitos os locais no Brasil onde não há uma Escola, não há um estudante que conheça a Orientação. Isto põe em causa o crescimento da própria modalidade e aquilo que eu vejo é que somos praticamente os mesmos desde há algum tempo. Eu estou já com 40 anos e ainda consigo acompanhar muitos atletas de Elite, no Brasil. Não direi os primeiros, mas ali à volta do 7º ou do 10º lugar eu ainda consigo acompanhar.

Falou das crianças e dos mais jovens. Num país onde o Futebol é Rei, como é que a Orientação se faz notar para atrair essas mesmas crianças e jovens?

G. S. - Essa é outra parte onde ainda estamos muito abaixo do desejável. Infelizmente, no Brasil, a Comunicação Social só tem tempo para o Futebol, para o Voleibol e para a Natação. É tudo em função da quantidade de praticantes e os 13 ou 14 mil confederados que temos na nossa modalidade, sendo muito bom, é muito pouco tendo em atenção a dimensão do país. Concerteza que estes números irão aumentar, mas neste momento a divulgação ainda é feita muito de boca a boca. Termos a Comunicação Social do nosso lado seria fundamental para que pudéssemos mostrar a Orientação como um todo.

Andando um bocadinho com a nossa conversa para trás e voltando a si, disse-me que entretanto deixou a Elite e foi possível vê-lo este ano em Portugal a correr na categoria H40. E com grandes resultados...

G. S. - Sim, é verdade. O pessoal lá no Brasil, quando soube que eu viria, incentivou-me a competir ainda na Elite. Mas penso que não, a minha categoria é a H40 e é aí que eu julgo alcançar os resultados que espero de mim mesmo. Realmente, hoje em dia a Elite está um patamar acima do meu nível e é dentro da “40” que eu consigo sentir-me em casa.

Foi a primeira vez que competiu em Portugal?

G. S. - Não, já aqui tinha estado em 2001 aquando da realização do Campeonato Mundial Militar. Guardo excelentes memórias dessa vinda a Portugal e por vezes comentava com a minha esposa que teria de voltar um dia. A verdade é que as minhas saídas ao estrangeiro têm sido sempre com a equipa militar e eu estava a dever uma viagem com a família. Foi uma questão de juntar o útil ao agradável.

Além dessa experiência há 12 anos atrás, houve mais alguma razão que o levou a optar por Portugal?

G. S. - Bem, na verdade eu falo um bocadinho o alemão, mas o meu inglês é praticamente zero. Como em Portugal sabia de antemão que a língua não constituiria uma barreira, para poder contactar e conhecer era o ideal. Na altura em que estive cá, em 2001, senti-me como que em casa. E é precisamente assim que eu me voltei a sentir.

Teve a oportunidade de competir em todas as etapas dos três eventos internacionais de Fevereiro, em Portugal. Estava à espera de ver o que viu?

G. S. - Desde 2009 que acompanho aquilo que se vai fazendo em Portugal e em particular estas provas de Inverno. Ultimamente tem havido um investimento grande na preparação da Seleção Militar Brasileira e sempre que os nossos atletas regressavam ao Brasil falavam muito – e muito bem! - das provas em Portugal. Via os mapas, ouvia os elogios e ia dizendo comigo mesmo que um dia teria de vir cá e participar também. Na verdade eles não disseram mentira nenhuma, eu só tenho elogios para as provas onde tive oportunidade de participar e posso mesmo dizer que excederam as minhas expectativas.

O que é que mais o impressionou?

G. S. - Desde logo a variedade dos terrenos. Em Nisa, o terreno tinha muita pedra mas o relevo era suave. No Portugal O' Meeting era pedra, pedra e muito inclinado. E na terceira competição, em Pombal, não encontrei uma pedra. Mas para mim aquilo que mais me impressionou foi mesmo a qualidade dos mapas. Os mapas falam por si, tudo o que é essencial está lá e é apenas uma questão de saber lê-lo e interpretá-lo.

Admito que esteja igualmente contente com as suas prestações, mesmo apesar daquele “mp” na última etapa do Meeting de Orientação do Centro a roubar-lhe a possibilidade de fazer um pleno vitorioso nos três eventos. Consegue eleger algum momento verdadeiramente especial neste conjunto de provas que fez entre nós?

G. S. - Realmente estou surpreendido com os meus resultados e posso dizer que não há uma prova que destaque das restantes. Para mim, foram todas especiais. Cada prova é um novo desafio e, sempre que eu consigo terminar uma prova, e terminar bem, sentindo-me bem comigo mesmo e com aquilo que fiz, eu fico feliz. Como eu me senti feliz em todas as provas que fiz em Portugal, não vou escolher uma. Foram todas especiais.

No seu regresso ao Brasil, há algum aspeto que leva daqui e que irá procurar implementar lá?

G. S. - Sim. Na verdade, quando tiver a incumbência de participar na organização duma prova, eu não vou esquecer de montar um “baby-sitting” com uma escolinha de orientação. Eu trouxe o meu filho e ele gostou muito. Sei que, do ponto de vista logístico, tem algum trabalho e envolve algumas pessoas mas é um trabalho simples e as crianças gostam muito. É um trabalho básico, com o recurso a fitas, mas que pode representar muito para as crianças e para o gosto que possam vir a desenvolver pelo nosso desporto.

Embora estejamos ainda a uma distância significativa do evento, é quase sacramental colocar-lhe esta questão: Como é que vai ser nos Mundiais de Veteranos que terão lugar no seu País, em 2014?

G. S. - Os Mundiais de Veteranos terão lugar no Sul do Brasil, em terrenos com algum desnível. Não sei exatamente onde irão ser e há uma grande variedade de terrenos naquela região, mas posso garantir que não vão ter a pedra que teve este Portugal O' Meeting nem a areia que teve o Meeting de Orientação do Centro. Quanto à minha prestação, ainda é muito cedo para definir o que quer que seja em termos de objetivos. Um ano de cada vez e, mais lá para o final do ano, começar então a pensar nisso.

Mas estas suas excelentes prestações em Portugal, no despique direto com alguns dos seus potenciais adversários em 2014, dão já algumas indicações...

G. S. - Sim, os resultados são motivadores. Sobretudo porque não treinei em Dezembro e só em Janeiro é que fiz alguns treinos. A minha vinda aqui era para ser mais em jeito de treino que de competição e daí eu estar bastante satisfeito e surpreendido.

Uma última palavra, uma mensagem, algo?

G. S. - Uma palavra de agradecimento a todos os portugueses que, de alguma forma, nos ajudaram. A vida não está fácil, o dinheiro tem de ser todo contadinho e as respostas que tivemos aos contactos feitos antes de sairmos do Brasil acabaram sendo muito positivas e foram fundamentais para viabilizar a nossa vinda. Obrigado a todos quantos colaboraram para que nos sentíssimos muito felizes, para que nos sentíssimos em casa.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
  

sexta-feira, 29 de março de 2013

CAMPEONATO DE ESPANHA DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE CEO 2013: ANDREU BLANES E ANNA SERRALONGA CONQUISTAM TÍTULOS DE DISTÂNCIA LONGA



Andreu Blanes e Anna Serralonga revalidaram hoje os títulos de Campeões de Espanha de Distância Longa 2013. Numa prova em que a chuva recolheu a maior dose de protagonismo, foram mais de mil os atletas presentes em Navalcán, entre os quais uma trintena de portugueses.


Repetindo o resultado alcançado em Plasencia, no ano transacto, Andreu Blanes (Alicante COLIVENC) e Anna Serralonga (Girona GO-XTREM) foram os grandes vencedores da prova de Distância Longa dos Campeonatos Nacionais de Espanha de Orientação Pedestre 2013, disputada hoje em Navalcán (Toledo). Contando com a participação de perto de 1100 atletas, dos quais mais de mil nos escalões de competição, a prova teve lugar no mapa de Robleo – Piedra del Risco e decorreu debaixo de intensa e impiedosa chuva.

