quarta-feira, 17 de abril de 2013

MUNDIAIS DE DESPORTO ESCOLAR 2013: OURO PARA ANTÓNIO FERREIRA




António Ferreira acaba de sagrar-se Campeão do Mundo de Orientação de Desporto Escolar, ao vencer a etapa de Distância Média disputada hoje em Vila Real de Santo António. Uma vitória suada e sofrida mas mais que merecida, a fazer dele o segundo ouro da Orientação portuguesa em dez presenças ininterruptas nos Mundiais.


Quando me perguntam há quanto tempo faço Orientação, respondo sempre que não me lembro ou que praticamente fiz Orientação na minha vida toda.” Foi assim que António Ferreira, 14 anos, morador na Nazaré e aluno da EB 2,3 de Pataias, começou por traçar o seu perfil para os “Verdes Anos” [AQUI http://orientovar.blogspot.pt/2012/03/os-verdes-anos-antonio-ferreira.html], rúbrica que o Orientovar lançou em Maio de 2008 e tão persistentemente tem acarinhado. Aí se pode perceber um pouco da faceta deste jovem que gostava de ir às provas de Orientação “para jogar à bola”, que encontrou motivação para continuar no facto de ter andado quase uma hora perdido em Idanha-a-Nova e que tinha como grande rival Daniel Catarino. Curioso é o final desse texto premonitório: “Agora que comecei a treinar com regularidade, quero atingir os meus objetivos na seleção e, no futuro, vir a ser um grande orientista ou, quem sabe, estar entre os melhores do mundo.”

Pois é. Cinco anos depois de termos visto pela primeira vez a bandeira portuguesa hasteada no mastro mais alto dum Campeonato do Mundo de Orientação de Desporto Escolar, com Vera Alvarez a levantar o “V” da vitória no dia 25 de Abril de 2008, em Edimburgo, António Ferreira não fez por menos e trouxe a nota de maior emoção ao primeiro dia dos Mundiais, que decorrem este ano no Algarve.


Concretizei o meu sonho”

O Orientovar falou com o atleta ainda “a quente” e conseguiu sentir a emoção desprender-se das suas palavras: “Sinto-me feliz e posso dizer que concretizei o meu sonho. Este resultado foi o ver que todo o trabalho e sacrifício durante o treino não foi em vão”, começou por dizer. Falando dos momentos que antecederam a prova, António revela que “estava muito nervoso ontem à noite, mas consegui dormir bem. Hoje voltei a acordar nervoso, tomei um banho, descontraí, mas depois fiquei nervoso até ao momento em que peguei no mapa. A partir daí passou-me o nervosismo todo e senti-me bem durante a prova.” Referindo-se à prova em si, o atleta considera que “tinha alguns pontos mais técnicos mas era essencialmente muito rápida. Entrei mal no mapa e perdi cerca de 45 segundos logo para o primeiro ponto, talvez por ser uma zona não muito rica em elementos. Fui no sentido certo mas acabei por bater numa clareira ao lado, contornei-a e dei com o ponto. A partir daí e até ao 14º ponto fiz uma prova limpa, no ponto 14 perdi mais 20 segundos e até ao final fiz de novo uma prova limpa.”

A parte final foi marcada pela emoção: “Consegui passar já no ponto de espectadores com o melhor tempo e isso deu-me uma grande motivação para fazer um bom fim de prova. Depois foi aquela ansiedade toda à espera do resultado final.” E, claro, a explosão de alegria, confirmado que era ele o Campeão do Mundo: “Vieram todos abraçar-me, atiraram-me ao ar... Também recebi muitas mensagens de apoio e de parabéns.” Mas os Campeonatos não acabam aqui e na próxima sexta-feira há mais um título em disputa, desta feita na Distância Longa. Mais uma medalha de ouro? O atleta responde com cautela: “Não quero deslumbrar-me. Este título é importante em termos de motivação, mas cada prova é uma prova e eu estou preparado para ela. Por agora, não quero pensar em resultados.”


Com uma lágrima ao canto do olho”

Hélder Ferreira, treinador e pai do atleta, começou por abordar a questão da preparação: “Quando se prepara um atleta, o objetivo é ser Campeão do Mundo. É lógico que isto leva tempo e não é com um ano de experiência que se traça um objetivo destes. Mas estamos a falar de um jovem como o António, com quatro anos de experiência, cujos objetivos passam precisamente por aí, levando-o a trabalhar, a adquirir uma mentalidade ganhadora e a sonhar, o que é meio caminho andado para o sucesso.” Falando do “António-atleta-Campeão-do-Mundo”, Hélder Ferreira vê-o como “um indivíduo muito competitivo, muito empenhado naquilo em que se envolve. Sempre teve uma grande vontade de vencer e é também muito organizado nos treinos. Por outro lado, é muito empenhado na escola, é um bom aluno, com boas médias e quem tem sido quase sempre Quadro de Mérito.”

Olhando para a prestação dos portugueses neste primeiro dia, Hélder Ferreira começou por se referir a João Bernardino, também um pupilo seu e medalha de prata no dia de hoje: “É um dos jovens mais tranquilos que conheço e esta maneira de estar é muito importante num desporto como a Orientação. É um indivíduo que consegue manter-se calmo e em prova, na floresta, consegue manter este tipo de comportamento. Também não me espanta o segundo lugar dele porque, apesar de não ter nascido na Orientação, tem muitas horas passadas connosco na floresta. De resto, globalmente, estamos satisfeitos com as prestações dos nossos atletas. Apesar de alguns puderem não ter correspondido àquilo que deles esperaríamos, é normal porque para muitos esta é a sua primeira experiência internacional. Mas cinco diplomas e duas medalhas conquistadas têm de nos deixar naturalmente satisfeitos.” E a finalizar: “Sinto neste momento o que o treinador gosta de sentir: sucesso. Agarrarmos nestes jovens e dedicarmos o nosso tempo a eles quando o poderíamos dedicar a nós próprios nem sempre é fácil. Mas depois surge este momento de glória, que nos deixa felizes e com uma lágrima ao canto olho!”

[Foto gentilmente cedida por Hélder Ferreira]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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