domingo, 16 de junho de 2013

JÄMSÄ-JUKOLA 2013: KALEVAN RASTI E OK PAN ÅRHUS LEVAM A MELHOR



Kalevan Rasti e OK Pan Århus são os grandes triunfadores das Estafetas Jukola e Venla que tiveram lugar este fim de semana em Jämsä, na Finlândia. Triunfos ancorados em sólidas prestações de todos os membros das respetivas equipas, com um destaque especial para o francês Thierry Gueorgiou e para a dinamarquesa Emma Klingenberg, os responsáveis pelos derradeiros e decisivos percursos.


Uma semana após Turku receber as duas mais recentes etapas da Taça do Mundo e a menos de um mês dos Campeonatos do Mundo de Vuokatti, a Finlândia voltou a abrir as suas portas à Orientação ao mais alto nível naquela que é a festa das Estafetas por excelência a nível mundial. Em Jämsä, 225 km a norte da capital finlandesa, Helsinquia, foram mais de 16.000 os orientistas a marcar presença nesta grande celebração, agrupando um total de 1632 equipas masculinas e 1236 femininas.

A estafeta masculina, designada por Jukola, teve o seu início a faltarem 31 minutos para o pôr-do-sol, ou seja, às 23h00 (21h00 em Portugal). O suiço Andreas Kyburz garantiu para o Tullinge SK a primeira posição no final do primeiro percurso com o tempo de 1:09:50, numa altura em que todas as grandes candidatas à vitória se encontravam nos lugares cimeiros. Uma referência especial para Jere Pajunen, substituindo o búlgaro Kiril Nikolov no primeiro percurso da turma finlandesa do Kalevan Rasti e entregando o testemunho num excelente 4º lugar e ainda para a prestação do espanhol Antonio Martinez Perez (Eksjö SOK), a entregar o testemunho no 44º lugar, a 3:35 do líder. O segundo percurso via o finlandês Simo-Pekka Fincke levar o Kalevan Rasti à liderança, com uma vantagem de escassos seis segundos sobre os noruegueses do Kristiansand OK 2 e já com os terceiros classificados, os suecos do OK Linné, a 1:11 de distância. Esta prestação viria a revelar-se decisiva e, daqui em diante – como alíás veremos - os finlandeses não mais largariam o comando das operações.


Thierry Gueorgiou, seis anos depois

Philippe Adamski garantiu um excelente terceiro percurso, mantendo o Kalevan Rasti na liderança, agora já com 1:02 de diferença sobre o segundo classificado, o OK Linné (de Albin Ridefelt) e 1:13 do MS Parma (de Stepan Kodeda). Com mais 1:22, o Kristiansand OK era agora 6º classificado, enquanto o Halden SK seguia no 18º lugar, já a distantes 6:33 da frente da corrida. Hannu Airila conseguiu manter a liderança do Kalevan Rasti no final do 4º percurso, embora visse Rassmus Andersson e o OK Linné aproximarem-se novamente, estando agora à curta distância de 9 segundos. Graças a um excelente quinto percurso, Jan Prochazka voltou a dar alguma tranquilidade à turma do Kalevan Rasti que liderava nesta altura com uma vantagem de 1:03 sobre os finlandeses do Vaajakosken Terä (de Tue Lassen). Com Martin Hubbman, o Kristiansand OK era agora o 5º classificado com mais 1:43, enquanto a turma do Halden SK, com Mats Haldin neste percurso, continuava a ganhar lugares e era já a 8ª classificada a 3:34 da liderança.

Com Fabian Hertner a correr o sexto percurso, a “dinâmica de vitória” acentuou-se ainda mais. Guardião do testemunho do Kalevan Rasti no decisivo percurso da edição 2012 da Jukola, o suiço esteve absolutamente brilhante, conseguindo o segundo melhor tempo entre todos neste percurso (melhor mesmo só Peter Öberg, da turma sueca do OK Hällen) e oferecendo o testemunho a Thierry Gueorgiou com uma vantagem para gerir de 1:47 sobre os suecos do Södertälje Nykvarn Orienter, de 2:11 sobre os finlandeses do Vaajakosken Terä, de 2:16 sobre os noruegueses do Kristiansand OK e de 4:02 sobre os também noruegueses do Halden SK. Sem correr riscos desnecessários e com uma prova praticamente limpa, Thierry Gueorgiou foi uma vez mais um obstáculo intransponível para os seus adversários, ampliando ainda mais a vantagem que trazia à partida e que, no final, se viria a cifrar em 2:23 sobre o Kristiansand OK, com Daniel Hubmann no derradeiro percurso, e em 5:42 sobre os finlandeses do Hildenkiertäjät, com o russo Valentin Novikov no esforço final. Sem o seu “chefe-de-fila” natural, Olav Lundanes, o Halden SK foi “apenas” quarto classificado, enquanto a quinta posição coube, de forma surpreendente, aos noruegueses do IL Tryving. Seis anos depois, Thierry Gueorgiou volta assim a viver esses momentos de enorme prazer que rodeiam o último percurso vitorioso na grande Estafeta, naquele que é o quinto triunfo do Kalevan Rasti nas últimas dez edições da Jukola.


