sábado, 19 de janeiro de 2013

VIII CONGRESSO DE ORIENTAÇÃO: "QUALIDADE ORGANIZATIVA", POR FERNANDO COSTA




Atendendo à realidade da nossa modalidade, podemos considerar a qualidade organizativa como o elo mais forte da Orientação Portuguesa. Isto mesmo é atestado pelo sucesso que eventos como o Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2008, Campeonato do Mundo de Orientação em BTT WMTBOC 2010 ou as sucessivas edições do Portugal O' Meeting vêm recolhendo, dentro e além fronteiras

Mas o sucesso não é obra do acaso. Para uma boa qualidade organizativa é fundamental a existência de um Plano Geral de Trabalho devidamente idealizado, um Plano que integre os procedimentos e preocupações desde os dois anos anteriores ao evento, prolongando-se para lá da realização do evento em si.

As especificidades da Orientação (isolamento das provas, dificuldade em filmar os eventos) constituem um obstáculo à promoção e divulgação da modalidade e acarretam uma ausência de visibilidade e a inerente dificuldade em atrair patrocinadores, entre outros. Compete às organizações inovar e tentar mediatizar o mais possível os eventos. A IOF – Federação Internacional de Orientação tem criado de ano para ano novos formatos por forma a dar mais visibilidade aos eventos. Esta preocupação é partilhada pela FPO – Federação Portuguesa de Orientação, como o demonstra a recente criação de novos rankings.


Terreno, elemento fundamental

A escolha do terreno é o elemento fundamental de qualquer organização. Deve o mesmo ser variado, técnico e agradável, quer para a alta competição, quer para o lazer.
A zona de prova e a identificação de áreas sensíveis, autorizações para acesso, reconhecimento global, contactos com entidades locais e com patrocinadores são aspetos fulcrais do Plano Geral de Trabalho a par, naturalmente, da constituição de equipas de trabalho interdisciplinares.

A cartografia é outro dos pontos fundamentais do Plano. A execução dos mapas deve ter em conta de uma forma rigorosa as regras atualizadas da IOF, tanto para mapas de floresta como para mapas urbanos. Aqui merecem uma chamada de atenção a escolha dos locais de concentração, partidas e chegadas, bem como a identificação adequada de áreas interditas.

A adaptação à época internacional é muito importante para precaver a não simultaneidade com grandes eventos no estrangeiro, como tem acontecido no passado. Em 2013 será pela primeira vez promovida em conjunto a realização de três eventos pontuáveis para a Liga Mundial, constituindo-se num vetor estratégico fundamental para o aumento do número de participantes estrangeiros.


Comunicação, o «calcanhar de Aquiles»
A Comunicação / divulgação tem sido, sem dúvida, o calcanhar de Aquiles da modalidade.
Nota-se um défice de partilha das nossas actividades nas redes sociais, numa altura em que existe um forte incremento na utilização destas plataformas pelas organizações de eventos. É de incentivar a realização de concursos e sorteios no Facebook com a finalidade de partilha. A aposta em anúncios para promoção dos eventos no Facebook poderá ser outra medida a ter em conta.
As organizações de âmbito Internacional deverão aproveitar a possibilidade de anunciar nos portais de Orientação mais visitados do mundo bem como a sponsorização de concursos desses portais que têm tido uma excelente relação qualidade/custo e continuar a apostar na divulgação a nível local e formar agentes desportivos na região onde se realizam os eventos.

A qualidade dos sites dos eventos, tornando-os apelativos e de fácil navegação também é uma forma excelente de credibilizar a modalidade e as organizações. A atualização dos sites com noticias e os resultados live são uma forma de prender os possiveis novos praticantes. A realização de parcerias com órgãos de comunicação social regionais e nacionais ( TV, jornais, revistas,rádios, blogues, sites) será um factor importante no aumento de notícias sobre a modalidade.
O convite para embaixadores dos eventos também é uma forma muito positiva de se conseguir atrair os media para a cobertura dos eventos.

Por último, uma nota no sentido de melhorar a qualidade organizativa. A par dos vários cursos e ações de reciclagem constantes no plano anual de formação da Federação Portuguesa de Orientação, torna-se importante a preparação e realização de um Curso de Organização de Eventos de Orientação. Um curso que deverá ser um dos primeiros a ser frequentado pelos novos intervenientes na modalidade por forma a tomar contacto com os vários aspetos enunciados e a preparar o futuro da organização de eventos.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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