quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

VIII CONGRESSO DE ORIENTAÇÃO: "AVALIAÇÃO DE PROVAS", POR MANUEL DIAS




[Embora haja avaliação também nas provas de Orientação em BTT, esta análise restringe-se às provas pedestres e as opiniões ou sugestões emitidas refletem, no essencial, o entendimento dos restantes elementos da Comissão de Avaliação de Provas Pedestres]


A avaliação de provas começou em 2003-2004, com uma grelha que João Oliveira (COC), na altura na Direção da FPO, enviava, depois de cada prova, a um grupo de cerca de 20 atletas que atribuíam notas de 1 a 5 em 23 campos de pontuação. Em 2004/2005, constituiu-se a primeira CAP, coordenada por Albano João e já com a configuração que basicamente ainda mantém: 6 elementos, sendo na altura 3 do Norte e 3 do Sul, porque havia um Ranking Regional Norte e um Ranking Regional Sul. A grelha dessa temporada introduziu a votação de 1 a 20 e eram considerados 21 campos de análise agrupados em 5 áreas de pontuação.

Em 2005-2006, foi adotada uma grelha com 12 campos de pontuação obrigatória (“aspetos primários”), mais 17 de preenchimento facultativo (“aspetos secundários”) e, ainda, três de bonificação ou penalização extraordinária, mais duas hipóteses de penalização por falhas de ordem técnica e uma bonificação em caso de cobertura O-TV. O Terreno contava a dobrar e a Cartografia e Percursos a triplicar. Em 2006-2007, com António Amador agora na coordenação da CAP, onde permaneceu até 2010, a grelha manteve a mesma estrutura mas sofreu alguns arranjos no sentido de a tornar mais operacional.

A crescente consolidação das boas práticas organizativas na maior parte dos campos até então avaliados separadamente, levou a CAP a privilegiar, em 2008-2009, a análise de quatro áreas fundamentais - terreno, percursos, arena, cartografia -, reunindo todos os demais itens dentro de um quinto campo de pontuação. Curiosamente, e porque se considerou que a Cartografia melhorara bastante nos últimos dois anos, esse item perdeu o estatuto de dupla votação, trocando com a Arena, que passou assim a emparceirar com os Percursos e Mapas na linha dos aspetos preponderantes para o estabelecimento da nota final. Esta grelha vigorou de 2008 a 2010.


CAP integra Juniores

Em Maio do ano passado, após a “crise diretiva” na Federação, constituiu-se a mais jovem CAP de sempre, com dois juniores, dois seniores e dois veteranos. O primeiro trabalho desta CAP foi redigir um corpo de regras, a que chamou “Critérios de Avaliação 2011”. Não se descobriu a pólvora, evidentemente. Mas deu-se uma nova arrumação aos parâmetros que já eram utilizados para análise e foram introduzidas duas ou três miras novas para aumentar a pontaria das conclusões.

A atual grelha de avaliação é basicamente a que vinha de 2008-2009. Apenas foi conferida nova hierarquia aos cinco campos de votação, elegendo como cavalo-de-batalha a área dos Percursos, única que agora conta a dobrar. E, no cabeçalho, além dos nomes do clube organizador e supervisor, passaram a figurar também os do cartógrafo e traçador de percursos.


Acesso aos mapas de todos os percursos

Já foi dito que os Percursos são o único item que conta a dobrar. E, dado que constituíram a grande aposta deste ano e meio, conseguiu-se, pela primeira vez desde que há CAP, que, por indicação federativa, cada organização facultasse um jogo de mapas de todos os percursos. Na maior parte dos casos, as organizações tiveram a gentileza de disponibilizar esses mapas imediatamente após a partida do último atleta, o que, nos eventos de dois dias, tem permitido que, ainda no local e na noite de sábado, seja feita uma primeira análise aos percursos a tempo de suscitar uma troca de impressões antes da entrega de prémios no domingo.

Temos de ser realistas: a profundidade e celeridade da análise também estão condicionadas à nossa disponibilidade de tempo e à concentração de provas que às vezes se verifica, com especial destaque para os três eventos WRE. Neste ano de 2012 “resolvemos” o problema deixando, com a compreensão da Federação, arrastar as avaliações por tempo excessivo. Sem falsa modéstia, temos a sensação de ter feito algum bom trabalho, mas não dispensamos a autocrítica: para que as avaliações produzam efeito têm de chegar aos destinatários antes que se apaguem os ecos das suas organizações. Vamos certamente melhorar este aspeto, apontando para duas semanas como tempo máximo para entrega de cada relatório.


Aspetos mais marcantes em 2012

Eis alguns apontamentos sobre aspetos marcantes em cada um dos cinco campos de avaliação, tomando como referência sobretudo provas do calendário 2012. Para o fim fica o item Percursos sobre o qual incide um pouco mais de atenção.

1. Terreno

O Terreno foi o campo que mereceu a nota média mais elevada nas avaliações feitas este ano. Não é de estranhar num país onde, apesar da reduzida área geográfica, temos a felicidade de dispor de uma enorme variedade de terrenos, como amiúde sublinham praticantes de Elite estrangeiros que nos visitam.

O destaque mais positivo vai para o terreno do Senhor dos Caminhos, em Sátão. O percurso WRE, aí corrido no 3º dia do POM, foi recentemente eleito o melhor percurso do ano a nível mundial. Pela negativa, revelaram-se inadequados à disciplina os dois terrenos de floresta escolhidos para sprint (2 junho e 20 outubro). Também se regista como menos positiva a utilização do mesmo mapa para duas provas da Taça de Portugal – Nível 2, com menos de cinco meses de intervalo (17 junho e 4 novembro).


2. Cartografia

Passando à Cartografia, forçoso se torna reconhecer que, relativamente às provas de floresta, este é o campo mais difícil de avaliar no âmbito da CAP, porque o confronto mapa/terreno é apenas testado durante a prova de cada um dos seis elementos da Comissão. Ainda assim, é possível detetar situações duvidosas que, após discussão e nalguns casos recolha de opiniões exteriores, acabam por revelar-se, com elevado grau de probabilidade, desacertos na cartografia.

Os problemas mais persistentes e, portanto, mais graves dos nossos mapas têm a ver, na maior parte dos casos, com a falta de rigor nos elementos de vegetação que representam tipos de vegetação de reduzida velocidade de progressão. De vez em quando, também houve caminhos a mais ou a menos, ou com classificação menos apropriada, mapas em que apareceram reduzidos os símbolos pontuais (pequena depressão, buraco, cota, poço, árvore especial, etc.) e mapas de legibilidade difícil na escala 1:15000 devido ao excesso de elementos representados.

