segunda-feira, 1 de julho de 2013

RICARDO PINTO: RUMO AOS MUNDIAIS DA FINLÂNDIA



A uma semana do início do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão, o Orientovar foi ao encontro do atleta paralímpico Ricardo Pinto, que representará Portugal pela segunda vez no importante evento. Fomos encontrá-lo nas margens da Lagoa da Vela onde, a convite da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense, colaborou no traçado de percursos da 6ª etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão que ali terá lugar no próximo dia 27 de Julho.


Apesar do calor intenso que se faz sentir, está-se bem junto à Lagoa da Vela, em Quiaios. Palco de alguns momentos memoráveis da história recente da Orientação portuguesa – ali teve lugar, entre outros, a decisiva etapa do Portugal O' Meeting 2010 -, o espaço prepara-se para receber a 6ª etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão e, simultaneamente, a última etapa do III Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”.

A organização da prova, a cargo da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense, pode contar, na importante fase de preparação correspondente ao traçado de percursos, com a colaboração do atleta paralímpico Ricardo Pinto, dos quadros do DAHP – Núcleo de Desporto Adaptado do Hospital da Prelada. Uma primeira experiência do atleta nestas lides e que é avaliada de forma muito positiva, conforme o Orientovar teve oportunidade de registar. Para o atleta, o mapa da prova é “muito bom e os participantes podem esperar uma prova fantástica e com uma belíssima paisagem de fundo”. Referindo que “o terreno é muito bom, aliás diria mesmo excelente em todos os aspetos, no que toca à progressão para pessoas com mobilidade reduzida”, Pinto acrescenta que “os participantes poderão esperar também um tipo de prova que vai exigir o máximo das suas capacidades em todos os aspectos.”


Um treino de excelência

Mas a presença de Ricardo Pinto na Lagoa da Vela teve, igualmente, um objetivo muito particular. Os Campeonatos do Mundo aproximam-se a passos largos e o atleta não esconde a importância desta atividade, enquadrando-a numa forma muito específica de treino: “Sem dúvida alguma que traçar percursos é uma boa forma de treinar todas as nossas capacidades uma vez que temos de estar atentos a todos os pormenores e pensar em todas as vertentes do mapa. Para mim foi um treino excelente com vista à participação no Campeonato do Mundo WTOC 2013 que é daqui a menos de 8 dias na Finlândia.” Ricardo Pinto refere que a experiência o veio ajudar imenso a entender muito melhor alguns pormenores mais técnicos, contribuindo para o esclarecimento de algumas dúvidas relativamente ao terreno e principalmente nas curvas de níveis.” Por esse motivo, conclui: “Espero poder vir a fazer mais marcações de percursos pela razão de se aprender imenso com isso.”

Uma última palavra para a problemática da mobilidade reduzida e para a Orientação de Precisão como modalidade inclusiva por excelência, ao encontro desse direito universal do acesso à prática desportiva: “Todas as pessoas com mobilidade reduzida e as respetivas famílias deveriam abraçar esta modalidade desportiva, visto ser um factor importante de integração.” Salientando que a Orientação de Precisão é para todos - “certamente todos os orientistas têm um amigo, conhecido e até mesmo pessoas na família com mobilidade reduzida” -, Ricardo Pinto lança um apelo a “que se pense em trazer essas pessoas a estas provas. Só assim a modalidade pode tornar-se mais competitiva e crescer.” Tomando por modelo a sua experiência pessoal e a forma como a Orientação de Precisão mudou a sua vida, o atleta sublinha que “esta é uma modalidade que ajuda em todos os aspectos, fisicos, mentais, psicológicos e acima de tudo o nosso próprio bem estar. Só o facto de sairmos de casa e estarmos em contacto com a natureza já é muito gratificante.” E conclui: “Se juntarmos a isso o facto de estarmos a fazer desporto, então é a cereja em cima do bolo.”


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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