domingo, 27 de janeiro de 2013

VIII CONGRESSO DE ORIENTAÇÃO: "CORRIDAS DE AVENTURA", POR ANDRÉ RIBEIRETE




Nas últimas cinco épocas desportivas, as Corridas de Aventura sofreram, em linha com as outras disciplinas da Federação Portuguesa de Orientação, uma acentuada queda de equipas e atletas participantes, principalmente nos últimos dois anos. Este facto é demonstrado nos gráficos seguintes.

Gráfico 1
Tabela 1

O Gráfico 1, ilustra o número total de equipas que participaram nas competições a contar para a Taça de Portugal de Corridas de Aventura (TPCAs) nas épocas entre 2007/08 e 2012. A Tabela 1 numera as provas em terreno nacional que se realizaram neste intervalo de tempo. A análise do Gráfico 1 deverá ser suportada pela Tabela 1. É notória uma dependência entre o número de equipas com a quantidade de provas realizadas nessa época, suportando a tese de que com um maior número de provas, existe um maior nível competitivo, atraindo dessa forma uma maior participação de atletas.

Nas épocas 2011 e 2012 realizaram-se somente quatro provas de CAs em Portugal. Em 2011 o número de equipas participantes foi idêntico às épocas com 5 provas realizadas, mas em 2012 o número de equipas participantes caiu drasticamente.

Gráfico 2
Gráfico 3

O Gráfico 2 representa a evolução da participação média das equipas, por prova, nas épocas em análise. Constata-se um nível de participações uniforme entre as épocas 2007/08 e 2009/10, uma ligeira queda em 2011 e uma queda mais acentuada na época de 2012. Em linha com o Gráfico 2, o Gráfico 3 ilustra a participação média de atletas por prova.

Enquanto no Gráfico 1, o número total de equipas no ranking da época 2011 era idêntico ao das épocas 2007/08 e 2008/09, pelos Gráficos 2 e 3 verifica-se uma diminuição da participação média das equipas por prova. Este facto justifica-se pela não participação de várias equipas em todas as provas, o que mais uma vez revela um fraco índice competitivo das equipas face ao ranking da TPCA.

Para além do número diminuto de provas nas duas últimas épocas desportivas, a fraca participação de equipas nas provas, deve-se igualmente à situação económica do país e das empresas em geral. Os patrocinadores das equipas retraem-se nos apoios habituais e os atletas evitam o esforço financeiro necessário para participar nas provas.


Organização de Provas

Nos dias de hoje a organização de uma prova de CA acarreta alguns riscos financeiros, obrigando as equipas organizativas a implementar algumas medidas ou alterações aos moldes tradicionais das CAs. Estas medidas devem ser cuidadosamente supervisionadas pelo Supervisor de Prova de forma a acautelar a qualidade da prova e o cumprimento do Regulamento de Competições.

As principais dificuldades encontradas pelas organizações são a falta de apoios por parte dos patrocinadores e das entidades camarárias da área geográfica das provas, e o menor valor de encaixe devido ao menor número de equipas inscritas.

Os custos de uma organização, que dependem de diversos factores, nomeadamente da zona da prova e dos apoios que eventualmente consigam, são listados de seguida.

a) Cartografia (compra e/ou aluguer dos mapas e cartas, e impressão);
b) Custos associados a deslocações, alojamento e alimentação, para preparação e teste dos percursos;
c) Licenças de acessos a reservas naturais;
d) Informática;
e) Reportagem televisiva;
f) Polícia e Bombeiros;
g)Pernoita para atletas e balneários;
h)Aluguer de Balizas e Bases de SI à FPO;
i) Actividades de cordas e etapas aquáticas (apoio aquático, aluguer de canoas, …);
j) Divulgação da prova (site, flyers, …);
k) Prémios
l) ...

A diminuição dos custos associados a uma prova de CAs pode passar pela optimização da cartografia utilizada, por evitar a utilização de zonas que carecem de licença de acessos, a não realização da reportagem televisiva, a eliminação das actividades de cordas e das etapas aquáticas, a minimização das vias de divulgação da prova, …

A implementação de qualquer uma destas medidas pode originar uma conotação negativa para a prova e para as CAs, potenciando o afastamento de atletas, pelo que devem ser devidamente analisadas por parte das organizações das provas.