Fica ainda o registo de que foram detetadas incorreções a nível de altimetria, houve mapas sem meridianos ou com eles a distância irregular, e outros sem indicação das curvas de nível mestras ou com elas indicadas de modo impercetível em corrida. Por fim, assinala-se, nos mapas de sprint, um frequente incumprimento de algumas normas do ISSOM, não faltando exemplos de mapas que usam especificações desse regulamento em simultâneo com outras do ISOM.


3. Arena

A escolha do local é meio caminho andado para uma boa Arena. Tivemos este ano alguns espaços extraordinários e, normalmente, os serviços de secretariado, baby-sitting, informática e bar funcionaram bem, mas nem sempre de forma articulada. Quanto à locução, este é um dos fatores que mais distingue as Arenas, desde que no mais estejam assegurados os “serviços mínimos”. Depois do espetáculo de Sátão (POM/WRE), quase logo no início da temporada, todas as outras locuções souberam a pouco. Mas houve, mesmo assim, algumas prestações bastante razoáveis ao longo da época.


4. Impressão Geral e aspetos secundários

Os itens compreendidos nos “aspetos secundários” foram, de um modo geral, cumpridos satisfatoriamente, apesar de aqui e ali ter havido falhas graves. Quanto às falhas, começamos por registar duas ocorrências particularmente negativas, a primeira das quais relativa às Cerimónias de Entrega de Prémios (confusão num apuramento de resultados e consequente entrega indevida de medalhas e adiamento de uma entrega de prémios). O segundo tipo de ocorrência negativa foi o atraso nas partidas e verificou-se em duas provas da Taça de Portugal – Nível 1.

O facto, todavia, que marcou mais negativamente esta época foi, sem margem para qualquer dúvida, a anulação da final masculina do Campeonato Nacional Absoluto (CNA). Partindo de aspetos menos comentados desta experiência, parece oportuno deixar três reflexões à especial atenção dos futuros organizadores do CNA, tanto mais que não temos conhecimento de alterações, na proposta de Regulamento de Competições (RC) para 2013, sobre definições desta competição.

1. Embora o RC em vigor diga que a qualificatória é “uma prova de Distância Média”, parece ser de toda a conveniência que o traçador tente planear um percurso para um tempo de vitória na ordem dos 25 minutos. Os últimos apurados este ano fizeram 60 minutos na qualificatória masculina e 75 na feminina. E entre os que não foram à final houve quem gastasse mais de duas horas para cumprir o percurso de sábado.

2. Outra exigência do CNA é que os percursos de sábado têm de ser “semelhantes”. Este termo usado no RC cria uma nociva margem de tolerância, que não pode ser muito alargada, sob pena de subverter a especificidade do CNA – a única prova em que todos os escalões de competição correm o “mesmo” percurso. Uma atitude protecionista em relação aos escalões mais fracos, oferecendo-lhes no sábado percursos visivelmente mais acessíveis, é duplamente censurável: além de desvirtuar o sentido do campeonato “Absoluto”, corre o risco de proporcionar o apuramento de praticantes que não estão preparados para as exigências da prova de domingo. É, nessa perspetiva, um presente envenenado.

3. Para a final do CNA, o RC prevê duas hipóteses: Distância Média “incrementada” ou Distância Longa “reduzida”. Qualquer que seja a opção, há um preceito que não deve ser esquecido: se a prova está teoricamente ao alcance de praticantes que militam em escalões abaixo de H/D18 e acima de H/D40, então a escala do mapa nunca deverá ser inferior a 1:10.000. Talvez por isso, também, fosse preferível apostar em Distância Média em vez de Longa.


Percursos

Houve, nos Percursos, falhas de diferente natureza: pernadas difíceis em percursos supostamente fáceis e pernadas sem interesse de navegação em percursos exigentes; e houve pontos “escondidos”, estacas sem prisma, escala inadequada em determinados escalões, agrupamentos incorretos (por exemplo H20/H21B), pontos em linha, pontos repetidos nos dois dias, um primeiro ponto de HE igual ao primeiro ponto de H/D12, erros de sinalética, triângulos de partida a darem vantagem a quem lá não fosse, falta de fiscalização no atravessamento de zonas interditas, etc.

Mas centremo-nos num aspeto que foi uma nossa preocupação constante e que tem a ver com o ajustamento em termos de tempo. Para dar uma ideia global do nível de ajustamento nas provas de Distância Longa e Média avaliadas este ano pela CAP, preparámos um quadro com os desvios por defeito e por excesso, ou seja, quantos minutos é que o vencedor de cada escalão fez abaixo do limite inferior ou acima do limite superior do intervalo recomendado. A soma desses dois desvios dá-nos a medida do desacerto em relação ao tempo ideal.


Olhando então para este quadro, temos que, em provas de nível 1 (Distância Longa e Média), o ajustamento mais conseguido verificou-se numa prova de Distância Média em que, para o conjunto dos 32 escalões da análise mais abrangente, o erro foi de 48 minutos (22 por defeito, 26 por excesso), ou seja, em média 1,5 minutos por escalão. Pela negativa, destacam-se três provas cujo desajustamento ultrapassou os 700 minutos nos 32 escalões. Numa delas esse desacerto foi de 849 minutos (todos por excesso), o que representa uma média de 26,5 minutos a mais por escalão.

Contudo, se compararmos o quadro global com um quadro restrito de 19 escalões (no qual excluímos os escalões de formação, os H/D14, H/D21A e H/D21B e ainda os escalões D60, H65 e H70), é fácil perceber a persistência de um vício antigo que ainda não foi completamente debelado. Trata-se da tendência para investir sobretudo no planeamento dos escalões “nobres”. Uma consulta mesmo superficial aos resultados da maioria das provas permite concluir que os desacertos em H/DE e, de uma forma mais geral, nos escalões do miolo competitivo é muito inferior à média dos desacertos nos escalões “periféricos”. No caso que melhor ilustra essa discrepância, cai-se de um desvio de 789 minutos para 214, respetivamente nos 32 e nos 19 escalões do miolo competitivo. Ou seja, baixa-se de um desvio médio de 24,7 minutos para 11,3 minutos por escalão, com a particularidade de se poderem considerar (quase) inteiramente ajustados os escalões “nobres” por excelência: HE, DE, H18, H20, H35, H40, H45.

Temos estado a olhar para a tabela no sentido vertical. Analisada na horizontal, dá-nos a frequência do desvio por escalão. E aí a primeira evidência é que, em todas as faixas etárias, o desacerto é sempre maior no escalão feminino do que no masculino. Com exceção da Elite, todos os escalões femininos a partir de D18 foram duramente castigados. Estamos a falar em desvios médios que no geral ultrapassam em mais de 20 minutos o limite máximo do intervalo recomendado.

