segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MTBO WORLD CUP / WMMTBOC'2013: COSTA ALENTEJANA, O PALCO DE TODAS AS EMOÇÕES


Três anos volvidos sobre os Mundiais de Montalegre, a Orientação em BTT ao mais alto nível está de regresso a Portugal. De 9 a 13 de outubro, os Municípios de Grândola, Santiago do Cacém e Sines recebem a ronda final da Taça do Mundo e ainda a quarta edição dos Campeonatos do Mundo de Veteranos. Numa altura em que está tudo a postos para receber a fina flor da Orientação em BTT mundial, antecipamos os dois eventos e auscultamos alguns dos seus principais protagonistas.


Portugal dá as boas vindas às mais de duas centenas de atletas de 22 países distintos que, de 9 a 13 de outubro, prometem trazer à Costa Alentejana o espetáculo da Orientação em BTT ao mais alto nível. Com os títulos Mundiais de Veteranos nas vertentes de Sprint, Distância Média e Distância Longa em jogo nos mais diversos escalões e ainda tudo em aberto no que à Taça do Mundo de Elite diz respeito, a perspetiva é a de três dias de competição plenos de ardor e emoção, com a incógnita quanto aos vencedores a pairar no ar até ao derradeiro segundo.

Para responder a tão intensos desafios, a Federação Portuguesa de Orientação, com o apoio dos Municípios de Grândola, Santiago do Cacém, Sines, Turismo da Costa Alentejana e Instituto Português do Desporto e da Juventude, reservou o que de melhor tem aquela região do país, prometendo terrenos interessantes, paisagens deslumbrantes e os mais intensos desafios para os amantes da Orientação em BTT. A competição terá o seu início na sexta-feira, dia 11 de outubro, com a realização da prova de Distância Média, pontuável quer para a Taça do Mundo como para o Campeonato do Mundo de Veteranos. No dia seguinte será a vez de assistirmos à disputa da etapa de Distância Longa e tudo terminará no domingo com a etapa de Estafeta Mista da Taça do Mundo e a disputa dos títulos mundiais de veteranos na distância de Sprint.


Em defesa da liderança

Atentando na lista de participantes na ronda final da Taça do Mundo, são em número de 83 (49 no setor masculino e 34 no feminino) os atletas inscritos. Os resultados da edição 2013 da competição até ao momento – baseados exclusivamente nos Campeonatos da Europa e nos Campeonatos do Mundo, disputados na Polónia e na Estónia, respetivamente -, percebe-se que finlandeses, russos e checos apresentam um grande ascendente no setor masculino, embora a liderança da Taça do Mundo, até ao momento, seja pertença do estoniano Tõnis Erm.

Erm que, em declarações ao Orientovar, confessou estar na disposição de lutar com todas as suas forças para guardar a primeira posição na Taça do Mundo, “embora só as provas possam vir a mostrar se o meu desejo se concretizará ou não”. Com a preparação algo perturbada “por uma virose e pelos primeiros flocos de neve que já começaram a cair na Estónia”, o Campeão do Mundo de Sprint e de Distância Média em título aguarda com ansiedade a competição, pois “só ela poderá mostrar até que ponto serei capaz de defender o primeiro lugar”. Com a recordação dessa medalha de prata na prova de Sprint dos Mundiais de Montalegre ainda bem presente na memória, Tõnis Erm acrescenta que “os exemplos de mapas disponibilizados pela organização parecem, ao mesmo tempo, muito interessantes mas muito estranhos.” Estamos, definitivamente, muito longe dos mapas dos recentes Mundiais da Estónia, com a Serra de Grândola a apresentar “trilhos bem definidos, declives longos e pronunciados e uma grande variedade de opções, onde se pode perder (ou ganhar) muito tempo”, refere o atleta. E, a concluir, a esperança de que “não caia neve em Portugal, uma vez que já comprei as passagens de avião e irei ficar mais uns dias em Portugal, a descansar duma temporada desgastante e a viajar e conhecer um pouco do País.”


Temperaturas amenas” e “sol a brilhar”, desejos de Glukhov e Hara

O Orientovar foi igualmente ao encontro dos atuais líderes do ranking mundial, o russo Valeriy Glukhov e a finlandesa Marika Hara, também eles presenças confirmadas em Portugal dentro de duas semanas. O olhar de Glukhov sobre a prova portuguesa é feito duma grande ansiedade, sobretudo porque “este está a ser um setembro particularmente frio e chuvoso em Moscovo.” À procura de “temperaturas amenas, terrenos montanhosos, distâncias técnicamente interessantes e a certeza duma organização ao mais alto nível”, é com esta motivação que o Campeão Europeu de Distância Média em título ruma ao nosso País. E quanto a chegar ao final da temporada na liderança do ranking mundial? O russo não hesita na resposta: “Quero divertir-me e desfrutar das provas. Quanto aos resultados, depois veremos”.

