segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

VIII CONGRESSO DE ORIENTAÇÃO: RUI MORAIS E A ORGANIZAÇÃO E SUPERVISÃO DE PROVAS



Rui Morais é o Presidente do Conselho de Arbitragem e foi o coordenador duma das sessões paralelas do VIII Congresso Nacional de Orientação, precisamente aquela subordinada ao tema “Organização e Supervisão”. Desta experiência em particular, aqui ficam as suas opiniões.


A Organização e Supervisão apresentou diversas temáticas nesta interessante jornada. Pedia-lhe que detalhasse um pouco.

Rui Morais (R. M.) - Sim. Tivemos abordagens ao nível da própria estrutura, no que diz respeito ao trabalho da supervisão em si e ainda alguns itens relacionados com a avaliação de supervisores/prova, sempre com o objetivo da melhoria contínua. Numa ou noutra intervenção foram mencionados trabalhos de supervisão da época anterior, nem sempre, na minha opinião, justos e/ou detalhados. De facto, acredito que o correto papel do supervisor é feito nos “bastidores” e nem sempre temos noção disso. Por outro lado, quando existem erros, fiquei com a ideia, eventualmente errada espero, que existe um único responsável. Mas, retive, como também mencionei, as palavras finais da direção da FPO em que não devemos esquecer que a responsabilidade de um evento cabe à direção do mesmo, enquanto clube organizador.

Mas isso não é «lavar as mãos» como Pilatos?...

R. M. - De modo algum. Esta responsabilidade em nada “apaga” o papel e o trabalho do Supervisor! Enquanto Conselho de Arbitragem, temos noção que existem áreas que necessitam de ser trabalhadas e, desde logo, apontou-se a revisão dos relatórios dos Supervisores e nomeações mais céleres como ações primordiais a trabalhar. Considerou-se ainda importante reforçar a formação com noções fortes em Percursos, Cartografia e SportIdent, bem como o próprio formato de acesso à função de Supervisor, complementando o curso com um “CV Experiência” à semelhança do acesso a IOF Adviser. Para finalizar a componente da estrutura, o CA está já com um programa de acompanhamento mais próximo das supervisões para evitar que os trabalhos comecem tardiamente e ajudar em eventuais dificuldades que surjam.

No que diz respeito à componente da Supervisão propriamente dita, quais os aspetos merecedores duma particular atenção?

R. M. -Foi destacada a importância da aprovação de terrenos (aliada às nomeações atempadas). É nesta altura que se devem prevenir futuros problemas graves. Para o trabalho de Supervisão torna-se indispensável uma área/página online interna ao Conselho de Arbitragem para ajudar a “guiar” o Supervisor nas suas funções, e também enquanto facilitador do reporte das diversas supervisões.
Por fim, garantir regras e escalar para o Conselho de Arbitragem todas as situações que coloquem em risco os aspetos básicos da modalidade. Nos dias da competição é essencial concentração máxima no que todos conhecemos como “essencial” e estar preparado para executar planos alternativos.

E no tocante à Avaliação?

R. M. -Sobre este assunto, foi considerado importante pensar em formatos de avaliação/feedback relativos ao trabalho do Supervisor, bem como o interessante cruzamento de relatórios entre o Conselho de Arbitragem e a Comissão de Avaliação de Provas, ou seja, supervisão e avaliação da prova. Este tipo de informação é tido como essencial para acionar a “melhoria contínua”, já que proporciona a partilha de experiências (negativas e positivas) e respetivas soluções.

É interessante abordar este assunto naquilo que refere como «cruzamento de relatórios entre o Conselho de Arbitragem e a Comissão de Avaliação de Provas» porque uma das questões que me foi suscitada no decorrer das várias intervenções no Congresso tem a ver precisamente com este assunto, ainda que de forma indireta. A questão é muito simples: Porque é que não são divulgados os vários relatórios ao público em geral? Não seria essa uma forma por excelência de promover a transparência (e atenção que eu não estou a dizer que há falta de transparência nos processos)?

R. M. – Faz-me mais sentido utilizar os relatórios como instrumento de trabalho entre os diversos departamentos da FPO. E, acima de tudo, que sirvam para trocar experiências, como referi, no bom sentido, isto é, prevenir que não se cometam os mesmos erros e/ou “aprender” as melhores práticas para gerir eventuais problemas.

Durante o debate, não consegui deixar de notar alguma crispação quando se levantou a questão da anulação do Campeonato Nacional Absoluto 2012 na categoria masculina e das eventuais responsabilidades da Supervisão em todo esse processo. Que avaliação faz o Conselho de Arbitragem desta situação e que medidas concretas estão a ser ou já foram tomadas para evitar que situação idêntica possa voltar a acontecer?

R. M. – Permita-me aproveitar para, publicamente, referir que o Conselho de Arbitragem tem total confiança no Supervisor nomeado. Infelizmente, não detetou, assim como todo o grupo de trabalho do evento, uma falha nesse percurso, assim como eu próprio falhei noutro aspeto na minha última Supervisão. Iremos tentar acompanhar mais de perto as supervisões e, claramente, temos de apostar na formação.

Os Supervisores acreditados pelo Conselho de Arbitragem têm todos «lugar cativo»?

R. M. – As “provas” ou “exames” de um Supervisor são os eventos. Não existem “treinos”, existe sim uma evolução que, ao nível do Conselho de Arbitragem, tentamos seguir tendo em conta o grau de senioridade do Supervisor e do trabalho que vai apresentando; ou seja, o normal será começar por acompanhar um Supervisor mais senior, depois supervisionar um evento de nível 2 e assim sucessivamente. As nomeações são da responsabilidade do Conselho de Arbitragem e, em último grau, minhas, enquanto Presidente, sendo que os “lugares cativos” são definitivamente para os bons Supervisores.

Voltando ao início e ao tema que coordenou, a «Organização e Supervisão», de que forma é que as coisas podem ser conduzidas para podermos atingir patamares de excelência?

R. M. - São três as características ou, se quisermos, necessidades consideradas decisivas para crescermos ao nível da organização de provas e supervisão. Desde logo, a responsabilidade do próprio supervisor; depois a comunicação entre Supervisor, Organização e Conselho de Arbitragem, em «canal aberto» e feita de forma inequívoca; finalmente, a atribuição de eventos (terreno, tipologia de prova e clube). Se conseguirmos ser cada vez melhores nesta trilogia, teremos garantidamente provas de excelência!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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