Algumas das falhas mais apontadas nos nossos relatórios parecem resultar do facto de os percursos não terem sido suficientemente testados. Esse exercício começa por ser fundamental para detetar eventuais imperfeições da cartografia na zona do ponto de controlo ou nas áreas de passagem das melhores opções de itinerário. E é também imprescindível para aferir o ajustamento dos percursos aos escalões a que se destinam. Por maior que seja a experiência do traçador e o seu conhecimento da “velocidade” em determinado terreno, não há maneira mais segura de prever o tempo do vencedor do que pôr um “atleta adequado” a testar cada percurso.

Termino com uma nota de apreço. Apesar de todas as limitações que aqui foram apontadas e de muitas outras falhas menores de que seria impossível fazer uma enumeração exaustiva, o balanço da época 2012, não obstante o trambolhão final, é francamente positivo. A distinção para o melhor percurso do ano, a nível mundial, não surge por acaso. Portugal continua a marcar pontos no calendário das competições de inverno. Mas, atenção, é preciso manter vigilância e reforçar o controlo de qualidade na origem. Um edifício que demorou anos a levantar pode vir abaixo com uma atuação desastrosa. Longe vá o agoiro!

Manuel Dias

[Artigo extraído da Orientação em Revista – Edição Especial, em http://content.yudu.com/Library/A20rjr/OrientacaoemRevistaE/resources/index.htm?referrerUrl=http%3A%2F%2Fwww.fpo.pt]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

INSIDE ORIENTEERING 01/2013 JÁ ESTÁ PUBLICADA!




Está aí a primeira edição de 2013 da Inside Orienteering, a newsletter da Federação Internacional de Orientação. Uma publicação onde Orientação em Esqui e os avanços da modalidade no Brasil ocupam um lugar de destaque.


Em tempo de Inverno, não é de estranhar que a Orientação em Esqui absorva a «fatia de leão» da primeira de seis edições previstas para 2013 da Inside Orienteering. Destaque de Capa, o russo Eduard Khrennikov, heptacampeão mundial e ainda um dos mais velozes orientistas em esqui do Mundo, dá-se a conhecer numa excelente entrevista conduzida por Sindre Jansson Haverstad. O norueguês Eivind Tonna e o estoniano Sixten Sild são também figuras em destaque, mostrando, com os seus testemunhos, muito do trabalho de bastidores desta espetacular disciplina.

Na sua habitual rúbrica «North South East West», Clive Allen viaja até ao Brasil, contando-nos pormenorizadamente a história da Orientação no país irmão – Higino Esteves e o Clinic ministrado em Curitiba, em 1997, não são esquecidos. O artigo debruça-se ainda sobre a diversidade de mapas e terrenos e sobre o esforço da Confederação Brasileira de Orientação em divulgar e consolidar a modalidade, recorrendo às impressões do Presidente da CBO, Jose Otávio Dornelles, e de Ronaldo Almeida, «um dos mais experientes atletas brasileiros presentes nos Mundiais de Lausanne». Adivinhando um «futuro cor de rosa» para a Orientação brasileira, o artigo perspetiva já o Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2014, que terá lugar em Porto Alegre, no final de Novembro do próximo ano. «Uma oportunidade para, além de participar num bom evento de Orientação, conhecer a cultura e a cozinha típica do Sul do Brasil», remata José Otávio.

A cinco escassos meses do mais importante evento da temporada, «WOC 2013: Do plano à ação» faz o ponto da situação sobre os Mundiais de Vuokatti, na Finlândia, enfatizando a elevada procura de alojamento, o trabalho voluntário e mesmo a composição da canção do Mundial, num trabalho dos Sininen Ylivoimada, eles mesmos uma dupla de orientistas. Notícias breves (onde se fala ainda de Portugal e das candidaturas ao Europeu de Orientação em BTT 2015 e aos Mundiais de Elite e de Juniores de Orientação em BTT 2016, em Idanha-a-Nova e Bairrada) e «uma palavra» do Presidente da IOF, Brian Porteous, fecham mais um número imperdível e que pode ser consultado em http://www.orienteering.org/edocker/inside-orienteering/2013-1/InsideOrient1_13.pdf.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...



1. Conforme amplamente noticiado, Portugal foi um dos cinco países candidatos à substituição de Israel na organização do Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2013. Chamado a fazer uma primeira triagem das candidaturas, o European Working Group debruçou-se sobre um vasto número de parâmetros – condições atmosféricas, instalações, terrenos (qualidade, acessibilidade, novidade), experiência organizativa, entre outros -, decidindo-se por dois países naquilo que designou por «shortlist»: Polónia e Portugal. Embora todas as candidaturas fossem de elevada qualidade, foram estas duas aquelas que mais atraíram as atenções dos responsáveis pelo European Working Group. O Presidente daquele organismo, o checo Dusan Vystavel, visitará a Polónia e Portugal dentro de dias, esperando-se que a decisão final venha ser emitida, o mais tardar, até ao próximo dia 15 de Fevereiro. Recorde-se que o evento decorrerá de 18 a 20 de Outubro ou de 25 a 27 do mesmo mês (dependendo do país organizador). A notícia pode ser lida na íntegra em http://orienteering.org/eyoc-2013-shortlist/.


2. «Uma vez mais o .COM [Clube de Orientação do Minho] prova ser um clube orientado para a formação de grandes atletas e pessoas». Isto mesmo pode ler-se na página do clube, em http://www.pontocom.pt/node/151/mundiais-de-2013.html, a popósito da mais recente listagem de alunos em observação para os Mundiais de Desporto Escolar e na qual a EDOM, Escola de Formação do .COM que conjuga quatro escolas do distrito de Braga (AE Maximinos, ES Carlos Amarante, EB/S Vieira do Minho e EB/S Rio Caldo), surge com onze atletas, distribuídos pelos quatro escalões de competição oficiais. São eles: Mariana Maurício - Iniciados Femininos (98/99); Maria Portela – Iniciados Femininos (98/99); Filipa Castro – Iniciados Femininos (98/99); João Gomes – Iniciados Masculinos (98/99); Carlos Peixoto – Iniciados Masculinos (98/99); Leonardo Ramalho – Iniciados Masculinos (98/99); João Magalhães – Iniciados Masculinos (98/99); Bruno Loureiro – Iniciados Masculinos (98/99); Joana Fernandes – Juvenis Femininos (97/96); João Novo – Juvenis Masculinos (97/96); e, Rodrigo Magalhães – Juvenis Masculinos (97/96). «São estes 'guerreiros' que vão ao longo do mês de Fevereiro participar em três provas cruciais para o seu apuramento para os Mundiais, num total de oito etapas, para terminar um processo de seleção que já dura desde Setembro de 2012», pode ler-se na continuação da notícia. Refira-se ainda que a EDOM está a tentar o apuramento para os mesmos mundiais de três equipas de escola (5 atletas do mesmo escalão e da mesma escola), nos escalões de Iniciados Masculinos e Juvenis, Masculinos e Femininos. Os mundiais realizam-se em Monte Gordo no Algarve, de 15 a 21 de Abril, sendo a lista de selecionados divulgada já no próximo dia 18 de Fevereiro.


3. O lugar da Prainha, no Caniçal, foi palco no passado sábado da prova de abertura da Taça FPO Madeira 2013. Organizado pelo Clube de Montanha do Funchal, o XVII Troféu de Orientação do CMOF contou com a participação de 71 atletas nos escalões de competição, aos quais se somam 21 nos escalões abertos. Nos escalões de Elite, o CA Madeira preencheu por completo o pódio masculino, com Xavier Vieira, Nélson Barroca e João Gomes a concluirem por esta ordem. Paula Rodrigues (CMo Funchal) foi a vencedora em Damas Elite, seguida de Marta Nunes e Nélia Sousa, ambas do CA Madeira. Toda a informação em http://cmofunchal.org/16/index.php/en-GB/inicio.


4. A Liga Espanhola de Orientação Pedestre 2013 deu o pontapé de saída no passado fim de semana, com a disputa do XIII Trofeo Internacional Costa Blanca. Organizado pelo Villena-O o Troféu distribuiu-se por uma prova de Distância Média pontuável para o ranking mundial, no sábado, e uma prova de Distância Longa no Domingo. Pelo meio houve ainda lugar a uma espetacular prova de Micro-Orientação Indoor, tendo por palco a Praça de Touros de Villena. Roger Casal Fernández (Colivenc Alicante) e Anna Serralonga Arqués (Go-Xtrem Girona) foram os grandes vencedores da competição no conjunto dos dois dias, enquanto os finlandeses Olli-Markus Taivanen (Pellon Ponsi) e Marika Teini (SK Pohjantähti) venceram a etapa WRE. Refira-se que a prova contou com a presença de perto de sete centenas de competidores. Para acompanhar todos os pormenores, consulte a página do evento em http://villenao-pie.blogspot.com.es/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

PORTUGAL O' MEETING 2013 APRESENTADO EM CONFERÊNCIA DE IMPRENSA




O Salão de Sessões da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova foi palco esta tarde da cerimónia de apresentação da 18ª edição do Portugal O' Meeting. Particularmente concorrida, a Conferência de Imprensa serviu para dar a conhecer os pontos altos dum evento que promete atrair quase dois milhares de amantes da Orientação, conjugando a espetacularidade deste desporto com a beleza e a riqueza duma região ímpar.


Foi hoje apresentado em Conferência de Imprensa o Portugal O' Meeting 2013, o maior e mais importante evento internacional de Orientação organizado no nosso país. Atraindo cerca de dois milhares de participantes, o POM 2013 decorrerá este ano de 09 a 12 de Fevereiro no concelho de Idanha-a-Nova, numa organização conjunta da Secção de Orientação da Associação de Deficientes das Forças Armadas – Évora, Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Federação Portuguesa de Orientação e Federação Internacional de Orientação.

Presentes na Conferência de Imprensa, Álvaro Rocha e Armindo Jacinto, respetivamente Presidente e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Mario Duarte, Diretor do Evento e Jacinto Eleutério, Diretor Financeiro deste Portugal O' Meeting. Para o anfitrião desta importante manifestação, Álvaro Rocha, o Portugal O' Meeting 2013 «representa uma oportunidade da maior importância para o Concelho e para a própria região». Já Armindo Jacinto referiu-se ao evento como sendo «o culminar duma profícua parceria de quase dez anos, uma parceria que tem funcionado sempre na base da honestidade e do respeito entre as duas instituições». Salientando o excelente relacionamento com a própria Federação Portuguesa de Orientação, Armindo Jacinto deixa as portas abertas a futuras organizações, isto numa altura em que se equaciona seriamente a possibilidade desta região poder vir a receber os Campeonatos da Europa de Orientação em BTT 2015, caso Portugal venha a ser o país escolhido para acolher o evento.


Um desporto para todos

Entre os vários aspetos da sua intervenção, Mário Duarte colocou a tónica na elevada quantidade de atletas de Elite presentes, «mais de trezentos, o que dá bem a ideia da projeção do evento e do reconhecimento da sua importância por parte dos atletas estrangeiros». Aquele responsável adiantou ainda ser «motivo de orgulho termos entre nós o suiço Matthias Kyburz, o norueguês Olav Lundanes e o francês Thierry Gueorgiou, os três primeiros classificados do ranking mundial masculino e ainda a maior estrela de sempre da Orientação mundial, líder do ranking feminino e vencedora por quatro vezes do Portugal O' Meeting, a suiça Simone Niggli».

Um evento desta natureza acarreta uma enorme carga logística e Mário Duarte fez questão de sublinhar isso mesmo: «Ao todo estarão mais de cem pessoas envolvidas nas tarefas organizativas, entre atletas do clube, companheiros de outros clubes, pessoal da Câmara, escuteiros, familiares e amigos». Outro aspeto referido pelo Diretor do Evento e que causou uma enorme surpresa entre os presentes foi o facto de «estarem inscritas mais de cem pessoas com idade superior a 70 anos». Somando este aspeto às provas de Orientação de Precisão e Adaptada, vocacionadas para as pessoas com Deficiência Motora e Intelectual ,que terão igualmente lugar no POM 2013, aquele responsável não teve dúvidas em afirmar que «este é um desporto para todos».

À margem da Conferência de Imprensa e já em tempo de acelerada contagem decrescente, Mário Duarte confessa-se um homem tranquilo: «Nesta altura, a principal preocupação passa pelas condições atmosféricas, mas quanto a isso não podemos fazer nada». A despeito da troca súbita de Supervisores - o que terá obrigado o novo Supervisor, Jorge Baltazar, a fazer «horas extraordinárias» -, Mário Duarte assegura que «toda a vertente técnica está neste momento totalmente salvaguardada, estando a Câmara a implementar no terreno todas as estruturas logísticas solicitadas para que o evento decorra sem quaisquer sobressaltos». E a terminar: «As coisas estão coordenadas, esquematizadas e previstas. Mas os imponderáveis são muitos e nunca podemos garantir que nada irá falhar. Isso seria fazer futurologia e o futuro não podemos adivinhar. Mas estamos esperançados e convencidos que este vai ser um grande Portugal O' Meeting.»

Para saber mais, consulte a página do evento em http://www.pom.pt/pt/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


[Este artigo conta com os apoios de Orievents, SERI e Câmara Municipal de Idanha-a-Nova]


JIŘÍ DANĚK: "ESTAR SOZINHO NO MAIS RECÔNDITO DA FLORESTA? EU ADORO ISSO!"