Na categoria absoluta masculina (Homens Elite), Andreu Blanes foi o grande vencedor, necessitando de 1:06:09 para cumprir os 9,2 km do seu percurso (26 pontos de controlo, 350 metros de desnível). Ao Orientovar, Andreu Blanes referiu-se à prova como “um pouco estranha, porque toda a gente perdeu tempo.” Estimando em “quatro ou cinco minutos” o tempo perdido no decurso da prova, Blanes acabou por ser o grande vencedor e confessava-se no final “muito contente porque, além do tempo perdido, ainda atravessei uma zona proibida.” Um episódio que o atleta comenta da seguinte forma: “Talvez não merecesse ganhar, mas acabei por tomar uma direção errada e não tive a noção que estava na zona proibida. O juiz controlador considerou não me desclassificar, pois ninguém me tinha visto e no final também não houve qualquer tipo de reclamação.” Regressando à sua prova, Andreu Blanes fala de “um terreno difícil, com muita vegetação rasteira e muitas pedras. Além do mais chovia e não era fácil dar com os pontos, mas consegui correr rápido e, desta forma, compensar o tempo perdido tecnicamente.”


“Melhores sensações”

O segundo lugar coube a Antonio Martinez - colega de equipa de Andreu Blanes com quem faz parelha nessa dupla incrível auto-designada por “Niños Bomba” -, que gastou mais 1:28. Também ele se mostrava descontente com a sua prova, apesar de considerar bom o resultado: “Cometi vários pequenos erros que poderia ter facilmente evitado, uma vez que nalgumas zonas perdi um pouco o contacto com o mapa e sentia-me um pouco inseguro no tocante ao local onde realmente me encontrava.” Tal como Andreu Blanes, também Martinez reconhece que “todos os atletas cometeram erros e, graças a isso, consegui acabar no segundo lugar, atrás do Andreu.” A terminar, deixa o desejo de “melhores sensações nas próximas provas.” Daniel Portal (Badajoz CODAN EXTREMADURA) fechou o pódio com um tempo de 1:10:40.

Nas senhoras a vitória coube a Anna Serralonga, que gastou 1:05:07 para 7,2 km de prova (17 pontos de controlo, 250 metros de desnível). Annabel Valledor (Barcelona BADALONA-O) foi a segunda classificada, com mais 5:02 que a vencedora, enquanto a “finlandesa” Alicia Cobo (Soria NAVALENO-O) concluiria na terceira posição, com mais 9:43 que Anna Serralonga.


Luis Silva e Mariana Moreira lideram “armada portuguesa”

Quanto aos atletas portugueses, Luís Silva (ADFA) e Mariana Moreira (CPOC) foram os nossos melhores representantes no escalão de Elite. Luís Silva gastou 1:16:11 e ocuparia a 9ª posição (não oficial, uma vez que os atletas estrangeiros não integraram a classificação do Campeonato de Espanha), enquanto Mariana Moreira se quedaria pela 10ª posição, a mais de vinte e cinco minutos (!) da vencedora. Importa ainda referir, a título de curiosidade, que o melhor tempo na categoria de Elite Masculina foi alcançado extra-competição por um atleta nosso bem conhecido, o romeno Ionut Zinca (Barcelona FARRA-O), com menos 1:48 que Andreu Blanes.

O Campeonato Nacional de Espanha de Orientação Pedestre prossegue amanhã com a disputa dos títulos de Estafeta. Consulte os resultados completos da prova de Distância Longa em http://www.fedo.org/web/ficheros/competicion/o-pie/resultados/2013/05-LEO-2013-Resultados-Totales-Larga-Distancia-CEO2013.html.


Saudações orientistas

JOAQUIM MARGARIDO

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...



1. Qual é o Município português – qual é? - que inclui a Orientação no seu Roteiro? É o Crato, pois claro, Município com História e que não se cansa de divulgar o muito que tem de melhor. Editado em cinco línguas – português, alemão, espanhol, francês e inglês -, o Roteiro Turístico do Concelho do Crato foi apresentado publicamente no passado dia 23 de Março. A Cerimónia decorreu no Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa, no âmbito da Conferência sobre os “Caminhos de Santiago - A importância do Turismo Religioso e Cultural no Desenvolvimento Local” com João Teresa Ribeiro (Presidente da Câmara Municipal do Crato), Ceia da Silva (Presidente da ERT-Alentejo), Padre Fernando Farinha (Diretor do Secretariado de Solidariedade Humana: Migrações, Turismo e Minorias Étnicas) e António Caldeira (Peregrino). Foi igualmente inaugurada a exposição “A Paixão” (Espólio da Casa-Museu Padre Belo) e teve lugar um Concerto de Canto Gregoriano “A Paixão”, pelo Ensemble Vocal Introitus, com a participação do ator João de Carvalho [reportagem fotográfica AQUI]. Voltando ao Roteiro e à Orientação, ali se faz menção das “melhores pistas” para a prática do nosso desporto. Alentejo, tempo para ser feliz!


2. O Campeonato de Espanha de Orientação CEO 2013 arrancou de forma oficial no dia de ontem, em Navalcán, com a realização da “V Carrera de la Mujer”. Destinada apenas a atletas do género feminino, a prova contou com o apoio da Diputación de Toledo, Ayuntamiento de Navalcán, Instituto da Mulher de Castilla-La Mancha e da Federação Espanhola de Orientação. Disputada no sistema de Score, com partida em massa e tempo limite de uma hora, a prova registou a participação de 159 atletas, divididas pelas categorias “Federado” e “Popular”. A vitória na categoria “Federadas” sorriu a Alicia Cobo Caballero, atleta radicada na Finlândia há cerca de um ano e por estes dias de regresso ao país natal, não apenas para participar nos Nacionais de Espanha mas também no Campeonato Ibérico, em Gouveia, como o Orientovar teve oportunidade de apurar. Marie Pettersson e Jara Garcia Zafra acompanharam Alicia no pódio. Na categoria “Popular”, o triunfo coube a Paula Martín Serrano, seguida de Pilar Fernandez Torija e Ariadna González Segovia. Resultados completos em http://www.orientacion.navalcan.com/DATOS/Resultados/VCarreraDeLaMujer.html.


3. Pela primeira vez na sua história, terá lugar este ano, ainda que de forma “não oficial”, a Taça da Europa de Orientação de Precisão ECTO 2013. Ao todo serão cinco as competições que pontuarão para a Taça da Europa, num total de dez etapas a disputar na Noruega, Finlândia, Itália, Letónia e Croácia. O facto de muitos países desenvolverem a modalidade apenas na Classe Aberta faz com que o ECTO 2013 seja disputado só nesta classe. Em contrapartida, não haverá limite de participação em termos do número de atletas de cada país. Os vinte e sete primeiros classificados em cada etapa receberão a pontuação de acordo com uma tabela específica, sendo a classificação final apurada pelo somatório das cinco melhores pontuações obtidas. O regulamento da Taça da Europa de Orientação de Precisão ECTO 2013 pode ser encontrado em http://orienteering.org/wp-content/uploads/2013/03/European-Cup-in-TrailO-2013.pdf.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 28 de março de 2013

MOÇAMBIQUE NOS MUNDIAIS DE DESPORTO ESCOLAR ISF 2013



Cinco crianças da Escola-Orfanato da Casa do Gaiato de Moçambique vão participar no Campeonato do Mundo de Orientação de Desporto Escolar ISF 2013.


Moçambique vai estar representado por cinco atletas da Escola-Orfanato da Casa do Gaiato, selecionados através de um processo de apuramento que contou com o apoio da Federação Espanhola de Orientação. No âmbito financeiro e logístico, revestiu-se de grande importância a colaboração da Fundação Mozambique Sur – ONG para que as crianças possam participar no evento. Mozambique Sur é uma ONG localizada em Madrid, colaborando desde 2005 com a Escola-Orfanato Casa do Gaiato através de ajudas e da realização de diferentes projetos humanitários.

Estão de parabéns os cinco jovens atletas moçambicanos porque, pela primeira vez, crianças de uma escola Africana participam num Campeonato Mundial Escolar de Orientação e que este ano terá lugar em Vila Real de Santo António, Algarve, de 15 a 21 de abril.

