domingo, 13 de outubro de 2013

MTBO WORLD CUP / WMMTBOC'2013: ANTON FOLIFOROV E MARIKA HARA VENCEM TAÇA DO MUNDO



Num dia recheado de emoções fortes, Anton Foliforov e Marika Hara levaram de vencida a Taça do Mundo de Orientação em BTT 2013. Entre as hostes portuguesas festejou-se mais um título mundial de veteranos, com Carlos Simões a ser de novo o grande protagonista.


A cumprir o seu quarto ano de existência, a Taça do Mundo de Orientação em BTT fez-se de emoção e “suspense” nesta reta final. Na decisiva etapa, uma Distância Longa disputada ontem em Sines – curiosamente, a etapa número 50 desde que o certame se estreou na Hungria, em Abril de 2010 -, a dúvida quanto ao vencedor foi uma constante, com o russo Anton Foliforov e o estoniano Tõnis Erm, por um lado, e a finlandesa Marika Hara e a sueca Cecilia Thomasson, por outro, a travarem particulares duelos em busca do tão desejado título.

Fruto da vitória alcançada na etapa da véspera, Foliforov partia com a escassa vantagem de seis pontos ante o seu adversário direto. As esperanças de Erm residiam numa vitória, único resultado que lhe garantia de forma imediata ultrapassar Foliforov e levar para a Estónia a Taça do Mundo. Mas a verdade é que o atleta não conseguiu colocar no terreno as qualidades e capacidades que fazem dele o atual Campeão do Mundo de Sprint e de Distância Média, não indo além da oitava posição e deixando fugir o título para Foliforov. Ao russo bastou o segundo lugar alcançado na etapa – o vencedor foi o checo Krystof Bogar, um colosso de força e um verdadeiro especialista na Distância Longa, de cujo título Mundial é o detentor –, para ver a sua liderança da Taça do Mundo reforçada e chegar pela primeira vez na sua carreira ao lugar mais almejado. Terceiro classificado na etapa, o finlandês Jussi Laurila não conseguiu renovar a vitória de 2012 na Taça do Mundo, mas alcançou os necessários pontos para ultrapassar Tõnis Erm no escalonamento final e concluir na segunda posição.


Marika Hara renova vitória na Taça do Mundo

No setor feminino, o dia foi da Finlândia. Desde logo porque coube a Susanna Laurila a vitória na etapa, à frente da francesa Laure Coupat. Mas foi Marika Hara, atual líder do ranking mundial, quem mais beneficiou com o conjunto de resultados, conseguindo operar um autêntico volte-face na classificação final e, pelo terceiro ano consecutivo, chegar à vitória na Taça do Mundo. Para isso terá contribuído enormemente o rotundo falhanço da sueca Cecilia Thomasson, apenas 14ª classificada na decisiva etapa, para que a finlandesa recuperasse da desvantagem de quatro pontos e chegasse ao fim na dianteira. Com seis atletas a terem ainda legítimas aspirações de alcançar o terceiro lugar, acabou por ser precisamente Susanna Laurila a concluir naquela posição, relegando para o quarto lugar a britânica Emily Benham.

Uma palavra ainda para os atletas portugueses em competição e sobretudo para esse meritório 12º lugar alcançado por Davide Machado, a menos de dois minutos e meio duma posição no top-6. Um lugar que – assim todos o esperamos – poderá servir de ponto de viragem nos azares que têm batido à porta do melhor atleta português de sempre, ao longo de praticamente toda a temporada. Luís Barreiro, na 30ª posição, foi o nosso segundo melhor atleta, seguido de João Ferreira, no 41º lugar. No setor feminino, Rita Gomes, Catarina Ruivo e Joana Frazão ocuparam por esta ordem os três últimos lugares da tabela.


O que eles disseram

Em declarações ao Orientovar, Anton Foliforov não se mostrou inteiramente contente com a sua prestação, “especialmente na tomada de opção para o ponto 5 e outros pequenos erros”, mas sempre adiantou que os adversários “cometeram mais erros do que eu”. A exceção foi mesmo Krystof Bogar, que roubou ao russo a possibilidade de alcançar a sua sétima vitória na Taça do Mundo e de se juntar assim ao dinamarquês Erik Skovgaard Knudsen na liderança dos mais ganhadores de sempre em etapas individuais: “O Krystof é muito forte na Distância Longa, ganhou hoje, ganhou bem e é um atleta com um enorme futuro à sua frente, creio eu. Claro que o meu objetivo era repetir aqui o resultado de ontem, só que isso não foi possível. Mas a vitória na Taça do Mundo deixa-me naturalmente muito satisfeito.”

Embora parca em palavras, também Marika Hara nos deixou as suas impressões: “O meu objetivo hoje era fazer uma boa prova, sem criar qualquer tipo de expectativas quanto a uma posição no final. Mas acabei por cometer alguns pequenos erros e elas [Susanna Laurila e Laure Coupat] foram melhores do que eu.” Analisando a sua temporada e que culmina com a reconquista da Taça do Mundo como corolário lógico duma enome regularidade, a atleta finlandesa reconhece: “Procurei dar o meu melhor em cada etapa e fazer as melhores opções”. E tece os maiores elogios à grande adversária desta temporada, Cecilia Thomasson, que considera “uma excelente atleta, muito rápida e muito forte, uma atleta que respeito e admiro muito.” A terminar, a relativa dúvida em relação aos objetivos para a próxima época e para um eventual regresso a Portugal: “Não tenho quaisquer planos... Ainda!”


O “bis” dourado de Carlos Simões

Mas o dia de ontem haveria de encerrar mais uma grande alegria para Portugal e para a nossa Orientação em BTT. Enorme de querer e plenamente confiante nas suas possibilidades, Carlos Simões repetiu o brilharete da véspera, juntando ao título mundial de Veteranos de Distância Média no escalão H40, também o título de Distância Longa. Uma “dobradinha” com um sabor especial para o atleta, “filho da terra”, e que começou por se referir a isso mesmo: “Sendo aqui da zona, senti que tinha obrigação de lutar pelos primeiros lugares. Apesar de não treinar aqui há mais de um ano, até porque a zona estava embargada, temos sempre a chamada memória fotográfica e, nalgumas partes do percurso, isso traz sempre alguma vantagem. Mas, a este nível, os adversários são todos muito bons tecnicamente e essa vantagem é mais aparente do que real.” Falando em particular da sua prova, o atleta admite que “tecnicamente não era de grande exigência e praticamente não havia grandes tomadas de opção a fazer”, mas que se revelou muito dura fisicamente: “Na parte final aconteceu aquilo que já receava, as cãibras começaram a aparecer, tive de reduzir o andamento e gerir a parte física, mas quando cheguei ao sprint final já nem conseguia pedalar.” Segue-se agora a disputa do título de Sprint e Carlos Simões está confiante: “Já alcancei dois títulos mundiais e agora é vir o que vier, mas a pressão não está do meu lado e vou entrar para ganhar. Será uma prova mais curta, mais técnica, vai ser muito disputada e é uma prova que se vai resolver nos pequenos detalhes, nos pequenos erros que os atletas possam cometer.”

Quanto aos restantes atletas portugueses nestes Campeonatos do Mundo de Veteranos, Susana Pontes voltou a repetir, no escalão H40, o 4º lugar alcançado ontem, uma espécie de “maldição” que se vem perpetuando ao longo das várias edições dos Mundiais disputados até hoje. Para além de Carlos Simões, a lista de Campeões do Mundo de Veteranos de Distância Longa completa-se com os nomes de Per Gustavsson (M50), Heikki Saarinen (M60), Pertti Nyberg (M70), Veronika Cseh (W40), Carolyn Jackson (W50) e Monika Bonafini (W60).

Consulte aqui os Resultados Completos da etapa de Distância Longa, bem como o escalonamento final da Taça do Mundo Individual 2013.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido


Este artigo tem o patrocínio de Orievents e EDP renováveis


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