Vitória histórica

Atenções centradas agora na prova feminina, designada por Venla e cuja partida foi dada umas horas mais cedo, quando os ponteiros marcavam as 14h00. Minna Kauppi, em representação do seu clube de sempre, o Asikkalan Raikas, foi a primeira a entregar o testemunho, com uma vantagem de 1:45 sobre as finlandesas do Lynx e de 1:51 sobre as suecas do Stora Tuna OK. Com Ida Bobach, as dinamarquesas do OK Pan Århus seguiam no quinto lugar a 1:56 da liderança, as suecas do OK Linné (com Catherine Taylor) eram sextas classificadas com mais 2:00 e a vencedora em 2012, a turma do Halden SK seguia na 11ª posição a 3:32 de distância do comando da prova. O segundo percurso viria a determinar alterações significativas no comando da prova, com Olga Glebova, Dana Brozkova e Eva Jurenikova a terem prestações de grande nível e a darem aos respetivos clubes – Northern Wind, Domnarvets GoIF e Halden SK – os três primeiros lugares, separados entre si pela escassa diferença de cinco segundos.

Entrando na fase mais importante da prova, o Halden SK jogou a sua grande cartada, lançando Anne Margrethe Hausken Nordberg para o terceiro percurso. A estrela da turma norueguesa não se faz rogada, conseguindo mesmo o melhor tempo neste percurso e colocando a sua equipa na liderança. “Bisar” é o objetivo do Halden SK, mas Mari Fasting sabe que terá tudo menos a vida facilitada. Atrás dela, a 58 segundos apenas, Emma Klingenberg está num excelente momento de forma e nada seria mais fantástico do que oferecer à Dinamarca a sua primeira vitória na Venla em trinta e seis edições dominadas integralmente por equipas norueguesas, finlandesas e suecas. E tanto assim é... que assim foi! Emma Klingenberg nem fez o melhor tempo no decisivo percurso (Tove Alexandersson, Simone Niggli, Annika Billstam ou Natalia Vinogradova estiveram bem melhor que a jovem dinamarquesa), mas conseguiu o mais importante: recuperar o atraso para a sua adversária direta e manter a vantagem até ao final dos 8,7 km do derradeiro percurso. À chegada, vitória histórica das dinamarquesas do OK Pan Århus, com uma vantagem de 31 segundos sobre o Halden SK e de 1:39 sobre o OK Linné. Uma última nota para o facto de, pela primeira vez na história da estafeta feminina, uma atleta espanhola ter subido ao pódio. Trata-se de Alicia Cobo, representando o SK Pohjantäthi e que terminou na 20ª posição (sobem ao pódio as 20 primeiras equipas).


Os portugueses na festa

Aproveitando a fase de preparação para os Mundiais de Vuokatti, os cinco elementos da comitiva portuguesa fizeram questão de marcar presença nesta enorme festa, aproveitando a oportunidade para apurar a forma física, adquirir mais alguma experiência competitiva e voltar a sentir a intensidade dos grandes momentos.

Do conjunto de resultados dos nossos atletas, ressalta a fantástica prestação de Tiago Aires que, ao serviço dos suecos do IFK Umeå, garantiu o 40º melhor tempo global no conjunto dos atletas que cumpriram o 6º e penúltimo percurso. Tiago Aires recebeu o testemunho das mãos de Joel Sjölander na 50ª posição, ganhando seis lugares para a sua equipa. Diogo Miguel marcou presença em representação dos suecos do Köping-Kolsva OK e também ele fez uma grande prova, terminando o primeiro percurso no 95º lugar com o tempo de 1:14:28. João Mega Figueiredo esteve em representação dos finlandeses do Rapalan Kunto e teve uma prestação em bom plano no primeiro percurso, no qual registou o tempo de 1:20:19 a que correspondeu a 138ª posição. Correndo o primeiro percurso da turma finlandesa do Turun Metsänkävijät, Miguel Silva teve uma prestação ligeiramente abaixo da do seu colega, passando o testemunho na 219ª posição com o tempo de 1:22:53. Não querendo ficar de fora da festa, também o selecionador nacional, Bruno Nazário, marcou presença em representação da turma finlandesa do Kehityssuunta, cumprindo o primeiro percurso no tempo de 1:40:10, a que correspondeu o 748º lugar.



Tudo para conferir em http://www.jukola.com/2013/en/.

[Foto: Jan Kocbach / worldofo.com]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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