segunda-feira, 13 de maio de 2013

EU E A MINHA ESCOLA: ANGELIKA MACIEJEWSKA



Eu e a minha escola” pretende ser, de hoje em diante, uma rubrica regular no Orientovar. Drawsko Pomorskie, no noroeste da Polónia, é o ponto de partida da nossa primeira visita, tendo como guia Angelika Maciejewska, duas medalhas de ouro em França no EYOC 2012 e a vencedor da prova de Distância Longa no último Mundial de Desporto Escolar ISF, no Algarve .


Quem é Angelika Maciejewska?

Angelika Maciejewska (A. M.) - Chamo-me Angelika Maciejewska e nasci no dia 16 de Janeiro de 1996, em Wałcz. Tenho duas irmãs espetaculares e uns pais muito queridos... isto sem esquecer que, quando estudo em casa, tenho sempre comigo um gato e que no jardim saltita um simpático coelho. :) Moro em Drawsko Pomorskie, mas o meu clube, UKS Traper, situa-se em Złocieniec, uma pequena cidade perto de Drawsko Pomorskie. A minha infância foi passada em Złocieniec. Interesso-me por ciência e moda. E tento fazer muitas coisas... Estou sempre a rir e estou certa que irei ter um monte de histórias para contar aos meus netos. :) Muitas vezes, depois das provas, estudo Biologia, que é o meu assunto favorito na escola. :) Por vezes, eu e os meus amigos imaginamos e inventamos modelos diferentes de roupas, o que é muito divertido! Não tenho um grupo de música ou um cantor favorito. O princíoio é simples: se a música tem um bom ritmo, então eu gosto. Portanto... Gosto de Pop e, às vezes, de Rap. De momento a minha música favorita é "Cisza", de Kamil Bednarek. O meu filme preferido é "PS: I love you" e "Jutro pójdziemy do kina". Como quase todas as raparigas, gosto de comédias românticas. :) Geralmente gosto de vários géneros diferentes. Alguns dos meus filmes favoritos são filmes de guerra ou relacionados com a História... Só não gosto de Ficção Científica. Acho que são filmes irrealistas e basicamente aborrecidos. Gosto de todo o tipo alimentos, mas particularmente de legumes e peixe. Azeitonas pretas, arroz e muitas saladas são bem-vindos. :) ... E doces? Humm! Posso comer uma enorme barra de chocolate com os meus amigos. Digo sempre que “vou ser doce e nunca gorda”. :)


Gostaria de nos apresentar a sua escola?

A. M. – A minha cidade não é grande, assim como a minha escola, a ZSP em Drawsko Pomorskie. Estou no Curso de Químico-Biológicas. Tenho cinco rapazes e 23 raparigas na minha turma e a minha professora é a Sra. Sylwia Tomaszewska, professora de Química. Infelizmente, a orientação não é uma disciplina popular na vida académica, mas todos os professores e amigos me ajudam na minha carreira. A maioria dos estudantes acredita que a Orientação não é um desporto, que é apenas diversão! Eles não sabem o quão radical este desporto pode ser, acho eu. Um dia, uma senhora disse: “A Orientação é um desporto para pessoas inteligentes.” :) Eu gosto muito dessa definição.


Como é que tomou contacto com a Orientação?

A. M. - Comecei a praticar Orientação em 2005. Quando corri a Estafeta dos Campeonatos de Jovens da Polónia (a minha primeira estafeta, na categoria D10), encontrei apenas dois pontos (dos oito que compunham o percurso). Foi terrível! O meu primeiro professor disse-me: “Tu és fraca e deves mudar de desporto. Nunca vais ser uma boa corredora”. Felizmente, o meu treinador, Aleksander Burzyński, não foi da mesma opinião. Comecei a treinar no duro... E foi assim que começou a minha aventura na Orientação. Tudo graças ao melhor treinador do mundo, Aleksander Burzyński! :)


Para o desenvolvimento como orientista, que importância tem a sua relação com a escola?

A. M. - A minha escola garante muito boas condições de treino. Quando estou num Campo de Treino ou numa competição, o Diretor da Escola é muito tolerante comigo. Isso é ótimo, porque assim tenho a hipótese de combinar os estudos com a Orientação. Os meus colegas são espetaculares e ajudam-me a recuperar os meus atraso. Nunca esqueço que sou sobretudo uma estudante e que os estudos também são importantes. :)


Quando tomou a decisão de começar a levar a Orientação a sério?

A. M. - Decidi levar a Orientação a sério quando de repente surgiram montes de problemas na minha vida. Nesse momento, quis provar às outras pessoas que podia ter sucesso e a Orientação deu-me força... Como escreveu Haruki Murakami: “Corro, logo existo.”


Olhando para o seu currículo, podemos ver, pelo menos, quatro medalhas de ouro em competições internacionais, duas nos Mundiais de Desporto Escolar ISF (Primiero e Algarve) e outras duas em França, no último EYOC. Que significado têm esses títulos para si?

A. M. - Esses títulos significam que estou no bom caminho. São medalhas que confirmam a ideia de que “o meu treinador é o melhor do mundo.” Olhando para o passado sinto-me otimista e positiva... E, claro, acredito que poderei continuar a ter sucesso no futuro.


Falando sobre este último evento, em Portugal, gostaria de saber a sua opinião sobre a competição.

A. M. - Em geral, a competição foi excelente, com uma sólida organização. O sol, as altas temperaturas e os desníveis - adoro correr nestas condições. Acho que os mapas eram realmente muito bons. É verdade que após a prova de Distância Longa passei quatro horas a tirar picos das pernas! Mas valeu a pena :) O alojamento ficava num sítio excelente, com a possibilidade de chegar à praia em poucos minutos. Obrigado por tão grandes momentos!


Acerca do futuro, o que espera vir a ser enquanto orientista?

A. M. - Acho que a Orientação ocupará sempre uma parte muito importante na minha vida. Há a saúde, claro, fundamental na vida de cada atleta. Depois do EYOC, em França, tive uma série de lesões. Felizmente, consegui voltar a treinar. Agora estou a treinar bem e sinto-me feliz com cada passo que dou... afinal, é isto que eu mais adoro! Se a minha saúde me ajudar, encaro muito positivamente o futuro como orientista profissional. Enfim, o meu principal objetivo consiste em combinar o desporto com a educação e o futuro com a família.


Quer deixar uma mensagem para aqueles que sempre quiseram saber tudo sobre Orientação, mas têm medo de perguntar?

A. M. - Honestamente? Desde o ano passado que não tenho medo de correr na floresta. Sim, é verdade que este é um desporto radical mas as recordações e as impressões após as provas são surpreendentes. A Orientação é um desporto muito divertido e todos deveriam experimentá-lo!



Angelika Maciejewska em resumo

Eu...

  • A melhor definição de Orientação é... o pensamento deve ser tão rápido quanto as pernas!
  • Para praticá-la, apenas é necessário... um grande treinador (o meu treinador, por exemplo :), muita ambição e vontade de lutar
  • A grande dificuldade é... a concentração
  • Essencial na minha bolsa é... bússola, cartão SI e sapatos de orientação (em vez de baton, prefiro ter uma bússola na minha bolsa porque nunca sei quando surgirá uma ocasião para correr :)
  • Um extraordinário momento de alegria foi... a minha primeira medalha (numa pequena competição na Polónia)
  • Sou uma grande admiradora de... Thierry Gueorgiou (esperava poder vê-lo no EYOC em França, mas ele não esteve lá) e Justyna Kowalczyk (como ela, eu adoro burros de peluche... porque eles são teimosos. Eu uso esse atributo na busca dos meus objetivos :)
  • O meu principal objetivo no futuro é... uma medalha de ouro no Campeonato do Mundo de Orientação (espera-me uma montanha de trabalho :)

... E a minha escola

  • Vejo os meus professores como... amigos que me ajudam em diferentes situações
  • Os meus colegas dizem que eu sou... prestável e criativa
  • Combinar os estudos com o desporto é... hmmm... muito difícil. Às vezes durmo quatro horas por dia, mas nalguns casos vale a pena :)
  • Vejo este mundo... através duns óculos cor de rosa. Sou muito otimista
  • O maior problema social... é talvez a falta de aceitação entre os alunos (?). Felizmente não tenho esse problema na minha turma
  • A pessoa que mais admiro é... o meu treinador Aleksander Burzyński! :)
  • Numa ilha deserta não dispensava... o meu (o melhor) treinador, um pedaço de papel e uma caneta para desenhar um mapa da ilha :)



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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