quarta-feira, 29 de maio de 2013

EU E A MINHA ESCOLA: DANE BLOMQUIST




No segundo capítulo da nova rubrica do Orientovar, viajamos hoje até Inglaterra, ao encontro de Dane Blomquist. Vejamos que histórias tem ele para nos contar acerca de si e da sua escola.


Quem é Dane Blomquist?

Dane Blomquist (D. B.) - Olá, chamo-me Dane Blomquist. Nasci em Rinteln, na Alemanha, no dia 2 de Outubro de 1996, já que o meu pai trabalhava para o exército britânico aí estacionado. Um ano mais tarde, eu e a minha família mudámo-nos para Inglaterra e fomos viver para uma cidade chamada Frimley, perto de Guildford, onde teve lugar a Taça do Mundo em 2005. A minha família sou eu, as minhas duas irmãs, que infelizmente já não praticam Orientação, a minha mãe que também não faz Orientação mas que me apoia nas horas boas e más, o meu pai que me deu a conhecer este desporto, que me levou às provas ao longo de todos estes anos e que ainda gosta de competir e finalmente o meu cão, Jasper, que todas as noites dorme na minha cama. As minhas atenções vão, obviamente, para a Corrida e para a Orientação, mas também gosto de jogar Futebol, agora e sempre. Para além do desporto, gosto de sair com os meus amigos. O meu género de musica favorito é o Indie Pop e os meus artistas preferidos são Miike Snow e MGMT. Gosto muito de cinema, especialmente thrillers ou filmes de ação, sendo o meu favorito no momento “Gangster Squad”. Mas acho que, onde quer que esteja uma televisão a passar um bom filme, eu sento-me e fico a ver. Quanto a comida, a minha preferida é a cozinha Italiana.

Gostavas de nos apresentar a tua escola?

D. B. - Frequento a Tomlinscote School e o 6th Form College, em Frimley; este é o meu último ano antes de me mudar em definitivo para o 6th Form College. A minha escola é especializada em línguas estrangeiras modernas mas tem igualmente um excelente departamento desportivo. Atualmente estudo uma série de assuntos diversos, mas a minha disciplina favorita sempre foi a Geografia. Como muitas outras escolas na Grã-Bretanha, a minha escola está focada no Futebol, Atletismo e Râguebi; contudo, somos uma das poucas escolas a terem um pequeno grupo-equipa de Orientação. Muitos alunos da minha escola têm de fazer Orientação nas aulas de Educação Física e não gostam de sair para o frio no Inverno, não acham grande piada à Orientação e queixam-se que isto não é um desporto a sério, que é mais uma “caça ao tesouro”. Entre mim e os meus amigos conseguimos perceber que este é um desporto mesmo a sério e apoiamo-nos nessa convicção. Penso mesmo que a Orientação é um dos melhores desportos que existem e gostaria que, no futuro, fossem muitas as pessoas que conseguissem perceber isto. Sobretudo, espero que quando um qualquer professor falar comigo depois dos Campeonatos do Mundo e disser que acha a Orientação um desporto melhor do que o Atletismo porque implica não apenas as pernas mas também a mente, eu saiba que ele sabe o que é a Orientação.


Como é que tomaste contacto com a Orientação?

D. B. - O meu pai arrastou-me e ao resto da família para a Orientação, durante a sua permanência no Exército onde tudo começou. Desde que me conheço, sempre me lembro de fazer Orientação ou de estar num evento de Orientação, caminhando ou correndo no terreno de prova ou a torcer pela minha família. A minha primeira prova sozinho foi perto de casa e lembro-me de estar totalmente perdido, da minha irmã vir em meu “auxílio” e me ter mandado seguir numa direção completamente errada.


No teu desenvolvimento como orientista, que importância tem a tua relação com a escola?

D. B. - A minha escola teve desde sempre um papel ativo no meu desenvolvimento desportivo. Custearam as minhas deslocações para os Campeonatos do Mundo de Desporto Escolar e sempre me deram o tempo livre que eu necessitava, mesmo que não estivessem totalmente de acordo.


Quando é que decidiste levar mais a sério a Orientação?

D. B. - Comecei a levar a Orientação a sério há cerca de quatro anos quando tive a minha primeira oportunidade de envergar a camisola de Inglaterra. No ano seguinte comecei a trabalhar com o meu treinador Colin Dickson e tem sido ele a chave do meu desenvolvimento como orientista e como pessoa. Desde então tenho progredido mais e mais e o meu gosto por este desporto não cessa de crescer.


Que oportunidades é que a Orientação te trouxe até ao momento?

D. B. - A Orientação trouxe-me imensas oportunidades. Conheci os meus melhores amigos na Orientação, passei os melhores momentos da minha vida na Orientação, tenho podido viajar por diferentes sítios à volta do mundo e conhecer pessoas muito diferentes.


Olhando para o teu currículo, sobressai essa medalha de ouro na prova de Distância Média dos Campeonatos do Mundo de Desporto Escolar ISF 2013, no Algarve. Estavas à espera deste título?

D. B. - Senti-me muito bem durante a competição e adoro áreas do género daquelas onde teve lugar a pova de Distância Média, mas realmente não estava à espera dum pódio e muito menos de ganhar. Daí sentir-me extremamente feliz por ter conquistado este título. É fantástico conseguir a minha primeira medalha de ouro numa competição internacional.


Falando de Portugal, gostava de saber a tua opinião acerca da competição e o quão importante pode ser um evento desta natureza no futuro do jovem orientista.

D. B. - O evento foi uma grande experiência e adorei cada segundo. Quero agradecer a todos quantos contribuiram para que o evento fosse o sucesso que foi, tudo extraordinariamente bem planeado e com a comunidade local a apoiar-nos. Os nossos guias demonstraram uma disponibilidade extraordinária e todos nós ficámos muito bem impressionados. O hotel onde ficámos instalados era excelente e adorei o ficar perto da praia e ter ainda uma piscina onde podíamos relaxar. Não tenho dúvidas que estas competições são extraordinariamente importantes no desenvolvimento dos jovens orientistas, constituem algo pelo qual lutar, trabalhar e gozar. Estas competições são as raízes a partir das quais os futuros campeões hão-de crescer.


E quanto ao futuro, como é que vai ser?

D. B. - Tenho imensos planos para o futuro e há uma enorme quantidade de coisas que gostaria de fazer. Quero continuar a progredir na Orientação e a manter o meu gosto por este desporto. O meu objetivo final consiste em vir um dia a ser campeão do mundo. Para lá do desporto, quero ir para a Universidade e depois veremos onde é que a vida me leva.


Queres deixar uma mensagem para aqueles que sempre quiseram saber algo acerca da Orientação, mas têm medo de perguntar?

D. B. - Não me interpretem mal. A Orientação é um desporto desafiante tanto do ponto de vista físico como mental. E, contudo, é um desporto para todos, não interessa a idade, o género ou as capacidades de cada um. Quando se decidirem a praticar Orientação, irão perceber que tudo se resume a ter um mapa nas mãos e um objetivo em mente, seja ele o primeiro ponto numa prova local ou o último num Campeonato do Mundo.



Dane Blomquist em resumo

Eu...

- A melhor definição de Orientação é... um desporto que combina o desafio da navegação com o físico.
- Para praticá-la, apenas é necessário... uma bússola e muita determinação.
- A grande dificuldade é... as tuas pernas até conseguem levar-te mas a cabeça pode não ser capaz de te acompanhar.
- Essencial na minha mochila é... o meu colar da sorte e todo o restante equipamento de Orientação.
- Um extraordinário momento de alegria foi... encontrar aquele ponto depois de andar ali às voltas há dez minutos – não negues, já nos aconteceu a todos!
- Sou um grande admirador de... Thierry Gueorgiou, que conheci antes e cujo autógrafo está na minha parede, mas em termos nacionais sou fã de Yvette Baker.
- O meu principal objetivo no futuro é... ser Campeão do Mundo!

... e a minha escola

- A minha escola é... um lugar animado.
- Vejo os meus professores como... interessantes.
- Os meus colegas dizem que eu sou... barulhento.
- Combinar os estudos com o desporto é... difícil, é necessário encontrar o devido ponto de - equilíbrio.
- Vejo este mundo... como a minha ostra.
- O maior problema social... a discriminação.
- A pessoa que mais admiro é... o meu pai.
- Numa ilha deserta não dispensava... Joe Woodley e Will Rigg.




[Foto: Campeonatos do Mundo de Desporto Escolar, www.isfori2013.pt/]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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