sábado, 15 de junho de 2013

CAMPEONATO DA EUROPA DE ORIENTAÇÃO EM BTT 2013: RUMO À POLÓNIA



Dois anos volvidos sobre a “batalha de Leninegrado”, os Campeonatos da Europa de Orientação em BTT estão de regresso. Para Zamosc, na Polónia, parte hoje a nossa seleção, levando na bagagem o desejo duma boa participação e fundadas expectativas num belo conjunto de resultados.


Foi em 2006 que tiveram lugar na Polónia os I Campeonatos da Europa de Orientação em BTT. Depois disso, o evento visitou a Itália, Lituânia, Dinamarca e Rússia, regressando este ano novamente ao local que o viu nascer. É em Zamosc que, a partir da próxima segunda-feira e ao longo de toda a semana, 111 atletas de 20 países se irão bater pelos títulos europeus de Sprint, Distância Média, Distância Longa, Estafetas e, pela primeira vez na história dos Campeonatos, também de Estafeta Mista na variante Sprint.

Dos últimos Europeus, escutam-se ainda os ecos da extraordinária campanha do dinamarquês Erik Skovgaard Knudsen e das suas três medalhas de ouro individuais, após as quais se desligou da disciplina ao mais alto nível, “eclipsando-se” em absoluto. Mas a história desses Europeus faz-se também de nomes como os dos checos Jiri Hradil, Frantisek Bogar e Marek Pospisek, ou dos finlandeses Jussi Laurila e Samuli Saarela, todos eles regressados aos respetivos países com medalhas conquistadas em Leninegrado. Pois bem, todos estes atletas voltam a marcar presença nos Europeus da Polónia, tendo por companhia outros nomes bem conhecidos da alta roda da Orientação em BTT mundial, casos do atual líder do ranking mundial, o russo Ruslan Gritsan, do seu compatriota Anton Foliforov, do finlandês Pekka Niemi, do estoniano Tõnis Erm e do português Davide Machado.


Alta qualidade

Quanto às senhoras, Marika Hara estará em Zamosc a defender os seus títulos europeus de Sprint e de Distância Longa, lado a lado com a sua compatriota Ingrid Stengard, Campeã Europeia de Distância Média em título. Stengard que ocupa atualmente o terceiro lugar do ranking mundial, o que faz dela a grande cabeça de cartaz destes Europeus ao lado da austríaca Michaela Gigon, a segunda classificada do ranking. A grande ausente será a atual líder do ranking mundial, a suiça Christine Schaffner-Raber, o que não chega para beliscar a altíssima qualidade competitiva que estes Campeonatos da Europa encerram, com 42 dos 50 melhores do mundo (23 atletas do top25 masculino e 19 do feminino) presentes em Zamosc.

Entre os portugueses, as esperanças num bom conjunto de resultados são fundadas e legítimas. Não apenas porque Davide Machado é atualmente o 10º classificado do ranking mundial, mas porque tem a seu lado uma mescla de juventude e de veterania, personificados em João Ferreira e Carlos Simões, fazendo um trio que tão boa conta deu de si nos últimos Campeonatos do Mundo, em Vészprém, na Hungria. Mas se nos centrarmos exclusivamente nos resultados alcançados em Europeus anteriores, então a história é tudo menos favorável às nossas cores. O 17º lugar de Daniel Marques na prova de Sprint dos Europeus de 2009 permanece ainda como o nosso maior feito, a par do 10º lugar alcançado pela nossa Estafeta na mesma edição dos Europeus. Daniel Marques consegue ainda as melhores classificações de sempre na Distância Média (24º lugar em 2009) e na Distância Longa (29º lugar em 2009), neste último caso de parceria com Davide Machado (29º lugar em 2011). Tal como Davide Machado, Carlos Simões está presente num Europeu pela segunda vez (tem como melhor resultado a 38ª posição na prova de Distância Média em 2011), ao passo que João Ferreira faz em Zamosc a sua estreia em Campeonatos da Europa.


Top 5 na Distância Longa

Na hora da partida, o Orientovar foi ao encontro dos atletas, recolhendo as suas opiniões. Davide Machado não esconde que “há já algum tempo que este é um dos eventos por mim mais aguardados e o segundo mais importante de toda a época desportiva, sendo o principal o Campeonato do Mundo.” Falando do anterior Campeonato da Europa, disputado em 2011 na Rússia, Davide recorda que “nem tudo correu como esperado. Depois de um bom Campeonato do Mundo em Itália as expectativas eram grandes e sei que desiludi muita gente, daí o Campeonato da Europa me ficar marcado e este ano ser um dos maiores objetivos.”

Quanto aos objetivos pessoais, o atleta aponta desde logo a tentativa de revalidar nos Europeus o estatuto de Alta Competição de nível A, aliviando deste modo a pressão para os Mundiais: “Sei que um lugar no top10 será sempre uma excelente prestação, mas para o estatuto é necessário um top8 e lá no fundo espero conseguir um top5 na Distância Longa, a ver vamos o que se consegue.” O baixo índice de participação é alvo de análise por parte do atleta: “De facto o reduzido número de participantes é um aspecto a ter em conta, não estivéssemos nós a falar de um Campeonato da Europa; até nas Taças do Mundo do ano passado o índice de participação foi mais elevado. Um dos fatores para esta quebra, penso ser sem dúvida a atual situação financeira em toda a Europa, e dou como exemplo o caso da vizinha Espanha, que não estará presente no Campeonato da Europa e quiçá no Campeonato do Mundo, por falta de apoio financeiro e logístico da FEDO, segundo me foi transmitido por alguns atletas. No entanto, mesmo com a quebra de participantes, o forte "competitivo" estará presente, ou seja, não deixará de ser uma prova super competitiva, com a presença de todos os atletas de referência a nível europeu”.

Por último, Davide Machado refere que “a nível coletivo, penso termos uma excelente equipa para as Estafetas. Tanto o Carlos [Simões] como o João [Ferreira] têm demonstrado estar em forma e motivados para as competições. Sei que o sentimento é mutuo, por isso, falando por todos, vamos fazer o nosso melhor.”


Entrar no primeiro terço da tabela

Também João Ferreira indica este evento, “juntamente com o Campeonato do Mundo e a Taça do Mundo de Grândola”, como um dos principais objetivos da temporada. O atleta bairradino refere que “o treino foi preparado para estar em boa forma nesta altura e sinto-me bem fisicamente. Desde meio de Janeiro que preparo este evento. A preparação foi atrasada por uma rutura de ligamentos que me impediu de treinar cerca de um mês em Dezembro e por duas semanas de uma gripe forte em Março. Todas estas questões são de extrema importância quando falamos de treino de alto rendimento onde os pormenores marcam a diferença. De qualquer forma, consegui em conjunto com o meu treinador, Viriato Dias, do Centro de Treino e Avaliação Desportiva, ajustar o treino e preparar o Campeonato da Europa para que tudo corra pelo melhor.”

Falando a nível individual, João Ferreira confessa que “o primeiro objetivo para este evento é entrar no primeiro terço da tabela mas tenho a ambição e o desejo de entrar no top15 numa das provas. Tanto um como o outro são objetivos difíceis de alcançar mas vou dar o meu melhor. Apesar de não haver muitos inscritos, o nível competitivo é elevadíssimo pois os melhores vão sempre e a cada ano que passa vemos cada vez mais atletas a terem rendimentos muito fortes.” E conclui com uma certeza: “Irei dar o meu melhor para representar e dignificar a selecção nacional de Orientação em BTT e a Federação Portuguesa de Orientação da melhor forma possível.”


Bom momento de forma

Finalmente, Carlos Simões deixa-nos também algumas considerações antes do início dos Campeonatos: “Quando iniciei os treinos para a presente época não tinha traçado como um dos objectivos a participação nestes Europeus, estando focado apenas nos nacionais e no Mundial de Elites e Veteranos. Todavia, a notícia da ascensão ao estatuto de Alto Rendimento obrigou-me a repensar um pouco a época e incluir também os Europeus mas sempre sem grandes expectativas em relação aos resultados.”

Posto isto, o atleta admite, de forma realista, que “o objectivo é tentar entrar no primeiro terço da tabela numa das provas, embora sabendo que não vai ser uma tarefa fácil porque apesar destes Europeus terem um índice de participação baixo os melhores atletas irão estar presentes, e não tenho duvida que as melhores selecções estarão na sua máxima força em busca dos títulos em disputa.” Para Carlos Simões, “o facto desta prova ser nesta altura do ano pode ser um ponto a nosso favor visto começarmos a época mais cedo que os principais países devido ao clima.” Apesar de considerar estar “num bom momento de forma”, o atleta recorda que “no passado já assim o estava e acabei por cometer alguns erros aliados a um pouco de falta de sorte. Desta feita não coloquei muita alto a fasquia e vou acima de tudo tentar navegar de uma forma segura e sem grandes pressas.”

Acompanhe os Europeus em http://www.emtboc2013.pl/ ou aqui, no seu Orientovar.

[Foto gentilmente cedida por Daniel Marques]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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