domingo, 27 de outubro de 2013

EYOC 2013: TÍTULOS DE ESTAFETAS BEM DISTRIBUÍDOS



Depois de Suiça, Suécia, Finlândia e Dinamarca terem dominado as atenções nos dois primeiros dias dos Campeonatos da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2013, o derradeiro dia permitiu acrescentar os nomes da Rússia e da República Checa ao lote dos grandes vencedores. Em termos individuais, Sara Hagstrom ganhou tudo o que havia para ganhar e é ela, indubitavelmente, a “rainha” destes Campeonatos. No cômputo geral a Finlândia foi a grande vencedora, sucedendo à República Checa.


Chegou hoje ao fim em Vale Benfeito, no concelho de Óbidos, a 15ª edição dos Campeonatos da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2013. Uns Campeonatos marcados pela excelência dos mapas e terrenos de competição, duma organização inexcedível de cumplicidade e atenção para com os 362 atletas de 32 países presentes, de provas marcadas pela emoção e por momentos de superação de enorme significado e valor para os participantes e, por último mas não menos importante, por tempo ameno e um sol radioso, a colocar mais cor e mais vida na paisagem e no rosto de todos.

Ansiosamente aguardada, a prova de Estafetas encerrou os Campeonatos em ambiente de festa e alegria. Envolvendo um total de 92 equipas distribuídas por quatro escalões de competição, a prova ficou marcada pela incerteza quanto ao vencedor até ao derradeiro segundo, envolvendo algumas reviravoltas surpreendentes e um par de resultados inesperados. No capítulo das reviravoltas, a mais fantástica foi protagonizada pela Suécia no escalão W18, ao passo que a maior surpresa acabou por ser protagonizada pela Hungria, medalha de prata no escalão W16. Quanto aos portugueses, o última dia de provas voltou a não acrescentar algo de substantivo em termos de resultados, tendo a equipa de M16 alcançado o melhor resultado, concluindo na 10ª posição.


Triunfo da Rússia

Partindo por “vagas” em função de cada escalão, a prova de Estafetas teve na Rússia o primeiro vencedor conhecido, no escalão M16. Com um começo muito forte, os russos tomaram conta da corrida logo no percurso inicial e nunca mais o largaram. Grande figura das duas etapas iniciais dos Campeonatos, o finlandês Olli Ojanaho ainda conseguiu encurtar a diferença em mais de dois minutos no derradeiro percurso, mas Pavlenko soube gerir bem a vantagem e chegar ao fim na liderança.

Foi fantástico, é como um sonho”. Foram estas as primeiras palavras de Aleksandr Pavlenko, o homem que teve o condão de oferecer à Rússia a sua única medalha de ouro nestes Campeonatos. Embora admitindo que a vitória nesta prova estava nos planos do coletivo russo, Pavlenko faz questão de sublinhar o excelente trabalho de equipa, “face a uma Finlândia muito forte, o que valoriza ainda mais este resultado.” A concluir, referindo-se em particular à sua prova e à forma como lidou com a pressão de ter atrás de si o finlandês Ojanaho, referiu: “Procurei fazer a minha prova e esquecer tudo o resto. Na floresta fui apenas eu, o mapa e o percurso.”


A vitória mais folgada

No escalão W16, passou-se com as checas um pouco do que sucedeu com a Rússia na Estafeta masculina de M16. Ao registarem os melhores tempos nos respetivos percursos, Tereza Cechová e Barbora Vyhnálková ofereceram a Barbara Vavrysová uma vantagem suficientemente confortável e que a atleta soube gerir de forma inteligente, chegando mesmo a ampliá-la até aos mais de cinco minutos e meio finais sobre a Hungria, naquela que foi a vitória mais folgada da jornada.

Barbara Vavrysová que, no final, não cabia em si de contente: “Foi a minha primeira participação num EYOC e esta é uma sensação incrível”, começou por referir. Embora dispondo de confortável vantagem à partida para o derradeiro percurso, a atleta assume que “tinha de vencer, tinha de fazer isto por mim e pelas minhas colegas de equipa”. E acrescenta: “Este era o nosso objetivo, o objetivo da República Checa e sinto-me muito feliz por ter sido concretizado.” Mas este é apenas o começo duma carreira que se espera plena de sucesso: “Eu e as minhas colegas teremos certamente a oportunidade de participar mais vezes no EYOC e esta medalha de ouro dá-nos força para pensarmos em novos triunfos no futuro.”


Suécia fecha com chave de ouro

Partindo em desvantagem para o terceiro percurso face às poderosas equipas da Suiça e da Rússia, a Suécia teve em Sara Hagstrom um verdadeiro talismã. Depois das vitórias da passada sexta feira e de ontem e que lhe valeram os títulos europeus de Sprint e de Distância Longa, a atleta sueca acabou por virar o resultado a seu favor, fazendo o pleno de medalhas de ouro e tornando-se na estrela maior destes Campeonatos. Sara Hagstrom impressionou todos quantos tiveram a oportunidade de acompanhar este EYOC 2013, quer pelas suas qualidades físicas e técnicas, quer pela sua atitude ganhadora, sendo um nome a reter no futuro e do qual a Orientação mundial muito tem a esperar.

Entre gritos de satisfação e os muitos cumprimentos de adversárias e colegas de equipa, Sara acabou por confessar ter sido esta “a vitória mais saborosa”. A atleta revela ter sentido “uma grande confiança quando parti para a minha prova, sabendo de antemão que esta Estafeta iria ser diferente das que fiz até aqui. A única estratégia a seguir era a de fazer a minha prova e não pensar nas minhas adversárias; seria aí que residiria a chave da vitória.” Com a Rússia fora da corrida logo no início do último percurso, devido a um erro tremendo de Marina Trubkina, a luta ficou confinada a suecas e suiças: “Embora deva reconhecer que a medalha de prata já seria excelente, quando entrei para o último ‘loop’ decidi arriscar tudo e acabei por colocar a pressão do lado do adversário.” Até ao final a Suécia soube gerir a sua prova e esta vitória constitui, na verdade, um fecho com chave de ouro duns Campeonatos que, neste escalão, não podiam ter sido mais bem sucedidos.


Vitória apertada da Finlândia

Por último o escalão M18, aquele onde o despique foi mais ardoroso e onde se viveu a incerteza quanto ao vencedor levou mais tempo a desfazer-se. Finlândia, França, Noruega e Suiça conseguiram manter-se juntos durante os dois primeiros percursos, acabando a prova por se resolver a favor dos dois coletivos nórdicos, com a Finlândia a suplantar a Noruega na parte final e a chegar merecidamente ao ouro e por vantagem superior a um minuto.

Responsável pelo decisivo percurso, o finlandês Aleksi Niemi viveu com esta vitória “um momento de enorme emoção e alegria”, sobretudo depois da prova frustrante de ontem e na qual cometeu “uma enorme quantidade de erros”, disse. Procurando desenvolver a sua corrida “pensando apenas no meu trabalho e esquecendo a presença dos meus adversários”, o finlandês reconhece que esta vitória é de “enorme significando e importância para mim e para o meu País”.


Resultados

W16
1º República Checa 1:19:27
2º Hungria 1:24:55
3º Dinamarca 1:26:52
4º França 1:29:24
5º Finlândia 1:29:34
6º Lituânia 1:32:58

M16
1º Rússia 1:18:59
2º Finlândia 1:20:54
3º Suiça 1:23:15
4º Letónia 1:24:18
5º Hungria 1:26:12
6º Grã-Bretanha 1:26:55

W18
1º Suécia 1:20:14
2º Suiça 1:20:34
3º Rússia 1:25:55
4º Polónia 1:29:50
5º Hungria 1:30:17
6º Noruega 1:31:17

M18
1º Finlândia 1:30:03
2º Noruega 1:31:20
3º Suiça 1:33:25
4º Suécia 1:33:30
5º Bélgica 1:38:57
6º Itália 1:39:32

Saiba tudo em http://eyoc2013.fpo.pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido


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