quarta-feira, 26 de junho de 2013

EU E A MINHA ESCOLA: GABRIELLA GUSTAFSSON (EKSJÖ GYMNASIUM)



Ao vencer a prova de Distância Longa (escalão W1 Escola), Gabriella Gustafsson tornou-se numa das grandes figuras dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Desporto Escolar ISF 2013, que decorreram no Algarve, em Abril passado. A atleta veio da Suécia e aceitou o convite do Orientovar para se apresentar enquanto estudante e orientista.


Quem é Gabriella Gustafsson?

Gabriella Gustafsson (G. G.) - O meu nome é Gabriella Gustafsson e faço 16 anos este Verão. Nasci no dia 3 de Julho de 1997 numa grande cidade chamada Husqvarna (alguns de vós associarão o nome da cidade a uma marca bem conhecida). Vivi em Husqvarna toda a minha vida, mas no ano passado mudei-me para Eksjö. Para além dos meus pais, tenmho também um irmão mais novo. O meu passatempo favorito é, claro, a Orientação, mas gosto também de estar com os meus amigos e de praticar muitos outros desportos, nomeadamente o esqui no Inverno. A minha comida preferida é “tacos” e não consigo eleger um filme ou uma música de que goste particularmente.


Gostarias de nos apresentar a tua Escola?

G. G. - O nome da minha escola é Eksjö Gymnasium e está situada numa pequena cidade chamada Eksjö. A escola é igualmente bastante pequena, com cerca de 600 estudantes, 50 dos quais integram o grupo de Orientação. A Orientação é o único desporto que se pratica na minha escola e, por esse motivo, os outros estudantes conhecem-nos bem.


Como conheceste a Orientação?

G. G. - Faço Orientação desde criança. É impossível lembrar-me da primeira vez que fiz Orientação porque tinha apenas duas semanas de vida quando os meus pais me levaram a uma prova. Comecei a treinar aos seis anos num clube chamado IK Hakarpspojkarna e aquilo de que me lembro é o treinador ter uma t-shirt com um mapa estampado.


Que importância tem a tua relação com a escola no desenvolvimento como atleta?

G. G. - A escola ajuda-me imenso a tornar-me numa boa orientista. Somos 50 orientistas divididos por três escalões. Treinamos em horário escolar e podemos contar com um enorme apoio por parte da escola e dos nossos professores. Por exemplo, se precisamos de consultar um médico, ter um treinador que nos ajuda no treino, que nos adequa a alimentação e muito mais.

Quando é que decidiste levar a Orientação a sério?

G. G. - Sempre achei a Orientação muito divertida. Quando decidi deixar o Futebol, aos 12 anos, passei a ter mais tempo para me dedicar à modalidade. Mas sei desde pequena que quero vir a ser uma boa orientista.

Que oportunidades é que a Orientação já te trouxe até hoje?

G. G. - Na realidade, não sei o que seria a minha vida sem a Orientação. Nunca teria conhecido aqueles que são os meus melhores amigos e nunca teria tido a oportunidade de visitar lugares tão bonitos.

Atentando na tua carreira, salta à vista essa medalha de ouro na prova de Distância Longa dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Desporto Escolar ISF 2013, no Algarve. Estavas à espera deste título?

G. G. - Sinceramente não. Na verdade, a temporada até ir para o Algarve não tinha corrido nada por aí além. Eu estava em má forma e tinha falhado uma série de treinos e de provas. Mas acreditava que tinha algumas hipóteses de vencer porque sabia que, no mínimo, tinha tanto valor como as minhas companheiras de equipa. É verdade que não conhecíamos o valor das nossas adversárias e, daí, não termos criado grandes expectativas. Mas conhecíamos o nosso valor.

Falando de Portugal, gostaria de saber a tua opinião acerca da competição e do quão importante pode ser um evento destes na vida dum jovem orientista.

G. G. - A competição foi excelente. Os terrenos eram muito bonitos e tudo estava preparado ao pormenor. Penso que este género de eventos podem ser muito importantes para mim e para todos os jovens orientistas que neles participam. É necessário contactarmos com outros atletas e aprendermos a correr noutros terrenos, é isto que faz com que possamos evoluir e tornarmo-nos melhores orientistas.

E quanto ao futuro, o que esperas vir a ser?

G. G. - O meu sonho é ganhar os Campeonatos do Mundo. Sei que ainda falta muito tempo para chegar lá mas estou disposta a lutar por isso. Também tenho esse sonho de poder vir a fazer da Orientação a minha vida. Hoje sei que isso não é possível mas espero que um dia possa vir a ser.

Gostarias de deixar uma mensagem a todos aqueles que sempre quiseram saber algo sobre a Orientação mas têm medo de perguntar?

G. G. - A Orientação é o melhor desporto do Mundo. Talvez não o seja para toda a gente, mas é um desporto amigo da atividade física, que faz bem à saúde e nos oferece a possibilidade de conhecer lugares que, de outra forma, nunca conheceríamos.



Gabriella Gustafsson em resumo

Eu...
  • A Orientação é... muito divertida
  • Para praticá-la, apenas é necessário... um mapa
  • A grande dificuldade é... correr depressa e, ao mesmo tempo, encontrar as balizas
  • Essencial na minha mochila é... uma banana
  • Um extraordinário momento de alegria foi... a semana no Algarve
  • Sou uma grande admiradora de... Lilian Forsgren
  • O meu principal objetivo no futuro é... ser Campeã do Mundo

... E a minha escola
  • Vejo os meus professores como... velhos
  • Os meus colegas dizem que sou... ambiciosa
  • Combinar os estudos com o desporto é... por vezes bastante difícil
  • Vejo este mundo... como uma rapariga feliz
  • O maior problema social... é o racismo
  • A qualidade que mais admiro é... o cuidar
  • Na ilha deserta não dispensava... uma garrafa de água


[Foto gentilmente cedida por Gabriella Gustafsson]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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