As declarações de Marika Hara também não fogem muito a este tom. Em Portugal, a atleta pretende “fazer boas provas, desfrutar ao máximo e minimizar os erros.” Chegar à vitória na Taça do Mundo parece não fazer parte das suas preocupações, já que, como ela própria afirma, “é necessária uma temporada onde os bons resultados sejam a norma e acabei por não ser feliz este verão.” A terminar, o desejo de “uma bela competição em terrenos bonitos e com o sol a brilhar.”


Davide Machado a olhar para o top-10... ou mais

Entre os oito atletas portugueses convocados para esta ronda final da Taça do Mundo, um há que concita o grosso das atenções. Falamos de Davide Machado, um atleta que tem pautado a sua temporada por mais baixos que altos e que ocupa atualmente a 24ª posição na Taça do Mundo e o 34º posto do ranking mundial. Ao Orientovar, o atleta da Póvoa de Lanhoso confessou-se “algo abalado com os maus resultados nos Campeonatos do Mundo e a subsequente queda no ranking, principalmente sabendo pelos motivos que foram”, mas adianta que “o objetivo para esta ronda final da Taça do Mundo continua a ser o mesmo, foi delineado logo no inicio da época e mantém-se, naturalmente.” Assim, o atleta espera “alcançar prestações dentro do top-10, aproveitar o facto de estar a correr em casa, conhecer a organização, a dureza do terreno e a excelente cartografia nacional para conseguir um pouco mais ainda, quem sabe ambicionar a um lugar no pódio.” A terminar, Davide Machado admite que “para alcançar os objetivos será preciso um pouco da sorte que tem andado longe nestes últimos tempos.”


Veteranos portugueses em força

Olhando agora para o Campeonato do Mundo de Veteranos, serão em número de 149 os atletas presentes, com Portugal a afirmar-se como a comitiva mais numerosa, com um total de 42 atletas. Seguem-se a Dinamarca com 23 presenças e a Grâ-Bretanha, Suécia e Espanha, com 15, 14 e 13 presenças, respetivamente. Entre os nomes mais sonantes contam-se o dos britânicos Killian Lomas e Charlotte Somers-Cocks, dos austríacos Dietmar Dorfler e Herbert Lackner, do francês Jean Charles Lalevée, da húngara Veronika Cseh, da australiana Carolyn Jackson e da dinamarquesa Birgit Hausner, todos eles Campeões Mundiais em título, fruto das vitórias na competição realizada em Vészprém, Hungria, em 2012. Para além destes, nomes como os dos húngaros Sandor Talas e Daniel Marosffy, do russo Maxim Zhurkin, do austríaco Wolf Eberle, da turca Tatiana Kalenderoglu e dos portugueses Susana Pontes, Carlos Simões, Inácio Serralheio, Mário Marinheiro, Luís Sousa, Francisco Moura, Armando Santos, Luísa Mateus e a medalha de bronze de Sprint dos últimos Mundiais da Hungria, Susana Pontes, têm igualmente uma palavra a dizer.

O Orientovar foi também ao encontro de dois dos atletas veteranos portugueses com fundadas e legítimas ambições na competição, auscultando as suas opiniões. Começando por Carlos Simões, o atleta vê a sua participação neste que constitui o gramde objetivo da temporada “com a expectativa de conseguir bons resultados, que passam pelo obtenção de um titulo Mundial numa das provas.” Para o atleta do COALA, “estes Mundiais vão realizar-se numa das melhores zonas para a prática da modalidade no nosso País e espero que sejam de feição não só para mim como para todos os atletas nacionais presentes. Temos grandes valores na Orientação nacional e que irão mostrar nestes Mundiais todo o seu potencial.” Já no tocante a Susana Pontes, a tónica é a da moderação: “O que eu espero mesmo é estar presente”, revelou a atleta, a braços com uma lesão no glúteo médio. “Já andar é difícil!”, diz, embora acrescentando que “na bike a dor é menor.” Desta forma a atleta lá vai treinando e “pedindo a 'tudo' que não piore!” Expectativas? “Vou estar presente como nas edições anteriores, dar o meu melhor no que à Orientação diz respeito e ver o que me espera. A concorrência é forte mas partimos todas nas mesmas condições”, conclui.

Saiba mais sobre a competição em http://wmmtboc2013.fpo.pt/index.php/pt/


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


Este artigo tem o patrocínio de Orievents e EDP renováveis


Sem comentários: