domingo, 2 de junho de 2013

ATLETA DO MÊS: MINNA KAUPPI A CAMINHO DE VUOKATTI



A nossa atleta de Junho é a grande favorita para os próximos Campeonatos do Mundo de Orientação. Toda a Finlândia e muitos outros países irão estar atentos aos seus passos nos terrenos de Vuokatti, no próximo mês de Julho. Mas qual é a história por detrás de Minna Kauppi? Quem é, o que faz e como treina? Saiba isso e muito mais no Atleta do Mês!


Nome: Minna Kauppi
País: Finlândia
Disciplina: Orientação Pedestre
Momentos principais na carreira: Nove vezes Campeã do Mundo (Distância Média 2008, 2010, 2012, Distância Longa 2007, Estafeta 2006, 2007, 2008, 2010, 2011), dois títulos Europeus (Distância Média 2006, Estafeta 2006), duas vezes Campeã Mundial Júnior (Distância Média 2001, 2002).
Posição no ranking Mundial da IOF: 2º lugar


É quase um lugar comum dizer-se que esta ou aquela individualidade dispensa apresentações, já que os factos e os feitos falam por si. É o caso de Minna Kauppi, atleta finlandesa que ocupa a segunda posição do ranking mundial da IOF e cujas nove medalhas de ouro em Campeonatos do Mundo são reveladores da sua enorme valia. Ainda assim, pedimos-lhe que se apresentasse e se desse a conhecer um pouco mais. Afinal, quem é Minna Kauppi?

Chamo-me Minna, na verdade Minna-Mari, mas o nome é demasiado longo para a minha personalidade;)” Resposta dada, gelo quebrado, uma agradável conversa acaba de nascer. Mas antes de abordarmos o tema principal, a Orientação, Minna fala um pouco de si, da sua viad e dos seus gostos: “Nasci em Asikkala, no dia 25 de novembro de 1982 e tenho um irmão e uma irmã mais velhos e o pai. Nos últimos anos tenho feito a maior parte da minha vida em Jyväskylä. Gosto de fazer todo o tipo de coisas. Gosto de fazer boa comida, sair para um concerto ou fazer algo com as mãos. Se surge algo engraçado, gosto de participar. E gosto também de diferentes géneros de música, da clássica ao rock, o mesmo acontecendo com os filmes. Bem, talvez prefira os dramas e as comédias. E finais felizes!”


Um par de grandes memórias

Minna Kauppi começou a fazer Orientação aos oito anos de idade, quando entrou para a escola de Orientação com os irmãos. Também fez Esqui e Atletismo, mas aos dezasseis anos percebeu que aquilo que queria mesmo era ser orientista. “Então decidi apontar para um lugar na seleção finlandesa para o JWOC do Verão seguinte”, diz.

Com os Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre em 2001 e 2002 surgiram as primeiras grandes conquistas e punha-se em marcha uma carreira impressionante. Uma carreira da qual a atleta guarda um punhado de grandes memórias: “A vitória na Estafeta Venla foi realmente algo de muito especial, uma vez que eramos um pequeno-grande grupo com este sonho em comum. Por outro lado, talvez elegesse também o título mundial de Distância Média na República Checa como outra das minhas memórias mais marcantes. Foi uma bela prova num terreno muito difícil.”


O desporto é realmente importante mas nunca foi o único foco das minhas atenções e gostos”

Quisemos saber o que pensa do prémio conquistado em 2011 e que lhe deu o título de “Atleta do Ano” na Finlândia. Minna mostra-se bastante pragmática acerca disso: “Bem, como todos sabemos, conquistar o título de “Atleta do Ano” é magnífico embora este prémio parta dum conceito algo errado visto ser impossível comparar um desporto com outro. Fundamentalmente, este prémio foi muito importante para a nossa modalidade e, claro, as minhas hipóteses de conseguir bons contratos aumentaram. Penso que o prémio teve igualmente um efeito importante sobre as pessoas pela forma como deu a conhecer a Orientação. Foram muitas as pessoas adultas que começaram a fazer Orientação nos anos mais recentes. Contudo, há um sentimento algo estranho em receber uma grande distinção deste género apenas por fazermos aquilo que gostamos.”

Um dia vêmo-la, rápida e poderosa, no treino ou em plena prova e no dia seguinte somos surpreendidos pela sua elegância e beleza num vestido de noite ou num desfile de moda. “Como vê o mundo para lá da Orientação?”, queremos saber. “Para mim, o mundo para lá da Orientação sempre foi importante. Gosto igualmente de mostrar as minhas capacidades noutros setores da vida. Também temos de pensar no nosso futuro após o fim da carreira como orientistas e penso que é bom ter habilitações e alguma experiência e contactos noutros áreas. No meu caso, o desporto é realmente importante mas nunca foi o único foco das minhas atenções e gostos.”

Hoje, no “país dos mil lagos”, as pessoas conhecem-na bem e Minna sabe que é uma atleta reconhecida e que há um verdadeiro interesse por tudo aquilo que faz . Mas as atenções sobre si têm um reverso da medalha: “Por vezes também sinto que não sou capaz de fazer aquilo que qualquer pessoa normal faz, porque sou seguida muito de perto, embora tenha sempre em mente a ideia de ser uma pessoa normal e de mostrar que os atletas também são seres humanos e não apenas máquinas.” E Minna aponta o caminho: “Gosto, especialmente, de servir de inspiração às crianças para começarem a praticar desporto e a desafiarem-se a elas próprias nesse sentido”, assegura.


A vitória na Venla já me basta”

Falando do seu clube, o Asikkalan Raikas, Minna enfatiza que se trata duma equipa “bastante pequena mas conseguimos formar um belo grupo de raparigas em torno de mim e da minha irmã. De início, eramos apenas nós e um par de amigas nossas mas com o tempo o grupo foi crescendo e outras raparigas juntaram-se a nós.” Mas os tempos mudam: “Agora, a maior parte das nossas atletas têm já as suas famílias e empregos, pelo que a Orientação funciona mais como um hobby para elas. Apesar disso, não encaro minimamente a possibilidade de vir a trocar de clube. Aquela vitória na Estafeta Venla bastou-me, embora pense que as Estafetas são sempre momentos marcantes”, diz.


Não me sinto desconfortável de todo em manter o controlo nas minhas próprias mãos”

Tempo agora para deitar uma olhadela ao treino de Minna. Uma questão: “Como é uma semana ou mês tipo de treino?” - e uma resposta: “Não tenho uma semana-tipo de treino. Basicamente treino cerca de 13-14 horas por semana no Inverno mas de momento as cargas estão abaixo disso. Normalmente, há um ou dois treinos mais duros, alguma corrida técnica e talvez uns treinos de força mas gosto igualmente de fazer corrida aeróbica.”

Minna Kauppi coloca os aspetos físico e mental ao mesmo nível, mas... “O meu cérebro, normalmente, não funciona se estou demasiado cansada e também as boas sensações são importantes. Ao nível do treino, devo dizer que aprecio mais o lado físico.”

Olhando agora para a página de Minna na web – http://minnakauppi.com/ - podemos ler que “o meu treinador sou eu, eu e eu mesma”. Mas as coisas não são assim tão lineares: “De início, o meu pai foi aquele que eu segui e mais tarde tive a ajuda preciosa de Pasi Ikonen. Sempre procurei seguir um processo normal de treino e mesmo agora há um belo punhado de pessoas que consulto regularmente, pelo que não estou propriamente sozinha. Temos uma grande quantidade de Campos de Treino com a seleção Finlandesa , havendo também a possibilidade de colher algum aconselhamento dos treinadores. Mas aprendi a treinar por mim própria, a conhecer aquilo que o meu corpo me diz e não me tenho saído mal, pelo que não me sinto desconfortável de todo em manter o controlo nas minhas próprias mãos.”


É necessário ter em conta o público”

Caminhamos para o final da nossa Entrevista mas ainda há tempo para falarmos dos campeonatos do Mundo que se avizinham, lembrando aquilo que Minna escreveu na sua página há uns tempos atrás, “quero querer”. Então, o que Minna quer para os próximos mundiais? A atleta responde: “Preferiria que as provas de Sprint se desenrolassem em locais separados e talvez em diversas alturas do ano ou em anos diferentes. Os terrenos devem ser sempre os melhores possível, mas é necessário ter em conta o público. É importante que as pessoas possam deslocar-se para as zonas de prova com facilidade, de maneira a que não fiquemos na sombra.”

Uma última questão: “Apreciará um dia a Orientação numa vertente unicamente de lazer?” Minna responde: “Claro. Talvez tenha assim a possibilidade de vir a correr em terrenos ainda mais bonitos, de organizar treinos, mas sentir-me-ía perdida se não continuasse a praticar desporto.” E um apontamento final em jeito de conselho: “Sê inteligente, sê rápido e sê feliz.”

[Foto: Suomen Suunnistusliitto. O artigo original pode ser lido em http://orienteering.org/minna-kauppi-on-the-way-to-vuokatti/. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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