quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

DAVID ANDERSSON: "NÃO VIAJAREI PARA A FINLÂNDIA SE NÃO SENTIR QUE SEREI CAPAZ DE CHEGAR ÀS MEDALHAS"




Mercê de duas grandes corridas, David Andersson inscreveu o seu nome pela primeira vez no Quadro de Honra do Norte Alentejano O' Meeting. Após seis anos marcados por lesões, o atleta sueco parece estar de regresso à boa forma e fala-nos dos seus objetivos para a presente temporada.


Permita-me que comece por lhe perguntar quem é David Andersson?

David Andersson (D. A.) - Nasci na Suécia há 32 anos e vivo presentemente em Falun. Comecei a fazer Orientação quando ainda era criança, por influência da minha família. Consegui manter-me nos lugares cimeiros da Orientação durante um largo período mas, desde 2007, tenho sido atormentado por uma série de lesões e tem sido duro conseguir voltar à antiga forma.

Porquê a Orientação? O que há de tão fascinante neste desporto?

D. A. - Bem, eu creio que é a variedade. Nunca fazemos a mesma corrida duas vezes e conseguimos enfrentar de cada vez novos desafios. Nos últimos anos, a luta pelo ceptro da Orientação mundial tem sido mais dura e apertada porque há hoje um grande número de atletas de elevada valia, tornando-se complicado competir com os melhores. Espero um dia poder voltar ao topo e o meu objetivo passa por chegar a uma medalha nos Campeonatos do Mundo.

Onde reside o segredo para chegar ao topo?

D. A. - Penso que o mais importante é nunca desistir, treinar cada vez mais e mais. E lutar, procurar sempre ser o melhor... e desfrutar!

Consegue apontar o mais emocionante momento da sua carreira?

D. A. - Os melhores momentos, estou certo, ocorreram em 2006 e 2007, numa altura em consegui bons resultados e me encontrava numa excelente forma física. Lembro-me de ter corrido ao lado do Thierry [Gueorgiou] o último percurso dos Campeonatos da Europa em 2006, tendo ganho a prova de Estafeta. Corremos juntos durante muito tempo mas no final eu fui mais forte. Este é um dos melhores momentos da minha carreira mas isso foi há muito, muito, muito tempo. Sou certamente a única pessoa que ainda se lembra dessa prova de Estafeta (risos).

Falou no Thierry Gueorgiou. Acredita que ele é o melhor orientista de todos os tempos?

D. A. - Para mim ele é o melhor orientista. Sempre tive uma grande afinidade com as provas de Distância Média. É a minha distância favorita e esse é um dos motivos pelos quais Thierry é, para mim, um dos maiores orientistas.

O que é que o Thierry tem que o David não tem?

D. A. - O facto mais relevante é que ele foi capaz de correr durante muitos anos sem ter contraído lesões. Penso que é aí que reside a grande diferença entre nós.

Agora parece estar de novo a caminho da boa forma e... está em Portugal. Porquê Portugal?

D. A. - Fico o ano inteiro à espera destas semanas. Quando se está na Suécia e o tempo é de noite, há neve por todo o lado e não é fácil fazer um treino com qualidade, é natural que se anseie pelas semanas em que viajamos para o Sul, para Espanha ou para Portugal. São algumas das minhas semanas preferidas do ano. Desta vez ficarei dez dias em Portugal e depois seguirei para Espanha, no início de Março, para mais dez dias.

Está a gostar da estadia?

D. A. - Estou a gostar mesmo muito. Esta é a segunda vez que estou nesta região de Portugal e aquilo que posso dizer é que estou bastante surpreendido comigo mesmo por estar a correr tão bem já nesta altura da época. Neste Inverno os treinos têm corrido muito melhor e agora, fisicamente, sinto-me como não me sentia há muito tempo. Isto faz com que me sinta mais tranquilo para encarar o que falta da preparação de Inverno. Sinto-me bem!

Esteve no Brasil, acompanha a Orientação por todo o Mundo, qual o seu ponto de vista?

D. A. - Sim, estive no Brasil com a minha namorada, Lena [Eliasson], procurando ajudar numa série de aspetos relacionados com o nosso desporto. Fomos muito bem recebidos, divertimo-nos imenso e posso mesmo afirmar que foi das melhores experiências que tive na Orientação. Também estive na Austrália há coisa de um mês, onde visitei a família do meu colega de equipa Julian Dent, a norte de Sidney. Foi a primeira vez que estive na Austrália e também gostei imenso. Aliás, devo dizer que uma das razões pelas quais me encontro num bom momento de forma é porque tive um excelente período de treino por altura do Natal, precisamente na Austrália.

Neste momento, o calendário internacional está um pouco congestionado com provas de Sprint. O David é um sprinter?

D. A. - Não, não. Bom, para falar verdade, a última vez que disputei os Nacionais de Sprint da Suécia fui Campeão Nacional. Mas já lá vão seis anos. Se estamos lesionados, é muito difícil conseguir fazer algo de bom numa prova de Sprint. Há muitos anos que não sou capaz de correr em terrenos duros e torna-se mais fácil correr provas de Distância Média, mais técnicas e em terrenos macios. A verdade é que eu gostaria de ser o melhor orientista do mundo e para se ser o melhor orientista do mundo é preciso ser-se capaz de correr todas as distâncias. Espero poder voltar a ser um bom sprinter.

Falando da temporada atual, quais são os seus grandes objetivos?

D. A. - Este ano penso focar-me nos Campeonatos do Mundo e, em particular, nas provas de floresta. Não fui seleccionado para as provas da Taça do Mundo na Nova Zelândia e as minhas hipóteses no global da Taça do Mundo são agora mínimas. No Nordic Tour, as provas são maioritariamente de Sprint e penso que, para mim, as provas de Distância Média e de Distância Longa dos Campeonatos do Mundo é que serão “aquela coisa”. Espero.

Mas primeiro tem de conseguir ser selecionado...

D. A. - Sim! Temos uma geração de novos atletas muito forte e vai ser tremendamente duro conseguir a qualificação. Tenho de mostrar nas provas de teste da próxima Primavera que os responsáveis pela seleção poderão contar comigo para os Campeonatos do Mundo. Não viajarei para a Finlândia se não sentir que serei capaz de chegar às medalhas. Então, será preferível que vá um dos jovens para que possa aprender algo.

A próxima etapa chama-se Marinha Grande?

D. A. - Sim, tenho a certeza que irei gostar dos terrenos de dunas do litoral e depois viajarei para Barbate, em Espanha, também em terreno de dunas, preparando a prova de Distância Longa dos Campeonatos do Mundo. Penso que os terrenos serão similares.

Vamos voltar a vê-lo em Portugal no próximo ano?

D. A. - Certamente. Todos os Invernos viajo para o Sul e Portugal é quase sempre um dos meus destinos.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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