domingo, 19 de maio de 2013

CAMPEONATO NACIONAL DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO 2013: A ANTEVISÃO DE NUNO PIRES



Aproxima-se a passos largos a primeira edição do Campeonato Nacional de Orientação de Precisão. O Orientovar esteve ontem na Tocha, acompanhou os trabalhos de planificação e supervisão e gostou muito do que viu. Sobretudo, apreciou o rigor e empenho de Nuno Pires, um traçador que se afirma em pleno nesta desafiante disciplina, e também o terreno de prova e os desafios propostos. Orientação de Precisão de alto nível em perspetiva, numa antevisão de Nuno Pires.


Como foi abraçar o desafio de traçar o percurso de Orientação de Precisão dos Campeonatos Nacionais do próximo sábado?

Nuno Pires (N. P.) - Quando o convite me foi endereçado pelo Nuno Leite em Fevereiro, após o POM, confesso que fiquei reticente e pensei se estaria à altura de o fazer. Estamos a falar do Campeonato Nacional de Orientação de Precisão, que na Pedestre equivale ao Absoluto. É uma responsabilidade muito grande que me foi colocada nos ombros. Em Idanha-a-Nova, a prova tinha tido um nível de planificação elevado, de Elite, e a minha prestação não estava nesse patamar como participante. No entanto, aceitei com a convicção que teria tempo para conhecer ao pormenor as linhas mestras de planificação de percursos de Elite e criar um que faça jus à importância da prova.

Já que não posso ser o primeiro Campeão Nacional, estabeleci o objetivo de preparar um percurso que, de alguma forma, possa ser o mais desafiante possível para os atletas que invejarei dentro de dias, e que todos se divirtam acima de tudo. Sei que ao tentar elevar a fasquia de dificuldade no planeamento, corro o risco de criar alguns pontos que possam gerar alguma discussão , mas tenho confiança que controlei bem esse fator, e no final serão mais aqueles que estarão frustrados consigo próprios do que comigo.

Que Nacionais vão ser estes?

N. P. - Acima de tudo, estes Nacionais pretendem ser inovadores no que toca ao tipo de terreno, já que vai ser usado maioritariamente uma área de pinhal, onde os pontos serão colocados em elementos distintos dos habitualmente encontrados nos parques ou em zonas rochosas. Mas tenho a certeza que alguns vão ser verdadeiras surpresas para os participantes, pela variedade de problemas com que serão brindados. A leitura do mapa e terreno vai ter uma importância vital nas tomadas de decisão. Haverá diversidade nas técnicas que permitem determinar com exatidão o posicionamento das balizas no terreno, mas nem sempre essas leituras serão óbvias. Cada ponto foi planificado com bastante rigor, e quase posso contar uma pequena história com o raciocínio que efetuei para cada um deles. Tentei minimizar as escolhas por instinto e que tudo o que foi idealizado tenha um propósito no ato da tomada de decisão.

A escala utilizada será de 1:4.000. A prova vai ser um pouco longa, com cerca de 1500 metros, com boa progressão mesmo para as cadeiras de rodas. Terá 16 pontos convencionais e 2 pontos cronometrados, logo no início. Em princípio, o tempo máximo de prova rondará os 100 minutos, e é a única variável em aberto neste momento, tendo em conta que haverá muitos pontos onde será necessário gastar algum tempo para tomar a decisão acertada. Na minha opinião, os primeiros Campeões Nacionais serão os que consigam manter a concentração alta mesmo entre pontos de decisão, porque as balizas estão no terreno desde o minuto 0, e que sejam os mais metódicos e convictos nas zonas de decisão. Nestes Campeonatos, quem levar a palma será seguramente por mérito, e sinceramente, não creio que ninguém consiga acertar todos os pontos. Vai haver muita pressão.

Até ao momento, o número de inscritos está claramente abaixo das expectativas. Que mensagem deixa àqueles que, por desconhecimento ou indecisão, ainda não juntaram o seu nome na lista de participantes?

N. P. - Sinceramente esperava mais inscrições, mas a Orientação de Precisão ainda é vista com alguma desconfiança, principalmente por alguns atletas da Pedestre, que poderão engrossar a lista de participantes. Na prova de Gouveia partilhei transporte com 4 atletas de Elite que não entendiam o fascínio que tenho por esta variante da modalidade e que lhes parecia óbvia demais. Era só olhar para o mapa e já estava a decisão tomada. Isso é a correr… Expliquei-lhes que não era assim tão fácil e que a única forma de tomar contato era efetivamente fazer uma prova de Orientação de Precisão. Vocês sabem quem são.

Gostava sinceramente de ver os nossos melhores Elites na Tocha, já que ao contrário do que vem sendo habitual, não sobrecarregámos o programa dos Campeonatos de Distância Média e Estafetas com um Sprint, e assim deixámos o Sábado à tarde livre para ter mais participantes na Praia da Tocha. Vamos estender o prazo de inscrições até quarta-feira, dia 22, para ver se este meu convite tem eco nos meus colegas da Pedestre.

Após esta experiência, o que retira em termos pessoais?

N. P. - Pessoalmente, esta aventura serviu para melhorar substancialmente a minha compreensão da Orientação de Precisão a um nível mais avançado, porque tomei conhecimento das diversas técnicas de desenho de pontos seguindo orientações de Elite, no que respeita à função de traçador de percursos. Os conhecimentos que apreendi deixam-me agora alerta para provas futuras como participante, porque já estarei preparado a procurar um conjunto de opções que poderão ter dado origem à planificação dos pontos com que seja confrontado, e me permita analisar e tomar as minhas decisões com objetividade e sair de lá sem a sensação plena de ter tomado a decisão correta.
Como prova deste processo de melhoria, posso dizer que já no passado Campeonato Ibérico de Ori-Precisão, disputado no Vale do Rossim, senti uma confiança muito maior, resultante de estar a conseguir interiorizar os desafios que cada ponto apresentava e assim reduzir os momentos de indecisão.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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