A Federação Espanhola de Orientação programou os dias destes cinco rapazes que compõem a equipe da escola entre os dois países ibéricos. A comitiva chegará a Espanha no dia 05 de abril, aí permanecendo até ao dia 12 de abril, vivendo e participando em atividades do programa de Orientação das comunidades nacionais e regionais. A partir do dia 13 de abril, viajarão para Gouveia, Portugal, onde participarão no Campeonato Ibérico juntamente com a seleção Espanhola e outras escolas Nacionais. Do dia 15 ao dia 21 de abril participarão no Campeonato do Mundo Escolar de Orientação WSCO 2013, em Vila Real do Santo António.

A Orientação é  uma modalidade desportiva que envolve esforço físico e mental e o seu lema é "pensar e executar", um desporto com pés e cabeça. A competição concilia-se com o lazer, num espaço que proporciona um permanente contacto com a Natureza. O carácter único da Orientação consiste em encontrar e seguir o melhor itinerário, através de terreno desconhecido, numa luta constante contra o tempo. Isto exige capacidade de Orientação: boa leitura e interpretação do mapa, avaliação de opções de itinerário, utilização da bússola, concentração sob pressão, memorização, rapidez na tomada de decisão, corrida em terreno acidentado. É uma disciplina que ajuda extremamente o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.

Embora relativamente recente em países como Portugal e Espanha, a Orientação é um desporto organizado já com mais de 100 anos de existência. Os registos indicam que terá sido em Bergen, na Noruega, no dia 31 de Outubro de 1897, que se organizou a primeira atividade desportiva de Orientação. Os países nórdicos são, ainda hoje, aqueles onde a modalidade tem maior implantação, mobilizando um número de praticantes que coloca a Orientação entre os cinco desportos mais praticados na Escandinávia. Ao longo destes mais de cem anos de existência a modalidade foi evoluindo, tornando-se num desporto altamente desenvolvido, que é praticado em simultâneo, no mesmo espaço e ao mesmo tempo, por todos, independentemente do nível físico ou técnico, da idade ou do género do praticante.

Isabel Fernandes
Fundación Mozambique Sur



terça-feira, 26 de março de 2013

ANTONIO MARTINEZ E ANDREU BLANES: OS "BOMBA KIDS"




São dois dos rostos mais visíveis da atual orientação espanhola, personificando o querer e a vontade de fazer mais, de fazer melhor. Num jogo do 'tudo ou nada', Andreu Blanes e Antonio Martinez dão-se a conhecer um pouco mais, naquilo que são e naquilo que esperam vir a ser. Prontos a 'explodir' a qualquer momento, eles são os 'Bomba Kids' *.


Estiveram em Portugal no início de Fevereiro, voaram depois para a Turquia, estarão em breve vá-se lá saber onde e a primeira coisa que ocorre dizer é que esta vida de orientista é a mais perfeita e a mais fácil vida deste mundo. Perfeita, para aqueles que amam a orientação, será certamente. Mas não a mais fácil, como afirma Antonio Martinez: “Se não tens dinheiro e tempo suficientes, então é um problema.” Felizmente os estudos em Educação Física já terminaram e tempo livre é coisa que não lhe falta para afinar as coisas onde quer que seja. Mas, como ele próprio explica, “tudo isto só é possível graças às nossas federações regionais e nacionais e ao meu clube da Suécia (Eksjö), que nos ajudam com as viagens e tornam as coisas um bocadinho mais facilitadas.”

Andreu Blanes é da mesma opinião e fala do “enorme esforço” que as viagens encerram: “Muitas das viagens não são feitas nas melhores condições, mas se queremos melhorar e estar à altura da Elite mundial temos de treinar na maior variedade de terrenos possível.” Ao fim e ao cabo, mesmo que tenham de dormir no chão, viajam sempre com um sorriso no rosto, sabendo de antemão que os esperam “grandes sessões de treino ou competições”.


A maior parte é adquirida”

A conversa continua e quero saber o que pensam do facto de estarem entre os melhores do mundo: é uma questão genética ou é sobretudo adquirido? Antonio não tem dúvidas: “Antes de mais, tens de ter os genes certos e depois, se trabalhas diariamente, se és consistente, se tens o apoio necessário para desenvolver as tuas aptidões e tens objetivos claros, tudo é possível. Agora, se tens uma boa base genética mas falta-te atitude e não trabalhas aquilo que devias, por certo não irás longe.”

Focando-se na sua experiência pessoal, Andreu também é de opinião que “a maior parte é adquirida”. Ele explica porquê: “Quando ainda era miúdo, não era propriamente um dos melhores orientistas da minha região mas, na minha opinião, os meus sonhos eram maiores, mais ambiciosos que os dos outros miúdos. Desde então trabalhei sempre no duro e tive de deixar muitas coisas para trás, mas sempre com o claro objetivo de um dia poder vir a ser Campeão do Mundo.”


Thierry Gueorgiou e Roger Casal

Como quase toda a gente na orientação, também eles seguem alguém como um exemplo, um ídolo. “Sim, evidentemente que tenho um ídolo”, diz António. E o ídolo chama-se... “Thierry Gueorgiou”. Mas isto não são coisas de agora: “Desde que comecei, que sou fã dele. Hoje sou um orientista de Elite e tenho tido a felicidade de poder fazer alguns treinos com ele e de competir contra ele. Agora, sim, percebo o quão grande ele é, a forma fantástica como encara a competição, o trabalho que está por detrás do facto de se ser o número 1. Penso que não será fácil encontrar um orientista que seja capaz de ler mapas como ele.”

Andreu confessa que “Thierry também é o meu ídolo desde pequeno”, mas vai acrescentando outro nome: “Gostava igualmente de mencionar o Roger Casal. Sem apoios, completamente sozinho, ele conseguiu grandes resultados, o que é algo que me deixa realmente impressionado. Treinei com ele durante muitos anos e ele foi para mim uma importante referência no dia a dia. Agora que tento superar aquilo que ele conseguiu, percebo realmente o quão longe ele foi.”


Uma referência para os mais novos

E quanto a António e Andreu? Será que se vêem como um exemplo para os mais novos? “Não apenas eu, mas penso que, dum modo geral, os orientistas espanhóis estão a fazer grandes progressos”, diz Antonio. Ele explica que “há alguns anos atrás era impensável a Espanha alcançar uma medalha numa competição internacional e contudo, nos últimos tempos, chegámos lá em várias ocasiões (EYOC, WSCO, WUOC, JWOC).” Na sua opinião, o facto dos espanhóis serem agora capazes de lutar pelas medalhas, “deve servir de motivação às gerações mais jovens para que se tornem mais fortes.” Pegando nas palavras do seu companheiro, Andreu explica que “estamos a conseguir bons resultados e isso deve ser uma referência para os mais novos. É sempre importante que as gerações mais novas se sintam motivadas para superar os resultados dos seus predecessores.”


Ouro nas Estafetas do Campeonato do Mundo, juntos

Os objetivos da presente temporada estão, em grande medida, relacionados com o maior sonho de todos. António diz: “Estou a treinar para dois momentos altos da temporada, o primeiro já no final de março e que são os Campeonatos de Espanha e o outro, o mais importante, que são os Campeonatos do Mundo, em Julho. Quero focar-me no Sprint, mas também na Distância Média e nas Estafetas (corridas curtas e rápidas)”. Da mesma forma, Andreu refere que “os meus principais objetivos são basicamente os mesmos. Quero fazer boas provas nos Nacionais, mas o grande objetivo da temporada é o WOC, na Finlândia.” E apontam, ambos, um mesmo resultado: “Um lugar no top-15”.

E quanto àquele sonho, o maior de todos, o de conquistar uma medalha nos Campeonatos do Mundo? Para Andreu “talvez se possa pensar que o Sprint é a distância que melhor se adequa às minhas características, mas eu penso que a Distância Média é a mais fantástica prova do WOC e é aí que reside o meu sonho, ser Campeão do Mundo de Distância Média.” Antonio escolhe a Estafeta, “a distância mais emocionante para mim. E melhor ainda se o Andreu fizer parte dela. Seria uma grande recompensa por todo o enorme trabalho e as experiências incríveis que vivemos juntos desde pequenos.” Andreu concorda em absoluto: “Seria uma coisa incrível conseguir uma medalha na Estafeta.”