Por detrás duma prova - da sua qualidade organizativa, do nível de competição ou da perfomance dos atletas – vamos encontrar a figura ímpar, incontornável, do cartógrafo. Poderá não ser dele o primeiro passo, mas a ele assiste o direito de reclamar para si o facto de ser a mais importante peça dum imenso e excitante puzzle. O Orientovar viaja até à República Checa, ao encontro de Jiří Daněk, dando a conhecer um cartógrafo multifacetado e com muito para contar.


Na última entrevista que fiz, aproveitei uma mensagem sua no Facebook e coloquei a questão a Thierry Gueorgiou: Qual seria a entidade (individual, clube) merecedora do prémio "The Achievement of the Year 2012" se estendêssemos o concurso ao universo da Orientação e não apenas aos atletas? A resposta foi: ''Os cartógrafos do mundo inteiro''. A resposta surpreende-o?

Jiří Daněk (J. D.) – É um grato prazer ouvir isso. Foi uma resposta inteligente de uma pessoa bem orientada :-) Nem todas as pessoas percebem realmente o esforço que os cartógrafos colocam nos seus projetos. Ninguém está à espera de subir ao pódio – apenas o reconhecimento de que a orientação não são só os atletas de Elite.

Porque motivo abraçou a profissão de cartógrafo?

J. D. - Em 1991 vi um programa OCAD a correr num PC 286 pela primeira vez. Nessa altura eu era um jovem orientista entusiasta. Os mapas despertaram desde logo a minha atenção e, pura e simplesmente, decidi que este era o trabalho que eu queria fazer. Durante os primeiros anos trabalhei como empregado da editora cartográfica "SHOCart", que se especializou na altura em mapas de Orientação. Trabalhando ao lado de experientes criadores de mapas, fui capaz de aprender imenso. No entanto, a empresa começou a concentrar as atenções em mapas turísticos e acabei por estabelecer o meu próprio negócio em 1996.

Ser cartógrafo é um trabalho particularmente solitário. Isso é bom ou é mau?

J. D. - Estar sozinho no mais recôndito da floresta? Eu adoro isso! É bom sentirmo-nos parte integrante da natureza e desfrutar de todos os detalhes da sua infinita beleza. Procuro ir para a floresta de manhã, o mais cedo possível, numa altura em que se podem apreciar imensas coisas. Gosto de todos os ruídos da floresta. É claro que quando não nos sentimos muito bem, não estamos completamente aptos ou após algumas semanas de trabalho intensivo, tudo isto pode ser muito difícil, especialmente se estamos a centenas de quilómetros de casa e alguém da família está doente. por exemplo. Pode ser muito difícil, de facto.

Alguma vez teve uma experiência desagradável na floresta que pusesse em risco a sua vida?

J. D. - Uma vez na Suíça, cometi um erro tremendo. Durante uma pequena pausa, estava sentado numa pilha de madeira a comer a minha sandes ou algo assim... Quando me levantei, a pilha desmoronou-se e a minha perna ficou presa. Não podia mexer-me e os telemóveis não eram algo particularmente comum nessa época. Pode acreditar que esta era tudo menos uma situação da qual gostasse. Muito resumidamente: tive sorte. Dois jovens ciclistas encontraram-me e conseguiram libertar-me a perna. Mais tarde, quando voltei para o acampamento, estava em choque. Ainda estou muito grato a esses dois camaradas e ao meu anjo da guarda...

De todos os trabalhos que fez, consegue escolher aquele que guarda com maior apreço e o que preferia esquecer mas não consegue?

J. D. - Sabe, eu não penso dessa forma. Eu trabalho sempre com o mesmo cuidado e atenção – e não importa se se trata de um mapa para um evento local ou para uma prova WRE. Mas se realmente tivesse que escolher um projeto, provavelmente seria o mapa de "Västanåberget Västra". Passei três meses incríveis nos desafiantes terrenos suecos. No lado oposto: não tenho nada que gostasse de esquecer ou apagar da minha vida.

Nos últimos vinte anos – afinal o tempo que leva de profissão – consegue identificar os acontecimentos mais relevantes e que vieram revolucionar por completo a Cartografia?

J. D. - Do meu ponto de vista, foi o software para a cartografia; mas que tem, contudo, mais do que os vinte anos mencionados. Para outros poderá ser a cartografia com GPS. Certamente, devemos considerar o ISOM 2000, ISSOM 2007, sendo capaz de usar dados de Airborne Laser Scanning (LIDAR na América) para a elaboração de mapas-base, os dispositivos móveis de cartografia no próprio terreno (usando PDA, tablets, DGPS, medição de distâncias a laser com conexão via bluetooth para hardware).

Como vê o presente momento da cartografia a nível mundial? O ISOM mantém-se actual ou há alterações que se impõem?

J. D. - Antes de mais: Tenho um grande respeito pelo trabalho de Thomas Gloor, que é o autor do ISOM 2000 e o responsável pela revisão do novo ISOM. É definitivamente uma tarefa difícil. A minha opinião subjetiva é esta: o ISOM e o ISSOM devem aproximar-se, algumas dimensões dos símbolos do ponto devem ser menores (buracos, cavernas, pequenas depressões, pequenas torres, pedras, cruzamentos, etc,), as linhas devem ser mais finas,... o símbolo para a vegetação rasteira poderia ser melhorado e também há discussões sobre outro símbolo para limite de vegetação. As novas regras de cartografia também poderiam ser mais criativas se alargássemos a paleta de cores. É definitivamente um tópico para uma longa discussão.

Considera que os cartógrafos têm o reconhecimento que merecem?

J. D. - Pessoalmente, não me posso queixar. Tenho uma relçaão muito positiva com os meus clientes e é frequente pedirem-me que volte a trabalhar para eles de novo. Mas, é claro, isto é a minha experiência pessoal. É verdade que também tenho contactos com potenciais clientes que não fazem a menor ideia do tempo que é necessário para levar a cabo um determinado trabalho, e que há algumas medidas que devem ser tomadas antes do cartógrafo poder dar início ao trabalho de campo. O planeamento é uma etapa crucial, e não apenas no caso dos cartógrafos profissionais. De um modo geral, todos nos devemos sentir felizes por cada novo mapa de orientação que sirva para ajudar e apoiar o nosso grande desporto.

Um dos seus próximos trabalhos será a cartografia das áreas onde decorrerá a ronda inaugural da Taça do Mundo 2014, na Turquia. Quer partilhar connosco as suas impressões iniciais?

J. D. - Nunca estive antes em Antalya mas fui por duas vezes à Capadócia, em 2010 e 2011. Confesso que fiquei impressionado! Terrenos incríveis, hospitalidade franca e pessoas amigáveis - esta é a minha impressão.

Qual o mapa que viu até hoje e que desejou tivesse sido desenhado por si?

