sábado, 18 de maio de 2013

MAGALIE CORDEIRO MENDES: "ADORO PORTUGAL!"



Magalie Cordeiro Mendes nasceu em Noyon, França, no primeiro dia de Outubro de 1991. Filha de pai português e mãe francesa, escolheu a Educação Física como ponto fulcral dos seus estudos e, no âmbito da sua carreira académica, rumou a Portugal em Setembro do ano passado. O Orientovar conversou com ela e... matou a curiosidade! Afinal, que rapariga é esta que nos habituámos a ver, franzina e lutadora, nas nossas provas de Orientação com a camisola do COC?


Como é que a Magalie aparece nestas “andanças” da Orientação?

Magalie Mendes (M. M.) - Comecei a fazer Orientação muito cedo. A minha mãe é professora de Educação Física e ajudou a fundar um clube de Orientação em Noyon, cerca de cem quilómetros a Norte de Paris. Eu tinha na altura oito anos e sempre fiz Orientação no clube da minha cidade, o Noyon Course d'Orientation. A minha escola não tinha um grupo de Orientação e foi pelo meu clube que fui ao meu primeiro Campeonato de França de Distância Longa, em 2004, e fiquei em primeiro lugar, Fui campeã de França quase sem saber porquê, apenas porque as outras fizeram mais erros do que eu. Então pensei: “Agora vou treinar a sério para ser de novo campeã”. Porque eu gostei muito (risos)!...

E então?

M. M. - Então, posso dizer que treino mais a sério desde 2004. Fiz um pouco de Orientação ao nível do Desporto Escolar, no Liceu, durante três anos. Mas foi mais numa base de ser eu a organizar as coisas. Os professores só diziam: “OK, tu fazes e nós seguimos-te”. Não voltei a ser campeã de França de Distância Longa, mas fui vice-campeã na Média e campeã por clubes e nos Campeonatos Noturnos, por três ou quatro vezes.

E agora está em Portugal (!)...

M. M. - Eu já tinha estado em Portugal algumas vezes, mas nos Açores, de onde o meu pai é natural. Esta é a primeira vez que estou no Continente e vim “à boleia” do programa ERASMUS. Estou no primeiro ano do Mestrado de Ensino de Educação Física, em Coimbra.

E esta sua ligação ao Clube de Orientação do Centro tem a ver com a proximidade a Coimbra.

M. M. - Em certa medida, sim. Bem, eu acompanho aquilo que se passa em Portugal ao nível da Orientação. Sabia que havia um bom número de clubes e as organizações portuguesas têm um grande prestígio. Ouvi sempre falar muito bem do Portugal O' Meeting e quanto ao COC, vi muitas vezes esta camisola em provas em França ou na Eslovénia, por exemplo. Na verdade, não escolhi especificamente o COC mas enviei alguns e-mails para os clubes mais próximos de Coimbra e talvez tenha sido o COC o clube a responder mais rapidamente ou a dar-me informações mais detalhadas. E foi assim que escolhi o COC... e escolhi bem (risos).

O que representa para si o COC?

M. M. - O COC é um dos maiores clubes em Portugal e, apesar de ter muitos membros, é como se fosse uma grande família. Fui muito bem acolhida e adoro este clube. Estou aqui há seis meses apenas e é como se conhecesse todas as pessoas do clube há muito mais tempo.

Depois de ter participado num grande número de provas no final da temporada passada e já esta temporada, que impressões tem da Orientação em Portugal e, em particular, das nossas organizações?

M. M. - Em Portugal organiza-se muito bem. São organizações de alto nível, muito superiores à generalidade das organizações em França. Até uma prova local consegue ter uma organização superior a certos Campeonatos de França. Quando vou a França não me canso de dizer que é preciso vir pelo menos uma vez a Portugal para ver como é. Portugal tem uma excelente reputação em França ao nível das organizações, embora o expoente máximo, o evento de que toda a gente fala como sendo de excelência, seja mesmo o Portugal O' Meeting.

Como avalia a Elite feminina portuguesa, na qual também se insere?

M. M. - Não conheço suficientemente todas as atletas do escalão de Elite feminina para poder avaliar de forma correta. Penso que o nível é elevado e há um grande equilíbrio. Não há uma atleta que se sobrepõe de forma clara às demais. Há seis ou sete atletas que podem discutir entre si o primeiro lugar em qualquer prova. E depois há esta coisa fantástica, que na floresta somos adversárias mas a pova termina e conversamos todas, trocamos ideias, discutimos as nossas opções. Há muita amizade entre todas.

Onde é que esta Elite feminina portuguesa poderia melhorar?

M. M. - Bem, como referi, não conheço muito bem todas as atletas para poder falar por elas. Falando por mim, sei que tenho de melhorar muito a parte física. Sinto que estou bem na parte técnica mas isso não chega, nomeadamente quando se trata duma prova de Distância Longa, por exemplo. Mas este é um problema não apenas meu ou das atletas portuguesas, mas de todas as atletas dum modo geral. Em França, por exemplo, valoriza-se muito a parte técnica; pelo contrário, eu sei que na República Checa vem primeiro a parte física. Talvez os checos é que estejam certos, começar por trabalhar a parte física e só depois avançar com a técnica. Talvez assim os resultados possam ser melhores.

Que projetos para o futuro imediato?

M. M. - Agora tenho os Campeonatos de França e vou tentar treinar um pouco mais para conseguir bons resultados. Em Portugal foi o Porto City Race e penso que já não voltarei a fazer provas aqui uma vez que o meu ERASMUS termina já no próximo mês. Mas o meu clube é e será sempre o COC e tenho quase a certeza de que voltarei no próximo ano para o POM. Gostaria de voltar mais vezes, mas isso vai depender do meu tempo e se tenho ou não condições financeiras para vir mais frequentemente a Portugal.

Vamos falar de Portugal. O que acha deste País?

M. M. - Adoro Portugal e quase tenho pena de regressar a França. Também adoro a França mas aqui as pessoas são muito mais simpáticas. Cheguei aqui quase sem saber uma palavra de português, não conhecia a cidade, nem as pessoas, nem nada. Mas todos me receberam tão bem... Não sei como explicar, simplesmente adoro este País.

Apesar da crise?

M. M. - Bom, a crise é bem visível e está a tornar a vida dos portugueses muito difícil. Posso ver quase todos os dias as pessoas a manifestarem-se contra as medidas de austeridade. Mas mesmo assim os portugueses não perdem a sua alegria de viver, não se deixam abater. As coisas podem ser difícieis, mas os portugueses são como são: Simpáticos, alegres e muito atenciosos.

E a nossa comida? Há algo que valha a pena ser mencionado?

M. M. - Não sei... Eu nunca provei o leitão (risos). Toda a gente me diz que tenho de o fazer e talvez até Junho ainda consiga comer um (!). Mas algo que goste muito, hummm, é difícil... Não sei... Ahhh! Gelatina! Não há em França. Acho muito estranho comer uma coisa assim.

É bom?

M. M. - É... estranho (risos)!

Voltando-nos para França e para nomes como Thierry Gueorgiou ou Amélie Chataing, Philippe Adamski ou Céline Dodin, o que representa para si lutar por um título lado a lado com atletas de tão grande nomeada?

M. M. - É um enorme orgulho pertencer ao mesmo país e estar ali com eles, que são símbolos no mundo da Orientação. Gostaria que eles fossem símbolos do desporto dum modo geral e que mais gente em França soubesse quem eles são. Para além das suas qualidades como atletas, são as qualidades humanas, a sua simpatia, que mais sobressai. E isso é muito bonito numa modalidade como a nossa, onde nos podemos aproximar despreocupadamente dos melhores do mundo. Isto é algo impensável com um jogador de futebol da Liga Francesa, por exemplo, que não nos podemos aproximar dele, ao passo que o Thierry é dez vezes campeão do mundo e podemos ir falar com ele sem quaisquer problemas. Isto é fantástico!

Um desejo para portugueses e franceses nas grandes competições internacionais que se avizinham.

M. M. - Desejo a todos o maior sucesso. Estão a treinar muito e merecem o melhor!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Rui Antunes disse...

Obrigado Margarido pelo excelente trabalho e obrigado Magalie por me ter dado o prazer de conviver com uma pessoa excecional a todos os níveis.
Rui Antunes