terça-feira, 26 de março de 2013

ANTONIO MARTINEZ E ANDREU BLANES: OS "BOMBA KIDS"




São dois dos rostos mais visíveis da atual orientação espanhola, personificando o querer e a vontade de fazer mais, de fazer melhor. Num jogo do 'tudo ou nada', Andreu Blanes e Antonio Martinez dão-se a conhecer um pouco mais, naquilo que são e naquilo que esperam vir a ser. Prontos a 'explodir' a qualquer momento, eles são os 'Bomba Kids' *.


Estiveram em Portugal no início de Fevereiro, voaram depois para a Turquia, estarão em breve vá-se lá saber onde e a primeira coisa que ocorre dizer é que esta vida de orientista é a mais perfeita e a mais fácil vida deste mundo. Perfeita, para aqueles que amam a orientação, será certamente. Mas não a mais fácil, como afirma Antonio Martinez: “Se não tens dinheiro e tempo suficientes, então é um problema.” Felizmente os estudos em Educação Física já terminaram e tempo livre é coisa que não lhe falta para afinar as coisas onde quer que seja. Mas, como ele próprio explica, “tudo isto só é possível graças às nossas federações regionais e nacionais e ao meu clube da Suécia (Eksjö), que nos ajudam com as viagens e tornam as coisas um bocadinho mais facilitadas.”

Andreu Blanes é da mesma opinião e fala do “enorme esforço” que as viagens encerram: “Muitas das viagens não são feitas nas melhores condições, mas se queremos melhorar e estar à altura da Elite mundial temos de treinar na maior variedade de terrenos possível.” Ao fim e ao cabo, mesmo que tenham de dormir no chão, viajam sempre com um sorriso no rosto, sabendo de antemão que os esperam “grandes sessões de treino ou competições”.


A maior parte é adquirida”

A conversa continua e quero saber o que pensam do facto de estarem entre os melhores do mundo: é uma questão genética ou é sobretudo adquirido? Antonio não tem dúvidas: “Antes de mais, tens de ter os genes certos e depois, se trabalhas diariamente, se és consistente, se tens o apoio necessário para desenvolver as tuas aptidões e tens objetivos claros, tudo é possível. Agora, se tens uma boa base genética mas falta-te atitude e não trabalhas aquilo que devias, por certo não irás longe.”

Focando-se na sua experiência pessoal, Andreu também é de opinião que “a maior parte é adquirida”. Ele explica porquê: “Quando ainda era miúdo, não era propriamente um dos melhores orientistas da minha região mas, na minha opinião, os meus sonhos eram maiores, mais ambiciosos que os dos outros miúdos. Desde então trabalhei sempre no duro e tive de deixar muitas coisas para trás, mas sempre com o claro objetivo de um dia poder vir a ser Campeão do Mundo.”


Thierry Gueorgiou e Roger Casal

Como quase toda a gente na orientação, também eles seguem alguém como um exemplo, um ídolo. “Sim, evidentemente que tenho um ídolo”, diz António. E o ídolo chama-se... “Thierry Gueorgiou”. Mas isto não são coisas de agora: “Desde que comecei, que sou fã dele. Hoje sou um orientista de Elite e tenho tido a felicidade de poder fazer alguns treinos com ele e de competir contra ele. Agora, sim, percebo o quão grande ele é, a forma fantástica como encara a competição, o trabalho que está por detrás do facto de se ser o número 1. Penso que não será fácil encontrar um orientista que seja capaz de ler mapas como ele.”

Andreu confessa que “Thierry também é o meu ídolo desde pequeno”, mas vai acrescentando outro nome: “Gostava igualmente de mencionar o Roger Casal. Sem apoios, completamente sozinho, ele conseguiu grandes resultados, o que é algo que me deixa realmente impressionado. Treinei com ele durante muitos anos e ele foi para mim uma importante referência no dia a dia. Agora que tento superar aquilo que ele conseguiu, percebo realmente o quão longe ele foi.”


Uma referência para os mais novos

E quanto a António e Andreu? Será que se vêem como um exemplo para os mais novos? “Não apenas eu, mas penso que, dum modo geral, os orientistas espanhóis estão a fazer grandes progressos”, diz Antonio. Ele explica que “há alguns anos atrás era impensável a Espanha alcançar uma medalha numa competição internacional e contudo, nos últimos tempos, chegámos lá em várias ocasiões (EYOC, WSCO, WUOC, JWOC).” Na sua opinião, o facto dos espanhóis serem agora capazes de lutar pelas medalhas, “deve servir de motivação às gerações mais jovens para que se tornem mais fortes.” Pegando nas palavras do seu companheiro, Andreu explica que “estamos a conseguir bons resultados e isso deve ser uma referência para os mais novos. É sempre importante que as gerações mais novas se sintam motivadas para superar os resultados dos seus predecessores.”


Ouro nas Estafetas do Campeonato do Mundo, juntos

Os objetivos da presente temporada estão, em grande medida, relacionados com o maior sonho de todos. António diz: “Estou a treinar para dois momentos altos da temporada, o primeiro já no final de março e que são os Campeonatos de Espanha e o outro, o mais importante, que são os Campeonatos do Mundo, em Julho. Quero focar-me no Sprint, mas também na Distância Média e nas Estafetas (corridas curtas e rápidas)”. Da mesma forma, Andreu refere que “os meus principais objetivos são basicamente os mesmos. Quero fazer boas provas nos Nacionais, mas o grande objetivo da temporada é o WOC, na Finlândia.” E apontam, ambos, um mesmo resultado: “Um lugar no top-15”.

E quanto àquele sonho, o maior de todos, o de conquistar uma medalha nos Campeonatos do Mundo? Para Andreu “talvez se possa pensar que o Sprint é a distância que melhor se adequa às minhas características, mas eu penso que a Distância Média é a mais fantástica prova do WOC e é aí que reside o meu sonho, ser Campeão do Mundo de Distância Média.” Antonio escolhe a Estafeta, “a distância mais emocionante para mim. E melhor ainda se o Andreu fizer parte dela. Seria uma grande recompensa por todo o enorme trabalho e as experiências incríveis que vivemos juntos desde pequenos.” Andreu concorda em absoluto: “Seria uma coisa incrível conseguir uma medalha na Estafeta.”


Tudo ou nada

Uma última questão: Porquê Bomba Kids? Antonio e Andreu respondem a uma só voz: “É apenas um nome engraçado mas que nos descreve, correndo e fazendo orientação. Isto porque nunca se sabe quando vamos 'explodir', ou seja, tanto podemos fazer uma grande prova num tempo fabuloso como, logo a seguir, fazemos a pior prova que se possa imaginar, cheia de erros, e somos deixados para trás por todos. 'Tudo ou nada' é a nossa filosofia.”


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO



[Veja a Entrevista na Inside Orienteering 02/2013, em http://www.orienteering.org/edocker/inside-orienteering/2013-2/. Artigo publicado com a devida autorização da Federação Internacional de Orientação]

1 comentário:

Rui Antunes disse...

Parabens pela entrevista.
Dois jovens desportistas que oriundos dum pais que tal como Portugal não tem um passado grandioso neste desporto.
Ainda assim, demonstram a mesma ambição. Treinar, evoluir, trabalhar, progredir.
Boa sorte para eles e também para alguns portugueses que tal como eles comungam das mesmas ideias e objetivos

Rui Antunes