J. D. - Uau, essa é muito difícil. Não faço a mínima ideia. Mas permita-me que fale sobre outro desejo. Tal como mencionou acima, o trabalho de cartografia é muito solitário e eu tenho uma enorme vontade de cooperar com colegas de outros países. Cooperação internacional, bem sucedida, é aquilo que realmente gostaria; tenho um sentimento muito positivo acerca disto. Assim, todos aqueles que estão interessados em colaborar em projetos conjuntos, são desde logo bem-vindos!

Até quando vamos vê-lo a cartografar?

J. D. - Neste caso a resposta é muito mais fácil: enquanto os clubes de orientação, as regiões ou as Federações mantiverem o interesse nos meus serviços; enquanto ainda tiver saúde o suficiente para sobreviver numa floresta; enquanto ainda houver consenso na minha família em aceitar que eu esteja longe do lar doce lar de vez em quando; ...

[Foto gentilmente cedida por Jiří Daněk. Para saber mais sobre Jiří Daněk, consulte www.orienteeringmaps.eu e www.facebook.com/orienteeringmaps.eu]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 27 de janeiro de 2013

VIII CONGRESSO DE ORIENTAÇÃO: "CORRIDAS DE AVENTURA", POR ANDRÉ RIBEIRETE




Nas últimas cinco épocas desportivas, as Corridas de Aventura sofreram, em linha com as outras disciplinas da Federação Portuguesa de Orientação, uma acentuada queda de equipas e atletas participantes, principalmente nos últimos dois anos. Este facto é demonstrado nos gráficos seguintes.

Gráfico 1
Tabela 1

O Gráfico 1, ilustra o número total de equipas que participaram nas competições a contar para a Taça de Portugal de Corridas de Aventura (TPCAs) nas épocas entre 2007/08 e 2012. A Tabela 1 numera as provas em terreno nacional que se realizaram neste intervalo de tempo. A análise do Gráfico 1 deverá ser suportada pela Tabela 1. É notória uma dependência entre o número de equipas com a quantidade de provas realizadas nessa época, suportando a tese de que com um maior número de provas, existe um maior nível competitivo, atraindo dessa forma uma maior participação de atletas.

Nas épocas 2011 e 2012 realizaram-se somente quatro provas de CAs em Portugal. Em 2011 o número de equipas participantes foi idêntico às épocas com 5 provas realizadas, mas em 2012 o número de equipas participantes caiu drasticamente.

Gráfico 2
Gráfico 3

O Gráfico 2 representa a evolução da participação média das equipas, por prova, nas épocas em análise. Constata-se um nível de participações uniforme entre as épocas 2007/08 e 2009/10, uma ligeira queda em 2011 e uma queda mais acentuada na época de 2012. Em linha com o Gráfico 2, o Gráfico 3 ilustra a participação média de atletas por prova.

Enquanto no Gráfico 1, o número total de equipas no ranking da época 2011 era idêntico ao das épocas 2007/08 e 2008/09, pelos Gráficos 2 e 3 verifica-se uma diminuição da participação média das equipas por prova. Este facto justifica-se pela não participação de várias equipas em todas as provas, o que mais uma vez revela um fraco índice competitivo das equipas face ao ranking da TPCA.

Para além do número diminuto de provas nas duas últimas épocas desportivas, a fraca participação de equipas nas provas, deve-se igualmente à situação económica do país e das empresas em geral. Os patrocinadores das equipas retraem-se nos apoios habituais e os atletas evitam o esforço financeiro necessário para participar nas provas.


Organização de Provas

Nos dias de hoje a organização de uma prova de CA acarreta alguns riscos financeiros, obrigando as equipas organizativas a implementar algumas medidas ou alterações aos moldes tradicionais das CAs. Estas medidas devem ser cuidadosamente supervisionadas pelo Supervisor de Prova de forma a acautelar a qualidade da prova e o cumprimento do Regulamento de Competições.

As principais dificuldades encontradas pelas organizações são a falta de apoios por parte dos patrocinadores e das entidades camarárias da área geográfica das provas, e o menor valor de encaixe devido ao menor número de equipas inscritas.

Os custos de uma organização, que dependem de diversos factores, nomeadamente da zona da prova e dos apoios que eventualmente consigam, são listados de seguida.

a) Cartografia (compra e/ou aluguer dos mapas e cartas, e impressão);
b) Custos associados a deslocações, alojamento e alimentação, para preparação e teste dos percursos;
c) Licenças de acessos a reservas naturais;
d) Informática;
e) Reportagem televisiva;
f) Polícia e Bombeiros;
g)Pernoita para atletas e balneários;
h)Aluguer de Balizas e Bases de SI à FPO;
i) Actividades de cordas e etapas aquáticas (apoio aquático, aluguer de canoas, …);
j) Divulgação da prova (site, flyers, …);
k) Prémios
l) ...

A diminuição dos custos associados a uma prova de CAs pode passar pela optimização da cartografia utilizada, por evitar a utilização de zonas que carecem de licença de acessos, a não realização da reportagem televisiva, a eliminação das actividades de cordas e das etapas aquáticas, a minimização das vias de divulgação da prova, …

A implementação de qualquer uma destas medidas pode originar uma conotação negativa para a prova e para as CAs, potenciando o afastamento de atletas, pelo que devem ser devidamente analisadas por parte das organizações das provas.


Site das Corridas de Aventura


O site das CAs foi criado com o objectivo de centralizar toda a informação dedicada às Corridas de Aventura, facilitando o seu acesso por parte dos atletas, equipas e clubes, e também de servir como plataforma de divulgação das CAs e das respectivas provas.

Tendo em conta que existe normalmente um elevado espaçamento entre as provas, o dinamismo do site não tem sido o pretendido. A dinamização pretendida poderá passar pela divulgação de entrevistas às equipas, pela divulgação de provas internacionais, etc…

O campo dedicado às equipas será brevemente desenvolvido, com o auxílio das próprias equipas através disponibilização de informação.


IOF – International Orienteering Federation

A IOF é uma instituição agregadora de 74 Federações de Orientação de diversos países à escala mundial, fundada em 1961 e reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional desde 1977.
Actualmente a IOF rege as disciplinas de Orientação Pedestre, Orientação em BTT, Orientação em Esqui e Orientação de Precisão.

A IOF tem um papel fundamental na divulgação das disciplinas e no seu crescimento a nível mundial, promovendo de forma constante provas e campeonatos internacionais.

Com o objectivo de integrar as CAs na IOF, foi criado um grupo de trabalho constituído por um membro de Portugal (André Ribeirete), um membro de Espanha (Héctor Nebot), um membro de França (Edmond Szechenyi) e um membro da Turquia (Tatiana Kalenderoglu).

Como primeira actividade do grupo de trabalho, elaborou-se um questionário que foi submetido às 74 Federações da IOF, onde se pretendeu avaliar o desenvolvimento das CAs nos diversos países. Somente 40 Federações responderam ao questionário e os dados recebidos encontram-se actualmente a ser analisados. De uma análise preliminar é notória a diversificação desta disciplina pelos diversos países, em termos de conteúdo de etapas, constituição de equipas, etc…

Depois de concluída a análise ao inquérito de forma mais cuidada, o grupo de trabalho será estendido a cerca de 10 membros, através do convite a membros de países de outros continentes, possibilitando assim um maior intercâmbio de ideias.

O grupo de trabalho pretende ainda em 2014 promover uma prova a nível internacional, eventualmente em Portugal, antes da assembleia geral da IOF onde se irá submeter a votos a integração das CAs, demonstrando aos membros mais céticos da IOF a força desta disciplina a nível internacional.


Estratégias de Divulgação

Quem já não participou em provas de Triatlo, Duatlo, Maratonas de BTT, Atletismo de estrada, etc… e constatou ao conversar com os atletas que a grande maioria deles não sabem o que são as Corridas de Aventura?

Este facto deve-se à fraca divulgação desta disciplina ao público fora do ambiente das Corridas de Aventura. Neste sentido pretende-se formar um grupo dinamizador que procure dar a conhecer as CAs a um público-alvo definido. Para além dos atletas das modalidades acima descritas, este público-alvo é formado igualmente por praticantes de Ginásios e por estudantes de Ensino (Ensino de Desporto, Ensino Superior, Desporto Escolar,…).

A primeira tarefa a executar por este grupo de trabalho será o desenvolvimento de um flyer de divulgação das provas constituintes da época 2013. Este flyer será posteriormente divulgado em formato papel e digital aos diversos públicos-alvo. O grupo de trabalho será igualmente responsável pela manutenção das diversas vias de comunicação, como o Facebook, site das CAs, fóruns, etc…
Inscrições de Época

A modalidade de “Inscrições de Época” possibilita às equipas procederem a sua inscrição no início da época em todas as provas e desta forma obter um desconto considerável na inscrição. Tem para além da vantagem do desconto de inscrição para as equipas, uma segurança para as organizações com um número mínimo de participações.

A FPO apresentou a sua disponibilidade no apoio a esta modalidade de inscrição, desde que as organizações já definidas para a época 2013 mostrem a sua concordância.




Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

NORTE ALENTEJANO O' MEETING 2013: ... E VÃO SETE!


Nisa prepara-se para acolher a sétima edição do Norte Alentejano O' Meeting. O prestigiado evento regressa assim ao Concelho que o viu nascer, com o espírito de sempre: receber bem os mais de 800 participantes!


Famosa pelos seus barros vermelhos de alvas pedrinhas enfeitados e pelo saboroso queijo, a Vila de Nisa franqueia uma vez mais as suas portas à Orientação. O Norte Alentejano O' Meeting está de regresso a uma das mais belas regiões do nosso País, revisitando os emblemáticos locais que serviram de palco à edição inaugural do evento, nos idos de 2007. Constituído por duas etapas de Distância Média e ainda por um Sprint Noturno (extra-competição), o evento promete chamar a Nisa um número de participantes superior às oito centenas, entre os quais perto de trezentos estrangeiros em representação de vinte países.

Organizado conjuntamente pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, Câmara Municipal de Nisa e Federação Portuguesa de Orientação, o NAOM 2013 terá lugar no primeiro fim de semana de Fevereiro, abrindo um ciclo de grandes eventos no nosso país. Ao nível do Desporto Escolar, o evento constitui parte integrante das provas de apuramento para o Campeonato do Mundo de Orientação ISF 2013, que se disputará no Algarve, de 15 a 21 de Abril. Em termos nacionais, trata-se do arranque de mais uma Taça de Portugal de Orientação Pedestre - Nível 1. Finalmente, no campo internacional, integra uma das três etapas pontuáveis para o ranking mundial da modalidade (IOF WRE), precedendo as jornadas de Idanha-a-Nova e de Pombal, nos dois fins de semana imediatos.


«Voltar a Nisa é sempre uma emoção!...»

Diretor do Evento desde a primeira hora, Fernando Costa faz um apelo às suas memórias e conta como tudo começou: «Em 2004, o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos organizou em Nisa os Campeonatos Nacionais de Sprint e Estafetas. Houve uma excelente relação com a autarquia local e o evento correu muito bem», explica. Por essa altura, era urgente encontrar um local de eleição para as provas que o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos candidata anualmente à Taça de Portugal e a solução para o problema estava encontrada. Daí ao primeiro NAOM foi um breve passo: «Na preparação da prova lembro-me das grandes enxurradas, porque foi um inverno incrível, da boa adesão de participantes, da presença do Fernando Mamede como embaixador e da descoberta da Orientação por Joaquim Margarido», refere Fernando Costa, reavivando as marcas da edição inaugural.

«Voltar a Nisa é sempre uma emoção!...», prossegue Fernando Costa, cuja família é originária duma freguesia do Concelho (Amieira do Tejo). Na verdade, «este facto foi importante nesta escolha, pois considero esta região como minha, apesar de não ter nascido cá», diz. Mas a Orientação não pode abranger só um município, por muitos recursos que tenha, e daí a designação «Norte Alentejano O' Meeting» ter sido adaptada a toda uma região, passando este a ser um projeto intermunicipal. Depois de ter passado por Castelo de Vide, Alter do Chão, Crato, Portalegre e Marvão, o NAOM regressa às origens, abrindo um novo ciclo cheio de promessas e esperança no futuro: «Na minha opinião esta região vai viver a nível turístico da sua natureza. Queremos que a Orientação venha a fazer parte desse projeto maior que é o InMotion: Alentejo Turismo e Sustentabilidade», afirma aquele responsável.


«Difícil de repetir!»

Passando em revista as seis edições anteriores, Fernando Costa admite que «com mais ou menos dificuldades, todas as organizações de provas têm momentos marcantes. Apesar das edições 2007, 2010 e 2011 terem sido pontuáveis para a Liga Mundial, todas elas nos deixam recordações agradáveis pelo facto de em todas elas termos conhecido e privado sempre com pessoas novas com elevado profissionalismo e sentido da responsabilidade.» Mas sempre acaba por se decidir e escolher o momento, entre todos, o mais marcante: «Foi o dia do WRE em Entre-Ribeiras, em 2011, pelo local e pelos atletas presentes. Difícil de repetir!»

A um atleta que tivesse estado em Nisa em 2007 e que só agora regressasse ao NAOM, Fernando Costa enumera as diferenças que irá encontrar: «O programa é muito parecido com o de 2007, com a diferença de ambas as provas serem de Distância Média, a Cartografia ter um critério muito diferente e o terreno da prova WRE, fugir um pouco ao habitual, por ser de pouco declive e extremamente rápido. Mas o espirito do evento e da Região terá o mesmo mote: receber bem os participantes!


