terça-feira, 25 de junho de 2013

CECILIA THOMASSON: "OS BONS RESULTADOS SÃO UMA CONSEQUÊNCIA DE FAZERMOS AQUILO QUE GOSTAMOS"



Cecilia Thomasson é um dos nomes que ficará para a história dos recentes Campeonatos da Europa de Orientação em BTT, que tiveram lugar na Polónia. Ao título europeu de Distância Longa, a atleta juntou a medalha de prata na Distância Média, conquistando duma assentada os primeiros títulos da Suécia em grandes competições internacionais de Orientação em BTT.


Como é que conheceu a Orientação em BTT?

Cecilia Thomasson (C. T.) - A primeira vez que fiz Orientação em BTT foi em Mora, no Verão de 2010, num evento composto por duas provas. Desde os meus tempos de atleta de Elite de Orientação Pedestre que a ideia de fazer Orientação em BTT soava interessante pela mistura. No primeiro dia, a Tove Alexandersson ganhou-me por um minuto, no segundo dia ganhei-lhe eu por um minuto. Fiquei passada! Mas as competições tinham chegado ao fim nesse ano e tive de esperar pelo ano seguinte para voltar à Orientação em BTT, na ronda da Taça do Mundo que a Suécia organizou em Rättvik, naquela que foi a minha segunda competição! Mas sabia alguma coisa acerca da Orientação em BTT já muito antes quando tabalhei com a Ingrid Stengård num albergue de montanha no norte da Suécia, em 2003. Ela falava-me da Orientação em BTT e de como era uma disciplina com bastante impacto na Europa, mas nessa altura eu estava noutra.


O que vê nesta disciplina que a torna tão atrativa?

C. T. - É o desafio de combinar a velocidade com a leitura do mapa. Adoro andar de bicicleta e a velocidade que se atinge. A mistura é, para mim, um desafio perfeito.


Após uma série de bons resultados na temporada passada, pudemos vê-la em grande forma nestes Europeus e, depois da medalha de prata na prova de Distância Média, conseguiu chegar ao ouro na Distância Longa, a prova rainha dos Campeonatos. Como é que se sente?

C. T. - Estou muito muito feliz. Na verdade não consigo crer que fui a primeira e é um sentimento indescritível que quero voltar a sentir.


Quer falar-me um pouco dessa corrida dourada?

C. T. - A sensação que eu tinha antes da prova era a de que “hoje tudo é possível, agarra a oportunidade se ela surgir ao teu alcance!” Mas era uma prova morna e bastante simples e tive de me focar então em manter um bom ritmo e não falhar em termos de navegação, já que não estava bem certa daquilo que as minhas pernas seriam capazes. No final do primeiro loop fiz uma má opção e pensei que, no próximo loop, a minha navegação nessa zona teria de ser perfeita se quisesse manter as aspirações a um bom lugar. No último loop a Camilla Sögaard apanhou-me e eu tentei ir na roda dela, mas foi impossível segui-la porque ela estava muito forte. Mas tinha antecipado os últimos pontos e sabia exatamente o caminho a seguir. Quando a Camilla cometeu um erro eu ultrapassei-a, tentei dar o meu máximo e a coisa resultou! Agarrei a oportunidade e estou muito satisfeita por ter conseguido vencer. Devo dizer que a Distância Longa não é a minha distância favorita; talvez seja a distância na qual sou melhor, mas é apenas pela maior facilidade na orientação e porque sou fisicamente mais forte. Mas gosto mais da Distância Média devido à mistura de pernadas longas e curtas e à necessidade de manter uma elevada concentração durante toda a prova.


Que importância pode ter esta medalha de ouro (e de prata) para a Orientação em BTT na Suécia?

C. T. - Espero que seja uma fonte de inspiração para algumas pessoas e que as leve a experimentar. Na Suécia temos uma relação muito estreita com a Orientação Pedestre e, em certa medida, devo confessar que gosto mais da parte de navegação da Pedestre do que da BTT. Quando as pessoas experimentam a Orientação em BTT ficam geralmente desapontadas porque a navegação é muito simples e as aptidões para a bicicleta não são as melhores. Mas se perceberem que se trata doutro tipo de navegação e não estabelecerem comparações com a Orientação Pedestre, penso que poderão apreciar bastante mais esta disciplina.


E quanto ao futuro? Quais os principais objetivos para o que resta da temporada?

C. T. - Tentarei sobretudo divertir-me ao máximo naquilo que falta para o final da época. Adoro andar de bicicleta e adoro competir e enquanto sentir esta paixão continuarei a manter este estilo de vida.


Quer partilhar connosco o seu maior sonho?

C. T. - Não é um sonho tão grande assim, na verdade. Gostaria no futuro de ser uma boa médica e de fazer a diferença em relação àqueles que poderei ajudar. No desporto quero divertir-me e fazer Orientação em BTT é um modo de vida bastante saudável. Quero igualmente conhecer novas pessoas e viajar. Penso que os bons resultados são uma consequência de fazermos aquilo que gostamos.

[Foto gentilmente cedida por Cecilia Thomasson]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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