Tudo ou nada

Uma última questão: Porquê Bomba Kids? Antonio e Andreu respondem a uma só voz: “É apenas um nome engraçado mas que nos descreve, correndo e fazendo orientação. Isto porque nunca se sabe quando vamos 'explodir', ou seja, tanto podemos fazer uma grande prova num tempo fabuloso como, logo a seguir, fazemos a pior prova que se possa imaginar, cheia de erros, e somos deixados para trás por todos. 'Tudo ou nada' é a nossa filosofia.”


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO



[Veja a Entrevista na Inside Orienteering 02/2013, em http://www.orienteering.org/edocker/inside-orienteering/2013-2/. Artigo publicado com a devida autorização da Federação Internacional de Orientação]

segunda-feira, 25 de março de 2013

MIGUEL BARRADAS E LUÍS SÉRGIO RETRATAM GOM' 2013




Miguel Barradas acaba de fazer chegar ao Orientovar o excelente álbum fotográfico recolhido aquando do evento Gafanhori 'O' Meeting 2013, o qual pode ser visto em https://plus.google.com/u/0/photos/102754079085421139341/albums/5859321111677633313. São, no total, 724 fotos que retratam de forma exemplar alguns dos momentos mais marcantes vividos junto à Arena da prova e que evidenciam a enorme qualidade e sensibilidade do autor.

O Gafanhori 'O' Meeting 2013 serviu igualmente de pretexto a Luís Sérgio para, nove meses depois, “dar à luz” um novo artigo no blogue “Mais um Mapa, mais um Desterro!” - http://maisummapa.blogspot.pt/ - , também aqui sob a vertente da fotografia. Seria redundante falar de Luís Sérgio e das suas excecionais qualidades de fotógrafo, pelo que aqui deixamos o convite à visualização de 291 belíssimos retratos em https://plus.google.com/photos/114134184934152889261/albums/5859619851882625441?authkey=CKf37fHn35DzRA. Vale absolutamente a pena!

Pontuável para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2013, o Gafanhori 'O' Meeting 2013 decorreu nos dias 23 e 24 de março, juntando em Arraiolos quatro centenas e meia de participantes. Saiba tudo em http://gom13.gafanhori.pt/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

INSIDE ORIENTEERING 02/2013 ACABA DE SAIR!



O homem por detrás do sucesso da Orientação no sudeste europeu, o mais recente membro da IOF, reportagens sobre o Portugal O' Meeting e sobre a Orientação de Precisão no grande evento português, os Niños Bomba, uma história de sucesso nas escolas da Tasmânia... Isto e muito mais é o que nos oferece a segunda edição de 2013 da Inside Orienteering, a newsletter da Federação Internacional de Orientação.


Acaba de nos chegar às mãos a segunda edição de 2013 da Inside Orienteering, a newsletter da Federação Internacional de Orientação. Repleta de novidades, a publicação começa por nos impressionar pela sua dimensão, ela que nunca tinha ido além das dezassete páginas e que desta feita nos brinda com vinte e três. Vinte e três páginas que abarcam todas as disciplinas da IOF e que, pela primeira vez, dá a conhecer ao Mundo aquilo que ela designa por “uma forma de Orientação para todos”, a Orientação Adaptada.

E começamos a nossa leitura da IO 02/2013 precisamente por aqui, pela Orientação Adaptada, lembrando que Portugal é pioneiro numa disciplina que, desde a primeira hora, contou com o apoio da Federação Portuguesa de Orientação e da Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual. Uma disciplina que, bebendo a sua “filosofia” nos modelos que regem as provas de Orientação de Precisão, se abre em cores e imagens a um grupo muito particular de pessoas, dando a ver todo o potencial inclusivo da nossa modalidade. O artigo agora patente na Inside Orienteering é o reconhecimento do trabalho e do esforço daqueles que acreditam na Orientação como um desporto não apenas para alguns!


Portugal O' Meeting 2013

Mas o nome de Portugal está também patente nesta edição através da reportagem do Portugal O' Meeting, um “evento altamente atrativo nesta altura da temporada”, como se pode ler no artigo desenvolvido por Joaquim Margarido. Começando por fazer um pouco da história do Portugal O' Meeting desde a sua criação, em 1996, até aos nossos dias, o artigo pega nas palavras de António Amador, Mário Duarte e Luís Santos, Diretores do Evento em 2012, 2013 e 2014, para se apresentar no seu todo, do seu caráter de excelência a vários níveis, ao “calcanhar de Aquiles” que é (ainda) o setor da comunicação.

Ainda na linha do Portugal O' Meeting 2013, há um outro artigo verdadeiramente especial e que dá a conhecer o trabalho feito em torno da Orientação de Precisão em Portugal e duma das suas faces mais visíveis, precisamente a prova levada a cabo no âmbito do maior evento internacional regular em Portugal. Este é igualmente um excelente pretexto para espreitar o Núcleo de Desporto Adaptado do Hospital da Prelada e para ir ao encontro desse desafio maior chamado Campeonato da Europa de Orientação de Precisão ETOC 2014.


Do Cazaquistão ao Azerbaijão, da Tasmânia à vizinha Espanha

Naturalmente que a Inside Orienteering 02/2013 não se resume a Portugal e aos portugueses, ficando desde já uma chamada de atenção para o editorial de Brian Porteous, o Presidente da IOF, onde se chama a atenção para o formato da Estafeta Mista e para o seu potencial televisivo, tomando como exemplo o sucedido no Cazaquistão, aquando dos Mundiais de Orientação em Esqui. A figura em destaque é-nos apresentada por Clive Allen e trata-se de Zoran Milovanovic, atual Presidente do Grupo de Trabalho de Orientação do Sudeste Europeu, um homem prestes a celebrar 40 anos de orientista e cujo trabalho na definição de estratégias para a Orientação no leste europeu aponta para o sul, mais propriamente para o Mediterrâneo e para a recém formada COMOF. Num âmbito paralelo, há ainda esse excelente artigo sobre o Azerbaijão, o mais recente membro da Federação Internacional, igualmente com a assinatura de Clive Allen.

Há ainda dois temas de fundo a merecerem uma referência especial. O primeiro leva-nos até à distante Tasmânia, ao encontro do protocolo assinado entre um agrupamento de escolas de Launceston (LSSSA – Launceston State Schools Sports Association) e o clube de Orientação EVOC – Esk Valley Orienteering Club e que, desde 2013, tem dado a conhecer a Orientação a milhares de crianças. O segundo artigo traz-nos de regresso à Península Ibérica, mais propriamente à vizinha Espanha, ao encontro de António Martinez e Andreu Blanes, os Spanish Bomb Kids, numa entrevista conduzida por Joaquim Margarido.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 23 de março de 2013

DESPORTO ESCOLAR: CIRCUITO REGIONAL DE ORIENTAÇÃO DSRLVT



No passado dia 16 março, realizaram-se as duas últimas etapas do Circuito Regional de Orientação DSRLVT, sendo desta vez a responsabilidade da organização assumida pela Coordenação Local do Desporto Escolar do Oeste. Participaram mais de três centenas de alunos oriundos das escolas do Oeste, Península de Setúbal e da Lezíria e Vale do Tejo.

As provas decorreram na Base Aérea da Ota, que se encheu de movimento e vida num sábado onde São Pedro até ajudou, brindando os participantes apenas com umas gotinhas de chuva. A etapa da manhã realizou-se dentro da base, em terreno misto de floresta e urbano, onde foi possível criar interessantes desafios, com transições entre dois tipos de terreno bem distintos.

À tarde a prova decorreu nos terrenos anexos à Base, pertencentes à Quinta do Casal Vale, onde o terreno é mais desafiante quer física quer tecnicamente, proporcionando percursos um pouco mais exigentes, sendo em alguns locais a progressão mais lenta, devido a alguma vegetação rasteira e aos ramos que se encontravam no chão, tudo isto agravado ainda pelo terreno “ensopado” de água.

Apresentamos os nossos agradecimentos às várias entidades que possibilitaram a organização destes eventos, desde logo ao CFMTFA - Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea, à Federação Portuguesa de Orientação, aos proprietários da Quinta do Vale e ainda um agradecimento especial aos alunos do curso profissional de Desporto da Escola Madeira Torres, que foram incansáveis no apoio prestado à organização.

Foi mais um sábado onde a Orientação demonstrou o quanto é divertido usufruir das nossas florestas, faça chuva ou faça sol.

[Texto e foto da autoria de Maria Amador, responsável CLDE Oeste]

terça-feira, 19 de março de 2013

OS VERDES ANOS: GONÇALO PIRROLAS



Olá,

Sou o Gonçalo Pirrolas, tenho 16 anos e vivo em Setúbal. Estou no 10º ano de Artes Visuais, na Escola Secundária do Bocage.

Sempre tive um grande gosto pelo desporto, chegando a frequentar Ginástica no 1º ciclo, Atletismo mas por pouco tempo e Natação que ainda pratico mas como forma de treino.

Já lá vão sete anos desde que comecei a praticar este magnífico desporto conhecido por poucos. Comecei por incentivo da minha irmã (Olga Pirrolas) que me levou a experimentar a modalidade numa prova organizada pela Escola Secundária do Pinhal Novo e pelas Lebres do Sado, na Herdade da Gâmbia. Disseram que tinha” geito para a coisa” e, graças a isso, comecei a ir às provas, mas ainda sem muito interesse.

Correr sozinho pelo mato, à procura de uns “triângulos com furadores”, marcados num “papel pintado à balda” nas mãos ,não era coisa que me agradasse muito, mas ao longo do tempo, com a ida regular às provas e ao conhecer pessoas novas, passar dias fora de casa, fez com que esse pensamento fosse mudando.

Pouco tempo depois acabei por me federar, entrando nas Lebres do Sado, clube esse que tinha dos melhores atletas jovens daquela altura, o que me incentivava bastante a ir às provas para que “um dia pudesse ser como eles”!

Passados alguns meses de muitas provas, fui “lançado” para o mapa sozinho. Foi no Parque Urbano da Bela Vista, em Lisboa, em 2008 se não estou em erro. Fiquei um bocado aterrorizado, confesso, por muito fácil que fosse o percurso. Juntou-se a ansiedade, o nervosismo, enfim... um pouco de tudo, mas nada que fosse impossível de acabar.

Já passei por alguns clubes devido às mais diversas circustâncias como o Gafanhori e Ori-Estarreja, onde aprendi bastante sobre a Orientação e onde me foram motivando para treinar e levar este desporto cada vez mais a sério. Atualmente estou na ADFA, onde pretendo ficar por muitos mais anos e onde tenho evoluído quer fisicamente, quer tecnicamente, e onde trabalho para evoluir mais.

Agora com alguns titulos nacionais já alcançados, competir nos mais diversos tipos de mapas, e alguma técnica ganha ao longo dos anos, sinto que com muito trabalho posso ir mais longe, e alcançar um objetivo que sempre quis: entrar para a seleção nacional e poder representar Portugal em EYOC’s e JWOC’s.

Porquê a Orientação? É um desporto diferente, digamos, onde só o fisico não vale de nada se o psicológico também não interagir. Obriga-nos a pensar bastante. Também foi na Orientação que descobri grandes amizades e tive a sorte de me encontrar numa faixa etária onde fazemos uma competição saudável.

Para terminar, quero agradecer a todos aqueles que me apoiaram e que me apoiam, e principalmente à Olga Pirrolas, ao Elder Guerreiro e aos Prof. Daniel Pó e Ricardo Chumbinho, pois foram eles que me ajudaram e que me incentivaram a entrar nesta aventura.

Até uma próxima e vemo-nos por aí!

Gonçalo Pirrolas
FED 3954
Associação de Deficientes das Forças Armadas

segunda-feira, 18 de março de 2013

IX CAMPEONATO IBÉRICO DE ORIENTAÇÃO EM BTT: DAVIDE MACHADO TRIUNFA NOS PICOS DA EUROPA



Davide Machado foi um vencedor incontestado na primeira mão do Campeonato Ibérico de Orientação em BTT 2013, disputado este fim de semana nos Picos da Europa. O segundo lugar coube a outro atleta português, Carlos Simões. No cômputo geral do Campeonato Ibérico, a Espanha parte em vantagem para a decisiva mão, a disputar em Albergaria dos Doze e Pombal, no próximo mês de Maio.


Decorreu este fim de semana, nas localidades de Cangas de Onís e Arriondas, em Espanha, a primeira mão do IX Campeonato Ibérico de Orientação em BTT. Organizada pelo Club La Brújula, a prova contou com a presença de 142 atletas e repartiu-se por duas etapas, a primeira de Distância Média e a segunda de Distância Longa, ambas pontuáveis igualmente para a Liga Espanhola e para a Taça de Portugal de Orientação em BTT 2013.

Do primeiro dia de provas vem a vitória apertada de Davide Machado (.COM) sobre o seu compatriota Carlos Simões (COALA) no escalão de Elite Masculina. Número 11 do ranking mundial da Federação Internacional de Orientação e a maior referência portuguesa de sempre nesta desafiante disciplina, Machado necessitou de 40:32 para completar a sua prova, menos 54 segundos que Simões e menos 2:29 que o espanhol Miguel Angel Ramo Martin (Raid A Cal Teruel). No segundo dia os três atletas concluiram pela mesma ordem, mas com Davide Machado a fazer apelo às suas qualidades físicas e a deixar Carlos Simões a distantes 6:03 e Miguel Angel Ramo Martín a 6:07.


Espanha em vantagem

No escalão de Elite Feminina, Tânia Covas Costa (.COM) esteve em plano de destaque ao concluir a etapa de Distância Média na segunda posição com o tempo de 41:48, a 58 segundos da vencedora, Susana Arroyo Schnell (Sotobosque Madrid). Monica Aguilera Viladomiu (Tierra Tragame Madrid) foi a grande vencedora no derradeiro dia, concluindo a sua prova com o tempo de 1:14:33 e ascendendo à liderança do Ibérico. Covas Costa voltou a ser a melhor portuguesa, desta feita no quarto lugar, a 5:38 da vencedora, o que a coloca provisoriamente no 3º lugar da competição.

Nos restantes escalões, realce para as vitórias portuguesas de Mário Marinheiro (Casa Povo Abrunheira) no primeiro dia de prova no escalão Veteranos I Masculinos e ainda para os triunfos de Francisco Moura (Montes e Vales) e de Luísa Mateus (COC) em ambas as etapas, nos escalões de Veteranos II, Masculino e Feminino, respetivamente. A ausência de participantes portugueses em Cadetes e Juniores deixou o caminho livre a Espanha para se adiantar na classificação geral do Campeonato Ibérico por margem bastante dilatada. Concluída que está a primeira mão, a Espanha soma 254 pontos contra 140 de Portugal, colocando-se numa posição invejável para chegar à vitória final, cuja decisão está agendada para 18 e 19 de Maio, em Albergaria dos Doze e Pombal.

Resultados e demais informação em http://www.labrujula.info/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 16 de março de 2013

ENTREVISTA: O POM EM ANÁLISE (VERSÃO INTEGRAL)




Evento emblemático da época de Inverno da Orientação, o Portugal O' Meeting soube, ao longo dos seus dezoito anos de existência, conquistar um lugar de referência entre orientistas do mundo inteiro. Mas tal apenas foi possível graças à aposta dos clubes numa organização de excelência, assente nos melhores mapas e terrenos, na diversificação da oferta competitiva, em arenas de qualidade e, porque não dizê-lo, no bem receber das nossas gentes. Para falar disto e muito mais, fomos ao encontro de António Amador, Mário Duarte e Luís Santos, diretores do POM em 2012, 2013 e 2014. Passado, presente e futuro do Portugal O' Meeting em análise.


O Portugal O' Meeting está numa encruzilhada?

Mário Duarte (M. D.) - Sim, estamos numa encruzilhada. O Portugal O' Meeting tem o seu espaço, um espaço reconhecido numa época do ano extraordinária para a prática da Orientação no nosso país, mas a verdade é que começam a surgir outros países, outras organizações, a quererem ocupar esse espaço. Felizmente, nos últimos anos, temos organizado muito bem e a fasquia está colocada muito alto. Aliás, gostaria de dizer que se o CPOC [Clube Português de Orientação e Corrida], no próximo ano, tiver mais atletas do que eu tive, sentir-me-ei realizado. É sinal que o Portugal O' Meeting deste ano correu muito bem e constituiu um bom cartão de visita. O Portugal O' Meeting tem de constituir uma opção anual para aqueles que nos procuram. E nós só temos é que ir ao encontro das suas expectativas.

António Amador (A. A.) - Felizmente os clubes têm pensado nesta prova como sendo uma prova da modalidade e não uma prova do clube e isso é fundamental para todo o envolvimento que se cria. Ainda este ano, a ADFA [Associação dos Deficientes das Forças Armadas] teve esta preocupação. Se não tinha elementos que garantissem a excelência em determinadas áreas, foi à procura deles fora do clube. O ano passado aconteceu o mesmo connosco, ao socorrermo-nos do COV [Clube de Orientação de Viseu – Natura]. E isto é fundamental para continuarmos com o nível desta prova.

Luís Santos (L. S.) - Talvez não devesse revelar isto em primeira mão, até porque os contactos estão ainda numa fase muito preliminar, mas o COV poderá vir a ser uma ajuda importante também na organização do POM 2014. É o clube geograficamente mais próximo de Gouveia, é um clube muito forte e muito dinâmico e pode ser realmente uma grande ajuda. Não nos podemos esquecer que vamos organizar o Portugal O' Meeting a 350 quilómetros de nossa casa e essa proximidade do COV pode ser uma mais valia clara. E não só em relação ao COV, mas também em relação a pessoas específicas em determinadas áreas, áreas onde o CPOC reconhece não ter tanta qualidade, podendo ir buscar a outros clubes essas pessoas-chave para fazer o trabalho necessário com vista a mantermos o patamar de excelência que o POM já alcançou.


O que representa o Portugal O' Meeting para um clube? É o desafogo financeiro, um balão de oxigénio durante dois ou três anos ou é mais do que isso?

A. A. - Fundamentalmente é uma dor de cabeça para duas ou três pessoas durante dois ou três anos (risos). A preocupação está em garantir um bom evento, não é se iremos ter desafogo financeiro depois.

M. D. - Até porque, por mais previsões que possamos fazer, as contas saem sempre furadas. É lógico que o Portugal O' Meeting, pelos números que envolve, é um balão de oxigénio para os clubes. Todavia, o peso logístico dum evento desta natureza também é muito grande, sobretudo para quem organiza longe de casa, como geralmente sempre acontece. Mas estamos a falar duma modalidade fechada, duma modalidade onde as receitas que geramos com as nossas provas servem para pagar as despesas nas provas que os outros organizam. Ou seja, o dinheiro fica na modalidade.

L. S. - Sem querer andar aqui em círculos com a conversa, a nossa preocupação reside em descobrir terrenos que nos dêem a garantia duma excelente prova e que nos satisfaçam acima de tudo, independentemente da distância a que eles se situam. Veja-se o caso de Gouveia e do POM 2014 que é, afinal, o culminar de todo um projeto que começou há dois anos e cujo objetivo é fazer com que Gouveia se fixe como um dos grandes centros da Orientação em Portugal. Mas o projeto só será válido se tivermos bons terrenos, que felizmente Gouveia tem. Agora, alguém nos diz, “olha, temos um apoio forte, vamos fazer ali uma prova”. Essa não é a preocupação. A preocupação é a excelência dos terrenos e, portanto, vamos apostar na dinamização deste pressuposto e esperar que a Orientação, de alguma forma, saia a ganhar com isto e, naturalmente, também o clube e as pessoas que estão envolvidas.


E as regiões? Que partido é que as regiões tiram disto? Lança-se uma semente e vemos, com alguma mágoa, que ela não germina... Mora, por exemplo...

L. S. - Isso não é inteiramente verdade. Temos hoje um clube – o COAC – que só nasceu por causa das provas de Mora. Por vezes parece que nada fica, mas há sempre algo que se ganha em ir a determinado local e em puxar pelas gentes dessas regiões. De facto, gostaria que tivessem acontecido muitas mais coisas em Mora e não aconteceram. Mas o que estamos a fazer em Gouveia é o resultado duma aprendizagem baseada precisamente naquilo que falhou em Mora. E sentimo-nos gratificados pelo facto de a autarquia valorizar as nossas indicações e estar muito centrada nas questões que têm a ver com os Campos de Treino, com os Percursos Permanentes, com tudo o que de alguma forma fique para dar continuidade àquilo que é o projeto de Gouveia. As coisas não se podem esgotar no Portugal O' Meeting – por maior que seja a sua dimensão -, mas terá de ficar muito mais do que isso para a região.

M. D. - Pegando nas palavras do Luís ainda em relação à questão anterior, quando trabalhamos com as autarquias temos de ter uma grande honestidade, pedindo apenas aquilo que elas nos podem dar, sob pena de virmos a esgotar os apoios em ocasiões futuras. Por outro lado, é lógico que também pode haver outros Municípios a procurar-nos, mas a resposta tem de ser dada em função da qualidade dos terrenos. E cito o caso do Município de Arronches, um Município que tem vontade...

L. S. - Também temos um caso desses com Alcácer do Sal; também tentámos mas não havia qualidade nos terrenos...

M. D. - Pois, é isso. O problema é que em Arronches os terrenos são pobres. Por mais boa vontade que tenhamos, torna-se difícil responder às propostas do Município. Tem de ficar sempre algo na região, a região tem de sentir que somos uma mais-valia e felizmente temos sentido isso no Município de Idanha-a-Nova. Caso contrário, os projetos esgotam-se, o que é mau para nós, para a modalidade em si e mesmo para futuras organizações noutros Municípios.

A. A. - Ainda relativamente a esta questão, é fundamental a envolvência de alguém que esteja implantado localmente. Não só o Município, mas é necessário alguém local que garanta a continuidade, algo que os clubes que organizam a grandes distâncias não conseguem fazer. Quando organizámos o POM em 2007, em S. Pedro do Sul, não envolvemos o COV e isso, em termos de implantação da modalidade, teve como resultado praticamente zero. Com o envolvimento do COV na organização do POM 2012, isso permitiu-lhes avançar com as suas próprias atividades e agora Viseu irá ter Orientação por muitos e bons anos, independentemente de ter lá ou não o Ori-Estarreja. Se em Idanha-a-Nova, por exemplo, não se conseguir isso, não será a ADFA que, a duzentos quilómetros de distância, conseguirá corresponder às solicitações várias, ao pedido duma formação numa escola, por exemplo.


Mas ainda em relação às autarquias, há um aspeto que me parece estranho. Eu não tenho ideia de ver com frequência pessoas da autarquia que vai realizar o POM no ano seguinte a acompanhar o evento e a tentar perceber como é que as coisas se processam. É assim tão difícil tirar as pessoas dos gabinetes?

L. S. - Esse nosso esforço já começou há dois anos e nunca conseguimos levar ao POM o “staff” da Câmara de Gouveia. Aquilo que eu sinto é que, “se não vai Maomé à montanha, terá se ser a montanha a vir a Maomé”. E foi isso que fizemos em Gouveia. Quando há dois anos organizámos lá o Meeting, tivemos um prejuízo tremendo, mas porque queríamos lançar a semente nesses terrenos. Aquilo que realmente sentimos é que as equipas municipais são muito curtas, têm muitos projetos e torna-se difícil fazê-los viver o projeto em continuidade.

M. D. - Esta questão da continuidade é realmente importante. Não estamos a falar da situação do CPOC em Gouveia, até porque em Idanha-a-Nova já organizámos imensos eventos. Mas vamos continuar a organizar e cito o exemplo do Nacional de Orientação em BTT. Ora, toda a gente sabe o que representa hoje em dia organizar um Campeonato de Orientação em BTT para pouco mais de cem atletas, a mais de duzentos quilómetros de casa. Mas insistimos. E insistimos porque as pessoas ligadas à Câmara têm de se inteirar, cada vez mais, de toda esta dinâmica ligada à Orientação. Idanha-a-Nova já sabe, já conhece. Com Gouveia é tudo muito mais difícil porque eles não fazem ideia do que isto é.


De que forma o papel da Comunicação Social pode ser fundamental neste dar a ver o que é o Portugal O' Meeting? Ou, dito de outra forma, que avaliação se pode fazer da Comunicação no Portugal O' Meeting?

L. S. - Acho que o World of O é a prova evidente de que todas as atenções estão centradas nesta altura no Portugal O' Meeting. Todos os atletas vão lá escrever, principalmente sobre Portugal e, nalguns casos, sobre o Portugal O' Meeting. Mas isto é um aspeto da comunicação voltada para dentro da modalidade e que destoa claramente daquilo que se poderia fazer para fora, nomeadamente a nível nacional. Mas aí é mais um problema da modalidade em si e do desconhecimento que ainda existe daquilo que é a Orientação.

A. A. - Ao nível da Comunicação, o POM tem melhorado muito, mas tem melhorado duma forma externa às próprias organizações. O problema é que há duas ou três pessoas muito envolvidas com a organização e que seriam as pessoas ideais também para a parte da Comunicação, mas que não têm disponibilidade para o fazer. A prioridade é a parte técnica e organizativa e não sobra tempo para mais nada. Meter alguém na parte da Comunicação que não está por dentro das coisas, que não sabe, não acrescenta nada. Portanto, se não for alguém como o Orientovar ou agora o Orievents, alguém que já conhece por dentro a modalidade e que já é quase independente para ir à procura da informação que realmente conta, continuaríamos como há cinco ou dez anos atrás. Se a parte da Comunicação tivesse o mesmo peso da parte técnica duma prova, claramente arranjávamos tempo e as coisas evoluiriam muito mais e mais depressa. Mas a Comunicação continua a ser vista como um apêndice de todo o trabalho organizativo.

M. D. - Como tive a preocupação de ir buscar gente de fora para garantir o melhor desempenho ao nível da cartografia, do speaker ou da alimentação neste POM, também tive essa preocupação ao nível da Comunicação. Ou seja, tentei, a um ano de distância, pôr em marcha um projeto de Comunicação que pudesse garantir a necessária continuidade e não obtive resposta. Eu não tenho que me imiscuir nas quintas alheias, porque cada um tem a sua. Mas acho estranho que uma prova que é a menos participada das três provas WRE, seja aquela que tem mais publicidade, mas três vezes mais. Se estamos perante um conflito de interesses, claramente é a Federação Portuguesa de Orientação que terá de agarrar nesta área ou então dizer quem o deverá fazer. Se nos aspetos técnicos e logísticos os clubes que organizam o POM ainda vão tendo valências, no aspeto da Comunicação os Clubes, há exceção do Quatro Caminhos, não têm essas valências. Logo, deve ser o setor de Comunicação da FPO a garantir que as coisas se façam com a dimensão que o Portugal O' Meeting merece e exige. Não é a imagem do clube que passa, é a imagem da modalidade, da região, do País.

A. A. - Não quero contrariar essa opinião, mas também tenho a minha. O NAOM foi a prova que teve mais publicidade, mas também porque teve alguém na organização responsável por isso. Hoje há no Orievents aquilo que não há em mais lado nenhum, há um trabalho contínuo que tem sido feito e hoje há conhecimentos e há contactos que são o fruto desse trabalho. Para ter visibilidade em termos de Comunicação, uma organização ou se socorre do Orientovar e do Orievents ou terá de investir em recursos próprios e começar a fazer também um trabalho de longo prazo.

L. S. - Hoje vemos muito mais coisas do que víamos há quatro, cinco, seis anos atrás. O que se fez foi, seguramente, muito mais do que se fazia nessa altura. Mas os patamares de exigência agora são outros e a nossa tendência é a de colocar a bitola cada vez mais alta. Se calhar o POM e a quantidade de estrangeiros que atrai até nós está a mascarar um bocadinho aquilo que são as dificuldades a nível nacional.


A Federação Portuguesa de Orientação ensaiou este ano, pela primeira vez, um Quadro Competitivo Nacional em que alinha as três provas WRE em três fins de semana consecutivos. Esta situação representa uma mais-valia para o próprio POM e, dum modo mais lato, para a Orientação portuguesa?

L. S. - Eu penso que sim, sobretudo para a Orientação portuguesa no Inverno. Como sabemos, no próximo ano teremos a primeira ronda da Taça do Mundo a colidir com o Portugal O' Meeting em termos de datas. Mas não colide, nem com o WRE antes do POM, nem com o WRE depois do POM. Ou seja, há um leque de ofertas, tanto em Campos de Treino como em eventos, que faz com que estejamos a lutar pela promoção da Orientação portuguesa no Inverno. É isso que está em causa e não o Portugal O' Meeting. E é este leque de ofertas que nos poderá dar alguma força para conseguirmos conquistar o “coração” dos orientistas de outros países para virem a Portugal, em vez de irem à Turquia ou em vez de irem a Espanha. Eu sei que a Taça do Mundo na Turquia vai roubar praticantes ao Portugal O' Meeting. Mas se a nossa oferta for boa, vamos ter muitos mais atletas do top-100 mundial em Portugal do que irão estar na Taça do Mundo na Turquia. E o evento deste ano na Nova Zelândia serviu de alerta para vermos qual o grau de importância que os atletas atribuem à Taça do Mundo. E aquilo que tivemos na Nova Zelândia, sendo muito, resume-se a quatro grandes seleções e são essas quatro seleções que poderão estar mais “tremidas” para termos cá entre nós em 2014. Ou seja, preocupamo-nos com aquilo que a prova da Turquia pode retirar em termos de participações ao Portugal O' Meeting e à Orientação no próximo ano, mas estamos convictos que a quebra não será grande, ou seja, há umas pessoas que escolhem a semana antes, há outras que escolhem a semana depois, temos oferta e depois cabe às pessoas escolherem.

A. A. - Eu pego nas palavras do Luís e reforço aqui a ideia da oferta. Quando tínhamos apenas duas provas WRE, resumia-se tudo a pouco mais de uma semana e isso, em muitos casos, poderia não ser
tão apelativo. E depois havia a questão do terceiro WRE que andava a saltar, umas vezes era no Inverno, outras era no Verão ou juntava-se ao Campeonato Ibérico, ou seja, era completamente perdido. Se analisarmos apenas os números, vemos que esta foi já uma aposta ganha.

M. D. - Não posso considerar que o WRE de Arronches, no ano passado, tenha sido completamente perdido. Tivemos o Thierry Gueorgiou, tivemos o Philippe Adamski, ou seja, estas coisas nunca são completamente perdidas. Agora, estatisticamente falando, se atentarmos nos números do POM deste ano e do WRE na semana a seguir, vemos que é equivalente ao que se verificou nos últimos anos. Mas já o NAOM teve realmente uma expressão que o terceiro WRE até aqui não tinha. Na prática, o que nos apraz registar é que este modelo conseguiu trazer mais atletas a Portugal. E no futuro? Vamos ter de perceber de que forma os calendários dos países emergentes podem vir a penalizar-nos. Eles já perceberem que a “galinha dos ovos de ouro” está nesta época do ano e vão começar a aproveitar-se disso.

L. S. - Gostaria só de dar uma achega. Esta situação só é exclusiva de Portugal porque ganhámos essa batalha a Espanha. E ganhámos precisamente pela quantidade e qualidade da nossa oferta, o que levou a Espanha a ajustar-se aos nossos “timings”. Ou seja, eles puseram o calendário deles a funcionar em Março e essa foi a forma de “colmatar o prejuízo”.

