quinta-feira, 11 de abril de 2013

FRÉDÉRIC TRANCHAND: "ENTRE A DISTÂNCIA LONGA E O SPRINT"



Valor seguro da Orientação francesa, Frédéric Tranchand é o nosso convidado de hoje. De olhos postos em Vuokatti, o atleta conta-nos como está correr este início de temporada e do que se pode esperar mais lá para o Verão. Mas por agora, uma só palavra existe no seu vocabulário: Trabalho!


Que recordações guarda dos quatro dias do Portugal O' Meeting?

Frédéric Tranchand (F. T.) - Foi muito interesante. Vim para Portugal treinar cerca de uma semana e meia antes da competição e pude encontrar terrenos excelentes, primeiro na região de Nisa, com terrenos mais abertos, mais planos e com algumas rochas e aqui em Idanha-a-Nova com terrenos mais desafiantes, com muito desnível e uma maior quantidade de detalhe rochoso. Em suma, dois tipos de terreno excelentes para o treino e a competição e realmente muito desafiantes.

Houve algum momento que valorize acima dos demais?

F. T. - Penso que guardarei esta competição no seu todo, pelos dois tipos de terreno distintos – mais de floresta nos dois primeiros dias e depois, nas duas últimas etapas, com todas estas pedras e os percursos com muito mais desnível – e ainda pelo Sprint. Infelizmente não posso guardar uma boa recordação do Sprint, visto ter-me lesionado e isso ter-me impedido de correr a última etapa. Mas ainda assim peguei no mapa e fui dar uma caminhada, podendo perceber que se tratou de mais um percurso excelente.

E teria sido, garantidamente, mais uma bela prova (!)...

F. T. - Sim, claro. Eu e o Philippe [Adamski] teríamos partido ao mesmo tempo e teria sido uma prova muito interessante, mas as coisas são como são e as lesões também fazem parte do jogo...

O Albin [Ridefelt] partia à vossa frente, com uma vantagem inferior a dois minutos, e adivinho que vocês iriam fazer jogo de equipa para o apanharem rapidamente. Parece-me ver nisto alguma injustiça, não acha?

F. T. - Eu estou no mesmo alojamento com o Thierry [Gueorgiou] e o Philippe e já há alguns dias que discutiamos esta possibilidade, apesar de nunca nos ter passado pela cabeça que partiríamos precisamente à mesma hora. Não digo que se troquem ideias durante a prova quando vamos em conjunto dois ou mais corredores, mas vamos juntos e isso é sempre uma ajuda. Se é justo ou injusto?... Realmente não sabíamos que iríamos ter esta oportunidade, foi uma questão de sorte. Mas quando corres uma prova com 'loops' e fazes o mesmo 'loop' das pessoas que vão contigo, também é o fator sorte que está em causa. Pessoalmente gosto muito do sistema de “chasing start” e se sais na frente, tens sempre essa pressão sobre ti de saberes que vem alguém atrás, a querer caçar-te. O desafio está em conseguires manter-te na frente, independentemente do número de pessoas que estão imediatamente atrás. É realmente muito bom.

Os objetivos para este Portugal O' Meeting passavam por um lugar no pódio?

F. T. - Não tracei quaisquer objetivos para o Portugal O' Meeting. O meu foco era o treino, fazer provas limpas. Penso que o consegui nos dois primeiros dias, não tanto no terceiro dia e depois lesionei-me. Em todo o caso, vim a Portugal para treinar. A verdade é que treino é treino, mas se os resultados forem bons, tanto melhor.

A temporada avança e as coisas vão começar a aquecer. Qual o próximo objetivo?

F. T. - Vou continuar com a minha preparação para me focar na Silva League, um conjunto de provas que terá lugar na Suécia em finais de Abril e que se estende pelo mês de Maio. Esse será o trampolim para as provas da Taça do Mundo do Nordic Orienteering Tour, dos Jogos Mundiais Militares e também dos Campeonatos do Mundo. Vou ter de estar em forma para poder garantir um lugar na seleção e depois, em função dos resultados, pensar nas grandes provas do Verão.

Com atletas como Thierry Gueorgiou, Philippe Adamski, François Gonon e alguns outros, não será fácil garantir esse lugar (?!)...

F. T. - Pois não, nada fácil. Sobretudo com o Thierry e o Philippe, que são dois atletas que levam a Orientação duma forma muito profissional. É bom treinar com eles, é sobretudo importante porque conseguimos saber se temos de trabalhar mais a velocidade ou a técnica, mas há uma luta muito grande para garantir um lugar no grupo.

E o Kenneth Buch tem sido uma mais-valia para a seleção?

F. T. - Sim, sim. É verdade que ele tem uma abordagem um pouco diferente daquela a que estávamos habituados com o anterior treinador, ele é talvez um pouco mais virado para o lado experimental. Mas sou de opinião que isto de podermos ver as coisas de variadas formas é muito positivo.

Consegue descrever o momento mais emocionante da sua carreira?

F. T. - Apesar de não ter feito parte da equipa, um dos momentos que recordo com mais emoção é a vitória da Estafeta francesa nos Mundiais de 2011, sobretudo depois de ter acompanhado o insucesso dos anos anteriores. Pessoalmente, a grande recordação, aquela que eu guardo como o momento mais alto da minha carreira, tem a ver com a prova de Sprint em Trondheim, nos Campeonatos do Mundo de 2010 e com a conquista da medalha de bronze. Também gosto muito das provas de Estafeta e, tanto em 2010, na Bulgária, como no ano passado, na Suécia, pude fazer o primeiro percurso e estar no pódio com a equipa de França. Mas cada época tem a sua história e é sempre bom recomeçar com objetivos bem definidos, esperando no final poder ter mais uma bela história para contar.

E a história para contar no final de 2013 terá pelo meio uma medalha nos Campeonatos do Mundo?

F. T. - (risos) Bem, não sei... Mas farei tudo o que estiver ao meu alcance para que tal seja possível. Mas são os Campeonatos do Mundo, estão lá os Suiços, os nórdicos, toda a gente... Vai ser muito duro!

E se essa medalha surgir, será talvez de novo no Sprint?

F. T. - Não sei ainda. O programa dos Campeonatos do Mundo deste ano deixa-me num dilema muito grande, já que é muito complicado para quem quer correr a prova de Distância Longa, poder correr também a prova de Sprint. São provas que estão “encaixadas” uma na outra e ainda não tomei uma decisão. Não penso tanto na Distância Média, visto sentir que é a disciplina onde tenho menos hipóteses, pelo que a escolha será entre a Distância Longa e o Sprint. Tudo vai depender muito da minha preparação, do momento de forma e se não surge uma nova lesão como aconteceu aqui. De momento é ainda muito cedo e está tudo em aberto, mas as minhas atenções estão orientadas mais para o Sprint ou para a Longa e depois, quem sabe (?), para o primeiro percurso da Estafeta.

Vamos voltar a vê-lo em Portugal no próximo ano?

F. T. - Penso que há boas hipóteses para que tal venha a acontecer. Mas espero concluir este ano a minha formatura em Engenharia Civil e não sei muito bem como vai ser o futuro. Mas quero continuar a fazer Orientação, claro, e o Portugal O' Meeting é uma competição realmente muito simpática, desde a organização ao ambiente que se vive ao longo destes quatro dias. E depois não nos podemos esquecer que teremos em Portugal os Campeonatos da Europa e o Portugal O' Meeting é um excelente pretexto para preparar essa competição. Se estiver livre de obrigações, virei certamente.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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