Dmitriy Tsvetkov e Maja Alm, as estrelas

Com as inscrições encerradas, o índice de participação fica ligeiramente abaixo das expectativas. Fernando Costa confessa: «Tínhamos como objetivo chegar aos mil participantes. Este valor não foi conseguido, mas podemos considerar muito bom o número de inscritos no evento no final do primeiro prazo de inscrições – 823.» Em termos de nomes sonantes, sinalizaram já a sua presença no NAOM 2013 um total de 13 atletas do top-50 mundial. Os russos Dmitriy Tsevkov e Valentin Novikov, respetivamente 8º e 10º classificados do ranking mundial, são cabeças de cartaz no setor masculino. No setor feminino, as estrelas são dinamarquesas e dão pelo nome de Maja Alm e Ida Bobach, 10ª e 11ª classificadas do ranking.

Mas esta lista mais restrita integra ainda nomes como os dos franceses Frédéric Tranchand (13º), Philippe Adamski (24º) e Amélie Chataing (24ª), dos dinamarqueses Emma Klingenberg (23º) e Tue Lassen (26º), das russas Svetlana Mironova (33ª) e Natalia Vinogradova (47º), do búlgaro Kiril Nikolov (27º) e do checo Vojtech Král (43º). De Espanha chega o vencedor do ranking masculino em 2012, Antonio Martínez Pérez e os segundos classificados, Andreu Blanes Reig e Anna Serralonga Arqués. Quanto ao Brasil, traz a Portugal a sua maior comitiva de sempre, num total de 18 atletas, entre os quais se conta a Campeã Nacional e Campeã Sul-Americana 2012, Mirian Pasturiza.


E a terminar...

A pouco mais de uma semana, importa saber ainda o que está feito e o que falta fazer. «Falta fazer algumas passagens nas cercas nos terrenos das provas, trabalho que só é possível executar mesmo em cima da hora», refere Fernando Costa, acrescentando «a impressão dos mapas e – claro! - montar a estrutura logística que praticamente tem inicio no dia anterior ao evento.» A terminar, um desejo: o de que «os participantes, quando terminarem as suas provas, sintam vontade de voltar para a edição de 2014, em Castelo de Vide.»


Para saber tudo sobre o NAOM 2013, consulte a página do evento em http://www.gd4caminhos.com/naom2013-main/naom2013.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


[Este artigo é patrocinado por Orievents e SERI]


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

RIINA KUUSELO: "[NOVA ZELÂNDIA]... UMA EXPERIÊNCIA MARAVILHOSA"




Neste início de temporada, o Orientovar acompanha as pisadas de Riina Kuuselo, a vencedora da primeira edição do Norte Alentejano O' Meeting. Aqui se fala da Finlândia, de Portugal e da Nova Zelândia… “uma experiência maravilhosa”!


A temporada 2013 teve início na Nova Zelândia com a ronda inaugural da Taça do Mundo. Esta calendarização surge demasiado cedo ou todas as alturas são boas para competir?

Riina Kuuselo (R. K.) – Foi um pouco estranho correr a Taça do Mundo em pleno Inverno na Europa. Mas por outro lado, foi uma experiência maravilhosa e as provas estavam muito bem organizadas. Fiquei muito contente por ter podido participar.

Falando na Nova Zelândia, como é que se sentiu?

R. K. – Foi a primeira vez que estive na Nova Zelândia. É um país exótico, repleto de áreas vulcânicas e geotermais, mas os terrenos não diferem assim tanto daqueles que encontramos nalgumas regiões da Europa. Dunas de areia podem encontrar-se em muitos países e o percurso do último dia da Taça do Mundo fez-me lembrar o País de Gales. A organização, apesar de descontraída, conseguiu uma boa mistura de excelentes provas e percursos muito bons.

Os resultados alcançados corresponderam às suas expectativas?

R. K. – Estou ainda em fase de recuperação duma lesão e não tenho treinado muito pelo que as minhas expectativas não eram particularmente elevadas. Mas foi bom perceber que, afinal, não estou assim tão em baixo de forma. Gostaria de ter conseguido algumas posições nos dez primeiros lugares, mas não foi possível. Ainda assim, não estou descontente com dois lugares no top-15 (12º e 15º). Foi muito bom, tendo em conta a minha situação.

Vou “roubar” a questão ao Jan Kocbach e perguntar-lhe qual a sua opinião acerca do formato de chasing start. O futuro da Orientação passa por aqui?

R. K. – Bom, espero sinceramente que o chasing start não faça parte do futuro da Orientação (não quereria vê-lo no programa dos Campeonatos do Mundo) mas penso que não virá mal ao mundo se de vez em quando tivermos uma prova com estas características numa Taça do Mundo. Eu sei que muitos orientistas rejeitam liminarmente esta ideia, mas consegui perceber o quanto este formato pode ser realmente excitante para os espectadores. É um formato que favorece claramente os mais fortes, mas todos terão de conquistar um bom lugar à partida e isso implica realizar um bom prólogo. É uma forma de tornar a Orientação mais sexy e visível.

O que vem a seguir na sua agenda? Portugal?

R. K. - Como muitos outros orientistas, acabo de me decidir a ir correr o Portugal O' Meeting e o Meeting de Orientação do Centro. Tenho muito boas recordações da primeira edição do Norte Alentejano O' Meeting e esse é o motivo pelo qual continuo a ir a Portugal :)

Pela primeira vez, teremos em Portugal as três provas pontuáveis para o ranking mundial em três fins de semana consecutivos. Qual é a sua opinião?

R. K. - Penso que é uma ideia muito boa e que parece atrair muitos orientistas de toda a Europa. São grandes eventos e muitos escandinavos, ansiosos por escapar aos rigores do Inverno, viajam até ao Sul ao encontro de condições para praticar Orientação. E quando se trata de eventos desta natureza, então isso ainda torna tudo mais atrativo.


Finalmente, a grande competição do ano terá lugar no seu País. Que Campeonatos do Mundo de Orientação poderemos esperar?

R. K. - Estou certa que o Campeonato do Mundo em Vuokatti será um grande evento em todos os aspetos. É um local muito bonito e estaremos na melhor época do ano. Para mim, enquanto atleta, é uma maravilhosa oportunidade termos os Campeonatos do Mundo no meu País.

E quanto a si? Pensa que será possível repetir 2010 e voltar a envergar de novo a camisola da Finlândia?

R. K. - Espero sinceramente conseguir um lugar na equipa. Trata-se do meu maior sonho, estar capaz de competir nos Mundiais.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido