sexta-feira, 19 de julho de 2013

WTOC 2013: PORTUGUESES NA ALTA RODA



Pela segunda vez no seu historial, Portugal marcou presença nos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão. Apesar da modéstia dos resultados, os quatro atletas presentes em Vuokatti mostraram alguns apontamentos deveras interessantes e que permitem projetar um futuro risonho nesta peculiar disciplina.


Entre 07 e 14 de Julho, teve lugar em Vuokatti, na Finlândia, a 10ª edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2013. Disputado em paralelo com o Campeonato de Mundo de Orientação Pedestre, o evento de Precisão contou com a presença de 92 atletas distribuídos pelas Classses Aberta e Paralímpica, representando no seu conjunto 19 países. Depois da estreia em 2012, nos Mundiais de Dundee (Escócia, Reino Unido), Portugal repetiu a presença no maior certame de Orientação de Precisão Mundial, fazendo alinhar dois atletas na Classe Aberta – Alexandre Reis e Joaquim Margarido – e outros dois na Classe Paralímpica – Diana Coelho e Ricardo Pinto.

As provas tiveram lugar em terrenos de floresta, com um recorte de relevo muito variado, excelente visibilidade e profundidade de campo, apelando a uma leitura aturada das curvas de nível e a uma visão de conjunto o mais abrangente possível. Com os troços de sentido único a implicar uma avaliação antecipada dos problemas, as “ratoeiras” a espreitar a cada curva do caminho e o mais ínfimo dos pormenores a adquirir uma importância inusitada no momento da decisão, a competição revelou-se duma exigência ímpar, apelando às qualidades técnicas dos participantes, ao seu sentido de oportunidade e à sua capacidade máxima de concentração.


Portugueses, um a um

Foi sob estas premissas que os nossos atletas evoluíram ao longo de dois dias de competição para um total de 45 pontos no terreno, dos quais seis cronometrados. “Bisando” a sua presença em Campeonatos do Mundo, Joaquim Margarido e Ricardo Pinto estiveram percentualmente uns furos acima daquilo que haviam conseguido há um ano, na Escócia, com o primeiro a alcançar um total de 24 pontos (doze em cada um dos dias de competição), o que lhe valeu o 51º lugar final na Classe Aberta. Ricardo Pinto concluiu a sua participação na Classe Paralímpica no 31º lugar com um total de 20 pontos. A incapacidade em gerir adequadamente o tempo de prova acabou por se revelar fatal para Joaquim Margarido. O atleta registou em ambos os dias um excelente início de prova, mas que se foi diluíndo com o rápido escoar do tempo, para terminar de forma algo desoladora, sobretudo no segundo dia. Já Ricardo Pinto corrigiu da melhor forma uma entrada menos positiva nos Campeonatos, alcançando uma motivadora prestação no derradeiro dia.

Estreantes nestas andanças, Alexandre Reis e Diana Coelho acabaram por superar as expectativas. Tal como Ricardo Pinto, também Diana Coelho demonstrou uma extraordinária evolução do primeiro para o segundo dia, o que lhe permitiu pular uns furos na tabela até se estabelecer no 32º lugar na Classe Paralímpica, com um total de 16 pontos. Quanto a Alexandre Reis, acabou por ser um caso à parte no contexto da participação portuguesa, visto ser ele o responsável pela Cartografia e Traçado de Percursos do próximo Campeonato da Europa de Orientação de Precisão, que decorrerá em Palmela, em Abril do próximo ano. Assim, foi na dupla qualidade de atleta e observador que esteve em Vuokatti, demonstrando desde logo um “músculo” técnico fortemente apurado e um talento inato para a Orientação de Precisão. Os 18 pontos no final do primeiro dia falam por si, sobretudo tendo em conta que foram alcançados num tempo impressionante, pouco superior a uma hora. O atleta voltaria a ter idêntica prestação no decisivo dia, concluindo no 34º lugar com um total de 34 pontos. Portugal teve ainda a oportunidade de marcar presença na competição por equipas, concluindo na 14ª posição com um total de 42 pontos e deixando atrás de si apenas a Hungria com 39 pontos.


TempO do nosso descontentamento

O último dia de competição foi votado à variante “cronometrada” designada por TempO, uma espécie de “sprint da Orientação de Precisão” e que viu em Vuokatti serem consagrados os seus primeiros Campeões do Mundo. Com a competição restringida a três elementos por país e com Alexandre Reis a fazer a prova “por fora”, foi sob Joaquim Margarido e Ricardo Pinto que recaiu a responsabilidade de representar Portugal nesta particular competição. Os atletas portugueses não conseguiram ultrapassar a série qualificatória, quedando-se pelos 48º e 52º lugares, respetivamente. Num modelo competitivo idêntico ao do Troféu Mundial de 2012 (oito estações com três problemas cada), Ricardo Pinto concluiu com um score de 763,5 segundos (8 respostas acertadas). Apesar de ter acertado mais dois problemas que o seu companheiro de equipa, Joaquim Margarido não conseguiu fazer melhor que uns modestíssimos 898,5 segundos, visto ter sido demasiado lento na tomada de decisões.

No cômputo geral dos Campeonatos, Finlândia, Suécia e República Checa repartiram entre si o ouro. A Finlândia acabou por levar vantagem nas contas finais, com Jari Turto a vencer a competição de Precisão e Pinja Mäkinen a levar a melhor no TempO. A checa Jana Kostova foi a grande vencedora da competição na Classe Paralímpica, enquanto a Suécia (Martin Fredholm, Stig Gerdtman e Michael Johansson) arrebatou o ouro na competição por equipas. Croácia e Dinamarca chegaram igualmente às medalhas, no primeiro caso graças à prata na competição coletiva e no segundo caso mercê do bronze conquistado tanto individual (Søren Saxtorph, Classe Paralímpica), como coletivamente.

Consulte os resultados completos em http://www.woc2013.fi/woc/sp?Open&cid=content73E48B.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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