sexta-feira, 31 de maio de 2013

I CAMPEONATO NACIONAL DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO: TÍTULOS PARA JOÃO PEDRO VALENTE E RICARDO PINTO



A Praia da Tocha recebeu a primeira edição dos Campeonatos Nacionais de Orientação de Precisão. Numa prova histórica a todos os títulos, João Pedro Valente e Ricardo Pinto foram os grandes vencedores.


Numa organização do Clube de Orientação de Estarreja, com os apoios do Município de Cantanhede, Federação Portuguesa de Orientação e Instituto Português do Desporto e Juventude, a Praia da Tocha foi palco dos I Campeonatos Nacionais de Orientação de Precisão. O percurso de floresta, particularmente aprazível e desafiante e com uma distância de 1.100 metros (16 pontos de controlo + dois pontos cronometrados), teve desenho de Nuno Pires e nele evoluíram um total de 45 atletas, 26 dos quais na Classe Aberta e cinco na Classe Paralímpica.

Começando pela Classe Aberta, a vitória sorriu a João Pedro Valente (CPOC), com um total de 14/18 pontos. Acabadinho de se sagrar Campeão Nacional de Distância Média de Orientação Pedestre (escalão H35), João Pedro Valente deslocou-se de Mira para a Tocha e foi chegar, ver e vencer, naquela que constituiu a sua estreia nesta disciplina. O atleta teve uma entrada excelente em prova – foi um dos sete atletas a fazer o pleno nos pontos cronometrados -, vindo a claudicar já na parte final e numa altura em que, tipicamente, o cansaço mental começa a fazer-se sentir, aliando-se ao tempo de prova que se está a esgotar. Não foi este o caso de Luís Leite (GD4C), que fez um final de prova limpo e terminou igualmente com um “score” de 14/18 pontos. Valeu no desempate o registo de tempos no ponto cronometrado, com uma resposta errada a penalizar o atual líder do ranking da Taça de Portugal de Orientação de Precisão. A terceira posição coube a Carlos Ferreira (DA Recardães), com menos um ponto que os vencedores, também ele a estrear-se de forma auspiciosa nesta disciplina.

Na Classe Paralímpica não houve propriamente uma surpresa. Ricardo Pinto (DAHP) tem vindo a apresentar-se em crescendo nas últimas provas e este percurso surgiu à medida das suas qualidades, trazendo-lhe certamente à memória a experiência marcante dos últimos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2012, nos quais o atleta marcou presença em representação da Seleção Nacional. Claudicando de forma drástica na fase intermédia da prova – ironicamente, aquela onde se encontravam os pontos mais acessíveis do ponto de vista técnico -, o atleta não conseguiu melhor que 9/18 pontos, ainda assim suficiente para se sagrar Campeão Nacional. Na segunda posição – e não sem surpresa – classificou-se António José Novais (DAHP) com 6/18 pontos, relegando para a terceira posição Júlio Guerrra (DAHP) com 5/18 pontos, este último que vinha sendo a grande sensação da temporada e que se apresentava na Tocha na qualidade de líder do ranking da Taça de Portugal.


Organização de parabéns

De regresso aos vencedores, João Pedro Valente confessou ao Orientovar que “as surpresas acontecem mas, realisticamente, não estava à espera de vencer.” O segredo do sucesso residiu, sobretudo, no “muito trabalho de casa, consultando tudo aquilo que me foi possível consultar numa semana normal de trabalho.” Avaliando a prova como “muito difícil, com muito que pensar em cada um dos pontos”, o atleta acrescenta que “aquele que me pareceu ser o ponto mais fácil foi um dos que falhei”. Quanto ao futuro na Orientação de Precisão, João Pedro Valente não se furta à responsabilidade acrescida de ser o primeiro Campeão Nacional da história desta disciplina: “Estou numa fase da minha vida na Orientação que faz com que tente aproveitar tudo o que há num evento. Adorei esta experiência e sempre que puder participarei de novo.” A terminar, uma mensagem deixada sobretudo àqueles que não conhecem esta disciplina: “É interessante e divertido, é um desafio importante e representa um valor acrescido no qual se pode aprender muito para as provas de floresta.”

Também Ricardo Pinto nos deixou algumas notas breves. Para o atleta, “a prova foi muito boa, muito apelativa, muito difícil e com desafios muito interessantes”. Os 9 pontos em 18 possíveis deixaram o atleta “satisfeito, devido à dificuldade da prova em si, mas obviamente que poderia ter feito melhor. Fazem-nos falta mais provas com este grau de dificuldade para nos prepararmos para este tipo de desafios e para conseguirmos progredir.” Falando da organização da prova e do labor do Clube de Orientação de Estarreja em levar por diante este I Campeonato Nacional de Orientação de Precisão, a avaliação do atleta não podia ser mais positiva: “A prova esteve muito bem coordenada e atribuo-lhe a nota máxima. Os pontos estavam muito bem traçados e notou-se uma grande preocupação em adequar o percurso às pessoas com mobilidade reduzida, deslocando-se em cadeira de rodas.” Uma última questão e que tem a ver com a deslocação do atleta à Finlândia onde, de 6 a 13 de Julho, marcará presença nos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão, o que acontecerá pelo segundo ano consecutivo: “Foi um excelente treino e um passo muito importante nesta fase de preparação para o Campeonato do Mundo. Sei que não nos esperam facilidades e daí voltar a referir a importância deste tipo de provas. Os meus parabéns à organização e o meu muito obrigado.”



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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