Site das Corridas de Aventura


O site das CAs foi criado com o objectivo de centralizar toda a informação dedicada às Corridas de Aventura, facilitando o seu acesso por parte dos atletas, equipas e clubes, e também de servir como plataforma de divulgação das CAs e das respectivas provas.

Tendo em conta que existe normalmente um elevado espaçamento entre as provas, o dinamismo do site não tem sido o pretendido. A dinamização pretendida poderá passar pela divulgação de entrevistas às equipas, pela divulgação de provas internacionais, etc…

O campo dedicado às equipas será brevemente desenvolvido, com o auxílio das próprias equipas através disponibilização de informação.


IOF – International Orienteering Federation

A IOF é uma instituição agregadora de 74 Federações de Orientação de diversos países à escala mundial, fundada em 1961 e reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional desde 1977.
Actualmente a IOF rege as disciplinas de Orientação Pedestre, Orientação em BTT, Orientação em Esqui e Orientação de Precisão.

A IOF tem um papel fundamental na divulgação das disciplinas e no seu crescimento a nível mundial, promovendo de forma constante provas e campeonatos internacionais.

Com o objectivo de integrar as CAs na IOF, foi criado um grupo de trabalho constituído por um membro de Portugal (André Ribeirete), um membro de Espanha (Héctor Nebot), um membro de França (Edmond Szechenyi) e um membro da Turquia (Tatiana Kalenderoglu).

Como primeira actividade do grupo de trabalho, elaborou-se um questionário que foi submetido às 74 Federações da IOF, onde se pretendeu avaliar o desenvolvimento das CAs nos diversos países. Somente 40 Federações responderam ao questionário e os dados recebidos encontram-se actualmente a ser analisados. De uma análise preliminar é notória a diversificação desta disciplina pelos diversos países, em termos de conteúdo de etapas, constituição de equipas, etc…

Depois de concluída a análise ao inquérito de forma mais cuidada, o grupo de trabalho será estendido a cerca de 10 membros, através do convite a membros de países de outros continentes, possibilitando assim um maior intercâmbio de ideias.

O grupo de trabalho pretende ainda em 2014 promover uma prova a nível internacional, eventualmente em Portugal, antes da assembleia geral da IOF onde se irá submeter a votos a integração das CAs, demonstrando aos membros mais céticos da IOF a força desta disciplina a nível internacional.


Estratégias de Divulgação

Quem já não participou em provas de Triatlo, Duatlo, Maratonas de BTT, Atletismo de estrada, etc… e constatou ao conversar com os atletas que a grande maioria deles não sabem o que são as Corridas de Aventura?

Este facto deve-se à fraca divulgação desta disciplina ao público fora do ambiente das Corridas de Aventura. Neste sentido pretende-se formar um grupo dinamizador que procure dar a conhecer as CAs a um público-alvo definido. Para além dos atletas das modalidades acima descritas, este público-alvo é formado igualmente por praticantes de Ginásios e por estudantes de Ensino (Ensino de Desporto, Ensino Superior, Desporto Escolar,…).

A primeira tarefa a executar por este grupo de trabalho será o desenvolvimento de um flyer de divulgação das provas constituintes da época 2013. Este flyer será posteriormente divulgado em formato papel e digital aos diversos públicos-alvo. O grupo de trabalho será igualmente responsável pela manutenção das diversas vias de comunicação, como o Facebook, site das CAs, fóruns, etc…
Inscrições de Época

A modalidade de “Inscrições de Época” possibilita às equipas procederem a sua inscrição no início da época em todas as provas e desta forma obter um desconto considerável na inscrição. Tem para além da vantagem do desconto de inscrição para as equipas, uma segurança para as organizações com um número mínimo de participações.

A FPO apresentou a sua disponibilidade no apoio a esta modalidade de inscrição, desde que as organizações já definidas para a época 2013 mostrem a sua concordância.




Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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