segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

PONTOS CRONOMETRADOS: FÁCIL VERSUS DIFÍCIL



É, sem dúvida, uma discussão interessante aquela em torno dos Pontos Cronometrados e do seu grau de dificuldade, levantada na passada quarta feira [ver AQUI]. Ainda com as palavras de Knut Ovesen, o SEA do próximo Campeonato da Europa de Orientação de Precisão, em mente - “por muito fácil que sejam os problemas, eles serão sempre difíceis para alguns” -, fomos à procura de uma opinião mais consistente e que servisse para aclarar esta questão. O nosso interlocutor de hoje chama-se Lauri Kontkanen, foi Campeão do Mundo de Trail-O em 2011 e desde Jyväskylä, na Finlândia, deixa-nos a sua opinião.


A minha opinião quanto ao grau de dificuldade dos problemas nos pontos cronometrados é que ele deve ser variável. Em muitos Campeonatos do Mundo, os pontos cronometrados apresentaram um elevado grau de dificuldade e eu gosto disso por ser uma das vertentes dum percurso desta natureza. Se estivermos perante um percurso com mais do que uma estação, então sou de opinião que os problemas devem ser mais fáceis.

Devemos ter sempre em conta que os pontos cronometrados não devem ser uma artimanha. O grau de dificuldade dum bom ponto cronometrado deve ser diretamente proporcional ao desafio inerente à leitura e interpretação do mapa. Não sou adepto dos pontos cronometrados que utilizam as descrições como um elemento acrescido de dificuldade. A descrição “entre”, por exemplo, não deveria nunca ser utilizada num ponto cronometrado.

Um dos melhores exemplos daquilo que eu penso que deve ser um bom ponto cronometrado é o TC1 do 2º dia do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2013, para a classe aberta [http://trailo-fi-bin.directo.fi/@Bin/ea248203a1d86d3ceb3b7daced57d403/1386415102/application/pdf/264869/09-WTOC2013_PreO_Day_2_timed_controls.pdf]. A solução era perfeitamente óbvia para mim, mas para muitos outros atletas ela era extremamente difícil. Uma parte importante do meu treino consiste na medição de distâncias apenas a partir do círculo (metade do circulo corresponde a 15 metros na floresta). Consegui perceber de imediato que o centro do círculo estava afastado apenas 2 mm do bordo da reentrância, ponto esse que constituia uma das chaves para a resolução do problema. No terreno havia apenas duas balizas nessa área. A baliza “Alfa” estava exatamente a 10 metros do bordo, enquanto a baliza “Bravo” estava a 3 metros daquele ponto. Dei a resposta “Alfa” em apenas 4 segundos, mas houve atletas a admitir que a solução era incompreensível, nem que fossem lá dois dias seguidos. Pois bem, talvez seja muito bom a avaliar distâncias no terreno, mas isto só vem provar que, havendo alguém realmente talentoso, então não há problemas difíceis. E, afinal, quantos de nós treinam este tipo de avaliação de medidas no terreno? Acredito que apenas nós, na seleção da Finlândia, o fazemos e creio mesmo que esta foi uma das chaves do sucesso em Vuokatti.

Outro bom exemplo pode ser visto nos Campeonatos da Finlândia deste ano. Atente-se nos mapas e nas soluções em http://www.trailo.fi/tulokset/2013/sm-preo-kerava-31-8-2013/ e facilmente se perceberá aquilo que eu quero dizer. Antti Rusanen, o traçador dos percursos, desenhou três pontos cronometrados individuais. O primeiro ponto foi o mais fácil ponto de controlo de sempre dos Campeonatos da Finlândia! Uma das cinco balizas estava no cruzamento dum trilho mais largo com outro mais estreito. Era essa a baliza correta, estando as restantes quatro balizas todas no mesmo esporão, distando 10 a 30 metros do ponto correto. O atleta mais rápido respondeu acertadamente em 2 segundos, enquanto os principiantes necessitaram de 45 segundos para dar a resposta. Os restantes pontos cronometrados eram mais difíceis, mas o vencedor não precisou de mais de 15 segundos no total das três respostas.

Por último, deixo a minha opinião acerca das novas regras e do “encurtamento” de 60 para 30 segundos do tempo máximo por ponto cronometrado em cada estação. Não posso deixar de manifestar a minha simpatia por esta alteração, uma vez que 60 segundos sempre foi demasiado tempo para mim e para a generalidade dos atletas de topo (o meu tempo de resposta é de 5 a 20 segundos por ponto). A grande vantagem desta nova regra é que poderemos, no futuro, organizar provas que se desenrolem mais rapidamente porque os pontos cronometrados irão permitir isso mesmo.”


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Sem comentários: