terça-feira, 22 de janeiro de 2013

VIII CONGRESSO DE ORIENTAÇÃO: "CAMINHO PARA O ALTO RENDIMENTO", POR BRUNO NAZÁRIO




Porque é dum «caminho» que se trata, diria de uma forma simplista que este percurso foi apresentado numa perspetiva de processo de formação desportiva que eventualmente conduzirá o jovem atleta à obtenção de níveis de performance elevados.


Nos países nos quais a modalidade tem uma forte implementação, como por exemplo a Suécia, este percurso está devidamente balizado e definido, existindo patamares de aprendizagem que devem ser respeitados em cada escalão etário.


Tendo em conta a complexidade do processo de formação desportiva dos atletas de Orientação (e no esquema apresentado não se inclui o desenvolvimento das capacidades motoras), os diversos países adaptaram-se e encontraram estratégias diversas para conduzir os seus atletas, desde a formação até ao Alto Rendimento.

Nesse sentido o esquema abaixo resume como esse processo decorre em dois países referência, a Suécia e a França, e a forma como conduzem o processo de formação desportiva dos seus atletas


E em Portugal?

Em Portugal o processo de formação desportiva dos atletas não é regulado de forma significativa. Fruto disto, os atletas que chegam às seleções nacionais têm origens distintas e caminhos diferentes, sendo que muitos chegam às seleções nacionais com várias lacunas ao nível técnico, algo que nos países de referência muito dificilmente ocorre uma vez que a formação desportiva está mais regulamentada.


Fazendo uma análise da nossa realidade, existem questões que merecem reflexão para que exista uma evolução no que se refere ao processo de formação desportiva dos nossos jovens atletas.

Desde logo temos aquilo que ocorre ao nível dos clubes. Para começar, poucos são os clubes que efetivamente têm um sistema de treino implementando, com treinos regulares durante a semana. A acrescentar a isto, dos poucos que efetivamente o têm, muitos revelam problemas básicos: (1) atletas dispersos, maioria não reside junto à sede do clube; (2) clube implementado em local com terrenos de pouca qualidade, requerendo longas deslocações para treinos; (3) falta de técnicos qualificados / disponibilidade para preparar sessões de treino.

Seguidamente temos os outros dois “sistemas” onde os atletas são formados: Desporto Escolar e Ori-Jovens. O Desporto Escolar, onde efetivamente muitos dos nossos atletas são recrutados, apresenta grupos/equipa com boa dinâmica, mas muitos deles condicionados pelos mesmos problemas que os clubes, sobretudo a falta de terrenos de qualidade. Mais ainda, poucos são os grupos/equipa que efetivamente têm ligação entre a Escola e Clube, o que limita a evolução dos alunos formados pelas Escolas. Este assunto merece uma reflexão particular, sobretudo ao encontro de soluções para melhor rentabilizar o Desporto Escolar, quem sabe com um sistema similar ao que existe na Suécia.

Aqui reside, de facto, o cerne do desenvolvimento da modalidade. Todos temos de perceber que triângulo do desenvolvimento da modalidade passa claramente pela Escola (Desporto Escolar), Clubes e Federação Portuguesa de Orientação, sendo o Desporto Escolar o vértice fulcral de todo este processo.

As limitações apresentadas são certamente pontos de reflexão para o futuro, esperando nós que a apresentação dos modelos seguidos na Suécia e na França sejam pontos de partida para a construção de um modelo, de uma “Escola”, a seguir em Portugal. Só com um modelo definido e seguido no País inteiro conseguiremos ter jovens formados e capazes de níveis superiores de rendimento.

Além das limitações expostas acima, a evolução da modalidade e o tal «caminho para o Alto Rendimento» apenas ficará completo quando se conjugarem todos os pressupostos presentes no esquema abaixo.


Ou seja, a melhoria global dos atletas deve-se, por um lado, a uma melhoria das competições, sendo necessário garantir que estas não só sejam realizadas em mapas de qualidade mas também tenham percursos traçados com alta exigência técnica, e por outro à existência de treinadores de qualidade, que consigam que os seus atletas percorram todo o processo de formação desportiva, dominando por completo as várias técnicas de Orientação.

Enfim, temos portanto muito caminho a percorrer…

Bruno Nazário



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: