sábado, 12 de janeiro de 2013

VIII CONGRESSO DE ORIENTAÇÃO: JOSÉ FERNANDES, ESPÍRITO DE MISSÃO




Foi a «alma» do VIII Congresso Nacional de Orientação. Nos papéis de apresentador, dinamizador, orador, coordenador e muito mais, José Fernandes foi a figura aglutinadora dum espaço e dum tempo feito do querer e da vontade de muitos, um espaço e um tempo de excelência que se traduz num novo e forte impulso para a modalidade. Do que viu, viveu e sentiu, aqui ficam as suas impressões.


Sete anos após a realização do último Congresso, foi possível voltarmos a presenciar um momento único de troca de experiências e de conhecimentos. Como viu este VIII Congresso Nacional de Orientação?

José Fernandes (J. F.) - O VIII Congresso Nacional da Orientação foi um momento muito importante para a modalidade, num tempo de muitas dificuldades que o país está a enfrentar e perante as quais se torna necessário não esmorecer, mas sim agir. Este Congresso reuniu um conjunto muito alargado de pessoas que têm dado contributos muito importantes para a Orientação ao longo da nossa curta mas intensa história. O facto de termos entre nós, na abertura dos trabalhos, o Sr. Secretário de Estado do Desporto e da Juventude foi um bom tónico para a tarefa que nos esperava e constituiu também uma prova inequívoca de interesse pela modalidade e de reconhecimento pelo trabalho que se tem vindo a fazer.

Que critérios presidiram ao desenho do Programa do Congresso? Teve de deixar de fora muitos assuntos?

J. F. - Ao desenhar o Programa deste Congresso tentámos ser o mais abrangentes possível e conseguir a participação ativa de muita gente com estudos e reflexões dedicados à modalidade, técnicos com reconhecida competência em diversas áreas e titulares de cargos ligados aos vários departamentos da FPO. O objetivo foi o de, em conjunto, fazer um pouco de história daquilo que tem sido a Orientação no nosso país, analisar o momento atual, mas sobretudo olhar para o futuro e procurar os melhores caminhos para seguirmos em frente. Não tenho dúvidas de que haveria outros assuntos para tratarmos ou dedicarmos mais tempo aos que foram abordados, mas o tempo não o permitiria.

Das impressões que fui recolhendo, há dois aspetos que ressaltam e que serão carecedores, eventualmente, duma reflexão: as sessões paralelas impediram muitos dos participantes no Congresso de presenciarem na íntegra os trabalhos e ainda a ausência dum assunto importante no programa, a Comunicação. A estes eu acrescentaria um terceiro aspeto, o aparente alheamento dos nossos jovens dum tão importante encontro. Quer comentar?

J. F. - Desde o início da preparação deste Congresso que tínhamos a noção de que a gestão do tempo seria uma das maiores dificuldades para cumprirmos todo o programa, daí termos escolhido este modelo. A evolução dos trabalhos encarregou-se de provar que se não fossemos por este caminho, muito dificilmente conseguiríamos cumprir dentro do tempo de que dispúnhamos. Por outro lado penso que todos os orientistas presentes têm alguma preferência por um determinado tema ou uma especialização no mesmo, daí pessoalmente pensar que os resumos feitos pelos coordenadores dos vários temas antes do debate facultaram a todos os presentes uma visão abrangente do que se tratou nas sessões paralelas. A Comunicação sem dúvida que é um tema fundamental e mereceria lá estar em maior destaque, mas na minha opinião não esteve totalmente ausente, pois houve temas e intervenções que abordaram essa temática, nomeadamente as ligadas à organização de eventos. Quanto ao quase alheamento dos jovens relativamente a este encontro, penso que vários fatores podem ter contribuído, desde logo a falta de autonomia de muitos relativamente a transportes, mas não poderei de forma alguma negar que existe no nosso país um grande défice de interesse e de participação dos jovens em questões de âmbito coletivo e de cidadania, talvez devido ao culto do individualismo que se fomenta na sociedade atual, que por sinal é exatamente o oposto às “doutrinas” da minha juventude.

Um dos assuntos que lhe são queridos, a Cartografia, mereceu uma particular atenção neste Congresso e teve oportunidade de fazer o resumo da Sessão Paralela a partir das apresentações de Tiago Aires e Alexandre Reis. Quais as principais ideias que guarda desse particular momento?

J. F. - O resumo que fiz, das apresentações do Tiago e do Alexandre foi apenas um pequeno resumo de dois excelentes trabalhos elaborados e apresentados por dois técnicos que toda a gente conhece e reconhece. Tendo-me cabido a responsabilidade de coordenar a sessão ligada à Cartografia e Traçado de Percursos de Orientação Pedestre e de BTT, tive a tarefa muito facilitada contando com duas pessoas da valia do Tiago Aires e Alexandre Reis para as áreas Pedestre e BTT, respetivamente. São dois nomes sobejamente conhecidos no seio da Orientação portuguesa, dois técnicos com estilos e personalidades diferentes, mas com uma caraterística em comum, a competência.

Relativamente a esta temática queria deixar aqui a minha opinião muito pessoal. Penso que quando falamos de Cartografia teremos sempre que ter a consciência de que não estamos a falar de uma ciência exata. Se perguntarmos aos melhores cartógrafos se algum dia produziram o mapa perfeito, não receberemos uma única resposta afirmativa, tal como se perguntarmos aos melhores atletas de Orientação se algum dia realizaram a prova perfeita, os melhores dirão que andam na busca de o conseguir um dia, embora tenham muitas dúvidas de lá chegar. Creio que é aqui que reside a grande magia e o fascínio pela modalidade em grande parte do globo, manifestando-se em Portugal de uma forma muito intensa e apaixonada, muito por força de ainda ser uma modalidade muito jovem e também pelo temperamento algo romântico que nos carateriza. Esta visão romântica que muitas vezes temos das coisas é também uma limitação quando temos absoluta necessidade de usarmos o pragmatismo que o ISOM exige nos seus aspetos mais débeis, que são os que se relacionam com aquilo que se seleciona para representar no mapa e como.

Numa das intervenções, foi-lhe lançado diretamente o repto no sentido de começar já a pensar na organização do IX Congresso. Mais do que o questionar sobre se aceita ou não o desafio, gostava de saber se considera uma necessidade termos um Congresso de Orientação com uma periodicidade anual?

J. F. - Como sabe, atualmente sou Vogal da Direção da FPO e como tal tenho que ter sempre presente um espirito de missão que estes cargos exigem e se no futuro me for atribuída a responsabilidade de trabalhar na preparação de um novo Congresso, com certeza que aceitarei dentro das minhas possibilidades. Sobre a necessidade de termos um Congresso anual da Orientação, pessoalmente penso que não. Creio que avançando para essa possibilidade poderíamos correr o risco de banalizar um acontecimento que deve ser encarado como algo de muito sério. No entanto advogo a necessidade dos agentes da modalidade dialogarem e cooperarem entre si, não só todos os anos mas todo o ano.

Uma última questão: Em termos pessoais, em que medida esta experiência foi enriquecedora?

J. F. - Conviver com pessoas que demonstraram a dedicação, a competência e o amor pela modalidade que foi patente em todo o Congresso foi muito estimulante e enriquecedor para mim. Outras pessoas poderiam lá ter estado também, mas a questão temporal que sempre existe nestes acontecimentos é uma grande limitação.

[Entrevista extraída da Orientação em Revista – Edição Especial, em http://content.yudu.com/Library/A20rjr/OrientacaoemRevistaE/resources/index.htm?referrerUrl=http%3A%2F%2Fwww.fpo.pt]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Dinis Costa disse...

Todos aqueles que fazem obra, com o seu esforço, merecem consideração expressa.