M. D. - É precisamente isso. E se nós conseguirmos continuar a mostrar qualidade, a qualidade vende sempre. Quando o Thierry Gueorgiou diz o que diz de Portugal, não o diz porque alguém lhe está a pagar para o dizer. Aquilo é sincero. Nós já atingimos níveis de excelência ao nível das nossas organizações e são estes níveis de excelência que podem fazer com que os estrangeiros nos continuem a procurar.


Como é que encarariam a possibilidade de vir a ser a própria Federação a organizar o Portugal O' Meeting?

M. D. - Penso que, enquanto os números do Portugal O' Meeting se mantiverem em torno dos dois mil, dois mil e quinhentos participantes, ainda temos clubes em Portugal com capacidade para organizarem o Portugal O' Meeting. Mesmo que esses clubes se tenham de socorrer de algumas pessoas externas ao clube, em determinadas áreas. A partir de determinado número de participantes, o número de pessoas implicadas na organização será de tal maneira elevado que a capacidade dos clubes deixa de existir. Mas não nos podemos esquecer que este modelo tem uma vantagem. É que nós, nos nossos clubes, conhecemos as pessoas, sabemos em que posições é que elas encaixam melhor. Quando começa a haver muitas parcerias, perde-se essa interligação, deixa de ser reconhecer as mais-valias de cada um e as coisas poderão não correr tão bem.

A. A. - A Federação organizar um evento como realizou os Mundiais de Veteranos é uma coisa. Foi quase uma causa nacional, os clubes vestiram todos a mesma camisola e realmente as coisas funcionaram muito bem. Mas se fosse algo do género no caso do POM, não funcionava. A Federação teria sempre de se apoiar num clube para ter as pessoas-chave, uma vez que a Federação não as tem, e ao ter as pessoas-chave desse clube, elas iriam socorrer-se dos elementos do seu próprio clube e o modelo acabaria por derivar no mesmo. Poderemos vir a ter de recorrer a um modelo em que a Federação privilegia as candidaturas conjuntas em detrimento das candidaturas de um só clube. Mas mais do que isso não estou a ver.


O POM consegue atrair um número muito elevado de participantes, mas só é praticamente falado ao nível das “minorias”, dos atletas de Elite. O POM está a tornar-se demasiado elitista?

A. A. - Salvaguardando as devidas proporções, passa-se na Orientação aquilo que se passa no Futebol, por exemplo. Quem vende é o Ronaldo e o Messi, quem vende é a Simone Niggli e o Thierry Gueorgiou. É o número 1 do Mundo que está cá, é isso que as pessoas querem ouvir. Não há grande volta a dar. Mas a terceira idade, embora noutros segmentos de Comunicação, também vende. Fazer passar a mensagem de que este POM teve mais de cem atletas acima dos 75 anos, para uma franja da nossa população é mais importante do que saberem que estiveram cá nove dos dez melhores do mundo, por exemplo. Dar um peso excessivo às elites pode ser mesmo contraproducente e afastar participantes. Para os menos familiarizados com a Orientação, uma coisa é saber que esta é uma modalidade para todos e outra é ouvir dizer que estão ali os melhores do mundo, logo isto não é para eles.

L. S. - Aliás, passa-se o mesmo com os Campeonatos Nacionais. As pessoas vêem que se trata dum Campeonato Nacional, logo isto não é para elas. O esforço de comunicação é importante, não podemos deixar ninguém de fora mas é muito importante que se fale das Elites. O meu filho tem nove anos e está sempre a perguntar-me se esta ou aquela prova é a prova em que teremos cá o Thierry. Ou seja, ele revê-se nisto, revê-se nos grandes nomes da Orientação e isto tem de ser acautelado e valorizado.

M. D. - O facto de termos cá o Thierry, a Simone, o Olav ou o Matthias é um chamariz, ou seja, é uma oportunidade única de os ver e o pessoal do pelotão vem também por isso. Ou seja, eu diria que o POM é, felizmente, elitista. E digo “felizmente” porque, nesta altura do ano, termos 330 atletas de Elite entre nós, como o POM teve, é muito bom. Por ser a altura do ano em que é, por atrair os atletas que atrai, o POM terá sempre um caráter elitista.


Se atentarmos num evento-modelo como é o O-Ringen, vemos que tem havido um esforço no sentido de ajustar a oferta a todos os públicos. Entre nós o POM tem, desde 2010, Orientação de Precisão e agora só falta a Orientação em BTT. É possível equacionar um cenário destes no futuro?

A. A. - Isto, claramente, não era uma mais-valia para o Portugal O' Meeting. A preocupação, já aqui o dissemos, é termos terrenos de qualidade e um POM em simultâneo de Pedestre e BTT é uma situação pouco compatível com as duas disciplinas num espaço relativamente próximo. Nunca tinha pensado nisso, mas atendendo à nossa realidade não consigo encontrar méritos na ideia.

L. S. - E o número de pessoas implicado na organização teria de ser muitíssimo mais elevado. O O-Ringen chega a ter seiscentos, setecentos colaboradores e nós trabalhamos com menos de cem.


O Portugal O' Meeting 2014 será em Gouveia e o Luís Santos tem o encargo de gerir o evento. Que conselhos é que têm para lhe dar?

A. A. - O Luís Santos não precisa de conselhos. Além de ter organizado há relativamente pouco tempo, o ano passado foi supervisor do POM e sabe, melhor que ninguém, como estas coisas são. Mas apesar da maior ou menor experiência que possamos ter, o problema é que nem sempre temos condições para fazer o que tem de ser feito. Num POM há sempre situações que escapam ao nosso controlo – este ano houve, o ano passado se calhar houve mais mas não transpareceram como este ano – e, independentemente de termos planos A, B ou C, quando os problemas surgem temos sempre de improvisar. Daí que o conselho vá no sentido de guardar reservas para esses quatro dias, ter algum “back-up”, porque são quatro dias duma intensidade enorme.

M. D. - Eu só acrescentaria um aspeto, que foi onde este ano senti alguma dificuldade. É fundamental levar para Gouveia toda a equipa o mais cedo possível. Se as pessoas só chegam na véspera, em cima do acontecimento, é muito complicado.

A. A. - E é importante que a informação esteja difundida pelo maior número de pessoas possível. Não concentrar apenas numa pessoa uma tarefa-chave da organização. Qualquer pessoa pode ser uma ajuda importante num determinado momento. Mas só o pode ser se tiver conhecimento daquilo que há a fazer, como é que as coisas estão a funcionar. Eu senti isso o ano passado, tinha duas ou três pessoas capazes de fazer qualquer coisa, mas se estivessem ocupadas eu não tinha ninguém para acudir a uma coisa qualquer, por muito simples que fosse.

M. D. - Só para acabar, um último conselho. Quando planeamos o trabalho, quando planeamos as equipas e distribuímos tarefas, devemos incutir em todos uma noção: Num POM não há equipas estanques, não há “quintinhas”. Só há uma quinta e é a camisola da “quinta” que todos têm de vestir. Não podem estar a assobiar para o lado se virem a “quintinha” do vizinho a arder. O grupo perceber que é um só é fundamental para que depois não haja uma coisa que são as quezílias e os “quiproquos”.

L. S. - Acho que um dos grandes problemas reside no facto de nós, responsáveis da prova, não sermos profissionais da Orientação. Todos temos as nossas vidas para gerir enquanto estamos a dirigir um Portugal O' Meeting e de repente passa a ser o Portugal O' Meeting a gerir a nossa vida, é verdade (risos). Por outro lado, a questão das distâncias é um problema e termos em Gouveia o maior número de pessoas o mais cedo possível é crucial. De alguma forma em 2009 conseguimos isso, mas entretanto o CPOC mudou bastante. Tivemos em Mora oitenta e tal pessoas e provavelmente não irei conseguir ter em Gouveia sessenta. Condicionantes de ordem ávria, saídas, entradas, fazem com que o grupo seja diferente nesta fase. Vamos ter em Abril o Campeonato Ibérico, será já um grande teste à nossa capacidade organizativa atual e veremos como resulta.


[Uma versão resumida desta Entrevista pode ser lida em http://content.yudu.com/Library/A23g9p/OrientacaoemRevistaE/resources/index.htm]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO