quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ENTREVISTA: CATHERINE TAYLOR, UMA ESTRELA EM ASCENSÃO




É um dos nomes maiores do recente Portugal O' Meeting e surpreendeu pela sua determinação, classe e... juventude. Chama-se Catherine Taylor, é uma grande promessa da Orientação mundial e é, também, a nossa convidada de hoje.


Devo confessar a minha surpresa ao ver os excelentes resultados que alcançou ao longo dos quatro dias de competição do Portugal O' Meeting. Isto também a deixa surpreendida?

Catherine Taylor (C. T.) - Não sei bem se devo estar surpreendida porque, na realidade, treinei muito neste Inverno. Vivo em Uppsala, na Suécia, tenho treinado com a Annika [Billstam], o nosso grupo de treino integra atletas muito rápidas e muito fortes e estes resultados surgem na sequência deste excelente período de treino.

Falou em Annika Billstam. Como é que a vê?

C. T. - Faço recair sobre a Annika muitas das minhas atenções, mas na verdade somos uma equipa, olhamos muito umas para as outras. Treinamos imenso todas juntas, talvez cinco dias por semana, conhecemo-nos muito bem umas às outras e apoiamo-nos mutuamente. Talvez uma de nós possa hoje ter um dia melhor, amanhã será outra com certeza, mas há sempre uma grande união e que resulta num ambiente de treino fantástico.

Como é que começou a fazer Orientação?

C. T. - Não tive opção (risos). Os meus pais já faziam Orientação antes de eu nascer, por isso... E já corro desde os oito anos!

E aquele "clique", aquele momento em que decide que virá a ser uma orientista de elite, lembra-se como ocorreu?

C. T. - Eu tinha cerca de dez anos. Nessa altura, tivemos os Campeonatos do Mundo na Escócia [Inverness, 1999] e a Yvette Baker foi a grande estrela desse WOC ao ganhar uma medalha de ouro [Distância Curta]. Foi aí que eu disse para mim mesma: "Um dia também quero fazer isto!"

E agora estamos a vê-la correr tão bem... É a primeira vez que vem a Portugal?

C. T. - Não. Estive aqui em 2007, quando era ainda junior. Não voltei a Portugal desde essa altura, mas este ano não podia faltar. Todo o Inverno aguardei ansiosamente por estes momentos pois sabia que iria encontrar boas provas, bons mapas e bom tempo.

Que balanço faz das suas prestações no Portugal O' Meeting?

C. T. - Cometi erros em todas as provas, mas também é verdade que em todas elas momentos houve em que estive muito bem. Quando as coisas dão certo, realmente é uma sensação ótima. Levo algumas coisas boas de todas as provas, levo também algo para aprender de cada uma delas.

No dia decisivo, o último dia do Portugal O' Meeting, ainda chegou a colar-se à Amélie [Chataing] e esteve com um pé no terceiro lugar, mas depois...

C. T. - Depois perdi-a na descida para o "finish", penso que não fui suficientemente forte. As descidas são algo que necessito, decisivamente, de trabalhar. Talvez se as coisas se tivessem discutido em terreno plano, como aquele que encontrámos na fase inicial da prova, tudo teria sido diferente. Talvez...

Mas sente-se satisfeita com o quarto lugar na classificação final?

C. T. - Não posso dizer, verdadeiramente, que me sinta satisfeita com o quarto lugar, mas quando comecei esta competição também não sabia muito bem o que esperar. Acho, portanto, que o quarto lugar é bom e com certeza que as coisas poderiam ter corrido bem pior.

Quais os seus próximos objetivos?

C. T. - O meu principal objetivo da temporada é a prova de Distância Longa dos Campeonatos do Mundo...penso eu. Mas ainda não tenho bem a certeza. E ainda a Jukola e a Tiomila com o meu clube, o OK Linné. São grandes provas e é um divertimento incrível.

Quando vamos poder vê-la no top-10 do ranking mundial da Federação Internacional?

C. T. - (risos) Em breve... espero!

Em 2015 vamos ter os Campeonatos do Mundo no seu país e neste momento já está envolvida, juntamente com outros orientistas britânicos, no chamado "Projeto 2015"? Quer falar-me um pouco desse projeto?

C. T. - São dois os objetivos principais do Projeto 2015. O primeiro é que o grupo e as pessoas envolvidas se sintam entusiasmadas e motivadas para trabalhar, visto que o WOC será disputado "em casa". Por outro lado, pretendemos com o Projeto manter a ligação com o nosso público, dando a ver um pouco do nosso trabalho. Não os nomes, não os resultados, mas a forma como treinamos e o que fazemos. Isso ajuda o público a compreender que vida é esta que abraçamos quando apostamos em ser orientistas de Elite.

Como está a correr o Projeto até agora?

C. T. - Sinto que as coisas estão a evoluir bastante bem. Há uma enorme quantidade de trabalho que estamos a realizar neste momento e sentimos já uma maior força e união dentro do grupo.

Uma última questão: Já pensa no lugar mais alto do pódio em 2015, concretizando o sonho de vir a ser como Yvette Baker?

C. T. - (risos) Bem... De facto tenho pensado nisso: Mas acima de tudo tenho pensado que irão ser uns Campeonatos extraordinários. Estou muito entusiasmada com essa perspetiva, toda a gente no grupo está entusiasmada, todos os orientistas britânicos estão entusiasmados. Vão ser momentos fantásticos e, claro, espero muito de mim mesma.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

Rui Antunes disse...

Bom Dia;
Que me desculpem aqueles que não têm tempo, aqueles que não têm oportunidade ou mesmo aqueles que preferem abster-se, mas será que ninguém ou praticamente ninguém tem opiniões, dúvidas ou sugestões que possam contribuir quanto mais não seja, para uma auto-avaliação por parte do Sr. Joaquim Margarido, relativamente ao presente do seu/nosso importantíssimo blog?
Eu pessoalmente, no lugar do autor do Orientovar, sentir-me-ía um pouco,para não dizer bastante, frustrado.Notícias interessantíssimas, entrevistas excelentes, comentários riquíssimos e em relação a reações: Nada, silêncio quase total. Decerto que o Margarido gostará que lhe reconheçam o trabalho com elogios, mas acredito que se aparecerem críticas (construtivas), sugestões, reparos,etc o seu blog só terá a ganhar e por arrastamento a modalidade e todos nós.
Abraço e força Margarido. Quanto á família orientista, por favor não nos conformemos e colaboremos todos.
Rui Antunes

Luís Santos disse...

Boa noite.

Aproveito para dar continuidade ao post do Rui Antunes dizendo que subscrevo integralmente as suas palavras.

Não tenho críticas para trazer à discussão, mas só tenho a dizer que o Orientovar (e o Orienteering Live Blog) presta(m) um serviço inestimável à modalidade.

A "chancela" de qualidade está sempre presente e o interesse dos textos é sempre elevado.

Assim resta-me juntar ao Rui Antunes para apelar a que se juntem a nós nas palavras de reconhecimento para o trabalho que o Joaquim Margarido tem desenvolvido (ou em críticas construtivas que sejam úteis para o futuro do blog).

Claro que o trabalho do Joaquim Margarido na Orientação vai muito para além do Orientovar, mas não queria deixar de me juntar a estas palavras do Rui, pois são inteiramente merecidas.

Saudações desportivas,
Luís Santos